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Black Blocs: A origem da tática que causa polêmica na esquerda

08 de outubro de 2013 às 08h49

Foto da página do Black Bloc SP

“O balancê, balancê. Escute o que vou te dizer. Geraldo fascista, vai se foder e leva o Cabral com você.” (Cantado por manifestantes em São Paulo)

Black blocs, lições do passado, desafios do futuro

Por Bruno Fiuza*

Especial para o Viomundo

Uma das grandes novidades que as manifestações de junho de 2013 introduziram no panorama político brasileiro foi a dimensão e a popularidade que a tática black bloc ganhou no país.

Repito: dimensão e popularidade – pois, ao contrário do que muita gente pensa, esta não foi a primeira vez que grupos se organizaram desta forma no Brasil, e muito menos no mundo.

Aliás, uma das questões que mais saltam aos olhos no debate sobre os black blocs no Brasil é a impressionante falta de disposição dos críticos em se informar sobre essa tática militante que existe há mais de 30 anos.

É claro que ninguém que conhecia a história da tática black bloc quando ela começou a ganhar popularidade no Brasil esperava que os setores dominantes da sociedade nacional tivessem algum conhecimento sobre o assunto.

Surgida no seio de uma vertente alternativa da esquerda europeia no início da década de 1980, a tática black bloc permaneceu muito pouco conhecida fora do Velho Continente até o fim do século XX.

Foi só com a formação de um black bloc durante as manifestações contra a OMC em Seattle, em 1999, que as máscaras pretas ganharam as manchetes da imprensa mundial.

Natural, portanto, que muita gente ache que a tática tenha surgido com o chamado “movimento antiglobalização” e tenha se baseado, desde o início, na destruição dos símbolos do capitalismo.

O que realmente assusta é a ignorância e a falta de disposição de se informar sobre o assunto demonstradas por certos expoentes e segmentos da esquerda tradicional brasileira.

O desconhecimento e a falta de informação levaram grandes representantes do pensamento crítico brasileiro ao extremo de qualificar a tática black bloc de “fascista”.

Ao se expressarem nesses termos, esses grandes lutadores, que merecem todo o respeito pelas inúmeras contribuições que deram à organização da classe trabalhadora no Brasil ao longo de suas vidas, caíram na armadilha de reproduzir o discurso da classe dominante diante de toda forma de contestação da ordem vigente que não pode ser imediatamente enquadrada em categorias e rótulos familiares.

Ao não compreenderem a novidade do fenômeno tentaram enquadrá-lo à força em esquemas conhecidos.

Fetichização

Essa incompreensão aparece, de cara, na própria linguagem usada tanto pela mídia conservadora quanto por certos setores da esquerda tradicional para se referir à tática black bloc.

Em primeiro lugar, usam um artigo definido e letras maiúsculas para se referir ao objeto, como se “o Black Bloc” fosse uma organização estável, articulada a partir de algum obscuro comando central e que pressupusesse algum tipo de filiação permanente.

Ora, tratar um black bloc desta forma seria o mesmo que tratar uma greve, um piquete ou uma panfletagem como um movimento.

Talvez a melhor forma de começar a desfazer os mal-entendidos sobre os black blocs seja combater a fetichização do termo.

Como chegou ao Brasil por influência da experiência americana, essa tática manteve por aqui seu nome em inglês, mas não é preciso muito esforço para traduzir a expressão.

Por mais redundante e bobo que possa parecer, nunca é demais lembrar que um “black bloc” (assim, com artigo indefinido e em letras minúsculas) é um “bloco negro”, ou seja: um grupo de militantes que optam por se vestir de negro e cobrir o rosto com máscaras da mesma cor para evitar serem identificados e perseguidos pelas forças da repressão.

Fazer isso não significa se filiar a uma determinada organização ou movimento. Da mesma forma que operários que decidem fazer um piquete para impedir a entrada de outros trabalhadores em uma fábrica em greve não deixam de fazer parte de seus respectivos sindicatos para ingressar em uma misteriosa sociedade secreta.

Eles apenas optaram por uma determinada tática de luta. É exatamente o que fazem os militantes que decidem formar um bloco negro (leia-se, “black bloc”) durante uma manifestação.

Não há dúvida de que a opção pelo anonimato e a disposição para o enfrentamento com a polícia são peculiaridades que diferenciam profundamente o bloco negro de outras táticas, mas nem por isso a opção por esse tipo de ação dá margem para confundi-la com um movimento.

Aí entramos em um segundo ponto fundamental para a discussão da tática black bloc: seus métodos. De cara, é preciso esclarecer que os próprios métodos dos black blocs mudaram ao longo do tempo e por isso é fundamental conhecer o contexto histórico, político e social em que nasceu e se desenvolveu essa tática.

A origem

Os primeiros black blocs surgiram na então Alemanha Ocidental, no início dos anos 1980, no seio do movimento autonomista daquele país.

Como o movimento autonomista europeu é muito pouco conhecido no Brasil (para não dizer completamente desconhecido), quem quiser se informar melhor sobre o assunto pode recorrer a um ótimo livro sobre o tema escrito pelo militante e sociólogo americano George Katsiaficas: “The Subversion of Politics – European Autonomous Social Movements and the Decolonization of Everyday Life”, disponível para download no site do autor (http://www.eroseffect.com).

Surgido a partir da experiência da autonomia operária na Itália dos anos 1970, o autonomismo se espalhou pela Europa ao longo das décadas de 1970 e 1980.

Um dos países onde o movimento mais se desenvolveu foi na Alemanha. Fiel ao espírito revolucionário original do marxismo, mas renegando o fetiche pelo poder das burocracias sindicais e partidárias, o autonomismo se desenvolveu como um conjunto de experimentos sociais organizados por setores que optaram por se manter à margem do modo de vida dominante imposto pelo capitalismo e criar focos de sociabilidade alternativos no seio das próprias sociedades capitalistas, mas pautados por valores e práticas opostos aos dominantes.

Na Alemanha Ocidental, o movimento autonomista surgiu no fim dos anos 1970, quando grupos começaram a organizar ações diretas contra a construção de usinas nucleares no interior do país por meio da criação de acampamentos nos terrenos onde as centrais seriam erguidas.

O mais famoso deles foi a República Livre de Wendland, um acampamento criado em maio de 1980 na cidade de Gorleben, na região de Wendland, no norte da Alemanha, onde estava prevista a construção de uma usina nuclear.

Enquanto os acampamentos antinucleares surgiam no interior da Alemanha Ocidental, em grandes cidades, como Berlim e Hamburgo, grupos de jovens e excluídos começaram a ocupar imóveis vazios e transformá-los em moradias coletivas e centros sociais autônomos.

Assim nasceram os primeiros squats alemães, inspirados pela experiência de grupos que já faziam isso havia anos na Holanda e na Inglaterra.

A mobilização contra a construção de usinas nucleares no interior e as ocupações urbanas nas grandes cidades se tornaram os dois pilares do movimento autonomista alemão.

Para os envolvidos nesses processos, a criação de espaços autônomos era uma forma de questionamento da ordem capitalista na prática, por meio da criação, no interior da própria sociedade capitalista, de pequenas ilhas onde vigoravam relações sociais opostas às vigentes no entorno dominante.

Obviamente, quando acampamentos e squats começaram a proliferar pelo país, o governo da República Federal Alemã se deu conta de que era preciso cortar pela raiz aquela agitação social.

Em 1980, lançou uma grande ofensiva policial contra acampamentos antinucleares e squats em diferentes partes do país.

A República Livre de Wendland foi desarticulada em junho, e os squats de Berlim sofreram um violento ataque policial em dezembro.

Diante da ofensiva policial, os militantes alemães se organizaram para resistir à repressão e proteger seus espaços de autonomia. Desse esforço nasceu a tática black bloc.

Durante a manifestação de Primeiro de Maio de 1980, em Frankfurt, um grupo de militantes autonomistas desfilou com o corpo e o rosto cobertos de preto, usando capacetes e outros equipamentos de proteção para se defender dos ataques da polícia.

Por causa do visual do grupo, a imprensa alemã o batizou de “Schwarzer Block” (“Bloco Negro”, em alemão).

Desse momento em diante, a presença de blocos negros se tornou um elemento constante nas ações dos autonomistas alemães, e sua função original era a de servir de força de autodefesa contra os ataques policiais às ocupações e outros espaços autônomos.

Um relato em alemão sobre o surgimento dos black blocs pode ser encontrado no seguinte endereço: http://www.trend.infopartisan.net/trd0605/t370605.html.

O caminho para Seattle

Da Alemanha, a tática se difundiu pelo resto da Europa, e, no fim dos anos 1980, chegou aos Estados Unidos, onde o primeiro bloco negro foi organizado em 1988, para protestar contra os esquadrões da morte que o governo americano financiava em El Salvador.

Uma ótima fonte sobre a história dos black blocs nos Estados Unidos é o livro “The Black Bloc Papers”, editado por David Van Deusen e Xavier Massot e disponível para download em http://www.infoshop.org/amp/bgp/BlackBlockPapers2.pdf.

Ao longo dos anos 1990, outros black blocs se organizaram nos Estados Unidos, mas a tática permaneceu praticamente desconhecida do grande público até que um bloco negro se organizou para participar das manifestações contra a OMC em Seattle em novembro de 1999.

Graças à ação desse black bloc, a tática ganhou as páginas dos grandes jornais no mundo inteiro, principalmente porque, a partir de Seattle, os black blocs passaram a realizar ataques seletivos contra símbolos do capitalismo global.

A mudança se explica pelo contexto em que se formou o black bloc de Seattle. A década de 1990 foi a era de ouro das marcas globais, quando os logos das grandes empresas se transformaram na verdadeira língua franca da globalização.

Nesse contexto, o ataque a uma loja do McDonald’s ou da Gap tinha um efeito simbólico importante, de mostrar que aqueles ícones não eram tão poderosos e onipresentes assim, de que por trás da fachada divertida e amigável da publicidade corporativa havia um mundo de exploração e violência materializado naqueles logos.

Ou seja: o black bloc de Seattle inaugurou uma dimensão de violência simbólica que marcaria profundamente a tática a partir de então.

Daquele momento em diante, os black blocs, até então um instrumento basicamente de defesa contra a repressão policial, tornaram-se também uma forma de ataque – mas um ataque simbólico contra os significados ocultos por trás dos símbolos de um capitalismo que se pretendia universal, benevolente e todo-poderoso. Foi nesse contexto que a tática chegou ao Brasil.

Os primeiros black blocs no Brasil

Os acontecimentos de Seattle levaram grupos de militantes brasileiros a se articular em coletivos para construir no país o movimento de resistência mundial à globalização neoliberal. Assim surgiram os núcleos brasileiros da Ação Global dos Povos, uma rede de movimentos sociais surgida em 1998 que criou os Dias de Ação Global, articulações mundiais para organizar protestos simultâneos em várias partes do planeta contra as reuniões das instituições internacionais que sustentavam a globalização neoliberal.

O primeiro Dia de Ação Global que contou com ações no Brasil foi 26 de setembro de 2000, marcado contra a reunião do FMI em Praga. Neste dia, em São Paulo, um grupo de manifestantes atacou o prédio da Bovespa, o que gerou confronto entre policiais e ativistas. Na época, o incidente não ganhou destaque na imprensa e o termo “black bloc” não foi mencionado, mas a lógica da ação desses militantes, em sua maioria ligados ao movimento anarcopunk de São Paulo, seguia a lógica da tática black bloc.

O segundo Dia de Ação Global que contou com atos no Brasil foi 20 de abril de 2001. Em São Paulo, foi organizada uma manifestação na Avenida Paulista como parte dos protestos convocados em todo o mundo contra a Cúpula das Américas, reunião realizada na cidade de Quebec, no Canadá, na qual líderes dos países do continente discutiram a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Esta foi a primeira vez que uma manifestação contra a globalização neoliberal realizada no Brasil ganhou as manchetes da imprensa nacional.

Em São Paulo, um grupo entre os manifestantes adotou a mesma tática do black bloc de Seattle, em 1999, e atacou símbolos capitalistas na Avenida Paulista, como uma loja do McDonald´s. Mais uma vez, a imprensa nacional não fez referência ao termo “black bloc”, mas a tática utilizada na Paulista foi claramente a dos blocos negros. O curioso é que a mesma edição de 21 de abril de 2001 da Folha de São Paulo que noticia o protesto na Paulista traz uma matéria do enviado do jornal ao Canadá sobre o “bloco de preto” que atuou em Quebec.

O debate sobre a violência

Mas se nessa época a imprensa brasileira não usava o termo “black bloc” na cobertura dos protestos no país, ele já era bem conhecido da mídia internacional, principalmente da europeia e da norte-americana.

E ganhou ainda mais projeção durante as manifestações contra a reunião do G8 realizada em Gênova, na Itália, em julho de 2001.

O Dia de Ação Global marcado para 20 de julho de 2001 foi a maior mobilização do gênero até então e nesse dia as ruas de Gênova foram tomadas por mais de 300 mil pessoas, entre as quais marchou o maior black bloc organizado até então.

O grau de confronto com a polícia atingiu um novo patamar e um jovem italiano que fazia parte daquele black bloc, chamado Carlo Giuliani, foi morto pela repressão com um tiro na cabeça.

Gênova marcou um divisor de águas para a tática black bloc e para o chamado “movimento antiglobalização” como um todo.

Assim como acontece hoje no Brasil, o debate sobre o uso da violência nas manifestações – mesmo que apenas contra lojas e outros objetos inanimados – criou uma divisão entre ativistas “violentos” e “pacíficos” que contribuiu muito para a desmobilização do movimento como um todo dali para frente.

A semelhança do debate sobre o black bloc na época e agora é impressionante.

Quem quiser conhecer um pouco das discussões e das respostas de adeptos da tática black bloc na época pode encontrar uma boa seleção de textos de ativistas reunidos na coletânea “Urgência das ruas – Black block, Reclaim the Streets e os Dias de Ação Global”, organizada por um anônimo que se identifica como Ned Ludd (referência a um dos líderes do Movimento Ludita na Inglaterra do século XIX) e publicada no Brasil pela editora Conrad.

Com o fim dos grandes protestos contra a globalização neoliberal, o debate sobre os black blocs saiu das manchetes da grande imprensa internacional e brasileira.

A tática continuaria a ser adotada em manifestações na Europa e nos Estados Unidos nos anos seguintes, e militantes libertários no Brasil certamente sabiam muito bem o que eram os black blocs, mas o tema nunca repercutiu fora dos meios militantes.

E assim foi até que começaram as manifestações contra o aumento das tarifas de ônibus e metrô convocadas pelo Movimento Passe Livre em junho de 2013.

As manifestações de junho

Assim como os black blocs, o MPL estava longe de ser uma novidade no Brasil, mas, pela primeira vez, ambos começaram a ganhar um protagonismo inédito conforme as manifestações cresciam.

Até o dia 13 de junho, aquela era uma mobilização muito parecida com as que o MPL vinha organizando desde 2004.

Era um movimento restrito a um núcleo militante que reunia ativistas do próprio MPL, integrantes de partidos e coletivos libertários – alguns dos quais formaram black blocs durante os atos.

A violência policial contra a marcha do dia 13 de junho em São Paulo, no entanto, mudou tudo.

Os ataques contra jornalistas e jovens da classe média e da elite indignaram uma parcela da população normalmente avessa à militância política.

O choque diante da brutalidade da PM de São Paulo e a simpatia por uma causa que se tornou quase uma unanimidade – barrar o aumento das tarifas do transporte público na cidade – “levaram o Facebook para a rua”, para usar a feliz expressão que o jornalista Leonardo Sakamoto usou para definir a marcha de 17 de junho.

De repente, centenas de milhares de brasileiros se deram conta de que podiam, de alguma forma, usar as ruas para expressar sua insatisfação com algum aspecto da política brasileira.

Em um desses raros momentos da história nacional, o cidadão comum percebeu que a política não é propriedade privada dos políticos profissionais, e se deu conta de que ela se faz no dia a dia, na rua, em vários lugares. De vez em quando, até no Congresso.

As manifestações de 17 de junho abriram a caixa de Pandora, e gente de absolutamente todas as tendências políticas foi para a rua. Por um breve momento, a elite mais reacionária marchou ao lado do militante mais revolucionário. Mas em algum momento a contradição teria de aparecer.

As contradições de junho

A partir de agora, minhas observações se restringem ao que aconteceu na cidade de São Paulo, pois foi o único lugar onde acompanhei as manifestações in loco, e não acho que os movimentos nas várias partes do Brasil possam ser analisados sob uma única perspectiva.

Em cada cidade ou região teve especificidades que não sou capaz de avaliar.

Quem esteve na Paulista no dia 18 de junho já podia farejar, de certa forma, o que aconteceria no dia 20.

Aquilo era a Revolução Francesa. As reivindicações mais contraditórias conviviam nos cartazes empunhados por grupos sociais muito diferentes entre si, muitos deles antagônicos.

O pessoal das bandeiras verde-amarelas e dos slogans moralistas era claramente uma elite que tinha pouco ou nada a ver com os anarquistas e trotskistas que circulavam com palavras de ordem anticapitalistas.

A direita, a extrema-direita e a extrema-esquerda já estavam ali. Faltava a esquerda moderada, dos partidos no poder. E, quando ela apareceu, a bomba-relógio explodiu.

Pode-se acusar o PT de muitas coisas por ter convocado sua militância a ir para a Paulista no dia 20 de junho, mas uma coisa é certa: aqueles militantes tinham todo o direito de estar lá.

O problema é: vai explicar isso para a elite raivosa que, estimulada pelas mobilizações, passou a expor em praça pública seu ódio pelo PT…

Olhando em retrospecto, o ataque fascista aos militantes partidários no dia 20 de junho parece um desdobramento natural do que vinha acontecendo: com a revogação do aumento das tarifas, a única bandeira que unificava aquela multidão de opostos deixou de existir.

Sem o elemento unificador, apareceram as profundas contradições que já existiam entre os inúmeros grupos que saíram às ruas.

A elite queria a cabeça do governo do PT, a extrema-esquerda queria a revolução social, e, espremida entre os dois extremos, sobrou para a esquerda moderada o papel de defender o status quo, sobrou para a esquerda moderada a posição conservadora – no mais literal sentido da palavra.

Os meses seguintes só vieram confirmar a tendência que apareceu pela primeira vez no 20 de junho em São Paulo.

A grande mobilização que prometia unificar todos os setores da esquerda para responder ao ataque fascista virou um ato dominado pelas centrais sindicais e seus militantes profissionais, no dia 11 de julho, que foi incapaz de atrair o cidadão comum que saíra às ruas em junho.

As convocatórias da direita contra a corrupção se tornaram pequenos atos isolados, dissipando o medo de alguns militantes da esquerda de que as manifestações de junho pudessem abrir caminho para uma escalada fascista.

Por fim, a extrema-esquerda se deu conta de que o mar humano que saiu às ruas em junho não era tão anticapitalista assim, e passou a organizar também seus atos isolados.

Essas três tendências ficaram claras nas manifestações do 7 de setembro em São Paulo.

Pela manhã, marcharam os movimentos sociais ligados à esquerda moderada, que, em sua maioria, continuam defendendo o governo do PT.

À tarde, duas convocatórias distintas dividiram o vão livre do Masp: de um lado, um grupo formado pela elite de direita e extrema-direita, que era, supostamente, contra todos os partidos, mas que destilava seu ódio de classe contra o PT; do outro, um black bloc que também se dizia contra todos os partidos, mas que mirava prioritariamente no governo Alckmin, do PSDB.

Os black blocs no Brasil de hoje

Isso nos traz de volta ao nosso tema central: os black blocs.

Aqui é preciso abrir um pequeno parêntese para falar do Rio de Janeiro, pois este foi o único lugar em que os protestos de fato continuaram com força depois da revogação do aumento das passagens.

Acontece que, além da tarifa, lá havia outra bandeira que unificava o movimento: a oposição ao governador Sérgio Cabral.

E talvez seja por isso mesmo que lá os black blocs tenham se tornado mais fortes e atuado de forma mais coerente.

Vale lembrar que o movimento contra Sérgio Cabral girou em torno de uma ocupação urbana – o acampamento montado em frente à residência do governador – e, não por acaso, os black blocs cariocas desempenharam um importante papel de autodefesa do movimento contra a repressão policial.

Ou seja: justamente no momento em que caiu na boca do povo no Brasil, a tática black bloc estava voltando às origens, atuando como uma organização popular de defesa dos movimentos sociais.

Na minha opinião, a situação no Rio ajuda a explicar porque em São Paulo os black blocs nunca chegaram a contar com o apoio que tiveram na capital fluminense.

Em São Paulo, a partir do fim de julho os black blocs se formaram como uma força isolada, inicialmente em solidariedade aos cariocas, e depois lançando uma campanha contra o governador paulista, Geraldo Alckmin.

Ao se voltar contra Alckmin, os black blocs paulistas poderiam se articular com a esquerda moderada, por terem um inimigo comum, mas a incompreensão mútua impossibilitou a aproximação.

E aqui chegamos ao x da questão: a desconfiança mútua entre duas culturas militantes distintas, mas que compartilham muitos objetivos, está acabando com as possibilidades de aproveitar a incrível energia social gerada pelas manifestações de junho para construir novos espaços de debate e mobilização que poderiam abrir perspectivas inéditas de ação política no Brasil.

Não se trata aqui de querer apagar as diferenças entre a cultura de militância partidária – baseada na hierarquia, na centralização e na estabilidade – e a cultura libertária que está na base da tática black bloc – horizontal, descentralizada e instável – mas de propor que, apesar de suas diferenças, estes dois setores podem trabalhar juntos em prol de causas que os unem.

Por uma assembleia das ruas

O ponto de partida para essa aproximação é o diálogo aberto entre as partes, reconhecendo as diferenças e os equívocos de parte a parte, mas buscando achar formas de cooperação que respeitem as especificidades de cada um.

Os momentos em que os black blocs foram mais fortes foram justamente aqueles em que atuaram no seio de movimentos mais amplos, que englobavam grupos com táticas muito diferentes, todos lutando por causas comuns.

E esta é, na minha opinião, uma das fraquezas dos black blocs hoje (pelo menos em São Paulo): uma certa fetichização da tática, tomando a formação de blocos negros como um fim em si mesmo.

Olhando para a história dos black blocs, me parece que os melhores momentos dessa tática foram quando ela serviu de instrumento para um movimento mais amplo.

E esses momentos foram marcados por avaliações de que tipo de ações serviam mais aos fins buscados.

Por exemplo: a condenação, a priori, da destruição de propriedade privada corporativa me parece absurda por parte de qualquer um que sonhe com uma sociedade mais igualitária.

No entanto, cabe questionar, sim, se essa tática é a mais acertada em um determinado momento da luta.

O ataque contra símbolos das grandes corporações globais promovido pelo black bloc de Seattle fazia todo sentido no seio de um grande movimento que desafiava, justamente, o poder dessas grandes corporações.

Mas será que o simples ataque a agências bancárias e concessionárias de carros de luxo faz sentido em mobilizações que não passam de algumas centenas de pessoas sem uma bandeira clara, em uma São Paulo cuja população tende a repudiar esse tipo de ação? Para que serve essa ação?

Os black blocs têm força social suficiente para sustentar uma mobilização sem buscar apoio de outros setores? Na minha opinião, a resposta para todas essas perguntas, hoje, é “não”.

Por outro lado, as organizações tradicionais da esquerda, como partidos e sindicatos, claramente não estão conseguindo se sintonizar com as pessoas que saíram às ruas em junho justamente por insistirem em restringir suas mobilizações aos seus próprios quadros, olhando com desconfiança para qualquer um que não seja filiado a uma organização formal.

Ao fazerem isso, reproduzem no nível da rua a mesma lógica de quem está no poder: a ideia de que a política é um assunto para iniciados e especialistas, da qual só podem participar aqueles devidamente credenciados por organizações estabelecidas, sejam elas partidos, sindicatos ou movimentos sociais.

Ora, foi justamente isso que levou as pessoas às ruas em junho: a revolta contra o distanciamento entre aqueles que formulam a política e aqueles que apenas sofrem suas consequências.

Os gritos histéricos de “sem partido” podiam ter uma conotação fascista em alguns casos, mas eles também expressavam esse mal-estar profundo de uma política que se vê como cada vez mais autônoma do resto da população.

O grito de junho foi, acima de tudo, um grito contra o autismo da política institucional no Brasil – e nesse autismo se incluem absolutamente todos os partidos com alguma representação parlamentar (com exceção, talvez, do PSOL, cujos militantes estavam nas ruas desde o começo).

Foi um grito contra o abismo que existe entre a política institucional e o cidadão comum, criado por políticos profissionais (de todos os partidos) que colocam o jogo da politicagem acima da defesa de bandeiras concretas de interesse da população.

Nesse sentido, mesmo o combate à corrupção, que em geral tem um viés claramente conservador, se torna parte de uma crítica mais ampla a um sistema representativo que, cada vez mais, é ditado apenas pelos interesses dos representantes, e não dos representados.

Ao insistir em mobilizações restritas aos iniciados, as organizações tradicionais da esquerda reproduzem a barreira que afasta o cidadão comum da política, e por isso são hostilizadas por aqueles que se sentem excluídos da política.

Os black blocs, por outro lado, oferecem justamente o contrário: a possibilidade de qualquer cidadão participar da mobilização política sem necessidade de filiação prévia.

Enquanto partidos e sindicatos são vistos como uma porta fechada para os não iniciados, os black blocs são vistos como uma porta aberta para a política.

Disso decorre, em grande parte, a atração que vem exercendo sobre muitos jovens que estão saindo às ruas pela primeira vez na vida.

Muitas vezes essa distinção leva alguns a se apegarem a um fetiche que opõe “velhas” e “novas” formas de organização, como se fossem irreconciliáveis.

A pergunta mais importante hoje, na minha opinião, é: seria possível romper com essa visão binária e criar espaços onde as diferentes lógicas pudessem dialogar?

Acredito sinceramente que sim. Até porque isso já aconteceu no passado.

Em Gênova, por exemplo, o black bloc optou por marchar ao lado dos Comitês de Base (Cobas) dos sindicatos italianos; na Alemanha, os black blocs muitas vezes marcharam ao lado dos sindicados no Primeiro de Maio; e, aqui mesmo no Brasil, lembro perfeitamente de militantes do PSTU que participavam das reuniões da Ação Global dos Povos para a organização dos atos em São Paulo.

Ou seja: o que nos falta são espaços de articulação que abram espaço para o diálogo entre culturas militantes distintas, mas que compartilham certos objetivos.

O que nos falta é um fórum de lutas, uma assembleia das ruas.

Um espaço assim, que não fosse controlado por nenhuma organização, mas que estivesse aberto aos militantes de qualquer organização e a quem não é filiado a nenhuma delas, poderia servir de convite à participação dos não iniciados e agregar a experiência dos iniciados, abrindo a possibilidade de diminuir a desconfiança mútua e abrir caminho para uma cooperação entre grupos que adotam táticas distintas, mas que podem ser complementares.

Outra condição fundamental para que um espaço assim pudesse florescer é que não se pautasse pela lógica eleitoral.

Uma das razões do desgaste da política institucional no Brasil (e em várias outras partes do mundo) é a necessidade de reduzir todas as discussões ao calendário eleitoral.

Uma verdadeira assembleia das ruas seria um espaço de discussão e formulação de um projeto popular para a cidade, para o estado e para o país, que articulasse seus integrantes em torno de bandeiras comuns, mas que não se colocasse a serviço de campanhas eleitorais de A,B ou C.

Um espaço que pudesse se tornar um poder constituinte da multidão, definindo o que o povo quer do seu governo. Caberia ao governo de turno, a partir daí, lidar com essas demandas.

Os zapatistas, no México, já nos forneceram um modelo desse tipo de organização ao lançarem, em 2006, sua “Outra campanha”, uma mobilização nacional que pretendia ir além do calendário eleitoral e formular um verdadeiro projeto popular independente das ambições dos partidos da ordem.

É claro que em um espaço como esse a participação de militantes partidários e sindicais seria mais do que bem vinda, mas sempre como indivíduos, e não como representantes de suas organizações, o que exigiria daqueles mais acostumados com as formas tradicionais de militância um esforço para abrir mão da ambição de ditar a linha política a ser seguida por todos os participantes dessa articulação.

Por outro lado, exigiria dos adeptos da tática black bloc um esforço para coordenar suas ações com as dos demais grupos, muitas vezes se abstendo de realizar ataques ao patrimônio público e privado quando esse tipo de ação puder comprometer outros grupos que adotam táticas distintas.

Acredito, sinceramente, que a criação de um espaço plural como este poderia diminuir o fosso entre a “velha” e a “nova” esquerda e abrir novas e estimulantes perspectivas para a luta popular no Brasil.

Mas, para isso, seria preciso um exercício de compreensão mútua que fosse além dos preconceitos e buscasse aprender a respeitar a diferença e a diversidade, vendo nela não uma fraqueza, mas uma força do movimento.

*Bruno Fiuza é jornalista, historiador e mestrando em História Econômica na Universidade de São Paulo

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147 Comentários escrever comentário »

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Sobre black blocs e política |

10/11/2015 - 10h10

[…] Desde que a sequência de manifestações começaram aqui no Brasil, vários “analistas” vêm emitindo suas opiniões sobre vários aspectos. Uns falam com propriedade, outros são muito superficiais, outros manipulam informações intencionalmente e outros falam mesmo é muita bobagem!Gostei do texto do Bruno Fiuza sobre black blocs, grande “mistério” das manifestações.Segue link: http://www.viomundo.com.br/politica/black-blocs-a-origem-da-tatica-que-causa-polemica-na-esquerda.ht… […]

Responder

Noilves

30/10/2014 - 11h10

eu amei cada pedacinho do post

Responder

Larissa

14/06/2014 - 10h29

Black Bloc enquadrado em Associação criminosa quando os verdadeiros homicidas estão soltos nos Congressos, Assembléias e afins. Não, eu não li isso…

Responder

    Frango

    07/08/2014 - 16h06

    O que em minha opinião se tem que fazer é voltar as raízes, utilizar a tática como movimento de apoio e defesa das manifestações, desta maneira não servirão os Black Blocs de bode expiatório do governo para deslegitimar as requisições, a população precisa acordar e novamente tomar folego para requirir coisas como:
    1. REFORMA POLÍTICA;
    2. REFORMA DO CÓDIGO PENAL;
    3. FIM DO FÓRUM PRIVILEGIADO;
    4. DEFORMA AGRÁRIA;
    5. REDUÇÃO DO NÚMERO DE DEPUTADOS FEDERAIS
    6. REDUÇÃO DO NÚMERO DE SENADORES
    7. TETO SALARIAL DE DEP. FEDERAIS E SENADORES DE R$ 15.000,00 E FIM DE TODOS OS OUTROS BENEFÍCIOS PARALELOS.

    Tudo que realmente qualquer cidadão quer, tudo o que desoneraria a maquina publica e faria com que diminuísse a roubalheira.
    A população precisa voltar as ruas e aceitar o apoio da tática Black Bloc e estes por sua vez, devem apoiar de forma a defender as manifestações e não deslegitimar o ato com vandalismo desnecessário.

Pompeu Teles

13/06/2014 - 07h50

O que eu gostaria de saber é quando será reivindicado por todos os manifestantes um FOCO nas manifestações para cobrar as reformas de base necessárias para a mudança nas estruturas corruptas do nosso país, já que os políticos se fingem de mal entendidos! De um lado um pseudo-sociólogo e ex-presidente FHC que finge não saber o que o povo quer: “não sabemos o que eles querem, estão insatisfeitos mas não sabemos o que querem” é duro não!?! Do outro lado o PT não tem coragem de enfrentar o congresso e fazer as reformas na marra, através de plebiscito.

Será que não percebem que o congresso nunca votará leis para a Reforma Política, Reforma do Código Penal, o fim dos fóruns privilegiados, a redução no número de deputados federais de 315 para no máximo 5 representantes por estado, pela redução dos salários dos mesmo que somando todos os benefícios chega a cifra inaceitável de mais de R$ 100,00 em um país onde um policial (soldado) ganha menos de R$ 3.000,00, enfim, o congresso nunca votará tais leis esta é a verdade.

Só o POVO poderá votar tais leis através de um PLEBISCITO! E sem estas reformas de base, nunca se resolverá os problemas do país como corrupção, saúde precária, transporte e violência, as propostas de redução de maioridade penal (para 16 anos) é só uma falácia que não resolve o problema especifico da violência, o que resolve é prisão perpétua para crimes hediondos (o primeiro da lista corrupção) e pena de no minimo 30 anos para o corruptor de menores em casos que envolvam crimes graves e hediondos como latrocínio!

Aguardo ansioso o dia que o POVO sairá nas ruas com um FOCO definido para evitar que políticos ordinários deturpem as reivindicações do POVO BRASILEIRO!

1. REFORMA POLÍTICA;
2. REFORMA DO CÓDIGO PENAL;
3. FIM DO FÓRUM PRIVILEGIADO;
4. DEFORMA AGRÁRIA;
5. REDUÇÃO DO NÚMERO DE DEPUTADOS FEDERAIS PARA 120 (5 POR ESTADO);
6. REDUÇÃO DO NÚMERO DE SENADORES PARA 72 (3 POR ESTADO);
7. TETO SALARIAL DE DEP. FEDERAIS E SENADORES DE R$ 15.000,00 E FIM DE TODOS OS OUTROS BENEFÍCIOS PARALELOS.

Será que o congresso votará tais reformas, resposta: NUNCA. Logo, que estas reformas sejam feitas pelo próprio POVO: PLEBISCITO JÁ.

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    Pompeu Teles

    13/06/2014 - 07h54

    CORREÇÃO: sobre os salarios dos deputados federais quis dizer que a cifra chega a mais de R$ 100.000,00.

A infantilidade do debate político atual | Vozes Alternativas

16/04/2014 - 23h41

[…] Está claro que essa declaração se fez necessária a partir do momento que, via intensa propagação, os atos radicais passaram a receber mais atenção da mídia do que a causa dos professores que como se não bastasse, ainda poderia ser deslegitimada pela população caso associassem os professores a tais atos. Por um lado, todos aqueles cujo interesse reside na manutenção da política educacional vigente, enxergam nos Black Blocs a desculpa perfeita para desmoralizar as manifestações perante a maioria da população, – que culturalmente já possui uma tendência conservadora –  relativizar a ação da polícia e inclusive justificar a criação de novas leis punitivas em relação a certos atos. O que eles desejam é que se cometa o máximo possível de depredações e não importando se foram cometidas pelos Black Blocs ou qualquer outro grupo, como alguns que entram em lojas para roubar televisores, P2 infiltrados justamente pra garantir que a confusão generalizada seja estimulada, etc. O importante é que estas ações sejam devidamente filmadas e exploradas ao máximo para poder enfim, desviar o foco sobre a administração desumana e pífia que vem sido realizada pelo no Rio de Janeiro há décadas. É claro que nenhuma análise séria colocaria a “culpa” disso tudo em apenas um fator, mas é notável o esforço em esconder uma das raízes de alguns males da política: o total entreguismo em que a máquina pública do Rio de Janeiro se encontra, perante, é claro, os interesses privados.  Por isso, então, os Black Blocs estão fazendo o jogo das elites? Estão sendo manipulados por uma força oculta? Sim e não. Para os interessados em denegrir as manifestações, toda essas cenas caem como uma luva para colocar a responsabilidade nos ombros dos Black Blocs, que são aqui apenas o símbolo que eles precisam para dar ênfase ao tal “vandalismo”, se não fossem eles, outro bode expiatório seria utilizado. Porém, afirmar que os Black Blocs são criações imperialistas, pmdebistas ou até tucanas beira à insanidade e significa ignorar a própria história da tática. Em um excelente artigo para o site VioMundo, o historiador Bruno Fiúza traça um interessante panorama sobre a história da tática dos Black Blocs, também fala sobre as manifestações de 2013 e a esquerda brasileira atual. Recomendo a leitura deste artigo a todos que são abertos à reflexão. Você pode acessar o artigo clicando aqui. […]

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Black Blocs e o debate político atual | Vozes Alternativas

13/11/2013 - 10h23

[…] Está claro que essa declaração se fez necessária a partir do momento que, via intensa propagação, os atos radicais passaram a receber mais atenção do que a causa dos professores que como se não bastasse, ainda poderia ser deslegitimada pela população caso queiram associar os professores a tais atos. Nesse âmbito, tenho que dar razão em parte aos críticos: a mídia, o governo e todos aqueles cujo interesse reside na manutenção da política educacional vigente, enxergam nos Black Blocs a desculpa perfeita para desmoralizar as manifestações perante a maioria da população, – que culturalmente já possui uma tendência conservadora –  relativizar a ação da polícia e inclusive justificar a criação de novas leis punitivas em relação a certos atos. O que eles desejam é que se cometa o máximo possível de depredações e não estão nem aí se foram cometidas pelos Black Blocs ou por qualquer grupo individual, como alguns que entram em lojas para roubar televisores, P2 infiltrados justamente pra garantir que a confusão generalizada seja estimulada, etc. O importante é que estas ações sejam devidamente filmadas e exploradas ao máximo para poder enfim, desviar o foco sobre a administração desumana e pífia que vem sido realizada pelo PMDB no Rio de Janeiro há quase uma década. É claro que nenhuma análise séria colocaria a “culpa” disso tudo em apenas um fator, mas é notável o esforço em esconder uma das raízes de alguns males da política atual: o total entreguismo em que a máquina pública do Rio de Janeiro se encontra, perante, é claro, os interesses privados.  Por isso, então, os Black Blocs estão fazendo o jogo das elites? Estão sendo manipulados por uma força oculta? Sim e não. Para os interessados em denegrir as manifestações, toda essas cenas caem como uma luva para colocar a responsabilidade nos ombros dos Black Blocs, que são aqui apenas o símbolo que eles precisam para dar ênfase ao tal “vandalismo”, se não fossem eles, outro bode expiatório seria utilizado. Porém afirmar que os Black Blocs são criações imperialistas, pmdebistas ou até tucanas é tolice e significa ignorar a história da tática. Em um excelente artigo para o site VioMundo, o historiador Bruno Fiúza traça um interessante panorama sobre a história da tática dos Black Blocs, também fala sobre as manifestações de 2013 e a esquerda brasileira atual. Recomendo a leitura deste artigo a todos que são abertos à reflexão. Você pode acessar o artigo clicando aqui. […]

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Carlos Marques

10/11/2013 - 17h15

Muito bom. Vivendo e aprendendo. Só espero que esses manifestantes são exagerem na dose.

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Antônio David: Quanto mais o sistema perseguir os Black Blocs, mais eles crescerão - Viomundo - O que você não vê na mídia

02/11/2013 - 20h17

[…] Black Blocs: A origem da tática que causa polêmica na esquerda […]

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Renato

29/10/2013 - 13h35

cara não viaja, Black Bloc é uma tática utilizada em protestos de rua, nunca foi um movimento social, e como tal, não tem relação nenhuma com apresentação de projetos políticos e sociais
além disso, sua descrição das dinâmicas sociais antes, durante, e depois dos atos políticos atuais me dão a impressão de que você nunca sequer participou de um

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Gerson Carneiro: A solidariedade seletiva da presidenta Dilma - Viomundo - O que você não vê na mídia

28/10/2013 - 10h43

[…] Black Blocs: A origem da tática que causa polêmica na esquerda […]

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El Critico Libre

27/10/2013 - 05h35

Em suma: se a esquerda não se tornar maleável e não aprender a repensar suas próprias atitudes, estará cada vez mais se tornando apêndice do sistema que abre espaço para uma escalada fascista. Inconsciente e involuntariamente, a esquerda se tornou parte deste processo.

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Senhor da Silva

26/10/2013 - 20h37

Por que vocês não vão fazer o que fazem na Rússia, que é um país que experimentou o marxismo-leninismo-stanilismo?

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Senhor da Silva

26/10/2013 - 20h34

Quem etá disposto a ferir as pessoas, deve estar disposto a arcar com as consequências.

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Orbenon

21/10/2013 - 14h44

Quanto aos Black Blocks, eu fiz uma análise um pouco detalhada. Se desejarem acessem:

http://www.orbenon.blogspot.com.br/2013/10/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x.html

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Antonio C.

20/10/2013 - 01h41

A análise não se livra de seu aparato universitário e do currículo. O autor diz que o movimento autonomista é quase desconhecido (e, claro, ele vai dar a luz!).Por causa de seu aparato coxinha, supostos esquerdistas fazem análises exteriores, puramente intelectualizadas, coisa de quem não coloca a sua posição em risco. Assim, fica fácil, essa hipocrisia. “Sugiro que leiam o livro…”
“O que nos falta é um fórum de lutas, uma assembleia das ruas.”
Chega um momento em que os movimentos não precisam dar mais satisfação nem esperar uma análise oportunista.

Responder

karina munhoz

19/10/2013 - 14h41

boa tarde gostaris de saber como faço para adoção dos caes que foram retirados de são roque

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mattsantiago

16/10/2013 - 17h14

Nos jornais os primeiros protestos pareceram só violência gratuita. Um tipo de raiva reprimida da população. Depois daquela quinta feira em que a PM revelou ao mundo sua essência repressora, a TV apresentou os protestos de outra forma. Agora havia os manifestantes certinhos, cantando, e os criminosos noutro canto depredando. Ontem os jornalistas da Globo falaram várias vezes que o quebra-quebra não tinha nada a ver com os protestos. Falam dos “Black Blocks” como se fossem aproveitadores e criminosos violentos. Não foi a primeira vez que a TV brasileira trucidou a democracia com suas desinformações. Nem será a última. Por isso precisamos de mais artigos como este nesses tempos de transição. Por isso precisamos daqueles jovens vestidos de preto e daquelas fachadas destruídas. Tudo isso é necessário e muito natural.

Responder

Rene A. Penno

16/10/2013 - 15h05

O Governo ignora a população, engana constantemente o país inteiro e é o maior litigante de má fé nas questões judiciais. Talvez o governo esteja experimentando do seu próprio veneno. Se o governo cumprisse com a legislação que ele próprio criou, negociasse e ouvisse a população fora da época de campanha política, a baderna não precisava acontecer.
O Governo é surdo, mudo e cego para ouvir a população. Estamos acostumados a um governo que ignora a saúde, a educação e a segurança pública e nada acontece. Quando temos um protesto, ficamos surpresos, pois é algo novo.
Se a manifestação fosse pacífica, o governo aplaudiria, mas não atenderia ninguém. Que bela é a democracia, o povo pode se exaurir em manifestações se não houver violência, mas ninguém é ouvido. SEM VIOLÊNCIA SOMO IGNORADOS, INFELIZMENTE.

Responder

André Diniz

15/10/2013 - 02h26

Quanta lucidez! Muito boa a análise do texto. Achei apenas injusto afirmar que o Rio foi onde as manifestações persistiram. Em BH, houve ocupação da câmera dos vereadores, da prefeitura e a realização de assembleias populares de rua ao longo dos meses de julho e agosto. Certamente, o Rio foi mais acompanhado pela mídia, mas houveram outros focos de resistência pelo país, nas mesmas proporções.

Responder

Neto Vale

14/10/2013 - 21h05

black blocks: o espírito que anda!

Seja lá o que for (o)(um) black blocks, algo que aparece no seio dos movimentos, que não dialoga com ninguém, vive um mundo a parte, deixa-se confundir com todo tipos, inclusive, os com postura fascistas. não, esse tipo de ator social, sujeito ou seja lá q nova nomenclatura invoque, não contribui com às lutas. essa é a impressão -no geral – que tenho desse bb, embora prefira a postura adotada no Rio de Janeiro e as observações de Marcos Romão sobre bb coloque novos elementos q não podemos desconhecer. as vezes parece aqueles teórico da democracia deliberativa procurando uma salvação para esse sistema através de seus conceitos excludentes de sociedade civil e de uma esfera pública enquanto sensor da sociedade, apitou a sirene ai o sistema político repara os constrangimentos “involuntariamente” criado e assim caminho o capitalismo e suas sete – ou eternas – vidas, sempre disposta a brincar de rato e gato com os seus.

Responder

Indio Tupi

14/10/2013 - 18h30

Aqui do Alto Xingu, os índios leram o texto até a parte que diz: “Fiel ao espírito revolucionário original do marxismo…” Blac blocs não tem nada, absolutamente nada a ver com o marxismo. É muito desconhecimento não só de História, como de um mínimo que seja da obra do Mouro e de seus escritos políticos, para não falar de seu combate sem tréguas contra os anarquistas e todas as formas de niilismo, de quem se filiam os black blocs.

Responder

Walter Silva

14/10/2013 - 14h15

Certa vez houve um tributo ao Raul Seixas, galera da música, como sou ligado o mundo artístico cultural fui assistir(ver http://tnb.art.br/rede/jwaltersilva), toda aquela galera cantando Raul, enchendo a cara, com roupas pretas em sua maioria, fumando no papo cabeça, e ai vi uma das mais emblemáticas daquela noite que me faz lembrar algumas figuras destes protestos, chegou mais um jovem casal de namorados ele negro, ela loira, ele vestido com uma camisa com o rosto de Che Guevara, um tênis Altar e una boina com o nome Chicago Bulls,ela no mesmo perfil, traduzindo, galera não sabe o que realmente ta fazendo, imagina o Che comendo no Mcnald´s cantando viva a América? Não existe! É uma geração que fala de meio ambiente, poesia e coisa tal tomando Coca-cola, gritando contra o sistema, mas não vive sem seus Ipod´s, creio que o texto é válido, mas é preciso mais aprofundamento, mas parabéns pela discussão!

Walter Silva.

Responder

Renato Cinco: Proibir máscaras pode gerar mais violência - Viomundo - O que você não vê na mídia

14/10/2013 - 04h59

[…] Black Blocs: A origem da tática que causa polêmica na esquerda […]

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eurico

11/10/2013 - 19h24

O autor me convenceu. Então qualquer um pode vestir uma roupa preta, uma máscara e ir para a rua quebrar tudo, desde que a identifique como capitalista. Mudei minha ideia: quem quer que seja pego de maścara na rua cometendo vandalismo precisa ser detido e processado como criminoso. Não podem serem acusados de formadores de quadrilha.

E desde quando política só se faz com tática? Eles mais se identificam com terroristas fascistas e religiosos do que com a esquerda e com as causas populares. Porque apoiá-los?

Responder

    Rene A. Penno

    16/10/2013 - 14h50

    O Governo ignora a população, engana constantemente o país inteiro e é o maior litigante de má fé nas questões judiciais. Talvez o governo esteja experimentando do seu próprio veneno. Se o governo cumprisse com a legislação que ele próprio criou, negociasse e ouvisse a população fora da época de campanha política, a baderna não precisava acontecer.
    O Governo é surdo, mudo e cego para ouvir a população. Estamos acostumados a um governo que ignora a saúde, a educação e a segurança pública e nada acontece. Quando temos um protesto, ficamos surpresos, pois é algo novo.
    Se a manifestação fosse pacífica, o governo aplaudiria, mas não atenderia ninguém. Que bela é a democracia, o povo pode se exaurir em manifestações se não houver violência, mas ninguém é ouvido.

Guanabara

11/10/2013 - 00h39

Muito bom o texto, mas acho que faltou uma coisa: contextualização. O autor dá definições dos blck blocs baseado em uma realidade bem diferente da nossa. A impressão que tive é que o autor coloca que os black blocs expressam o desejo de uma maioria que estaria reprimida, e que esse desejo seria o fim do capitalismo. Para mim, quem melhor definiu o contexto da atual realidade brasileira foi Eduardo Guimarães, quando disse que “o brasileiro não quer igualdade. Quer é mudar de lado”. Lá pela metade da década de 80, ir a Mc Donald’s era coisa de classe média. Entra em um Mc Donald’s no Leblon hoje em dia (SIM! NO LEBLON!) e dá uma olhada no público pagante. Esse mesmo público pagante quer é ser ainda mais pagante! Ele não quer o fim do capitalismo. Quer é fazer parte dele! Então, os black blocs passam o recado ao público deles. Orgulham o público deles, que são quem? Pessoas como o Fiúza, que entendem a fundo o funcionamento do capitalismo, e querem libertar quem nem sabe que está preso, escravizado. Agem no mesmo modo como agiu Alckmin nos debates com Lula na TV. Incendiou de orgulho os leitores da Veja, e fez Geraldinho desabar nas pesquisas após o debate.

Entendo o ataque ser aos “símbolos do capitalismo globalizado”, mas o povão gosta desses símbolos, e não vê com bons olhos quem ataca os sonhos de consumo deles, mesmo que sejam eternamente sonhos.

Responder

    Otto Lima

    14/10/2013 - 15h40

    Os black blocs se dizem anticapitalistas e, por isso mesmo, destroem bancos e lojas, mas filmam suas ações com as câmeras de seus iPhones e iPads e depois divulgam no Facebook, que é uma empresa privada com ações em Wall Street e na Nasdaq. Muitos deles ainda se deixam flagrar usando jaquetas da GAP, Hollister, Abercrombie & Fitch, Aéropostale e Ralph Lauren – pretas, é claro!

Sávio Maciel

10/10/2013 - 17h38

O artigo incitou o debate. Nunca vi tantos comentários. Alguns de altíssimo nível. Muito bom. Sendo assim, também vou dar meu pitaco: a ação dos blakc bocs, mostrada sob o ponto de vista da mídia, despertou a indiganação da pessoas comuns, daquelas que se sentam em frente á tv para assistir aos telejornais enquanto esperam a novela. E pode ser qualquer telejornal. Essas pessoas, tidas por muitos como analfabetas políticas, não tem um grau de crítica tão profundo, mas reagem de modo absolutamente corente com suas formações: para elas, a depredação de uma agência bancária não é um ato político; é um ato de vandalismo, e não precisa ninguém da imprensa lhes dizer isso, porque o respeito pela propriedade alheia lhes foi inculcado desde a mais tenra infãncia. Não se pode esquecer que vivemos sob regime capitalista há séculos, e nossa moral e gama de valores está profundamente influenciada pelos conceitos e preconceitos a serviço do capital e da propriedade. Portanto, entre as pessoas comuns as cenas de violência e depredação despertam sentimentos contraditórios: ao mesmo tempo em que condenam os excessos policiais, indignam-se contra a depredação do patrimônio publico e particular. O problema da ação política no Brasil sempre foi esse divórcio, muito bem abordado no artigo, entre os militantes “engajados” e autosuficientes, e o povo em nome de quem eles pretensamente agem.

Responder

    FrancoAtirador

    10/10/2013 - 20h07

    .
    .
    Caro Sávio Maciel.

    Fiz mesma interpretação dessa realidade contemporânea,

    que foi criada nos países socialmente desenvolvidos

    e que agora está sendo transposta cá para o Brasil.

    A sociedade brasileira não foi culturalmente preparada

    para receber esse tipo de movimento radical de protesto.

    Assim, essas manifestações violentas produzem, na maioria,

    efeito contrário ao pretendem os próprios manifestantes,

    justificando, inclusive, o aumento da repressão policial

    executada nos Estados, sob o incentivo da Mídia Bandida.
    .
    .

    André

    22/10/2013 - 19h28

    Corretíssimo…

FrancoAtirador

10/10/2013 - 16h18

.
.
SOBRE COMO O CAOS URBANO GEROU O FEICIBUQUISTÃO

Em tempos de aglomeração populacional urbana;
de escravização humana imposta por metas traçadas pelo relógio do lucro corporativo empresarial;
de confinamento das crianças em creches, dos jovens em escolas e dos adultos em empregos;
de guetização e segregação social das áreas metropolitanas;
e de distanciamento entre pessoas de convívio próximo, em que um parente, vizinho ou colega só se comunica com outro por via telefônica ou similar,

a Internet foi o único espaço, ainda que não material, encontrado para promover o intercâmbio sentimental, intelectual e cultural entre indivíduos que estão fisicamente isolados dos demais.

E foi assim, dessa incontida necessidade humana de congregação espiritual, de compartilhamento de sentimentos, de idéias e de valores culturais, e pela repressão da satisfação desse desejo imposta a homens e mulheres – sejam jovens, velhos ou crianças – pela trágica realidade cotidiana individual e familiar, que surgiu o que de início foram denominados pelas Corporações Econômicas ‘PontoCOm’ dos United States of America(Microsoft, Yahoo, etc) como ‘Workgroups’ (literalmente: ‘Grupos de Trabalho’), para extensivamente significar ‘Grupos Virtuais de Relacionamento’, e mais recentemente como ‘Social NetWorks’ ou ‘Redes Sociais’, representadas principalmente pelas empresas também Norte-Americanas MySpace (que teve seu auge quando Rupert Murdoch era dela proprietário), Orkut (Controlada da Google que também já teve seu momento de fama) e a bola-da-vez, ‘Facebook’.

Responder

Djijo

10/10/2013 - 13h49

Pra mim, como ocorreu no Irã, Turquia, Líbia, Síria, Bolívia, Venezuela, são todos agentes quinta-coluna, pagos com dinheiro do narcotráfico de posse de agência americana. É típico. E não adianta discurso que tal é só para desviar a atenção. Quebra de sigilo bancário desse turma acho que irá revelar algumas coisas, bem como a origem dos bens e os gastos deles.

Responder

José X.

09/10/2013 - 19h45

Não existe nenhuma “polêmica”: os caras são linha auxiliar da direita. Ponto.
Porque é impossível justificar a destruição de propriedade pública e privada, a não ser em situações extremas: guerra, ocupação estrangeira, etc. O pessoal da extrema esquerda geralmente ou é muito burro ou são na verdade infiltrados da extrema direita. Como sempre, suas ações acabam sendo usadas como desculpa para as ações anti-democráticas da extrema direita.

Responder

    Leo V

    10/10/2013 - 10h59

    Impossível é ter um debate racional diante de afirmações como essas.

    francisco.latorre

    10/10/2013 - 14h21

    ‘Impossível é ter um debate racional diante de afirmações como essas.’

    ..

    brilhante.

    ..

    José X.

    10/10/2013 - 20h41

    Quem faz passeata por 20 centavos mas não fez passeata por Pinheirinho não merece meu respeito.

marcosomag

09/10/2013 - 18h39

Existe um sério problema com a tática Black Bloc: ela empurra a “maioria silenciosa” para a direita, ficando esta parcela da população receptiva a um discurso de “ordem” que a direita sempre faz.

Quebrar por quebrar patrimônio público e particular cria um ambiente artificial de anomia política e administrativa no País e favorece forças que ocupariam o suposto “vácuo de poder” no Brasil.

A tática de cobrir o rosto é inadmissível no Regime Democrático! O manifestante tem o direito de exigir que o policial esteja devidamente identificado e o policial tem o direito de exigir que o manifestante mostre a cara!

O policial, para ser responsabilizado caso abuso do seu poder de polícia. O manifestante, para ser responsabilizado caso aja com violência ou vandalismo.

Responder

    Leo V

    09/10/2013 - 23h17

    Estamos falando do mundo real e não dos livros de Direito.

assalariado.

09/10/2013 - 18h25

Conceição/ Azenha, enviei dois comentários. Um ontem as 20; 39hs e outro hoje pela manha as 5; 54hs.

O que acontece?

Abraços Fraternos.

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    09/10/2013 - 18h44

    Deve ter caído no spam. Vamos checar. Tenha paciência conosco. abs

Marcio Saraiva: Sem querer, Black Bloc ajuda direita antidemocrática - Viomundo - O que você não vê na mídia

09/10/2013 - 18h06

[…] Bruno Fiuza: Explicando a origem da tática Black Bloc […]

Responder

Ednaldo Vieira osta

09/10/2013 - 16h55

Eram todos manifestantes legitimados com boas ações.Um absurdo combatê-los com bombas, borrifos de pimenta,balas de borracha…etc Após agredirem os repórteres das grandes corporações de mídia, viraram vândalos. Lei de Segurança Nacional volta junto com todos os recursos de combate aos distúrbios. Agora pode!!!???

Responder

Leo V

09/10/2013 - 16h09

Publicado no facebook :

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=527299474021833&set=a.524959970922450.1073741828.512944915457289&type=1&theater

“Gentis meninos maus

Dois dias após o Plano de Carreira ser aprovado a portas fechadas em 1/10 (enquanto professores e demais profissionais da Educação eram caçados pelas tropas da PMERJ), dezenas de depoimentos encheram as redes sociais. O tema é o mesmo em todos eles: agradecimento aos “meninos” do Black Bloc RJ.

O reconhecimento oficial veio na tarde de sexta, 4/10, através da coordenadora do Sindicato dos Profissionais da Educação (Sepe), Ivanete Conceição, durante a Assembleia realizada pela categoria: “Muitos desses meninos nos defenderam da truculência da PM. De alguma maneira, o que eles fizeram na terça-feira foi reagir a atos violentos. Eles nos ajudaram, nos socorreram e ganharam o apoio de muita gente que os via com desconfiança”. O mesmo ponto foi abordado por diversos depoimentos durante a semana, dentre eles o do profissional de educação Eric Brasil, divulgado em sua página e compartilhado por diversos grupos e pessoas.

“Quando chegamos na praça perto da Câmara começou a primeira grande chuva de bombas. […] O Black Bloc impedia que as bombas chegassem até os educadores. Nesse momento aconteceu uma cena incrível […]. Um menino negro, com o rosto branco de leite de magnésio, camisa preta, calça preta, luva preta, sem máscara gritava por um representante do Sepe. Quando encontrou disse que gostaria de saber o que os educadores queriam que eles, os Black blocs, fizessem. ‘Vocês querem que a gente ataque outro ponto pra ajudar vocês ou querem que a gente pare de jogar as bombas de volta pra polícia pra vocês reagruparem na praça?’ […] respondemos pra que eles parassem de reagir pra gente poder reagrupar na praça. O menino, no alto dos seus 16 anos disse: ‘ok, vamos sair e parar de devolver as bombas. Mas vocês precisam voltar pra praça pra ocupar’. Acho que foi uma das cenas mais lindas que vi nas ruas. […] Nesse exato momento, sem nenhum BB entre nós, mais uma chuva de bombas vindas do telhado da Câmara e da rua lateral. O Choque avançou de todos os lados com muitas bombas de gás e de efeito moral até encurralar todo mundo […]”.

O reconhecimento chega de modo oportuno para a imagem dos BBs, cujas ações polêmicas renderam aos praticantes dessa tática a prisão de três administradores de uma de suas páginas no Facebook, já em liberdade. Entretanto, para a maior parte da população, de acordo com a imagem construída pela grande mídia nos últimos meses, eles não passam de vândalos que quebram vidraças de bancos e atacam a polícia. São vistos como meninos “maus”.

Para os professores que foram ajudados por eles no momento em que a polícia iniciou a dispersão, na segunda-feira, jogando bombas de gás lacrimogêneo indiscriminadamente, são meninos gentis. Mas o fato é que estes “gentis meninos maus” trouxeram à discussão uma nova forma de fazer política nas ruas. O resultado dessa discussão, ou resultados, só o tempo dirá.”

Texto: Otávio Brum e Luciano Silva
Foto: Mario Rocha

Responder

    João Vargas

    09/10/2013 - 18h17

    Agora entendi quem são os black blocs: Batman e Zorro defendendo os fracos e primidos.

Julio Cesar Montenegro

09/10/2013 - 15h21

índia x gra Bretanha
cuba x eeuu
mandela pacifista na prisão x racistas brancos no poder sul africano qualquer CONTRA ESTADO PROJETADO
prepara um braço armado
para a defesa dum sistema modificado

não me atrai PROPOSTA para substituir
GOVERNO DO PT
porque FORA dos tradicionais PATROCINADORES (de serra campos marina fhc…)
TIPO mídia bancos multinacionais
(além da burocracia
votada PELA MAIORIA
pro governo…)
existe ALGUM PODER
a ser destruído com
ASSASSINATO DE ASSINALADOS INDIVIDUOS?
QUEBRA DE DENTES OU VIDROS?

esses blequibloquis
apesar do colonial prestigio de made no 1° mundo
tipo Alemanha ou qualquer exterior patranha
para qual o colono europeizado se arreganha
são raivosos cães de guarda
da velha CASA GRANDE avisando
PROIBIDA A ENTRADA DE PESSOAS ESTRANHAS

Responder

Bertold

09/10/2013 - 14h28

Por favor, quanta tergiversação conceitual…essa ai é para boi dormir. Quer dizer que militares treinados e agentes políticos da direita, jovens rebeldes sem causa ou objetivos institucionais definidos, agora representam um “novo” movimento social, uma tática de luta, é isso mesmo o que eu li? Me ajuda ai ô!

Responder

Cristiano Machado

09/10/2013 - 14h14

Posso transformar esse texto num arquivo audio/podcast ?

Se sim, aguardo seu contato :)

abrass

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Marc

09/10/2013 - 13h24

O texto confundiu ao invés de esclarecer.
A pergunta importante que não foi respondida é:

O que é o black blocs no Brasil?

O significado deste movimento na Alemanha não significa nada aqui, assim como os termos: liberal, neo liberal, “Verdes”, entre outros tem significados distintos nos EUA, Europa e Brasil.

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Vixe

09/10/2013 - 13h22

Acredito que cerca de 80% destes “meninos” do bloco de preto estão fazendo o que fazem por comportamento de manada e modismo (graças ao FACEBOOK, ícone do Capitalismo e da globalização, que eles tanto condenam…).
Daqui alguns anos eles também estarão aqui, sentados em suas cadeiras e na frente de um dispositivo semelhante aos nossos atuais computadores, criticando os seu sucessores por tomar atitudes semelhantes.

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Paulo

09/10/2013 - 13h07

Aos que se dizem “marxistas”.

“[o proletariado] Longe de opor-se aos chamados excessos, aos exemplos de vingança popular sobre indivíduos odiados ou edifícios públicos aos quais só se ligam recordações odiosas, não só há que tolerar estes exemplos mas tomar em mão a sua própria direção”. – (Marx – Mensagem do Comitê Central à Liga dos Comunistas).
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“Os comunistas rejeitam dissimular as suas perspectivas e propósitos. Declaram abertamente que os seus fins só podem ser alcançados pelo derrube violento de toda a ordem social até aqui. Podem as classes dominantes tremer ante uma revolução comunista! Nela os proletários nada têm a perder a não ser as suas cadeias. Têm um mundo a ganhar.” – (Marx e Engels – Manifesto do Partido Comunista. 1847)

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    Matheus

    09/10/2013 - 15h25

    Pois é… imagino o que diria Marx de alguns “marxistas” que ficam tristes com a depredação de propriedade privada corporativa e palácios governamentais (não dá para dizer que uma casa legislativa dominada por uma oligarquia seja “pública”).

    Paulo Kautscher

    09/10/2013 - 19h58

    E olha que não coloquei nada do Marcuse ou sobre a violência revolucionária

    Amauri

    10/10/2013 - 09h51

    Exatamente o que eu penso! O pessoal diz “estão destruindo o patrimônio público”. Como é público, se somente oligarcas usam, mandam e desmandam?

    “Tá vendo aquele edifício moço?
    Ajudei a levantar
    Foi um tempo de aflição
    Eram quatro condução
    Duas pra ir, duas pra voltar
    Hoje depois dele pronto
    Olho pra cima e fico tonto
    Mas me chega um cidadão
    E me diz desconfiado, tu tá aí admirado
    Ou tá querendo roubar?
    Meu domingo tá perdido
    Vou pra casa entristecido
    Dá vontade de beber
    E pra aumentar o meu tédio
    Eu nem posso olhar pro prédio
    Que eu ajudei a fazer”

Eduardo Albuquerque

09/10/2013 - 12h56

O autor se esmerou em coletar informações para glamourizar o grupo, mas pouco acrescentou ao que se vê.
O fato é que muitas pessoas, no Rio principalmente, estão deixando de ir as manifestaçoes ou saindo bem antes do término por receio de ser apanhada no meio do confronto entre os Blakcs e a polícia.
Até então nao vi contribuição politica significativa de conteúdo vinda dos Blacks, algo que nos convide a seguir..

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Tomudjin

09/10/2013 - 12h54

Até onde vai o limite do direito, num Estado de Direito? Destruir a fachada de um Banco, não pode justificar a “cantada” de um policial menos preparado. Um erro não pode ser “justificável”, baseado em outro.

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Alexandre C

09/10/2013 - 12h52

Muito “erudito” citar Frankfurt e Seatle mas vamos aos fatos: O BB quebram , queimam, ajudam a cultivar um ambiente de caos e instabilidade social sem em contra partida apresentar ou propor para a sociedade nenhuma das suas “bandeiras”. Na prática o BB parasita as passeatas de outros movimentos (MPL e professores) e se aproveitam dessa visibilidade para causar seus marketing do terror. Conseguem assim desviar o foco dessas manifestações, como a greve dos professores, educação. Para mim o BB só ajuda o status quo, alienando e afastando o foco das manifestações populares que estão ocorrendo que passa a ser a depredação.
Para mim nada justifica essa destruição e violência sem sentido. Quero deixar claro que a violência dos BBs não é apenas contra objetos “inanimados”, conheço pessoas que tentaram dialogar com eles para que parecem de quebrar coisas e colocar fogo em lixeiras e foram agredidas. O que ficará na memória das pessoas é que esses atos foram gratuitos e uma bela manifestação pela educação foi manchada por esses BBrucutus.
Sugiro ao BB que faça uma manifestação só deles, para mostrar suas causas ( será q tem ?) Assim talvez consigam toda a visibilidade que “mereçam”.

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Bonifa

09/10/2013 - 12h36

Continuamos entendendo que os black blocs detiveram bruscamente a cavalgada golpista da direita que utilizava os coxinhas para tentar generalizar um movimento de desestabilização do país. O ódio fácil dos garotos burgueses se recolheu amedrontado diante da coragem black bloc. Mas persiste um grande problema: A tática black bloc é também violência, e qualquer violência, seja ela qual for, ajuda na estratégia golpista que consiste em aumentar a sensação de insatisfação generalizada. Continuamos acreditando que a Direita sabe que só chegará ao poder através de um golpe que interrompa o Estado de Direito. E continuamos acreditando que o caminho mais fácil para isso é o da generalização e exorbitância da violência. Quanto mais armas contrabandeadas, quanto mais conflitos, quanto mais assaltos, quanto mais homicídios banais, melhor para aumentar a sensação generalizada de violência. A violência cada vez mais exorbitante está na raiz do sentimento generalizado de insegurança que constitui o maior elemento constituinte do sentimento de insatisfação e desconforto. A violência exorbitante só poderá ser contida através de uma reforma imediata do código penal, e por uma reforma emergencial acompanhada de uma séria investigação interna em todo o funcionamento do judiciário. O problema principal da generalização e exorbitância da violência não está na polícia. Está na justiça. E estas duas reformas são básicas para fazer a impunidade recuar e o país voltar a respirar.

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    Edu Frosa

    09/10/2013 - 15h48

    A direita voltar ao poder? Serio? Desde quando ela saiu?

    Não dá pra considerar nosso governo federal como de esquerda, aliás, acho que nunca deu. Concessões (pra não dizer privatizações) obscuras, onde poucos ganham muito e o resto paga a conta, arrancam nosso coro com os pedágios e cospem em cima da ferida com a carga tributária. E, no final, uma pequena esmola pro povo manter essa escória no poder.

    Na verdade acho que essa é uma das principais causas da revolta atual, causa e efeito. Temos um monte de partidos que em nada se diferem, ideologias vazias que se alinham com a falta de educação e cultura de um povo que cansou de apanhar. É um ciclo vicioso que vai precisar de muito quebra quebra para ser interrompido.

    Bonifa

    10/10/2013 - 04h07

    A luta política agora, de toda a esquerda consciente, é fazer com que a aliança entre centro e progressistas ganhe as próximas eleições e mantenha o projeto de inclusão social e de independência e integração do país e da América da Sul, já que o México parece um caso perdido para a órbita dos Estados Unidos. Disso depende o futuro do país e seu desenvolvimento, dentro de um marco democrático social. Quem empenha seus esforços políticos agora, em país subdesenvolvido, na tentativa de lutar radicalmente contra o capitalismo, torna-se o melhor aliado alienado da direita. Não é por outra razão que o Psol, equivocado ao extremo, vota sempre em aliança com os partidos de direita no Congresso. A luta política é difícil e exige batalhas de inteligência, enquanto o radicalismo anti-capitalista é fácil de assimilar e faz a delícia de quem quer aproximar ao fascismo o nosso imperfeito sistema democrático. O capitalismo selvagem é odioso, sim, mas jogar pedras contra ele só vai resolver o problema existencial do apedrejador, que se sente um herói da Humanidade e vai dormir feliz, enquanto vai seguidamente autorizando a escalada da repressão. Se o governo progressista não fizer esta repressão, o fascismo estará autorizado a tomar o poder para fazê-la. Política não é brincadeira de criança.

J Souza

09/10/2013 - 11h44

Conceitualizar uma tática sem objetivos definidos parece ser bem difícil.
Desse modo, a tolerância com as “mutações” da tática “bloco negro” (“black block”) podem ser perigosas.
Segundo o texto, a tática “bloco negro” se transformou de resistência para violência. Por enquanto, a esse conceito só se atribui a violência contra propriedades, coisas inanimadas.
Mas, se esse conceito sofrer nova “mutação”, ele poderá incluir a tolerância a ataques contra a integridade física de pessoas.
Se chegar a esse ponto, que diferença terá a tática “bloco negro” e o terrrorismo?
E entre um “bloco negro” e uma guerrilha?
Há que se dizer claramente ao que veio…
E há que se ter limites para tudo!

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Preto Velho

09/10/2013 - 11h37

Eu também sou a favor de botarem abaixo o McDonalds e coisa do tipo, mas quando a “tática” põe em risco a população, o que deveria ser um enfrentamento igualitário torna-se uma grande praça de guerra.

Mahatma Gandhi pregava a desobediência civil em massa, e as rédeas inglesas aliviaram-se na Índia.

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Fábio

09/10/2013 - 11h24

Azenha e demais operários do Viomundo, ao acompanhar esse debate nos comentários, independente do estágio de conciência política de cada um, só me resta dizer: Deu certo! Parabéns! Obrigado! Velhos e jovens dando o que tem de melhor, seguindo as setas em busca das mais importantes verdades, da forja resistente pra luta. Emociona.

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    Alexandre

    09/10/2013 - 14h38

    Concordo em todos os aspectos! O VIOMUNDO conseguiu o mais importante e fundamental: estimular o pensamento e o debate, que não exclui a diferença. Bacana.

ricardo

09/10/2013 - 11h23

Como disse o mano Caetano, o black blocks faz parte. Felizmente, neste caso, a polícia também.

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Julio Silveira

09/10/2013 - 10h59

A aula de historia do movimento é uma beleza para a cultura de muita gente inculta que se acha possuidora de dotes culturais suficientes para posarem de críticos desse fato, qualificados como fato novo, feito por gente marginal. Eu não tenho a pretensão de ser didata no assunto, minha avaliação para apoio do movimento se dá meramente por critica comparativa.
Avalio esse grupo imensamente menos perigoso que aquele que a muito tempo, e vejam bem, não neste tempo, me refiro aqueles que a muito tempo vem dilapidando o patrimônio nacional, expondo a cidadania e o país a vexatória posição de fragilidade ante outros países e povos, que agem como se fossemos um bando de anencefalos. Sem qualquer consideração com o nosso direito a dignidade, mesmo a esclarecimentos sobre os porquês de sermos tão ricos em diversos recursos que são usufruídos por tão poucos.
Por que, tantos bilhões de Reais e em outros tempos outras nomenclaturas de moeda forma e continuam fazendo a alegria de poucos, em descaminho continuo, sem que a sociedade se indigne com isso na mesmo intensidade que vem na critica ao grupo, para permitir a continuidade desse sistema viciado e cada vez mais permissivo para a continuidade desse vicio? Por essas e por tantas outras é que sou muito menos acido na critica aos Black Blocs. Mesmo entendendo que pode não haver coerência ou conotação politica em seus atos. Na verdade, para mim são apenas jovens cidadãos brasileiros como eu, cansados da mesmice continuada, e um pouco mais indóceis, com apenas mais sangue nas veias, que a maioria de nós bananas. E, nesse nós faço a mea-culpa e me enquadro. Ainda assim, não acho justo a critica aos que fazem aqueles brasileiros que não tem medo de pagar o preço por demonstrar essa inversão de valores.
Já os marginais, esses que se infiltram apenas para roubar, mesmo os infiltrados de colarinho Branco que quase sempre passam invisíveis pela cidadania, para esses com eu gostaria de vê-los na cadeia, pagando proporcional ao que representam para o país o valor de seus roubos.

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Raymond

09/10/2013 - 10h26

Black blocs um movimento em movimeno. Eu apóio.

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Vander

09/10/2013 - 10h04

Muita conversa, mas não diz que os black blocs brasileiros não têm nada a ver com movimentos que têm ideologia e propósitos políticos claros e definidos! É impossível atingir qualquer objetivo quando cada um faz o que quer, e da pior forma possível. Atitudes violentas jamais trarão quaisquer benefícios à sociedade, nem terão sua simpatia e adesão, não importa a justeza da causa pela qual dizem lutar, se é que existe alguma! Além do mais, o fato de serem mascarados, denota covardia em assumir seu descontentamento e dão margem a que elementos de extrema direita e até policiais se infiltrem. No período da ditadura, quando as pessoas que protestavam eram perseguidas, torturadas e até mortas, ninguém se escondia atrás de máscaras!

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Mardones

09/10/2013 - 09h43

Muito esclarecedor o artigo. Fiquei sabendo mais sobre esse ‘movimento/tática’ que está nas ruas do Brasil.

Parabéns ao Vi o mundo por ajudar no debate sobre essa forma de atuação política.

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Eva

09/10/2013 - 09h13

Os black block são iguais ao domínio do fato do stf: uma farsa.

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Abel

09/10/2013 - 07h45

Os black blocs não passam de um bando de baderneiros cuja única proposta é tumultuar. No Rio de Janeiro, a polícia incompetente não prende ninguém – ou então prende as pessoas erradas. Só que agora, que população que trabalha e que paga a conta da baderna já externou o seu cansaço com esse estado de coisas, surgiram sinais de que o jogo vai endurecer. Em SP,ouvi que vão aplicar a LSN da ditadura nos baderneiros (para lguma coisa deve servir, já que está em vigor). E no Rio, os tais black blocs serão enquadrados como associação criminosa. Vamos ver se agora criam um pouco de juízo e vão arranjar algo útil pra fazer.

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    Matheus

    09/10/2013 - 15h27

    Fascista detected.

    Abel

    10/10/2013 - 09h28

    Imbecil detectado (em português mesmo).

Paulo Pavaneli

09/10/2013 - 07h19

Bruno Fiuza,jornalista, historiador e mestrando em História Econômica na Universidade de São Paulo, gostaria de vê-lo em uma manifestação pacífica, tendo ao lado os mascarados… desejo que tome boas porradas…

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Laila

09/10/2013 - 05h06

muito legal a matéria, Bruno.
conhece as ocupações políticas na ALESP e na frente do Palácio dos Bandeirantes?
tem rolado debates bastante interessantes nelas..
https://www.facebook.com/pages/Ocupa-Alckmin/216309561858569?ref=hl
https://www.facebook.com/ocupasaopaulo?hc_location=stream

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Angelo Pilla

09/10/2013 - 03h57

Acabo de ver uma enquete no UOL que pergunta se você é favorável ao uso de balas de borracha para reprimir o vandalismo. 76,88% das pessoas dizem que “sim”.
O que isso indica? Que, além de estúpidas e adorarem uma violenciazinha da polícia, as pessoas não estão nem um pouco comovidas com os atos dos black blocs.
Não considero, como alguns representantes da esquerda, que a tática black bloc seja fascista, embora exista nela, pelo menos da maneira que é praticada aqui no Brasil, uma certa imposição de ponto de vista.
Mas acho que, nesse momento, ela é absolutamente improdutiva. Não vejo nenhum resultado nesses atos que não seja a exposição negativa da mídia, e a consequente reprovação da sociedade. Não vejo nenhuma consequência que não seja a completa redução a planos absolutamente secundários das legítimas reinvidicações do povo brasileiro. Todo o esforço de sindicatos e partidos de esquerda para unir a sociedade em torno de questões mais do que justas, e para tornar as pessoas mais politizadas e conscientes dos seus direitos, acaba indo por água abaixo por conta de uma fragmentação promovida por uma tática que não tem condições de ser compreendida como uma manifestação política, não no país e no momento em que a gente vive.
A opinião pública tem que ser considerada, sim. Não existe nada mais importante do que desalienar a opinião pública e fazê-la ficar ao lado dos oprimidos, e não dos opressores. E isso não vai ser conquistado com depredações.
Quem fizer um pequeno esforço para enxergar as coisas de uma maneira neutra, vai perceber que é fácil a tática black bloc ser vista como algo inconsequente e influenciado mais por hormônios juvenis do que por consciência política. Não tô falando de como a coisa é, mas de percepção mesmo.
Manifestação tem o objetivo de chamar a atenção da sociedade para determinada coisa. A tática black bloc, no Brasil desse momento, parece que quer chamar a atenção para si mesma.

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Ocara

09/10/2013 - 01h16

Blackdiotas.

Responder

Davi Basso

09/10/2013 - 00h18

Se os vermelhos aqui querem proposta, vou dar-lhes uma:
– decretemos, a partir de hoje, em todo território nacional, válida a toda eleição: todo partido aporá em sua bandeira seus patrocinadores. Sua dimensão será equivalente a sua contribuição. Fica reservado espaço para o símbulo do partido. Esta lei entra em vigor a partir da data de sua publicação
Assim haverá transparência para quem vota, e justiça ao patrocinador.

Faça outra pesquisa de opinião, que revelará diversos datenas por aqui. “Vc é a favor deste tipo de protesto? Acho que as pessoas nao entenderam bem a pergunta!”

E o pessoal da perfeição política: vão correr atras do Vacarezza, Gleise, Bernardo, Cardoso, Ideli. E cobrar do Haddad a planilha de custo e o enfrentamento que ele preferiu chamar de doença infantil. Todo vermelho à época tinha medo de ocupar a avenida paulista. De certo para nao desagradar os patrocinadores. E a idéia do transporte foi ele quem deu na eleição. O povo vai para cima e olha só que coincidência…..

Meldels a vidraça do Itaú. Que coisa. Imagine. Nao tem proposta. Va lá e coloca a proposta de vcs. Aquela que regula o sistema financeiro. Por ser concessão pública e estar sem regulação. Vcs tem??

Gastam milhões de toques laudas páginas pesquisas teses livros. Tem proposta para a regulação do sistema financeiro? Vamos pessoal, por favor vcs sao os que tem propostas para mudar o país! Esta vcs tem.

Outra idéia muito boa aqui: cada burocracia ter sua milícia. Olha só, black block for all. Vão lá compor e apresentar proposta.

A direita cobra o apoio dado aos partidos. Vão vocês também cobrar o voto que deram. Fortalece a democracia. E a próxima vez que tiver uma passeata façam parte, conversem com as pessoas por lá. Vcs verão que há muito desejo de mudar o país, pela esquerda e pelas ruas. Sabem como é, lá nao precisa fazer parte de burocracia para participar. Mas tbm nao tem jabá!

Por fim, vejo coerência, para quem militou pela uniao a Maluf, Cátia Abreu, Roseana Sarney dentre outros de nossa democracia ( representativa o k!!) reclamar da vidraça estilhaçada do patrocinador. Vcs tbm nao vêem?

Interessante notar que aqui ninguém reclamou o carro da polícia.

Responder

    Matheus

    09/10/2013 - 15h32

    Davi Basso, concordo em 100% com você. Só acrescento que essa gente nunca irá para uma manifestação para conversar com os participantes. E por que? Porque eles não vão para manifestações. Ficam apenas aqui xingando quem vai. Os Dateninhas gostam muito de babar e rosnar do alto dos seus teclados, mas tem muito medo de colocar o pé da porta de casa para fora.

Gerson Queiroz

08/10/2013 - 22h30

Sinceramente, o texto é muito bem esclarecedor quanto a origem e objetivos do Black block, mas o referido texto não explica e muito menos esclarece, o porque da violência desenfreada no patrimonio público e privado, muitas vezes agredindo pessoas que estão trabalhando em estabelecimentos comerciais, dando razão a represão governamental, (muitas vezes descabida)….black block no Brasil, na minha opinião não tem nada ver com a origem dos mesmos na decada de 80.

Responder

francisco.latorre

08/10/2013 - 21h42

seguinte.

blackblocs. imbecis.

e os que apoiam. otários.

..

blablá etc. desenhado.

..

Responder

Matheus

08/10/2013 - 21h25

Gostei muito desse texto do Bruno Fiuza. Sóbrio e equilibrado, mostra que o autor está em contato com as ruas e teve o cuidado de pesquisar o que é o bloco negro e de onde ele veio. As críticas, tanto à esquerda partidária quanto à esquerda autonomista são lúcidas e deveriam ser discutidas com calma por ativistas.

Responder

lukas

08/10/2013 - 20h55

Vândalos e bandidos. Perdedores de sempre, inconformados por serem a escória.

Vômito da sociedade. São nada, sem importância, sem povo.

Responder

    denis dias ferreira

    09/10/2013 - 10h24

    Cara, você é da ROTA?

    lukas

    09/10/2013 - 13h19

    Um pouco de poder nas mãos destes black blocs e eles matariam milhões inimigos. São capazes das piores coisas para fazerem o bem.

    Albano

    09/10/2013 - 17h05

    ok Pondé, obrigado!

Carlos Paixão

08/10/2013 - 20h38

Os comentários de alguns mostram como são podres por dentro. Vivem do seio da nação, usufruem de todos os seus bens e de todos os frutos que a revolução e a parte inteligente consegue. Recebe no colo toda a herança em forma de comida – come e cospe no prato.

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Mário SF Alves

08/10/2013 - 20h27

“Outra condição fundamental para que um espaço assim pudesse florescer é que não se pautasse pela lógica eleitoral.

Uma das razões do desgaste da política institucional no Brasil (e em várias outras partes do mundo) é a necessidade de reduzir todas as discussões ao calendário eleitoral.”

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Vale ressaltar: “Uma das razões do desgaste da política institucional no Brasil (e em várias outras partes do mundo) é a necessidade de reduzir todas as discussões ao calendário eleitoral.”
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Quer uma prova? Veja o surrealismo que se anuncia para a próxima eleição presidencial.
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Pergunte se algum dos candidatos irá discutir a realidade e os rumos da administração pública no Brasil;

Pergunte se algum dos candidatos de oposição realmente estariam dispostos a enfrentar as engrenagens (internas e externas) que determinam “nosso” sui generis capitalismo subdesenvolvimentista e que só a partir do primeiro governo Lula começaram a ser enfrentadas no Brasil;

Pergunte-lhes como, com que recursos, com que leis, com que alianças fariam isso.

Responder

Fabio Passos

08/10/2013 - 20h25

O regime está destruindo o planeta e a humanidade.
A ditadura capitalista oprime a população com extrema ferocidade.

A população tem o direito de reagir.
Nenhum objeto inanimado, propriedade de grandes corporações, tem mais valor do que a vida dos seres humanos que são explorados do nascimento a morte por esta diminuta minoria branquela e rica.

Há muitos alvos legítimos para ações anti-capitalistas contundentes… que demonstrem profunda insatisfação da população subjugada: Febraban, PiG, bolsa de valores, Bacen e CNA são alguns.

Responder

Vitor Teixeira e Altamiro Borges: Marina, Caiado, Itaú, Natura... - Viomundo - O que você não vê na mídia

08/10/2013 - 20h22

[…] Black Block: A origem da tática que causa polêmica na esquerda […]

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Al

08/10/2013 - 17h56

A dificuldade está na sociedade aceitar que o paradigma capitalista está fracassado e que um mundo de entretenimento nunca antes presenciado se interpõe entre os indivíduos e as necessidades sociais mais prementes, entre elas a preocupação com o meio-ambiente e a cooperação tecnológica entre todos os povos. No fim, pode-se induzir que a maioria dos manifestantes de junho brigavam não só pela redução do preço das passagens, e escrevo isso ironicamente, mas por shoppings mais amplos e pela odorização da “massa popular” (além de quererem ficar na moda, afinal, era um mob do facebook!). Enquanto a maioria das pessoas crer que o trabalho é a dignificação do ser humano (curiosamente quem recebe as dignidades e homenagens é sempre a patronagem) independentemente se esse trabalho está devastando com a vida de muitos outros, não vejo perspectiva de modificações estruturais significativas. Estamos prontos para renegarmos o pão e o circo? Daqui a mil anos, quem sabe…

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maria

08/10/2013 - 17h47

Sei que e dificil para a esquerda aceitar que esta sendo manipulada pelo fascismo… por isso envio informacao…

COMENTARIO NA COLUNA DO EDUARDO GUIMARAES, SOBRE A JUVENTUDE QUE NAO ACREDITA NA DEMOCRACIA

Luiz Felipe 8.10.2013 às 10:38
O gollpismo-ditatorial malandro, bandido e assassino, tanto quanto o partidarismo do mesmo jaez, há muito tempo, estão matando a Política de Verdade. CHEGA DOS MESMOS. Evoluir é preciso. E nesse sentido, o HoMeM do Mapa da Mina do bem comum do povo brasileiro propõe Coalização Progressista ( PSOL-PPS-PSTU-PMN-PEN-PCO…), em parceria com o a RPL-PNBC-ME, o Projeto Novo e Alternativo de Nação e de Política-partidária-eleitoral, a MEGA-SOLUÇÃO, o Novo Caminho para o Novo Brasil de Verdade., em contraponto ao velho continuismo da mesmice (situação, oposição e gollpismo-ditatorial). Aos 05/10/2013, Ele participou de encontro do PSOL, onde falou e disse a todos os presentes, e debatedores, que ali estava para propor a parceria inédita entre o Fato Novo de Verdade (RPL-PNBC-ME) e os Partidos Progressistas, que ainda detém alguma credibilidade e autoridade moral junto à sociedade consciente., com a finalidade de fazer a mais ampla e mais profunda transformação estrutural que este país está necessitando há 513 anos, para o bem de todos.

PAGINA WEB DO TAL RPL-PNBC-ME…. PARA PERDER QUALQUER ROMANTICISMO… SO DA AECIO….
http://www.observadorpolitico.org.br/grupos/politica-2/forum/topic/a-importancia-das-forcas-armadas-no-bojo-da-rpl-pnbc-me

Responder

Pedro luiz

08/10/2013 - 17h01

Qualquer revolução só será bem sucedida se o terreno for bem conhecido.Enquanto o zé povo não tiver educação de qualidade com professores de qualidade o sistema se reproduz e de retroalimenta com suas múltiplas facetas.A política tem que estar na rua como cita o articulista, lá é o verdadeiro lugar dela. Agora pergunta ao explorado trabalhador se ele sabe o conceito de política no nosso terreno:BRASIL.?. a ELE CABE “ENGRANDECER A NAÇÃO COM SEU TRABALHO”, ditam as vozes do empresariado nacional da cidade e do campo.Belo artigo para ler numa tarde em que estou de greve há 20 dias.BANQUEIROS SÃO USUSÁRIOS DA MODERNIDADE QUE VENDEM NA MÍDIA COMPLACENTE REPRODUTORA do sistema instituído.

Responder

Mauro Assis

08/10/2013 - 16h57

Um baderneiro é um baderneiro é um baderneiro…

Responder

Lucas F.

08/10/2013 - 16h52

‘Não são os Black Blocs que soltam bombas de gás’, diz diretora do Sepe

“É totalmente desproporcional a forma como a polícia trata os manifestantes. Não são os ‘Black Blocs’ que soltam bombas de gás ou gás pimenta durante o protesto”, afirmou Wiria Alcântara, diretora do Sepe. Segundo ela, a polícia voltou a utilizar bombas de efeito moral, balas de borracha e spray de gás pimenta na região da Cinelândia, onde fica a Câmara de Vereadores.

http://educacao.uol.com.br/noticias/2013/10/08/sindicato-de-professores-reclama-de-atuacao-da-pm-em-protestos-no-rio.htm

Responder

Gerson

08/10/2013 - 16h49

Desobediência Civil daria melhores resultados.

Mas para isso acontecer, primeiro precisamos ter consciência de classe,educação,cultura. Então saberemos exatamente contra quem lutar.

Utopia, sei.

Responder

Euler

08/10/2013 - 16h35

O texto é importante, pois procura apontar as possibilidades da unidade na diversidade. Coisa que a esquerda dogmática, de origem stalinista, tem dificuldade de compreender. O fato é que a esquerda brasileira – e mundial – transformou o movimento social numa espécie de patrimônio privado de algumas lideranças. Quer coisa mais chata do que assembleias sindicais e partidárias, nas quais falam apenas as mesmas figurinhas carimbadas, que se julgam os donos das verdades? A ação dos anarquistas e de outros grupos autônomos – e não apenas dos blocos negros – rompe com essa lógica e coloca para todos o desafio de protagonizar sua própria história.

Até mesmo na mídia alternativa, incluindo os chamados blogs “sujos” – entre os quais me associo como coordenador de um – é muito comum encontrarmos uma espécie de reprodução dessa lógica do endeusamento stalinista de certos blogueiros – não estão incluídos aqui, obviamente, esclareço, o Azenha e a Conceição, entre outros, que claramente provocam o debate entre diferentes pontos de vista.

Resumindo: os blocos negros se tornaram o pretexto da mídia de direita e dos governos aos quais estão associados para justificar a repressão contra os manifestantes, e a criminalização dos movimentos sociais.

Em Minas Gerais, por exemplo, que tem pouco espaço na mídia, inclusive na alternativa, ocorreu recentemente uma covarde repressão contra os manifestantes do dia 7 de Setembro – inclusive sem que tenha havido qualquer quebradeira de vitrines de bancos. Cinco dezenas de manifestantes foram presos, alguns deles foram torturados e tiveram seus cabelos raspados. Dois dos ativistas continuam presos com a acusação de formação de milícia armada, quando nenhuma arma foi apreendida ou apresentada pela polícia. Destes dois, um é antigo militante punk; o outro, um morador de rua que participou dos protestos.

Mas, a mídia mineira e nacional apresenta a todos como “vândalos” a justificar a repressão policial a serviço das classes dominantes. A mesma repressão praticada contra os professores em greve no município do Rio de Janeiro – e que só não foi maior pela ação dos blocos negros em defesa de dezenas de educadores que protestavam legitimamente por um plano de carreira decente.

Fico intrigado também com a quase indiferença, por parte dos blogs ditos progressistas, em relação a este movimento de protesto que acontece no Rio de Janeiro e em várias outras cidades do Brasil. Manifestações não teleguiadas pelos tradicionais partidos ditos de esquerda – e que hoje, graças ao apego às benesses dos poderes constituídos, nem são tão de esquerda assim.

Enfim, é importante travar este debate para que se construam novas possibilidades de unidade dos de baixo contra aqueles que nos exploram.

Responder

rodrigo

08/10/2013 - 16h09

Em primeiro lugar sou petista e por isso meu comentário é parcial e comprometido. Então, estou acordado e nas ruas desde os onze anos de idade. Por muitos anos eu saí sozinho com minha bandeira do PT pela Lapa conversando com as pessoas sem ser hostilizado não mais que algumas brincadeiras.
Fui em todas, todas as manifestações que pude. Pedalei pelado na paulista, fui no movimento dos sem mídia, na marcha da maconha e como advogado, defendi os alunos da USP quando foram presos no campus. Acompanho o quanto posso as Comissões da Verdade, as iniciativas sobre a lei de democratização da mídia, da reforma política e do judiciário e pela desmilitarização da polícia, etc. movimento dos sem teto, MST, etc. Fui no pinheirinho e na Comissão de Justiça e Paz quando levamos ao Cardeal dom Odilo as denúncias de violência e estupro que lá ocorreram.
Então, que direito tem esses caras de irem na porta de um encontro do PT reclamar do exercício de um direito que é de todos (embargos infringentes)? Se são tão honestos assim, como escolheram seletivamente atacar quem deu a vida pela democracia? Abaixar a bandeira de qualquer partido é fascista sim.
A luta se faz pela arte, foi isso que aprendi, que contra a violência a beleza é mais forte.
Se os índios ao invés de pichar (se é que foram os índios) o monumento às bandeiras tivessem pintado a mesma com motivos indígenas (transformassem os homens brancos em índios) talvez nunca mais voltasse atrás. Como a ponte Vladmir Herzog, grande inteligência.
Então, o PT e a juventude do PT está nas ruas e nas periferias, com trabalhos mais antigos e perenes, com relações mais antigas e mais vivas.
A violência que se dirige contra idéias e preferências políticas e religiosas sempre é fascista e é isso que eles estão praticando.

Responder

    rodrigo

    08/10/2013 - 17h27

    Sabe qual que é a diferença entre um intelectual e um ser humano que entende a intelectualidade? O último vê todos os matizes da realidade e age conforme sua interpretação. O outro imagina a realidade e quer que os outros ajam conforme si mesmo.

    rodrigo

    10/10/2013 - 15h34

    Vou pensar. Pode ser.

Carlos

08/10/2013 - 15h39

Cada vez mais espantado!!!
Um bando de moleques, bandidos covardes, quebrando tudo e vem um monte de teóricos querendo justificar ações de vandalismo.
Caras, querem o que? A primeira morte? Olha, este momento não deve estar longe, porque o policial já deve estar de saco cheio destes bandidos,e, certamente, de ficar levando dedo na cara ou escutar musiquinhas imbecis deste bando.
Eles, os bandidos, vêm junto com a passeata, não aparecem no fim não. Chega de mentiras! Ontem eu ví, não me contaram não…
Agora mesmo, corre que querem repetir hoje o “ato pacífico” aqui no centro do RJ. Ou seja: está dada a deixa para novo quebra-quebra e assaltos.
Sabe, no lugar dos propietários de bens destruídos, daria imediatamente a queixa e cobraria a dívida do sindicato que organizou este “ato pacífico” com sabe lá que intenções.

Em tempo: É verdade que políticos estão pagando estes arruaceiros?

Responder

    lúcifer

    08/10/2013 - 17h30

    quanta besteira, só vejo pensamentos reacionários por aqui! melhor deixar falar sozinhos…

    Carlos Palombini

    08/10/2013 - 23h22

    Tem toda a razão. “A esquerda tradicional brasileira”, aquele oxímoro.

Paulo Soares

08/10/2013 - 15h11

Bla, bla, bla.

O fato é que os nossos blocos pretos não defendem os manifestantes. Além disso, atacar “símbolos do capitalismo” quebrando coisas aleatoriamente nas ruas só pode ser um protesto de débeis mentais, pois, afinal de contas, isso não causa nenhum arranhão no capitalismo malvado.

Responder

    Abel

    09/10/2013 - 07h54

    Pois é, ônibus que leva trabalhador para casa é “símbolo do capitalismo” e deve ser incendiado. Só sendo muito imbecil para defender esse tipo de ação.

Luiz Carioca

08/10/2013 - 15h11

O texto é lúcido e muito bom. Só discordo quando vc diz que a esquerda moderada tem interesses em comum com os libertários.

Podemos ver que no governo do Rio, aliado ao PT, proibiu-se máscaras. No Rio Grande do Sul, o governo PT, desde junho está perseguindo anarquistas, já apreenderam pessoas, livros e computadores. O mais curioso é que em algumas invasões dos Centros de Cultura Libertária os policiais civis se passaram por policiais federais.

No mais, o texto é ótimo e deveria servir de referência pra quem quiser conhecer mais os Black Blocs.

Responder

Carla

08/10/2013 - 14h38

Ninguém nunca falou que Carlo Giuliani fazia parte dos black bloc.
E não foi ele morto “pela repressão”, mas sim por um policial idiota e apavorado. Em Gênova a verdadeira repressão foi contra os manifestantes pacíficos que dormiam na escola Diaz e foram torturados, espancados e presos com a desculpa de serem black bloc (que entretanto agiam livremente)… na verdade eram estudantes, jornalistas, trabalhadores, italianos e estrangeiros.
Os black bloc na Europa não são mais defendidos por ninguém, pois tendo o rosto escondido, são “usados” pela polícia e pelos serviços secretos para provocar desordens que muito agradam à repressão. E assim acabaram desgastando, na opinião pública, um movimento verdadeiramente alternativo, revolucionário, diria. Infelizmente.

Responder

Fernando

08/10/2013 - 14h14

fico contente em saber que é um movimento de esquerda, espero que ajudem a impedir a volta da direita em 2014..

minha duvida é pq durante os 4 anos do kassab eles não saíram para as ruas, da maneira que protestaram contra Haddad e pq não protestam contra o alckmin como no rj, mesmo não tendo apoio da esquerda moderada e tb não podiam ter escolhido outro nome do que “Dias de Ação Global”…até parece programa da globo!!!

Responder

diego

08/10/2013 - 14h12

Muito bom o texto.
Pode-se concordar ou discordar daquilo que foi colocado mas qualquer um que lê-lo não poderá mais minimizar a discussão da atuação dos black blocks como meros facsistas ou agentes da CIA. A discussão é muito mais profunda.
Concordo com o autor que a discussão que realmente pode contribuir para o fortalecimento dos movimentos sociais no nosso país passa pela aproximação das “organizações tradicionais” de esquerda e os “novos modelos”.
Organizações com décadas de experiências, com militantes históricos em seus quadros, com certeza terão muito a oferecer e a aprender com muitos jovens que carregam consigo uma indignação latente contra a sociedade capitalista e que estão dispostos a lutar, com todas as forças, contra aquilo que consideram injusto, na tentativa de construir um local melhor para todos.
Como já foi colocado, essa discussão entre modelo “velho” e “novo” de se fazer política não é tão nova assim. Se continuarmos pesquisando, talvez chegaríamos à cisão da primeira internacional, de um lado Karl Marx com o “velho” modelo, vertical, hierárquico e do outro Bakunin com o “novo” modelo, horizontal, com “maior liberdade”. Poderíamos passar pela revolução espanhola de 1932 onde os representantes do “antigo modelo (URSS) preferiram abandonar à prória sorte os representantes do “novo modelo”(CNT), e com isso fortaleceram Franco e o nazi-facismo europeu. Essa é uma discussão secular, com acusações de ambos os lados, e não creio que será superada por nós. Mas como todos possuem um inimigo em comum: a sociedade capitalista, mais do que benéfico, é necessário que as forças de esquerda se unam para fazer avançar as pautas em comum!
Lembro de muitas conversas na época em que tentei ajudar na organização da Ação Global dos Povos e os primórdios do MPL, e também me lembro de muitas outras posteriores enquanto sindicalista vinculado à CUT. Apesar de todos os pesares (principalmente em relação à CUT) presenciei muitos anseios em comum nesses dois ambientes e muitas pessoas realmente dispostas a construir um mundo melhor. Se ambos os lados deixarem um pouco de lado a arrogância (me desculpem se a palavra soa um pouco forte) e as ofensas em relação ao outro acredito que será um momento ímpar na história dos movimentos de esquerda em nosso país!

Responder

Adilson

08/10/2013 - 13h39

Prezado Bruno,

Suas considerações sobre Junho são muito boas, seu texto é de uma lucidez que poucas vezes li nesses últimos tempos. Apenas uma consideração: No Rio, quando o gigante voltou a dormir, a extrema-esquerda se “uniu” com a direita. Ambos foram juntos as ruas, em muitos momentos, gritar contra a corrupção, contra a copa, contra a Dilma, etc_ e tentaram, sempre de alguma forma, mesmo que por ginástica intelectual das mais suadas, legitimar a ação direta e a violência, como instrumento de mudança aceitável. “Vândalo é o estado” é um slogam que resume muito bem isso e foi apropriado tanto por jovens burgueses como por militantes antigos de partidos políticos.

Admiro o seu esforço de tentar compreender a lógica dos bb, mas por tudo que tenho visto nas ruas, este grupo, aqui no Brasil não é passível de compreensão, simplesmente por ter se tornado uma bagunça tão generaliza, sem controle, talvez o efeito colateral da sociedade capitalista de um país contraditório, essa cópia mal feita dos originais Europeus hoje mal consegue dar uma caricatura. É quase como tentar entender o Batman das manifestações com o “verdadeiro” lá de Gotham City. De semelhança só mesmo a “fantasia”. O bolo é muito, mas muito doido por aqui…

Penso ainda que a violência deles que, aflora nas ruas é multifatorial, vem de dentro , de fora, de lugar nenhum, de catarses virtuais, apoios sem convicção de uma parcela das sociedade, enfim, um monte de outras questões que, acredito, não sáo passíveis de análises acadêmicas tradicionais, e que explode nas ruas num salve-se quem puder que está ficando cada mais incontrolável e imprevisível!

No Rio está longe de ser unanimidade. São demonizados na mídia oficial e superestimados no Facebook. O que há é muita desinformação sobre eles e aí cada um instrumentaliza pro lado que melhor lhe interessa.

Você usou a palavra certa: fetiche. Essa fetichização da tática, que os tornou um fim em si mesmo, abortou esse movimento antes dele nascer por aqui pelas terras de Cabral…E agora está aí o resultado: ônibus queimado como faz o tráfico de drogas, lixeiras voando pra tudo quanto é lado, ponto de ônibus que o trabalhador vai usar no dia seguinte destruído, lojas saqueadas, violência generalizada sobrando pra onde a raiva cega apontar na hora.

Por fim, isso que vc fala, esse esforço que deveriam fazer para se abster de realizar ataques descontrolados “quando esse tipo de ação puder comprometer outros grupos que adotam táticas distintas” é, na minha modesta opinião, impossível de ser feito!_ simplesmente pelo fato de a “natureza” do grupo ser autoritária.

O autoritarismo está lá caminhando em bloco e o seu curso não tem mais como refluir, quando penetram em protestos que não são só deles, tomam a frente deliberadamente das ações, fazem o que bem entendem da única maneira que sabem fazer – na base do ataque violento que provoca a violência que provoca a “defesa gloriosa” que engana a muitos por aí- como ficou em claro ontem, no protesto dos professores no Rio de Janeiro.

Um abraço

Responder

    Leo V

    08/10/2013 - 14h15

    Adilson,

    acho que seu comentário contribui muito para a questão levantada no texto.

    O aspecto da tática virar fim em si mesmo também me chamou a atenção nessa versões black bloc brasileiras vesão 2013. Pixarem “Black Block” em vez de um slogan ou palavra de ordem é um exemplo do viés identitário que ganhou no Brasil. E isso é problemático.

    Na hisória anterior dos black blocs, tanto lá fora como no Brasil, era uma tática usada por quem tinha uma base política e social, quem militava de certa forma em alguma frente no seu cotidiano. Me parece que essa isso não é o que prevalece hoje em dia nesses black blocs.
    Estariam dispostos a deixar de lado a adrenalina da tática, ou muda-la conforma o contexto em favor do objetivo amplo dos manifestantes? Quantos estariam?
    De qualquer forma, os dispostos a esse entendimento ou unidade através do diálogo devem existir, e na verdade já existem.

    zé eduardo

    08/10/2013 - 14h31

    Adilson, parabéns pelo texto.

    Gilles

    08/10/2013 - 20h04

    E a imprensa fotografa o “Batman” como se celebridade fosse. Porque o é.

    Digo como carioca apaixonado, que não se imagina em pastos mais verdes: o Rio tem uma vocação particular para fermentar, processar, reapropriar e reinterpretar o caos — e com isso, uma espécie de tolerância assêmica em relação a estas situações cada vez mais frequentes e difíceis de acompanhar. Isso inclui tanto a violência policial como a dos manifestantes menos “pacíficos”, como dizem na TV.

    Admiro São Paulo e seria paulistano se possível fosse, mas é difícil entender, vendo de lá, a relação do carioca — operário, funcionário de escritório ou herdeiro — com esse processo gerador de turbulência. E não falo apenas de coisas de evidente seriedade; o carnaval daqui não é um espetáculo televisivo, é uma mobilização de hordas intoxicadas que sitiam a semana por duas semanas inteiras, e observa-se a mesma dialética de forças sociais entre aceitar e rejeitar.

    O carioca já acostumou com black bloc como parte da fauna e da flora local; é parte do redemoinho. E a cidade vive de redemoinhos desde que era a única capital europeia fora da Europa; redescobre uma certa importância nacional com essa coisa agora, e a reação das pessoas é que é natural, é a vocação do Rio. Paulistanos fermentam, processam e redistribuem a ordem, nós produzimos e consumimos redemoinhos.

    Observações de sociólogo amador. Mas reparem que nunca surgiu uma reclamação de “mas o impacto sobre o trânsito” sobre todas essas manifestações desde junho aqui, enquanto que em São Paulo já era um fator de atrito desde junho.

    Adilson

    08/10/2013 - 22h57

    A generalização empobrece a análise. Pensar o Rio um pouquinho além do do posto 9, já seria um grande avanço. abç.

Rui

08/10/2013 - 13h12

Francamente? Muito bom, mas os anos da nossa esquerda não gostam de ler, daí a confusão

Responder

Alexandre

08/10/2013 - 12h33

A maioria dos comentários só mostra uma coisa: os comentaristas não leram o artigo sob o qual estão comentando. Só isso explica comentários como “black blocs são incoerentes porque colocam todos os partidos políticos no mesmo saco”. Bem, esse ponto está explicado à perfeição na própria matéria. Leiam-na por completo antes de comentar, é o mínimo.

E, sob este ponto específico, qualquer um que tenha acompanhado a política brasileira nos últimos 30 anos percebe que foram os próprios partidos que se colocaram, a todos, no mesmo saco.

Responder

Gustavo

08/10/2013 - 12h03

Sou de esquerda, mas não posso concordar com a estratégia desse grupo que reclama contra o fascismo, mas tenta se impor pela violência. Na minha opinião, são marginais que prejudicam o alcance e resultado de muitas manifestações positivas. Esse grupo, enquanto mantiver esse mudus operandi, nao deve ter lugar na sociedade brasileira

Responder

    Leo V

    08/10/2013 - 14h05

    humm.. o que exatamente você chama de “violência”?

G.A Almeida

08/10/2013 - 11h59

Tudo Molecada Coxinha

certo?

Responder

von Narr

08/10/2013 - 11h25

Falácia genética: se a tática Schwarzer Block nasceu com a esquerda autonomista alemã, logo, no Brasil eles são todos da esquerda.
Além disso, não leva em conta que na avaliação da violência simbólica é preciso considerar o contexto: será mesmo que os brasileiros interpretam como ataque aos monopólios?
Nas manifestações espontâneas, de cunho economistas (no linguajar do Que Fazer?), o povão depreda: trem urbano, barcas Rio Niteroi, ônibus.
Ora, o pluralismo nos black blocs brasileiros permite incluir qualquer um, inclusive a direita e os criminosos profissionais do Lumpenproletariat, haja vista que não há programa unificado.
Na web, já li uns caras dizendo que é preciso incendiar os parlamentos porque, como dizia Nietzsche, do caos nascem as estrelas: dos escombros surgirá o grande líder capaz de unificar a nação e levar adiante um grande projeto.
Como ninguém é dono dos black blocs, por que esse sonho não pode ser sonhado (e executado)?

Responder

    Leo V

    08/10/2013 - 14h04

    Acho que vc não entendeu o texto.
    Primeiro, uma das coisas que o autor faz é exatamente questionar a tática de destruir símbolos, sem se analisar o contexto.

    Mas claro que, como toda tática o black bloc pode ser usado pela direita. Passeatas também são usadas pela direita, panfletagens também etc etc etc.
    Não faz sentido exigir programa unificado de uma “tática”. Passeatas são forma, não conteúdo.
    A questão da unidade é proposta pelo autor, através de assembléias.. e justamente para acabar também com essa desconfiança mútua, que fica tão clara nos comentários por aqui, por exemplo.

    Esse repúdio pelas pessoas que participam dos black blocs não vai acabar com essa forma de ação, e irá distanciar seus participantes cada vez mais dos objetivos comuns da esquerda.

    Valmont

    08/10/2013 - 17h10

    Concordo, Von Narr.

    “O ataque contra símbolos das grandes corporações globais”, aspecto referido pelo autor, consiste exatamente na velha “ação direta” adotada por uma vertente do anarquismo, há cerca de cem anos atrás.

    Se os black blocks não são um movimento social ou político, mas tão-somente UMA TÁTICA, como afirmou o autor, não faz sentido vinculá-los aos ataques a bancos. Então, aqueles que estão atacando bancos e outros “símbolos capitalistas” não seriam simples black blocks, mas anarquistas, anarcopunks ou coisa que o valha? Não. Não há uma resposta coerente para isto.

    Do meu canto do mundo, percebi muitos jovens, na idade entre dezoito e vinte e poucos anos, aderindo entusiasticamente às manifestações de junho, porque, simplesmente, virou assunto-moda nas redes sociais. Não havia propriamente um estofo ideológico para as manifestações, mas generalizações rasas sobre a política, em grande medida, calcadas em preconceitos e chavões veiculados pela velha mídia.

    Muitos garotos e garotas se arrumaram a caráter, como que para “botar o bloco na rua” e o fizeram exatamente como aqueles que saem às ruas no carnaval: movidos pelas possibilidades de agitação, paqueras e “pegações”, em primeiro lugar. Em último plano, arrumavam-se as ideias de como mudar o mundo (afinal, tinham que ter assunto para começar um xaveco).

    O que me preocupa, de fato, é que, sejam as manifestações violentas frutos de ideias anarquistas ou de simples destempero juvenil vazio e sem sentido, ao fim e ao cabo, servem a uma única causa: à desestabilização do atual governo federal e seus aliados. E tiveram um “efeito colateral” extremamente adverso para o Brasil, haja vista os imensos prejuízos à imagem do país no exterior, afetando direta e indiretamente a sua economia.

    Ações políticas fundadas em causas bem definidas têm razões, têm direção e têm objetivos. Ações violentas sem sentido e sem razão só fortalecem o discurso reacionário da ordem, próprio da plutocracia retrógrada que governou o Brasil na maior parte da sua história. Não foi à toa que, subsequentemente, se ergueram com força muitas vozes (pelo menos nas redes) apoiando até intervenção militar.

francisco.latorre

08/10/2013 - 11h19

black bloc é direita.

não fantasiem.

..

‘anarquismo’ de direita.

não espanta que seduza os que não saíram da infância intelectual.

os inevitáveis. e patéticos. revolucionistas.

..

querem. porque querem. o novo. pelo novo.

seja qual for seja como for.

aliás nem precisa ser novo.

simulando leva.

..

velhos. ultrapassados. tão velhos que já dizia lênin..

‘impaciência revolucionária. típico fenômeno burguês.’

..

cresçam.

é pedir demais?..

ops. esqueci. burga não cresce.

..

Responder

    Leo V

    08/10/2013 - 13h55

    Depois de um texto tão informativo e bem fundamentado desses, isso é tudo que vc tem a dizer? Ou francisco.latorre é um software de repetir frases?

    Pindorama

    08/10/2013 - 17h30

    Todo fanático é cego e surdo, só vê o que quer ver e só escuta o eco da sua própria voz. É assim com o fanático religioso, futebolístico ou político. O fanático nunca está aberto para o novo, pois é o dono da verdade e a verdade é uma só, a sua. Ter uma ideologia é importante, mas só pobres de espírito são fanáticos, pois todo fanático a priori tem uma ideia pré-concebida sobre tudo – (pré) conceito. Estar aberto ao conhecimento é estar aberto ao novo, o que não significa ser coptado pelo novo.

    francisco.latorre

    08/10/2013 - 20h07

    o novo sempre vem.

    e o ansioso. não pega ninguém.

    ..

    Coralina

    22/10/2013 - 10h31

    a d o r e i, Francisco Latorre!

Amira

08/10/2013 - 11h17

É o que tenho falado para todos os que criticam indiscriminadamente as manifestações: a que se respeitar as regionalidades. O que acontece no Rio é diferente do que acontece em São Paulo, sem dúvida nenhuma. Muito bom aprender mais sobre o bloco negro.

Responder

Luiz Veloso

08/10/2013 - 11h16

7 de setembro, Rede Globo e “Black Blocs”
(Matéria publicada na edição nº 737 do Jornal O Trabalho )

Para quem está habituado com a periferia das grandes cidades, não surpreende que alguns filhos da classe operária tenham se sentido impelidos a se lançar contra a Polícia Militar neste 7 de setembro.

Criados em guetos, sem verdadeiras escolas, sem alternativas para o lazer e a prática de esportes, encurralados entre o tráfico de drogas e a violência da polícia, acossados por ONGs, oprimidos pela caridade que nega direitos, esses jovens tem seu futuro roubado pela ordem social capitalista,que lhes repugna. Vivem uma situação em que a revolta popular e da juventude tem dificuldades para encontrar meios políticos organizados para se expressar e lutar.

A Polícia, humilhando (ao dar a “geral”), brutalizando, assassinando, essa polícia – militarizada pela ditadura – é a instituição que, lá, é a cara da “ordem”.
Não há surpresa quando um daqueles adolescentes, franzino, aproveita uma oportunidade e se coloca a vinte metros da odiada tropa de choque da odiada PM e, pedras na mão, desafia: “vem seus coxinha!” – como aconteceu neste 7 de setembro numa rua lateral da Câmara Municipal de São Paulo.

O que há de novo – e emergiu nas jornadas de junho – é a proliferação de grupos tipo “Black bloc”, agindo com disciplina militar nas manifestações e que colocam como objetivo explícito canalizar a revolta e a insatisfação difusas para a “ação direta” contra “alvos imediatos”, a pretexto de “fazer alguma coisa” contra os “símbolos do capitalismo”. Objetivo que nada tem de “revolucionário”, como pretendem alguns, pois, como diz o nome, são “símbolos” que se renovam sem problemas, se não é derrubado e abatido o sistema que simbolizam.

Ademais de ser um método que facilita a infiltração de todo tipo de provocador, inclusive policiais, e que provoca a desagregação de manifestações, é difícil encontrar quem acredite que a “ação direta” vai “acabar com o capitalismo”. Mas ela tem, sim, um resultado bem imediato e prático: ajuda a bloquear a unificação da revolta da juventude com a classe operária organizada, na luta por reivindicações concretas. É essa unidade o que realmente faz tremer o regime – nas suas bases, e não “simbolicamente”.

Assim, também não surpreende que, no mesmo 7 de setembro, a Rede Globo e jornais escondam as reivindicações e manifestações dos movimentos sociais – CUT, Central de Movimentos Populares, MST e outros – e deem enorme destaque para a “ação direta” dos “blocos pretos”.

Em junho, essa mesma mídia, primeiro, urrou chamando a repressão e, depois, passou a adular a “horizontalidade”. Há aí uma coerência.

Leia O Trabalho: http://otrabalho.org.br/

Responder

    R Godinho

    08/10/2013 - 15h28

    Doi ver tanta baboseira. Vai morar no Juramento. Depois diz pra mim que “os filhos da classe trabalhadora ficam repugnados com a ordem capitalista”.
    Vai viver no meio da realidade, pra ver se acorda.

Ismael Farias

08/10/2013 - 11h14

A grande questão apresentada pelo movimento anarquista, e com toda a razão, e que não vejo soluções efetivas de diálogo nem a curto e nem a médio prazo é: não dá pra dialogar com um sistema corrupto em que o povo não tem vez nessa engrenagem de poder, onde as eleições não passa de uma grande trama das grandes corporações.

Responder

    dida

    08/10/2013 - 17h32

    Propõe o quê no lugar do diálogo, meu caro?

mello

08/10/2013 - 11h08

A propósito, o canal cult da tv fechada exibiu ontem no Rio o filme : Diaz _ Don’t Clean Up This Blood sobre o episódio de Gênova , durate o Forum Mundial , em 2011, citado no texto.
Excelente texto, bastante elucidativo.
Mas parece que a coisa aqui não foi bem entendida ou desandou, pois quebram muita coisa pública que não tem nada a ver e atacam até a embaixada de Angola…

Responder

Márcio

08/10/2013 - 10h46

Ótimo texto, acerta em perceber o nódulo central da crise multidimensional que hoje enfrentamos: a questão da mediação.

Tudo que estabelece mediações vem sendo questionado, desde gravadoras de música e editoras de livro, passando pelo sistema bancário, até sindicatos e partidos políticos, como bem colocou o autor do artigo.

Os partidos que se acham progressistas tem duas escolhas:

1) Ou se adaptam aos novos tempos: formas de sociabilidade e militância política, tecnologias comunicacionais em rede, horizontalismo radical (inclusive e sobretudo das próprias estruturas e instituições do Estado) e democratização econômica; ou

2) Ser esmagado pelo rolo compressor do tempo.

O PT parece estar cada vez mais flertando com a segunda saída…e aí?

Responder

1 One

08/10/2013 - 10h29

Nossa! Que novidade!

As rádios da direita não deram a causa do protesto.

Responder

zé eduardo

08/10/2013 - 10h22

Os Blacks Blocks não são coesos. Neles se misturam ideologias contraditórias. A maioria dos Blacks Blocks do Brasil demonstram uma ignorância política explícita, pois não sabem distinguir as forças políticas que se digladiam no Brasil. Colocam todos os partidos e políticos no mesmo saco. São a “favor” do povo, mas brigam com os partidos que também são. Enfim, até agora é tudo uma grande bagunça.

Responder

Luiz Hespanha

08/10/2013 - 10h12

Sobram teses sobre a popularização da tática black bloc no país. A próxima deve ser sobre a elitização narcisista do medo da população.

Responder

Lafaiete de Souza Spínola

08/10/2013 - 10h10

NÃO DISCORDO QUE SEJA UM MODO DE PROTESTAR.

AGORA, PERGUNTO: O QUE TERIA MAIOR REPERCUSSÃO, PERANTE TODA SOCIEDADE, 100 MIL PESSOAS COM FAIXAS NAS RUAS PROTESTANDO OU 100 MASCARADOS QUEBRANDO CARROS, PEQUENAS BARRACAS, PERMITINDO QUE ATÉ PEQUENOS ESTABELECIMENTOS SEJAM SAQUEADOS POR QUEM SE APROVEITA DA SITUAÇÃO?

DE UMA COISA ESTOU CERTO: NÃO ALCANÇAREMOS MUDANÇAS POSITIVAS PARA A SOCIEDADE, COM A ATUAÇÃO DE, APENAS, MEIA DÚZIA, SEJA QUAL FOR A ORIGEM OU IDEOLOGIA.

O angu de todos esses partidos está desandando, tem sabor desagradável?

Claro que sim! O pragmatismo de interesses pessoais, o oportunismo na tentativa de ter seu quinhão no bolo do poder pelo poder não tem limites. Fazia parte, faz pouco, do cardápio, esse discurso para condenar essas atitudes na vida política. Perdeu a validade?

A Alemanha viveu seu caos, antes de Hitler levantar a cabeça e bradar sua palavra de ordem que tanta desgraça causou: UM POVO, UMA NAÇÃO, UM LÍDER!

Não quero um Salvador da Pátria para o Brasil! Devemos esclarecer e ajudar o nosso povo a ser o próprio ator da história!

COMO ESTÁ, A NOSSA POLÍTICA É UM VERDADEIRO ANGU COM FARINHA DO MESMO SACO!

SEREMOS, TAMBÉM, COADJUVANTES NO PREPARO DESSE PRATO INGRATO, INDIGESTO, QUE ESTÁ SENDO POSTO NA MESA DO NOSSO POVO MAL INFORMADO, MANIPULADO?

Leiam os programas dos partidos, antigos e novos.

Não existem programas concretos. Só falam em generalidades.

Essa é uma posição excelente para caciques e líderes!

Discursos bonitos, análises de tudo que ocorreu e está ocorrendo. Tudo de acordo para permanecer no ninho, anos a fio!

Não há projetos concretos para a educação, para a saúde e demais temas! Só encontramos promessas vagas, nada que cause comprometimento! É triste!

Quando digo que sem educação não temos futuro, fica claro que essa é uma condição necessária, porém não suficiente.

Um exemplo pode vir da água. Uma molécula de água é constituída por H2O, dois elementos de hidrogênio e um de oxigênio. Para termos água faz-se necessária a presença do hidrogênio; sem hidrogênio, não temos água.

Sem educação não temos justiça social, não temos desenvolvimento.

O hidrogênio é necessário para termos água, contudo não é suficiente; é preciso haver a combinação com o oxigênio para termos o líquido da vida.

A água é uma molécula simples. Temos, em nossa natureza, moléculas de alta complexidade; formadas de elementos os mais variados.

Uma sociedade justa, desenvolvida, tem como condição necessária, básica, a educação, mas não é suficiente. É um processo complexo!

O que desejo é que concentremos nossos esforços em torno dessa condição básica, necessária!

Em meu tópico, UM PROJETO PARA A EDUCAÇÃO NO BRASIL, procuro demonstrar essa necessidade!

Muitos não desejam trilhar por esse caminho, pois dentro das estruturas partidárias atuais; com o financiamento privado, com reeleições em todos os níveis, com o caciquismo generalizado; imperam mais os interesses pessoais que os da transformação da sociedade.

Muitos ficam, assim, esperando por salvadores da pátria.

Sou a favor de ver o povo como ator da história e não mais como uma manada dirigida por salvadores da pátria e até por manipuladores!

Estive lendo vários programas de partidos, dos antigos aos mais novos, e só encontrei generalidades. Alguns não passam de belos textos, mas nada de projeto, nada de propostas concretas!

Partidos, assim, passam a ser ninhos criados às margens direita e esquerda do rio para dar guarida a diferentes lideranças que neles permanecem por decênios, cada um com seu canto específico, deleitando e oferecendo esperanças aos marginalizados que sofrem nas constantes enchentes, e nada se transforma.

Tenho, também, o tópico: PRECISAMOS DE UM PARTIDO DIFERENTE!

Esse partido não seria construído nas árvores; às margens, pelos costumeiros e eternos caciques, nem atrelados ao financiamento privado; mas pelos verdadeiros marginalizados, injustiçados.

Esse partido tem programa a ser cumprido, explícito, a começar pela proposta de que sejam investidos, pelo menos, 15% do PIB na educação básica.

Toda educação deve ser federalizada!

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renato

08/10/2013 - 10h02

Black Blocs, na minha humilde compreensão, não é para ser entendido.
Faz parte da mesma consciência coletiva que vai as ruas.
Eu posso dar uns tapas em minha mão e dizer:- NÃO FAZ ISTO…
COMPORTE-SE.
E a mão vai lá e faz..Digo eu:- AI AI AI, não me obedeceu, esta
de castigo.

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Lucas f.

08/10/2013 - 09h56

excelente texto com uma boa ponderação de porque os Black Blocks estão errando. Não por partirem de pressuposto de que a violência faz parte da política (especialmente quando o outro lado controla a polícia militar), mas sim por se isolarem das forças sociais mobilizadas, por eles próprios alimentarem o sectarismo.
Falta também que os próprios movimentos sociais criem suas comissões de segurança de maneira assembleária e horizontal, de forma que nem necessitem do black block, de forma que tenham um corpo destacado para garantir a segurança e defender-se contra a repressão.

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    zé eduardo

    08/10/2013 - 10h13

    Concordo com você, Lucas. Seria interessante os movimentos sociais criarem suas próprias forças de segurança separando, assim, o jôio do trigo.

    lukas

    08/10/2013 - 12h51

    Exato, o que o Brasil precisa são milícias. O lado contrário, por exemplo, ruralistas, poderão ter sua própria defesa ou só os movimentos sociais.

Leo V

08/10/2013 - 09h49

De longe, de longe, o melhor artigo sobre os Black Blocs publicado no Brasil. Tanto em termos de origem e desenvolvimento histórico, quando de análise e possibilidades a partir da experiência atual no Brasil. O autor demonstra conhecimento do que está falando. E a meu ver, acerta na análise, extremamente ponderada e apontando essencial: o BB está aí e se trata de articular essa tática às outras táticas utilizadas pela esquerda.

OBS: na seção “Os primeiros black blocs do Brasil” há algumas frases que estão cortadas.

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Mauricio Benedito

08/10/2013 - 09h40

Todo poder aos Soviets !

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renato

08/10/2013 - 09h35

O seu artigo leva a discussão a outro patamar. Excelente!!

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