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Flávio Gomes: São Paulo conta vários mortos como um só. Folha celebra queda de homicídios na manchete e esconde o essencial no texto

27 de janeiro de 2016 às 13h56

Captura de Tela 2016-01-27 às 13.49.06

por Flávio Gomes, no Facebook

A manchete da “Folha” hoje grita, em corpo (tamanho de letra) usado somente em casos muito especiais (atentados terroristas, acidentes aéreos, grandes tragédias): “SP registra menor taxa de homicídios em 20 anos”.

Faltou colocar um ponto de exclamação, e tenho certeza que alguém lá quase fez isso. Os métodos do governo Alckmin são exaltados e o tom das matérias é de comemoração. Me senti vivendo em Genebra, ou numa pequena vila do interior austríaco.

Aí, perdido no texto, explica-se que na esquisita — esse “esquisita” é por minha conta — metodologia usada pela Secretaria de Segurança do Estado uma chacina, por exemplo, é considerada UMA morte para efeitos estatísticos, ainda que ela mate cinco, oito, dez pessoas.

Por esse método, oito mortos se transformam em… UM!

A taxa também é calculada sem considerar casos de latrocínio (não são homicídios, incrível…) e assassinatos cometidos pela PM (igualmente tratados como… como o quê, mesmo?).

Graças a essa metodologia, digamos, muito peculiar — em que latrocínios e assassinatos cometidos pela PM não são considerados “homicídios dolosos” –, a taxa de homicídios por 100 mil habitantes caiu para 8,73 no nosso simpático e pacífico Estado.

Fossem levados em conta os números estranhamente ignorados — de novo: latrocínios e assassinatos cometidos pela PM –, essa taxa subiria para 11,7 para cada 100 mil habitantes. Acima de 10, a taxa é considerada “epidêmica” por organismos internacionais, como a ONU.

Mas em São Paulo, oito vira um, PM não mata e roubo seguido de morte não conta.

E vira manchete.

Leia também:

E o Estadão culpou Haddad pelo aumento dos roubos no centro de SP…

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22 Comentários escrever comentário »

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Rangel

28/01/2016 - 21h35

Eu trabalho com índices de criminalidade no ES ,e, o método utilizado por SP é reconhecido pelos organismos internacionais.

Responder

FrancoAtirador

28/01/2016 - 20h55

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Frias publica Errata, depois de copiar sáiti ‘Sensacionalista’ Venezuelano
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(https://twitter.com/comuniquese/status/692782202489298946/photo/1)
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Cara! Isso não é Barriga Jornalística, é Esquistossomose Fascista Crônica.
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(http://imgur.com/mRiA3pQ) (http://imgur.com/cwKCuig)
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Responder

Rogério Ramirez

28/01/2016 - 09h44

Pô ! Vai deixar o Datena e o Resende sem trampo ?!?!

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Roberto Locatelli

28/01/2016 - 09h10

Digamos assim:
1) a PM não mata, elimina. Portanto, não conta como homicídio. Quase sempre é só queima de arquivo.

2) Chacinas ocorrem em bairros pobres e favelas. Portanto nem deveriam entrar nas estatísticas.

3) Latrocínio (roubo seguido de morte) não é homicídio. A intenção era só roubar. Que culpa tem o ladrão se ele teve que matar o dono da casa, não é mesmo?

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César Moura

28/01/2016 - 00h57

Usando essa lógica, o Brasil empatou com a Alemanha: os 7 gols da adversária contam como 1. :-)

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    Sidnei Brito

    28/01/2016 - 11h19

    Cesar, por incrível que pareça, houve quem “tucanamente” repetisse coisa parecida em 2014. Algo do tipo se tivesse perdido de 1×0 ou de 2×1, 3×1, teria dado no mesmo, e coisa do gênero.
    Só faltou falar que foi empate mesmo!

Marcio Ramos

27/01/2016 - 20h06

Bala perdida na cara é acidente de percurso.

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Luiz Fernando

27/01/2016 - 19h36

LIXO esse jornal

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Luís CPPrudente

27/01/2016 - 19h25

Jornalzinho marginal da famiglia Frias vende novamente anúncio eleitoral na sua capa.

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Paulo

27/01/2016 - 17h21

Verdade, tipo quando dizem que a PM do RJ mata muito sem levar em consideração as 1000 favelas e os fuzis de guerra dos traficantes. Aí a ONU e Human vem e escreve numa única linha “a PM mata muito”, sem levar em consideração os outros fatores..

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Mau

27/01/2016 - 16h54

E o verão era implacável
Um filme de Spike
Enquanto o sangue festejava num cenário periférico
Clima de mistério
Gritos no silêncio ecoavam seu destino infelizmente o cemitério
SP é uma puta seu feitiço é traiçoeiro
Perfume de lavanda misturado com bueiro
Antenas parabólicas que fazem seu papel
Asfalto criminoso
Novembro di Babel
Com o desejo calibrado lá vai ele na calada
A noite na cidade tem fumaça estrelada
Não vejo nada
Não ouço nada
Agora é porca a pouca agua
Na Agua Rasa na Barra Funda ou Vila Clara
Tiros e balas di baixo de uma touca ninja
Outra rajada na cara de quem não precisa
Eu quero brisa
Novembro continua quente
Ta tudo cinza
Porque que não é diferente?

Sol de 40 graus
Estamos próximos do fim
O que será de ti?
O que será de mim?
A história vai cumprir
Vai cumprir
Eu sei
O que será de ti?
O que será de mim?

Seu olho esta vendado sua espada afiada
Eu vejo tudo cinza isto é quase tudo ou nada
O tempo quase para sou culpado ou inocente?
O pulso ainda pulsa bate um sopro que não mente
Novembro é quente
Uma lágrima de sangue escorre
Socorro gente sou fruto de uma causa nobre
Me dá um choque agora não posso dormir
Me da um gole a ultima frase que ouvi
SP queima um tirano é di novo eleito
Que povo loco vacilando na escolha do pleito
Que morra us preto e us branco que cola junto
Chove no gueto
A chuva sempre foi de chumbo
Eu to di luto ei hey agora o papo é serio
Divide a grana e a paz chega de lero lero
Eu quero brisa
Novembro continua quente
Tá tudo cinza
Porque que não é diferente?

Sol de 40 graus
Estamos próximos do fim
O que será de ti?
O que será de mim?
A história vai cumprir
Vai cumprir
Eu sei

Responder

Julio Silveira

27/01/2016 - 15h09

No afã de garantir proteção aos seus. No pior do interesse publico, para garantir sua perpetuação no poder de penetração publica/politica, que lhes garante retornos econômicos, essa mídia, criminosa, não mede esforços para metamorfosear os fatos. Tudo com o proposito de ocultar os descalabros cometidos (isso se dando em todos o país), se acumpliciando. E triste perceber que a cidadania está e sempre esteve por sua conta e risco, quando o que está em jogo é o interesse econômico politico dessa minoria nada cidadã, nada altruísta. É péssimo perceber que nunca teve, daqueles que dela sobrevivem, empatia para garantir pelo menos a desmistificação do que chamamos de equilíbrio legal. Ao contrario, mistificam. E com isso, como nessa demonstração ajudam na ocultação do cadáver de sete cidadãos, sejam quem forem, para produzirem um beneficio mutuo com o grupo politico a sua feição.

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Listerix

27/01/2016 - 15h01

É, ontem eu já tinha percebido sozinho e na hora que vi a manchete que as mortes perpetradas pela polícia não entravam na conta (afinal, a polícia nunca mata, só defende-se legitimamente, e morte de preto pobre da periferia não é homicídio, é o cumprimento da missão da polícia) , mas nunca pensei que a criatividade e a desfaçatez pudesse ir tão longe quanto a contagem de um evento por chacina. Se Hitler tivesse sido bem assessorado como o governador que comanda a polícia de SPaulo, hoje seria acusado de ter matado só um judeu…

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Tácito

27/01/2016 - 14h45

Estava na cara que havia algo “estranho” nessa informação. É a conhecida má-fé do governo do Estado querendo ludibriar o cidadão e as organizações internacionais. Exatamente no dia em que a Human Rights Watch divulga dados negativos sobre violência e desrespeito aos Direitos Humanos no país. Infelizmente, pelo andar da carruagem, vai demorar décadas para diminuirmos, de fato e não com manobras contábeis, os números da violência em SP e no Brasil.

Responder

Sidnei Brito

27/01/2016 - 14h14

Caramba, e eu que pensei que a única curiosidade da manchete da Folha dando essa “boa notícia” era a ausência de um “mas”.
Sim, porque quando a notícia boa é do governo federal (na verdade, boa para o País) sempre tem um “mas”, não tem? Algo do tipo: “Brasil apresenta queda na mortalidade infantil, ‘mas’ crianças trabalham cada vez mais cedo”; “inflação desacelera, ‘mas’ cesta básica sobe em duas capitais” etc .
Fiquei feliz em ver que a boa notícia do estado de São Paulo não tinha um “mas” para estragar.
Mas, MAS, mas poderia ter sim: “Homicídios em SP tem menor taxa em 20 anos, ‘mas’ SSP contabiliza chacinas como um único caso”.
Jornalismo vergonhoso é apelido.
Como diz o Paulo Nogueira, ser ombudsman da Folha é o pior emprego do mundo.

Responder

FrancoAtirador

27/01/2016 - 14h12

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SE COMPUTASSEM AS EXECUÇÕES SUMÁRIAS PRATICADAS
.
PELO ESQUADRÃO MILITAR GENOCIDA DO GENERALCKMIN
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SÃO PAULO TERIA AS MAIORES TAXAS DE HOMICÍDIO DO PAÍS.
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“uma chacina, por exemplo, é considerada UMA morte para efeitos estatísticos, ainda que ela mate cinco, oito, dez pessoas.
.
Por esse método, oito mortos se transformam em… UM!
.
A taxa também é calculada sem considerar casos de latrocínio (não são homicídios, incrível!)
e assassinatos cometidos pela PM (igualmente tratados como… como o quê, mesmo?)”
.
.

Responder

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