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Cartas de Minas
Cartas de Minas

O antenado comandante do Exército revê o conceito de fronteira, mas pisa na bola quando trata dos indígenas

24 de junho de 2017 às 00h03

Da Redação

O antenado comandante do Exército, Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, atendeu a pedido do senador Roberto Requião (PMDB-PR) e depôs na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado.

Sugerimos os sete minutos politicamente mais significativos da fala do militar (acima, logo depois da fala do senador Requião).

O ponto positivo é que o general reconheceu a existência de um novo conceito de fronteira. Assim, a invasão de um país não tem necessariamente de ser física, pode ser feita por agentes como a TV Globo, a serviço do Pentágono, destroçando todo o capital cultural da nação brasileira.

O ponto negativo é que, ao tentar dar um exemplo, o general não optou por falar da Globo, nem dos acordos internacionais em que autoridades brasileiras se subordinam ao querer do Departamento de Estado ou do Departamento de Justiça, como fez recentemente um certo juiz.

Não, Villas Bôas optou mais uma vez por vender a velha lenda dos indígenas otários subornados e subordinados por/a ONGs internacionais para roubar a terra do Brasil, sil, sil.

Que mancada, general. E todos aqueles indígenas que servem ao Exército nas fronteiras, sem os quais os soldados ficariam completamente perdidos nos igarapés e florestas?

Eu, hein, que falta de gratidão!

Além do mais, sem essa de imaginar que os indígenas são tolos. Eles sabem muito bem defender seus direitos. É emocionante testemunhar o esforço de diferentes etnias, que deixam de lado grandes diferenças culturais em busca do consenso que, testemunha o general, falta ao Brasil.

Além do mais, se a Globo pode bombardear a cabeça de milhões de jovens brasileiros com os programas da Vice, por que os indígenas não podem aceitar que uma ONG doe câmeras para que registrem a violência praticada contra eles por latifundiários?

Isso é legítima defesa, não implica em tomar terra de ninguém.

Para finalizar, absolutamente todos os interesses do Exército foram considerados na mais recente homologação de uma terra indígena fronteiriça, a Raposa Serra do Sol, em Roraima.

Portanto, a lenda urbana de que os indígenas servem a interesses externos ou são manipulados por interesses externos não passa disso, uma lenda do pensamento arcaico do “latifundiário” Aldo Rebelo, que nunca se distanciou da ideia do marechal Rondon de que é preciso tutelar, “civilizar” e integrar os originários.

Finalmente, é preciso por fim ao lenga-lenga de que as terras indígenas atrasam o “desenvolvimento nacional” ao bloquear a exploração das riquezas minerais.

Primeiro, é preciso perguntar: a quem serve a exploração das riquezas da Amazônia hoje, do minério de Carajás pela Vale à energia elétrica de Tucuruí?

Acima de tudo, a interesses econômicos internacionais: da produção eletrointensiva de alumínio que o Japão decidiu fazer fora de seu território, ao minério de ferro que construiu a infraestrutura da China, deixando apenas alguns centavos do dólar faturado para usufruto dos amazônidas.

Quem deu a isenção de impostos na exportação de matéria prima, que tanto enriqueceu os acionistas da Vale nos Estados Unidos e tanto empobreceu os locais? A Lei Kandir, do governo Fernando Henrique Cardoso.

Portanto, nos moldes de hoje a exploração de recursos naturais na Amazônia pode ser tudo, menos nacionalista. É neocolonialismo na veia, tratorando da mesma forma os interesses dos colonos, dos ribeirinhos e dos indígenas.

Leia também:

Perito Molina em fuga: áudio Temer-Joesley não foi manipulado, diz perícia oficial

 

13 Comentários escrever comentário »

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povobrasileiro

06/07/2017 - 11h16

Os caras da “redação”, refugiados no ar condicionado, pretendem saber mais sobre fronteiras e indígenas que aquele que comanda os que trabalham e sofrem nessas fronteiras. Os indígenas, da mesma maneira que os quilombolas (verdadeiros ou supostos) são, sim, manipulados pelas ONGs internacionais e seus prepostos aqui nascidos, mas com a alma lá fora. Só por acaso grandes áreas indígenas são demarcadas seguindo os limites de áreas de alto potencial mineral. Indígenas, quilombolas e “ribeirinhos”, o que quer que isto signifique, aparecem milagrosamente em áreas atingidas ou “ameaçadas” por barragens; também só por acaso os “movimentos sociais” que os manobram são financiados pelos dois países que têm maiores aproveitamentos hidrelétricos, Canadá e Noruega (diretamente ou através das igrejas). Durante mais de 20 anos, nos reinados de sarneyzinho e marina (minúsculas merecidas) ficaram paralisadas as licenças ambientais para barragens, e , com uma coerência que só ambientalistas entendem, aumentou drasticamente a construção de termelétricas. É ou não guerra impedir o aproveitamento de recursos em um país? Ou tentar até paralisar o que está pronto, como Melo Monte?
Em relação à mata, o general sabe o que fala. Deveria ver melhor a manipulação das manifestações e do sistema policial-judiciário, outra faceta, até mais grave, dessa guerra em que estamos sendo derrotados.

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Claudio

26/06/2017 - 10h30

“Não existem fronteiras, não existem países e forças armada ou polícia defendendo a humanidade; e menos pluralismo no que está abaixo do sol.
O mundo tem um governo singular, uma língua, uma moeda, uma inteligência, uma religião, um jornalismo, um time de futebol, um sistema que afunila e leva todos para um colapso físico e psíquico generalizado.
Esse cidadão é laranja e tem alguém acima dele, que por sua vez, tem outro maior dizendo o que pensar e fazer.
A galinha continua no galinheiro colocando ovo, a vaca no curral dando leite, o boi está gordo e a sociedade segue agindo como bicho de estimação exercendo sua vil função alimentícia para suster o grande estômago famigerado do sistema.
Apenas tijolinho na parede.
Que continuem brigando pelas migalhas que caem ao chão, pois passa dias e vemos os mesmos homens da caverna fugindo de dinossauros, comendo carniça e se escondendo em cavernas para não serem devorados.”
C E G O S !

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Edgar

26/06/2017 - 03h07

O general não é tão antenado assim, uma vez que discorda de que as ações disruptivas sejam fruto de ação internacional. Será que ele conhece as expressões “revolução colorida”, “guerra híbrida”, “guerra por procuração” etc.?

Ele deve achar que os tumultos de 2013, no Brasil (cujo “significado profundo” as esquerdas até hoje tentam encontrar), foram espontâneos, decorrentes dos “descalabros” do PT e da Dilma… Pergunta: onde estão todos aqueles “manifestantes” agora, quando a situação é mil vezes pior?

Ademais, seria interessante conhecer o significado de “nacionalismo” para o General Villas Bôas e para o General Etchegoyen — Etchegoyen, que disse, em uma palestra, que o Golpe de 2013/2014 na Ucrânia foi arquitetado por Putin…

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    Carlos

    26/06/2017 - 21h43

    Eles conhecem o termo “Guerra Híbrida” mas, se você olhar a opinião do site defesanet, descobrirá que fizeram uma barafunda com o termo, ao ponto de afirmar que as manifestações contra as reformas trabalhista e previdenciária são parte da “guerra híbrida” em curso no país. Ou seja, a Guerra Híbrida contra o Brasil, na visão deles, não provém dos EUA , mas da esquerda bolivariana, comunista etc…

Sergio Santos

25/06/2017 - 10h50

Falar mal dos indigenas fora de qualquer contexto, alem se ser equivocado, e uma covardia. Um dos maiores massacres da humanidade foi o dos nativos das Americas, quando civilizacoes inteiras foram aniquiladas. O reconhecimento de que se tratavam de seres humanos foi negado ate pela igreja crista. E imoral a critica reles que a sociedade faz dessa questao. Grande parte da sociedade “futebolizou” todas as questoes importantes do Brasil. Por isso nao e de se estranhar acusacoes e termos chulos com que alguns chamam os partidos de esquerda, papagaios que sao da grande midia. Vamos estudar mais os assuntos antes de emitir opinioes sobre questoes complexas, pois so assim acharrmos solucoes acertadas.

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Nelson

24/06/2017 - 18h12

Os comentaristas Anúbis, Austregesilo e Lulipe exalam preconceito por todos os poros.

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    Anubis

    25/06/2017 - 16h25

    Nelson, não é pretensão. Pretensioso eu seria se quisesse falar de física nuclear ou de medicina, por exemplo. Porém, de índio amazônida, regiões fronteiriças da Amazônia e de selva (não de bosques e moitas como você deve conhecer aí, perto de sua casa) eu lhe digo que posso lhe acrescentar um universo de informações, sem medo de ser analisado e julgado por você. Agora, lendo seus comentários, nota-se que você, sim, NÃO é nem um pouco pretensioso. Antes, se apresenta como um excelente apontador de erros… Com características bem típicas de um censor fora de seu tempo e/ou desempregado pelo próprio sistema que protege, talvez. Vá se saber, né?

Anubis

24/06/2017 - 12h31

Uma opinião ou ideia é uma mera impressão, visão, seja pessoal e/ou coletiva, movida por consenso particular ou movida por ânimos e interesses externos. Importa é vender e não sair dos holofotes. Só depois de satisfeitas as necessidades pessoais é possível que o compartilhamento com o povo, se responsabilizando pelo o que vai causar nesse mesmo povo, seja interessante. Mesmo assim, eu respeito ideias, mesmo não concordando com elas. Neste caso, afirmo que há erros crassos de interpretação, por parte do Blog, na fala do General. 1) o Blog (as pessoas do Blog) nunca estiveram na selva da cabeça do cachorro e, portanto, não sabem nada da interrelação entre o Exército Brasileiro e os povos indígenas da região. 2) o índio nunca foi tolo, sendo antes abençoado por não precisar manipular e gerenciar a podridão com a qual algumas classes profissionais lida diariamente, criando ideias e quadros, algumas vezes com patente irresponsabilidade na causa da formação de opinião, sem se preocupar com seus nocivos efeitos na mente dos “índios urbanos” das cidades “civilizadas”. 3) Há relação sim, entre as demarcações das terras indígenas e os interesses do Capital é só não há ampla divulgação de dados sobre o assunto porque justamente há quem manipule e quem dita aos jornalistas o que deve e o que não deve ser exposto. 4) Nossos militares, especialmente os que se encontram inseridos no contexto Amazônico, são profundos conhecedores das causas e não se fartam em faturar com os efeitos, do modo como a mídia costuma fazer. Enfim, o Blog foi triste em querer debater um assunto que passa longe…muito longe mesmo de seu conhecimento de causa. Lastimável. Ah, sim: sei que não vão publicar isso.

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    Nelson

    24/06/2017 - 18h22

    Eis que aparece por aqui mais um sabichão. E, não poderia ser diferente, afundado em arrogância.

    Ainda que tu tenhas pretensões de ser o sabe-tudo, Anúbis, não é somente na última frase do teu comentário que cometeste um erro.

Carlos Austregesilo da Silva

24/06/2017 - 10h09

Realmente os indígenas não são tolos, pelo menos em sua grande maioria que bem ao contrário são muito espertos, subornaveis e tão corruptos quanto qualquer outro ser humano.
Com certeza nossas riquezas estão sendo roubadas e indo para fora do Brasil por caminhos que só os índios conhecem.
As reservas não deveriam ser denominadas de reserva indígena, mas sim de reserva natural onde os indígenas que desejarem poderiam viver, mas sujeitos às mesmas leis que o resto da população brasileira, conservando uma grande vantagem que já tem, a de não pagar IMPOSTOS.

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    lulipe

    24/06/2017 - 13h20

    Só os esquerdopatas alienados não veem isso, Carlos. Mas o que esperar de quem ainda acredita em lula e idolatra o corrupto Zé Dirceu??

mo

24/06/2017 - 07h19

Bom dia.
Também penso que o General, não ele, mas a Instituição à qual serve, sendo ele mero porta-voz de um pensamento quase unânime, nas “nossas” F. A., pisou a bola, mas não só no trato com a questão indígena: a fala do General mostra que, em “general” (intencional!), as F. A. brasileiras (?), os quais têm uma submissão aos estadunidenses que não pode ser explicada, de per si, caso digno de análise (entenda a extensão da palavra), não têm rumo (como sempre!) e que esta Instituição “não entra em dividida“, só discute o jogo “jogado”…
Não, eu não quero, como brasileiro, nenhum tipo de intervenção desses paspalhos de farda. Gostaria do obsequioso silêncio deles. Não me sentiria tratado como tolo, ao menos.

Saudações “#ForaTemerGolpsista; Eleger o ‘Jara’, recobrar o país das mãos dos destruidores. Reformas Política e do Golpiciário são indispensáveis“,
Morvan, Usuário GNU-Linux #433640. Seja Legal; seja Livre. Use GNU-Linux.

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    Anubis

    24/06/2017 - 23h11

    Típico. Mesma retórica dos anos 1960. Obsoleto.

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