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Eduardo Guimarães: A cor da tragédia no Rio

28 de novembro de 2010 às 11h12

por Eduardo Guimarães, no Cidadania.com

Sábado, fim da manhã, dou uma escapada do escritório. Fui trabalhar em um dia que costumo dedicar ao descanso porque precisava “preparar” a viagem de negócios que começo a fazer no dia seguinte.

Preciso almoçar. Café e cigarros, ininterruptamente – consumo um e outro sem perceber, quando trabalho ou escrevo –, fizeram-me cair a pressão.

O bar serve uma das feijoadas mais honestas da região da Vila Mariana. De carro, chego lá em 5 minutos.  Gasto mais cinco esperando pela comida e mais dez para comer. Antes da uma estarei de volta.

Meu escritório está na região há quase 15 anos. Vários conhecidos freqüentam o estabelecimento em que matarei a fome. Ao chegar lá, cumprimentam-me e me convidam a sentar à mesa repleta de garrafas de cerveja vazias.

Hesito. São pessoas que têm por costume fazer comentários que me desagradam. A educação, porém, fala mais alto e aceito. Encaro a turma que têm os olhos injetados pelo álcool.

Alguns dos homens, estando todos na mesma faixa etária que eu, mencionam a entrevista com Lula e começam a fazer piadinhas próprias da mentalidade política e ideológica que infesta a parte de São Paulo em que vivo.

Permaneço impassível e calado. Percebem que não estou achando graça. Um deles, menos grosseiro, resolve mudar de assunto:

– E o Rio, hein! Que tragédia!

Percebo que é outro tema que não vai prestar e me abstenho de comentários. Dedico-me à excelente batidinha de limão que servem ali.

Um outro decide escancarar a bocona: “Sabe qual é o problema do Rio?”. Percebendo que vem pedrada, mas já começando a me irritar, pergunto qual seria o “problema do Rio”.

– Pretos, cara. Notou que são todos pretos?

– Todos, quem, cara-pálida?

– Todos. Bandidos, moradores da região. Tudo preto. Esse é o problema do Rio.

Reflito, antes de responder. Ao menos em uma coisa esse demente tem razão: a tragédia carioca tem cor. Realmente, bandidos e população atingida por eles são negros em expressiva maioria. Então respondo:

– Mas a culpa não é deles, é sua. São racistas como você que fizeram com que mesmo depois de mais de um século do fim da escravidão os negros continuassem mergulhados nessa tragédia…

– Mas…

– Aqueles traficantes quase todos negros, um dia foram crianças que se inebriaram pelo poder que os bandidos exercem sobre essas comunidades.

A mesa com seis homens de meia idade fica em silêncio, perplexa com o que acabara de ouvir. Levanto-me, vou até o caixa, pago pela comida que não comi, subo no carro, sem me despedir de ninguém, e vou embora sem almoçar.

Já não havia mais fome.

Levo comigo, porém, uma certeza: a tragédia no Rio tem cor. Existe por conta dessa cor.

Aquelas populações, pela cor da pele, foram mantidas em guetos miseráveis, longe das preocupações dos setores exíguos e preconceituosos da sociedade que fingem que a culpa é dos governantes.

 

48 Comentários escrever comentário »

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BETINHO DUARTE

25/12/2010 - 14h21

JÁ AFIRMARAM VÁRIAS VEZES QUE O PÓ ESTÁ NO ASFALTO E NÃO NOS MORROS. OS BARÕES DA COCAÍNA NÃO MORAM EM FAVELAS.
BETINHO DUARTE

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Louzada

29/11/2010 - 10h08

Paulista falando do Rio nâo dá uma dentro
Me desculpem Eduardo e demais paulistas, mas RARAMENTE vcs verão um NEGÃO no tráfico.
Não existe um único NEGÂO chefe de quadrilha ( por favor me poupem em afirmar que até no tráfico há racismo) isto por que via de regra eles são trabalhadores e corajosos.
Os bandidos na sua grande maioria são miscigenados.
Bandido é Bandido não por causa da miséria ou falta de assistencialismo público, Essa premissa condenaris a maioria da população a serem Bandidos e na verdade são trabalhadores.
BANDIDOS SÃO BANDIDOS por que são COVARDES, COVARDES E COVARDES e não tem cor não.

Responder

Ricardo

28/11/2010 - 23h53

O Eduardo Guimarães faz uma apelo passional ao politicamente correto. Mas apenas passional. Da mesma forma como ele se apressa em generalizar que "a tragédia tem cor", fazendo coro às simplificações neoracistas que dividem a sociedade em pretos e brancos, alguém também poderia, para gáudio das simplificações dizer que essa observação de que "é tudo preto" é bem característica de paulistas.
Gozado, aqui no Rio, que, afinal, é onde o couro come, a consciência da complexidade impede as pessoas de dizer esse tipo de asneiras.
E assim vamos: simplificações conservadoras são respondidas com simplificações "politicamente corretas". Vamos mal de complexificação… e lucidez!

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Gustavo Pamplona

28/11/2010 - 23h27

O mais interessante é que a maioria dos policiais sejam militares, federais, civis além dos soldados das forças militares são negros, caboclos, mulatos, cafuzos… e por aí vai.

Responder

Raquel

28/11/2010 - 19h03

Acho que deveriam caçar também os usúarios de drogas(brancos, geralmente de classe média alta), afinal se não existisse usuários não existiria o tráfico.

Responder

Marcelo Fraga

28/11/2010 - 16h58

É essa gente que ousa chamar o Lula de pinguço. E olha do que são capazes.
Gente assim não muda de opinião (na verdade falta dela). A cabeça já foi moldada.

Mas ainda acho que o Eduardo desperdiçou uma bela feijoada. Para mim, essa gente não vale nem isso.
Lixos humanos.

Responder

Geysa Guimarães

28/11/2010 - 16h35

Que ser humano de grandeza ímpar, esse Eduardo Guimarães! Sua alma solidária não descansa nem na hora da feijoada.

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Giovanni Oliveira

28/11/2010 - 16h33

Em belíssimo samba da Mangueira (2008), o bravo Jamelão cantava:

(…)
Pergunte ao Criador…
Quem pintou essa aquarela,
"Livre do açoite da senzala,
Preso na miséria da favela"
(…)

Responder

flávio cunha

28/11/2010 - 16h17

Caro Eduardo! Eu, desde o início da década de 2000 prometi a mim mesmo não mais ficar calado. Não sei se essa é a atitude mais inteligente em algumas situações onde os interlocutores não têm o alcance necessário para compreender a situação como um todo, mas de qualquer forma foi a decisão que tomei e a qual tenho seguido desde então. Acho que o balanço é positivo, pois antes disso muitas vezes ficava irado após não ter reagido à idiotices proferidas por imbecis como os que você descreveu. Tal atitude, juntamente com o total abandono da rede globo, rbs, etc. têm me feito muito bem.

Responder

Tilda

28/11/2010 - 16h02

eu fiquei foi com vontade de comer feijoada!

Responder

Polengo

28/11/2010 - 15h55

Eles estavam comendo feijoada também?
Você poderia ter lembrado que feijoada era comida de escravo, e que o branco aprendeu com o negro.

Responder

Leo V

28/11/2010 - 15h25

Excelente crônica da vida real. Parabéns por não se calar.

Responder

J,C,CAMARGO

28/11/2010 - 15h20

Jnl. Eduardo: PRONTO! Está armado mais um cenário contra São Paulo! Um bando de bêbados, com os "zóios" esbugalhados de tanta bebida ( uns pinguços mesmo ), ousam tomar o tempo de um jornalista intelectual e também proferir frases racistas! Bingo! São Paulo só tem racistas e por isso é o grande culpado por essa insólita situação! Pobre São Paulo! Além de SUSTENTAR (literalmente) o país, ainda tem que pensar o país ( como quer um inexpressivo ex-ministro da Justiça, um pernambucano de sobrenome Lyra, candidato a vice-presidente em 1989 na chapa de Leonel M Brizolla) ! Chega de papo-furado! Quem
pariu Mateus, que o embale!!!

Responder

    Jair de Souza

    28/11/2010 - 16h34

    Obrigado por dar razão ao Eduardo Guimarães. Depois de ler seu comentário, não me resta dúvida nenhuma de que tudo o que ele relatou é verdadeiro!

    Morvan

    29/11/2010 - 16h50

    J,C,CAMARGO, desculpe-me, mas se "SunPalo" sustentasse o país, como você afirma, já teríamos quebrado irremediavelmente, com ou sem crise financeira mundial. São Paulo estagnou faz tempo. A participação no PIB nacional comprova… Quanto a "pensar o país", por favor, seja razoável. São Paulo "pensa o país" e mantém, há quinze (15) anos um turba de privatistas e fanáticos ultrarreacionários (Opus Dei, TFP, Bispo de Guarulhos, etc) no poder, os quais o mais "edificante" que já fizeram foi negociar com o PCC e colocar o assunto debaixo do carpete.
    Não nos faça rir, pois não tem a menor graça…

    Morvan, Usuário Linux #433640

Mariana

28/11/2010 - 14h58

Já ouvi comentários piores aqui em casa feitos por meu pai, meu irmão, mas graças a Deus tenho uma mãe, que me ensinou a amar a liberdade, respeitar a todos, não ter preconceito, enfim só ensinou coisas boas.
Você Eduardo, pode ir embora porque estava em um restaurante, imagina eu e minha mãe, que só discutimos, damos a nossa opinião contrária a deles, mas não podemos dar as costas e ir embora.
Penso exatamente como você!

Responder

Wildner Arcanjo

28/11/2010 - 14h53

Essa é uma verdade, que, no contexto brasileiro de discriminação, violência, opressão e falta de oportunidades, fica bem próximo da verdade absoluta (já que esta não existe, ao meu ver, não existe).

O problema da violência, em sua essência, é um problema da sociedade e não podemos nos eximir disso.

Nem podemos fazer de conta que aqueles que são as maiores vítimas são os principais culpados.

Responder

Lúcio

28/11/2010 - 14h44

Ele poderia ter pedido a feijoada para viagem. Essa gente não compensa perder o almoço.

Responder

Coralina

28/11/2010 - 14h16

Trago aqui apenas uma das perguntas que me faço, enquanto vejo as coberturas de tomada dos territórios-base do tráfico de drogas pela(s) polícia(s): por quantas escolas será que passaram – e evadiram – determinadas crianças e adolescentes – pobres e negras – que hoje, adultas, estão ali, em fuga, sendo caçadas, por não terem visto nela perspectivas de um dia sua cultura e seu mundo estarem representados dignamente e em IGUALDADE, DENTRO da sociedade mais ampla?

Responder

Flávio F de Farias

28/11/2010 - 14h05

Oh, Edu. Tenho inúmeras situações como esta. Trabalho em um faculdade com cursos na área da saúde no interior do Ceará. E às vezes também não aguento e perco a fome. Solidarizo-me com sua atitude. Pode parecer grosseira, mas é, ao menos às vezes, necessária.

Responder

MirabeauBLeal

28/11/2010 - 14h04

.
CRÔNICA DE UMA TRISTE, AVILTANTE E REVOLTANTE REALIDADE HISTÓRICA.
.
Obrigado, Eduardo.

Alguém precisava dizer isso, em nome da civilização.
.

Responder

Coralina

28/11/2010 - 14h01

Seria maravilhoso se, ainda no governo Dilma, conseguíssemos começar a tratar com a mesma energia e estratégia dedicadas às punições aos crimes cometidos por pobres/negros, o abismo que os distancia da hegemonia cultural branca, esta constituída por seres humanos que, desde ao nascer, têm uma radical diferença de perspectiva de vida. A meu ver (e esse é meu trabalho), a Educação deve, implícita e explicitamente, conseguir levar cada ser humano, independente da faixa etária, a se autovalorizar, através da formação de consciência crítica na construção de Conhecimento. Só vejo sentido em uma Escola que problematize a Cultura, historicamente; que oportunize a pretos e brancos o encanto com o imenso prazer que se pode experimentar na relação com o Conhecimento. Tá passando da hora de pensar uma Escola que rompa com a instrumentalização de corpos-mão-de-obra, preta e branca, para "atender" o mercado; de pensar uma Educação que subverta a lógica/função de "garantir" a inserção do aluno na produção de bens e serviços.
Eduardo, adorei seu texto! Em forma, estilo e conteúdo.

Responder

vanraz

28/11/2010 - 14h01

Aqui no Recife estamos respirando paz. Parece que a bandidagem daqui está com medo.
Bandidos fogem pelos esgotos e são pegos como ratos. No momento eles estava com uma fedentina insuportável, pois os dejetos do morro cobriam-lhes o corpo. A polícia descobriu que o melhor lugar para pegar rato era no esgoto. Não deu outra.
Quem ainda não votou pode votar no PH http://www.vanraz.wordpress.com

Responder

carlos-fort-ce

28/11/2010 - 14h00

bravo edu,

porreta, meu caro.
na próxima, dê a resposta, mude de mesa, tome a caipirinha e coma a feijoada. aposto que não lhe dará azia.

parabéns!

Responder

Coralina

28/11/2010 - 13h58

Ai, que alívio! Que surpresa reconfortante encontrar esta visão com a qual compactuo; pois tenho estado desolada nesses dias de acompanhamento – e não estou conseguindo não acompanhar – das operações no Rio: ninguém, mas ninguém mesmo na mídia televisiva, ainda, sequer citou a questão racial que perpassa – desde a origem – o processo social que pos à margem da sociedade, seres humanos que passam a ser, então, chamados de "marginais". Claro, crime é crime e vai contra quaisquer direitos humanos. Porém, é preciso olhar da perspectiva dos direitos humanos para cada criança afrodescendente que cresceu vendo seu pai, avô, bisavô e parentes buscando alternativas para sua condição de miserabilidade, intimamente atrelada – e reafirmada – em sua cor.

Responder

ana

28/11/2010 - 13h35

UAU!
O ritmo desta crônica, o dia-a-dia que somos obrigados a encontrar gente predisposta a humilhar, a negar, a ignorar a população que mais sofre neste país.

Até eu perdi a fome…

Responder

Luisa

28/11/2010 - 13h10

continua….

Se isto acontecer lá, se prepare Rio de Janeiro, porque a profecia de que o morro tomará o asfalto se cumprirá. Se preparem Recife, a cidade mais racista e preconceituosa do NE, porque os negros irão acertar suas contas com o pessoal da Boa Viagem. Se preparem São Paulo, porque os negros chegarão à Paulista. Se preparem Maranhão, porque os negros chegarão aos coloniais casarões de vcs. Se preparem Minas, porque os negros chegarão à Savassi. Se não sabem do que estou a falar, atentem para as rebeliões negras de onde começam contra o sistema e como elas pipocam nos outros lugares. É bom que isto não aconteça em Salvador, porque se acontecer, haverá eventos em todo o Brasil, basta conhecer a história do país e um pouco de cultura africana para entender o que estou a falar, dentro da escola de antropologia cultural, como referência, Verger, Alberto da Costa e Silva Verger, tia Ciata, pequena África no Rio de Janeiro – livro que fala sobre a diáspora baiana no Rio.

Responder

Luisa

28/11/2010 - 13h05

Foram estas mesmas pessoas que ouvi recorrentemente no Rio, que a polícia tinha que matar todos eles, do elevador ao vizinho, no supermercado, na escola, os comentários na internet. Foi uma coisa que me entristeceu bastante e tudo isso nutrido pela mídia e seus comentaristas ridículos, ouvi um comentário na Rádio Globo que um imbecil pregava abertamente o fascismo no país. Essa gente não quer e nunca quis um Rio de Janeiro de paz, isto é para inglês ver, essa gente quer darwinismo e limpeza étnica é isto o que está por trás de todo este discurso e ainda não foi falado por todas as letras.

É por isso que tenho receio de que algo desse tipo ocorra em Salvador, pois sei que, pela histório do povo nagô, ou os negros islamizados que vieram para o Brasil e suas histórias de rebeliões, eles se levantarão sim, contra o sistema. Muitos morrerão, mas que eles degolarão muitos brancos/barões como eles chamam a elite lá, a isto eles farão.

Responder

Gabriela

28/11/2010 - 13h01

Precisamos mandar para cadeia gente como Itagiba, Lins, Garotinos e outros que fazem acordo com bandidos. Lembremos Lúcio Flávio bandido é bandido e polícia é policia!!!!!!!!!!! CADEIA NELLES!!!!!!!

Responder

FrancoAtirador

28/11/2010 - 12h56

.
Não sou favorável à aplicação da pena de morte, porque entendo que a morte para determinados indivíduos é até um bem e um conforto, não uma punição.

Mas estou plenamente de acordo QUE SE APLIQUE A PENA DE PRISÃO PERPÉTUA, SEM DIREITO À CONDICIONAL E COM EXPROPRIAÇÃO DO PATRIMÔNIO, PARA PUNIR BANDIDOS QUE PRATICAM CRIMES BÁRBAROS, TAIS COMO:

01) TORTURA;

02) RACISMO;

03) XENOFOBIA;

04) HOMOFOBIA;

05) PRECONCEITO DE CLASSE;

06) PEDOFILIA;

07) ESTUPRO;

08) CORRUPÇÃO ATIVA;

09) CORRUPÇÃO PASSIVA;

10) LAVAGEM DE DINHEIRO e

11) SONEGAÇÃO FISCAL.

PRISÃO PERPÉTUA PARA CRIMES BÁRBAROS, JÁ!
.

Responder

Orlando

28/11/2010 - 12h50

Acho que a situação não é [ou não deveria ser] de guerra contra o tráfico, mas de guerra contra as condições abjetas de vida da população de todos os morros do Rio. Se você matar todos os traficantes e não erradicar as aviltantes condições de vida dos moradores dessas favelas, mais cedo ou mais tarde, tudo se repetirá. Na verdade, os morros do Rio não têm que ser, eventualmente, ocupados pela polícia ou exército mas, permanentemente, por saúde [saneamentos e afins], educação, lazer etc.

Os morros do Rio são uma imagem emblemática de um Brasil excludente, injusto e racista. Não existiriam os morros se, logo após a escravidão, os negros tivessem sido inseridos na vida econômica e social do país. No entanto o Brasil os esqueceu. E trouxe milhões de imigrantes europeus que ocuparam os postos de trabalho nos campos e cidades. Se você não humanizar os morros cariocas, isto é, se você não cuidar das crianças dos morros, hoje, elas, amanhã, serão os traficantes do futuro.

Responder

sandra pacheco

28/11/2010 - 12h39

Puxa este texto bateu muito forte, não sei se é pela explicitude desta indignidade chamada preconceito, se é pela indiferença que percebo ainda hoje, século XXI, impera entre os que se consideram "brancos", mas acima de tudo pela vergonha que senti . Parece que levei um soco no estomago. Sempre soube que havia um grupo reacionário e racista, afinal somos um país livre e todos tem direito a expressar sua idéias, mesmo as lamentáveis, mas começo a temer que está ultrapassando o limite do razoável. Eduardo sua resposta foi firme e espero tenha atingido seus interlocutores no estomago, no cérebro e na alma permitindo que reflitam e revejam seus preconceitos.

Responder

Marcelo de Matos

28/11/2010 - 12h34

Não importa se o gato preto ou branco, desde que ele pegue os ratos, disse o líder chinês Deng Xiaoping. Quero dizer que a questão não é saber se o traficante é branco, preto ou amarelo. Se ele anda armado pela favela, distribuindo drogas, é criminoso e ponto final. A televisão mostrou que os fugitivos da Vila Cruzeiro eram quase todos pretos. Segundo um padre da vila eles vão lhe perguntar se estão cometendo algum pecado. São ignorantes, é claro. Mesmo assim, o que fazem é crime, seja ou não pecado. Não os estou discriminando, mas, não posso absolvê-los do crime que praticam em razão da cor, da pobreza ou da ignorância. São os soldados do tráfico. Trabalham para chefes como Elias Maluco e Marcinho VP que têm mansões, carros importados e contratam advogados. Muitos queimam ou mandam queimar carros e ônibus. Até sexta feira tinham sido incendiados 98 veículos. Não é porque os incendiários são negros, pobres, ou ignorantes que o crime torna-se mais ameno. O Estado tem de intervir de forma implacável para evitar o caos.

Responder

    Marco

    28/11/2010 - 13h49

    Marcelo, acho que você não entendeu NADA do que escreveu o Eduardo. Proponho que voê releia o texto com atenção.
    Outra coisa, acesse esse link e veja quem você esqueceu de incluir no seu arrazoado em favor da "lei e da ordem". http://picasaweb.google.com/lh/photo/3Tq4-3kXz245

Gerson

28/11/2010 - 12h31

Só teremos solução real quando identificarmos o verdadeiro inimigo (É o capitalismo, idiota!).
Que sobrevive erigindo em espantalhos os inimigos menores, ou meros oponentes – Escobar, Castro, Bin-Laden, Saddam, Chávez, Ahmadenijad, há sempre um na berlinda.
http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2010/11/ba

Responder

    Lúcio

    28/11/2010 - 14h48

    (comunista detected)

    Prezado Gerson,
    Certamente o capitalismo não é o modelo econômico perfeito. Mas o sr há de concordar que todas as tentativas de implementar o comunismo fracassaram (não adianta querer entrar no mérito dos motivos, por que fracassou). É um fato: fracassaram. Portanto não há de se esperar que uma futura tentativa de implementar o comunismo por aqui dê certo. Vamos deixar o idealismo um pouco de lado e lidar com a realidade. Temos que admitir que não vai dar certo e pronto. Talvez uma solução melhor seja um Estado intervencionista, que valorize mais o trabalho e controle os ganhos do capital (na medida do possível). Ou algum modelo econômico totalmente novo, o que eu não consigo imaginar. Eu não sou criativo o bastante para isso.

    Marcelo Fraga

    28/11/2010 - 16h52

    Parei de ler depois do "comunista detected". Jargão típico de uma certa gentalha leitora de Azevedos e Mainardis.

    Lúcio

    28/11/2010 - 20h52

    De fato, o capitalismo não triunfou. Mas quantos são os países comunistas autalmente?
    E Marcelo, ao contrário do que o sr pensa, eu não leio o que o sr supõe que eu leia. Se eu sou leitor do blog, é porque eu não concordo com a direita, é porque eu não confio nas notícias do PiG. Eu simplesmente acho que qualquer tentativa de implantar o comunismo é utopia. Não vai dar certo. Simplesmente derrubarão ou transformarão em uma ditadura. Sugiro que leia o que escrevi anteriormente. Até onde eu saiba ninguém de direita sugeriria um Estado intervencionista, que valorize mais o trabalho e controle os ganhos do capital, na medida do possível.

    Marcelo Fraga

    28/11/2010 - 23h30

    Tudo bem, ignorei o fato de que existe gente da esquerda (ou centro-esquerda) que repudia o comunismo. Só acho que o capitalismo é um sistema podre pois, digamos, é a encarnação da índole humana na forma de sistema organizacional. Ou seja, incorpora tudo o de ruim que há no homo sapiens, e por isso é o sistema "padrão". O comunismo, na sua teoria, tenta reparar isso. O que houve foi que todas as tentativas de implantá-lo foram conduzidas por gente despreparada e/ou que deixou o poder subir à cabeça. Peço desculpas por tê-lo comparado à leitores do Azevedo, sei que é pesado pois ofende até eles próprios.

    Lúcio

    28/11/2010 - 21h06

    Prezado Marcelo,
    Para que o sr não ache que jogamos em lados diferentes: http://eugen-von-bohm-bawerk.blogspot.com/
    Tudo bem que eu não li nem metade ainda, mas o sr não pode dizer que eu sou de direita. (Eu ainda vou tirar um dia para ler tudo)
    E me comparar com leitores de Azevedo (que segundo a Wikipédia não acredita nem em aquecimento global) já é pegar pesado.

    A. Elcio

    28/11/2010 - 19h24

    Gerson, se você diz que o comunismo fracassou, você acha que o capitalismo triunfou?!

    Meu conceito de triunfo é outro então, diferente do triunfo representado pela bandeira brasileira tremulando no alto do morro do Alemão e pela bandeira estadunidense tremulando em Bagdá.

Aline C Pavia

28/11/2010 - 12h30

Depois dessa também fiquei sem fome.

Responder

Nelson Mosquera

28/11/2010 - 12h19

Calma Eduardo. Pra que tanto mau-humor? Por causa disso perdeu uma excelente feijoada, segundo você mesmo.
Blog bom, como o seu,exige disposição solidária, sempre. Um abraço do seu leitor.

Responder

Maria S. Magnoni

28/11/2010 - 12h12

Azenha e Conceição,

Essa crônica do Edu me fez lembrar instantaneamente de Lima Barreto, vou postar aqui o mesmo comentário que postei no blog dele.

"Linda crônica, no meio de tanta tragédia! Pois é, os pretos e os pobres do Rio foram empurrados para o morro lá no começo do século XX quando o prefeito Pereira Passos, durante a presidência do paulista Rodrigues Alves fez a reurbanização da cidade e todo o centro velho cheio de cortiços e afins foi demolido para se abrir a avenida Central, a atual Rio Branco, entre outras mudanças.A nascente burguesia saudava o feito através de seus escribas na imprensa, como Figueiredo Pimentel, que na sua coluna no jornal Gazeta de Notícias, lançou o slogan ” O Rio civiliza-se!!”. Na outra ponta um mulato, pobre, modesto funcionário do Ministério da Guerra, alcoólatra e que por conta do vício, da pobreza e toda a sorte de desgostos morreria aos 41 anos, deixando uma obra imprescindível à História do Brasil republicano. Falo do escritor Afonso Henriques de Lima Barreto ( o nosso Lima Barreto), apaixonado por sua cidade natal, foi crítico implacável do processo de reurbanização, porque soube ver claramente o que ele significava, tanto para o seu povo, quanto para a memória da cidade, para a sua topografia e para o meio ambiente. Nessa hora vale a pena ler ou reler seus romances, suas crônicas, seus artigos e seus contos.

Abraços.

Responder

Francisco Nogueira

28/11/2010 - 12h01

Caramba! Até eu que compartilho da mesma opinião do Eduardo me "calei" ao ler o texto.
Parabéns!

Responder

Daniel

28/11/2010 - 11h55

PERFEITO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Simplesmente perfeito!
Um dia as pessoas TEM QUE entender que o problema é de todos!!! Não da pra ficar achando que isso é como sujeira que matando resolve ou colocando à parte resolve.

Parabéns pelo pelo post!
Parabéns pelo texto!

Responder

Gerson Carneiro

28/11/2010 - 11h50

O fulano não sabe o que diz. Ele não sabe que há pessoas de outras cores que são clientes assíduos dos “pretos”. Pessoas estas que possivelmente dividem a mesma cerveja com ele.

De tão alienado, o sujeito nem se dá conta que o galã da novela preferida dele, um bonitão, branco, de olhos verdes, é um dos clientes dos “pretos"

O Eduardo deveria era ter mudando de mesa. Não compensa deixar a caipirinha pela metade por causa de um babaca.

Responder

Fábio Villela

28/11/2010 - 11h36

Como existi gente assim no Brasil, viu…

Responder

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