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Professores da USP denunciam prisão e flagrante policial forjado

28 de junho de 2014 às 16h48

Foto extraída do site do Coletivo Desentorpecendo a Razão — DAR

Nós Somos Fábio Hideki Harano

dos professores da USP signatários do texto, via e-mail

Por que as pessoas protestam?

Depois de junho de 2013 uma onda de protestos incomoda os porta-vozes das classes endinheiradas na imprensa. Desde a invocação do direito de ir e vir em São Paulo (sic) até a aceitação do protesto (desde que sem vandalismo!), a grande imprensa elenca vários argumentos contra as liberdades democráticas dos manifestantes.

Obviamente, as pessoas comuns protestam porque não podem formar lobbies no Congresso; porque não frequentam as altas rodas em que as políticas  reais são conchavadas; porque não acompanham políticos em jatinhos carregados de drogas. As pessoas protestam quando não são indiferentes.

Fabio Hideki Harano  é um jovem solidário.  Ele foi a atos em defesa da causa negra sem ser negro. Ele acompanhou a marcha da maconha sem ser usuário. Ele foi ao ato do  dia 23 de junho sem condenar black blocs, pichadores e outras formas de  indignação da juventude. Quem conhece o Fábio sabe que ele é também pacífico.

Fábio pertence ao movimento estudantil da USP e para ele escreveu análises muito ponderadas. Fábio não carregava explosivos quando foi preso nas escadarias do Metrô. Ele só ia para casa.

Fabio não pertence a nenhuma associação criminosa como a Polícia o acusa. Ele é aluno e funcionário da USP. E está em greve, exercendo um direito constitucional. O Padre Julio Lancelotti, que o acompanhava, viu que o flagrante policial foi forjado.

Os policiais, os juízes do Tribunal de Justiça que lhe determinaram prisão preventiva, o Governador da Opus Dei e  seu secretário e os membros da imprensa que tratam de seu caso com “neutralidade” apenas reforçam a nossa Democracia Racionada. Fabio é uma vítima dela.

Se Fábio Hideki Harano e o professor Rafael Lusvarghi não forem soltos; se não forem retiradas todas  as falsas acusações contra eles, ninguém poderá dormir tranquilo. Se Fábio  foi preso à luz  do dia só por ser um militante político de esquerda, não é preciso perguntar o que a Democracia Racionada guarda para os jovens presos à noite nas  quebradas da vida.

Todos nós somos hoje Fábio Hideki Harano. A injustiça que pesa sobre ele pesa sobre nós.

Nós Somos Fábio Hideki Harano.

Assinam os Professores da USP:

Jorge Grespan – Jorge Luiz Souto Maior – Lincoln Secco – Luiz Renato Martins – Marcos Silva – Ricardo Musse – Vladimir Safatle 

Assinam também estes professores de outras universidades:

Marly Vianna, Ufscar

Lucio Flavio R.  de Almeida, PUC – SP

Milton Pinheiro, Uneb

Caio Navarro Toledo,  Unicamp

Ricardo Antunes, Unicamp

Fátima Previdelli, UFJF

Virginia Fontes,  UFF

Leia também:

PM paulista inventa lei: Protesto, só com líder identificado

 

20 Comentários escrever comentário »

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Leo V

01/07/2014 - 23h56

Relato do professor da USP Pablo Ortellado sobre o debate ontem na Praça Roosevelt pela Liberdade de Fabio Hideki e a ação da polícia sobre os presentes.

“A sensação de todos nós é que a comparação com a ditadura não é mais metafórica. Simplesmente a liberdade de reunião e a liberdade de manifestação estão suspensas. Também como nos anos de chumbo, quem está dentro da ordem, apenas acompanhando e torcendo pelos jogos, nem percebe as graves violações pelas quais o país está passando.”

https://www.facebook.com/ortelladopablo/posts/747218032010439

“Participei hoje a noite do debate público pela liberação dos presos políticos que aconteceu na Praça Roosevelt. O debate não era uma manifestação — havia uma mesa e oradores simplesmente falariam para um grupo cerca de mil pessoas sentadas no chão. Apesar de ser apenas um debate, no meio da praça, a Polícia Militar enviou centenas de policiais da Choque e cavalaria, prendeu arbitrariamente e provocou o tempo todo os presentes. A sensação de todos nós é que a comparação com a ditadura não é mais metafórica. Simplesmente a liberdade de reunião e a liberdade de manifestação estão suspensas. Também como nos anos de chumbo, quem está dentro da ordem, apenas acompanhando e torcendo pelos jogos, nem percebe as graves violações pelas quais o país está passando.

Fui convidado para fazer uma breve fala pelos organizadores do ato-debate. Chequei com minha companheira Beatriiz Seigner e logo encontrei amigos e conhecidos como o escritor Ricardo Lisias, o padre Julio Lancelotti, os professores da Unifesp Edson Telles e Esther Solano, além de muitos outros. Assim que cheguei, o advogado Daniel Biral, do grupo advogados ativistas me cumprimentou e relatou que o coronel que comandava a operação o tinha abordado e perguntado em tom ameaçador quem ele estava representando — ao que respondeu, “estou representando a democracia”.

Enquanto as pessoas aguardavam o começo do debate, dois policiais com capacetes e filmadoras passavam pelas pessoas e filmavam muito de perto o rosto de cada uma, em tom provocativo — sem qualquer motivo. Certamente esperavam alguma reação indignada para que pudessem revidar com bombas e agressões. No entanto, as pessoas apenas gritaram palavras de ordem contra a ditadura. Quatro policiais da Choque fizeram então um cordão de proteção em torno deles e durante todo o debate, esses policiais filmaram o rosto de todos os oradores a menos de três metros de distância da mesa.

Assim que as primeiras pessoas começaram a discursar, as prisões começaram a ocorrer. O advogado Daniel Biral, que já havia sido ameaçado pelo coronel, foi preso após protestar contra a falta de identificação dos policiais. Aliás, ele não foi simplesmente preso, foi também agredido e com tanta brutalidade que ficou desacordado na viatura. Com ele, foi também presa a advogada Silvia Dascal.

Os organizadores conseguiram acalmar a indignação dos presentes e retomar os discursos. Menos de dez minutos depois, policiais revistaram de maneira completamente desnecessária e gratuita um rapaz negro que andava pela rua, bem ao lado do debate, numa atitude novamente provocativa. A imprensa foi toda para lá, o público pediu pela soltura do rapaz e a PM jogou bombas, atirou balas de borracha e gás lacrimongêneo e terminou prendendo outras duas pessoas.

Novamente os organizadores conseguiram acalmar os ânimos e retomar o debate. A Tropa de Choque fechou todos os acessos da praça e ficou por mais de uma hora em formação, pronta para atacar. A presença policial muito numerosa e ostensiva era apenas para intimidar e tentar uma provocação para um ataque massivo que seria um verdadeiro massacre. Amigos e amigas que ainda não tinham participado das manifestações dos últimos dias estavam chocados. Todos só falavam da volta da ditadura.” (Pablo Ortellado)

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Bacellar

01/07/2014 - 12h09

Lembro bem na Marcha da Maconha de 2010, ainda no Ibira, da absurda situação quando os PMs queriam prender o Fabio Hideki por estar com um cartaz escrito:”não fumo, não planto, não compro, não vendo e não condeno!”
Foi surreal escutar ali do lado a dificuldade cognitiva dos policiais que discutiam com os manifestantes tentando demonstrar que se tratava de apologia ao crime. Pareciam crianças tentando debater com adultos…

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abolicionista

01/07/2014 - 10h52

Eis o legado da Copa…

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claiton de souza

01/07/2014 - 10h37

A MÃE TERRA por sua NATUREZA, CONCRETUDE, EXCELÊNCIA e PECULIARIDADE é a única produtora de energia controlada, razão pela qual, ela pode conceber a grandeza da vida. …
O grande percussor do desenvolvimento humano é a energia. Todo o desenvolvimento humano concebido foi alicerçado pela energia. …
A produção de energia é o alimento da vida. …
Pra frente Brasil, vamos nos tornar o maior produtor de energia à mais variada na forma de produção. ..
Natal, 01/07/2014. Claiton de Souza.

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Leo V

30/06/2014 - 22h19

Fundamental a divulgação desse video depoimento do padre Julio Lancelotti, testemunha da prisão do Fabio

“Claramente uma prisão política”
“Não foi encontrado nada dentro da mochila dele e não apareceu, em nenhum momento, nem rudimentar, nem sofisticado, nenhum explosivo”
“Dizer que ele estava com explosivos, que ele é de milícia armada, que ele é liderança de grupo de determinada tática é delírio”

https://www.youtube.com/watch?v=a4SI3s_rm-E

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Beatriz Luiz

30/06/2014 - 14h01

eu também sou Fábio Hideki Harano. Todos deveríamos sair em sua defesa, senão…

“Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
[…]” (eduardo alves da costa)

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Leo V

29/06/2014 - 20h26

Mais um video da prisão do Fabio,

nada foi encontrado com ele… condenado à prisão preventiva por um Juiz sem prova de absolutamente nada do que é acusado, ao contrário, testemunhas e os videos da sua prisão e revista mostram que as acusações são forjadas.

https://www.youtube.com/watch?v=Br6-LNicAjA&feature=share&list=UU7G7saR0vFSMh-SdEyF3Utg&index=2

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claiton de souza

29/06/2014 - 14h40

CRETINICE JORNALÍSTICA. — O TRAVESSÃO —-
O TRAVESSÃO não salva gol. Nunca salvou e nunca salvara. O TRAVESSÃO não faz parte nem está incluído nos m2 que compõem o espaço em que se configura o gol. “ Houve outro personagem bem mais decisivo: o travessão! Foi o travessão quem impediu, a dois minutos do apito final, que um gol do chileno Pinilla decretasse a morte nacional. Não fosse pelo travessão, o Brasil teria saído do Mineirão de rabecão.” Texto copiado do blog do jornalista Josias de Souza.
Natal, 29/06/2014. Claiton de Souza.

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Leo V

29/06/2014 - 13h00

RECADO DE FÁBIO HIDEKI DIRETO DA PRISÃO

Alexandre Harano, irmão de Fábio, visitou-o na prisão em Tremembé e trouxe algumas informações suas (podem ser verificadas no twitter @AYHarano, do irmão de Fábio). Antes de tudo, Alexandre informa que Fábio “está sendo bem tratado tanto no CPD3 de Pinheiros qto no CPD2 de Tremembé, seja funcionários qto outros detentos”.

Veja informações comunicadas por Alexandre a pedido de Fábio:

“Sou sindicalista, membro do Conselho Diretor de base do SINTUSP. Não sou membro formal de nenhum partido ou corrente política.”

“Não sou da organização de nenhum movimento social.”

“Manifestação de rua não é crime.”

“Usar equipamento de proteção para não dispersar aos primeiros ataques da PM não é crime”.

“Não estava com o tal explosivo”.

“Não sou black bloc. Ser black bloc é quebrar símbolos do capital”.

“Sou militante independente de coletivos, correntes ou partido. Só o SINTUSP.”

Alexandre Hirano termina seus twittes com este pedido de ajuda:
“Volto para casa e peço encarecidamente que divulguem, RT etc. Como disse, meu irmão Fábio Hideki Harano está bem e esperando.”

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Fabio Passos

29/06/2014 - 10h15

Denúncia gravíssima.
Considerando o histórico de abusos da polícia, o testemunho do padre Júlio Lancelotti e a declaração pública dos professores que conhecem o ativista… não há como duvidar que Fábio Harano é um preso político.

O silêncio cúmplice do PiG também é indício claro de que o ativista é preso político.

O PiG, como sabemos, apóia e incita a prisão de esquerdista sob falsas acusações. Foi assim com as vítimas da farsa do mentirão… é assim com ativistas que ousam protestar contra o Apartheid Social.

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valdir MG

28/06/2014 - 22h26

Realmente o que estamos vivenciando no Brasil é um crescimento no campo ideológico. Todavia há um conservadorismo grande, vazio, medíocre que não está preparado para os debates. Então, estes abutres fascistas recorrem aos métodos da ditadura para calar, para diminuir, para constranger, para isolar os que pensam neste País.

Responder

    Fabio Passos

    29/06/2014 - 10h19

    A casa-grande tem duas ferramentas poderosas para perpetuar seus privilégios:
    O PiG é a Polícia.

Weslei

28/06/2014 - 22h15

Não sou contra a polícia (o poder do estado), mas, o estado não pode, em hipótese alguma infligir a lei, se foi forjado devemos criar mecanismo para punir e inibir isso. E já existe este mecanismo: “google glass”.
Na cidade de Nova York, está sendo testado pelo departamento de polícia, motivos para isso não faltam, e se parecem muito com os daqui, ex: abordagem de negros e estrangeiros. Neste caso se fosse filmado e gravado duvido que haveria flagrante forjado, é mais segurança para os policiais, aumenta a garantia de uma abordagem dentro da lei, e punição por parte de atos ilícitos praticado pelo estado ( policiais).

http://info.abril.com.br/noticias/tecnologia-pessoal/2014/02/policia-de-nova-york-avalia-uso-do-google-glass-em-patrulhamentos-diz-site.shtml

Vamos levar essa proposta para debate público, para o seu candidato.

Responder

ricardo silveira

28/06/2014 - 20h38

Politicamente, qual a diferença entre black blocs, opus dei e fascistas?

Responder

    Felipe

    28/06/2014 - 21h37

    Politicamente, a diferença é que quem defende os tucanos, chupa a rola da opus dei e dos fascistas.
    Quem é a favor do povo, sendo a favor ou não do black bloc (e não “dos blck blocs”) defende a tática black bloc.

    Leo V

    28/06/2014 - 21h41

    politicamente, o que isso tem a ver com a prisão do Fabio?

Patricio

28/06/2014 - 19h54

Alguém poderia explicar, por favor:

Para que serve a polícia?

Responder

    Caracol

    29/06/2014 - 09h31

    Patrício, acho que a pergunta adequada seria: Para QUEM serve a polícia?
    A resposta estará implícita nas duas perguntas.

Urbano

28/06/2014 - 19h25

Estar-se-á estendendo para todo o Brasil essa primazia, a qual ganhou estatura e fama nos idos dos anos 1930, no instante em que se votar na oposição ao Brasil, em outubro próximo. Outra coisa… ô teacher, falando sobre a falta de dignidade e se utilizando da mesma, para tal? Colé?

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