VIOMUNDO

Quando O Globo atacou o MP e defendeu a presunção de inocência

02 de março de 2016 às 13h53

Captura de Tela 2016-03-02 às 13.51.33Luiz Francisco e o sorriso impune de FHC, apoiado por Marinho

Tempos seletivos

Por Rodrigo Aguiar, no Facebook, sugerido por Maria Goretti

Se a indignação corrente contra casos de corrupção — a maioria ainda baseada em precárias denúncias de meliantes, barcos de lata e pedalinhos infantis — é seletiva, por que a memória não seria?

No início dos anos 2000, o procurador federal Luiz Francisco de Souza atazanava tucanos ligados ao presidente FHC.

Era ridicularizado pela chamada grande imprensa: um falso paladino, falso asceta (dirigia um fusca 1985) e petista. Tratamento não apenas diferente, mas contrário ao recebido pelos procurados da lava jato.

O jornal O Globo era o mais preocupado com a — cito um editorial — “ofensiva contra a imagem do próprio presidente da República”.

Ao analisar ações de membros do MPF que se aproximavam do gabinete presidencial, o mesmo editorial dizia ser “incorreto que se confundissem indícios com provas, possibilidades com certezas e, acima de tudo, desejos com fatos”.

Os “desejos”, no caso, seriam as motivações político-partidárias do procurador. O Globo pedia calma. Estava correto.

Agora, encontre esse bom senso em quaisquer edições globais nos últimos anos.

O editorial é do dia 15 de agosto de 2000.

Segue (1) uma versão dele, na íntegra.

E (2) um trecho destacado, que me parece uma das maiores pérolas do esquecimento brutal que acometeu os outrora SENSATOS editorialistas de O Globo.

Captura de Tela 2016-03-02 às 13.39.59

Sei que caixa alta parece grito, mas é necessário, creiam neste perplexo postante.

Ao criticar um procurador federal por excessos que estavam turvando a imagem do presidente, o Globo, em sua nobre página de opinião, naquele ancestral agosto, PUBLICOU isso:

“(…) o interesse público pede principalmente algo bastante elementar: que guardem suas denúncias PARA O FIM DO PROCESSO INVESTIGATÓRIO E NÃO AS ALARDEIEM NO INÍCIO, QUANDO SÃO AINDA SUSPEITAS.”

O editorial chega a sugerir uma revisão nas prerrogativas do Ministério Público garantidas na Constituição de 1988. E encerra com um galante FH falando à já notável repórter Mirian Leitão. Vale a pena a leitura, basta colar as colunas.

Dito isto, lido o editorial, te pergunto: que tal?

Captura de Tela 2016-03-02 às 13.45.41Captura de Tela 2016-03-02 às 13.45.25

Leia também:

Lula pede à Globo que investigue mansão de Paraty

 

5 Comentários escrever comentário »

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

carmen silvia

03/03/2016 - 01h04

O que foi feito de Luiz Francisco?

Responder

Lukas

02/03/2016 - 15h12

Boa, muito boa a reportagem.

Já vimos como a Globo reagia às denúncias do Procurador Luiz Francisco.

Agora, gostaria de saber como o PT e a imprensa progressista tratavam o Procurador e suas denúncias.

Responder

    Arthemísia

    02/03/2016 - 18h02

    Não seja cínico, pois isso você já sabe, já que nenhuma denúncia prosperou e o procurador desapareceu.

    bonobo de oliveira, severino

    03/03/2016 - 08h03

    Eu penso que a pergunta mais adequada seria se já houve “imprensa progressista” alguma vez no Brasil, depois de a Última Hora de Samuel Wainer (talvez progressista?) e antes dos blogueiros sujos (nem tanto progressistas?). Acredito que nos anos 2000 só havia os grandes jornais, ainda com alguma preocupação, por parte das grandes empresas de comunicação com um mínimo de aparência de imparcialidade e um certo recato. Segundo um histórico narrado pelo Nassif, certamente muito bem conhecido pelo pessoal do Azenha, a guinada partidária desavergonhada e associação ao crime organizado da grande imprensa brasileira deu-se a partir de 2005, mediante um acordo celebrado sob a liderança do, então, influente empresário de revistas, Roberto Civita. Essa militância partidária da grande imprensa, associada ao crime organizado, atingiu sucesso estrondoso quando à parceria celebrada em 2005 aderiram várias autoridades de diversos segmentos dos órgãos, que até então, eram chamados de órgãos de controle, como judiciário, MP, PF e outras instituições degeneradas. A partir de 2014, imprensa partidária, judiciário, MP, PF e outras instituições, outrora voltadas ao controle dos poderes da república, passaram a ser, como diria o Mino Carta, “…tudo a mesma SOPA!!”

Douglas

02/03/2016 - 14h13

A gRoublo é a personificação da hipocrisia!

Responder

Deixe uma resposta