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Cartas de Minas
Cartas de Minas

Nos bastidores do jornalismo, uma lição prática — e assustadora — sobre o “dois pesos, duas medidas”

29 de setembro de 2016 às 21h16

Captura de Tela 2016-09-29 às 21.14.52

por Luiz Carlos Azenha

Em 2005, como repórter da TV Globo de São Paulo, fiz uma de minhas primeiras reportagens investigativas depois de retornar ao Brasil vindo da posição de correspondente da emissora em Nova York.

O produtor era Luiz Malavolta. Foi sobre uma empresa de seguros, a Interbrazil, que participou de um esquema de financiamento de campanha do PT em Goiânia, via caixa dois.

Viajei para a capital de Goiás com o produtor Robson Cerântula.

Constatamos a partir de testemunhas que, de fato, o esquema tinha existido. Adhemar Palocci, o Paloção, irmão do então ministro Antonio Palocci — à época, homem forte do governo Lula — foi citado como o caixa do PT em Goiás.

Tentamos ouví-lo em Brasília, sem sucesso — ele ocupava então o cargo de diretor de Engenharia da Eletronorte.

O motivo do caso ir parar em Brasília é que foi “abraçado” por uma das três CPIs que, simultaneamente, investigavam o mensalão petista e o governo Lula.

Uma “embaixatriz” da Globo na capital me conduziu a gabinetes de parlamentares que poderiam ter interesse no assunto. Como, pessoalmente, faço questão de não estabelecer relações promíscuas de fonte com autoridades — que, em minha opinião, acabam contaminando a independência do repórter –, fui levado a tiracolo: conversei brevemente com Aloizio Mercadante, Heráclito Fortes, ACM Neto, parlamentares que supostamente tinham trânsito com o jornalismo da emissora.

O dono da Interbrazil não atendeu à primeira convocação para depor. Acabou sendo levado pela PF, numa espécie de condução coercitiva. Assisti ao depoimento: em outras palavras, ele disse que de fato tinha doado por fora ao PT, especialmente em material de campanha, mas que fizera o mesmo para muitos candidatos de outros partidos. Seguiu-se uma longa lista: PSDB, PMDB, PP, etc.

Como a Interbrazil tinha sofrido intervenção, ele se dispôs a fazer levantamento nos arquivos da empresa sobre todos os que tinham recebido contribuições. Ele não admitiu, mas obviamente o dinheiro foi dado a título de abrir portas para a seguradora no mercado, especialmente nas apólices de empresas públicas.

A CPI pretendia convocar Adhemar Palocci para depor, mas o requerimento foi derrotado depois que o ministro da Fazenda ameaçou renunciar se isso acontecesse — Palocci, como amigo do mercado, tinha então relação “amigável” com a Globo.

Para minha surpresa, depois do registro do depoimento do dono da seguradora, a emissora simplesmente desistiu do caso. Não se interessou em correr atrás daqueles arquivos que, revelados, poderiam comprometer outros partidos além do PT. Existe uma grande diferença entre “ouvir dizer” e vivenciar pessoalmente uma situação. Ali ficou límpido, cristalino: dois pesos, duas medidas.

Eu e Malavolta ainda pretendíamos investigar um dirigente da Susep, a Superintendência de Seguros Privados — indicação do PT — sobre o qual havia alguns indícios, mas desistimos depois que ele apareceu em carne e osso na redação da TV Globo de São Paulo, para cumprimentar nosso chefe hierárquico. Ao que parece ele tinha muita intimidade com os negócios do Banco Roma, que pertenceu à família Marinho.

Mais tarde, através do Malavolta, fiquei sabendo que a investigação da Interbrazil tinha tido origem no alto escalão da emissora, a partir de araponga baiano que, segundo ele, era ligado ao deputado ACM Neto.

Desde então, olho com grande desconfiança para “vazamentos”. A quem interessam? A quem servem?

Num deles, relativo à Operação Castelo de Areia, recebi os relatórios da Polícia Federal sobre apreensões feitas na contabilidade paralela da empreiteira Camargo Corrêa. Ali constava uma anotação sobre o blogueiro da Veja Reinaldo Azevedo, que supostamente teria recebido apoio publicitário da empresa por interferência do tucano Andrea Matarazzo. Descartei a informação, por julgar o valor irrelevante — era uma reportagem de TV de alcance nacional.

Como era período pré-eleitoral, eu e o editor da reportagem decidimos não focar em nomes, mas no fato de que a empreiteira fazia os pagamentos a um verdadeiro zoológico: Abelha, Macaco, Gambá e assim por diante. Pré-Lava Jato, a Castelo de Areia apenas confirmou o que eu tinha visto no caso da Interbrazil: o financiamento empresarial a políticos via caixa dois é amplo, geral e irrestrito. Não foi inventado pelo PT, embora seja compreensível a decepção dos eleitores com um partido que se dizia “diferente de tudo o que está aí”.

A Castelo de Areia levantou graves suspeitas sobre as obras do Metrô e do Rodoanel, em São Paulo, estado que é governado pelo PSDB desde Mário Covas. Mas… a operação foi anulada na Justiça. Nunca ficamos sabendo quem eram as pessoas por trás de todos aqueles codinomes.

Hoje a Polícia Federal diz que Feira é o marqueteiro João Santana e Italiano o ex-ministro Palocci. Ele nega. Duas pessoas ligadas ao PT. Mas, e o Abelha? E o Santo? E o Careca?

Hoje tenho o costume de ler na íntegra todos os relatórios divulgados pela Polícia Federal. Na medida do possível, tento ouvir na íntegra os depoimentos dados à Lava Jato.

Constato a imensa distância que existe entre o conjunto das informações obtidas pela PF e o resumo que aparece nos jornais ou nas emissoras de TV.

De um lado, informações que me parecem relevantes são descartadas. Do outro, depoimentos sem nenhum suporte factual, como o que Marcos Valério deu à Lava Jato, se transformam em manchetes: Lula e o PT teriam sido chantageados, o que é uma forma oblíqua de insistir que ambos estão envolvidos na morte do ex-prefeito Celso Daniel, o que já foi descartado por ao menos duas investigações.

Mas, em tempo de redes sociais, o que vale são as manchetes. É o jornalismo declaratório em ação: Donald Trump desconfia que Obama não nasceu nos Estados Unidos. É o suficiente para fazer uma não notícia sobreviver por quatro, cinco anos… como aconteceu no caso de Trump. Aliás, foi o “ato inicial” da carreira política dele.

Muitas vezes o problema começa já na análise das informações colhidas pela PF. Os analistas enxergam suspeita em todas as menções a Lula, por exemplo, mas não se preocupam quando MBO, o Marcelo Bahia Odebrecht, cita Aécio Neves, Alckmin ou a Globo. Reproduzimos aqui trechos dos relatórios referentes a anotações feitas por Marcelo em seu celular.

Captura de Tela 2016-09-29 às 20.03.19É preciso saber, sim, o que MBO quis dizer quando escreveu “coordenação lista $ com PT”, mas notem que logo abaixo ele escreve: “Aecio Neves?”.

O “DGI Chaves vs Lula” aparece destacado pelo analista, mas e o “Alckimin vs AR”?

E o “Darc vs Edu Campos”, ou o “Emb vs Globo”, ou o “PAN vs Globo”? O que significa “apoio a ANeves?”

Meu ponto é que os recursos da Polícia Federal são finitos e, como vi acontecer dentro da TV Globo (veja em O que eu pretendia dizer na TV sobre as ambulâncias de Serra), muitas vezes a distorção se dá pelas escolhas: onde se concentra os recursos da investigação.

Espero que não seja o caso, lamentaria se fosse: investigações politicamente dirigidas, que buscam atender a demanda de um público que, por força do bombardeio midiático, já condenou antecipadamente todos os remotamente ligados ao PT.

Continuamos aguardando, por exemplo, que a Operação Caça Fantasmas, da Polícia Federal, amplie seu escopo para descobrir porque uma herdeira de Roberto Marinho pagou as taxas de manutenção de três empresas offshore à Mossack & Fonseca, a fábrica de empresas laranjas do Panamá — “a serviço de ditadores e delatores”, como destacou o insuspeito O Globo — quando as empresas nominalmente são ligadas a Lucia Cortês Pinto, uma modesta moradora do bairro do Grajaú, no Rio de Janeiro. As empresas são a Vaincre LLC, a Juste e a AA Plus. Esperaremos sentados.

Leia também:

Em debate, Jandira detona Globo pelo apoio ao golpe de 2016

 

17 Comentários escrever comentário »

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Bel

30/09/2016 - 12h56

Não tenho mais nenhuma dúvida é que o o PIG e os tucanalhas estão derretendo o Brasil para mandar novamente como faziam no passado, com as desculpas que tem que pedir emprestado ao FMI porque o PT blá, blá, blá.. Alguém ainda vai votar nesses filhotes da ditadura?

Responder

Joao Maria

30/09/2016 - 12h07

Reinaldo Azevedo que zurra todo dia contra o PT, tambem levou uns trocos?}^Que que se tem pra dizer, reinaldinho? Ladrao……..

Responder

José Antonio

30/09/2016 - 09h18

Importante depoimento Azenha!
Aliás, foi Roberto Marinho quem disse que a Globo chegou onde chegou, não pelo que publicou, mas pelo que deixou de publicar no curso desses anos.

Responder

Marcia Oliveira

30/09/2016 - 00h32

ACM Neto e seus parceiros golpistas são inimputáveis.
Ladrões, ACM Neto nunca trabalhou, assim como seu avô. Família de ladrões que levava cocada da Bahia pra os golpistas de 64.

Responder

FrancoAtirador

30/09/2016 - 00h23

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Prezado e Ético Jornalista Luiz Carlos Azenha.
Tu, o Vianna e o Mello poderiam trazer a público
o tipo de Meritocracia vigente na Rede Globo:
Uma Panelinha FamiGliar Posta na Base do QI.
Talvez até fosse adequado inserir em um Livro.

http://natelinha.uol.com.br/noticias/2013/10/29/amauri-soares-marido-de-patricia-poeta-ganha-mais-poder-na-globo-67603.php

http://celebridades.uol.com.br/noticias/redacao/2014/11/05/renata-vasconcellos-vai-oficializar-casamento-com-diretor-da-globo.htm
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Responder

    FrancoAtirador

    30/09/2016 - 02h43

    .
    .
    Sem Contar Aquelas Célebres Trocas de Favores [Sexuais, inclusive] com os Phoderósos.
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    FrancoAtirador

    30/09/2016 - 02h55

    .
    .
    Aliás, Só Por Curiosidade, Quem Seria Aquela Jornalista de Brasília,

    que MiShell ‘namorou’ e com quem teve um Filho, hoje com 10 Anos,

    a quem, dizem, ele dá uma Pensão Alimentícia, mas vê pouco?

    http://piaui.folha.uol.com.br/questoes-da-politica/poder-e-sexo-em-brasilia/
    http://www.tribunapr.com.br/noticias/politica/quem-e-michel-temer-o-novo-presidente-do-brasil/
    .
    .

    FrancoAtirador

    30/09/2016 - 03h27

    .
    .
    E o Romance de Eduardo Cunha
    com a Dona da Voz da TELERj
    que era Âncora da TV Globo ?

    http://oglobo.globo.com/brasil/a-historia-de-amor-entre-cunha-claudia-cruz-17873007
    .
    Agora, veja também por que a REDE GLOBO
    quer Aprovar a Terceirização da Atividade-Fim:
    .
    CASO PARADIGMÁTICO

    Tribunal Suprior do Trabalho – TST
    A C Ó R D Ã O
    6ª Turma

    Processo: AIRR – 131340-28.2001.5.01.0051
    Numeração antiga: RE-ED-AIRR – 1313/2001-051-01-40.6
    Número no TRT de Origem: AI-131340/2001-0051-01.40
    .
    Recorrente(s): TV GLOBO LTDA. (Ré/Reclamada]
    .
    Recorrido(s): CLAUDIA CORDEIRO CRUZ [Autora/Reclamante]
    .
    ACÓRDÃO: (http://bit.ly/11i50BG)
    DownLoad DOC: (http://bit.ly/14cQmIN)
    (…)
    .
    “Quanto à prova pericial (fls. 983/999),
    cumpre fazer inicialmente o seguinte esclarecimento:
    .
    as informações colhidas pelo I. Expert [Perito] do Juízo
    a respeito da reclamada [GLOBO], dos paradigmas
    e dos demais elementos que serviram
    para a produção do laudo pericial foram fornecidas
    pelo Sr. César Augusto Leite Seabra, Editor Regional
    de Telejornalísmo da reclamada [GLOBO] (fls. 984/985),
    o qual também foi ouvido como testemunha
    indicada pela ré [GLOBO] (fls. 1.101/1.103)
    e, do confronto das informações prestadas pela referida testemunha
    em seu depoimento com o laudo pericial, surge a certeza de que a grande maioria
    dessas informações: é a mesma que consta no laudo pericial.
    .
    A prova pericial constatou à fl. 989 que, do mesmo modo
    que ocorreu com a autora [CLAUDIA CRUZ],
    outros jornalistas (FÁTIMA BERNARDES, RENATO MACHADO e PEDRO BIAL)
    prestam seus serviços, por meio de um contrato de locação
    (‘F. B. Produções Artísticas e Jornalísticas Ltda.’,
    ‘Ópera Vídeo Produções Artísticas e Jornalísticas Ltda. Me.’
    e ‘Os Camaleões Produções Ltda.’).

    Destaque-se que os Serviços Prestados por Esses Profissionais
    também estão Relacionados com a Atividade-Fim da Empresa [GLOBO].
    .
    Em depoimento pessoal (fls. 1.095/1.096),
    a Autora [CLAUDIA CRUZ] esclareceu
    que a Constituição da Firma ocorreu
    ‘quando já havia decorrido suas tratativas
    com a reclamada [GLOBO];
    .
    que a estréia do seu Programa se deu em Maio/89
    e nesta ocasião já tinha que receber o primeiro salário’.
    .
    A Autora [CLAUDIA] informou ainda ‘que a Reclamada [GLOBO]
    disse à depoente [À PRÓPRIA CLAUDIA ] que deveria constituir
    uma Empresa Jurídica [PJ] para ser Contratada;
    .
    que a celebração do contrato se deu com a Pessoa Jurídica [PJ];
    .
    que a depoente [CLAUDIA CRUZ] queria ser Funcionária
    da Reclamada [GLOBO], entretanto a Única Possibilidade
    que lhe foi colocada era de ter que Possuir
    uma Empresa Para Ser Contratada;
    .
    que de início a depoente [CLAUDIA CRUZ] disse a Reclamada [GLOBO]
    que tinha Carteira de Trabalho e todos os documentos necessários
    para ser Admitida como Empregada;
    .
    que a Empresa [de CLAUDIA CRUZ] foi Constituída na Forma de Sociedade
    em que a depoente [CLÁUDIA] era Sócia Majoritária e uma parte mínima
    era de seu pai, o 2º Sócio; (…)
    .
    que por Contrato a Depoente [CLÁUDIA CRUZ]
    era Proibida de fazer qualquer outro Trabalho Paralelo
    ao que prestava para a reclamada [GLOBO];
    .
    que a depoente [CLÁUDIA CRUZ],
    com a Permissão dos Diretores da Reclamada [GLOBO],
    prestou Trabalho para a TELERJ [!!! SIC !!!]
    de Locução para Fins Internos da Empresa
    e acredita que por esse trabalho
    tenha emitido Nota Fiscal de sua Empresa;
    .
    que por Determinação da Direção da Reclamada [GLOBO]

    [a depoente CLÁUDIA CRUZ] rompeu contrato com a TELERJ [!!!]

    porque Sua Voz Estava Sendo Muito Reconhecida; [!!!]
    .
    que a depoente [CLÁUDIA CRUZ] prestou Serviço

    em um Evento da Associação Brasileira de Supermercados [!!!]
    (http://www.abrasnet.com.br/abras)
    para Entrega de Prêmios à Funcionários;

    que tal Trabalho Foi Indicado [!!!]

    por uma pessoa da Direção da Reclamada [GLOBO]

    e teve a Concordância da Ré [GLOBO];
    .
    que não se recorda se emitiu nota fiscal de sua empresa para prestação desse trabalho;
    .
    que a Emissão de Nota Fiscal também era
    Autorizada ou Não Pela Reclamada [GLOBO];

    (…) que ficava Subordinada ao Editor Regional
    e ao Diretor da Central Globo de Jornalismo…”
    .
    .

Eu

30/09/2016 - 00h12

Nunca houve dúvidas quanto ao caráter seletivo de certa parte da imprensa brasileira, sócia que é dos donos do poder do mundo financeiro. Certamente, qualquer reportagem investigativa que esbarre em certos nomes jamais passará da apuração inicial, como foi o caso da Mossack & Fonseca, pois sempre foi parte do mecanismo de convencimento imposto à maior parcela da população, que se informa apenas por TV de sinal aberto, a fábula encantada da limpeza de caráter e ações de certos empresários e financistas, a quem se atribui o sucesso como “fruto de sua determinação e disposição ao trabalho”. Desmascarar certas “santidades” no Brasil dessmantelaria um dos pilares dos golpes, presente e passados, de que já fomos vítimas. Basta ver os limites de divulgação impostos ao trabalho do ICIJ no caso dos Panama Papers, que lá fora já deu origem a um livro, mas aqui permanece em obsequioso silêncio, inclusive da parte do repórter investigativo membro do consórcio, que reputo ser um bom profissional mas que certamente está sendo calado por forças “ocultas” maiores que a sua. Infelizmente, a mídia alternativa disponibilizada pela internet ainda é incipiente, frente ao grosso da população que tem acesso precário, e às vezes nem isso. O que nos torna condenados a repetir erros de antanho, pois somos incapazes de aprender com eles, mister para evitar as mudanças tão necessárias ao País quão indesejadas pelos sinhôzinhos de sempre.
P.S: Azenha, se você ler este, recebi um exemplar do Golpe 16 de presente de uma amiga, e vi que você foi um dos que a autografaram para mim. Gentileza não tem preço, mas tem valor e sei reconhecê-lo. Muito obrigado!

Responder

Edgar Rocha

30/09/2016 - 00h08

Seu ex-colega de empresa Chico Pinheiro parece que falou demais no comentário feito sobre a absolvição dos policiais envolvidos no massacre do Carandiru. O PHA comentou que a saraivada de fascismo contra ele na internet foi terrível. Eu pergunto, como é que vocês aguentam? Tudo bem, tem filho pra criar, tem que trabalhar… Mas, é cada coisa de arrepiar os cabelos. Ficar sabendo destes esquemas, ver seu trabalho submisso a um “bando de corja” como diz Mino Carta, me desculpe. Haja Viagra. Dar um duro pra fazer um bom trabalho e sofrer sabotagem na cara dura nunca é fácil.
No caso do Chico, é difícil não questionar seu caráter. Eu estaria sendo injusto? Acho que tudo tem limite e o dele parece ser muuuuito maior que o da maioria dos jornalistas que gozam de (alguma) credibilidade. Poxa vida, vocês tem história. Uma matéria bem feita sobre um fato relevante pode mudar as coisas. É uma bênção quando é para o bem. Vale muito mais que os prêmios recebidos e o reconhecimento da própria categoria. É a certeza da relevância. Mesmo um comentário assertivo, independente, veiculado na TV, acredito que valha por mil demissões. É melancólico – talvez mais do que o ostracismo – ver gente com tanta capacidade se sujeitando a neutralidade de uma “rainha da Inglaterra”, emprestando sua imagem e sua história para os que parasitam uma credibilidade imerecida. Não é só o Chico Pinheiro. No caso dele, sua posição, apesar de corajosa, não gozará da mesma repercussão que num JN, quiçá servirá de verniz de liberdade democrática, numa emissora que jamais daria ênfase a alguma crítica contra o statu quo paulistano. Mas, além dele, tem o Jô, a Regina Casé, alguns atores, outras atrizes… Gente socialmente atuante, competente.
Eu imagino que, se as coisas tomarem o rumo que estão tomando, todos terão suas nêmesis. Terão de decidir entre jogar no lixo sua pessoa humana ou resgatá-la a despeito das dificuldades que enfrentarão. E quando falo em pessoa humana, falo mesmo do senso de dignidade humana tão relativizado em nome do pragmatismo. Será a diferença entre significar algo ou ser parte de algo. Comparo-os aos servidores do Reich. Dependendo da escolha que fizerem, terão de rezar pra não viver muito. Ou passarão a velhice justificando sua conivência e repetindo um mantra de desculpas a cada vez que vierem a público. Não bastará dizer que foram apenas profissionais e que cumpriam ordens.

Responder

    José Antonio

    30/09/2016 - 09h12

    Muito bom seu comentário! Penso isso também quando vejo o premiado Boechat da Band, que provavelmente para evitar as dificuldades financeiras que poderiam vir, optou por seguir a linha golpista da Band. Uma decepção. Fico imaginando o drama de consciência sofrido pelo profissoonal. Será que vale a pena?

    Edgar Rocha

    30/09/2016 - 12h46

    Bem lembrado, colega. E no caso do Boechat a coisa é mais gritante. Seu programa na Band News nem de longe repercute no Jornal da Band. Parece duas pessoas, às vezes. Claro, a linha editorial na TV aberta, com certeza não recebe influência do Boechat, que é o âncora. É disto que estamos falando. De tarde, manda ver com o Simão. De noite, vira múmia paralítica. O Boechat da tarde empresta a credibilidade pro da noite. Pernicioso.

José Fernandes

29/09/2016 - 22h27

No dia em que a esquerda ou o pensamento de esquerda se organizar ,de verdade,e inteligentemente efetivamente este País muda, mas o ego e a sede pelo poder cega o individuo, e os milhões de adjetivos não deixam e desvia o abjetivo quando ele chegar ao poder, ,..dái a direta deita e rola,porque eles (direita) são burros,eles tem dinheiro, controlam a mídia etc…mas são burros, a esquerda precisa voltar os olhos para esta verdade,ou amargará anos de sofrimento.

Responder

Messias Franca de Macedo

29/09/2016 - 21h37

A DEFESA DE MAIS UMA VÍTIMA DA (IN)JUSTIÇA NAZISTA DA PROVÍNCIA DE CURITIBA DO “juiz” ‘mor(T)o’ &$ da ‘PORCA-tarefa’!
Antes que o *PIMG não publique!
*PIMG (Partido da Imprensa Mafiosa &$ Golpista

***
COM A PALAVRA, A DEFESA DE ANTONIO PALOCCI:
“A defesa de Antonio Palocci informa que, em seu depoimento à Polícia Federal nesta quinta-feira (29), o ex-ministro demonstrou, uma por uma, que as acusações não são procedentes. Os policiais atribuem a Palocci uma suposta atuação em favor da aprovação da Medida Provisória 460/2009, que reduziria tributos para construtoras. Ficou demonstrado que, como consta dos anais da Câmara Federal, Palocci, como deputado, votou contra a referida MP. O então parlamentar também se empenhou para que o presidente da República vetasse a MP 460, pois considerava que ela causaria um rombo fiscal no Tesouro Nacional.
A defesa de Palocci demonstrou que o apelido italiano, utilizado por executivos da Odebrecht, não se refere ao ex-ministro. Existe em poder da PF uma mensagem de e-mail de Marcelo Odebrecht a Marcio Faria (executivo ligado à empreiteira) na qual ele se refere a tal pessoa como sendo uma mulher. “Estive com a Itália, ela saiu da reunião e voltou”, diz um trecho. Portanto tal pessoa não pode ser Palocci. Há também uma mensagem na qual Palocci e ‘italiano’ são mencionados, mostrando que se tratavam de pessoas diferentes. Resta, portanto, que italiano é um apelido à procura de um personagem.
No depoimento de mais de três horas, Antonio Palocci mostrou ainda que era contrário à concessão de empréstimos pelo BNDES a grandes empresas em condições especiais e que, portanto, não faz sentido acusá-lo de ter interferido no banco em favor da Odebrecht ou qualquer outra empresa. “Como ministro ele tinha que se relacionar com todos os empresários de setores produtivos”, afirma José Roberto Batochio em relação aos questionamentos da imprensa sobre encontros de Palocci com executivos de grandes empresas.
Por fim, cabe reafirmar que Palocci jamais recebeu quaisquer valores da Odebrecht ou vantagens indevidas. E também que sua consultoria nunca teve contratos com empresas que tivessem relação com entes públicos.”

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA JOSÉ ROBERTO BATOCHIO:

À saída do prédio da Polícia Federal, em Curitiba – base da Lava Jato – o criminalista José Roberto Batochio, defensor do ex-ministro Antonio Palocci, declarou.
“Primeiro, uma das acusações contra o ex-ministro Palocci é a de ter favorecido a construtora Odebrecht no que diz respeito a transformação da Medida Provisórioa 460 de 2009 em lei, pelo Congresso Nacional, para posterior sanção da Presidência da República. Isso beneficiara a construtora Odebrecht com a isenção de IPI ou compensação de IPI, Imposto sobre Produtos Industrializados, e todas as empresas que estivessem na mesma situação dela, representando assim uma grande perda para o Tesouro nacional. E uma das teses da acusação é que o ministro Palocci teria atuado em favor da aprovação disso no Congresso Nacional. Mas hoje acabamos de informar a autoridade policial que preside o inquérito que basta consultar o site da Câmara dos Deputados para verificar que o ministro Palocci era na época deputado e votou contra a aprovação desta Medida Provisória.
Portanto, contra os interesses da Odebrecht. Não tem o menor sentido a acusação que ele teria favorecido a Odebrecht pela aprovação dessa Medida quando ele votou contra a aprovação. Mais ainda, como ele votou contra e perdeu, porque as grandes empresas conseguiam aprovar isso no Congresso Nacional, ele foi ao presidente da República como deputado e pediu o veto ao texto pelo presidente da República. E o presidente atendeu o pedido de Palocci e vetou a aprovação que tinha sido acolhida pelo Congresso Nacional, Câmara e Senado. Ficou provado definitivamente que ele não atuou em favor dos interesses da Odebrecht, posto que ele votou contra os interesses da Odebrecht. Não houve nenhuma compensação, nenhum outro projeto, nenhuma forma de compensar isso; Esta acusação desmoronou. Palocci não é ‘italiano’. Descobrimos um email em que Marcelo Odebrecht disse “estive com a Itália, ela saiu da reunião, demorou uns 15 minutos e voltou para a reunião’. Ora, Palocci não pode ser ela. Palocci é ele. De modo que, ‘italiano’ ou ‘Itália’ não é sequer uma pessoa do sexo masculino.
Quem falou ‘ela saiu e ela voltou’ não é a defesa, é Marcelo Odebrecht, por escrito neste email. Outra acusação que desmoronou.
Como ministro da Fazenda, o ocupante do cargo tem o dever de fazer contatos permanentes com os setores produtivos do País para discutir a cadeia pública de desenvolvimento da produtividade.
Daqui a pouco vai ser proibido ministro atender pessoas, fazer encontros no seu gabinete. Precisamos parar com esse clima de caça às bruxas, senão a nossa democracia vai ficar comprometida.”
Questionado se Palocci confirmou que tinha relacionamentos com Marcelo Odebrecht, Batochio respondeu: “Com Odebrecht e com a torcida do Corinthians e do Brasil. Porque ele falava com todo o empresariado, nacional e estrangeiro, como era da sua obrigação como ministro.”
Sobre os R$ 128 milhões que a PF diz ter sido repassados a Palocci pela Odebrecht, o criminalista afirmou que seu cliente desconhece absolutamente. “Isso aí, esses R$ 128 milhões, são atribuídos a uma gestão de administração dessa ‘Itália’. Como Palocci não é mulher, nem é ‘Itália’, ele desconhece esses R$ 128 milhões, Tem que perguntar para a ‘Itália’. É um caso curioso, vai para as crônicas dos tribunais. Nós temos aí um apelido em busca de um personagem.”

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