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Parceiro de Paulinho da Força, deputado que não aceita “safadezas” faltou a quase metade dos dias de trabalho em 13 anos de Congresso

02 de maio de 2016 às 03h22

Captura de Tela 2016-05-02 às 02.55.26por Luiz Carlos Azenha

Ele se enxerga como uma espécie de Romário dos velhos tempos: custa caro, joga pouco, mas não perde os clássicos.

Na hora do gol, celebra de uma forma que a torcida jamais vai esquecer, com um disparo de confetes.

É folclórico, mas sabe entrar com as travas altas da chuteira na hora em que é convocado: repetiu na tribuna da Câmara, de forma enfática, que a colega Gleisi Hoffmann, que joga no time adversário, tinha sido chamada de “vaca” em um aeroporto. Saboreou a palavra: “vaca”.

Política no Pará não é para amadores. Aliado do governador Simão Jatene (PSDB) e adversário da família Barbalho — Jader e o filho Helder –, que ajudou a derrotar em 2014, o deputado federal Wladimir Costa (Solidariedade-PA) está acostumado a ser pisado pelos veículos controlados pelo clã adversário — emissoras de TV, rádio e o Diário do Pará.

O folclore do “comedor de maniçoba, bebedor de açaí e cantor de carimbó”, fomentado pelo próprio radialista e homem de TV, é apenas para consumo nacional.

Em casa, quando precisa ele chuta na altura da medalhinha, inclusive os poderosos Barbalho.

Porém, para quem paga a conta longe do Pará, Wlad parece ser apenas um zagueiro grosso e improdutivo, um rombo no orçamento do clube: desde que foi contratado, em 2002, simplesmente não entrou em campo em metade das partidas.

Apenas mais um fanfarrão, estivessemos restritos à metáfora futebolística.

Porém, Wlad parece mais o retrato do baixo clero do Congresso Nacional, com o perdão antecipado das autoridades eclesiásticas.

Desde que assumiu pela primeira vez o mandato, em 2003, quando ainda era do PMDB, o deputado Wladimir Costa faltou 564 vezes em 1383 dias de trabalho. Foram 335 faltas justificadas e 229 não justificadas. Taxa de comparecimento nos 13 primeiros anos de mandato: 56%.

É como se você faltasse dia sim, dia não e mesmo assim fosse recompensado ricamente pelo dono da firma.

NA LISTA HISTÓRICA DOS MAIS FALTOSOS

As informações reproduzidas neste post estão todas na base de dados da Câmara Federal.

Leitores sugeriram que Wlad fosse incluído em nossa Galeria dos Hipócritas depois que, em discurso que antecedeu a votação pela abertura de processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, ele afirmou: “O lado que vai cassar a Dilma não se envolve em roubalheira, em safadeza”.

Receber dinheiro público sem trabalhar pode ser enquadrado como safadeza? Se sim, Wlad está frito. No quesito trabalho, ele leva uma surra de outro palhaço, Tiririca, que está entre os deputados mais assíduos da Câmara.

O problema de Wlad é antigo. Precede a parceria que ele fechou com Paulinho da Força, que o atraiu para o Solidariedade em 2013.

Já no primeiro mandato, entre 2003 e 2007, quando estava no PMDB, Wlad faltou a 43,9% dos dias de trabalho.

Melhorou um pouco entre 2007 e 2011: foram 30,8% de ausências.

No terceiro mandato (2011-2015), retomou o viés de alta: faltou a 45,8% dos dias de trabalho na Câmara.

Até agora, no biênio 2015-2016, as faltas atingiram espantosos 74,7%.

Do total, 16,5% das faltam foram injustificadas. É como se você faltasse um dia por semana na firma sem dar qualquer satisfação ao patrão.

SUMIR SAI MAIS BARATO QUE PARECE 

Em tese, faltas injustificadas deveriam custar caro aos deputados. Mas, não.

O salário de um deputado federal é hoje de R$ 33.763,00. Para efeito de desconto das faltas não justificadas, o valor considerado pela Câmara é de R$ 21.101,88.

Esta quantia deve ser dividida pelas votações às quais o parlamentar não compareceu.

Tomemos o mês de março deste ano como base.

Wlad só participou de 7 das 16 votações, ou seja, 43% delas. Teve 9 faltas não justificadas.

Se a base do desconto fosse o salário total, deveria ter recebido apenas R$ 14,5 mil.

Mas recebeu R$ 22 mil. Além disso, embolsou R$ 78 mil para manter sua equipe parlamentar e outros R$ 4 mil para cobrir gastos com passagens aéreas, telefonia e serviços postais.

Estas verbas paralelas não são afetadas pelas faltas do deputado, mesmo que ele NÃO apresente justificativa.

Traduzido para o seu dia a dia, equivale a você faltar 10 dos 20 dias úteis de um mês, mas ter desconto de apenas 10% no contracheque. Um grande negócio!

Comparações como esta, obviamente, são reducionistas.

A presença física em Brasília é apenas parte do trabalho parlamentar. Uma boa remuneração é essencial para assegurar a independência financeira dos deputados, afastá-los da cobiça, evitar “safadeza” — como definiu o próprio deputado.

No caso de Wlad, pode não ter sido o suficiente.

Ele é réu em um inquérito e responde a outro no Supremo Tribunal Federal, acusado em ambos de afanar dinheiro público.

Teria embolsado o salário de funcionários laranjas de sua própria assessoria e promovido um curso fantasma de canoagem para 250 alunos na praia do Caripi, no Pará.

Nos dois golpes, que ele nega veementemente ter aplicado, Wlad é acusado de embolsar cerca de R$ 400 mil.

AS VERBAS PARLAMENTARES

Além do salário (R$ 33 mil), da verba mensal destinada aos salários dos assessores (R$ 78 mil), do reembolso de gastos de saúde e do auxílio moradia (R$ 3,8 mil para os que não moram em residencias funcionais), os parlamentares brasileiros têm direito a 130 mil páginas impressas na gráfica do Congresso por semestre e à Cota Para Exercício da Atividade Parlamentar.

A CEAP é distinta da verba destinada a pagar os assessores do gabinete.

Varia de estado para estado por causa da diferença no preço das passagens aéreas.

Se o deputado precisa usar uma gráfica local ou uma empresa para manter seu site, usa a CEAP. O mesmo vale para combustível ou serviços de segurança. No caso dos deputados federais do Pará, desde o início de 2016 a CEAP é de até R$ 42.227,45 mensais. Em 12 meses, cerca de R$ 500 mil.

A pouca atividade do deputado Wlad em Brasília não resultou em redução equivalente nos gastos com a CEAP.

Tomemos dois anos recentes.

Em 2014, o deputado Wladimir Costa compareceu a 35 dos 72 dias de trabalho na Câmara, ou seja, 48% de assiduidade. Era ano eleitoral. Dos 37 dias não trabalhados, 17 foram em “missão autorizada” da Câmara ou em “atendimento a objetivos político-partidários”, faltas abonadas. Nos outros 20, Wlad sumiu sem dar satisfação. Mesmo assim, torrou R$ 450 mil da CEAP (por lei, a verba não pode cobrir custos de campanha).

É deste período faltoso em Brasília um episódio que resultou em investigação do deputado pelo Ministério Público Estadual do Pará. Através de influência na Secretaria Estadual de Esportes e Lazer (SEEL), no primeiro mandato de Simão Jatene, Wlad teria obtido financiamento para um evento que, autoridades suspeitam, nunca aconteceu. Trataremos disso mais adiante.

A ONG destinatária da verba, o Instituto Nossa Senhora de Nazaré de Educação, Esporte e Lazer de Barcarena, seria uma fachada a serviço de Wlad, operando inclusive uma rádio comunitária, de acordo com o MP.

Uma de muitas emissoras: o radialista e homem de TV Wladimir Costa teria no irmão Wlaudecir o parceiro para montar uma rede de rádios comunitárias associadas a ONGs supostamente sem fins lucrativos, uma forma de não só enfrentar o poder midiático dos Barbalho como de alçar vôos mais altos na política do Pará. Foram os negócios que afastaram Wlad de Brasília?

Captura de Tela 2016-05-02 às 04.22.07

Fotos que o deputado compartilhou em seu perfil no Facebook entre 19 de abril e 05 de maio de 2015. Segundo ele, foram oito cirurgias sofridas a partir do 7 de abril

O ano de 2014 terminou com a reeleição de Simão Jatene, do PSDB, o aliado de Wlad, na campanha a governador do Pará. O Solidariedade fez parte da coligação vitoriosa. A disputa com os Barbalho foi dura.

Por isso, 2015 poderia trazer novas oportunidades para Wlad desfrutar da parceria. Ele sumiu de Brasília. Passou boa parte do ano no Pará, oficialmente em licença médica. Se ficou para administrar a “cota” que coube ao seu grupo político no governo Jatene, o fez de maneira discreta.

Maldosamente, adversários locais chegaram a espalhar boatos de que Wlad sofria de AIDS ou teria ficado tetraplégico. O deputado desmentiu. Contou a uma rádio de Belém que tinha enfrentado oito cirurgias em apenas quatro meses, a partir de 7 de abril daquele ano, por causa de uma intervenção mal sucedida na coluna. Todos os custos médicos dos deputados são bancados pela Câmara.

Dos 125 dias de trabalho que o Parlamento esperava de Wlad em 2015, ele apareceu em apenas 20. Naquele ano, não disparou uma única vez seu aparato lançador de confetes: fez uma breve fala de três minutos na tribuna, apresentou apenas três requerimentos e não relatou projeto. Ainda assim, cobrou do Congresso R$ 388 mil para cobrir gastos do “exercício da atividade parlamentar”. Só nos 4 meses em que teria enfrentado oito cirurgias, foram R$ 70 mil, inclusive em passagens aéreas.

Wlad andou sumido também no início de 2016. Reapareceu com força total durante o processo de impeachment. Ajudou a animar, com confetes, o discurso de Paulinho da Força.

O capo do Solidariedade é dado a promover números de circo que simulam a política na era do déficit cognitivo: do “tchau querida” aos roedores soltos em CPI.

Wlad se encaixou perfeitamente na pirotecnia parlamentar que chocou observadores internacionais: é que eles nunca tinham frequentado os porões do Congresso brasileiro.

Depois do histórico 17 de abril, em que brilhou nas emissoras de TV, Wlad voltou ao comportamento habitual: faltou a três das sete sessões da Câmara realizadas desde então.

Sua taxa de comparecimento neste mandato permanece em magros 26%.

Pelo menos Wlad está livre da preocupação de quando chegou a acreditar que o impeachment de Dilma poderia não passar na Câmara.

Em entrevista a uma rádio do Pará, demonstrou preocupação com a compra de votos: “Quem vota é deputado, e deputado ali… eu vou te falar, as maiores prostitutas do Brasil são bem mais valiosas que muitos deputados que ali estão. Se vendem a troco de nada!”

Não é, certamente, o caso de Wlad.

Leia também:

O deputado cearense que deixou traição de Temer no chinelo

 

9 Comentários escrever comentário »

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C.Paoliello

02/05/2016 - 16h37

A oposição do novo parlamento venezuelano, que faz oposição ao Presidente Maduro, foi quase toda comprada através da embaixada estadunidense. No caso da nossa Câmara dos Horrores, teria sido diferente?

https://actualidad.rt.com/opinion/eva_golinger/196174-informe-secreto-eeuu-venezuela-allup-wikileaks

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Bacellar

02/05/2016 - 13h03

Coitado gente…É que como só tem safado no congresso e o deputado “não aceita safadeza” então ele simplesmente não vai ao congresso. Um cara íntegro.

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C.Paoliello

02/05/2016 - 12h57

Caso alguém ainda tenha alguma dúvida sobre o porquê da ida de Aloysio Nunes ao Deptº de Estado dos EUA:

http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/vasto-mundo/golpe-em-tempo-real-marcha-new-york-times-contra-venezuela/

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Urbano

02/05/2016 - 12h25

Para políticos desonestos, seja lá qual for o padrão, a mentira é sua moeda forte e fonte de sua solidariedade escroque…

Responder

FrancoAtirador

02/05/2016 - 12h00

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Hoje é Dia dos E$peciali$ta$ $alafrário$
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Convidado$ do$ Tucano$ no $enado.
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Responder

Fabiola

02/05/2016 - 11h23

Nāo li comentário de nenhum coxinha valente.

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Julio Silveira

02/05/2016 - 09h32

Esses tipos só a facção política para lhes garantir impunidade, por isso não há o que estranhar de fazerem do golpe suas vidas. Fora delas, sem a articulação que isto está lhes propiciando, correriam sério risco de perderem o foro privilegiado que lhes garante tratamento diferenciado nas mamatas e da tribuna para um tribunal e consequente cadeia. Desde que não fossem tucanos, já que esses são impunes, inimputáveis, por serem como os silvícolas.

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FrancoAtirador

02/05/2016 - 08h41

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Blog do Banana
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A Notícia Descascada pra Você
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(http://www.ricardobanana.com)
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