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#4 Adail Carneiro: Traidor em série, deputado cearense subiu em palanque contra o golpe e votou pelo golpe; veja os discursos

01 de maio de 2016 às 13h39

Não haverá golpe, porque o povo brasileiro irá cobrar nas ruas daqueles que querem golpear o Brasil, que querem golpear o PT, o PT que tanto promoveu o bem-estar ao povo brasileiro.  Adail Carneiro, 02.04.2016, sobre o palanque, em Fortaleza, em ato contra o golpe com a presença de Lula

Eu gostaria, incialmente, de pedir licença a todos os Parlamentares desta Casa, ao Sr. Presidente, para reconhecer o trabalho belíssimo que o ex-Presidente Lula fez pelo nosso Brasil, dando oportunidade às pessoas mais pobres, que nada tinham durante governos anteriores. Quero pedir desculpas a ele; ao ex-Governador Cid Gomes, que também fez muito pelo nosso povo cearense; à Presidenta Dilma; ao Governador Camilo Santana, mas eu não posso deixar de atender aos pedidos que chegam a mim, pelas redes sociais (palmas), para que nós demos uma nova oportunidade ao povo brasileiro, tão necessária, diante dessa crise política que levou a uma economia desastrada, desenfreada, desandada. Hoje, por fazer parte do PP, o que muito me orgulha, e por este partido ter fechado questão, eu não poderia emitir meu voto de forma diferente. Meu voto é “sim”. (Palmas) Adail Carneiro, 17.04.2016, no Congresso, votando pelo golpe

 Ué, esse cara não passou a tarde toda aqui com a gente e foi lá e votou contra? Dilma Rousseff reagindo ao voto de Adail, que almoçou no Palácio da Alvorada no dia 17.04.2016

Pra ser muito franco, eu eximo a responsabilidade que foi colocada como motivo para cassação, para a instalação do processo de impeachment, para cassação da presidente Dilma. Eu discordo do parecer do relator Jovair Arantes, do deputado. Parte do que eu li é que me levou à impressão de que não houve crime fiscal praticado pela presidente Dilma. Se todos os políticos que têm a oportunidade de falar com o povo expressasse o seu verdadeiro sentimento, a nossa política não estava tão descredibilizada quanto está hoje. Adail Carneiro, depois de votar pelo golpe,  em entrevista à rádio O Povo-CBN de Fortaleza, 18.04.2016

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Com o governador Camilo e Lula, usando colante contra o golpe; com Dilma no Planalto, celebrando conquista; no palanque com Lula

por Luiz Carlos Azenha

As vagas na Galeria dos Hipócritas são limitadas.

Não nos importa se o deputado federal ou senador votou ou vai votar sim ou não.

Nossa cadeiras são reservadas àqueles casos em que houver descompasso entre o dito e o praticado, especialmente na hora da votação.

O cearense Adail Carneiro merece a vaga por vários motivos.

1. Ao votar, ele culpou a crise política por uma economia desastrada, mas não se reconheceu parte dela. Comecemos pelo PP, o partido ao qual Adail aderiu recentemente e do qual ele “muito se orgulha”.

O partido lidera o ranking investigados na Operação Lava Jato. Quando o STF abriu os inquéritos, eram 21 dos 45 parlamentares do PP, ou seja, 46% das bancadas!

Senadores: Benedito de Lira (AL), Ciro Nogueira (PI) e Gladson Cameli (AC). Deputados: Aguinaldo Ribeiro (PB), Afonso Hamm (RS), Arthur Lira (AL), Dilceu Sperafico (PR), Eduardo da Fonte (PE), Jeronimo Goergen (RS), José Otávio Germano (RS), Lázaro Botelho (TO), Luis Carlos Heinze (RS), Luiz Fernando Faria (MG), Missionário José Olímpio (SP), Nelson Meurer (PR), Renato Molling (RS), Roberto Balestra (GO), Roberto Britto (BA), Sandes Júnior (GO), Simão Sessim (RJ) e Waldir Maranhão (MA).

Portanto, o partido ao qual Adail aderiu com tanto orgulho, pela lógica dele, é parte importante da crise, da “economia desastrada” que o levou a votar sim.

2. Por colocar seus interesses pessoais sempre acima dos interesses dos eleitores aos quais deveria servir, o deputado Adail encarna a “política descredibilizada” da qual ele reclamou em entrevista.

A crise de representatividade, afinal, é um dos motivos subjacentes aos problemas que o Brasil enfrenta atualmente.

Adail entrou na política há apenas dez anos, está em seu primeiro mandato de deputado federal e já trafegou por três partidos. Começou no PDT, de onde se transferiu para o Partido Humanista da Solidariedade (eleito em 2014 com 113.885 votos) e agora foi para o PP.

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3. Adail Carneiro ajuda a explicar o desastre administrativo do Brasil, outro dos motivos subjacentes à nossa crise política e econômica. Ele usa o poder derivado do mandato que recebeu para fazer barganhas políticas.

Em 16 de novembro de 2015 foi nomeado assessor especial do governador petista Camilo Santana, do Ceará, para supostamente trabalhar em Brasília.

Com isso, abriu vaga para outro deputado do PP na Câmara, Paulo Henrique Lustosa. O acerto tinha relação com as eleições municipais de 2014 em Fortaleza.

Inicialmente, o prefeito Roberto Cláudio (PDT), candidato à reeleição, ofereceu a Adail um cargo municipal: primeiro, a Secretaria Executiva Regional I e depois a Secretaria das Relações Institucionais, que seria criada exclusivamente para atendê-lo.

Adail preferiu ser aspone do governador em Brasília, cargo que deixou para votar na sessão que decidiu pela abertura do processo de impeachment. 

4. Adail abraçou Lula nos bastidores de um comício em Fortaleza, usou colante contra o golpe, deu entrevista no palanque denunciando o impeachment e almoçou com Dilma no dia 17 de abril, em Brasília.

Horas depois, pediu desculpas e votou pelo golpe que denunciara publicamente, com suas próprias palavras.

O mistério é o que aconteceu entre a saída dele do Palácio do Alvorada e o momento da votação. No dia seguinte, Adail assumiu a presidência do PP no Ceará, o que causou revolta de colegas.

O deputado estadual Fernando Hugo, do PP, fez a denúncia na tribuna da Assembleia Legislativa:

O político Adail Carneiro fez um ato de canalhice e não tem vocabulário a mais que defina o que foi feito. Não é assim que se cresce. Padre Zé Linhares [que perdeu o cargo para Adail], é honrado, ético e humilde. Não merecia isso. Não é ato de um homem. Foi uma grande inconsequência e maltrata a todos os filiados. Está nos jornais as fotos de Adail Carneiro abraçando a presidente. Esse tipo de canalhice nem no IPPS [Instituto Penal Paulo Sarasate] se encontra. É uma indignidade comportamental.

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No Planalto, sorridente, filou bóia da Presidência da República de gravata vermelha. Fez a digestão traindo, de gravata roxa

5. Depois de votar, o deputado cearense admitiu que não vê base jurídica no relatório de Jovair Arantes (PTB-GO) e que não vê crime fiscal de Dilma Rousseff que justifique o impeachment (ver a gravação completa no topo).

O detalhe “irrelevante” é que o voto sim de Adail Carneiro endossou o relatório do qual ele publicamente discorda.

6. Apesar de todo este imbroglio, Adail Carneiro disse ao Diário do Nordeste: “Esse voto a favor do impeachment não significa dizer que haja um rompimento do deputado Adail Carneiro para com o governo estadual, para com o governo municipal”.

O deputado também entra nesta galeira por falar de si próprio em terceira pessoa.

Leia também:

As safadezas do deputado dos confetes 

 

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21 Comentários escrever comentário »

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Sidnei Brito

02/05/2016 - 19h25

Todo mundo levou para o lado do folclore essa coisa de dedicar voto a Deus, a familiares e, não em menor grau, “ao povo do meu estado”, “aos meus eleitores”, ou no caso do nosso deputado da matéria, aos usuários de redes sociais. Desconfio dos motivos de tanta terceirização.
É que daqui a alguns anos, esses caras vão tentar salvar o pouco de biografia que lhes restar culpando os outros pelos atos deles. Até vejo entrevistas em matérias que vierem a debater, lá por volta de 2030, o golpe de 2016: “eu sabia que não havia base jurídica; eu sabia que a presidenta era honesta; mas vocês não imaginam a pressão que eu sofri dos eleitores, das pessoas da minha base, até de familiares; eu não podia virar as costas para eles, mesmo sabendo que estava cometendo uma injustiça; nós, políticos, às vezes somos obrigados a fazer coisa que não queremos, mas é sempre em nome das pessoas que estão ao nosso lado, que infelizmente nem sempre tem dimensão correta das coisas; foi por isso que eu fiz questão de dedicar a eles, pra deixar bem claro que só fazia aquilo por causa deles” e blá blá blá.

Responder

Urbano

02/05/2016 - 13h05

Alguém já disse com outras palavras, que há aqueles que sentem uma verdadeira ojeriza se serem honestos. Na câmara-cambalacho os mais inocentes são os 400. Agora proporcionalmente, o vizinho exige sempre a utilização das imagens para a definição do seunado livre.

Responder

    Urbano

    02/05/2016 - 13h06

    Se serem não; de serem honestos.

    Urbano

    02/05/2016 - 19h59

    Bem melhor: de virem a ser honestos.

Daniel

02/05/2016 - 11h13

É esse tipo de deputado de esgoto que sabota o país…

Responder

Julio Silveira

01/05/2016 - 18h49

Cada um desses que votaram pelo golpe nem precisaria de esforço para encontrar sujeiras em seus curriculuns. São todos imprestaveis. Mas basta o rasgo na constituição, que para eles é uma bosta de um papel inservivel, que os como eles escreveram para acharem que por isso podem rasgá-la e reescrevê-la, como se fosse um simples papel de pão. E que os idiotas dos populares que foram aprontados estão prontos para engolir.

Responder

Marco Guerra

01/05/2016 - 17h21

Dep. fuleiro e traidor ,pottanto es a maior FULEIRAGEM.

Responder

Fauro

01/05/2016 - 16h34

Eles são muito criativos

Como fazer para que a dobradinha Temer -Cunha governe? Eles são muito criativos e aparentemente já encontraram uma solução

A hora e o risco de descartar Cunha
Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

http://altamiroborges.blogspot.com.br/2016/05/a-hora-e-o-risco-de-descartar-cunha.html

Adiantando alguma coisa sobre o assunto: “A fórmula que evitará riscos para o futuro sistema de poder e ao mesmo tempo atenderá à lei é a que foi divulgada por Monica Bergamo, por mais exótica que pareça: ele (o Cunha) deixaria de ser presidente da Câmara só nos dias em que Temer viajar”.

Isso mesmo: “só nos dias em que Temer viajar”.

Não riam, por favor. Mas também não adianta chorar.

Responder

FrancoAtirador

01/05/2016 - 16h18

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Correspondentes da Mídia Internacional
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se impressionam com “Audácia” Golpista
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(https://twitter.com/ocafezinho/status/726844029342621696)
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Responder

MAAR

01/05/2016 - 16h06

A escabrosa pantomima que cerca toda essa farsa do impixe revela, de fato, uma série de traições escaborosas. E cada um responderá por seus atos, pois o julgamento será feito pelas futuras gerações, à luz dos fatos e da História.

De nada adianta quem quer que seja pretender justificar seus atos políticos com base em pressões ilegítimas, pois cada um é responsável por suas escolhas.

Assim, é dever de todos refletir sobre as decisões que virá a adotar, pois equívocos também são erros.

Neste sentido, seria um contra senso o próprio governo federal apoiar a antecipação das eleições presidenciais agora que a militância progressista já conseguiu fazer grande parte da imprensa estrangeira reconhecer que o impixe em marcha constitui golpe.

Agora, depois que um estudioso do porte de Moniz Bandeira disse, em alto e bom som, que todo parlamentar evidencia uma clara vocação criminosa ao apoiar este golpe do impixe, abandonar a rigorosa defesa da legalidade seria desertar da luta democrática.

E tal deserção seria mais grave ainda depois que diversos observadores credenciados, tais como Pepe Escobar e Walter Iglesias, entre outros, já dissecaram as evidências de que o golpe do impixe segue a cartilha das famigeradas políticas de regime change, e constitui uma forma aprimorada da guerra assimétrica, promovida pelo capitalismo predatório contra a condução democrática das questões sociais.

Urge prosseguir com o bom combate, para denunciar a farsa do impixe e os objetivos anti-sociais dos golpistas.

Agora, cada vez mais, é fundamental que todos os questionamentos éticos e jurídicos sejam formulados com rigor, para que fique bem claro o crime que será praticado por todos que apoiarem o golpe contra a constituição e contra a democracia.

E, na hipótese do golpe vir a ser consagrado pelos senadores, a resposta a ser dada pela militância progressista virá nas urnas, em eleições regulares que servirão para enfim separar os farsantes dos autênticos.

Sem a repetição do erro de fazer alianças tortas.

Mantida a coerência da militância progressista, todos aqueles que apoiarem o golpe estarão com isso a decretar sua própria extinção política, pois jamais serão liberados da responsabilidade pela flagrante violação do Estado Democrático de Direito.

Assim, os políticos que cometerem o erro de apoiar o golpe serão no futuro cobrados por todos os retrocessos políticos e toda a denegação de direitos sociais pretendida pelos golpistas.

Portanto, está muito claro que a única estratégia coerente para lutar contra os retrocessos e para combater o avanço do fascismo é concentrar todas as baterias na rigorosa defesa do Estado Democrático de Direito.

Antecipar eleições presidenciais seria legitimar o golpe num parlamento plutocrata.

E, além disso, é indispensável observar que seria praticamente impossível a vitória de qualquer candidato de esquerda nas circunstâncias atuais, em que campeia um clima de caça às bruxas, no qual tudo que seja ligado a grupos adversários do golpe é espancado pela mídia corporativa como criminoso, e é condenado previamente.

Manter a coerência exige denunciar a farsa do impixe e alertar o eleitorado acerca das graves ameaças aos direitos sociais camuflada nas pretensões já sinalizadas pelos golpistas, representadas pelas medidas de restrição de direitos trabalhistas, de violação das garantias constitucionais e de sabotagem da legislação ambiental, que tornaria ainda mais freqüentes e trágicos desastres anunciados como aquele de Mariana- MG.

Responder

FrancoAtirador

01/05/2016 - 15h56

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Escritor Luis Fernando Veríssimo faz Requerimento ao Supremo Tribunal Federal (STF)
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pedindo a Opinião de Gilmar Mendes sobre o Exercício do Mandato da Miss Bumbum
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(https://twitter.com/luisnassif/status/726843001251729408)
(http://jornalggn.com.br/noticia/verissimo-cobra-a-opiniao-do-supremo-sobre-titulo-de-miss-bumbum)
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Responder

FrancoAtirador

01/05/2016 - 15h51

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“Blog O Cafezinho” Entrevista Escritora Marcia Tiburi
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https://youtu.be/Oz30tbk3gLI
(https://twitter.com/GrupoBeatrice/status/726843921192640512)
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Responder

Pela justiça e a democracia

01/05/2016 - 15h38

Ciro Gomes anda se saindo muito bem. Vou observar qual vai ser a atitude dele daqui pra frente com esse canalha adail carneiro.

Assisti o momento em que esse traidor proferiu seu voto, e minha vontade foi de vomitar. Uma figura dessa é muito pior do que os que estavam desde o início na oposição.

Responder

    Pela justiça e a democracia

    01/05/2016 - 15h42

    Azenha, é possível verificar se o traidor ainda continua como assessor do governador Camilo Santana?

FrancoAtirador

01/05/2016 - 15h37

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Garota de Programa da Rede Globo de Televisão
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https://pbs.twimg.com/media/ChYh5oPWwAIlx_k.jpg
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(https://twitter.com/j_livres/status/726805664878723073)
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Responder

Mel G.

01/05/2016 - 15h17

Uma coisa é inegável: os ministros da suprema corte são bastante criativos.

Vejam a solução encontrada para a dobradinha Temer-Cunha governar

A hora e o risco de descartar Cunha
Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

São claros e vários os sinais de que, já tendo Eduardo Cunha feito o “serviço sujo” de abrir caminho para o golpe na noite do cinismo de 17 de abril, os vencedores agora buscam meios para descartá-lo. Temer e seus parceiros do eventual “governo de salvação nacional”, expressão de Fernando Henrique, não acham prudente mantê-lo como segundo na linha sucessória na Presidência. Mas esta operação embute riscos muito altos para o próprio Temer. Cunha não aceitará ser atirado ao lixo como bagaço de laranja que já deu caldo. E vingança é com ele mesmo. Que o digam Dilma e o PT.

Aos sinais. Neste sábado, 30, a Folha de São Paulo publicou o editorial “Chega de Cunha” cobrando providências do STF e louvando a disposição anunciada pelo ministro Teori Zavascki, de pedir celeridade ao plenário no exame do pedido de afastamento de Cunha da presidência da Câmara, apresentado pelo procurador-geral Rodrigo Janot em dezembro. O título é sugestivo. Para ser mais explícito, faltou uma palavrinha: “Agora, chega de Cunha”. Agora que ele, saciando seu desejo de vingança contra o PT e servindo ao projeto golpista, cumpriu zelosamente a tarefa: acolheu o pedido de impeachment, montou a comissão mais conveniente, amarrou os votos de sua base servil e comandou o espetáculo que envergonhou o Brasil.

Na mesma edição da Folha a colunista Mônica Bérgamo informou que, diante da cobrança que será feita ao plenário do STF por Teori, os ministros já discutiriam a melhor forma de afastar Cunha. Avaliando que a destituição do presidente de um outro poder seria muito traumática, pensaram numa fórmula jaboticaba: ele seria afastado apenas nos dias em que, tornando-se presidente, Temer tivesse que deixar o país. Isso contentaria a lei, que não permite a um réu assumir a presidência da República. Engraçado que o STF ache traumático o afastamento de um presidente do Legislativo mas feche os olhos para as anomalias do processo de deposição da chefe do poder Executivo. Esta fórmula resolve o problema legal mas não o político. Não elimina o fato de que, no governo Temer, o segundo homem na hierarquia de poder seria um réu acusado de tantos crimes.

Mas como descartá-lo sem que ele se volte contra Temer? Um exemplo das perigosas relações entre Temer e Cunha está documentado pela própria Lava Jato. Quando fundamentou a autorização de busca e apreensão da Operação Catilinárias, (na casa de Cunha e de mais 52 pessoas), o ministro Teori Zavascki transcreveu “indício” registrado pelo procurador-geral Rodrigo Janot: “Eduardo Cunha cobrou Leo Pinheiro por ter pago, de uma vez, para Michel Temer, a quantia de R$ 5 milhões, tendo adiado os compromissos com a ‘turma'”, afirmou Janot, segundo reprodução de Teori.

As mensagens foram trocadas por Whatsapp, e capturadas no celular do sócio da OAS. Na réplica Léo Pinheiro pediu a Cunha “cuidado com a análise para não mostrar a quantidade de pagamentos dos amigos”.

Na época em que isso foi divulgado (dezembro de 2015) Temer divulgou extrato de cinco doações legais da OAS ao PMDB, registradas na prestação de contas, entre maio e setembro de 2014, totalizando R$ 5,2 milhões. Mas, pelas mensagens, depreende-se que Cunha falava de um pagamento feito em cota única, e não destas doações parceladas. Cunha tem um arsenal de esclarecimentos sobre os esquemas do PMDB.

Fala-se também de um outro acordo. Cunha renunciaria à presidência da Câmara e preservaria o mandato para manter o foro privilegiado. Mas a troco de quê ele renunciaria? É como presidente da Câmara que ele usa o poder do cargo para barrar o processo de cassação de seu mandato no Conselho de Ética. Agora, por exemplo, emplacará um aliado na Comissão de Constituição e Justiça, para lhe dar ganho nas disputas com o Conselho.

A fórmula que evitará riscos para o futuro sistema de poder e ao mesmo tempo atenderá à lei é a que foi divulgada por Monica Bergamo, por mais exótica que pareça: ele deixaria de ser presidente da Câmara só nos dias em que Temer viajar. Se viabilizar esta saída, o STF ficará ainda mais exposto como parceiro de tudo o que está acontecendo.

OBS: postado também no Blog do Miro

Responder

Mel G.

01/05/2016 - 14h50

A criatividade do supremo para manter a dobradinha Temer-Cunha

No Blog do Miro

http://altamiroborges.blogspot.com.br/2016/05/o-stf-na-engrenagem-golpista.html

O STF na engrenagem golpista
Por Jeferson Miola

Em tempos de vazamentos seletivos, de investigações seletivas e de decisões seletivas, não podia faltar a moral seletiva – e tardia – do STF.

O juiz do STF Teori Zavascki dizia, há menos de duas semanas, que estava “examinando” a denúncia contra Eduardo Cunha, mas “não tinha prazo para julgar” o afastamento do comando da Câmara dos Deputados pedido pelo Ministério Público em dezembro de 2015.

No despacho ao STF, o Procurador Geral Rodrigo Janot alertou que Eduardo Cunha usaria o “cargo em benefício próprio e de seu grupo criminoso [sic], com o objetivo de obstruir e tumultuar as investigações”. Para Janot, é “imperioso que a Suprema Corte do Brasil garanta o regular funcionamento das instituições, o que somente será possível se for adotada a medida de afastamento do deputado Eduardo Cunha”.

É incompreensível a posição olímpica de Teori ao longo de mais de 4 meses, apesar do apelo do MP e das provas colossais que incriminam o “bandido chamado Eduardo Cunha”, como é tratado pela imprensa internacional.

Com isso, o “bandido” pôde continuar tocando livremente a vilania do golpe e, inclusive, pôde comandar a “assembléia geral de bandidos” no dia 17 de abril, porque estava respaldado pela não-decisão do juiz Teori.

Finalmente agora, já no estágio final do golpe no Senado, Teori é assomado por uma súbita preocupação moral, e pensa que a “possibilidade de Cunha assumir a Presidência [da República] precisa ser examinada”.

Por que só agora esta preocupação e não antes? Por que o “bandido” pôde ficar no comando da “assembléia geral de bandidos” todo este tempo e somente agora, sem que haja nenhum fato novo a ser acrescentado à sua extensa ficha criminal, o STF percebe que a permanência dele na Presidência da Câmara precisa ser examinada?

Eduardo Cunha deveria ser sido afastado da Presidência da Câmara a muito tempo e, mais que isso, deveria ter sido cassado, julgado e preso pelos crimes cometidos. Este era o procedimento esperável de uma Suprema Corte que estivesse funcionando normalmente. Enquanto ficou livre e solto por inação do STF, Cunha cometeu desvio de poder e prejudicou terrivelmente “o regular funcionamento das instituições”.

A cumplicidade ativa – ou a cumplicidade por acovardamento – do STF com o golpe de Estado prova que a justiça não só tarda, mas também falha. No caso do impeachment sem crime de responsabilidade, o resultado da falha da justiça não é apenas a injustiça, mas é um golpe contra a Constituição e a democracia.

O STF é parte da engrenagem golpista. Alguns juízes que integram a Suprema Corte atuam partidariamente, de maneira ativa, para favorecer a dinâmica golpista. Outros juízes, ainda que não atuem abertamente pelo golpe, com seus silêncios, imobilismos e solenidades favorecem a perpetração do golpe.

O STF é parte da engrenagem golpista nos dois casos: quando adota decisões golpistas, ou [ii]quando não decide e não reage contra as manobras golpistas. Parodiando Teori Zavascki, essa realidade “precisa ser examinada”.

Responder

John Jahnes

01/05/2016 - 14h23

Vejam a que ponto a falta de ética, a sem-vergonhice, a corrupção e a ilegalidade chegaram nas instituições governamentais brasileiras: — >>> https://pbs.twimg.com/media/ChLOEZYXEAETJF2.jpg

Responder

marcio ramos

01/05/2016 - 14h14

.. a direita corrupta ainda pensa que pode governar quem?

Responder

Sérgio

01/05/2016 - 13h56

Como cearense sinto vergonha deste dito deputado canalha, que o povo cearense lembre bem desse traidor na próxima eleição.

Parabéns a todos que fazer Viomundo por este trabalho!

Responder

C.Paoliello

01/05/2016 - 13h43

Tudo gira em torno de uma única questão: os Senadores estão à venda como os deputados que se venderam alegre e despudoradamente?

Responder

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