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A Globo, a Record e os chineses. Em Cabo Verde

05 de abril de 2010 às 18h37

por Luiz Carlos Azenha

Escrevo de Mindelo, a agradável cidade da ilha de São Vicente, uma das que formam Cabo Verde. Aproveito as férias na TV Record para acompanhar uma das equipes da revista Nova África, que segue daqui para São Tomé e Príncipe.

(Se você perdeu este capítulo, sou diretor editorial do programa, função que desempenho na condição de assalariado da Baboon Filmes — produtora paulista dos empresários Henry Ajl e Markus Bruno que ganhou uma concorrência pública competindo com empresas de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Brasília).

Estivemos em regiões remotas do país, que fica no meio do oceano Atlântico, entre a costa do Brasil e a África. Aqui teve início o processo de miscigenação entre europeus e africanos que resultou no tipo humano que é comum a Cabo Verde e ao Nordeste brasileiro. Mas isso fica para ser contado no programa.

Achei curioso que na lanhouse que uso neste momento a TV está ligada… na TV Record. Pelo que ouço (não consigo ver, só ouvir a TV), trata-se de um programa de João Cleber, em que ele apresenta pegadinhas e dá um prêmio de 500 euros aos telespectadores. Mais cedo, acompanhei a disputa entre os usuários da lanhouse pelo controle remoto: alguns queriam ver futebol europeu e outros a novela Paraíso Tropical, da Globo.

Em Cabo Verde a população fala crioulo (95% português, 5% palavras de idiomas africanos). O português como falamos no Brasil é coisa dos letrados.

A chegada do Brasil a Cabo Verde é razoavelmente recente: se aprofundou com a disseminação das antenas parabólicas e com o acesso à energia elétrica (grande parte dos moradores do país ainda não tem acesso à água, luz ou rede de saneamento básico).

Mais cedo, em um supermercado, o sistema de som reproduzia uma rádio local que tocou Roberto Carlos e, em seguida, Leandro e Leonardo. Mais cedo, em um café, ouvi uma guarânia cantada por uma dupla brasileira que não consegui identificar.

Na porta do supermercado, um grupo de imigrantes asiáticos, com os quais não consegui me comunicar, se agachou para fazer uma refeição rápida com o que acabara de comprar.

O comércio, quase todo, é dominado por chineses. Eles chegam com suas mercadorias baratas e, apesar do ressentimento de alguns, são saudados pelos caboverdianos pobres, que agora podem calçar toda a família e comprar os uniformes escolares.

Meu ponto é que aqui, em Cabo Verde, vejo imagens que já vi em outros países da África: nos espaços deixados vagos pelos Estados Unidos e a União Europeia, vão se construindo alianças formais e informais entre os “pobres”. Aqui, só dá Brasil e China.

Três caboverdianos estão neste momento bem diante da TV, hiptonizados pelo conteúdo inventado aí no Brasil. Isso não é necessariamente bom para eles. Pode ser comercial e culturamente interessante para nós.

Curiosamente, no dia anterior fiz uma viagem com um jornalista americano, de uma influente editora de Nova York. Como alguns de vocês sabem, vivi quase 20 anos nos Estados Unidos. Mas foi a primeira vez que constatei in loco o “deslocamento” cultural de um americano: um discurso repleto de clichês e uma imensa dificuldade de compreensão das mudanças à nossa volta.

Ele queria ver “a América” em Cabo Verde, talvez para se sentir reconhecido. Viu os chineses. E a TV brasileira.

Este adendo foi escrito no dia 15 de abril, depois que completei a viagem, a partir de comentaristas que educadamente se dirigiram ao site: Desculpem minha ignorância. Admito que sou ignorante a respeito de muitos assuntos. Mas estou sempre pronto a aprender. Sempre! Os quatro programas que gravamos em Cabo Verde (e que vão ao ar na TV Brasil) serão uma celebração da diversidade, da miscigenação e da incrível capacidade dos caboverdianos de terem feito tudo o que fizeram apesar da água não ser abundante no país. Gravamos nas praças conectadas, mostramos o incrível programa de acompanhamento da epidemia de dengue em tempo real, entrevistamos o Bana em Lisboa, a Cesária em Mindelo e escalamos o vulcão do Fogo. Ouvimos médicos, músicos, historiadores. Minha referência ao crioulo (que, como me ensinou a Cecília, é um nome considerado pejorativo em relação ao idioma, embora seja de uso corrente) diz respeito ao fato de que o português não é falado em Cabo Verde como é falado no Brasil, o que pode parecer óbvio aos caboverdianos mas não é óbvio para os brasileiros, que se surpreendem ao descobrir que nem todos os moradores de Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique e outros países lusófonos dominam o português. Não há demérito nisso.  Pelo contrário, acredito ser simbólico da resistência e da força dos povos locais, que souberam preservar ou construir suas próprias identidades. Não confundo iletrado com inculto, nem “falar português” com sabedoria. Quanto ao dado de que 95% das palavras são originárias do português e 5% têm outras origens me foi passada por um caboverdiano, aparentemente tão mal informado quanto eu a respeito. Mas a ignorância, essa é toda minha!

Acompanhem abaixo um pequeno trecho de nossa gravação com Cesária Évora, em Mindelo:

 

111 Comentários escrever comentário »

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Flavio Santos

10/08/2012 - 09h13

O cabo-verdiano tem a mania de tirar a fotografia do nosso país do patamar a onde estão sentados. Pelo que eu li do artigo, salvo em relação ao crioulo, foi um retrato bastante fiel deste nosso Cabo Verde. É verdade que as ruas perdem vida durante o tempo em que passam as novelas, e verdade que se ouve música brasileira e pouco mais, infelizmente o melhor da vossa música não chega aqui, ou pelo menos não desperta interesse. As bandas brasileiras que são trazidas para Cabo Verde para os festivais de verão, são pura e simples musica “pimba”, só eu sei o quanto eu gostava ver aqui uma Vanessa Damata, ou Djavan.
Gostava de ver a sua fotografia das nossas ilhas, quem sabe não as retrate de modo mais fiel e verdadeira?

Responder

Adelino

24/06/2012 - 14h01

Cara Sheila Barbosa,

se eu estivesse a usar um chapéu neste momento, tiraria-o por causa do teu comentário.
Bastante inteligente como abordas o ocorrido com factos concretos quer favoráveis quer desfavoráveis à nossa terra querida, CABO VERDE.

Também fiquei indignado com a matéria publicada pelo Luiz Carlos Azenha, não tanto pelo conteúdo mas pela forma com o faz e acredito que as desculpas pedidas pelo sucedido são sinceras e eu, na qualidade de caboverdeano, aceito-as.

Aceito-as, porque todos nós erramos e temos esse direito.

Agora dizer que foi por ignorância isso soa batante estranho.

Não conheço o Luiz Carlos Azenha mas acredito que seja um profissional suficientemente experiente para se deixar levar pela falta de informação,como o própio alega. Se calhar ignorância de que as pessoas tenham a capacidade de aceder à tal matéria e/ou capacidade de perceber o desreipeito pelas palavras proferidas.

Isto não afecta a minha admiração por brasil, pela sua cultura e pela sua gente e muito menos o meu sonho de um dia lá ir.

Pena é, existirem pessoas que não percebem o porquê das coisas.
Desvalorizo mentalidade das pessoas do tipo Marat, Midionauta, @coinho, entre outros, não só no ambito desta materia, pessoas essas que só vêm beleza de forma taxativa com vem nos dicionários.
Até parece que na lua ou em marte não existe beleza, pois, o google não mostra as mesmas paisagens que existem no brasil, londres, paris, etc ou que o homem das cavernas não tinham noção do belo.

Existem até pessoas que acham que uma determinada musica é bela porque é pop americana, enfim. Não conseguem gostar de morna, blues, jazz, bossa nova, fado etc.

Votos sinceros de bom trabalho ao Luiz Carlos Azenha.

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paula

22/04/2010 - 18h08

um país onde a capital passa 72h sem eletricidade, onde todos os engenheiros da electra são só basafões, mas para resolver questões nada de nada…um capital com mais d 2 semanas sem água..um país com poucos intelectuais, temos aqui só basafões (aqueles que se acham esperto)..jornalista que não saem da emissora mas dá noticia que dado em outros canais (uma irritação ver repetição) …um povo sem criatividade..aqui todo o mundo quer ter carrão, mansão, mas participar de um programa social nem pensar, só pense nele mesmo…e mais e mais…para mim cabo verde só é bom pq ainda nos resta um pouco de paz, porque até isso cidade da praia transformou cabo verde num afeguenistão…falei pronto…sr. azenha não responde mais e deixa o caboverdeano

Responder

Dinha

22/04/2010 - 16h53

Realmente as suas palavras não foram lá muito agradáveis e não sei se conhece bem a personalidade do cabo-verdiano, mas nós adoramos a nossa terrinha mesmo assim, mas penso que foi pura falta de informação…e de pesquisa também. Mas importante é saber reconhecer que errou, isso faz com que eu, sendo cabo-verdiana, o admire pois nem todos são assim. Adoraria ver o programa!

Responder

Sheila Barbosa

21/04/2010 - 17h29

"o português do Br é coisa de letrados".Grande mentira. Para já em Cabo Verde nem se fala português do Brasil. No Brasil nem os letrados falam português do Brasil direito. Um "letrado" que abre a boca para jogar lixos tais como "vou comprar farinha pra MIM fazer 1bolo", " ele me ligou e falou que não vai VIM", "o meu PIssicólogo…" e outras coisas do mesmo grau de horror, é porque passou anos perdendo tempo no ensino médio.
Faça a experiência de propôr um diálogo entre um estudante que terminou o ensino médio público de CV e um inglês ou francês e um estudante que terminou o ensino médio público brasileiro e um inglês ou um francês…não farei pré-julgamentos…apenas faça a experiência e decida quem é letrado e quem é iletrado.

Um país onde se cria a ilusão de criar cotas para os coitados do negros poderem ingressar numa Universidade pública, em vez de deixar de tapar o sol com a peneira e consertar o erro na raíz (que é o ensino médio), pois se o ensino médio fosse igual para todos, os negros deixariam de ser coitados e teriam a mesma capacidade que os brancos de ingressar na Universidade pública.

Realmente muitos moradores (e não a maioria!!!) não têm acesso à luz, à água e a condições básicas de saneamento. Mas qual o espanto?? O Brasil com certeza não tem pobres, não tem zonas esquecidas, não tem criminalidade, e nem por sombra de dúvidas tem corrupção.Essa deve ser a verdade dum brasileiro que vê a situação de Cabo Verde e fica muito indignado.

O Caboverdiano aprecia muito a música brasileira. Disso não há dúvida. Porém aprecia também a sua própria música e a de outros países. No Brasil, por exemplo no nordeste, só se ouve forró 26hs por dia e 8dias por semana e quando alguém fala dum artista estrangeiro, por mais famoso que este seja no resto do mundo, o nordestino poẽ aquela cara de ponto de interrogação e continua escutando o seu forró. Quer dizer, só conhece aquilo na vida e tem a mente tão fechada para o resto do mundo que quer morrer escutando o mesmo. Atenção!! Não estou falando dos forrós antigos pois esses são bons, estou falando das mediocridades que há hoje em dia, dos forrós que têm letras para maiores de 30 anos.

Enfim, não sou hipócrita para fazer vista grossa às imensas falhas existentes no meu país. Mas também não entendo como é que uma pessoa vinda dum país como o Brasil(em termos de mentalidade tão terceiro mundo como Cabo Verde), que o mundo inteiro sabe que assim como tem coisas maravilhosas também tem coisas que deixam qualquer 1indignado, venha apontar os defeitos de Cabo Verde, 1país que só tem 35anos de independência, que não caminha sozinho(sem ajudas externas) mas que, em comparação com outros países da África vai muito bem obrigado!

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    21/04/2010 - 18h10

    Cara Sheila, obrigado por sua contribuição. Trato diariamente dos problemas do Brasil em meu próprio blog. Sugiro a você que assista ao programa em que falamos das tecnologias de informação em Cabo Verde. abs

    Leider_Lincoln

    21/04/2010 - 21h38

    Quando falam mal de meu estado de Goiás, a minha reação assemelha-se com a sua!
    Si us ôtro falá már du meu istádu di Goiáis, eu taméim fico brábu bissurdo!

    Fernanda

    03/05/2010 - 08h57

    Olha Sheila Barbosa, muitos parabéns, por este "trecho", pequenino, mas onde se encontra toda a defesa de Cabo verde. Tomara todo mundo fosse feliz como nós somos, porque aceitamos a nossa condição de vida. Vivo em portugal, e realmente o negro não se destaca porque esse ráio de poder dos que se julgam LETRADOS não os deixam adiantar. Mas uma coisa posso te garantir, que aqueles nossos alunos que cá chegam e são vistas de lado, depois de algum tempo são procurados pelos LETRADOS para tirarem dúvidas das aulas dadas.Tenho um exemplo que posso confirmar:Uma aluna que chegou de São Nicolau, nunca tinha tido um computador, ao entrar na universidade, era vista como inferior, ninguém falava com ela , por ser pobre. Ainda faziam caretas que ela nem uma pasta sabia abrir.

    Fernanda

    03/05/2010 - 08h58

    Realmente, Deus a ajudou, se tornou na melhor aluna daquela UNI. Por fim, ao verem as notas dela, já assim sim, se tornou gente. Nos fins de semana tinha alunas colegas dela para ela as ensinar. Acabou a licênciatura, e esta prestes a entrar para UNI, onde irá fazer uma pós graduação. E sem dúvida, essa é a nossa safa, sermos bons de coração, acolhedores, amigos desses coitados que pensam ter o rei na barriga. A minha filha também passou por algumas dificuldades, uma psicóloga da secundária, disse abertamente "a uma aluna do 11º ano" que ela não ia a lado nenhum. Neste momento está a fazer medicina. Conheci uma cabo verdeana que fez medicina no Brasil, ela veio para portugal fazer as equivalências e foi a mais classificada. Pois de inteligencia o caboverdeano tem de sobra. Só falta recursos e oportunidades.Estamos aqui neste mundo para nos ajudarmos uns aos outros, somos UNO. Fernanda

    REGINALDO BATISTA

    12/09/2011 - 16h26

    SHEILA EU SOU BRASILEIRO E TENHO UM VERDADEIRO FASCINHO POR SEU PAÍS A OPINIÃO DESDE PSEUDO JORNALISTA NÃO REFLETE A OPINIÃO DE NOSSO POVO.. PEÇO DESCULPAS POR A ATITUDE DE UM IDIOTA… SEU PAÍS É FANTÁTICO

    Ademir

    28/12/2014 - 18h10

    Meu caro vc esta equivocado quando afimou que no nordeste se ouve forró 26 h por dia 8 dias por semana. Na Bahia meu estado não se ouve forro fora do São João, aqui se ouve de tudo axé, arrocha, mpb rock menos forro, no maranhão o que mais se ouve por lá é Reagger então não venha me dizer que o nordeste só se ouve forró. Estudo pesquise mais.

Helder Sousa

17/04/2010 - 19h03

Sr. Azenha, tem uma certa razão, Cabo Verde não deixa de ser um país pobre, completamente dependente de ofertas e migalhas da Europa, BRASIL, EUA e milhares de emigrantes como eu, que deposito divisas todos os meses. CV não tem enquadramento internacional, é como uma zebra não sabe se é Atlântico, Europa ou África . O Sr. disse alguma mentira? NÃO. Temos uma capital que não tem luz eléctrica 3* por semana, e maior parte do país vive na pobreza, não produz absolutamente nada e ainda por cima tem manias de grandeza, e quando alguém chama atenção a isso aparece um bando de falsos e energúmenos a ofender quem tem uma certa razão. Como CV que sou, honrado e orgulhoso, mas ciente das dificuldades que temos. Um bem-haja ao Sr.,serás sempre bem-vindo com a sua família, MORABEZA não faltará.

Responder

Vivianne

17/04/2010 - 00h42

Oh Azenha, vais passar a tua vida a explicar aos Caboverdianos a tua reportagem. Acho que já está mais do que esclarecido. Quem quiser entender que entenda, quem não quiser, que se lixe. Sou caboverdiana e quando li o teu trabalho fiquei chateadaas quando explicaste melhor passou o aborrecimento. Nós somos assim mesmo, sempre pensamos que eramos "um brasilim" como diz a música de Cesária, mas já vamos entendendo que não. Primeiro foi aquela "cozinheira" a dizer barbaridades e agora tu, mas como já te disse estou esclarecida e o meu povo também deveria estar. Bem haja, aguardo a matéria na TV

Responder

djo

16/04/2010 - 21h48

Eu gostaria saber quando e que o sr azenha vai passar a dita reportagem,e se é na tv record internacional?

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    16/04/2010 - 21h53

    Serão quatro programas. Portanto, em oito noites diferentes (o programa passa em dois dias e horários distintos. Vou informá-los através de um blog de Cabo Verde. E vou dar um link para que vcs todos vejam pela internet. Depois que forem ao ar, encaminharei cópias dos programas a amigos caboverdianos. Esperamos ver os programas na TV daí. abs e obrigado pelo interesse demonstrado.

Leila Bettencourt

16/04/2010 - 18h38

Sr. Azenha
Sou uma estudante de línguas cabo-verdiana, na Faculdade de Letras de Lisboa, e por isso sinto-me, não só na obrigação mas também no direito de esclarecer-lhe.
Como muitos o senhor cometeu um erro que muitos que não estudam línguas cometem, erro este que é ter o Crioulo como dialecto do Português, o que é o caso do vosso português brasileiro, e não como uma língua independente.
Permita-me esclarecer-lhe a diferença básica entre o Crioulo e o Português.
O Crioulo é uma língua independente do Português, mas que tem como a sua base o esta segunda.
Como o Sr. disse, e correctamente, ele é composto por 95% de palavras portuguesas.
Historicamente, como o Sr. deve saber, Cabo Verde foi colonizado pelos portugueses , que até então era totalmente deserto. Estes levavam os escravos de forma a posteriormente transportá-los para o Brasil, fazendo com que a única forma possível de comunicação entre as duas partes era conjugando as duas ou mais línguas, permitindo assim o entendimento das duas partes. Nascendo e evoluindo assim o Crioulo de Cabo Verde.
Embora o léxico passa ter base no Português, a morfologia, fonologia, fonética e até a sintaxe são diferentes do Português (de Portugal) e do vosso Português.
Permita-me elucidar-lhe com alguns exemplos como o Wolof, falado no Senegal que tem como base o Francês, Kriol é uma língua australiana que tem como base o Inglês, ou mesmo o Crioulo da Guine-Bissau que também tem como base o Português, mas deixe-me dizer-lhe que apesar das semelhança e eu percebo muito pouco, e mesmo o que percebo é com muito esforço.
Peço-lhe, encarecidamente, que se dirija a este site ,http://www.iltec.pt/divling/_pdfs/linguas_crioulo_cv.pdf.
Gostaria muito que retornasse este comentário , de forma a poder saber se há alguma outra coisa em que eu lhe possa esclarecer.
Meus cumprimentos e muito Atenciosamente

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    16/04/2010 - 19h25

    Cara Leila, obrigado pela forma delicada e esclarecedora com a qual você compartilhou o seu conhecimento. Embora este não seja o tema das reportagens que foram feitas em Cabo Verde, você iluminou o meu caminho. Como já frisei anteriormente, estou em educação permanente. Infelizmente, é numa circunstância negativa para mim que isso acontece. Mas, como dizia meu pai, se lhe dão um limão faça uma limonada! E, pelas vias tortas de quem demonstrou desconhecimento, vou aprendendo com a gentileza de pessoas como você e de todos os comentaristas que comparecem a este espaço para me ensinar. Mais uma demonstração da lhaneza, da camaradagem e do espírito iluminado dos caboverdianos,. Axé.

    Dorilda Tavares

    16/04/2010 - 20h35

    Muita humildade sua reconhecer a sua ignorancia, no que se refere ao assunto Cabo Verde. Respeito-o um pouco mais.Obrigada.

    Luiz Carlos Azenha

    16/04/2010 - 21h44

    Imagina, Dorilda! Quanto mais o tempo passa, mais profunda se torna minha ignorância sobre as coisas do mundo e do espírito.

    Ademir

    28/12/2014 - 18h20

    Sou brasileiro moro em Salvador capital do estado da Bahia cuja cidade é reconhecida como a maior cidade negra fora da África. Pela sua histórica de formação e ocupação, o criolo não é um obstáculo para uma integração muito maior entre o brasil pois acredito que sejamos países irmãos. Salvador tem cerca de 3 milhões de pessoas desta mais de 80% são afrodescendentes e que falam o português e nem por isso deixaram de cultuar sua ancestralidade sua cultura culinária musicalidade religiosidade. Ao meu ver o criolo é algo que dificulta um intercambio maior entre brasil e cabo verde. Eu sou apaixonado por cabo verde apesar de não conhecer mais espero em breve conhecer .

    Ademir

    28/12/2014 - 18h26

    Eu gostaria muito de uma aproximação muito maior de Brasil e Cabo verde pois acredito que seria como juntar dois irmos que por muitos anos viveram separados, e o fator da língua é algo ao meu ver muito importante porque temos cultura tao próximas e falamos diferente? Eu acredito que não é legal para o turismo uma vez que nem todo mundo fala o português, e a grande vocação de cabo verde é o turismo e ao meu ver o ideal pra cabo verde seria o português como língua oficial e falada por todos e o inglês como segunda língua, uma vez a principal vocação da ilha é o turismo.

Costa

16/04/2010 - 19h07

Caro Azenha,
Por falta de rigor e cuidado, abordou um assunto muito sensível, sem aprofundar o seu conhecimento, uma vez que a identidade de um povo é uma questão muito séria, “Crioulo” não é uma simples língua falada em Cabo Verde mas sim por todos os Cabo-verdianos em qualquer parte do mundo.
Crioulo actualmente é conhecido em vários países onde se encontram as comunidades cabo-verdiana, como por exemplo em Portugal, grande parte dos portugueses entendem e tentam falar crioulo e uma das línguas de atendimento no serviço Estrangeiros e Fronteiras (SEF) é o Crioulo.

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    17/04/2010 - 00h18

    Caro Costa, sou inimigo da pequenez humana, por isso admiro a grandeza de quem, como você, se dispõe a ensinar. abs

Karine

16/04/2010 - 16h26

deve ser então a sua forma de expressar que não foi bem entendido, porque realmente falou umas coisas que não soam bem. teve aqui um erro na transmisão e recepção da mesnsagem.

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    16/04/2010 - 19h01

    Karine, eu não fujo à responsabilidade pelos erros que cometo. Desde cedo aprendi que, no Jornalismo, se você não se faz entender a culpa não é de quem lê, mas de quem não soube se expressar com clareza. Mas, como já escrevi, vivendo e aprendendo. abs

    Karine

    17/04/2010 - 13h50

    é isso mesmo Luiz..gostei da sua posição.
    bjs e sucesso na sua carreira.

Amilcar Aristides

16/04/2010 - 16h01

Caro, discordei de sí mas agora vendo as reacções e as resposta, confesso que estou admirando a sua atitude e terei mt gosto em ver o trabalho final. um abraço de cabo verde!

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    16/04/2010 - 19h08

    Caro Amilcar, obrigado por demonstrar paciência com o meu desconhecimento. Espero que vc tenha mesmo a oportunidade de ver o trabalho final, que é muito mais abrangente e aprofundado do que um simples post na internet. Trabalharei exaustivamente para promover, no Brasil, a imagem com a qual saímos de Cabo Verde: como se diz no Nordeste brasileiro, um país porreta de bom! abs

V.I.P

16/04/2010 - 15h55

Se o conhecimento pode criar problemas, não é através da ignorância que podemos solucioná-los.

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    16/04/2010 - 19h02

    Concordo, é através do diálogo e da construção de pontes com o distinto. Estou a construí-las. abs

E Rocha

16/04/2010 - 15h28

O caboverdeano não vivem de fantasias. TRABALHAM PARA SE DIGNIFICAREM, AQUI, ALI E ACOLÁ. A nossa sabedoria, os valores universais constituem o nosso ser. O CABOVERDEANO CONHECE E TEM CONSCIENCIA DAS FANTASIAS DAS NOVELAS, mas tambem ATRAVES DA RECORD, CONHECERAM O CONTRASTE ENTRE A as novelas e a REALIDADE BRASILEIRA. INVESTIGUEM, mas não precipitem; pauta pela vericidade. A consciencia do investigador está na verdade e seriedade sobretudo humildade. A nossa hioria como pais é recente mas as nossas virtudes é muito antiga. O sucesso como estado ORGANIZADO, culto pela capacidade, pacividade, harmonia, enfim… a cultura deste povo é de elite: somos capazes – resolvemos problemas que em muitos paises parecem coisas de outro mundo: paz, tolerancia, …
Alem de observar é muito mais do que Conhecer.
ER

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    16/04/2010 - 19h16

    Caro Rocha, o que mais me admirou foi a capacidade de superação. abs

A.Rocha

16/04/2010 - 14h27

Senhor Azenha para procurar pobreza e miséria nao precisa sair do Brasil.

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    16/04/2010 - 14h51

    Caro senhor Rocha, o sr. ficará surpreso com as riquezas de Cabo Verde que mostraremos na televisão. Faço questão de disseminar os programas em Cabo Verde, para que vcs vejam. abs.

    Lena Modesto

    16/04/2010 - 15h08

    Se mostrou tanta riqueza na TV porquê do artigo? Por acaso pensou que os caboverdianos não teriam acesso?

    Luiz Carlos Azenha

    16/04/2010 - 15h20

    Lena, acho que vc não entendeu. O post foi uma breve fotografia. Incompleta e, pelo que me alertaram, incorreta. Os programas na TV ainda não foram ao ar, são uma fotografia muito mais completa e vamos fazer de tudo para disseminá-los em Cabo Verde. abs

caboverdiano

16/04/2010 - 13h30

MEUS PARABÉNS PELO INTERESSE EM CONHCER CABO VERDE. ACREDITO QUE NÃO FEZ COM MÁS INTENÇÕES E PEÇO-LHE DESCULPAS PARA DIZER-LHE QUE DEVIA PESQUISAR MELHOR ANTES DE FAZER ESTA AFIRMAÇÃO QUE NÃO É NÃO FOI MUITO FELIZ: "Em Cabo Verde a população fala crioulo (95% português, 5% palavras de idiomas africanos). O português como falamos no Brasil é coisa dos letrados."
EU NÃO ACREDITO QUE ESTA PERCENTAGEM ESTEJA CERTA PORQUE A LÍNGUA UTILIZADA PARA SE COMUNICAR CONTAR ESTORIAS, ANEDOTAS, LANÇAR ADVINHAS E MAIS AS NOSSAS MÚSICAS ESTÃO NA SUA MAIORIA EM CRIUOLO, E É ESTA A LINGUA MÃE ONDE TODOS SE EXPRESSAM… ENFIM! AGORA PERGUNTO-LHE QUAIS IDIOMAS AFRICANOS? ONDE FICAO CRIUOLO?

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    17/04/2010 - 00h19

    E assim, meu caro, vou aprendendo. Graças a gente como você. abs

John Pinkerton

16/04/2010 - 13h21

Dear Azenha. How can you talk about a nice country, like this? I'm sorry but i don't agree with you, i know CV very well, the things you wrote are far from the reality. You are in the time to say something lovely to that people and they special country. Because, with that you wrote, you made a bad service to your people and their people.

Regards.
John

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    16/04/2010 - 13h55

    Caro John, quando os caboverdianos assistirem às quatro grandes reportagens que fizemos sobre o país, com certeza mudarão de ideia. Aguardem!

Milanka Vera-Cruz

16/04/2010 - 12h45

Sr. Azenha foi de uma grande infelicidade( passo a expressão) este seu artigo, aliás como tem sido em quase todas as matérias feitas por jornalistas estrangeiros, voçês têm falhado na recolha e tratamento das informações sobre Cabo Verde!
Sou caboverdiana, actriz de teatro, e estive o ano passado no Brasil, a participar em festivas de teatro, no Rio de Janeiro-Festlip e em Teresina-Festluso, e o que pude constatar é que há muita falta de conhecimento do mundo global por parte de algumas pessoas no Brasil, como por ex pensarem que a Africa é um país e não um continente, e sequer saberem da existência de Cabo Verde, isto no âmbito de festivais de língua portuguesa!
Quando o Sr. diz que "a chegada do Brasil a Cabo Verde é razolavemnte recente", nada mais falso, é só informar-se sobre a nossa música, a nossa literatura, e constatar que há uma relação, que se confunde com a história dos dois países, afinal somos frutos da mesma história, o brasileiro tem -se preocupado muito pouco com as suas origens, e quando falamos crioulo, é uma das nossas maiores formas de afirmar a nossa identidade!
Infelizmente hoje em dia o que recebemos do Brasil a nível de TV, é lamentável, já tivemos, em outros tempos, a sorte de conhecer coisas melhores do Brasil, a nível de musica, literatura, etc,etc
Não vá cair no erro de escrever inverdades sobre Cabo Verde, nós exigimos o respeito, que conseguimos conquistar no mundo através da nossa identidade, da riqueza do nosso povo,das nossas capacidades, quer em território nacional quer no estrangeiro.
Queira informar-se melhor sobre o nosso país melhor, e venha refazer a sua matéria,mas venha mais e melhor informado, quanto mais não seja, defenda a sua profissão, que é informar, e bem!
O nosso cartão postal é a Morabeza, que significa o bem receber, venha sentir o cheiro, o sabor , a tranquilidade de um país de Morabeza, que embora com imensas dificuldades, conseguiu por mérito próprio conquistar o seu lugar no mundo com respeito e muito trabalho!
De Soncente( Mindelo) pa mundo!

Responder

José

16/04/2010 - 12h38

Muito obrigado, Caro Azenha! Volte sempre. Abraços de um caboverdiano.Juntos construiremos um mundo melhor.

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    16/04/2010 - 12h40

    Voltarei sempre!!! Levando da próxima vez minha família. abs

dgcv

16/04/2010 - 12h34

pena não chegaste a conhecer o meu lindo arquipelago, e para um jornalista ou viajante qualquer que seja parae estuda um pouco o sitio onde esta não é so a palavra esplicada duma só pessoa. agora esperimenta voltar a cabo verde o pais que sem nenhum recursos natural economicamente esta muito evoluido, vais ver como essa gente minha te recebe ainda melhor porque somos muitos carinhoso. O nosso crioulo é a lingua mais forte do mundo sendo que não deixamos de falar a nossa lingua nos paises onde estamos e as pessoas acabam por aprender em portugal a portugueses que falam crioulo como nativos , é uma lingua bunita, cheia de histora, também os que estão em cabo verde podem falar mal portugues mas gramaticamente correcto, é a falta de pratica porque so falamos na escola e nao praticamos fora da sala de aula. volta a cabo verde e faz um estudo melhor nunca mais irias esquecer essas 9 ilhas. continua um bom trabalho.

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Lisa

16/04/2010 - 12h27

Pois é, acredito que o homem não escreveu por mal, simplesmente não esperva ter encontrado o que encontrou, um povo amável, cheio de morabeza, um país "sabe pa p'afronta", ficou desorientado e agarrou na primeira informação e publicou sem se informar correctamente e sem se documentar. Vamos perdoa-lo

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    16/04/2010 - 12h31

    Lisa, foram breves (incompletas) observações de viagem. Todos nós voltamos entusiasmados com Cabo Verde e com a riqueza do material que será transmitido para todos os brasileiros. abs

Nelson de Pina

16/04/2010 - 11h04

Caro Azenha, com muito gosto tenho presenciado estes comentários, ao seu trabalho, felicito desde já por se unteressar pelo meu país. precisamos de observações críticas om o intuito de melhorarmos rumo ao tão desejado desenvolvimento economico essencialmente, somos rico culturalmente, seu erro se calhar foi, ter falado com um "iletrado passando por letrado", e genaralizado alguns aspectos, mas não se pode imitar a "Avestruge", temos carencias e se são visiveis porque criticar, se foi com essa intenção tudo bem, caso contrario, você perderia todo o bom trabalho que tem realizado, " a humildade é a have para o sucesso".

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    Luiz Carlos Azenha

    16/04/2010 - 12h19

    Nelson, eu nem diria que fiz "observações críticas". Fiz um relato de viagem baseado em breve experiência, apenas para dar aos meus leitores brasileiros um gostinho do que eles verão em quatro programas de TV, cada um com 26 minutos de duração. abs

Gi Varela

16/04/2010 - 10h37

Sr. Jornalista,para alguém que se diz viajado,quando chego num país diferente acredita logo no primeiro que aparecer fora do aeroporto.Para a próxima antes de escrever um artigo sobre um país(que visitou por algumas horas) deverá consultar estudiosos ou historiadores(até mesmo alguns iletrados)que sabem do que falam…
O crioulo é uma língua guerreira!!Lutou muito e contra muitos,mas por fim vai ter o lugar que merece…
Marque uma visita mais prolongada a Cabo Verde para ver bem o amor e a o apego dos caboverdeanos á lingua e á cultura,seja ela brasileira,portuguesa ou mesmo chinesa…Somos um povo mundano e inteligente.
Já visitei o seu país(Rio de Janeiro) e o melhor sítio para tomar o pequeno almoço era num chinês…E era muito bom!!Fiquei surpreendido(embora já sabia) com tamanha discriminação para com os negros,por parte de um povo com tanta mistura racial como o brasileiro…Cada país tem o seu Calcanhar de Aquiles…
Leia um pouco sobre a história dessa língua chamada crioulo caboverdeano:
A história do crioulo cabo-verdiano é difícil de traçar devido, primeiro, à falta de registos escritos desde a formação do crioulo, segundo, devido ao ostracismo a que o crioulo foi relegado durante a administração portuguesa.
Existem presentemente três teorias acerca da formação do crioulo cabo-verdiano:
1. A teoria eurogenética defende que o crioulo foi formado pelos colonizadores portugueses, numa simplificação da língua portuguesa de modo a torná-la acessível aos escravos africanos. É o ponto de vista de alguns autores como Prudent, Waldman, Chaudesenson, Lopes da Silva.

2. A teoria afrogenética defende que o crioulo foi formado pelos escravos africanos, aproveitando as gramáticas de línguas da África Ocidental, e substituindo o léxico africano pelo léxico português. É o ponto de vista de alguns autores como Adam, Quint.

3. A teoria neurogenética defende que o crioulo formou-se espontaneamente, não por escravos nascidos no continente, mas pela população nascida nas ilhas, aproveitando as estruturas gramaticais inatas com as quais todo o ser humano nasce. É o ponto de vista de alguns autores como Chomsky, Bickerton, que explicaria porquê que os crioulos localizados a quilómetros de distância apresentam estruturas gramaticais similares, mesmo sendo de base lexical diferente. O melhor que se pode dizer é que nenhuma dessas três teorias foi concludentemente provada.

Segundo A. Carreira, o crioulo cabo-verdiano ter-se-ia formado a partir de um pidgin de base lexical portuguesa, na ilha de Santiago, a partir do séc. XV. Esse pidgin seria depois transposto para a costa Ocidental da África através dos lançados. A partir daí, esse pidgin teria divergido em dois proto-crioulos, um que estaria na base de todos os crioulos de Cabo Verde, e outro que estaria na base do crioulo da Guiné-bissau.

Cruzando documentos referentes à colonização das ilhas com a comparação linguística é possível conjecturar algumas conclusões. A propagação do crioulo cabo-verdiano nas diversas ilhas foi feita em três fases:
Numa primeira fase foi colonizada a ilha de Santiago (2.ª metade do séc. XV), e em seguida a do Fogo (fins do séc. XVI).
Numa segunda fase foi colonizada a ilha de São Nicolau (sobretudo na 2.ª metade do séc. XVII), e em seguida a de Santo Antão (sobretudo na 2.ª metade do séc. XVII).
Numa terceira fase, foram colonizadas as restantes ilhas a partir de populações originárias das primeiras ilhas: Brava foi colonizada a partir de populações do Fogo (sobretudo no início do séc. XVIII), Boa Vista foi colonizada a partir de populações de São Nicolau e Santiago (sobretudo na 1.ª metade do séc. XVIII), Maio foi colonizada a partir de populações de Santiago e Boa Vista (sobretudo na 2.ª metade do séc. XVIII), São Vicente foi colonizada a partir de populações de Santo Antão e São Nicolau (sobretudo no séc. XIX), Sal foi colonizada a partir de populações de São Nicolau e Boa Vista (sobretudo no séc. XIX).
http://portoncv.gov.cv/portal/page?_pageid=118,18
http://pt.wikipedia.org/wiki/Crioulo_cabo-verdian

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Isménia

16/04/2010 - 10h32

bom vamos a uma pequena aula de Cabo Verde: a língua é o crioulo com s suas variantes e o dialeto da ilha de Santiago mas da Cidade da Praia é mais aproximada ao português sim mas começas a ir pra o interir já existem expressões que não irás ententer porque é mais profundo, não pq há uma resistência cultural ou iletrados, e em cada ilha, cada região tem o seu modo típico de falar; a gastronomia se repararmos tb tem misceginação: a cachupa que é o prato típico mais conhecida é feita á base do milho q na época da escravatura era a comida servida aos escravos para terem força e sustentabilidade para trabalharem na lavoura e nós herdamos isso…. meu caro acho que tens que vivenciar C.Verde para ter noção pq para saber só sendo um cabo-verdiano.

Responder

José Maria Veiga

16/04/2010 - 10h29

Caro Azenha.

A hospitalidade e o bom receber cabo-verdiano chama-se MORABEZA. é a simplicidade com que as pessoas recebem os que visitam estas ilhas, sem desconfiança, sem falsidades, o que permite ao visitante absorver com grande intensidade o essencial da nossa cultura, mas, parece-me inapropriado esse artigo de passagem a falar assim da nossa gente. seria necessário conhecer Santiago, Boa Vista, Sal, Fogo, Brava, Maio, São Nivolau, Santo Antão e São Vicente para poder ter uma impressão assim de cabo verde, porque cada ilha é uma realidade diferente, embora com uma grande base de ligação, sobretudo a língua, que nos une nas suas diversas variantes.

Cabo Verde não é um espaço deixado vago por EUA ou Europa, aqui é um espaço cabo-verdiano, único no mundo, conquistado pelos cabo-verdianos muito antes da independência.

Este espaço é tão cabo-verdiano que só o encontras onde há Cabo-verdianos, e podes procura-lo em Portugal , Estados Unidos, Brasil, França, pois, existem ilhas de Cabo Verde espalhados por este mundo fora, pessoas que sentem e amam a sua identidade.

venha conhecer Cabo Verde
Abraços

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    16/04/2010 - 12h09

    José Maria, eu diria que Cabo Verde construiu seu próprio mundo, distinto de qualquer outro: um povo hospitaleiro, um país com IDH médio, que fez grandes avanços e estabeleceu laços em todo o mundo. abs

Miguel

16/04/2010 - 09h46

Azenha, permito-me tecer comentários a propósito desse seu escrito, porque pude perceber, ao longo das suas reacções aos comentaristas que és um cara educado e humilde. Eu sou cabo-verdiano. Morei 5 anos no Brasil onde fiz os meus estudos superiores. Hoje vivo em Cabo Verde, e morro pelo meu País, assim como gosto do Brasil. Pude perceber (se estiver errado me corrija) que o seu artigo é um flash; um retrato estático de um momento identificado; um pensamento associado a um poster criado sem a técnica do desenho; uma aventura arriscada, que pode, ou não, dar certo; um cheirinho daquilo que pode ser Cabo Verde. Enfim, um olhar passageiro, de um turista preconceituoso (afinal, Cabo Verde é África e em relação a esse continente tudo é mau). O Canal mais visto não é a Record, mas a Televisão de Cabo Verde TCV (que é nacional); Ninguém vai ás compras para a cozinha, higiene limpeza nas lojas chinesas porque não exploram esse mercado, Adoramos as coisas boas do Brasil (músicas e novelas)

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    16/04/2010 - 12h21

    Sim, Miguel, há muito a dizer sobre Cabo Verde. Fiz observações parciais sobre o que vi, assim como vc jamais conhecerá o Brasil completamente. Nem eu. abs

Lyz Kabêl

16/04/2010 - 09h28

….2.. Eu nao percebo a reacçao leviana dos caboverdianos se ha neste momento precisamente uma guerra em CVerde sobre a oficializaçao do crioulo, com a esmagadora dos intelectuais contra, alegando que estar-se-ia a privilegiar com o isso o crioulo e consequemente o assassinio do português. E isto porque essas pessoas acham que o português é também nossa lingua. So que e aqui uma vez mais o articulista tem razao, dizia so que a lingua portuguesa é cada vez mais falada pessimamente em CVerde. O problema é que o articulista estava convencido que em CVerde se fala o português e ele nao sabia que temos uma primeira lingua que é o crioulo falada por todos os caboverdianos.

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    17/04/2010 - 00h23

    Quisera eu, como muitos caboverdianos, nascer bilingue! abs

Silene Delgado

16/04/2010 - 08h56

Bom dia S. Azenha!
Penso que escreveu o que escreveu baseado em impressões rápidas e sem nenhum tipo analise, o que tornou 80% do que disse falso e sem fundamento algum.
Sou caboverdiana mas vivo há 6 anos em Portugal. Aquilo que o Sr. descreve como sendo "chegada recente do Brasil a Cabo verde" é totalmente falso. Em criança ja via novelas brasileiras e aprendi a sambar com o carnaval do Brasil. Além disso não podia estar mais engando quanto as influências em termos de televisão, uma vez que elas não se resumem ao Brasil. O seu discurso leva as pessoas as pensarem que Cabo Verde é um pais miserável, de iletrados e que ainda as pessoas ficam "embasbacadas" a verem TV como se fosse uma coisa de outro mundo.

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    16/04/2010 - 19h43

    Cara Silene, eu me referia à chegada da TV via satélite, acessível à grande maioria. De qualquer forma, obrigado por me ilustrar! abs

Lyz Kabêl

16/04/2010 - 07h33

Tirando os preconceitos de branco paternalista o articulista tem razao sobre a origem do crioulo. Alias nao sao 95 por cento de origem portuguesa, mas segundo o sociologo e politico caboverdiano e estudioso do crioulo Mario Matos, sao 99 por cento! Consultar também o linguista francês e especialista de CVerde Nicolas Quint que diz que o crioulo caboverdiano tem uma pequena percentagem de palavras de origem africana. A esmagadora maioria dos intelectuais e especialistas do crioulo sabem que o nosso crioulo é de mais de 95 por cento de origem portuguesa e uma infima percentagem entre 5 e 1 por cento de origem africana. Portanto, o articulista tem razao nesse aspecto.

Responder

Felipe Torres

16/04/2010 - 01h32

Caro Azenha, sou um jornalista brasileiro e morei em Cabo Verde, na Cidade da Praia, durante cinco meses quando, há dois anos, trabalhei (e ainda trabalho como colaborador internacional) para o Jornal A Semana e asemanaonline.publ.cv, veículos de comunicação escrito e online de mais credibilidade e leitura do país. Acredito que os cabo-verdianos, ao lerem o seu texto, vão questionar muitos pontos que foram generalizados. O arquipélago é tão rico culturalmente que uma estadia a turismo não seria capaz de descrever essa miscigenação, que se diferencia nas nove ilhas habitadas (Santiago, Sal, Fogo, Santo Antão, Maio, São Vicente, São Nicolau, Boa Vista e Brava) e resulta nesta pluralidade social. Quanto a influência brasileira e chinesa, me parece que o senhor se valeu apenas das primeiras impressões para descrevê-la. Pela facilidade do idioma, por a Record ser um canal aberto no país e a Globo fechado os cabo-verdianos gostam muito dos nossos programas. Mas não só deles! e A TV portuguesa também é tem audiência relevante. E isso não exlclui a produção midiática deles… Quanto aos chineses, eles também estão por toda parte no Brasil e eu não ouso dizer que "aqui so dá China". Já o crioulo, que nem de longe é 95% português e 5% idiomas africanos, é o orgulho, a raiz e o apego de um povo que sofreu uma pesada colonização e ainda guarda marcas profundas deste período. O crioulo é falado entre os cidadãos como uma forma de resgaste de identidade. Eles se sentem bem falando crioulo, é o idioma de suas famílias, é a demonstração de paixão a terra deles. O português não é só para os letrados. Cabo Verde já conta com um sistema de ensino efetivo e todos os estudantes assistem aulas em português. Espero ter esclarecido alguns detalhes que podem ter deixado chateados muitos dos irmãos cabo-verdianos.
Obrigado e abraços
Felipe Torres, jornalista do Jornal Hoje Em Dia – Belo Horizonte

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    16/04/2010 - 05h06

    Letrados é neste sentido, Felipe, daqueles que vão à escola. Encontrei muitos caboverdianos que não falavam português bem. Não há nada de errado nisso. Eu é que deveria falar crioulo. Eu não pretendia escrever neste post um artigo profundo sobre Cabo Verde, mas apenas impressões de viagem. Aceito de bom grado todas as correções. abs

    Valdo Pereira

    16/04/2010 - 10h24

    Bom dia a todos.
    Engraçado é ver e reparar que apesar de 99% das palavras terem origem portuguesa, nenhum português e muito menos brasileiros conseguem entender crioulo nos primeiros 6 meses de vida em CV.
    O Filipe Torres é que disse bem, vir para CV como turista, não dá direito, tempo, e muito menos base suficientes para tecer comentários ao nível que foi feito neste post. O Azenha não pode remeter-se apenas ao que acontece numa rua da Capital do País, ou da cidade da segunda mais importante cidade do País. Naturalmente que iria ver o que viu, e que nem de perto nem de longe retrata o que o país é.

    Valdo Pereira

    16/04/2010 - 10h25

    Quanto à questão dos letrados e iletrados, é muito perigoso colocar as coisas nesses termos, já que a ideia que passa é que os iletrados são uma boa parte da população e que para além de não entenderem/falarem português, são para lá de incultos. Olha, muitos de facto (os mais idosos) podem não falar português fluentemente, mas entendem perfeitamente. Aliás entendem o portugês de Portugal e o do Brasil. No Brasil já não se pode dizer o mesmo. Cabo Verde, país independente há apenas 35 anos, repito 35 anos, tem um índice de alfabetismo entre os maiores de 15 anos, de 84% e entre os indivíduos de idade básica escolar ronda os 100%. Afinal quase todos os Cverdianos falam português, não?

    Valdo Pereira

    16/04/2010 - 10h26

    O Brasil é independente desde 1822 (188 anos) e a taxa de literacia entre os indivíduos maiores de 15 ano ronda os 90%, apenas 6% a mais que CV . E mesmo assim a quantidade de pessoas que falam o "bom portguês", é pouco expressiva. Os demais falam português por esta ser a lingua mãe. No nosso caso o português é uma espécie de complemento linguístico que temos de usar para uso oficial.
    Quanto às chinesices, Fortaleza está igual isto é, há chineses vendendo a muamba deles em tudo quanto é lugar. Lisboa "c'est la même chose", Luanda, etc. Qual o espanto? De facto, graças aos sintéticos, os menos favorecidos têm acesso muito mais facilitado a roupas, sapatos, electordomésticos, mobiliários. Ainda bem!
    Para a próxima, só pedimos um pouco mais de atenção ao vê e ao que publica. Tente também localizar os que sabem e estudaram CV para ter melhor base para escrever sobre 1 país. De qq forma "Seja bem-vindo a Cabo Verde".

    Alex Azevedo

    16/04/2010 - 13h11

    Caro Felipe, sou caboverdiano e actualmente estudo numa faculdade publica brasileira.
    Devo falar que gostei muito dos comentarios que fez e sei que foram feitas com conhecimento de causa pela sua experiencia vivida em Cabo Verde. O sr. Azenha nao foi o primeiro a fazer estes comentarios descabidos e sem qualquer conhecimento, recordo de uma jornalista brasileira que ano passado visitou Cabo Verde e fez varios comentarios acerca da nossa gastronomia que deixou praticamente o pais inteiro revoltado, comentarios esses tambem sem qualquer fundamento. Acho que estes jornalistas deviam ter mais cuidado ao publicarem algum artigo acerca de um pais por eles desconhecido.
    Abraços

Nelson

16/04/2010 - 02h35

Caro Azenha. Freqüento algumas vezes o teu blog e acho muito interessante as tuas matérias e a ênfase diferenciada da "grande mídia". Sou de Cabo Verde e estou no Brasil a 8 anos. Achei interessante a matéria sobre o meu país. Só de observar o equivoco que cometeste quando referiste a língua crioula. O Crioulo não é uma mistura de 95% português e 5% de idiomas africanos. Você ainda deixa transparecer que o crioulo seria um português mal falado. Pois bem, se você não quiser ser como os teus colegas de profissão americanos que desfilam todo o seu preconceito nas matérias que produzem, deferias saber que o crioulo deve ter a mesma idade que a história do Brasil desde que foi invadido pelos portugueses. Ela é fruto de uma mistura de várias línguas como o Português, Espanhol, Francês, Inglês e idiomas africanos. O nosso Crioulo (que quer dizer mistura) é de matriz portuguesa, dai a maior predominância de palavras parecidas com o Português. Vários outros países tem o Crioulo mas de matrizes diferentes como a espanhola, inglesa, francesa e holandesa como acontece com alguns países do Caribe. Cabo verde tem o Português como língua oficial e o crioulo como língua materna.

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    16/04/2010 - 02h43

    Não foi neste sentido, Nelson. Eu não tenho o dom da sabedoria infinita. Reproduzi a definição que me foi dada do idioma por um caboverdiano, pelo jeito tão mal informado quanto eu. Foi ele que me disse que 95% das palavras eram originárias do português e 5% de várias outras origens. Como isso não era àquela altura tema de nossa reportagem, foi o que registrei no blog. abs e obrigado por me ensinar.

    Vanira Lima

    16/04/2010 - 10h57

    Fica a saber que a maior parte dos Cabeverdianos fala bem o Português porque a taxa de analfabetismo é muito baixa na nossa terrinha. O governo dá ensino gratis por muito tempo para que as pessoas não fiquem sem estudar e a taxa de abandono escolar também é baixa. Além disso, apesar de não termos muitos recursos naturais, conseguimos ter um bom nível de desenvolvimento, elogiado todos os anos pela ONU, tal como a nossa democracia que é comparada às melhores do mundo. Aqui o povo tem mesmo o poder. Nada me orgulha mais do que ser “CRIOULA”. Amo-te Cabo Verde.

    Luiz Carlos Azenha

    17/04/2010 - 00h31

    Foi o que noite, Vanira: um país que avançou muito relativamente aos seus recursos naturais. Talvez eu esteja errado, mas acredito que isso se deva aos caboverdianos! abs

    Sofia Fonseca

    16/04/2010 - 12h12

    Permita-me expor a impressão que me ficou do seu artigo. Não vou tecer insultos porque respeito a sua opinião, mesmo não concordando.
    Sou cabo-verdiana, residente na Ilha de São Vicente e devo dizer-lhe que li indignada o seu artigo, carregado de um preconceito mesquinho sem nenhum propósito.
    A ideia que passou é que somos um povo miserável, não “letrados”, que vive a mercê da boa vontade do comércio chinês. Lamento por si, se não conseguiu ver a riqueza da nossa cultura, traduzida na música, na literatura, nas artes e principalmente na amabilidade para com os nossos irmãos lusófonos, sejam eles do continente Africano, Europeu ou Americano.
    O país possui fracos recursos, sim, mas os pontos negativos só nos servem para motivar a nossa luta pela melhoria, porque é para a frente que avançamos!! E temos orgulho em saber que todos os cabo-verdianos têm contribuído para isso.
    Acredito que o resultado do artigo tenha sido pelo curto espaço de tempo que passou no arquipélago. Contudo, permita-me dizer-lhe que a sua conclusão acabou por ser precipitada para um profissional da sua área. Lamento que na sua estadia em Cabo Verde só tenha ficado com essa impressão negativa. Convido-o a fazer uma investigação mais aprofundada da vivência do povo das ilhas.
    Um bom dia para si.

    Luiz Carlos Azenha

    17/04/2010 - 00h29

    Como aprendi em Cabo Verde! E continuo aprendendo com vocês, tão educados e solícitos, tentando me guiar pelos caminhos de vossa cultura. A impressão, contrariamente ao que você imagina, foi maravilhosa. Graças a Deus, está gravada nas fitas que trouxemos de volta. Obrigado pela sua opinião. abs

    Nelson

    17/04/2010 - 02h43

    Caro Luiz Carlos Azenha,
    Entendi o sentido da sua informação. Por mim está tudo tudo esclarecido. Mas em termos de aprendizagem eu devo ter muito mais a aprender do que ensinar. Principalmente de pessoas como você que tem uma consciência alargada sobre a realidade. Eu que agradeço o fato de ter disponibilizado a me responder e ter essa experiência de comunicação direta com o próprio Luiz Carlos Azenha. Que continua a nos presentear com excelentes reportagens e informações consistentes. Se antes era um freqüentador regular, agora vou me transformar num freqüentador assíduo.
    .
    Um abraço

Amilcar Aristides

13/04/2010 - 18h58

viajou legal para conhecer cabo verde mas n entendeu o criolo. Sabia que é bem mais antigo do que o brasileiro. Essa frase aí dos 95% pt tá totalmente equivocado. nada mais falso. Criolo é reconhecido como lingua que surge da miscegenação. Mas a base, a raíz é tão forte que ela se apropia de outras expressões sem perder identidade. Se quiser aprender tem que parar um pouco mais e falar com gente que sabe. ;)

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sergio amzalak

12/04/2010 - 23h23

Azenha, alem de um carinho enorme pelo Brasil, o povo caboverdiano tem muita esperança no Lula. Passei um mês lá gravando alguns filmes para o governo local e me impressionou o conhecimento que eles tem do governo Lula. Cabo erde é a entrada da África e ponto de chegada ao continente africano, a aproximação com o Brasil é bom para os dois lados. Na volta vários alunos de lá e guné vindo para Fortaleza para estudar. Ate do pré sal eles sabem e alimentam esperança de chegar ate lá. Hehehe. Aproveito pra mandar os endereços do youtube onde estão nossos filmes, caso queira divulagá-los. Obrigado e abs.
http://www.youtube.com/watch?v=irYZqvj5gG8 http://www.youtube.com/watch?v=zdCz5iAmIS4&fehttp://www.youtube.com/watch?v=ffpzhFK8H54&fehttp://www.youtube.com/watch?v=ovnAnGzId0Y&fehttp://www.youtube.com/watch?v=QVYlxotY1sU&fe

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Fernando Barbosa

07/04/2010 - 11h08

Caro Azenha, também tive recentemente uma experiência em um país da África Lusófona, Angola. Ali também a presença sino-brasileira é fortíssima e se vê, sobretudo, na indústria de base do país, construção civil e petróleo. E, como Angola é um país que dentre em breve ultrapassará o Kwait em número de barris de petróleo extraído e, ao mesmo tempo, um grande canteiro de obras, pode-se imaginar o tamanho da presença desses dois países. A China, nesse momento, é o maior investidor em Angola, muito embora não se tenha completa clareza do tamanho desses investimentos estima-se que seja da prdem das dezenhas de bilhões de dólares, o Brasil vem em segundo lugar. Tudo isso para dizer que eu seria mais cauteloso ao dizer "alianças formais e informais entre os “pobres”. Como em outros 49 países da África, a China exerce um controle muito forte sobre as proincipais fontes das economias nacionais, sobretudo o petróleo, mas, não somente. No caso do Sudão, de onde também acabei de retornar, comenta-se que, ao menos, 80% dos recursos advindos do petróleo sejam controlados pelos chineses. Voltando ao exemplo de Angola, ano passado na província do Namibe (ao sul), na primeira conferência da sociedade civil local a grande temática foi a presença chinesa. As grandes obras de infra-estruturas são controladas por eles, sobretudo as estradas. Percorre-se dezenas de quilômetros sem que se veja um único trabalhador angolano, todos chineses. Não seria leviano se afirmasse que são, em sua maioria trabalhadores reduzidos à condição de semi-escravidão (ganham pouquíssimo e só recebem quando voltam à China, sabe-se lá em que condições) ou apenados, que cumprem pena em regime de trabalhos forçados. No Sudão, no grande mercado de Omdurman, maior cidade do país, as bancas onde antes se viam os produtos locais, sobretudo tecidos, está invadido pelo sintético chinês. Mais do que aliança, essa prática me cheira a imperialista.

Responder

francisco.latorre

06/04/2010 - 20h21

.crônica global.

povo já decodificou globo.

2003, início de governo, antes de começar o ataque a lula, antes que gushiken cortasse a grana.

boteco, av. santo amaro…

globo mansa na tela..

popular: – querem derrubar o presidente..

(…): – que é isso, todo mundo vai ganhar dinheiro… praquê…

popular: – a globo quer derrubar o lula.

2008, av. santo amaro.

entrevista de rua… povo-fala…

repórter: – o que acha de… sobre…

povofala: – blá, etc…

repórter: – obrigado, etc….

povofala, falando: – é da record?.

.

Responder

flora

06/04/2010 - 21h42

Parece que o tiro saiu pela culatra, e é bem feito. A revista Nova Africa conseguiu divulgação grátis na primeira página do Globo, quem foi lá dentro ler a matéria ávido por denúncias viu que não havia nenhum escândalo, pois a própria matéria explica tudo e desmente a má fé da chamada. O jornal é que fica mal e mesmo que a tiragem não seja lá essas coisas, pode contribuir para que algum desavisado vá à TV Brasil conferir – não vai se decepcionar, a série é excelente.

Responder

Gunther Furtado

06/04/2010 - 16h56

A semelhança que, aqui de longe, me chama mais atenção é a da música (Cesárea Évora) com os sambas paulistanos em tom menor do Adoniran…

Responder

PEDROSO

06/04/2010 - 13h57

NA DÉCADA DE 80 QDO ESTAVA NA UNIVERSIDADE DIVIDI QUARTO, NA CASA DE ESTUDANTE LUTERANA, CELU, EM CURITIBA, COM UM CABO-VERDIANO, QUE CURSAVA ARQUITETURA CHAMADO EUCLIDES VILELA . SOBRE O CRIOULO FALADO EM CABO VERDE, É MTO DIFÍCIL , PARA NÓS BRASILEIROS, ENTERDERMOS O CONTEXTO DO QUE FALAM. MAS TRATA-SE DE UMA GENTE MTO PRÓXIMA TANTO FÍSICA COMO CULTURALMENTE DO NOSSO POVO. SÃO ALEGRES, MUITO AMIGOS E MUITO DEDICADOS NAQUILO QUE FAZEM . QUE BOM QUE O AZENHA ESTÁ, COM A SÉRIE NOVA AFRICA, RESGATANDO UMA IMPORTANTÍSSIMA ETAPA DE NOSSA IDENTIDADE CULTURAL . TEMOS UMA LIGAÇÃO UMBILICAL COM A ÁFRICA E NECESSITAMOS ESTREITAR OS LAÇOS COM A NOSSA MAMA ÁFRICA. AZENHA, PARECE QUE VOCÊ ESTÁ INCOMODANDO AOS PODEROSOS, MAS ESTAMOS AO TEU LADO , NÃO SOMENTE EU, MAS A MAIORIA DO POVO BRASILEIRO QUE TEM SUAS RAÍZES AFRICANAS. NOSSO MUITO OBRIGADO.

Responder

    Conceição Lemes

    06/04/2010 - 11h06

    Pedroso, prefirimos que os comentários em letras minúsculas; só em maiúsculas dificulta a leitura. Abs

Piá

06/04/2010 - 13h15

Azenha
Alguma notícia sobre a próxima conferência (décima?) da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, CPLP?

Responder

Heloisa Villela

06/04/2010 - 12h28

Esses americanos… Aqui em Ciudad Juárez, fronteira do México com os Estados Unidos, trabalhei 3 dias com um produtor local, mexicano. Depois que ele relaxou e ganhou confiança, me disse porque é tão difícil trabalhar com os gringos: "tenho que explicar 3, 4, 5 vezes o que está acontecendo aqui e depois de repetir milhões de vezes, eles me perguntam tudo outra vez. Fica claro que não entenderam nada. Me deixam exausto! Com vocês (brasileiros) basta falar uma ou duas palavras". Pudera… Tráfico de drogas, grupos de extermínio, tortura, chacina, grupos pára-militares. Basta falar uma ou duas palavras…

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O Brasileiro

06/04/2010 - 07h46

Acho que apesar das transformações sociais da humanidade nos últimos séculos, o que permanece é a lentamente mutável natureza humana, cujas necessidades continuam sendo alimentação e habitação. E todas as necessidades derivadas à manutenção da vida: educação, higiene, segurança em grupo…
Os norte-americanos e os japoneses deram e continuam dando sua contribuição às inovações, como o fizeram os italianos em outra época. Os alemães deram importantes contribuições com seus pensadores. E os gregos, com filosofia, direito, etc.
Mas os chineses… ah, os chineses… não bastasse inventarem o macarrão, a pólvora, o papel, a bússola, agora resolveram inventar o "comunismo capitalizado"!

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Cecilia

06/04/2010 - 06h41

Para quem se interessar: aqui vai o link:

http://www.marcosbagno.com.br/

Leiam Preconceito linguístico! É formação democrática sobre o direito de todos à língua mãe e a expressar-se nela!

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Cecilia

06/04/2010 - 06h38

Desculpa Azenha, mas não posso deixar de apontar uma questão:

"Em Cabo Verde a população fala crioulo (95% português, 5% palavras de idiomas africanos). O português como falamos no Brasil é coisa dos letrados."

Não me parece certo falar assim da língua de Cabo Verde. As pessoas falam cabo verdiano, como nós falamos brasileiro. Aqui também sofremos influências de línguas africanas e indígenas (que porcentagem?) e possuímos variação entre as classes sociais e as regiões do país que não são nada desprezíveis. Que a língua das elites daí se pareça com a das elites de cá faz sentido, me parece. O termo crioulo, assim como dialeto tem uma conotação pejorativa: todos os seres humanos falam suas línguas maternas. Se a discussão sobre a democratização linguística te interessar recomendo vivamente o blog do Marcos Bagno e seus livros de divulgação.

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    Luiz Carlos Azenha

    16/04/2010 - 02h37

    Obrigadíssimo, Cecília. Vivendo e aprendendo. abs

    Vanira Lima

    16/04/2010 - 11h03

    Olá,

    Gostei muito que nos defendesse, mas, não considere o termo crioulo como pejorativo. Significa apenas mistura. Eu adoro se "crioula" e em cabo Verde chamamo-nos carinhosamente de "crioula ou crioulo". Amamos isso. Não se preocupe com a expressão. Os Caboverdianos são um povo lindo, exactamente por ser originado por uma mistura.
    Beijos,

aurélio

06/04/2010 - 06h28

Ao que parece, excluindo-se a França, a Europa e os EUA se distanciaram da Africa, e no vácuo deixado pelos soviéticos e europeus no final do séc.passado, e inicio deste, a China vai se aprofundando cada vez mais em alguns paises africanos, principalmente os que foram mais próximos da URSS: Angola,Guinés,Sudão,Moçambique,Rodésia,Tanzania e outros, os EUA tem presença forte apenas no Quenia e perderam a Nigéria para os chineses, então está mais do que na hora para o Brasil olhar para a Africa e aprofundar a politica externa do Gov. Lula, na Africa está o futuro. Vcs. acreditam que a 4a frota criada pelos EUA, é só para vigiar-nos? É para a Africa tambem.

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sergio

05/04/2010 - 22h36

abaixo a globo

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José Medrano

06/04/2010 - 01h16

Azenha, foi isso que o "metalurgico" passou ontem na entrevista da Band e os entrevistadores ficaram com aquela risadinha amarela. O Brasil descobriu o caminho para as Africas !!!

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@coinho

06/04/2010 - 01h05

"Mindelo" poucas vezes tinha ouvido falar nessa cidade. Estou visualizando através do GOOGLE EARTH. Parece ser bastante montanhosa seu redondeza; Vejo um pequeno aeroporto, o San Pedro; No centro da cidade tem um acanhado estádio de futebol. Valeu, Azenha. Estou aguardando pelo próximo programa.

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    Rylda

    16/04/2010 - 10h28

    caro coinho porque nao vens a MINDELO
    e tirar as suas proprias conclusões. Garanto-te que uma vez que tiveres ca vais querer voltar.
    E quanto ao artigo do Srº Azenha acho que nao deveria escrever um artigo baseado nas primeiras impressoes que teve. Cabo Verde é um pais rico em varios niveis e temos muito orgulho do nosso pais.
    claro que nao somos como o Brasil que e um pais rico mas que mas onde há muita pobreza e violencia.por isso nao va por esses campos porque estamos todos em desvantagem.

Alcino

06/04/2010 - 00h03

O Nordeste está repleto de caboverdianos que vêm fazer compras, sobretudo vestuário, para revenda. Há vôos regulatres diretos, pela empresa aérea caboverdiana, de Fortaleza a Praia.

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    Francisco

    06/04/2010 - 03h19

    Não só para comprar que os caboverdianos vêm ao NE. Tem muitos morando, estudando em Fortaleza, a maior parte reside no Benfica (bairro cheio de esstudantes e professores). É incrível a loucura deles por futebol, dos que tive a oportunidade de conversar são super fãs do Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Adriano, nenhum (uns 20) "vai com a cara" do "falso Pelé" [Robinho].

Midionauta

05/04/2010 - 22h59

Bem bom o texto hein, Azenha. Informação relevante e análise de qualidade. Uma resposta elegante aos que, ao invés disso, só fabricam factóides.
Abs!
:D

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Marcelo Gonçalves

05/04/2010 - 22h13

Você já deve ter visto, mas hoje o Globo fez uma reportagem a seu respeito, sobre o programa que produz. Primeiro foi o nassif, na Folha, agora você. Será que você ganhou alguma produrora ligada a Globo!?!?

Abraço e força!!!

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    Leider_Lincoln

    06/04/2010 - 02h22

    Azenha, sou su leitor desde os tempos da Globo.com. Eu sei em quem acreditar. Conheço sua biografia e a deles. Esmorece não!

WESLEY

05/04/2010 - 22h12

Por muito tempo, nós brasileiros experimentamos esta sensação de invasão cultural, sobretudo dos EUA. É verdade que ainda ocorre tal processo, mas esta experiencia vivenciada pelo Azenha, ratifica o que o mundo inteiro já sabe, que nos tornamos uma grande nação, capaz de influenciar pessoas de diversas partes do planeta, sobretudo nas áreas de língua portuguesa.
Quanto aos benefícios ou prejuízos de tal mudança, é algo a ser analisado com mais calma. Uma coisa é certa: Hoje somos vistos no mundo, não mais um país de terceira categoria filhote dos ricos do Norte.

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cesarcardoso

05/04/2010 - 21h56

A única potência europeia que ainda mantém alguma influência é a França, que continua mantendo suas ex-colônias sob estrita vigilância. Do resto, é isso mesmo, os chineses estão com tudo e os americanos levando rasteira.

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Marat

05/04/2010 - 21h51

Azenha, aproveita para dar umas aulas de civilidade, de democracia e de bons modos (os estadunidenses aqui em SP adoram falar alto, como se fossem seres superiores) ao jornalista estadunidense. Abraços

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    Mc_SimplesAssim

    06/04/2010 - 16h46

    yankees go home

    Renato

    06/04/2010 - 20h23

    I volto para o meu casa e destruo o mundo com as meus bombas nucleares.
    vocês acham que a China está ganhando terreno substancial dos EUA. Se os EUA abrirem mão da metade do arsenal nuclear que tem, eles ainda teriam 4 vezes a quantidade de ogivas que a China e Russia tem juntas hoje.

    Sonham com uma nova ordem mundial, enquanto não tivemos um holocausto nuclear isso não acontecerá.

    adilson rodrigues

    16/04/2010 - 14h42

    continuação
    O crioulo como em várias paragens, países da america central (Antilhas etc), é a nossa língua materna que possui várias variantes e derivou de uma mistura do português e fala dos escravos. Por isso sou contra quem diz que o crioulo é um português mal falado senão o que diríamos do lingua brasileira que é muito diferente do português genuíno.
    Em relação à pobreza deve ver que CaboVerde não produz nada muito motivado pelas condições do clima, por ter 35 anos de independência muitos avanços conseguiu desde da alfabetização até a saúde. Um país que foi votado ao insucesso nos primórdios de 1975 hoje é uma das referências em áfrica. Podes até dizer que isso não é nada mas se formos comparar com alguns países facilmente entenderás o que estou falando.
    Ainda falta muita coisa por fazer mas estámos no caminho certo só que como deves imaginar o tempo que teremos que atingir o patamar de certos países tem que ser muito menor que eles tiveram para o atingir.
    Fico aguardando o teu retorno para discutirmos mais sobre cabo verde.

    adilson rodrigues

    16/04/2010 - 14h43

    Podes até dizer que isso não é nada mas se formos comparar com alguns países facilmente entenderás o que estou falando.
    Ainda falta muita coisa por fazer mas estámos no caminho certo só que como deves imaginar o tempo que teremos que atingir o patamar de certos países tem que ser muito menor que eles tiveram para o atingir.
    Fico aguardando o teu retorno para discutirmos mais sobre cabo verde.
    Continuação no novo comentário

    Luiz Carlos Azenha

    17/04/2010 - 00h34

    Adilson, acho que você esqueceu de falar do avanço na área da tecnologia de informação. Fiquei surpreso com a internet nas praças, wirelles, de graça! Sonho de todo brasileiro que o caboverdiano já tem. abs

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