VIOMUNDO

Panelaço: Quando o ódio caminha lado a lado com o analfabetismo político

09 de março de 2015 às 20h24

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por Luiz Carlos Azenha

Nunca a classe média militou tanto politicamente quanto em tempos recentes. Nas eleições de 2014, atuou diuturnamente nas redes sociais e, mesmo sem ser convocada, saiu voluntariamente por aí com reproduções da Veja para buscar votos.

Tudo isso deve ser saudado como um passo positivo. O processo de criação de novas lideranças é prolongado e atuar em defesa de seus interesses de classe é não só legítimo, como pode servir de escola.

Porém, as eleições acabaram. Não está previsto um terceiro turno. E a classe média, agora, quer ganhar no grito. Literalmente.

Ela confunde o desabafo apaixonado do torcedor que grita gol de seu clube na sacada com o “fazer política” através de panelas e buzinas. É o barulho que cala o adversário e impede o diálogo. “Vaca”, “vadia” e “filha da puta” fazem parte do repertório de quem, no grito, quer negar ao outro o direito de se expressar.

A classe média, neste sentido, consegue ser ainda pior que o Jornal Nacional, que também cerceia a liberdade de expressão alheia, enquanto privilegia os seus — mas pelo menos o faz de maneira politicamente correta.

Existe um cordão umbilical entre ambos. Há quase 50 anos o JN, com suas mentiras, distorções, omissões e meias verdades, é o principal instrumento para moldar o analfabetismo político no Brasil.

Os governos do PT, como sabemos, quase nada fizeram para mudar isso. José Dirceu, lembrem-se, foi aquele ministro que acreditou que a Globo “era nossa”.

A classe média não quer saber de criar sindicatos, partidos, associações de moradores e movimentos sociais, nos quais um integrante pode tudo, menos ganhar no grito.

Até mesmo na reunião de condomínio é preciso argumentar, perder uma, ganhar outra e seguir a vida, do jeitinho que é na Política com pê maiúsculo.

Porém, os analfabetos políticos não conseguem alcançar intelectualmente a ideia de que conviver com o diferente está no cerne de qualquer democracia. Perder faz parte do jogo.

O GAFE — Globo, Abril, Folha e Estadão — faz o trabalho inverso daquelas máquinas de diálise e cada vez mais envenena o sangue dos desvairados.

O veneno é potencializado pelo organismo do analfabeto político. Lembrem-se, ele é um ser a-histórico, alimentado por doses diárias de informação descontextualizada.

Justamente por isso, vicejam neste ambiente as teorias conspiratórias mais desconexas. A acreditar nelas, o filho do Lula é dono de uma fazenda cuja sede é a Escola de Agronomia Luís de Queiroz (ESALQ), de Piracicaba. Tropas estrangeiras, vindas da Venezuela, já teriam invadido o Brasil com o objetivo de apoiar um golpe de esquerda de um governo cujo ministro da Fazenda é Joaquim Levy. Os médicos cubanos, devidamente infiltrados, estariam apenas esperando um sinal de Dilma para espalhar o vírus vermelho da comunização.

Estes absurdos não parecem absurdos a uma parcela considerável dos analfabetos políticos. Eles acreditam em tudo o que de alguma forma se encaixa em seus preconceitos.

Nesta manhã um colega narrou a seguinte experiência. Ele estava em casa quando ouviu a gritaria e o panelaço vindos, especialmente, de um prédio luxuoso, cujo condomínio custa 5 mil reais mensais. Saiu de casa e manifestou sua opinião contrária. Recolheu-se e foi dormir. Ao acordar, os vidros da porta principal de seu prédio estavam quase todos destruídos.

Este é o nível ao qual chegou o ódio irracional, capaz de fazer muito mais danos à democracia quando se espalha feito fogo pelas redes sociais. Marx talvez nunca tenha imaginado que chegaríamos a tal ponto: a guerra de classes instantânea.

No twitter, chamou minha atenção a mensagem de um internauta dizendo que a classe média brasileira tem sorte de não morar na Venezuela, onde falar mal do governo leva à cadeia. Eu o corrigi. Não é verdade. Pelo menos não enquanto Nicolas Maduro conseguir contemporizar com os militares à esquerda, que podem dar, sim, um golpe preventivo, caso a decisão de Obama de considerar Caracas uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos resulte no isolamento da Venezuela.

Lá, o maior legado de Hugo Chávez foi ter politizado como nunca a população do país. Tendo vivido uma guerra cruenta de Independência, ao contrário de nosso arranjo à brasileira nas margens do Ipiranga, os venezuelanos tem uma relação com a História muito diferente da dos brasileiros. O problema, lá, é que a elite militar que sobreviveu à guerra de extermínio dos espanhóis estabeleceu uma tutela sobre o poder civil, que ainda se manifesta nos dias de hoje.

Nosso problema, pelo menos o mais evidente, é que a famosa “modernização conservadora” nos impõe um pacto muito parecido com o de Punto Fijo, através do qual as elites venezuelanas fizeram um arranjo pelo qual se sucederiam no poder. Tal pacto, lá como aqui, é incompatível com a democracia. Lá, foi detonado por Hugo Chávez. Aqui, persiste, agora em crise profunda.

Se o PT não mexeu nos fundamentos dele, por outro lado ameaça ganhar outra eleição em 2018, impondo aos tucanos uma secura de 20 anos!

Em junho de 2013, a explosão difusa nas ruas chegou a ameaçar o nosso pacto. O analfabetismo político ficou explícito na incapacidade dos atores daquele movimento de tirar um saldo das manifestações de rua. A reação conservadora não tardou, na forma da criminalização dos protestos. Avança, com um Congresso mais conservador que o anterior, liderado por gente como Renan Calheiros e Eduardo Cunha.

Mas, a tensão continua no ar. A verdadeira elite, não a dos batedores de caçarola, parece dividida: “Ruim com Dilma, pior sem Dilma?” ou “Podemos dispensar a Dilma, fatiar a Petrobras e viver de rendas”.

Hoje, duas conhecidas — uma votou na Dilma e a outra em Aécio — falavam sobre seu desconsolo com a situação do Brasil. Reclamaram do preço do dólar, do possível desemprego, do petrolão e da inflação. Concordei com tudo. Acrescentei minhas próprias críticas ao aparente isolamento de Dilma, à sua inépcia política, ao discurso distante no Dia Internacional das Mulheres, ao ministério medíocre, às medidas econômicas que primeiro punem os trabalhadores.

Não disse, mas deveria ter dito, que se o Brasil tivesse uma Constituição como a da Venezuela, que prevê o recall, Dilma poderia ser submetida a um referendo na metade do mandato, cumpridas as exigências de assinaturas, etc. Chávez enfrentou um e venceu por 60% a 40%.

Ainda que tão desgostoso quanto elas com o quadro atual, propus um exercício.

“Ok, vamos derrubar a Dilma. Mas, o que virá em seguida? Temer? Cunha? Novas eleições? Intervenção militar? É possível consertar a economia com passes de mágica? Não seria melhor esperar por novas eleições, já que Dilma acaba de ser reeleita?”

Ambas me pareceram confusas depois de todas as minhas perguntas. É como se tivessem escolhido Dilma para desabafar, o que pode ser positivo do ponto-de-vista psicanalítico, mas não é recomendável quando estamos falando do futuro do Brasil.

Fiz as perguntas só para provocar. Fui embora intrigado: como pessoas inteligentes e bem informadas podem se deixar cegar por sua própria inconsequência política? Como é possível dar um passo de tal envergadura, como contribuir com o impeachment de um presidente, sem sequer avaliar as consequências que tal passo terá amanhã?

Tenho comigo que é o poder do ódio provocando uma epidemia de cegueira, equivalente àquela que o Saramago inventou.

Leia também:

PCO diz que política do “nem, nem” é apoio ao golpe

Investigação VIOMUNDO

Estamos investigando a hipocrisia de deputados e senadores que dizem uma coisa ao condenar Dilma Rousseff ao impeachment mas fazem outra fora do Parlamento. Hipocrisia, sim, mas também maracutaias que deveriam fazer corar as esposas e filhos aos quais dedicaram seus votos. Muitos destes parlamentares obscuros controlam a mídia local ou regional contra qualquer tipo de investigação e estão fora do radar de jornalistas investigativos que trabalham nos grandes meios. Precisamos de sua ajuda para financiar esta investigação permanente e para manter um banco de dados digital que os eleitores poderão consultar já em 2016. Estamos recebendo dezenas de sugestões, links e documentos pelo [email protected]

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Carlos N Mendes

15/03/2015 - 22h41

Artigo monumental. Me consolou, nesse domingo negro. Congratulações.

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Romanelli

11/03/2015 - 06h54

Claro, evidente, é a ZELITI, diriam ..eitcha turma preconceituosa esta do andar de baixo, né ?! ..pior ainda os que querem fazer de seus atos BÔNUS pra pagar suas próprias expiações ..aqui então, todos querem ser mais reais que o rei (tipo o Kfouri ..pq ele não doa seus bens duma vez ?)
.
Sabe, eu já vejo um pouco diferente, ao menos UM PASSINHO antes do JN, pois digo que o problema mesmo é quando temos IGNORANTES e analfabetos na política e em abundância na sociedade (e com direito a VOTO) ..aí colega, fica mais difícil ainda
.
mas, mas como vivemos dentro da mentalidade que por nascermos, JÁ nascemos com direitos divinos e poucos deveres (pior que hoje, longe do catolicismo, até livres de pecados rsrsrsrs) ..então basta pedir que o Estado marmitão provê,
.
em tempo – mais uma eleição, recall, fica caro ..vc não acha mais fácil COBRAR e registrar programa e compromissos ? e na falta com eles já dar um pé na bunda do indivíduo, ou da indivíduA, no caso de DilmA
.
com DILMA aconteceu aquilo, assim como com Aécio, quem votava não votava nela com convicção, sabia que ela era um tremendo dum peso (mesmo com regime), mas votavam também contra alguém ..e estes, ao 1o sinal de TRAIÇÃO se bandearam ..só isso
.
e convenhamos, essa sra abusou da MENTIRA e da manipulação, não ? ..igual só vi com Collor cumpadi, só com Collor

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    Robson

    11/03/2015 - 12h16

    É sempre a mesma ladainha desses delinquentes direitistas: Estado Marmitão, culpa de analfabetos e etc.
    Esses oportunistas patológicos que vem escrever aqui ( VÁ LER VEJA!!) são a favor do Estado mínimo mesmo sabendo que em toda a história da humanidade o Estado só se configurou mínimo para as camadas de baixo e sempre auxiliou com muitas benesses as elites econômicas. O imbecil não se tocou que analfabetos também estão inseridos na economia e são cidadãos que pagam impostos, ou seja, TÊM o divino direito de votar também. Mas a psicopatia dessa galera se resume na ideia de que só os ilustrados tenham o direito de votar e serem votados e, lógico que sempre serão indivíduos pertencentes às camadas médias e altas da sociedade que tradicionalmente estão pouco se lixando para o povão. O cara é tão abjeto que alega que votar na Dilma foi engolir sapo mas, será que votar em Aécim seria menos pior? Acho que o aeroporto comprado com dinheiro público explica muito bem a questão.

JOACIL DA SILVA CAMBUIM

11/03/2015 - 00h03

A rua é do povo. E essa classe média raivosa e frustrada, porque não entende nem gosta de política, não sairá às ruas. Digo isso porque sou da classe média, e vejo como a maioria não tem opinião própria . Repete tudo o que diz a grande mídia. Chega a ser cansativo o pensamento único reinante nesse meio.

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Anelise

10/03/2015 - 21h43

E são coxinhas machistas que acham que Dilma vai, por ser mulher,se esbugalhar…. “Não frouxa, Dilma!Dale!” como dizemos no RS.

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italo

10/03/2015 - 21h00

A direita se move nas sombras, movimentos em vários segmentos conduzem ao cenário pintado pelo PIG. Vão colocar 90% da população à defender, com ódio, a manutenção de privilégios de 10%. A armadilha está armada, premeditadamente, a linha de sucessão da Presidente só tem defensor de privilégios e beneficiados pela corrupção defenestrada, ainda que contaminada(fala sério), por uma tropa do PSDB da PF. O que as Instituições e o PIG exigem das massas desorganizadas, manipuladas, tem fim claro, retomar o poder de governos que investigam. Já odiamos grandes biografias e confiamos em golpistas, doleiros, bicheiros e todos flagrados em operação da PF, após 2002. Não devemos subestimar o poder de velhas raposas que ocuparam segmentos estratégicos no País com um golpe à 50 anos atrás. Quem afinal não tem nada à perder se produzir uma ruptura democrática. Os achacadores tomarão o governo. É preciso uma reação da esquerda sob fogo à 12 anos. DEVOLVER A PRESIDÊNCIA NÃO. CADEIA PARA CORRUPTOS SIM.

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Carlos de Sá

10/03/2015 - 18h16

Muito lúcido o texto!!!
Parabéns ao “site”!!

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Elias

10/03/2015 - 14h22

Esses paneleiros nunca leram o famoso poema de Bertold Brecht. E se por acaso algum amigo consciente (sim, esses paneleiros tem amigos conscientes) pedisse que lessem apenas o trecho: “O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política”, os paneleiros responderiam: Para de encher o saco com esse cara, vai pegar um black label e uma vuvuzela e entra na nossa, ahahahahah!

Responder

Plutarco

10/03/2015 - 14h14

Isso, galera, vão mesmo achando que os protestos de domingo foram coisas das zelites. Esperem prá ver no domingão…

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Alexandro Rodrigues

10/03/2015 - 13h49

Sejamos honestos. Chega de condescendência! O governo Dilma acabou. Ela está perdidinha da Silva. Sinceramente, apesar do pé atrás que tenho com ela desde o famigerado omelete com “Namaria”, quando ela obtinha superficiais 65% aprovação, percebi que toda a quota de coragem da velha guerrilheira havia sido utilizada contra a ditadura.

Dilma erra, erra muito! Pensa que é uma rainha, que pode governar encastelada, terceirizando o serviço sujo. E o ministério? Não é só conservador, é ineficiente, incapaz. Aloizio Mercadante como Chefe da Casa Civil? Certa vez comentei no Tijolaço sobre o projeto de poder de Putin para devolver a Rússia sua real dimensão (a despeito das inaceitáveis violações dos direitos humanos cometidos ele, Putin é um nacionalista, algo que me agrada). Putin foi Presidente e escolheu alguém para sucedê-lo, Medvedev, que nem de longe tinha a dimensão do líder. O que Medvedev fez para não perder o controle da situação? Nomeou Putin para primeiro-ministro. Agora façam uma força: imaginem Lula na Casa Civil de Dilma organizando o governo politicamente, enquanto ela cuida das planilhas do PAC?

Omelete na Globo, festinha da Folha, toma lá da cá no Fantástico. Dilma pensou que seria aceita pelos que hoje a chamam de vaca e vagabunda. Isso sem falar de sua incapacidade de fazer política, de sua ingerência na economia, de sua arrogância ao não admitir erros e aceitar propostas de mudanças. Eu votei em Dilma! Eu vou dia 13 na Paulista lutar contra o Golpe! Mas está difícil defender este governo. Talvez o único argumento que tenha sobrado seja o de que a outra opção fosse bemmm pior (e era!).

Confesso que estou com pena de Dilma. Uma mulher nos seus quase 70 anos, com uma história de lutas pelo país, sofrer, sendo xingava e linchada nas ruas, sim pela elite, mas acreditem não só por ela. Ontem no ônibus lotado indo pro trabalho na decadente São Paulo dos paneleiros gourmet, a TV do busão sintonizava o Bom Dia (?) Brasil. Mostravam os panelaços e buzinaços nos bairros nobres de São Paulo. Comentei em alto e bom som “só bairros de ricos”. Uma moça que estava sentada no chão do ônibus ultra lotado falou: “mas a Dilma não está fazendo nada”. Tentei ponderar: “mas a outra opção era pior”. Ela retruca: “bom mesmo seriam os militares, no tempo deles não havia corrupção”. A menos que esta mulher de menos de 40 anos esteja fazendo uma pesquisa sociológica, não acredito que um membro da elite de Higineópolis se proporia a sentar no chão de busão lotado as 6h da manhã. O ponto é: o ódio e a raiva contra Dilma e o PT estão chegando nas bases tradicionais do partido. Isso claro é mais forte em São Paulo, mas está se replicando pelo país. Em 2018, o Nordeste não nos salvará de novo.

O Governo Dilma acabou! Se não vier o impeachment é lucro! Eles venceram e o sinal ficará fechado para nós por um tempo. Pobre Brasil!

Responder

    Everaldo

    10/03/2015 - 21h20

    Alexandre Parabéns pela publicação é a primeira vez que eu vejo alguém que votou na Dilma ser tão sincero

    Alexandro Rodrigues

    11/03/2015 - 08h04

    Everaldo, não sei qual é a motivação do seu elogio.

    Só para constar: sou anti-PSDB, sou anti-coxinhas, odeio a elite branca vagabunda e paneleira de São Paulo e estarei na Paulista dia 13 lutando pela Democracia!

    PT Saudações!

Alexandro Rodrigues

10/03/2015 - 10h48

Eles venceram, e o sinal está fechado para nós!

O golpe se aproxima e Dilma estará livre para fazer ometeles com “Namaria”

Bem feito!

Pobre Brasil, 1964 não acabou!

Responder

crazy horse

10/03/2015 - 09h13

Cara eu moro na bela ilha da magia conhecida por Florianópolis e não ouvi uma panela batendo e olha que aqui o povo é conservador pra caralh*.

Responder

    claudia

    10/03/2015 - 21h11

    Também não barulho de panelaço em Porto Alegre. O que vi foi a midia comercial alardeando como se tivesse sido uma manifestação popular.Como sempre promovendo os interesses das classes mais privilegiadas e dos grupos econômicos que comandam o país.

Gonzalo

10/03/2015 - 06h54

Concordo com o artìculo, mais e analfabetismo midiàtico, aquele que repete e acredita na desinformacào da mìdia

Responder

abolicionista

09/03/2015 - 23h10

Os coxinhas descobriram uma forma de protestar sem sair de casa.

Responder

    FrancoAtirador

    10/03/2015 - 10h28

    .
    .
    Fica fácil bater lata de cerveja holandesa na sacada do AP.
    .
    .

    Zuzé

    10/03/2015 - 11h25

    Isto mesmo. Até parece que estes bundas brancas vão tirar o rabão gordo da cadeira e sair da frente do computador para ir na Candelária sexta-feira às 16:00h fazer protesto. Vão aproveitar a caminhada de domingo na Avenida Atlântica ou Vieira Souta para fazer a marcha e depois tomar um choppinho ou wisky e reclamar porque a gasolina não é r$ 1,00 e que deveria ser privatizada a Petrobrás para a Exxon-Mobil, Shell, BP colocarem gasolina mais barata no Brasil e sem corrupção. Analfas políticos sim senhor.

    Clodoaldo Massardi

    10/03/2015 - 18h21

    Eu moro em Uberlândia MG, só fiquei sabendo desses absurdos na segunda feira no bairro onde moro não ouvi um frito, nem batidos de panelas e nem buzinas e não conheço ninguém que fez algumas dessas coisas e olha, que conversei com muita gente ha respeito desse episódio. Esse protesto se restringiu a algumas pessoas, em poucas cidades mais a mídia tenta transformar isso em grande protesto de toda sociedade.

anac

09/03/2015 - 23h01

Tenho comigo que é o poder do ódio provocando uma epidemia de cegueira, equivalente àquela que o Saramago inventou.

Cegos guiados por malandros, sabichões, Globo e cia ltda.
Se não conseguem enfrentar e superar crises, melhor desistir da democracia. A Europa está passando por uma das suas maiores crises. A Espanha com 60% dos jovens desempregados. E ninguém defende o GOLPE. Triste país o Brasil, incompatível com a democracia.
Votei em Dilma, discordo de algumas de suas escolhas para ministro. Não teria escolhido a Katia Abreu por exemplo. Se desgastou desnecessariamente. Comprou briga por nada. Levy concordo que é um mal necessário, mas Katia foi demais.
Mesmo assim, discordando em muitos pontos, apoio Dilma. Votei nela por confiar e não para pautá-la. Até porque não sei qual a solução. E quem tem a solução – 100% de certeza – para o problema? Na Grécia o primeiro ministro Alex Tsípras teve que ceder a troica. Eu vou defender a democracia até o fim. E reagirei aos golpistas.

As duas senhoras serão as maiores vitimas. A classe merdia que bate panela vai ver o diabo se tudo cair por terra.Pode dar adeus a um futuro digno para seus filhos . O inferno será aqui.

Responder

PAULO ROBERTO LULA DA SILVA ROUSSEF

09/03/2015 - 22h26

Azenha, o frescuraço , feito por quem paga uma fortuna de condomínio reflete o que tenho dito e ontem a Presidenta repetiu ” A eleição acabou são dois turnos, não há terceiro turno, os derrotados na eleição querem terceiro turno , então qualquer brasileiro sabe que isto é ruptura democrática (Golpe), e isso não vamos aceitar”.

Responder

Bacellar

09/03/2015 - 22h17

Dilma é um para-raio de recalques.

Anti-petismo, anti-comunismo (absurdo, óbvio, porém…Aaah porém…), anti-bolivarianismo (mais delirante ainda), machismo, vira-latismo, etc.

Lula também sofre preconceitos, xenofobia e ranço classista, mas possuí o escudo do carisma e do poder de oratória. Dilma com sua notória desarticulação e sem outras lideranças políticas que lhe deem escora está entregue aos lobos. Esperar de alguém como, por exemplo, o Mercadante algum tipo de papel congregador é complicado.

Se alguma força pode segurar os avanços do capital grosso internacional e de seus respectivos jagunços tupiniquins, que ditam as atitudes dessa horda imbecilizada que assistimos grunhir cotidianamente, é o conjunto da esquerda progressista: Eleitores, militantes, sindicatos, partidos, veículos de comunicação, movimentos sociais, ativistas e trabalhadores conscientes da importância desse projeto capenga capitaneado pelo PT para o desenvolvimento nacional e bem-estar do povo brasileiro.

Pode soar contraditório chamar um projeto de manco e ao mesmo tempo defende-lo; mas esse avançar claudicante é infinitamente melhor do que a paralisia total que viria no bojo do projeto oposicionista ou de uma eventual desestabilização geral do Brasil.

Não da pra esperar que a cúpula do PT tire algo da cartola, a defesa está por nossa conta mesmo.

O panelaço de whatsap foi uma vergonha. Querem armar a primavera latino-americana. Cabe a nós desarma-la.

Dia 13 toda a esquerda, todos os nacionalistas e democratas nas ruas. Não pela Dilma, nem pelo PT ou pela Petrobrás, mas pelo nosso povo que merece seguir caminhando pra frente.

Responder

    Edemar Motta

    10/03/2015 - 08h30

    Falta-nos liderança e, sobretudo, comunicação. Minha cidade tem dois milhões de habitantes (talvez um pouco menos, na verdade), tenho telefone, tizap, feice, imeil e tv (quase sempre em repouso) e até agora não tenho a menor ideia de onde serão as concentrações dia 13 (dia de trabalho, penso).

    Bacellar

    10/03/2015 - 13h10

    Sem dúvida falta comunicação, é incrível que, por exemplo, não exista um único grande fórum ipb, amplo e bem divulgado, de pensamento de esquerda no Brasil para integrar e facilitar o ativismo.

    Bom, não sei se vai haver ato em sua cidade mas os marcados são:

    Alagoas
    Maceió – Praça Sinimbú – 9h
    Amazonas
    Manaus – Concentração na Praça da Polícia – 15h
    Amapá
    Macapá- Concentração na Praça da Bandeira – 8h
    Caminhada até a Praça do Forte – 10h
    Bahia
    Salvador – Itaigara – Em frente ao prédio da Petrobrás – 7h
    Ceará
    Fortaleza – Praça da Imprensa – 8h
    Distrito Federal
    Brasília – Rodoviária – 17h
    Espírito Santo
    Vitória – Em frente à Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) – 16h30
    Goiás
    Goiânia – Coreto da Praça Cívica – 10h
    Maranhão
    São Luís – Panfletagem na Praça Deodoro – 7h
    Concentração na Praça João Lisboa e passeata na Rua Grande até o final da mesma rua – Canto da Viração – para o Ato Político – 15h
    Minas Gerais
    Belo Horizonte – Praça Afonso Arinos – 16h
    Mato Grosso do Sul
    Campo Grande – Praça do Rádio – 9h
    Pará
    Belém – Praça da República – 15h
    Paraíba
    João Pessoa – Em frente ao Cassino da Lagoa – 15h
    Pernambuco
    Recife – Parque 13 de Maio, Santo Amaro – 7h
    Piauí
    Teresina – Praça da Liberdade – 15h
    Paraná
    Curitiba – Praça Santos Andrade – 17h
    Rio de Janeiro
    Rio de Janeiro – Cinelândia – 15h
    Rio Grande do Norte
    Natal – em frente à Catedral – 16h
    Santa Catarina
    Florianópolis – em frente à Catedral – 14h
    Sergipe
    Aracaju – Praça Camerino – 9h
    São Paulo
    São Paulo – Avenida Paulista nº 901 – em frente ao prédio da Petrobrás – 15h
    Tocantins
    Concentração no Posto do Trevo 2, caminhada na Avenida Tocantins, em Taquaralto, até a Praça da Igreja São Jose- 15h30

    Horridus Bendegó

    10/03/2015 - 14h02

    Luiz Carlos Azenha, ontem iniciei um debate via facebook com um dos juízes federais mais progressistas que conheço!

    Está quase que totalmente cooptado para a causa do GAFE — Globo, Abril, Folha e Estadão. Precisamos urgente formarmos uma rede de resistência ao golpe nos moldes da que fez Leonel Brizola na crise da renúncia de Jânio.
    Os blogs progressistas poderiam aglutinar essa rede através de uma campanha de convocação.
    Eu aguardo o chamado!

rita

09/03/2015 - 22h09

eu queria um apê igual ao da foto… na praia de preferencia.. ia fazer um panelaço todos os dias para as ondas do mar que não me deixam mentir.. pois nunca envelhecem.

Responder

    anac

    09/03/2015 - 23h07

    A gorducha ( não tenho preconceito, gente) da varanda gourmet deveria estar malhando o copo e não batendo panela. Panelaço na Argentina é protesto por COMIDA na panela. Panelaço significa panela VAZIA de comida. A gorducha da varanda gourmet não precisa de mais comida. Muito pelo contrario, está com a forma de barril devido a fartura de comida na panela.

    rita

    09/03/2015 - 23h17

    acho que eu não quero mais ficar na praia.. um apê no lugar mais isolado que possa existir.. iria fazer um panelaço para a escuridão. para a grande sombra negra dos céus…reencontrar esse céu negro dos babilônios e dos egípcios.. e lá e perguntar de novo sobre o mistério do viver..

rita

09/03/2015 - 22h06

aqui na minha cidade vivemos o caos. ruas esburacadas, falta de médicos, hospitais lotados e com a epidemia de dengue tudo ficou gravíssimo. o boato corre e já conta 55 mil vitimas…. 2015 começou bem mal…

Responder

    João Almeida

    10/03/2015 - 01h12

    Ano que vem você escolhe um prefeito e um vereador melhor, fofa.

    rita

    12/03/2015 - 20h08

    vou ter que pedir ajuda aos deuses… todos eles!

Edgar Rocha

09/03/2015 - 21h35

Saramago criou uma ficção absolutamente aplicável sobre os desafios de uma modernidade cada vez mais alienante. Porém, nela, os cegos iam se amontoando numa espécie de sanatório, controlado por gente que enxergava muito bem. Uma única personagem (da minha ídola Juliane Moore) tinha de passar-se por cega para proteger sua família da lógica social construída a partir da cegueira. Aí é que vejo uma certa diferença em relação à tua análise, Azenha. Quem está cego? Quem enxerga? Quem se faz de cego por sobrevivência??? Em terra de cego quem tem olho é, de fato, rei? A solução para o impasse, se me lembro bem, é a postura interna bem consolidada. É ela que nos torna imunes à cegueira coletiva. Tal cegueira é adquirida quando imunidade moral cai.
De minha parte, tenho de admitir com certo grau de autocondescendência de que já estou ficando míope. Não dá mais. O que é que a Dilma está enxergando que eu não estou?! Não sei, sinceramente, não-sei! Ou ela é cega ou você, suas amigas, muitos aqui e eu já estamos na completa escuridão.

Talvez minha miopia me obrigue a ver as coisas com contornos meio estranhos, com linhas cinzas e mais grossas, que quase encobrem a conjuntura política por completo. Quando vejo o nível de violência social (a cotidiana, interpessoal mesmo) já rotineiro e refratário a qualquer indignação, só posso pensar que tal comportamento venha a gerar consequências terríveis um dia. Caso contrário, não seria sequer perceptível, que dirá questionável. Muito se fala da truculência da classe média e alta em relação ao Governo Dilma, aos petistas, aos trabalhadores… Enfim, talvez doa porque seja conosco. Isto atinge a todos que enxergam as injustiças cometidas. Mas, não dá pra poupar as outras classes quanto a este quesito. A diferença é que o alvo é restiro e o tiro é de curta distância. Não se trata da violência dirigida ao macro-social, ao Governo, a coisas com as quais nos identificamos nos causando indignação. Trata-se de violência pessoal, da violência ao próximo, da violência a si mesmo, do fim do afeto, do respeito, das relações sociais estabelecidas pelo princípio da dignidade humana do outro. Isto quase não existe mais. Não é só a violência física. É a simbólica, sobretudo. E constante. É o prazer de ferir alguém, ajudando a sublimar a dor por suas próprias feridas. Um passar adiante em que os mais cultos como suas amigas, os bonitões de Higienópolis, os “bem-nascidos” da classe média ainda não vivenciaram totalmente. Eles tem formação suficiente pra sublimar seus ódios sobre a Dilma, o Governo o PT, ou qualquer figura direcionável por alguma racionalização capenga. Fossem realmente desprovidos da formação mínima que receberam e sobraria para mães, pais, irmãos, vizinhos. A classe média/alta já dá sinais desta descompensação emocional, é fato.
O que vemos é a canalização de uma gama de sentimentos gerados por um modo de vida e uma estratégia de controle social destinada a isto mesmo. Esta desestruturação social é o maior pilar de sustentação de um sistema que não beneficia a quase ninguém. Não somos apenas feitos pra consumir. Os governos do PT são a prova cabal que barriga cheia não é suficiente pra sustentar a sensação de bem estar social. Todo o restante que garante a qualidade de vida de um ser humano (inclusive a participação social) foi negligenciado pela esquerda e sabotado pela direita com o único propósito de cegar os que melhoraram de vida, impedindo-os de vivenciar plenamente a melhora que obtiveram. Não dá pra ser feliz com medo, com ódio, com obrigação social de consumir pra ser aceito, com sua pessoa reduzida a condição de consumidor, sem direito a lazer, educação de qualidade, amparo das instituições de segurança. E as pressões do cangaço político ao qual eu sempre me refiro são uma verdadeira catarata nublando qualquer linha de um futuro melhor. Entende?

Chega uma hora que por mais que queiramos ser racionais, o jeito é aceitar que o caminho é sem volta e tentarmos suportar, de uma forma ou de outra. Ouvi uma frase interessante, certa vez, não sei de quem: quem reclama demais, acaba se tornando irrelevante.

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