Altamiro Borges: A PF e o juiz Moro não vão vazar nada sobre a lista de brasileiros em paraísos fiscais?

Tempo de leitura: 3 min

Moro faz diferença

Faz a diferença para os ricaços brasileiros

A lista dos brasileiros em paraísos fiscais

por Altamiro Borges, em seu blog

No final de janeiro, no curso da provocativa fase “Triplo X”, da Operação Lava-Jato — que teve como único intento incriminar o ex-presidente Lula –, a Polícia Federal apreendeu uma lista com os nomes de centenas de ricaços brasileiros que remeteram grana para paraísos fiscais espalhados pelo mundo.

As planilhas, com os registros das contas offshore e de seus respectivos donos, estavam armazenadas nos computadores da filial nacional da empresa panamenha Mossack Fonseca.

A notícia atemorizou muitos sonegadores e foi encarada como um tiro pela culatra.

Eles temeram os famosos — e seletivos — vazamentos da PF.

Para seu alívio, porém, nada vazou e a imprensa simplesmente já esqueceu a lista.

Na ocasião, a expectativa entre os investigadores era de que as planilhas da Mossack detalhassem um esquema de evasão de capitais e lavagem de dinheiro não apenas dos suspeitos de corrupção na Lava-Jato, mas também em outras áreas.

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“A Mossack é bem mais ampla que o caso Lava-Jato. A empresa não só apresentou indícios de aparecer em outras investigações já deflagradas como provavelmente vai se descobrir muita coisa. Não podemos descartar que surjam provas para outras investigações”, afirmou o delegado Igor Romário Paula, que esteve à frente das ações da Polícia Federal na operação.

A Mossack é conhecida mundialmente como uma “fábrica de laranjas”.

Fundada no Panamá em 1977 e com filiais em 40 países, ela é especialista na abertura de offshore.

A partir dos grampos telefônicos feitos pela Polícia Federal, a força-tarefa concluiu que a empresa oferece diversos serviços ilícitos, como a venda de “laranjas” e de empresas offshore com a finalidade de ocultar a real titularidade dos proprietários brasileiros.

Também há indícios de que ela facilitaria a abertura de contas no exterior.

Em decisão proferida sobre a 22ª fase da Lava-Jato, o juiz Sergio Moro alegou que a Mossack serviu a “agentes envolvidos no esquema criminoso da Petrobras, que a usaram para lavagem de dinheiro”.

Ainda na ocasião, o coordenador da força-tarefa em Curitiba, o carrasco Deltan Dallagnol, fez as suas midiáticas ameaças: “Aconselharia os donos dessas offshore a procurar espontaneamente o Ministério Público, tendo em mente o que aconteceu na Lava-Jato. Quem procurou primeiro obteve acordos melhores”.

Pela legislação brasileira, manter valores no exterior não é crime, mas donos de recursos acima de US$ 100 mil são obrigados a comunicar à Receita e ao Banco Central.

No submundo do crime da lavagem internacional de capitais, as empresas offshore são abertas exatamente com o objetivo de ocultar dinheiro sem procedência, preservando a identidade de seus verdadeiros donos.

Desde o final de janeiro, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, tendo à frente o juiz Sergio Moro, já permitiram o vazamento de um bocado de factoides — sempre com o objetivo de incriminar Lula e outros petistas.

Nesta ação seletiva, que visa atrair os holofotes da imprensa com propósitos nitidamente políticos, os ricaços com contas em paraísos fiscais — entre eles, banqueiros, ruralistas, industriais, barões da mídia e estrelas globais — podem dormir tranquilos.

Nada vai vazar — a exemplo do que já ocorreu com as contas do HSBC na Suíça e com os fraudadores da Operação Zelotes!

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