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Adilson Filho: Em defesa do futebol “chato”

publicado em 1 de julho de 2012 às 20:43

Vitória da Espanha, derrota da Globo

por Adilson Filho

Em 2010 a Globo se vestiu de vermelho e amarelo. Enalteceu o futebol espanhol até não poder mais — “aquilo sim era o verdadeiro futebol arte!” — enquanto descia a lenha e fazia a cabeça da massa contra a seleção brasileira. Era a manjada técnica do elogio instrumental: usavam a seleção espanhola para atingir Dunga, que, após alguns embates, chegou na Copa do Mundo como desafeto da Vênus Platinada.

Quando o time espanhol parou no “ferrolho-suiço” eles ficaram perdidinhos. É sempre assim, quando o ponto sai fora da curva, quando alguma coisa foge do que está ali programado pra encaixar nos argumentos, é a morte de uma imprensa fraca e golpista. Aí eles mostram toda sua contradição e incapacidade técnica de analisar o esporte. Depois a Espanha se recupera, vai lá e ganha a Copa. Deu pra ouvir o “ufa” daqui do Brasil.

Dois anos depois, essa mesma Espanha, esse mesmo time, já não serve mais. De futebol arte passou a ser chamado de futebol chato. De grandes jogadores a máquinas programadas e previsíveis. “Chato”, “enjoado” e “cansativo” foram os comentários mais ouvidos esses dias nas colunas esportivas. Os comentaristas globais, na hora do jogo, são mais Itália, um deles chega a dizer : “A Espanha é um grande time mas meu coração hoje é italiano”.

Luis Fernando Veríssimo, em sua crônica dominical matou parte da charada: inveja. Ele tem razão, a atual fase do futebol brasileiro — que vai mal das pernas, apesar das grandes promessas — faz com que muitos desdenhem a bola redonda que é jogada por outras escolas, entre elas, essa Espanha  – duas vezes campeã da Eurocopa, atual campeã mundial e que possui os dois melhores times do mundo (base da seleção nacional).

A outra parte da charada está no lado “impublicável” da turma dos “bem amigos”. A Espanha tem a mesma formação, o mesmo time e joga essa mesma bola redonda há pelo menos cinco anos.

Na África do Sul, virou menina dos olhos da Globo, mas foi só os seus interesses empresariais serem devidamente reestabelecidos –- na famosa ida de Ricardo Teixeira a mesa do Galvão Bueno no dia seguinte a grande final —  para que, menos de dois anos depois, essa mesma equipe já não fosse mais “tão boa assim”, a ponto de chegar a ser rotulada como inventora do futebol-chato.

Pra variar é sempre tudo muito óbvio, os esforços agora estão concentrados em levantar o futebol brasileiro a qualquer custo, botar tudo nas costas do moleque moicano e ver o que vai dar.

Só que esqueceram de combinar com os russos, ou melhor com os espanhóis. O timaço liderado pelo craque Iniesta, com toque de bola envolvente , dá de goleada na Itália, e levanta o troféu da Euro-2012 — competição disputada em alto nível por grandes equipes.

Chato, realmente muito chato…

 

12 Comentários para “Adilson Filho: Em defesa do futebol “chato””

  1. sex, 06/07/2012 - 20:52
    Carlos Eduardo Sanches

    Amigos,
    o jogo da Espanha só é chato pra quem perde (o jogo ou dinheiro). É um time que tem como maior “pereba” o Sérgio Ramos. PelamordeDeus, deixem os caras jogar e convençam nosso mercenários a correrem atrás da bola com disciplina tática, a se desmarcarem pra receber e a treinarem o fundamento mais importante do futebol: o passe. Sim, porque dá pra fazer gol de canela se você estiver embaixo das traves. Agora, passe, meus amigos, só com o pé bem treinado. Tem mais: a marcação cerrada deles nem sequer pressupõe trancos e ponta-pés. São inteligentes. Basta ocupar os espaços e pressionar quem está com a bola que o adversário erra e eles recuperam a posse facilmente e jogam à vontade. Porque outra coisa fundamental no futebol é o seguinte: se você está com a bola, você corre o dobro e cansa a metade. Fato.

    Torço pela Fúria pra não corrermos o risco de a Itália ganhar novamente do “Brasil de 82″ e o mundo inteiro achar que é melhor jogar no contra-ataque com uma retranca eficiente e isso mudar de novo o rumo do meu esporte favorito.

    PS: e quem diria que a Alemanha seria o único time, nos últimos anos, a me fazer acreditar que o futebol pode ser bom fora da Espanha. Uma pena os chucrutes terem ficado fora da final.

    Olé!!!!!!!!!

    • dom, 08/07/2012 - 14:09

      Muito bom, Carlos.

      Vc vai no ponto certo, é triste ver a falta de domínio dos fundamentos da bola dos jogadores brasileiros. São péssimos passadores, e não estamos nem falando no passe longo vertical (isso é pedir demais) mas sim de passe curtos para o lado, uma triangulação simples..O chute de média e longa distância chega sa ser pavoroso.

      É chato dizer mas temos que comer ainda muito arroz com feijão, pra chegar nesse nivel de excelência dem troca de passes, progressão em campo, e ocupação inteligente de espaçodo futebol espanhol.

      Enquanto isso só nos resta mesmo a dor de cotovelo, pois uma outra coisa que vigora por aqui é a dificuldade enorme de descer do salto, assumir as deficências e trabalhar sério para corrigi-las.

      abraço

  2. qua, 04/07/2012 - 9:15
    Bruno Andrade

    Realmente chega a ser ridículo como qualquer coisa é pretexto para falar mal da globo. Que discurso repetitivo hein, daqui a pouco vão dizer que a culinária de Ana Maria Braga é burguesa e discriminatória.

    • qua, 04/07/2012 - 14:28
      Adilson

      E realmente é impressionante o poder que ela ainda exerce em algumas mentes; porque, vou te contar uma coisa: Perder tempo da vida pra defender, de livre e espontânea vondade, uma instituição que colaborou com a ditadura militar, criminaliza os movimentos sociais e tanto mal ainda faz ao nosso país.

      Não é mole não.

    • dom, 08/07/2012 - 13:59
      Christiano Almeida

      Realmente, o Escobar entrou para a História: Levou um puta de um escracho. De um Campeão Mundial de Futebol. Foto na parede? Em Museu? Só os CAMPEÕES MUNDIAIS tem este direito. Quer queiramos ou não!

  3. ter, 03/07/2012 - 9:51
    Willian

    Que texto primário… inacreditável! É só mais um texto rancoroso, daqueles que a blogosfera progressista posta as vezes para exercitar o ódio contra a Globo. Sem pé, sem cabeça, genérico, sem se apoiar em fatos, sem dar nome aos bois. Serve ao menos pro Adilson ficar bem na fita com a galera.

    P.S Cadê o Dunga?

    • ter, 03/07/2012 - 11:16

      Os “bois” estão todos lá, e os fatos também, ‘tim tim por rim rim tim’;
      é só você ler com mais atenção, talvez sem o afã de defender outro lado.

      Aliás, se vc achou tudo isso inacreditável, se realmente não acredita nessas coisas feias, uma sugestão seria rebater aqui com argumentos, provando por a+b que a Globo é isenta, competente e desprovida de qualquer interesse irrevelável. Que tal?

      Respondendo ao seu PS: Dunga está na galeria dos campeões mundiais, com a foto em que levanta o caneco do tetra; já o jornalismo que vc parece defender trafega cada vez mais por “outras galerias”, se é que me entende..

      abraços

      • ter, 03/07/2012 - 13:56
        Willian

        Achei que Adilson fosse jornalista, mas argumenta como comentarista de blog, tanto no texto como na resposta que se dignou a me dar. Comentarista de blog progressita é assim: é contra a Globo estou a favor. Não assistem a Venus Platinada mas dão notícia de tudo que acontece na emissora, seja a hora que passe o programa. Reitero: que jornalista, quando e em que programa disse que o jogo da Espanha é chato? E se disse, por que não tem o direito?

        “Os comentaristas globais, na hora do jogo, são mais Itália, um deles chega a dizer : “A Espanha é um grande time mas meu coração hoje é italiano”.” Onde nesta frase que você destaca há uma crítica a Espanha ou que o jogo da Espanha é ruim? Reitero: texto primário, feito para ficar bem junto a galera que bate na Globo. Na mesa de bar você irá receber tapinhas nas costa, aguarde.

        Quanto ao Dunga, tenho que dar a mão a palmatória e concordar com você: ele realmente está numa galeria de fotos, no MUSEU, aposentado, virou uma foto na parede, história, desempregado, ninguém o quer no Brasil ou no exterior. Só foi heroi quando brigou com o Alex Escobar que, aliás, vai bem, como você deve saber mais do que eu.

      • ter, 03/07/2012 - 17:04

        Meu caro, vou falar bem devagar.. Os jornalistas, como Renato Maurício Prado, Calazans, Galvão e seus amigos tem todo direito de achar o jogo da Espanha chato, insosso e sonolento, desde que achassem também em 2010. Deu pra perceber? Será que é tanto difícil assim de entender uma crítica simples ou , com todo respeito, será preciso desenhar?!

        Na frase citada por você, não há crítica ao jogo da Espanha, em nenhum momento eu disse isso; o pior é que eu não posso nem pedir pra você reler , pois já fiz isso e não deu em nada…Aquilo ali, tenha boa vontade pra entender, apenas demonstra que a Globo estava sim torcendo pra Itália, muito provavelmente surfando na “onda Balotelli”..Mais uma vez se deram mal, na hora h, o tal do “tic-tac” funcionou como nunca e enterrou de vez o novo senso comum que estavam querendo emplacar: Seleção espanhola = futebol chato.

        Quanto ao Dunga, eu vou dar um desconto pois você está mesmo muito desinformado, saiba que ele pode escolher o time de ponta pra trabalhar, São Paulo, Inter, etc_e semana passada foi sondado pelo Flamengo pro lugar do Joel.

        Por favor, amigo, forçar a barra já é demais.. Usar, além de mentiras, o Escobar pra tentar denegrir um profissional sério tu tá pegando pesado, cara. O pior é que ele parece até ser um boa praça, já você está me saindo um chato de galocha, que vou te contar hein..rs..

  4. seg, 02/07/2012 - 17:52
    marcosomag

    É muito surpreendente o sucesso da Espanha. Eles jogam no mesmíssimo esquema que o Marcelo Bielsa implantou na seleção da Argentina, e que fracassou miseravelmente na Copa de 2002. E os argentinos tinham um ataque bem melhor, com Batistuta, Crespo e Tevez. A mesma compactação do time, o mesmo balanço defensivo facilitado pela mobilidade dos baixinhos do time, o mesmo toque de bola à espera de um buraco na defesa adversária. Na Copa, foram facilmente vencidos por ingleses e suecos via contra-ataques nas costas de um time compactado demais. Se ocupam 30m de gramado, dão 60m para os adversários jogarem. Evidentemente, o entrosamento da Espanha de hoje em relação àquela Argentina proporciona uma pressão maior sobre o adversário com a bola, evitando viradas de jogo e mitigando o “lado fraco” do balanço defensivo. Mesmo assim, acho que alguns treinos táticos para que os meio-campistas ficassem mais sincronizados com os atacantes e jogando a bola nas costas da defesa espanhola iriam proporcionar até goleadas em favor dos adversários do time espanhol.

  5. seg, 02/07/2012 - 17:37
    rita

    Ainda continua um futebol chato… pode fazer gols, mas é chato e mecânico… uma boa pedida para a era da robotização humana que já está a caminho…

  6. seg, 02/07/2012 - 3:28
    darcio

    No Brasil ainda se conserva a memória do futebol-arte. Ainda que esse rótulo seja bastante discutível, se fomos mesmo SEMPRE portadores de um futebol-arte (o mais correto seria pensar que jogamos momentos de futebol arte) o fato é que os tempos mudaram muito e o futebol tb, o Brasil ficou pra trás e hj somos apenas mais uma dentre as seleções competitivas, e tudo indica – pelos jogos e o nível dessa Euro – que nós tomaremos um chocolate em casa em 2014. A não ser que mudemos nossa mentalidade e começamos a trabalhar sério, mas é quase impossível esperar isso da CBF e do comprometimento dos jogadores….em dois anos apenas! Esse rótulo de futebol arte serve só pra empresa-seta fornecedora do materal esportivo e seus agregados faturarem um milhão de dólares por amistoso, na prática, no campo, somos pífios, faz tempo.

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