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Cartas de Minas
Cartas de Minas

Paulo Fonteles Filho: Mentiras sobre o massacre no Pará começam com um “arsenal” de armas de caça; telejornal “que não tem lado” fez press release nojento

25 de maio de 2017 às 22h30

A postura da Globo, está comprovado, é a de quem não tem lados. Ali Kamel, no artigo em que criticou colunista da Folha de S. Paulo

As mentiras do general e a curva do “S” de Temer e Jatene

Por Paulo Fonteles Filho, em seu blog

“Eu entendo que não eram trabalhadores rurais. Eles estavam armados”.

(General Jeannot Jansen, Secretário de Segurança Pública do Pará)

Sim, general, eram trabalhadores rurais os chacinados em Pau D’arco, sul do Pará.

Não eram quadrilheiros, bando de malfeitores ou criminosos de índole vil, como corrupiões zangados.

Era gente, general.

No corolário da tragédia anunciada desta Amazônia tão espoliada e ultrajada cometes, caro Jeannot Jansen, mais um tosco crime contra a consciência social de nosso povo, o da mentira.

E a mentira não tem só pernas curtas, ela, sobretudo, alimenta a impunidade.

A primeira mentira é a do confronto, de que os ocupantes da fazenda Santa Lúcia teriam recebido agentes de segurança do estado à bala.

Um escarcéu vergonhoso tentou ser montado com a apresentação de armas de caça, numa região onde todo camponês tem sua vinte.

O que não for espingarda de caça sugere mais um “plantio” das carabinas, conhecemos bem essa prática.

A segunda mentira, histórica, é de que os trabalhadores são “invasores”.

No alvorecer pérfido das explicações governamentais uma profunda ignorância — será? — sobre as últimas cinco décadas na Amazônia e todo processo que a penetração do capital ensejou na maior — e mais abandonada — região do país.

Aqui, a grilagem corre solta com o apoio da polícia, cartórios, judiciário, governos e políticos picaretas.

O Pará, segundo os registros cartorários, tem quatro vezes o seu tamanho.

A família Babinski, supostamente proprietária da fazenda Santa Lúcia, é denunciada por transformar terra pública — que deveria servir para assentar pequenos agricultores — em pasto privado, com direito a jagunços, decisão judicial, proteção do generalíssimo e meganhas de dedos mais que quentes.

A terceira mentira é a própria descaracterização do perímetro da chacina.

Como, em sã consciência, policiais experientes devassam o local e só apresentam os mortos em Redenção? Essa turma não assiste CSI?

Um engodo macabro vai se enredando e a mentira dança com as botas do satanás.

Nessas horas sinto saudades do Ariano Suassuna.

Todos sabemos — ou deveríamos saber — que o Pará é um reino de grileiros, latifundiários, pistoleiros e gatos do trabalho escravo.

Há décadas que ostentamos os mais infames números e continuamos no topo do ranking da violência no campo.

Muitos acadêmicos e jornalistas já escreveram sobre isso e os movimentos sociais, por décadas, têm denunciado que a disputa de terras — sempre violenta contra os empobrecidos do campo — é a expressão cruenta da fronteira amazônica.

Mas não interessa se trabalhadores viram defuntos, apenas neste mês de maio 17 foram mortos em solo paraense. Não é mesmo?

Hoje, exatamente hoje, um dia após a chacina, 35 trabalhadores rurais foram presos em Canaã do Carajás (PA) sob acusação de esbulho e formação de quadrilha.

Em meio à crise política no país, marcada pelo golpe midiático e desmonte dos direitos sociais e trabalhistas, o episódio em Pau D’arco confere ao ilegítimo Temer e ao tucano Jatene – a cada um – uma curva do “S”.

Tal curva foi onde 19 trabalhadores foram mortos em 1996, em Eldorado dos Carajás, numa ação da PM paraense.

O impostor que ocupa o Palácio do Planalto tem sob seus ombros a responsabilidade de ter extinto à Ouvidoria Agrária Nacional e, com isso, sedimentou o caminho de retorno aos violentos conflitos no campo brasileiro, como são os casos de Colniza (MT) e Pau D’arco (PA).

A Ouvidoria, criada no governo de Fernando Henrique Cardoso, era um espaço de observatório, denúncia e apuração de situações de violência no espaço rural.

Liderada pelo corajoso e incansável Dr. Gersino José da Silva Filho era, sobretudo, um instrumento para a redução e pacificação das contendas fundiárias.

Temer é no mínimo um irresponsável, leviano. Isso sem falar na extinção, também, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, voltado à agricultura familiar e aos pequenos lavradores do país, além da aliança de alcova com o velho latifúndio, hoje travestido de agronegócio.

Mas, pro crime ser perfeito, tem que ter o dedo do Simão.

Há muitos anos que a Comissão Pastoral da Terra (CPT) ousa colocar a questão das terras do Pará em pratos limpos.

Aqui, o governo tucano celebrou acordos para vender terras públicas — à preço de banana — para poderosos grupos econômicos, como é o caso do banqueiro Daniel Dantas.

Essas denúncias são de 2012.

O que verdadeiramente depõe contra o Tucanistão do Norte e seus dirigentes é a umbilical relação com os poderosos do campo, dentre elas a Federação da Agricultura do Estado do Pará (Faepa), conhecida organização dos grandes proprietários rurais no estado.

Tal entidade nos lembra a União Democrática Ruralista (UDR) na década de 1980.

Nós, que sabemos o que é a viuvez e a orfandade não podemos permitir que mais essa chacina — e as mentiras envoltas em discurso oficial — possam seguir impunes, como centenas de casos de trabalhadores rurais mortos no campo paraense nas últimas décadas.

Justiça!

*Paulo Fonteles Filho é presidente do Instituto Paulo Fonteles de Direitos Humanos e militante do Partido Comunista do Brasil.

#ForaTemer #DiretasJá

PS do Viomundo: O telejornal que não tem lado, o Jornal Nacional, fez uma reportagem vergonhosa, nojenta, sobre o caso. A reportagem conseguiu culpar os mortos num “confronto” que não teve um policial sequer arranhado. A “reportagem” ouviu duas autoridades paraenses e nenhum parente das vítimas. O telejornal que não tem lado é exibido numa emissora que, incrivelmente, faz parte da associação do agronegócio! Duvida? Clique aqui. Ou aqui, no site da Abag, a Associação Brasileira do Agronegócio.

 

5 Comentários escrever comentário »

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Ilário

27/05/2017 - 06h07

Fora de Pauta

GRAÇAS A BLINDAGEM DA GLOBO E DA POLÍCIA FEDERAL, O BRASIL QUASE ELEGEU UM TRAFICANTE DE DROGAS

A propósito, quem é o dono do helicóptero e das 450 Kg de pasta de cocaína encontradas no mesmo? A cocaína é de boa qualidade? Com a palavra a Polícia Federal.

Aécio e a apreensão da PF: ele fez de tudo no mundo do crime nas barbas de Gilmar, FHC e mídia.

Por Kiko Nogueira no DCM, em 26 de maio de 2017

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/aecio-e-a-apreensao-da-pf-ele-fez-de-tudo-no-mundo-do-crime-nas-barbas-de-gilmar-fhc-e-midia-por-kiko-nogueira/

— O que o Aécio não fez no mundo do crime?, me pergunta meu irmão Paulo Nogueira.

A resposta é óbvia: nada.

A Polícia Federal apreendeu no gabinete do senador, em seu apartamento no Leblon e na casa em Brasília um arsenal incriminador inacreditável.

Havia “diversos documentos acondicionados em saco plástico transparente, dentre eles um papel azul com senhas, diversos comprovantes de depósitos e anotações manuscritas, dentre elas a inscrição ‘cx 2’”, diz o relatório.

Recolheram também o seguinte:

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inRead invented by Teads
. Um aparelho bloqueador de sinal telefônico, um telefone celular e um pen drive.

. “Uma pasta transparente contendo cópias da agenda de 2016 onde verifica-se agendamento com Joesley Batista”.

. “Folhas impressas contendo planilhas com indicações para cargos federais, com remuneração e direcionamento em qual partido político pertence ou foi indicado”.

. “Folhas impressas no idioma aparentemente alemão, relativo a Norbert Muller” (o doleiro que abriu a famosa conta secreta da família de Aécio em Liechtenstein).

. “Folha manuscrita contendo dados de CNO (Construtora Norberto Odebrecht)”.

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inRead invented by Teads
. “Um caderno utilizado para realizar agendamentos, tendo presente Joesley Batista e Andrea Neves”.

. Um outro papel com citações ao “ministro Marcelo Dantas” (provavelmente, o ministro Marcelo Navarro Ribeiro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça, investigado no STF por tentativa de obstruir as investigações da Lava-Jato).

Amici
O que explica isso?

Alguém falou em “amadorismo”. Um bandido profissional como Antônio Carlos Magalhães jamais cometeria esse deslize.

Errado.

Aécio tinha a certeza da impunidade.

A impunidade que lhe garantiu dinheiro, poder, uma vida mansa e uma longa e bem sucedida carreira ao longo de mais de 30 anos de vida pública.

Aécio nunca precisou esconder os malfeitos. Pergunte a qualquer jornalista mineiro.

Delinquiu nas barbas de Gilmar Mendes, de Fernando Henrique Cardoso, dos Marinhos, dos Civitas etc.

Um gângster que jamais foi incomodado, sempre teve costas quentes e se acostumou.

São todos cúmplices.

O Brasil escapou das mãos de um jagunço que chegou aonde chegou porque tinha a proteção de gente como ele.

OBS: O Brasil deve uma homenagem a esse grande brasileiro que aparece nesses dois vídeos. Ele não suportou as iniquidades da “justissa” brasileira/mineira e “se suicidou”. O nome dele é Lucas Gomes Arcanjo.

Veja nesses dois vídeos as denúncias de Lucas Gomes Arcanjo contra Aécio Neves, antes e durante as eleições de 2014.

Vídeo 1 – Policial Civil de Minas acusa Aécio Neves de viciado e envolvimento com trafico de drogas. Claro que o PIG ignorou solenemente essas denúncias contra o seu playboy preferido.
https://www.youtube.com/watch?v=Lpi0Yu6jyUM

Vídeo 2 – Último vídeo de Lucas Gomes Arcanjo
https://www.youtube.com/watch?v=DbZUV87Unl8

Responder

Elias

26/05/2017 - 11h50

A frase: “A postura da Globo, está comprovado, é a de quem não tem lados”, é tão verdadeira quanto ao título do livro: “Não Somos Racistas”.

Responder

Luiz

26/05/2017 - 11h04

OU DESTRUÍMOS A REDE GLOBO, OU ELA VAI DESTRUIR O BRASIL. A QUESTÃO É SIMPLES.

Responder

José Fernandes

26/05/2017 - 10h14

Esperara o quer de câncer chamado globo.

Responder

Alufa-Licuta Oxoronga

26/05/2017 - 07h46

MOTE: Alan Sales

SANTA LUCIA: ROGAI POR NÓS!

O sul do Pará hoje grita
ante tamanha violência,
viu hoje a incongruência
da policialesca sadomita,
comida, barraca, marmita
a fúria da súcia centurial
em sua vontade infernal
jorrou o sangue no chão,
a sua farda é uma prisão
que só cabe um animal.

Esses bandidos de farda
não respeitam um sequer,
homem, menino, mulher
todos caem na bordoada,
tiros, cães, gás mostarda
para eles, isso é natural,
chutes, socos, cara de mau,
morte, ferimento, arranhão
a sua farda é uma prisão
que só cabe um animal.

A mando da politicagem
alguns assassinos da Deca
tem a vida por hipoteca
e trata com vil retrucagem
a luta contra a engrenagem
deste latifúndio do mal,
no Pará a vida é banal,
policia assassina cidadão,
a sua farda é uma prisão
que só cabe um animal.

No sul do Pará é assim:
a vida não vale um troco,
a morte vem por pipoco
sem um começo ou fim.
A polícia parece Caim,
derramando morte igual
viver por aqui é acidental
até a policia lhe por a mão,
a sua farda é uma prisão
que só cabe um animal.

Por aqui, os fazendeiros,
manda, faz e tudo pode,
e o sem terra que se sacode
de sua forma, ou maneiras,
o Pará perdeu as estribeiras
soldado, cabo ou general
mata a mando de um manual
que descarta o cidadão
a sua farda é uma prisão
que só cabe um animal.

OXORONGA, Alufa-Licuta. Redenção.
(Psicólogo e Escritor)

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