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“Parece que estou sonhando”, diz médica cubana que vai enfrentar o pior IDH

27 de setembro de 2013 às 05h52

Maribéis chegam ao destino depois de uma longa viagem; Melgaço tem o pior IDH do Brasil

por Dario de Negreiros*, especial para o Viomundo

Pergunta um melgacense às médicas cubanas recém-chegadas à cidade: “Dá pra notar que Melgaço tem o pior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do Brasil?”. Depois de um breve silêncio, uma delas afirma, como numa forma delicada de lhe responder sem mentir: “Eu nunca tinha visto uma casa de palafita, antes”.

Viemos todos na mesma embarcação – um grande navio de quatro andares que perfaz a rota Belém-Melgaço em cerca de 18 horas –, partindo da foz do rio Amazonas e descendo pelos encontros das águas marítima e fluvial que compõem o Arquipélago do Marajó.

“Quando vínhamos no barco para cá, eu falei: parece que estou sonhando, é como se fosse um filme!”, diz a médica Maribel Morera Saborit, 44. “Nunca imaginei que iria ver o que estava vendo: as casinhas de madeira à beira do rio, as crianças naqueles barquinhos pequenininhos…”.

De barco, crianças pedem esmola aos turistas

Quando nos aproximamos das estações hidroviárias, crianças em pequenas canoas remam até nós para pedir dinheiro, comida, balas ou o que quer que seja. Um deles, sem aparentar mais de 12 anos, olhando-me levava dois dedos à boca, como quem pede um cigarro. “Eu sei que há muita pobreza no mundo, mas não sabia que aqui havia gente vivendo nessas condições”, continua Saborit.

Na chegada, as médicas são recebidas pelo prefeito Adiel Moura (PP) e juntos caminhamos pela região central da cidade, que já se mostra consideravelmente mais pauperizada do que o município vizinho de Curralinho, minha parada anterior. E, lembremos: em 2010, Curralinho registrou o menor PIB per capita do Brasil.

Aqui em Melgaço, as casas, quase todas de madeira, sem porta nem janelas, têm muitas delas aspecto de abandonadas, muito embora bem se veja o movimento de seus moradores.

O pouco asfalto parece mais atrapalhar do que contribuir com o movimento constante das motos, tal seu estado; automóvel, dizem, há na cidade apenas meia dúzia.

Das ruas de terra levanta uma forte poeira, o que contribui para que sejam frequentes, nos períodos mais secos, os males relacionadas às vias respiratórias.

Quase não há iluminação pública.

Muitas das palafitas têm à sua frente pontes de madeira que fazem as vezes de calçada, entrecortadas por instalações precárias de energia elétrica. Por elas, equilibrando-se como se nada houvesse, vemos passar dezenas de crianças a caminho da escola.

À noite, é neste labirinto que tem de caminhar, na escuridão, quem por ali vive. No ano passado, dizem-me diversos moradores desta rua, um contato acidental com este emaranhado de fios de energia – alguns avançam sobre a ponte, obrigando o pedestre ao contorcionismo – matou uma criança eletrocutada.

“Eu tive a possibilidade de ver, na Venezuela, pobreza extrema”, conta a outra Maribel, a Herrera Hernandez. “Lá há as chamadas ‘invasões’, onde as casas são feitas de qualquer coisa: tábuas, papelão. E há os morros, que são como as favelas. Mas também nunca vi nada como isso.”

Vivendo com menos de R$ 140 por mês, 73% dos cerca de 25 mil habitantes de Melgaço podiam ser classificados como pobres em 2010, enquanto 44%, com renda mensal de R$ 70, eram considerados extremamente pobres.

Chicó, o curandeiro

“O remédio mais caro é a babosa com mel de abelha. Cura asma, bronquite, tuberculose, paralisia e câncer”, diz-me seu Chicó, 70, o curandeiro local. “Bom, depende do tipo de câncer”, pondera. “E tem que descascar a babosa, porque a casca é ácida, faz mal.”

Chicó é filho de Teodora – esta, dizem, uma das mais importantes curandeiras que ali existiram. Com ela, aprendeu a receita dos remédios caseiros que até hoje prepara em suas famosas “garrafadas”.

“Minha mãe foi farmacêutica caseira e, quando perdeu a visão, quem fazia os remédios era eu.” Parteira desde os 12 anos, Teodora, diz Chicó, tinha um dom: com sua oração, as mulheres pariam sem sentir dor.

Pergunto a Maria Lina Moraes, esposa de Chicó, se o dito é verdadeiro. “É verdade. Mas eu sou mãe de 16 filhos, então, quando eu achava que estava com o filho no bucho, já estava com o filho no braço.”

Maria Lina conta que seu irmão, o pedreiro Judeu Moraes, foi levado à curandeira Teodora quando despencou de um açaizeiro, caindo em cima do próprio braço. “Ela colocou uma compressa no braço dele, orou e, quando tirou, saiu um monte de pus e sangue. E ele sarou.”

Chicó ainda se lembra da receita: “Pega a minhoca, torra bem torradinha, mistura com farinha, coloca um pano e enrola no braço quebrado. Sara em quatro ou cinco dias.”

O hospital de Melgaço

Judeu Moraes representa bem a mudança de hábitos pela qual passaram os moradores da cidade nas últimas décadas. Pois foi no hospital, e não na casa de algum curandeiro, que o conheci.

Por coincidência, ele trazia em seus braços, justamente, um garoto que havia caído de um açaizeiro. “Eu não tomo esses remédios caseiros”, afirma o cunhado de Chicó.

“Essas coisas de curandeiro eram mais comuns antigamente”, explica Ricardo Fialho, coordenador-geral do movimento Marajó Forte. “Hoje em dia, quando alguém adoece, o povo leva logo para o hospital”.

Não há, atualmente, nenhum médico fixo na cidade. Dois dos três profissionais que aqui trabalham permanecem 15 dias e o outro, 10. Durante 25 dias, todos os meses, a cidade tem apenas um médico, que tenta se revezar em todos os serviços.

“Quando a gente fica sozinho, aqui, é uma loucura”, diz Anselmo Faria Alvarez, 63, em Melgaço desde janeiro.

Nestas ocasiões, Anselmo se divide entre as emergências do hospital, os atendimentos nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e, ainda, as consultas aos pacientes do Caps (Centro de Atenção Psicossocial).

A população, é claro, se queixa. “Falta médico. Você tem que chegar 1h da manhã pra ser atendido às 7h”, diz Lúcio Ferreira da Silva, 60, trabalhador rural.

Por falta de médicos, Ruth viaja com as crianças; o estoque de água é usado para fazer suco de açaí

“A criançada, eu nem levo mais aqui em Melgaço. Levo em médico particular, lá em Portel [cidade vizinha]”, conta a vendedora de açaí Ruth Leia Caldas, 37.

Diferente do que vimos em Curralinho, por aqui os funcionários dos postos de saúde e do hospital não reclamam da falta de materiais básicos, como luvas descartáveis, algodão e medicamentos essenciais.

Sebastião teve de viajar de barco até Macapá, com uma sonda, para fazer uma cirurgia

Neste contexto, a chegada das duas cubanas deve provocar um impacto imediato: a partir de agora, os três médicos contratados pela cidade poderão se dedicar exclusivamente ao hospital, o que lhes permitirá reduzir as filas do ambulatório e passar a realizar cirurgias.

“Inicialmente, vamos passar a fazer pequenas cirurgias: cesarianas, hérnias, cirurgias na parte baixa do abdômen”, afirma Anselmo. “Além disso, a presença de médicos fixos na cidade é muito importante.”

Hoje, quem precisa deste tipo de cirurgia deve tomar a “ambulancha” para a cidade de Breves, numa viagem de pouco menos de uma hora. Isso se não for encaminhado para local ainda mais distante.

Se a cirurgia de Ilário Rocha da Silva, 58, pudesse esperar, provavelmente sua hérnia inguinal teria sido operada em Melgaço.

O mesmo talvez se passasse com Sebastião Santos Medeiros, 69, nascido e criado na zona rural de Melgaço, mas que para fazer uma cirurgia de próstata teve de viajar até Macapá. “A viagem foi muito cansativa porque, ainda por cima, colocaram uma sonda em mim”, relata.

Dr. Anselmo: Dois empregos como médico itinerante

O médico Anselmo não faz segredo sobre o motivo que o trouxe para cá: em Belém, trabalhando contratado pelo governo do Estado, recebia mensalmente cerca de R$ 3 mil por 40 horas semanais.

Trabalhando 15 dias em Melgaço e outros 15 em Gurupá, também na região do Arquipélago do Marajó, multiplica esse salário por dez.

Sendo tais os valores de mercado para esta mão-de-obra na região, ficam os municípios pobres impossibilitados de ampliar o número de médicos com seus próprios orçamentos.

Em julho deste ano, os repasses federais e estaduais recebidos por Melgaço somaram, segundo a secretaria de saúde, R$ 250 mil, valor ao qual se pode acrescentar os cerca de R$ 100 mil de contrapartida do município.

Somados todos os encargos, o custo total de contratação de um médico chega perto dos R$ 36 mil. Ou seja: mesmo que, hipoteticamente, a cidade pudesse gastar toda a verba disponível para saúde apenas com a contratação de médicos, não conseguiria bancar nem dez profissionais.

Para alcançar a ainda baixa média brasileira, de 1,8 médico por mil habitantes, Melgaço teria de contar com 45. Já para se equiparar às médias de países como Itália, Alemanha, Portugal e Espanha, que possuem entre 3,5 e 4 médicos por habitante, seriam necessários entre 88 e 100.

Mari e Bel ocupam vagas de médicos brasileiros que não quiseram vir

Além das duas cubanas recém-chegadas, Melgaço ainda pretende receber mais três profissionais nas próximas fases do Mais Médicos.

A intenção é ter quatro médicos trabalhando em equipes de saúde da família e um exclusivamente no Caps. “Vai desafogar bastante o hospital”, comemora com antecipação Ivonete Silva, atual diretora da casa.

Segundo a secretária de saúde de Melgaço, Ângela Iketani, a cidade já havia tentado conseguir médicos pelo Provab (Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica), que oferece aos que se disponibilizam para trabalhar fora dos grandes centros urbanos bolsas de R$ 10 mil mensais e 10% de bonificação em exames de residência.

“Nós nos habilitamos, mas não recebemos nenhum profissional: nem enfermeiro, nem odontólogo, nem médicos”, diz.

Depois, na primeira fase do Mais Médicos, aberta apenas aos brasileiros, mais uma vez não houve ninguém que se habilitasse a vir para cá.

As médicas cubanas e o prefeito

Maribel Herrera Hernandez e Maribel Morera Saborit estão na cidade desde a manhã de sábado e já tiveram, no dia da chegada, a homonímia desfeita. “Você é a Mari”, batiza a secretária de assistência social, Socorro Reis, olhando para Saborit. “E você”, diz, apontando Hernandez, “é a Bel. Tem mais cara de Bel”.

Mari e Bel estão instaladas no centro da cidade, onde ocupam um pequeno apartamento com copa-cozinha, um banheiro e dois quartos com ar-condicionado – item essencial na região.

O espaço faz parte de um corredor de apartamentos térreos: logo ao lado moram as secretárias de saúde e assistência social e, em quartos menores, hospedam-se viajantes eventuais.

Paparicadas todo o tempo por prefeito, secretários e funcionários, elas ainda não parecem completamente à vontade – como é de se esperar de quem chega a um lugar completamente desconhecido.

Vejo-as mais soltas, pela primeira vez, durante um churrasco de domingo. O motivo, creio, é menos a cerveja do que o assunto: a revolução cubana.

Maribel, a Mari, é mais falante, extrovertida, expansiva. Mas, quando se trata deste assunto, mesmo Maribel, a Bel, não se contém: “Dario, vou falar em espanhol, traduza para eles, por favor. Não há ditadura, em Cuba. Se Fidel permaneceu tanto tempo no poder, foi porque quisemos, porque votamos nele”, assegura.

“Antes da revolução, era muito pior”, concorda Mari. “Hoje todas as pessoas têm saúde gratuita e de qualidade, todos têm acesso a ensino de qualidade.”

Concedo-me um aparte, saindo por um momento do papel de tradutor e mediador da discussão, quando se debate religião.

Se as conquistas sociais são inquestionáveis e trazem ganhos de liberdade coletiva, digo direcionando-me aos críticos, tampouco se pode negar a existência de restrições de liberdade individual, pondero com elas.

“Realmente, havia restrições de liberdade religiosa”, concedem. “Mas isso foi, principalmente, no início [da revolução]. Hoje, já melhorou bastante”, respondem-me juntas, intercalando-se.

Enfim, para além de qualquer dúvida, resta a gana com que ambas defendem e exaltam seu país. Nisto incluso, evidente, o sistema de saúde cubano.

As médicas cubanas são apresentadas a moradores de Melgaço

Em Cuba, contam, um especialista em medicina da família – ou, como lá se diz, em medicina general integral– costuma viver no mesmo lugar em que clinica. “No térreo, faz-se as consultas, no andar de cima vive o médico e, acima, a enfermeira”, diz Mari.

“Esse consultório, por sua vez, está ligado a uma policlínica, que tem laboratório, pronto-atendimento, raio-X, vacinação, oftalmologia, endoscopia, ultrassom etc. Isso compõe a atenção primária: uma policlínica e vários consultórios médicos.”

“As pessoas têm tudo isso perto delas. E um médico que trabalha no consultório faz plantão na policlínica”, diz Bel.

Isso significaria, então, que em Cuba um médico da família realiza procedimentos que, no Brasil, são reservados a especialistas?

“Sim. Lá, nós tratamos as patologias próprias de especialidades, como oftalmologia, cardiologia, ginecologia. Falamos com um especialista só quando temos alguma dúvida”, confirma Bel. E Mari acrescenta: “Aqui, muitas vezes vamos nos sentir de mãos atadas”.

Em Melgaço, estará no trabalho preventivo o foco de suas atuações. “Aqui, o maior esforço será o de promoção de saúde: mudar hábitos, mudar ideias”, diz Bel.

“Nós temos de construir formas de atuação sobre estes problemas para obter resultados. Sabemos, por exemplo, que aqui as pessoas são muito religiosas. Então, eu já disse: nós vamos falar com os pastores”, afirma Mari. “Nós temos de encontrar essas brechas, descobrir por onde podemos nos colocar.”

Conversando com duas mães que, voluntariamente, deixaram suas casas para morar em uma cidade tão pobre e tão distante, é inevitável que questionemos a dimensão da recompensa financeira que será obtida a partir deste trabalho.

Ficou na bela cidade de Cienfuegos, conhecida como La Perla del Sur, a família de Bel — uma adolescente de 15 anos e um menino de 5, além de seu marido. O marido e os dois filhos de Mari, de 19 e 18 anos, moram na capital Havana.

Por um lado, a recompensa é relevante, dizem-me; mas, por outro, elas garantem que o salário que recebem em Cuba lhes é plenamente satisfatório.

“O salário básico de um médico, em Cuba, é de 573 pesos cubanos (aproximadamente R$ 53). Depois, se você tem mestrado, categoria docente etc., vai subindo”, explica Bel.

“Quando o convertemos em dólares (US$ 24), talvez seja muito pouco – ou pensem vocês que é muito pouco. Mas, para nós, supre todas as nossas necessidades, especialmente se considerarmos como são os preços em Cuba.”

Para tratar a água, Melgaço depende do governo federal

Melgaço já teve aprovados pelo Ministério da Saúde outros dois pleitos relevantes: a construção de mais três UBSs, no valor de R$ 408 mil cada, e a concessão da verba para construção de uma Unidade Básica Fluvial, com custo de R$ 1,6 milhão.

É a respeito das estratégias de captação de novos recursos, capazes de manter funcionando os equipamentos de saúde vindouros, que converso com o prefeito Adiel Moura.

“Nós temos uma horta da prefeitura, que está à disposição de algumas famílias, e temos outros agricultores fazendo abacaxi, maracujá”, conta. “Também tem um pessoal que tá criando peixe. É a prefeitura que entra com toda a infraestrutura, dá os insumos etc.”

Aldrin e os tambaquis: fartura

Para quem visita a horta, as plantações e os tanques de peixe, fica claro se tratar de um trabalho incipiente. Com seus 30 mil tambaquis espalhados por sete tanques, os ganhos do piscicultor da cidade, Aldrin de Souza, oscila, segundo ele, entre R$ 10 mil e R$ 20 mil anuais.

Melgaço tem uma renda per capita de R$135, o que corresponde a apenas 17% da média nacional, de R$ 793,87. Ainda que, individualmente, a renda de Aldrin esteja muito acima da média de seus conterrâneos, ela é evidentemente incapaz de aumentar significativamente a arrecadação do município.

A gestão atual da prefeitura, apesar de já estar em seu segundo mandato, quando questionada sobre alguns dos maiores problemas da cidade tem pouco mais a mostrar do que meros projetos.

Não há, em Melgaço, qualquer tipo de tratamento da água utilizada. Sobre isso, diz o prefeito Adiel, há um projeto, com verba federal, cujas obras têm o início previsto para novembro.

Banheiros com fossas sépticas são, por ali, raridade. Nos seus quase cinco anos de gestão, a prefeitura construiu pouco mais de trinta, numa média de apenas seis banheiros por ano. Detalhe: sequer as fossas foram feitas.

“É muito pouco”, confessa Adiel, que diz pretender chegar à marca de 66 banheiros construídos, com as fossas devidamente instaladas.

Sobre o asfaltamento das ruas de terra, atualmente uma das maiores responsáveis pela poeira causadora de problemas respiratórios, o prefeito afirma que o governo paraense “está sinalizando” com a construção de 3 km de vias asfaltadas. “Mas isso demora a acontecer, né? E é pouco, é pouco.”

Enquanto tais projetos não se concretizam, o programa social mais relevante para Melgaço, sem sombra de dúvidas, é o Bolsa Família.

Segundo a secretária de assistência-social, Socorro Reis, mais de 21 mil dos 25 mil habitantes da cidade já recebem o benefício. “Com o Bolsa Família, o dinheiro começou a circular no município”, diz. “O impacto? O impacto… Deus te livre! É visível. Os comércios cresceram, foi abrindo de tudo: loja de roupa, loja de tudo o que você possa imaginar.”

Apesar da morosidade da administração municipal, nos últimos três anos aconteceram alguns avanços relevantes.

Em 2010 – quando foram colhidos os dados que deram a Melgaço a última colocação no ranking de IDHM brasileiro –, a mortalidade infantil era de 22,4 a cada mil crianças nascidas, 34% maior do que no resto do país. Em 2011, foi reduzida para 18,63 e, em 2012, para 15,52 – 7% a menos do que a média nacional.

Assim como em Curralinho, onde não encontramos qualquer empresa instalada, a prefeitura de Melgaço é também a única empregadora da cidade.

“A gente briga há muito tempo para aumentar o valor dos repasses do governo federal”, diz Ângela, a secretária de saúde. “Mas não adianta vivermos só de repasses. O município tem de ter uma estratégia de arrecadação própria.”

Além das cubanas Mari e Bel, Melgaço terá quatro unidades de saúde a mais – incluindo a unidade fluvial – e tem, ainda, a perspectiva de receber outros três médicos.

Se hoje é só com muito esforço que a prefeitura consegue suprir a demanda existente por materiais essenciais e medicamentos, a ampliação da rede exigirá, obrigatoriamente, o aumento da receita. Sob o risco de ver desperdiçados os investimentos e o baixíssimo índice de desenvolvimento humano, perpetuado.

Mari brinca com um futuro paciente. Foco no trabalho preventivo faz sentido: água consumida em Melgaço não tem tratamento

* O repórter Dario de Negreiros viajou financiado pelos leitores do Viomundo, aos quais agradecemos por nos proporcionar esta série de reportagens. Se você quer ler outras como esta, clique aqui e assine.

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78 Comentários escrever comentário »

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Sidney

01/06/2016 - 19h02

Não tinha visto esta reportagem. Parabéns ao site. Que tenha vida longa o projeto Mais Medicos.

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O morador de Heliópolis que vai se formar médico em Cuba - Viomundo - O que você não vê na mídia

26/01/2014 - 22h40

[…] Dario de Negreiros acompanha a chegada das médicas cubanas à cidade com pior IDH do Brasil […]

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Cardeal Orani: Rio "precisa respeitar as pessoas que estão sendo removidas" - Viomundo - O que você não vê na mídia

12/01/2014 - 19h25

[…] “Parece que estou sonhando”, diz médica cubana que vai enfrentar o pior IDH no Pará […]

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Altamiro Borges: O Mais Médicos e a derrota dos tucanos - Viomundo - O que você não vê na mídia

10/11/2013 - 01h16

[…] “Parece que estou sonhando”, diz cubana que vai enfrentar o pior IDH […]

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Azuir Ferreira Tavares Filho

04/10/2013 - 09h39

BEM-VINDO MÉDICOS CUBANOS, OBRIGADO POR VIREM AJUDAR.

O Brasil esta mudando, com Lula e Dilma Presidentes.
Cada cidadão Trabalhando, somos corações valentes.
Matamos a fome de 500 anos, e investindo em Estudar.
Bem-vindo Médicos Cubanos, obrigado por virem ajudar.

Melhorando a Educação, a Saúde e a nossa Cidadania.
De Renda mais distribuição, elevando nossa soberania.
Somos Latinos Americanos, povos irmãos a somar.
Bem-vindo Médicos Cubanos, obrigado por virem ajudar.

Cubano é nosso irmão, Anjo da Guarda verdadeiro.
Lhe pedimos perdão, algum comportamento rasteiro.
Com Amor lhes admiramos, da Liberdade representar.
Bem-vindo Médicos Cubanos, obrigado por virem ajudar.

Queremos é confraternização, somos é de irmandade.
Pela partilhar do Pão, cultivadores da Fraternidade.
Também somos Africanos, o que muito nos faz orgulhar.
Bem-vindo Médicos Cubanos, obrigado por virem ajudar.

Cuba Ilha tão pequena, do Povo Humanista Gigante.
Maravilhosa e serena, tão Mestra Mãe Maria atuante.
São Valorosos Humanos, ajudam o Mundo a avançar.
Bem-vindo Médicos Cubanos, obrigado por virem ajudar.
.
Cuba nossa irmã valorosa, é de encantos sua História.
Tem a alma mais formosa, pela sua digna trajetória.
Superam humanos desenganos, que fracos fazem criar,
Bem-vindo Médicos Cubanos, obrigado por virem ajudar.
.
Povo que lembra o Nazareno, que fácil partilha o pão.
Não deixa o irmão no sereno, a qualquer um da a mão.
Cuba Vencedora dos Maganos, exemplo pra nos mirar.
Bem-vindo Médicos Cubanos, obrigado por virem ajudar.
.
Conquistou a Liberdade, ensina o mundo ir em frente.
Es do Trabalho de Verdade, Cuba exemplo do decente.
Povo amigo em todos planos, Camarada que faz ensinar.
Bem-vindo Todos Cubanos, obrigado por virem ajudar.
.
Azuir Filho e Turmas de Amigos: do Social da Unicamp, Campinas, SP, Amigos de Rocha Miranda, Rio de Janeiro, RJ e Amigos de Mosqueiro, Belém do Pará.

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Aline Godoi

02/10/2013 - 21h41

A vinda dos médicos cubanos para as regiões menos desenvolvidas do país,especificamente Norte e Nordeste proporcionará uma melhoria significativa na saúde do país,afinal é a falta de médicos que é o fator responsável pela precariedade do sistema de saúde pública brasileiro.Acredito que o programa “Mais Médicos” oferecerá um benefício mútuo,tanto para a população que necessita,quanto para o médico atuante,principalmente devido à satisfação de poder ajudar o outro.E através dos depoimentos vistos na matéria podemos perceber que o contato com uma realidade menos favorecida pode influenciar o ser humano quanto às suas atitudes no meio social,podendo fazê-lo repensar suas ações,valorizando mais sua realidade e o contexto em que ele se insere.

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Paulo Henrique Neves

02/10/2013 - 20h22

Diante de tanta polêmica e discussões sobre vinda dos médicos cubanos para o Brasil devemos direcionar o nosso olhar para cidades como Melgaço, e tentar imaginar como é a vidas dos habitantes de lá, que muitas vezes não tem acesso a uma vida digna e saudável. A partir dessa analise vamos perceber que a vinda desses médicos é essencial para que a vida de muitas pessoas possam melhorar. Vale ressaltar que o medicina no Brasil é vista como uma profissão nobre, o que faz os médicos escolherem o lugar onde querem trabalhar,e regiões como Norte e Nordeste não são os lugares que eles querem ir, justificando mais uma vez a vinda dos médicos.

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J Fernando

02/10/2013 - 10h56

Difícil acreditar que esta é uma das maiores fortunas do Brasil:
“Adiel Moura de Souza, 60 anos, melgacense nato, é o atual prefeito de Melgaço e tenta a reeleição. Com o slogan de campanha “O trabalho continua”, o candidato do PP coligou com o PTB, PSC, DEM e PRTB. Adiel tem apenas o ensino fundamental. Este candidato declarou que possui uma casa no valor de R$ 16.000,00, uma moto Bros de R$ 7.000,00, outra moto de R$ 3.000,00, totalizando R$ 26.000,00 em bens materiais.”

http://educadoresdeportel.blogspot.com.br/2012/08/melgaco-e-seus-tres-candidatos-prefeito.html

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leoni

01/10/2013 - 20h27

Depoimentos e imagens como essas deixam claro como a saúde, principalmente no norte e nordeste, é precária. Esse programa Mais Médicos será bom para o país porque por mais que tenha muitas críticas em relação a ele, o programa trará médicos para regiões onde a saúde é precária e não têm médicos.

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Lelê Teles: O valor da cabeça do João Batista - Viomundo - O que você não vê na mídia

01/10/2013 - 17h01

[…] “Parece que estou sonhando”, diz cubana que vai enfrentar o pior IDH do Brasil […]

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Lucas Tacchi

30/09/2013 - 21h47

Caso os médicos brasileiros estivessem dispostos a ir a essas regiões onde os médicos cubanos estão indo, o programa “Mais Médicos” seria desnecessário, mas os médicos brasileiros são em sua maioria, pessoas nascidas em boas famílias(leia-se com dinheiro) e não aceitariam trabalhar na região Nordeste ou Norte, que realmente necessitam.

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Jamilly ENSA

30/09/2013 - 20h00

Com depoimentos e fotos assim que percebemos o quanto a saúde do Brasil está precária e o quanto o programa Mais Médicos pode ser bom para nosso país. Se “abrirmos mais a mente” poderemos ver além das críticas, dos contras que insistem em prevalecer, como os rumores de que isso é trabalho escravo. Melhor pensar que os médicos que estão vindo, estão fazendo um bem social, prestando serviços a quem realmente precisa. É claro que não se pode generalizar mas, na nossa realidade, quando um médico formado em uma grande metrópole iria trabalhar em Melgaço? É quase impossível imaginar isso.

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Maria Laura

29/09/2013 - 14h43

Eu acho muito importante para a sociedade que esses médicos que vieram de outros países se sintam capazes de fazer a diferença nesses lugares aqui no Brasil que muitas vezes tem baixíssimos IDHs e que nosso país ignora essas regiões esquecendo essa realidade desumana .Muitas pessoas diziam que esses médicos não iam ser benéficos para a nossa sociedade e noticias como essa reafirma que o governo fez muito bem em trazer esses médicos dando assim um pouco de esperança a essa população carente de saúde,educação e solidariedade.Precisamos olhar o próximo e agradecer as pessoas que estão promovendo essas ações e procurar melhoras e oferecer infraestrutura para esses médicos.Buscando assim um país melhor.

Responder

FrancoAtirador

29/09/2013 - 14h21

.
.
Entre o bucólico e o melancólico;

Entre o sistólico e o diastólico:

Partido Coração, Coração Partido.
.
.

Responder

DEROVIR VITOR DA SILVA

29/09/2013 - 13h09

o governo brasileiro contratou 4.000 medicos cubanos mas precissamos de mais 6.000 há em cuba esses profissionais disponiveis, hoje a realidade é que os medicos brasileiros tem inveja destes profissionais.. que prenche as vagas onde os medicos brasileiros não deseja trabalhar…..viva os medicos da revolução…

Responder

lucio PB

29/09/2013 - 01h38

Meu coração alivia ao ver que pessoas tão pobres serão melhor assistidas. Que Deus abençõe essas duas médicas.

Responder

Paula

28/09/2013 - 18h54

Há quase 2 anos quando estive na Ilha de Marajó fiquei encantada com o lugar e pensei que o turismo pudesse ser forte lá, mas não era. Ouvi um comentário que iria melhorar depois que a novela da globo fosse filmada naquele local. Pois é, quem fez este comentário esqueceu de que, quem assiste Globo, lê revista Veja, viaja para Miami e perde o que há de melhor que é o nosso país, mesmo com tantas dificuldades. Sugiro a nossa burguesia ignorante que, pare de fazer turismo pautado no consumismo e vá dar uma voltinha para conhecer os lugares afastados, carentes…aí sim irão entender que o bolsa família, programa mais médicos e tantos outros benefícios se fazem necessários. Médicos brasileiros baixem a bola e médicos dispostos a ajudar o nosso Brasil sejam mega bem-vindos.

Responder

Luís Carlos

28/09/2013 - 12h39

Bolsa Família no governo Lula. Agora, no governo Dilma o Mais Médicos. Dois programas capazes de impactar socialmente e mudar a realidade da população brasileira. Foram contra o Bolsa Família dizendo que os pobres eram vagabundos e que seria reforçado a vadiagem dessas pessoas. Novamente, contra o Mais Médicos o desprezo pelo povo pobre de nosso país emerge. Novamente esses argumentos discriminatórios serão derrotados.
A importância econômica do Bolsa Família, da assistência social, em comunidades carentes como Melgaço é inegável, movimentando a economia local e distribuindo renda. O SUS, como uma das políticas públicas da seguridade social, demonstrará com Mais Médicos e outras ações sua potencialidade distribuidora de renda. Por isso a seguridade social é atacada permanentemente pelo neoliberalismo e seus vassalos bem pagos. Distribui renda aos trabalhadores brasileiros, combatendo iniquidades, verdadeiro pesadelo e terror de especuladores e seus empregados.

Responder

    Pedro Rodrigues Pedrosa

    29/09/2013 - 17h55

    Ilustre Luís Carlos,
    Com certeza, mesmo sem contarmos com a divulgação da “Rede Global”
    (da mentira)- chegaremos a fazer total cobertura para todo o Brasil,
    pela “Rede Social” (da verdade), de todos os programas sociais
    implementados pelos Governos PTistas, do Presidente LULA e da Presidenta Dilma, cujo reconhecimento se observou na manifestação dos 55.700 milhões de eleitores na eleição da Presidenta DILMA! Chegaremos LÁ!!!

Luís Carlos

28/09/2013 - 12h25

E tem gente contra o Mais Médicos. E as entidades médicas continuam protelando registro desses médicos para prejudicar a população.
Novamente, parabéns ao Viomundo. De fato, aqui nós vemos o que é negado na TV.

Responder

Kazuhiro Uehara

28/09/2013 - 11h40

Um serviço social e um campo fertil e proficuo às pesquisas acadêmicas pioneiras.

Responder

Cibele

27/09/2013 - 23h45

Tô emocionada aqui. Isso é JORNALISMO! Agora não tem jeito, vou ter que assinar. Vocês venceram! rsrs

Responder

Osvaldo Ferreira

27/09/2013 - 22h31

Coisa mais bonita do mundo. Fiquei emocionado!

Responder

Edvaldo

27/09/2013 - 21h15

Aposto que os médicos que foram contra o Mais Médicos nunca chegaram perto de uma cidade como Melgaço. Protestar na principal rua da capital paulista para ir contra o Mais Médicos é fácil, quero ver ter a cara de pau de ir protestar nos arredores de Melgaço. Parabéns ao Viomundo e ao repórte Dario de Negreiros pela excelente matéria.

Responder

    J Souza

    28/09/2013 - 10h12

    Essa é uma aposta que você provavelmente vai perder!
    Os estudantes de Medicina do norte do país geralmente fazem estágio rural de pelo menos dois meses em cidades do interior. E, depois de formados, geralmente só vão para essas cidades os médicos que têm amizade com os prefeitos.

    Já na faculdade, os estudantes de Medicina conhecem o funcionamento das prefeituras e dos sistemas de “saúde” desses municípios muito bem. Dos matadouros em flutuantes, da ausência de esgoto, das lixeiras a céu aberto, sem aterro sanitário, dos “postos” com fungos, morcegos, ratos, e sem medicação, dos políticos que ameaçam médicos.

    Esses dados fazem parte dos relatórios de estágio rural, e estão lá para quem quiser ver, há décadas! E olha que os professores de estágio rural geralmente são ou do PCdoB ou do PT. Sempre foi assim.

    Falar de alguma poltrona confortável em alguma capital do país é muito fácil.

    Edvaldo

    29/09/2013 - 02h16

    Obrigado pela informação, mas você está se doendo com o quê?
    Se você acompanhou os noticiários, acha mesmo que teve cabimento o tamanho da oposição aos Mais Médicos? Acha cabível a forma grotesca como se manifestaram?
    A falta de médicos nas áreas mais pobres do país é fato.
    Se muitos médicos conhecem essa realidade como você diz e não querem ir trabalhar nestes lugares deveriam então estar apoiando a iniciativa do governo para alivio da consciência deles, se é que se preocupam com isso. Um bando que seguiu uma ordem sem se dar conta do tamanho da imbecilidade que estavam apoiando, mesmo tendo os “relatórios” à disposição.
    A mim não interessa de que partido seja a iniciativa, pois muitas prefeituras são da oposição ao governo atual, mas todos foram eleitos democraticamente e se estão fazendo o que é certo tem que ser apoiado. A não ser que a pessoa seja mais um idiota que acredita estar a verdade em um só lado da moeda.
    E digo, vou votar na Dilma, mesmo não sendo petista e nem comunista, pois sou do povo.
    Passar bem.

    augusto2

    29/09/2013 - 20h02

    ah, sim?
    Os medicos cubanos tambem conhecem (nao sao desinformados) a ausencia total de saude de nosso brasil).
    E assim mesmo irão para la. E trabalhando duro.
    Por isso mesmo, exatamente por isso mesmo os CRM, voce e as medicas uivantes de fortaleza, que vao catar coquinho na ponte que ruiu!

Marat

27/09/2013 - 19h53

É justamente por isso que a hipocrisia e o maniqueísmo devem acabar… é tudo discussão inútil, que visa desunir.
De que adianta os EEUU e seus fanáticos seguidores martelarem 24h por dia sobre a “miséria”, sobre a “ditadura” cubanas?
Temos de para com as análises rasas. Temos que ler, que estudar, que aprender, que conviver e respeitar…
Vocês leram sobre a jornalista do Estadão algemada e presa nos EEUU? Leiam este trecho:
“[…]’Eu não invadi nenhum lugar’, declarou ela, ao mostrar-se indignada pela acusação policial e por sua prisão.”Passei cinco anos na China, viajei pela Coreia do Norte e por Miamar e não me aconteceu nada remotamente parecido com o que passei na Universidade de Yale, completou, ainda abalada […]”
Fonte: http://atarde.uol.com.br/politica/materias/1536909-correspondente-do-estado-e-presa-e-algemada-nos-eua
Leram? Acreditaram?
O Brasil tem pontos fortes e pontos fracos, assim como os EEUU, Cuba e Coreia do Norte…
Devemos nos unir, aceitar de braços abertos o cubanos, que não obstante suas dificuldades são um povo (de um modo geral) gentil, hospitaleiro, honesto, fraterno e solidário. Muitos deles não são escravo do dinheiro, o vil metal que está levando o planeta à destruição!

Responder

    Pedro Rodrigues Pedrosa

    29/09/2013 - 18h05

    MUITO BEM ILUSTRE MARAT, SO TENHO QUE RECONHECER E PARABENIZAR SEU ABALIZADO COMENTÁRIOSO:”……………………………………..
    …………………………………………………………..
    O Brasil tem pontos fortes e pontos fracos, assim como os EEUU,
    Cuba e Coreia do Norte… Devemos nos unir, aceitar de braços abertos
    o cubanos, que não obstante suas dificuldades são um povo (de um
    modo geral) gentil, hospitaleiro, honesto, fraterno e solidário.
    Muitos deles não são escravo do dinheiro, o vil metal que está
    levando o planeta
    à destruição!”

Francisco

27/09/2013 - 19h18

O Brasil é isso, as cubanas são isso, a realidade é essa.

Bonita, feita, em transformação, imutável.

Mas é essa.

Porque é tão dificil para midia com muito mais recursos fazer jornalismo?

Sem fundo musical, sem presepada, só jor-na-lis-mo!

Responder

José Sena

27/09/2013 - 19h16

Belíssima matéria,

Vale muito mais do que eu contribuo com minha assinatura do Viomundo. Parabéns.

Responder

renato

27/09/2013 - 18h44

Que LINDO!

Responder

Cidadã Amazônica

27/09/2013 - 16h18

Apenas quem cohece a realidade nos “confins” da Amazônia, pode reconhecer a importância deste Programa para a população ribeirinha. Sucesso às médicas e parabéns ao Governo por ser “humanisticamente” capaz de encontrar soluções aos problemas da saúde neste país.

Responder

trombeta

27/09/2013 - 16h00

Diante da grandeza de espírito demonstrada pelos médicos cubanos e demais profissionais que vieram a nosso país ajudar os mais pobres não passamos de pessoas pequenas e mesquinhas.

Bela matéria!

Responder

Tony-SC

27/09/2013 - 15h57

Excelente reportagem! Assim se faz jornalismo. Parabéns ao Blogue do Viomundo e a vc, Azenha. Abraços!

Responder

Anibal Paz da Silva

27/09/2013 - 15h48

Doutoras Mari e Bel, que o Senhor fortaleça e recompense suas caminhada.

Responder

Urbano

27/09/2013 - 15h43

O dinheiro que poderia ir para Melgaço, a fim de se resolver as situações mais básicas de um ser humano, os ladrões e fascistas da oposição ao Brasil se apropriam. É uma patifaria revoltante.

Responder

lidia virni

27/09/2013 - 15h26

É impressionante como, mesmo após a leitura de uma matéria como essa, que só não mexe com o mais profundo dos sentimentos em quem já é reacionário por natureza, ainda temos o desprazer de ler comentários de tão baixo nível e extrema ignorancia de quem constrói suas convicções políticas inspirado no esgoto midiático que temos no Brasil, de Veja a Globo.
Obraigada,Azenha, por este blog essencial para nossa luta por um Brasil cada vez melhor. E sucesso para as simpáticas médicas cubanas e seus colegas brasileiros.

Responder

Julio Silveira

27/09/2013 - 14h23

Fico com a sensação, nesse dialogo entre a Dra. Maribel e a sua paciente melgacense, que a doutora vai reforçar suas convicções sobre a necessidade da revolução ocorrida em sua ilha. Aliás somente quem tem a oportunidade e a sensibilidade de se incluir neste contexto de pobreza é capaz de entender a necessidade desses movimentos. Mas, também, os fazem capazes de perceber como podem ser idiotas e hipócritas aqueles que vivem a margem dessa miséria e ainda assim ousam se dizer capazes, e com direito, de criticar as revoluções que vem para resgatar a dignidade dessa cidadania que é maioria mundial.

Responder

Elias

27/09/2013 - 14h16

“Quando vínhamos no barco para cá, eu falei: parece que estou sonhando, é como se fosse um filme!”, diz a médica Maribel Morera Saborit, 44. “Nunca imaginei que iria ver o que estava vendo: as casinhas de madeira à beira do rio, as crianças naqueles barquinhos pequenininhos…”.

Será que aquele grupo de médicos e médicas do Brasil, que vaiaram a chegada do médico cubano, têm algum sentimento, alguma solidariedade? Será que não sentem nenhuma fisgada no peito diante de tamanha realidade desses rincões brasileiros que eles (médicos e médicas da metrópole) não conseguem encarar?

Responder

Roberto Locatelli

27/09/2013 - 12h39

Há uma sutileza na forma de ser dessas médicas, resultado de uma cultura refinada à qual todos têm acesso lá mas que, aqui, é para pouquíssimos. Cada cubano lê, em média, dois livros por mês. Eu mesmo já remeti para lá meu livro (de ficção científica). Eles são ávidos consumidores de livros e música.

Responder

augusto2

27/09/2013 - 11h56

Desculpe, falha nossa -deficiencia vocabular.
Nao desejava dizer ‘médicas assobiantes1, queria dizer uivantes.

Responder

Morais

27/09/2013 - 11h11

Quando a Dilma criou o mais médicos é nestas pessoas que ela estava pensando e os políticos que são contra é porque não gostam de pobre, deles eles querem apenas os votos e mais nada.
Maravilhoso este programa mais médicos e se a Dilma souber explorar vai lhe render muitos votos em 2014, pois queremos a Dilma por mais 4 anos.

Responder

1 One

27/09/2013 - 10h41

Por que tanto escândalo?!

São Paulo está cheio de palafitas sobre esgoto puro, o que é pior do que esgoto misturado à água de rios. Afora o fato de que 43% da população vive em algum tipo de cortiço, muitos destes explorados pela insuspeita classe média a valores de aluguéis exorbitantes.

Responder

    NãoSoudeEsquerda

    27/09/2013 - 14h35

    São Paulo tem ocupação ilegais disseminadas por toda cidade, mas ainda sim ela estão no contexto de uma grande cidade que possui infraestrutura urbana. Vivem numa área degradada. Você pode ter uma palafita de um lado e mansões de outro, com hospitais, shoppings e tudo mais. Na região Norte, assim como em boa parte do Brasil, houve a disseminação de pequenos municípios, sem qualquer infraestrutura básica, sem rede elétrica, em áreas extremas, de floresta nativa cerca por rios e bacias. São ocupações “hardcore” onde o individuo fica isolado de tudo, inclusive do conhecimento, vivendo da extração vegetal (e também gerando desmatamento).
    Ali as condições são as piores possíveis, calor intenso, chuvas constantes, alta umidade, falta de saneamento etc. Um prato cheio para propagação de doenças.
    Não são áreas pequenas, são municípios inteiros com péssimas condições de vida. Há um grande esforço do GF para legalizar e dar posse aos moradores dessas regiões, evitando a ação de posseiros e os conflitos entre famílias, mas a infraestrutura mesmo é quase impossível de trazer.

augusto2

27/09/2013 - 10h38

tudo isso se resumirá por fim em:
Mari Morera de calcuttá
e Bel Irmã Dulce Hernandez.
Entre alguns soluços reprimidos a gente lê até o fim.
Será que alguma daquelas medicas assobiantes do Ceará consegue ler isto?

Responder

RENATO WILSON

27/09/2013 - 10h32

a máfia de branco e suas “entidades” são incapazes de entender as motivações dos médicos cubanos que os levam a prestar serviços em lugares distantes e pobres como o descrito na reportagem.é a ideologia revolucionária de Cuba.
nossos médicos são “coxinhas”, sua ideologia é capitalista, mercantilista. não entenderão nunca as cubanas.
tenho certeza que os habitantes pobres de Melgaço as entenderão com facilidade (apesar dos pastores!)

Responder

Marcelo

27/09/2013 - 10h22

Obrigada pela reportagem. Que orgulho destas médicas humanistas e esperança de que sua alegria de ajudar o povo pobre contagie ao menos os jovens estudantes de medicina no Brasil.

Responder

Kátia dos Santos

27/09/2013 - 10h10

Desejo muita sorte para médicas e população

Responder

lukas

27/09/2013 - 10h09

Gostaria de conhecer um candidato de oposição que disputou a presidencia em Cuba com Fidel.
Estas aí vieram com o discurso pronto.
Talvez se repetirem 1000 vezes que não há ditadura em Cuba alguém acredite.

Lembranças aos familiares de ambas que ficaram no paraíso.

Responder

    André

    27/09/2013 - 13h39

    Na falta de um bom argumento para não trazer médicos cubanos a estas regiões, sobra choro e velho discurso anti-Cuba.

    LA-MEN-TÁ-VEL

    Ricardo

    27/09/2013 - 15h49

    Pelo visto, ao ler “médica cubana” no título, já despertou-lhe o sentimento anticomunista, sem sequer se dar ao trabalho de entender o que se passa no interior do Pará, com relação à saúde pública.
    Falo com propriedade, pois passei 3 anos na região de Santarem atendendo essa população extremamente carente.
    Certamente você não tem a menor ideia o quanto o digno trabalho dessas colegas vai significar a essa população, um aperto de mão, um abraço de agradecimento por fazermos algo que parece pouco frente às enormes dificuldades, mas que certamente é muito, o conforto aos mais carentes é tudo, espero que um dia você consiga entender isso.

    Evaldo Ramos

    27/09/2013 - 18h28

    Se v. é o ricardo leite prazer em reecontra~lo.Um abraço

    Edi Passos

    28/09/2013 - 15h03

    Obrigado Doutor. Que você e todos os seus sejam sempre abençoados!

    Hélio Pereira

    27/09/2013 - 21h03

    Lukas,
    eu já percebi em seus comentários,sua “enorme preocupação” com a saúde de nossa população.
    Eu acho que o “Padrão de Saúde” que você defende é aquele exposto em Rede Nacional de TV,por uma Médica,que agrediu o pai de uma criança,se negou a atender o menino e ainda rasgou a Ficha Médica.
    Lukas você sabia que no tempo de FHC,o Ministro da Saúde José Serra importou de CUBA centenas de Médicos ?
    Sendo do Governo FHC/Serra a importação de Médicos Cubanos,não sofreu criticas,porque sera em Lukas ???

    Luís Carlos

    28/09/2013 - 11h33

    Lukas
    Do lugar em você se esconde certamente não te permites conhecer o Brasil, em todos suas representações e manifestações. Certamente desconheces a região amazônica e povo da região. Ao defenderes contra o Mais Médicos, como as entidades médicas, demonstras desprezo pela popualção brasileira, talvez por desconhecimento e preguiça de sair de sua cadeira em alguma cidade “grande” e urbanizada do país, consumindo a desinformação cuspida diarimente por seus meios de comunicação preferidos, idealizadores do modo de vida ianque hollywwodiano.
    “Apesar de você amanhã há de ser outro dia” com muito mais acesso, qualidade e solidariedade na saúde pública brasileira.

J Souza

27/09/2013 - 09h44

A PROPAGANDA está muito bonita!
Quantas promessas: fossas, asfalto, unidade básica fluvial…
Não vejo a hora de ver os RESULTADOS de médio e longo prazo!

P.S.1: A mortalidade infantil já vinha diminuindo no município. Espero que os torcedores do PT não digam que foi por causa da chegada das médicas cubanas.

P.S.2: Vamos ver se o ministério da saúde vai distribuir as verbas de acordo com a população dos municípios, ou se vai privilegiar os municípios onde estão seus “médicos afilhados políticos”…

Responder

    augusto2

    27/09/2013 - 13h47

    espero que voce possa fazer as contas sobre mortalidade infantil, periodicamente,e matematica não tem partido.
    depois que chegarem os quatro mil, se o CRM deixar, quem sabe cinco ou seis e trabalharem por um ano a gente volta a conversar, está bem?
    sobre o partido que vc cordialmente detesta,sinto informa-lo que uma parte do que ele vem realizando no nosso pais, só uma parte infelizmente, nao tem mais volta.

    J Souza

    27/09/2013 - 19h09

    Se os ministérios da saúde e da “educação” tivessem planejado esse programa com mais antecedência e com mais seriedade, e se confiam tanto assim nos médicos cubanos, bastaria os ministérios terem aplicado a eles uma “prova” de revalidação elaborada pelos médicos filiados e simpatizantes do PT. Assim como fizeram nas “provas” que os tornou aptos a atuar no programa “educacional”-assistencial “mais médicos”!

    Os médicos do partido poderiam até colocar algumas questões em espanhol, para garantir a aprovação dos médicos “solidários”, que ganharão mais do que muitos colegas brasileiros que não aceitam ser jogados em qualquer lugar sem condições para atendimento…

    E por falar nisso, as médicas cubanas já disseram que as condições em que trabalham em Cuba são melhores do que as em que vão trabalhar no Brasil. E o dinheiro dos impostos pagos por brasileiros que será enviado ao governo cubano vai garantir que as condições de atendimento em Cuba continuem sendo melhores do que as condições aqui no Brasil. Está ai Melgaço para provar isso…

    Edvaldo

    29/09/2013 - 02h34

    Rapaz, você se atem a cada besteira. Até parece que o dinheirinho que vai pra Cuba vai fazer uma revolução lá. Se liga.
    O Brasil tá necessitando e vamos que vamos.
    Melhor você ficar quieto porque tá cheio de pobre precisando de assistência e você com esse seu discursinho não vai ajudar em nada.
    Já te falei, analise.

    http://www.state.gov/p/wha/rls/fs/2009/115414.htm

    Ana Costa

    27/09/2013 - 21h58

    Não, foi por causa do Bolsa Família e pela dedicação dos médicos que já trabalham lá e se desdobram para atender no hospital e na atenção primária. Agora, além da mortalidade infantil, deve cair também a mortalidade materna e morbidades preveníveis com atenção primária.

Mardones

27/09/2013 - 09h41

É uma realidade do Brasil que os moradores das capitais fingem não existir.

Responder

    Evaldo Ramos

    27/09/2013 - 18h10

    E o pt tambem,pois nao ha saneamento basico nesses lugares,pois a verba destinada nao chega até lá!

Roberto M Almeida

27/09/2013 - 08h18

Bela reportagem, honesta, sensível, parabéns Dario, parabéns VIOMUNDO.

Responder

Maria

27/09/2013 - 08h02

O texto em alguns momentos fica confuso… mas a narrativa está ótima! Muito bom :)

Responder

José Carlos

27/09/2013 - 07h58

fantástico!
Sem água limpa, sem esgoto tratado e com alimentos contaminados.
Essas corajosas médicas pouco conseguirão fazer para promover saúde na região. Serão um consolo para a população carente, certamente, mas sem saneamento básico não há como diminuir a prevalência de doenças infecto-parasitárias, que são a principal causa de morte na região.

Responder

    Joso

    27/09/2013 - 16h55

    quer dizer que, de acordo com teu pontos de vista, que onde não tem água tratada, nem esgoto e nem alimentos adequados não deve também ter médicos. Dá a impressão de que quanto pior melhor. E só se pensa assim quando não é com a gente… é o outro… visão arcaica… a meu ver…

    Evaldo Ramos

    27/09/2013 - 18h21

    Joso,v. nao entendeu.O que queremos é que o governo faça a parte dele,(o saneamento básico)poi,se o medico continua trabalhando nessas condiçoes,estará sendo conivente e tudo irá ficar do jeito que está,tudo errado!

    Evaldo Ramos

    27/09/2013 - 18h02

    V.Jose Carlos é o único realista nesta conversa.Quando as medicas forem embora,tudo continuará como sempre foi.O que elas irao ensinar os nativos ja sabem

rui

27/09/2013 - 07h49

O mais interessante, e é bom que quem gosta de criticar Cuba veja, as profissionais dizerem que nunca viram tamanha pobreza. E a elite médica diz que precisa de ultrassom lá para mandar médico brasileiro.

Responder

Zanchetta

27/09/2013 - 07h30

“… não há ditadura em Cuba…” Frase de efeito de uma pessoa que nasceu já na ditadura e só viveu nela…
“… o Fidel só está lá porque nós queremos…” Seria o mesmo que dizer que o Médici só estava lá porque queríamos…

Responder

    Scan

    27/09/2013 - 12h55

    Adoro gente que “sabe” das coisas porque leu na Veja…

    Zanchetta

    27/09/2013 - 20h14

    Mais um pobre de argumentos… a solução sempre será um paredón…

Pedro Jacintho

27/09/2013 - 07h04

Constantemente vejo a indignação de alguns com a política e logo dizem a seguinte frase, que de tão repetida virou erradamente quase um senso comum: “Todo político vira ladrão”, e Repito sempre deve ser por que votaram num ladrão para deputado. Interessante que normalmente são do perfil apartidário, ou falso apartidário, ou seja, tem medo de dizerem em quem votou, afinal vai explicitar a falsa consciência política. Entenda uma coisa: “NÃO É O POLÍTICO QUE VIRA LADRÃO É O LADRÃO QUE VIRA POLÍTICO” pela irracionalidade daqueles que se intitulam apartidários, ao negarem a política abrem caminho para os que negam o caráter, não explicitamente, mas se tiverem um pouquinho de tato perceberão a implicitude de atos ou palavras que revelam inconfiabilidades. Não se faz transformações sociais sem a arte da política que é a ciência do convencimento e este só é possível com aqueles que explicitam claramente suas ideias enquanto teorias e suas ações ao praticá-las. Cabe ao eleitor que exercita e não renega talvez outra arte, a do desconfiômetro, a tarefa de perceber diferenciá-los no universo dos que se aventuram com propósitos virtuosos ou os aventureiros, lobos em pele de cordeiros, à sua disposição.

Responder

Alencar

27/09/2013 - 06h42

Excepcional matéria
Devemos refletir sobre as condições que muitos brasileiros vivem
É o momento de o governo e a categoria médica pararem com essa queda de braço e desenvolverem projetos conjuntos para a melhoria da prestação do serviço médico
As colegas cubanas vão necessitar de suporte do governo e dos médicos, temo que fiquem como os mariscos, entre o mar e os rochedos, levando a um isolamento decorrente do abandono governamental pós eleitoral e do preconceito da nossa comunidade médica

Responder

Fabrício

27/09/2013 - 06h41

“Eu sei que há muita pobreza no mundo, mas não sabia que aqui havia gente vivendo nessas condições”, continua Saborit.

No Brasil há “pedacinhos” de Cuba, agora ela já sabe !

Responder

Murdok

27/09/2013 - 06h41

É a tal medicina de guerra. É uma frente de batalha.

Responder

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