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Cartas de Minas
Cartas de Minas

Fufuquinha brilhou no Conselho de Ética, enquanto Áureo e Felipe defenderam Deus e o futuro do filho: a bancada órfã de Eduardo Cunha na Câmara

21 de julho de 2016 às 23h21

Captura de Tela 2016-07-21 às 23.07.53

Áureo Lidio Moreira Ribeiro (SD-RJ):  “Feliz a Nação cujo Deus é o Senhor!” Sr. Presidente, eu acredito nisso. Como Parlamentar do Estado do Rio de Janeiro, representando aqui não só o Estado, mas a minha cidade de Duque de Caxias, com a responsabilidade de chegar a casa e olhar meus filhos e a minha família, eu voto “sim”. Sr. Presidente, quero, ao olhar para os meus filhos, Gabriel e Alice, construir um futuro melhor e encher de esperança este Brasil. Eu voto “sim”. Fora, Dilma! Fora PT!

Felipe Bornier (Bloco PROS-RJ): Pelo futuro do meu filho e do meu País, pelo meu Estado do Rio de Janeiro; que tenho muito orgulho de representar aqui na Câmara dos Deputados; pelos meus eleitores do noroeste fluminense; pela minha querida Baixada Fluminense; pela minha maravilhosa cidade de Nova Iguaçu, que eu muito amo e tenho orgulho de representar nesta Casa, e pelos 10 milhões de brasileiros hoje desempregados, eu voto pelo impedimento da Presidente da República.  Eu voto “sim” !

André Fufuca (Bloco PP-MA.): Em nome da unidade partidária do Partido Progressista, dos milhares de pessoas que foram enganadas pela Refinaria Premium, dos milhares de pessoas que choraram a morte dos seus entes queridos na BR-75, em nome desse Estado que carrego nas costas e no coração, olhando para você e para o meu querido Alto Alegre, digo ao povo maranhense e ao povo do Brasil que voto “sim”, a favor do impeachment.

Da Redação, com Garganta Profunda*

O 17 de abril de 2016 continua à espera de um documentarista que, com leveza, sublinhe o descompasso entre discurso e prática na República brasileira.

Um cineasta que desnude a falta de caráter dos que disputavam prebendas de um governo e, dias depois, passaram a denunciá-lo por puro oportunismo político.

Que demonstre a falta de caráter macunaímica de deputados que é também daqueles que os elegeram, exposta agora em rede nacional de TV — não em nome próprio, mas dos filhos, da família, de Deus, dos desempregados e até dos que morreram em uma rodovia. Talvez nunca mais haja um retrato tão nu e cru da alma do brasileiro quanto o 17 de abril.

A nós, no entanto, cabe apenas o papel revelador do jornalismo factual.

Quando o STF decidiu afastar da presidência da Câmara o notório corrupto Eduardo Cunha, flagrado em vários países do mundo com contas bancárias nas quais recebia dinheiro de propina, Áureo “feliz a Nação cujo Deus é o Senhor” Ribeiro foi um dos mais citados no relatório do ministro Teori Zavascki.

O ex-deputado José Severino Silva Felinto, ao depor na Procuradoria Geral da República, disse “que sabe que Eduardo Cunha atuava juntamente com Nelson Bornier e Áureo Lidio Moreira Ribeiro com frequência; que o próprio Áureo Ribeiro comentava muito isto com o declarante; que Nelson Bornier e Áureo Ribeiro faziam requerimentos para pressionar empresários; que o declarante diz isto em razão de evento que ocorreu em 2011; que nesta oportunidade, por volta de agosto de 2011, o declarante pessoalmente ouviu Nelson Bornier dizendo a Áureo Ribeiro que havia feito o requerimento e que a pessoa vai gemer na mão deles; que não sabe quem era tal pessoa, objeto do requerimento; que o declarante nesta oportunidade estava conversando com Áureo Ribeiro; (…) que Eduardo Cunha era o intelecto de Nelson Bornier e Áureo Ribeiro e exerce certo tipo de autoridade sobre eles e sobre muitos parlamentares na Câmara; que Nelson Bornier e Eduardo Cunha são amigos desde a época em que Eduardo Cunha era Presidente da Telerj; que Áureo Ribeiro tinha empresa de telefonia celular; que Eduardo Cunha também era próximo do Deputado Federal Áureo Ribeiro”.

Áureo, por sua vez, define sua relação com Eduardo Cunha como meramente “institucional”.

O deputado do Solidariedade, partido de Paulinho da Força, afirmou à mídia que não partiram de Cunha dois requerimentos apresentados por ele, Áureo, sobre licitações no Instituto Militar de Engenharia (IME), ligado ao Exército, cuja autoria é atribuída a Cunha pelo sistema de informática da Casa.

Já o agora ex-deputado Nelson Bornier, prefeito de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, é pai de Felipe “pelo futuro do meu filho” Bornier.

Aparentemente, Nelson era uma ferramenta de Eduardo Cunha para achacar empresários através do uso do mandato parlamentar.

Mas esta não é a única acusação que pesa contra os dois, Áureo e Nelson.

Edson Pereira de Oliveira foi assessor do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha.

Ele caiu depois da revelação de que recebeu 200 mil reais em propina, em 2011.

Pereira confirmou que recebeu o dinheiro. Disse que era para pagar dívidas de campanha eleitoral mal sucedida em 2008.

Caiu atirando: disse que quem intermediou os pagamentos foi um grupo de quatro deputados do Rio, dentre os quais Áureo “feliz a Nação cujo Deus é o Senhor” Ribeiro e Nelson Bornier.

“Os caras queriam manter no governo Dilma o mesmo esquema de desvio de recursos que havia antes”, disse Edson em entrevista, sem elaborar sobre qual era exatamente o esquema.

Nelson Bornier foi um dos alvos da Operação Catilinárias, da Polícia Federal. Apesar de governar Nova Iguaçu, ele mora num duplex na Barra da Tijuca, bem longe da Baixada Fluminense.

Cunha, outro alvo da mesma operação, à época recorreu ao tradicional antipetismo para se defender: “Todo dia a roubalheira do PT é fotografada e de repente uma operação contra o PMDB?”, protestou.

Uma auditoria da Controladoria Geral da União, feita a pedido do ministro Padilha, concluiu pela existência de um prejuízo efetivo ou potencial de R$ 96,5 milhões nos hospitais federais do Rio de Janeiro que seriam alvo do esquema de desvios.

Houve superfaturamento, pagamento por serviços não prestados e locação de equipamento a custos superiores aos de aquisição, dentre outras falcatruas.

As constatações da CGU não foram relacionadas ao esquema denunciado pelo ex-assessor de Padilha, ou seja, aparentemente não houve consequência legal para os quatro deputados.

Assim como Felipe Bornier, filho e herdeiro político de Nelson, André Fufuca, outro integrante da bancada de Eduardo Cunha na Câmara, também é herdeiro político de papai.

Fufuquinha saiu candidato depois que Francisco Dantas Ribeiro Filho, ex-prefeito de Alto Alegre do Pindaré, no interior do Maranhão, teve os direitos políticos suspensos.

Fufuca, o pai, já frequentou a lista do Ministério do Trabalho por manter 12 pessoas em trabalho análogo à escravidão na fazenda da família.

Ele foi objeto de uma ação do Ministério Público do Maranhão, que cobrou do ex-prefeito a devolução de R$ 162 mil à prefeitura de Alto Alegre por contratar sem licitação, comprovar gastos com documentos falsos e não investir o mínimo constitucional em Saúde.

Fufuquinha, eleito deputado federal, fez parte da bancada pró-Cunha no Conselho de Ética da Câmara.

Entre abril de 2015 e março de 2016, ele usou dinheiro do mandato para pagar R$ 92 mil a uma empresa da publicitária Danielle Ditz da Cunha Doctorovich, filha de Eduardo Cunha.

“Campanha suja dá nisso. Agora a vitória é no primeiro turno e punição para os criminosos”, escreveu Danielle no Facebook quando o pai sofreu acusações ao disputar a presidência da Câmara.

Danielle gastou U$ 40 mil em lojas de luxo no cartão de crédito da conta da empresa offshore Köpek durante viagem com a madrasta Cláudia Cruz, esposa de Cunha, que torrou outros U$ 44 mil. As duas teriam sido beneficiárias de R$ 5 milhões em propina recebidos pelo ex-presidente da Câmara em esquema de propinas envolvendo a Petrobras.

Cláudia e Danielle são alvos da Operação Lava Jato. O pai/marido pode perder o mandato em breve.

Não foi por falta de empenho de Fufuquinha. Ele atuou/votou consistentemente em defesa de Eduardo Cunha no Conselho de Ética.

Um certo institutoM diz que o pai de Fufuquinha, o ex-deputado estadual Fufuca Dantas, agora livre da ação movida contra ele pelo MP maranhense, lidera a corrida eleitoral se decidir se candidatar novamente a prefeito de Alto Alegre do Pindaré.

E assim segue a política brasileira, repleta de combatentes contra a corrupção alheia.

No Facebook, Fufuca reproduz postagens de terceiros em defesa de Cunha e de José Sarney.

Mas também celebra: agora está livre da “corrupção” de Dilma Rousseff.

Como se vê Eduardo Cunha, em sua bancada de 170 deputados, conseguiu juntar parlamentares de origens e partidos distintos. Não foi por causa da cor de seus olhos. Uma pista pode estar na contabilidade paralela da Odebrecht: só num período eleitoral, ele intermediou R$ 3 milhões em doações da empreiteira para o PSC, R$ 1,1 milhão para o PMDB e R$ 900 mil para o PR.

A velha mídia nunca investigou a fundo a origem dos superpoderes de Cunha por um motivo muito simples: seria a desmoralização completa do processo de impeachment que ele liderou. A ideia de que Cunha “prestou um serviço” ao país ao derrubar Dilma é disseminada e é por isso que ele frequentemente se agarra ao antipetismo como escudo para encobrir sua corrupção deslavada e documentada, assim com a de seus aliados.

As acusações contra Fufuca Pai e Nelson, assim como as que envolvem os filhotes Fufuquinha e Felipe — além de Áureo — são muito mais graves que as atiradas contra Dilma Rousseff, que ainda assim está na iminência de perder os direitos políticos por dez anos.

Você não acha que isso é um retrato do Brasil? Que merece um documentário?

*É repórter investigativo contratado pelos leitores do Viomundo para fazer a Galeria dos Hipócritas. Quem sabe um dia será o cineasta a transformar os textos em documentário.

Leia também:

Denunciada, fraude da Folha é pior do que parecia

 

16 Comentários escrever comentário »

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Antônio Inácio de Lima

01/08/2016 - 16h53

A corrupção no Brasil só quem dará jeito é o conselho da ONU. Enquanto deixar os bandidos do PMDB, PSDB, DEM, PPS, tudo continuará do mesmo jeito!

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Aracy

27/07/2016 - 14h47

Parabéns. Um texto preciso sobre a cruel realidade política brasileira. Deve mesmo virar documentário. Se precisar de vaquinha para iniciar as filmagens, é só avisar. Contribuo com muito gosto.

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FrancoAtirador

23/07/2016 - 15h14

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Interino Implantou a Meritocracia DemoTucana:

Pra Fazer Parte Integrante do Governo Provisório

só se for Sonegador, Privata, Corrupto e Fascista.
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FrancoAtirador

23/07/2016 - 05h30

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FMI entra no Guiness Book
como a Instituição Mundial
Mais Corrupta da História

http://pt.euronews.com/2016/07/22/diretora-geral-do-fmi-christine-lagarde-vai-ser-julgada
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Jaderson Oliveira

22/07/2016 - 22h04

Essa madrugada eu ouvia a “CBN” entrevistando uma pessoa não prestei atenção ao nome, a entrevista se dava por telefone, era sobre terroristas, o cara começou a criticar o governo interino, ai a ligação “caiu” a reporter sem constrangimento disse: É a ligação caiu.
ESSES repórteres de “merda” inescrupulosos, odeio com todas as minhas forças essa mídia de gangsteres, os Marinhos que o inferno os tenha.

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FrancoAtirador

22/07/2016 - 15h54

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“Em tempos de Engano Universal,
dizer a Verdade se Converte
em Ato Revolucionário”

George Orwell

https://pbs.twimg.com/media/Cn_OmVRWAAAWbJY.jpg
https://twitter.com/tsd_sd/status/756550443724054533
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Responder

Bacellar

22/07/2016 - 13h28

Realmente isso dá um doc de primeiríssima. Tem tudo: Humor, suspense, traição (talvez falte a redenção, mas é possível se virar sem ela)…. Molière não faria um enredo melhor.

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Luiz Carlos P. Oliveira

22/07/2016 - 12h37

Num governo de bandidos o que poderíamos esperar? Aquela votação na Câmara foi um circo de horrores, com ladrões fazendo discursos como de fossem o símbolo da honestidade. E hoje temos um governo corrupto de ponta a ponta. É ladrão? Pega um ministério prá ti.
Uma singela homenagem aos coxinhas.

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Luiza

22/07/2016 - 10h25

Enquanto eu lia o estômago foi embrulhando. Não tem saída: um país sem imprensa plural nunca terá democracia, porque as informações verdadeiras jamais serão reveladas ao grande público. A opinião da maioria do povo brasileiro é fruto dessa manipulação baseada em omissões e mentiras, então não há que se esperar muito quanto à escolha de representantes em eleições nas 3 esferas de poder. O resultado [caótico] é esse que está aí..
A imprensa teve papel fundamental para a derrubada do governo Dilma e os seus mais de 54 milhões de votos.
Precisa falar mais alguma coisa???
O país está sendo implodido por dentro e na cara da freguesia. A comemoração da grande mídia é a derrota do povo e a rendição/entrega total do país..
Haverá manifestação dia 31. Quem sabe seja eficaz? É nas ruas que o povo tem chance de virar esse jogo. Espero que a ficha caia, só isso..

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NUNO PORTO DE SANTOS

22/07/2016 - 09h12

Ante a inércia ( não se esqueçam : “eles” estão lá porque votaram neles!!!) só me resta quedar-me ante a verdade cristalina: “Cada povo tem o governo que merece!!!”

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Coelho

22/07/2016 - 08h00

Infelizmente o povo brasileiro gosta desses políticos! não é a toa que o tal Fufuca lidera a pesquisa para prefeito.
tristeza sem fim!!!

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Maria Carvalho

21/07/2016 - 23h53

Há quanto tempo se fala de desvio de dinheiro público!
Tanto dinheiro advindo de “impostos pagos” pelos contribuintes e “resvalado” para os “bolsos de bandidos eleitos” para redigir leis no parlamento.
Imagine-se quanto poderíamos ter, de ‘boa vida merecida”,se todo esse dinheiro fosse aplicado em prol de políticas públicas.

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