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Cartas de Minas

Weissheimer: A caixa preta da relação da mídia com a ditadura

03 de setembro de 2013 às 22h06

Colunistas| 03/09/2013 | Copyleft

DEBATE ABERTO

O editorial de O Globo e a caixa preta da relação da mídia com a ditadura

A participação da mídia brasileira no golpe de 64 e na ditadura é um episódio que ainda está para ser plenamente contado. Muitos dos compromissos que levaram uma parte importante da imprensa brasileira a se aliar com setores golpistas e autoritários permanecem presentes e se manifestam em outros debates da vida nacional.

Marco Aurélio Weissheimer, no Sul21, reproduzido pela Carta Maior

O jornal O Globo publicou editorial, dia 31 de agosto, admitindo que “o apoio editorial ao golpe de 64 foi um erro”, ou um “equívoco” como também diz o texto.

A decisão de tornar pública essa avaliação, diz ainda o editorial, “vem de discussões internas de anos, em que as Organizações Globo concluíram que, à luz da história, o apoio se constituiu um equívoco”.

Quase 50 anos depois do golpe civil-militar que derrubou o governo constitucional de João Goulart, as organizações Globo vêm a público falar desse “equívoco”, lembrando que outros grandes jornais do país também aderiram ao movimento golpista (cita o Estado de São Paulo, a Folha de São Paulo, o Jornal do Brasil e o Correio do Brasil, “apenas para citar alguns”) e admitindo que as vozes recentes das ruas afirmando que “a Globo apoiou a ditadura” são inquestionáveis.

Mas o que poderia parecer uma autocrítica acaba descambando ao longo do texto do editorial para um exercício cínico de justificação da decisão tomada em 1964 e de ocultamento dos benefícios que a empresa teve por seu apoio aos golpistas.

O texto cita um editorial assinado por Roberto Marinho em 1984, que “ressaltava a atitude de Geisel em 13 de outubro de 1978, que extinguiu todos os atos institucionais, o principal deles o AI5, reestabeleceu o habeas corpus e a magistratura (…)”.

Logo em seguida, justifica o apoio ao golpe destacando “os avanços econômicos obtidos naqueles vinte anos” e a crença de que o golpe foi “imprescindível para a manutenção da democracia e, depois, para conter a irrupção da guerrilha urbana”.

O argumento do editorial, em resumo, é: “à luz da história, olhando 50 anos depois, foi um erro, mas naquele momento foi imprescindível para a manutenção da democracia”.

[Trecho do documentário Beyond Citizen Kane, da tv britânica, contém depoimento do ministro-censor da ditadura militar]

A mídia e a ditadura: uma história que deve ser contada


O exercício editorial de cinismo e memória seletiva de O Globo serve ao menos como oportunidade para trazer à luz um debate que permanece escondido nas sombras no Brasil.

É uma oportunidade histórica para debater as relações entre as grandes empresas de comunicação do país e a ditadura civil-militar que atingiu o Brasil entre 1964 e 1985.

Várias dessas empresas construíram seus impérios midiáticos gozando de favores e benefícios dos governos da ditadura.

A imensa maioria da população brasileira não conhece essa história, especialmente as novas gerações.

O nosso país está muito atrasado neste processo. A Argentina, ao contrário do que aconteceu no Brasil, está acertando as contas com o período da ditadura militar (1976-1983).

Além de dar prosseguimento ao julgamento dos militares e policiais acusados de crimes como tortura e assassinato, o governo argentino decidiu mexer em outro vespeiro e levantou o tapete que escondia as relações promíscuas entre a ditadura e meios de comunicação.

No dia 24 de agosto de 2010, por exemplo, a presidente Cristina Fernández de Kirchner apresentou um relatório de mais de 20 mil páginas acusando os donos dos principais jornais do país de envolvimento em crimes de lesa-humanidade cometidos durante a ditadura.

No relatório, intitulado Papel Prensa, a Verdade, o governo argentino denunciou os proprietários dos jornais La Nación, Clarín e do extinto La Razón de terem se apropriado ilegalmente e mediante ameaças da maior empresa fornecedora de papel jornal do país na época da ditadura, a Papel Prensa, em novembro de 1976.

O documento relata como os antigos proprietários da empresa, o banqueiro David Gravier e sua esposa Lídia, foram sequestrados pelos militares em 1977 e forçados a assinar papéis “vendendo” suas ações na empresa.

Uma parte importante das investigações do governo argentino baseia-se no testemunho de Lídia Papaleo que, além ter sido sequestrada, foi torturada pelos militares argentinos.

Em um artigo, intitulado “O que há por trás de um jornal chamado Clarín” (Carta Maior (04/06/2012), o jornalista Eric Nepomuceno relata um trecho de um novo depoimento de Lídia Papaleo à Justiça argentina.

Ela afirmou:



Até hoje lembro os rostos de meus torturadores. Porém, nenhum desses rostos, nenhum desses olhares, me persegue e amedronta mais em meus pesadelos que o olhar de Héctor Magnetto me dizendo que ou assinava a venda de Papel Prensa, ou eu e minha filha seríamos mortas.

Héctor Magnetto, assinala Nepomuceno, era e continua sendo o principal executivo do grupo Clarín. Foi quem, naquele distante 1976, e antes do sequestro e das torturas de Lidia Papaleo, se reuniu com ela, e foi diante dele que ela capitulou.

Os proprietários dos jornais acusados acusaram e seguem acusando o governo argentino de querer controlar a imprensa e impor um regime de censura.

A verdade é que, como aconteceu também no Brasil, essas empresas apoiaram a ditadura, beneficiaram-se com ela e, possivelmente, são cúmplices diretos ou indiretos de vários crimes cometidos pelo regime ditatorial.

Ao mexer na caixa preta da mídia, Cristina Kirchner comprou aquela que é, talvez, a mais pesada luta de seu governo.

Porta-vozes do interesse público?


As empresas de comunicação têm o hábito de se apresentarem como porta-vozes do interesse público. Em que medida uma empresa privada, cujo objetivo central é o lucro, pode ser porta-voz do interesse público?

Essas empresas participam ativamente da vida política, econômica e cultural do país, assumindo posições, fazendo escolhas, pretendendo dizer à população como ela deve ver o mundo.

No caso do Brasil, assim como ocorreu na Argentina, a história recente de muitas dessas empresas é marcada pelo apoio a violações constitucionais, à deposição de governantes eleitos pelo voto e pela cumplicidade com crimes cometidos pela ditadura militar (cumplicidade ativa muitas vezes, como no caso do uso de veículos da Folha de São Paulo para o transporte de presos políticos torturados durante a famigerada Operação Bandeirantes).

Até hoje nenhuma dessas empresas julgou necessário justificar seu posicionamento durante a ditadura. O Globo faz o primeiro ensaio disso agora, em um texto que, a todo momento, procura justificar o “erro” pelo “contexto histórico”.

Muitas delas sequer usam hoje a expressão “ditadura” ao se referir àquele triste período da história brasileira, preferindo falar em “regime de exceção”.

Agem como se suas escolhas (de apoiar a ditadura) e os benefícios obtidos com elas fossem também expressões do “interesse público”.

Apoiar o golpe militar que derrubou o governo Jango foi uma expressão do interesse público?

Ser cúmplice de uma ditadura que pisoteou a Constituição brasileira, torturou e matou é credencial para se apresentar como defensor da liberdade?

O silêncio dessas empresas diante dessas perguntas, por outro lado, não deixa de ser uma resposta às mesmas.

No Rio Grande do Sul, temos também um triste capítulo dessa história que ainda está para ser devidamente contada. O jornal Zero Hora ocupou o lugar da Última Hora, fechado pelos militares por apoiar Jango.

O batismo de nascimento deste jornal foi marcado por atos de violência contra o Estado Democrático de Direito.

Três dias depois da publicação do Ato Institucional n° 5 (13 de dezembro de 1968), ZH publicou matéria sobre o assunto afirmando que “o governo federal vem recebendo a solidariedade e o apoio dos diversos setores da vida nacional”.

No dia 1° de setembro de 1969, o jornal publica um editorial intitulado A preservação dos ideais, exaltando a “autoridade e a irreversibilidade da Revolução”.

A última frase editorial fala por si: “Os interesses nacionais devem ser preservados a qualquer preço e acima de tudo”.

Interesses nacionais ou interesses empresariais? A expansão da empresa de mídia gaúcha se consolidou em 1970, com a criação da RBS.

A partir das boas relações estabelecidas com os governos da ditadura militar e da ação articulada com a Rede Globo, a RBS foi conseguindo novas concessões e diversificando seus negócios.

Hoje, quem falar em resgatar essa história será acusado de ser “inimigo da liberdade de imprensa”. 

Mas não foi apenas a Zero Hora.

O Correio do Povo teve ativa participação no Golpe de 1964 que derrubou o governo de João Goulart.

O artigo “1964: o Rio Grande do Sul no olho do furacão”, de Enrique Serra Padrós e Rafael Fantinel Lamiera, descreve o comportamento da publicação então pertencente ao grupo Caldas Junior:

 “O jornal Correio do povo assumiu uma crítica violenta, acusando Goulart de agitador, violador da democracia, demagogo e de querer instalar um “neoperonocastrismo” no Brasil (seja lá o que isso quisesse dizer).

 Adotava uma linha de questionamento como a que vinha sendo utilizada por Lacerda e a imprensa do centro do país nos ataques tanto ao governo federal quanto ao próprio Brizola. Tratava-se de uma referência explícita aos planos de instalar no Brasil um regime comunista aos moldes “caudilhescos” e populistas dos pampas; em decorrência, uma mistura de Perón e Fidel Castro, dois dos maiores pesadelos das direitas latino-americanas” (p.41, in A Ditadura de Segurança Nacional no Rio Grande do Sul)”.

Repetindo posição assumida por outros jornais de grande circulação do país, o Correio do Povo publicou às vésperas do golpe de 1964, um editorial clamando “para que as Forças Armadas cumprissem sua histórica missão de serem sustentáculos da lei e da ordem, sob o espírito de sua vocação histórica, o cristianismo e a democratismo-liberal.

O final do desse editorial afirma:  

“O caminho a seguir nesta hora de decisão não comporta dúvidas ou vacilações: é o do saneamento ético das cúpulas políticas e administrativas e da anulação dos inimigos da pátria e da democracia, que se encastelaram funestamente na própria cidadela do poder”.

A participação da mídia brasileira no golpe de 64 e na ditadura que se seguiu a ele é um episódio que ainda está para ser plenamente contada. Há muitas lacunas e zonas cinzentas nesta história. E isso não parece ocorrer por acaso.

Muitos dos compromissos que levaram uma parte importante da imprensa brasileira a se aliar com setores golpistas e autoritários permanecem presentes e se manifestam em outros debates da vida nacional.

Enquanto a sociedade não decidir que abrir essa caixa preta é uma condição para o avanço da democracia no país, essas empresas, no Brasil, na Argentina e em outros países da América Latina seguirão praticando um de seus esportes preferidos: pisotear a memória e apresentar os seus interesses privados como se fossem interesses públicos.

Leia também:

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Beatriz Kushnir: Quem eram os “cães de guarda” da ditadura

Beatriz Kushnir: Como a mídia colaborou com a ditadura militar

Alípio Freire e Beatriz Kushnir: A Folha e a ditadura

 A série as crianças e a tortura, do Jornal da Record

 

34 Comentários escrever comentário »

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Luís Carlos

04/09/2013 - 20h18

Globo traiu, trai permanentemente e trairá sempre o Brasil e os brasileiros. As relações espúrias entre ela e instituições estadunidenses, sempre vendendo o país para os comparças desde que ela, Globo, leve sua parte, são históricas. Globo mantém parcerias com objetivo de divulgar apenas o que seu chefe estrangeiro quer, envenenando o povo brasileiro com conteúdo tóxico. As armações são incessantes e dos mais diversos ardis. Lixo é lixo e jamais mudará essa natureza.

Responder

Zanchetta

04/09/2013 - 16h46

Puxa! Se a mídia e a ditadura eram tão intrinsecamente ligados, porque havia a necessidade de CENSORES?!?!?

Responder

    FrancoAtirador

    04/09/2013 - 21h15

    .
    .
    Porque, no entender dos ditadores, as únicas opiniões

    que poderiam ser publicadas eram as dos Zanchettas.

    Algo assim parecido com o Blog do Reinaldo Azevedo.
    .
    .

roberto almeida

04/09/2013 - 16h44

O fax remetido pelo Antônio Carlos Magalhães aos filhos do Roberto Golpista Marinho é o retrato perfeito da elite brasileira, que segundo Mino Carta é a pior do mundo. Valentão contra o mais fraco, é sabujo com os poderosos. Dá nojo.

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Cid Elias

04/09/2013 - 11h42

Mais um artigo esclarecedor do Marco Weissheimer, parabéns! Sou gaúcho e costumo dizer pros meus faceamigos amestrados: zerohora – o único panfleto marrom do mundo cuja nota pro jornalismo de esgoto que faz já vem no nome!

Responder

Messias Franca de Macedo

04/09/2013 - 11h20

Clube Militar e a “traição” da Globo
Por Altamiro Borges

O artigo de O Globo que admitiu, finalmente, que foi “um erro” o apoio do jornal ao golpe de 1964 continua causando curiosas reações. Nesta terça-feira (3), o Clube Militar, que reúne os “milicos de pijama” saudosos da ditadura, divulgou em seu site uma dura nota contra “a covardia do último grande jornal carioca”. O texto, assinado pelo general de divisão Clóvis Purper Bandeira, assessor da presidência da entidade, repõe algumas verdades históricas sobre a participação da famiglia Marinho no golpe e também na ditadura, mas revela todo o rancor dos golpistas. Vale conferir:

*****

Equívoco, uma ova
(…)
Dupla mentira: em primeiro lugar, o apoio ao Movimento de 64 ocorreu antes, durante e por muito tempo depois da deposição de Jango; em segundo lugar, não se trata de posição equivocada “da redação”, mas de posicionamento político firmemente defendido por seu proprietário, diretor e redator chefe, Roberto Marinho, como comprovam as edições da época; em segundo lugar, não foi, também, como fica insinuado, uma posição passageira revista depois de curto período de engano, pois dez anos depois da revolução, na edição de 31 de março de 1974, em editorial de primeira página, o jornal publica derramados elogios ao Movimento; e em 7 de abril de 1984, vinte anos passados, Roberto Marinho publicou editorial assinado, na primeira página, intitulado “Julgamento da Revolução”, cuja leitura não deixa dúvida sobre a adesão e firme participação do jornal nos acontecimentos de 1964 e nas décadas seguintes.
Declarar agora que se tratou de um “equívoco da redação” é mentira deslavada.
Equívoco, uma ova! Trata-se de revisionismo, adesismo e covardia do último grande jornal carioca.
Nossos pêsames aos leitores.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

FONTE: http://altamiroborges.blogspot.com.br/2013/09/clube-militar-e-traicao-da-globo.html

Responder

    FrancoAtirador

    04/09/2013 - 21h11

    .
    .
    Pô! É a primeira vez que concordo

    com o trecho de um texto escrito

    por um bandido fardado de pijama.
    .
    .

Mardones

04/09/2013 - 09h13

Se o PT decidisse não financiar o PIG, daria uma imensa contribuição ao Brasil.

Responder

anac

04/09/2013 - 08h08

Vladimir Herzog como não era comunista da Globo, mico amestrado do Roberto Marinho, foi torturado e devidamente suicidado pelos milicos.
O passado da Globo a condena mas o presente também. Continua ativa conspirando contra a democracia.E para manter os privilégios que a enriqueceram as custas do povo ainda se arvora na maior defensora da liberdade de imprensa. Quem apoiou ditadura jamais poderá se dizer defensora da liberdade qualquer que seja.

Responder

Gerson Carneiro

04/09/2013 - 07h55

O Globo não só procura justificar o “erro” pelo “contexto histórico” como também diz a todo momento: “eu fiz mas fulano e cicrano também fez”.

Faltou no texto citar a relação amorosa entre Roberto Marinho, Antônio Carlos Magalhães e os militares.

No Brasil atual, para aumentar o constrangimento, a Presidenta Dilma mantém um capacho da Rede Globo como Ministro das Comunicações.

Responder

    FrancoAtirador

    04/09/2013 - 10h38

    .
    .
    Por falar em ACM e Mídia Bandida:

    22/03/2000
    IstoÉ Nº 1590

    Nec: O grande negócio

    Por Sônia Filgueiras

    A história da transferência da NEC, poderosa fabricante de equipamentos de telecomunicações, para o empresário Roberto Marinho ficou marcada pelas suspeitas de troca de favores entre as Organizações Globo e o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA).

    Uma CPI no Congresso chegou a investigar a denúncia de que o rentável contrato de retransmissão da programação da Rede Globo pela TV Bahia, de propriedade da família de ACM, foi uma compensação por serviços prestados pelo senador à Globo quando foi ministro das Comunicações, no governo José Sarney.

    A novela da NEC começou em 1986, quando o empresário Mário Garnero, dono da Brasilinvest Informática e Telecomunicações (BIT), passou a ser pressionado para ceder seus 51% do capital acionário na NEC para Roberto Marinho.

    ACM se juntou aos sócios japoneses de Garnero, donos da NEC Corporation, para forçar o empresário a abrir mão do negócio, que à época ostentava um faturamento anual de US$ 300 milhões.

    Garnero passava por dificuldades desde a execução extrajudicial do seu banco, o Brasilinvest, mas partiu de ACM a canetada fatal que consumou a asfixia financeira do empresário e, na sequência, a transferência milionária.

    Usando o poder de ministro das Comunicações, Antônio Carlos Magalhães suspendeu o pagamento de uma dívida de US$ 30 milhões da Telebrás com a NEC.

    Tratava-se de um contrato de fornecimento de equipamentos já entregues pela NEC à Telebrás.

    Coincidentemente, a partir de janeiro de 1987 a TV Bahia, inaugurada como afiliada da Manchete, passou a exercer o precioso direito de botar no ar a programação da Rede Globo.

    No relatório preliminar da CPI da NEC, o então deputado Luiz Carlos Santos (PFL-SP) – na época no PMDB – concluiu que ACM “ultrapassara os limites de sua autoridade, os limites da lei e os termos contratuais” ao suspender os pagamentos.

    ACM atuou como principal defensor de Roberto Marinho na CPI e depois de muito esforço político, a bancada do PFL, capitaneada por seu filho, Luís Eduardo Magalhães (BA), conseguiu excluir do relatório os trechos em que o envolvimento de ACM no caso era citado.

    Questão de ética
    Na semana em que viu seu nome envolvido nas denúncias de corrupção da Prefeitura de São Paulo, o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) tomou conhecimento que chegou ao Conselho de Ética do Senado uma representação contra ele.

    O sargento reformado do Exército, Abílio Teixeira Filho, o mesmo que levou ao Conselho o nome dos senadores Teotônio Vilela (PSDB-AL) e Luís Otávio (sem partido-PA), pediu a cassação do mandato de ACM por quebra de decoro parlamentar.

    A representação do militar é baseada no fax que o senador enviou ao jornalista Tales Faria, chefe da sucursal de ISTOÉ em Brasília, em dezembro do ano passado.

    Em papel timbrado da presidência do Senado, ACM xinga o jornalista de “filho da ….”.

    O presidente do Conselho de Ética, Ramez Tebet (PMDB-MS), já designou o senador Osmar Dias (PSDB-PR) para relatar o processo.

    (http://www.terra.com.br/istoe-temp/1590/politica/1590nec.htm)
    .
    .
    Fax de ACM para os filhos de Roberto Marinho

    Meus queridos amigos,
    Roberto Irineu Marinho, vice-presidente da Rede Globo de Televisão
    João Roberto Marinho, vice-presidente do Infoglobo
    José Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo

    O programa “Globo Repórter” da última sexta-feira veiculou declarações mentirosas e levianas da senhora Nicéa Pitta, sem me dar oportunidade de defesa.

    Conceder o direito de defesa é sagrado até para inimigos, quanto mais aos amigos.

    Não se esperava um comportamento assim com um amigo.

    Essa atitude fere o código de ética da emissora.

    Tenho uma amizade desinteressada com o pai de vocês.

    Seu pai me considera seu maior amigo.

    Sou leal e discreto confidente há 40 anos, inclusive em assuntos íntimos familiares.

    Fui convidado pelo pai de vocês para ser sócio em quatro empreendimentos. [!!!]

    Não aceitei, o que mostra como minha amizade era e é desinteressada.
    Somos afiliados da TV Globo e cumprimos rigorosamente o manual da emissora.

    A TV Bahia dá um dos maiores retornos de audiência e rendimentos do sistema.

    Vocês devem imaginar o quanto sofri para fazer justiça ao pai de vocês na decisão da NEC. Paguei um preço por isso.

    Mas agi de acordo com minha consciência. Fizeram até uma CPI e nada comprovaram de errado.

    Meu filho, o deputado Luís Eduardo Magalhães, sempre foi amigo de vocês, que diversas vezes o convidaram para palestras nas Organizações Globo.

    Nos projetos relacionados a interesses da emissora no Congresso, meu filho se empenhou pessoalmente para que sempre houvesse uma decisão.

    Desconheço as razões obscuras que levaram a essa reportagem, mas vou descobrir.

    Peço desculpas por enviar essa carta por fax, mas a urgência dos acontecimentos me obrigou a fazer isso.

    Abraço afetuoso
    Antônio Carlos Magalhães

    (http://www.terra.com.br/istoe-temp/1590/politica/1590magalhaes.htm)

AlvaroTadeu

03/09/2013 - 23h34

Recomendo a leitura do livro “Cães de Guarda”, da professora Beatriz Kushnir. Ela faz um estudo aprofundado da imprensa brasileira, seus jornalistas e seu papel na censura, criação e derrubada de governos eleitos. (Washington Luís, Getúlio Vargas, Jango e Collor, este, posto e deposto pela Rede Globo de Televisão.

Responder

Fabio Passos

03/09/2013 - 22h43

Esta é a globo: Cúmplice de torturas e assassinatos.

E este joão roberto marinho, que ainda hoje mente e manipula descaradamente para defender os mesmos interesses que promoveram o golpe de Estado em 64, ainda acha que tudo deve ficar bem após admitir o “erro”?

Temos é que implodir a rede globo… este sustentáculo do Apartheid Social!

O Brasil precisa se livrar definitivamente deste entulho da ditadura!

Responder

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