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Cartas de Minas
Cartas de Minas

Lama que vazou de barragens pode provocar problemas ósseos, intestinais e agravar distúrbios cardíacos

12 de novembro de 2015 às 11h28

Rio Doce 1

Lama contaminada tem concentração de metais até 1.300.000%  acima do normal 

Quantidade alta de manganês pode provocar danos graves à saúde, alerta toxicologista da USP

Enzo Menezes, do R7, em Belo Horizonte, no R7

Estudo preliminar indica concentração de metais no rio Doce em Valadares; seis dias depois da tragédia, mineradoras não divulgaram qualquer estudo sobre qualidade da água

O rompimento de duas barragens da Samarco em Mariana, na região central de Minas, começa a ganhar números que dão a dimensão da catástrofe ambiental. Amostras da enxurrada de lama que foram coletadas cerca de 300 km depois do distrito de Bento Rodrigues apontam concentrações absurdas de metais como ferro, manganês e alumínio.

A água coletada pelo SAAE (Serviço de Água e Esgoto) de Valadares aponta um índice de ferro 1.366.666% acima do tolerável para tratamento – um milhão e trezentos mil por cento além do recomendado, segundo relatório enviado à reportagem do R7. Os níveis de manganês, metal tóxico, superam o tolerável em 118.000%, enquanto o alumínio estava presente com concentração 645.000% maior do que o possível para tratamento e distribuição aos moradores. As alterações foram sentidas a partir de 8h, enquanto o pico de lama tóxica ocorreu às 14h no rio Doce.

Servidores da prefeitura esclarecem que não têm condições técnicas de verificar a ocorrência de materiais pesados (como arsênio, antimônio e chumbo, normalmente presentes em rejeitos que contêm ferro), e por isso aguardam análises da Copasa e de dois laboratórios para detalhar a situação.

A quantidade de manganês presente na água em quantidade adequada para tratamento é – 0,1 mg, mas os técnicos encontraram 29,3 mg pela manhã e 118 mg (1.180 vezes acima) durante a cheia da tarde. O alumínio aparece com 0,1 mg, mas estava disponível em 13,7 mg e 64,5 mg, respectivamente (6.450 vezes superior). A concentração tolerada de ferro é 0,03 mg, mas as amostras continham 133 mg e 410 mg. O nível de turbidez regular é 1000 uT, mas chegou a 80 mil uT na passagem da enchente.

Manganês traz riscos

Segundo o chefe do Centro de Assistência Toxicológica do Hospital das Clínicas da USP, Anthony Wong, a concentração mais preocupante é do manganês.

— É um metal tóxico que, por ser mais pesado, devia estar depositado no fundo. Pode provocar alterações nas contrações musculares, problemas ósseos, intestinais e agravar distúrbios cardíacos. O alumínio não traz riscos para a população em geral, mas nestas quantidades pode trazer riscos para diabéticos, pessoas com tumores ou problemas renais crônicos. O organismo mais ácido absorve mais alumínio. Já o ferro não é considerado tóxico.

O infectologista destaca que a Samarco já deveria ter tornado públicas as análises de qualidade da água, principalmente em relação aos metais pesados, que podem trazer consequências mais graves – já se passaram seis dias do desastre enquanto Vale e Samarco não apresentaram nenhum estudo das amostras coletadas.

— Dentro de 48 horas já deveriam ter divulgado, as equipes de socorro e sobreviventes tiveram contato [com essa água]. Metais pesados como chumbo, arsênio e antimônio costumam acompanhar o ferro, mais raramente o níquel.

A preocupação com os riscos de elementos pesados é compartilhada por Ricardo Valory, diretor geral do IBIO-AGB Doce (Instituto Bioatlântica).

— A dúvida é sobre a composição real da lama, se tem metal pesado. A Samarco afirma que não, mas de qualquer maneira temos que aguardar os laudos oficiais.

Samarco ainda não respondeu

A reportagem do R7 questionou a Samarco diversas vezes na segunda (9) e terça (10) sobre os estudos das amostras coletadas pela própria empresa e sobre os resultados do SAAE, mas ainda não obteve respostas. Em comunicados no site e em entrevistas de executivos desde o dia do rompimento, a mineradora, que é controlada pela Vale e pela BHP, reforçou que a enchente de lama não continha rejeitos tóxicos para seres humanos, apenas material inerte em compostos de areia.

Por causa destes níveis de contaminação, o tratamento de água foi suspenso em Governador Valadares há três dias e a partir de hoje pode faltar água para 800 mil habitantes em nove cidades em Minas e no Espírito Santo. A prefeitura decretou situação de calamidade pública.

Leia também:

Rogério Correia: Tucanos barraram CPI da mineração agora aprovada pela Assembleia de Minas 

 

6 Comentários escrever comentário »

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Anderson

17/11/2015 - 19h45

Esperava do site o devido alarde para esta descomunal calamidade, o descomunal CRIME!
A Vale, a corporação, fruto da privatização criminosa,
foi alertada 2 anos atras para fragilidade da barragem, e nada , nada fizeraram!
Politicos de PT e psdb, e todos os outros estao vendidos pelo dinheiro recebido da Vale
em suas campanhas.
O governo petista do estado onde ocorreu a calamidade, imediatamente saiu em defesa da Vale, como se fosse um empregado da empresa bandida! Podre! Nojento, revoltante!

Mandem alguem acompanhar o drama das familias e comunidades indigenas cujas vidas dependiam do Rio Doce,
ou voces tambem farão como a Globo, evitando dimensionar a real dimensão da catastrofe?????
A Globo tem empresa com grana investida na Vale, uma explicação para o silencio criminoso, dentre tantos crimes desta emissora.
Mas este site, vai manter este grave assunto numa coluna intitulada “falatorio”, no canto do website???
Decepcionante.

Responder

S Rod

17/11/2015 - 09h07

Estamos colhendo o resultado desastroso da Privataria Tucana. Venderam nossas estatais quase que de graca, sumiram com o dinheiro, e hoje estamos de luto pela morte de trabalhadores, pela morte dos rios, pela morte ambiental. Estamos assistindo a uma tragedia causada pelos predadores que fomentam a depredacao da vida e da natureza. Tudo pelo lucro e pelo rentismo.

Responder

FrancoAtirador

13/11/2015 - 20h11

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LAMA TÓXICA
.
“O Rio Doce acabou.
Parece que jogaram
a tabela periódica inteira”
.
Diretor do SAAE de Baixo Guandu – ES
.
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“Foi detectada, na Onda de Rejeitos das Barragens
.
Rompidas em Mariana, a Presença de Partículas
.
de Metais Pesados como Chumbo, Alumínio,
.
Ferro, Bário, Cobre, Boro e até mesmo Mercúrio.
.
(http://www.viomundo.com.br/denuncias/responsavel-pela-captacao-de-agua-jogaram-a-tabela-periodica-no-rio-doce.html)
(http://www.viomundo.com.br/denuncias/caos-em-governador-valadares-demonstra-que-plano-de-emergencia-era-para-ingles-ver-e-que-estado-brasileiro-foi-submetido-ao-interesse-das-mineradoras.html)
.
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Responder

FrancoAtirador

12/11/2015 - 23h28

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.
“É ENGANO DIZER QUE ESTA LAMA NÃO É TÓXICA.
.
SÃO RESÍDUOS DO MINÉRIO QUE ESTÃO LÁ
.
E VÃO FORMAR UMA CAMADA, EM TODO O CURSO,
.
LIBERANDO, AOS POUCOS, SUBSTÂNCIAS TÓXICAS”
.
Na Avaliação do Mestre em Ecologia e Doutor em Botânica,
Reinaldo Duque-Brasil, são Devastadores os Efeitos
do Rompimento das Barragens da Samarco [BHP/VALE].
.
Para o Professor de Agroecologia e Botânica
do Campus Avançado de Governador Valadares
da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
a Biodiversidade foi Arrasada no Vale do Rio Doce.
.
A habitual cor do rio deu lugar a tons de marrom e vermelho-escuro, de aspecto denso, por causa do minério.
O cheiro forte do barro com reagentes químicos piorou nos últimos dias, devido aos animais mortos, como cavalos e capivaras,
que não conseguiram escapar da força da avalanche e agora se misturam ao rastro de destruição nas margens.
.
“A lama que chegou ao Leste de Minas é o golpe de misericórdia
no Rio Doce, que este ano atingiu seu nível mais baixo”,
reagiu, com indignação, o professor de agroecologia e botânica Reinaldo Duque-Brasil,
do câmpus avançado de Governador Valadares da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
.
Para ele, mestre em ecologia e doutor em botânica,
são devastadores os efeitos do rompimento
das duas barragens da Samarco [BHP/VALE].
.
“Vivemos um clima de apreensão,
principalmente com a interrupção
no fornecimento de água em Valadares.
Ficamos só com o que tem na caixa-d’água”, disse.
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“É engano dizer que esta lama não é tóxica.
São resíduos do minério que estão lá
e vão formar uma camada, em todo o curso,
liberando, aos poucos, substâncias tóxicas.
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Este ano o rio não conseguiu chegar ao mar, no Espírito Santo.
Imagine uma situação dessas em um rio que recebe uma carga desse tipo, de repente”.
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“O dano ambiental é irremediável, pois tudo o que respira no ecossistema está morrendo:
peixes, tartarugas, pequenos mamíferos e aves. Houve interrupção na cadeia alimentar”, diz.
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Para as matas ciliares, as consequências foram igualmente nocivas.
Com a lama de mineração, o assoreamento do Rio Doce vai aumentar.
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(http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2015/11/10/interna_gerais,706095/lama-de-mineracao-acelera-degradacao-do-ja-poluido-rio-doce.shtml)
.
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GEÓLOGO DIZ QUE REJEITO DA BARRAGEM DA BHP/VALE PODE CONTER,
.
ALÉM DE MINÉRIO DE FERRO, ARSÊNIO, ANTIMÔNIO, ZINCO E COBRE.
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Segundo Eduardo Duarte Marques, Pesquisador do Serviço Geológico do Brasil, em Belo Horizonte,
o rejeito das barragens é predominantemente formado por substâncias inertes,
só que o minério de ferro eventualmente pode conter porções de metais
como arsênio, antimônio, zinco e cobre.
.
“Em certos pontos de extração do minério
pode haver concentrações maiores desses metais
– o que tornaria a lama realmente prejudicial.
No entanto, para saber a concentração, será preciso fazer análises químicas”
.
(http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,lama-de-barragem-contamina-rios-e-mata-aves–peixes-e-plantas,10000001563)
.
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Responder

Ricardo JC

12/11/2015 - 16h27

A matéria é péssima, sob o ponto de vista da exatidão das informações. Primeiro, a concentração dos metais na lama (ou no líquido…) deveria ser expressa em mg/kg ou mg/L, a fim de que se pudesse fazer uma comparação com os valores permitidos pela legislação. Outra questão. É muito importante que o toxicologista fale sobre os problemas toxicológicos, mas ele não pode falar sobre a o comportamento químico dos elementos. Dizer que o Mn deveria estar no fundo porque é um metal pesado é simplesmente uma imprecisão, para ser mais ameno. O Mn deve estar na sua forma iônica (como íon Mn2+), que é muito solúvel em água. Provavelmente, por isso, apresenta elevadas concentrações na lama, que nada mais é do que uma suspensão de terra em água. Ainda, discordo dele com relação ao Al, que apresenta alto potencial tóxico, estando relacionado (ainda que sem provas científicas contundentes) a distúrbios como o Alzheimer. Também deveriam ter consultado um especialista em tratamento de água, que poderia esclarecer as dificuldades reis em abater estas espécies durante o tratamento.

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Urbano

12/11/2015 - 13h10

Mais uma grande obrada, digo, obra da récua tungana e seu eterno choque de indigestão. São altamente competentes em duas coisas: uma é verter de forma absurda o produto dessa tal indigestão; a outra é… na verdade nem precisa que se diga, pois até os minerais (estes por excelência) já conhecem.

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