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Cartas de Minas

Leitor refresca a memória de FHC: 500 mil da Sabesp, mais R$ 7 milhões da Camargo Corrêa, Odebrecht e outros

10 de junho de 2015 às 18h18

FHC. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

FHC passa o chapéu

Presidente reúne empresários e levanta R$ 7 milhões para ONG que bancará palestras e viagens ao Exterior em sua aposentadoria

Gerson Camarotti, na Época, sugerido por FrancoAtirador, que foi aos arquivos

Foi uma noite de gala. Na segunda-feira, o presidente Fernando Henrique Cardoso reuniu 12 dos maiores empresários do país para um jantar no Palácio da Alvorada, regado a vinho francês Château Pavie, de Saint Émilion (US$ 150 a garrafa, nos restaurantes de Brasília). Durante as quase três horas em que saborearam o cardápio preparado pela chef Roberta Sudbrack – ravióli de aspargos, seguido de foie gras, perdiz acompanhada de penne e alcachofra e rabanada de frutas vermelhas -, FHC aproveitou para passar o chapéu.

Após uma rápida discussão sobre valores, os 12 comensais do presidente se comprometeram a fazer uma doação conjunta de R$ 7 milhões à ONG que Fernando Henrique Cardoso passará a presidir assim que deixar o Planalto em janeiro e levará seu nome: Instituto Fernando Henrique Cardoso (IFHC).

O dinheiro fará parte de um fundo que financiará palestras, cursos, viagens ao Exterior do futuro ex-presidente e servirá também para trazer ao Brasil convidados estrangeiros ilustres. O instituto seguirá o modelo da ONG criada pelo ex-presidente americano Bill Clinton.

Os empresários foram selecionados pelo velho e leal amigo, Jovelino Mineiro, sócio dos filhos do presidente na fazenda de Buritis, em Minas Gerais, e boa parte deles termina a era FHC melhor do que começou. Entre outros, estavam lá Jorge Gerdau (Grupo Gerdau), David Feffer (Suzano), Emílio Odebrecht (Odebrecht), Luiz Nascimento (Camargo Corrêa), Pedro Piva (Klabin), Lázaro Brandão e Márcio Cypriano (Bradesco), Benjamin Steinbruch (CSN), Kati de Almeida Braga (Icatu), Ricardo do Espírito Santo (grupo Espírito Santo). Em troca da doação, cada um dos convidados terá o título de co-fundador do IFHC.

Antes do jantar, as doações foram tratadas de forma tão sigilosa que vários dos empresários presentes só ficaram conhecendo todos os integrantes do seleto grupo de co-fundadores do IFHC naquela noite.

Juntos, eles já haviam colaborado antes com R$ 1,2 milhão para a aquisição do imóvel onde será instalada a sede da ONG, um andar inteiro do Edifício Esplanada, no Centro de São Paulo. Com área de 1.600 metros quadrados, o local abriga há cinco décadas a sede do Automóvel Clube de São Paulo.

O jantar, iniciado às 20 horas, foi dividido em dois momentos. Um mais descontraído, em que Fernando Henrique relatou aos convidados detalhes da transição com o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva.

Na segunda parte, o assunto foi mais privado. Fernando Henrique fez questão de explicar como funcionará seu instituto. Segundo o presidente, o IFHC terá um conselho deliberativo e o fundo servirá para a administração das finanças. Além das atividades como palestras e eventos, o presidente explicou que o instituto vai abrigar todo o arquivo e a memória dos oito anos de sua passagem pela Presidência.

A iniciativa de propor a doação partiu do fazendeiro Jovelino Mineiro. Ele sugeriu a criação de um fundo de R$ 5 milhões. Só para a reforma do local, explicou Jovelino, será necessário pelo menos R$ 1,5 milhão. A concordância com o valor foi quase unânime. A exceção foi Kati de Almeida Braga, conhecida como a mais tucana dos banqueiros quando era dona do Icatu. Ela queria aumentar o valor da ajuda a FHC.

Amiga do marqueiteiro Nizan Guanaes, Kati participou da coleta de fundos para a campanha da reeleição de FHC em 1998 – ela própria contribuiu com R$ 518 mil. “Esse valor é baixo. O fundo poderia ser de R$ 10 milhões”, propôs Kati, para espanto de alguns dos presentes.

Depois de uma discreta reação, os convidados bateram o martelo na criação de fundo de R$ 7 milhões, o que levará cada empresário a desembolsar R$ 500 mil. Para aliviar as despesas, Jovelino ainda sugeriu que cada um dos 12 presentes convidasse mais dois parceiros para a divisão dos custos, o que pode elevar para 36 empresários o número total de empreendedores no IFHC.

Diante de uma platéia tão requintada, FHC tratou de exercitar seus melhores dotes de encantador de serpentes. “O presidente estava numa noite inspirada. Extremamente sedutor”, observou um dos presentes. Outro empresário percebeu a euforia com que Fernando Henrique se referia ao presidente eleito, Lula da Silva. “Só citou Serra uma única vez. Mas falou tanto em Lula que deu a impressão de que votou no petista”, comentou o convidado.

O presidente exagerou nos elogios a Lula da Silva. Revelou que deixaria a Granja do Torto à disposição do presidente eleito. “Ele merece”, justificou. “A transição no Brasil é um exemplo para o mundo.” Em seguida, contou um episódio ocorrido há quatro anos, quando recebeu Lula no Alvorada, depois de derrotá-lo na eleição de 1998. O presidente disse que na ocasião levou Lula para uma visita aos aposentos presidenciais, inclusive ao banheiro, e comentou com o petista: “Um dia você ainda vai morar aqui”.

Na conversa, Fernando Henrique ainda relatou que vai tentar influir na nomeação de alguns embaixadores, em especial na do ministro do Desenvolvimento, Sérgio Amaral, para a ONU.

Antes de terminar o jantar, o presidente disse que passaria três meses no Exterior e só voltaria para o Brasil em abril. Também revelou que pretende ter uma base em Paris. “Nada mal!”, exclamou.

Ao acabar a sobremesa, um dos convidados perguntou se ele seria candidato em 2006. FHC não respondeu. Mas deu boas risadas. Para todos os presentes, ficou a certeza de que o tucano deseja voltar a morar no Alvorada, projeto que FHC desmente em conversas mais formais.

Embora a convocação de empresários para doar dinheiro a uma ONG pessoal possa levantar dúvidas do ponto de vista ético, a iniciativa do presidente não caracteriza uma infração legal.

“Fernando Henrique está tratando de seu futuro, e não de seu presente”, diz o procurador da República Rodrigo Janot. “O problema seria se o presidente tivesse chamado empresários ao Palácio da Alvorada para pedir doações em troca de favores e benefícios concedidos pelo atual governo.”

O IFHC não será o primeiro no país a se dedicar à memória de um ex-presidente. O senador José Sarney (PMDB-AP) criou a Fundação Memória Republicana para abrigar os arquivos dos cinco anos de seu governo. Conhecida hoje como Memorial José Sarney, a entidade está sediada no Convento das Mercês, um edifício do século XVII, em São Luís, no Maranhão.

Pelo estatuto, é uma fundação cultural, sem fins lucrativos. Mas também já foi alvo de muita polêmica. Em 1992, Sarney aprovou no Congresso uma emenda ao Orçamento que destinou o equivalente a US$ 153 mil para seu memorial. Do total, o ex-presidente conseguiu liberar cerca de US$ 55 mil.

*****

Sabesp deu R$ 500 mil para projeto de instituto de FHC

da Folha, em 18.01.2007

O Instituto Fernando Henrique Cardoso, entidade não-governamental criada pelo ex-presidente da República, recebeu no ano passado doação de R$ 500 mil da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), administrada por indicados pelo PSDB.

A ONG do ex-presidente captou por meio da Lei Rouanet, de incentivo a cultura, cerca de R$ 2 milhões de doadores diversos, entre os quais a Sabesp, para um projeto de preservação do acervo de FHC — documentos, fotografias e objetos. Em nota, o instituto negou haver irregularidades na doação.

A Sabesp é uma empresa de economia mista cujo principal acionista é o governo do Estado de São Paulo. A doação feita pela empresa foi revelada por reportagem publicada ontem no site “Terra Magazine”. De acordo com o texto, os recursos serão abatidos do Imposto de Renda por meio da Lei Rouanet.

A nota divulgada ontem pelo instituto FHC explica que as doações, fruto de um projeto aprovado pelo Ministério da Cultura, se destinam à digitalização do arquivo do instituto, que poderá ser acessado pela internet.

“Além das atividades acima referidas [digitalização], ele [o projeto] prevê a realização de exposições, seminários e palestras dirigidos a um amplo público de estudantes e professores.”

A nota prossegue ressaltando a legalidade da doação da Sabesp. “O iFHC manteve-se no estrito cumprimento das determinações legais, seja em relação à Lei Rouanet, que permite a doação de empresas públicas, seja da Lei 4.344, que faculta a qualquer entidade ou pessoa física mantenedora de acervos documentais privados de presidentes da República “buscar apoio financeiro e técnico do poder público para projetos de fins educativos, científicos e culturais”.”

A Folha não conseguiu falar ontem com a Sabesp.

Leia também:

Do leitor Horatio Nelson: Como FHC montou seu escritório em São Paulo

 

22 Comentários escrever comentário »

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Éder

15/06/2015 - 23h10

PSDB? falando em educação, olha Minas, São Paulo e Paraná. Parem de encher, seus lixos.

Responder

Éder

15/06/2015 - 23h09

Mas cretinos do PSDB, destruíram as universidades publicas e veem falar em educação. Vão lavar a boca, seus imundos, fdps.

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italo

11/06/2015 - 15h18

Imprensa é livre para fazer leitor e eleitor odiar dicionário que diferencia privatização de concessão. Como o PSDB paga a globo pelo engajamento eleitoral em defesa própria? Deve ser mais caro que empreiteira?

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AlvaroTadeu

11/06/2015 - 10h23

Se algum californiano ler a sigla iFHC e souber que sua sede custou milhões de dólares, vai pensar que é algum produto na Apple, projetado em segredo em Terra Brasilis…

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Romanelli

11/06/2015 - 08h54

BRASIL, pátria educador ..ou de chuteiras ?
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Vejamos:
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-o país continua internacionalmente muito mal colocado quando o quesito é educação ..isso depois de 12 anos de governo dito progressista
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-quando Não inexistente, universidades, escolas e creches são constantemente aterrorizadas pelos funcionários públicos que, ignorando a realidade do país, não pensam duas vezes em se promoverem greves, mesmo que a custa da perda de TODO UM ANO LETIVO dado aos jovens que ainda depositam alguma crença nesta terra (como se os coitados tivessem alternativa).
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-o governo da Dama de Bége por sua vez, desorientado, após constatar que CONTRIBUIU imensamente pra que o FIES inflacionasse o mercado de universidades particulares no geral, principalmente as de esquina ..ciente também de que com isso se drenaram recursos bilionários das entidades públicas ..resolveu agora por o pé no freio (sem que os ocupantes estivessem usando o cinto) e se promoveu uma alteração de curso da ordem de 180 graus.
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..assim
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-assim vemos que hoje 1 milhão a menos de jovens tentarão prestar o ENEM
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-noticia-se que o PRONATEC, após corte, teve suas vagas reduzidas de 3 para 1 milhão de vagas.
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-O FIES, que SÓ agora se preocupará de forma direcionada, seletiva e comedida, resolveu que vai incentivar cursos de QUALIDADE, e nas áreas da saúde, engenharia e formação de professores
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..fora ainda de aumentar o juros de 3,5% para 6,5%, de antecipar a carência de 18 para 12 meses depois de formado, e de exigir renda familiar máxima de não mais 20, mas, comenta-se, de até 3 salários mínimo
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..vem cá, família que tem renda de 3 SM conseguirá manter um filho em universidade de engenharia e/ou medicina ? ahhh vá planta BATATA !!!!!!!
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olha, com tantas idas e vindas, com cortes e mudanças de rumo acontecendo bem no meio do processo ..PIOR ..com esta exigência de renda familiar MEDÍOCRE que será permitida ao FIES, eu não temo em afirmar que a tal “pátria educadora”, com Dilma, rapidamente voltará a ser a nossa pátria de chuteiras.
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e em sendo assim, noticiários que priorizam os escândalos da tal CBF e FIFA farão muito mais sentido do que a falta de preocupação e atenção que a nossa mídia devota ao tema Educação e Perda e de Ano Letivo
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https://www.youtube.com/watch?v=cO7HY_CUavI

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    Valcir Barsanulfo de Aguiar

    11/06/2015 - 11h15

    O pior é que no governo do ociólogo FHC não se construiu uma só, isso mesmo , uma só sala de aula. E vem você com sua coxinhagem falar das 3 muilhões de vagas criadas por LULA/DILMA no ensino superior gratuito. É muita cretinice.

Romanelli

11/06/2015 - 08h29

O pecado dos outros JAMAIS os livrarão de vossas culpas

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mario

10/06/2015 - 18h51

Corrigindo pela inflação pela calculadora UOL (a fim de manter a dobradinha Globo/UOL) chegamos ao valor atualizado de quase 15 milhões.

ÍNDICES DE INFLAÇÃO
Calcule aqui a inflação acumulada dos índices disponíveis
Escolha o índice:
IGP-10 IGP-M IPCA Geral IPCA-15 Geral
IGP-DI IPC-FIPE Geral INPC Geral IPCA-E Geral
Escolha o período: Inicio
Fim
Se você desejar, digite um valor a ser atualizado:
O valor corrigido é de R$ 14.950.555,07
Com correção de 113,58%
No período de jan/2003 a mai/2015 equivalente a 149 meses.

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FrancoAtirador

10/06/2015 - 18h49

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G.A.F.E.* PIRA COM O CACHÊ DO GOOGLE
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(http://praiadexangrila.com.br/fernando-henrique-cardoso-virou-alvo-da-policia-federal)
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*Globo, Abril, Folha e Estadão.
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