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Cartas de Minas
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Enio Verri: Temer extingue o BNDES, cria emprego no exterior e mais desemprego no Brasil

17 de julho de 2017 às 14h46

MP 777 E O FIM DO BNDES

por Enio Verri*, em seu blog, via assessor de imprensa

Infelizmente, sou testemunha muito próxima das ações que mostram o quão rápido caminha o Brasil para tornar a ser, definitivamente, uma colônia agrícola impedida da soberania do desenvolvimento econômico, social, científico e tecnológico.

Na quarta-feira (5), participei de uma Audiência Pública, no Senado, para discutir a MP 777/2017 que, entre outras deliberações, investe pesado para extinguir um dos mais importantes instrumentos de indução do desenvolvimento, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). São poucos os países com um instrumento tão forte e capaz quanto o nosso.

A MP troca a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), 8,25%, praticada pelo BNDES, pela Taxa de Longo Prazo (TLP), 10,25%, praticada pelos bancos privados. A medida de Temer aprofundará ainda mais a crise econômica e social. Ficará mais caro produzir. Os empresários passarão a importar os produtos, pois é mais barato. Ao comprar de outros países, o empresário cessa suas máquinas, não estimula o desenvolvimento tecnológico e não precisa mais de mão de obra.

Ao igualar a taxa de juros de um banco nacional de desenvolvimento, instrumento legítimo de todo país altivo e soberano, à de um banco privado, Temer, de uma só patada, estagna e retira competitividade da indústria nacional, cria emprego em outros países e mais desemprego no Brasil. Além de um crime de lesa-pátria, é a mais sabuja submissão ao ideário do Estado Mínimo à mercê do mercado financeiro privado.

Historicamente, a atuação do banco é voltada para o desenvolvimento do setor industrial. Em última análise, o BNDES visa, além do desenvolvimento econômico, o social, devido à grande capacidade de a indústria gerar desenvolvimento econômico, tanto para frente, quanto para traz. Ela compra a matéria prima, processa, industrializa e movimenta o varejo. É um segmento da economia com extraordinária capacidade de geração de empregos.

A carteira de serviços do banco vai desde a infraestrutura, à agropecuária, passando pelo comércio e serviços e inovação tecnológica. Durante os dois governos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o volume total de financiamentos foi de R$ 25,3 bilhões. Entre 2003 a 2013, os governos do Partido dos Trabalhadores (PT) financiaram R$ 190,4 bilhões. Foi com a política do PT que se criou cerca de 20 milhões de empregos e o Brasil passou da 16ª para a 6ª posição entre as economias mundiais.

As taxas e os prazos do BNDES são diferenciados justamente porque é um desenvolvimento de longo prazo, para que seja estruturado, de forma a permanecer. É uma política diferente da praticada pelo ministério de notáveis golpistas e entreguistas de Temer. A camarilha pretende aplicar a TLP e mais correção monetária, o que produzirá uma taxa de 9,8%. São juros praticados pelo mercado financeiro de curo prazo, para quem Henrique Meirelles e Temer trabalham.

Outra consequência nefasta sobre a economia se dará nos setores que mais empregam no Brasil, micro, pequeno e médio empreendimentos. As MPES são mais de 90% das empresas e respondem por 52% da contratação de mão de obra. Em 2012, o PT criou o Cartão BNDES, para esse segmento. Trata-se de uma linha de crédito com taxa de 0,92%, com até 48 meses para pagar e crédito pré-aprovado de R$ 1 milhão. A taxa de juros para o mesmo tipo de financiamento, em bancos privados, à época, era de 6%.

Entre janeiro e agosto de 2014, o BNDES financiou mais de R$ 7 bilhões em valores médios de R$ 14 mil. Em 2002, dos R$ 37,4 bilhões destinados às micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), as MPEs receberam 6,5%. Já em 2010, as MPEs ficaram com 52% do mesmo valor. Haverá um drástico encolhimento desses segmentos. Sobreviverá a empresa que tiver como parceiro ou proprietário o mercado financeiro, conforme for o interesse no investimento. Quando a economia se recuperar, os bancos privados terão mais cartas para jogar, e o Brasil menos.

Ao perder a competitividade, o BNDES poderá fechar suas portas. Somente um governo comprometido exclusivamente com o mercado financeiro privado pode condenar o fim das atividades de um instrumento de desenvolvimento para micro, pequeno e médio empreendimentos presente em 97% dos municípios.

Diante do iminente desmonte do BNDES, servidores conscientes resolveram agir contra as medidas de Temer. Eles convocam a sociedade para debater sobre a importância estratégica do banco. Acesse você também o endereço http://www.precisamosfalarsobreobndes.com.br/ e participe da luta para manter esse patrimônio brasileiro, antes que seja tarde demais. Avante.

*Enio Verri é economista e deputado federal (PT-PR)

Leia também:

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10 Comentários escrever comentário »

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alex

18/07/2017 - 09h18

Qual o futuro de um país que diante da maior crise econômica da historia seu presidente diz que tudo esta funcionando as mil maravilhas….Muito coxinha idiota que entrou no “oba oba” do “Fora PT’ e agora engole as lagrimas do arrependimento, no vácuo do desencanto das coxinhas a esquerda vai dar um salto de notoriedade junto à essa gente que se achava classe alta e agora perceberam que não são bosta nenhuma.

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alex

18/07/2017 - 09h17

Qual o futuro de um país que diante da maior crise econômica da historia seu presidente diz que tudo esta funcionando as mil maravilhas????? 🤔 🤔 🤔 🤔 🤔 🤔 🤔 🤔 🤔 🤔 🤔 🤔

Responder

Antonio

18/07/2017 - 07h16

A massonaria está traçando esse caminho para o Brasil. Alinhada aos seus objetivos mundiais. O Povo Brasileiro não tem importância para eles. Os daqui são “zumbis” dos de fora. Não é difícil de concluir pelos fatos que acontecem.

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Hélio

17/07/2017 - 19h54

Custa caro comprar mais da metade do congresso, o dinheiro tem que sair de algum lugar.
O Temer está comprando um monte de deputado para se salvar.

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Paulo Roberto de Oliveira

17/07/2017 - 16h19

Faz parte do “Voltando aos tempos da República Velha”, sonho dos “Barões”, agora não só do café, mas do agronegócio em geral, da indústria e do comércio também. É a reação às derrotas de 1930 e 1932 e o 9 de Julho deve se tornar feriado nacional, cancelando-se as demais datas cívicas.

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Nelson

17/07/2017 - 16h15

Acabar com qualquer resquício de soberania do povo brasileiro sobre seu território e sobre as riquezas nele existentes. Desconstituir o Brasil enquanto nação soberana. Eis o objetivo último e principal do golpe de Estado perpetrado no ano passado.

O projeto gestado a partir dos centros de poder mundial, o Sistema de Poder que domina os Estados Unidos à frente, conta com uma grande camarilha de ladrões e corruptos, que estão com a ponta da faca em seus buchos, para levar adiante o golpe contra a nação.

Ou eles fazem o que este Sistema de Poder exige ou serão chamados na Justiça. Então, eles preferem fritar 200 milhões de pessoas a entregarem seus pescoços.

E o projeto não se resume ao Brasil. Na Argentina, Macri teve sua campanha eleitoral financiada para fazer a mesma coisa que a corja do Temer: entregar o país ao grande capital,nacional e estrangeiro, notadamente este último.

Se não reagirmos a tempo, no futuro sobrará apenas uma opção para nós, para os que queremos viver uma vida minimamente digna em nosso próprio país: a revolução.

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LANDO CARLOS

17/07/2017 - 16h02

O QUE MAIS ME SURPREENDE E AS FORÇAS ARMADAS NÃO DEFENDEREM A NOSSA SOBERANIA,QUE E A FUNÇÃO CONSTITUCIONAL,O BNDS TEM FUNÇÃO ESTRATÉGICA PARA O DESENVOLVIMENTO DO BRASIL ASSIM COMO ALCÂNTARA ,A NUCLEBRAS, O PRÉ SAL ETC TUDO ENTREGUE POR UM COVIL DE LADRÕES,NÃO ESTOU PEDINDO PARA AS FORÇAS ARMADAS,TOMAREM O PODER ESTOU PEDINDO PARA ELE DEFENDER O BRASIL COMO NAÇÃO SOBERANA E EXIGIR QUE NÃO SE PODE ENTREGAR UMA NAÇÃO,E SÓ NÃO DAR O AVAL.

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    Roberto Leite

    17/07/2017 - 18h30

    E quando foi que as FFAA defenderam a soberania nacional?

Luiz Carlos

17/07/2017 - 15h47

Enquanto o povo estiver sentado assistindo futebol, ouvindo a CBN e a JP e vendo novelas eles vão continuar a acabar com qq possibilidade de um país soberano.

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    Carlos J. R. Araújo

    17/07/2017 - 17h49

    Meu caro Luis Carlos, graças a omissão do seu povo, a história do Brasil mais do que se repete: ela é permanente. Com pequenas variantes – é o caso do governo Lula e de algumas providências de Getúlio Vargas (CLT, indústria do aço e outras providências menores) – o Brasil sempre foi uma (eterna?) colônia econômica. E com o detalhe significante de que, hoje, o prejuízo social e econômico será, talvez, muito maior. Enfim, uma escravidão diferente, disfarçada e enorme nos espera.

    Alguma solução? Nenhuma, na terra dos “coxinhas” . O diabo é que, hoje, principalmente os pobres diabos e as classes médias, pendurados nos celulares e gadgets eletrônicos, são incapazes de entender o que se passa e numa omissão social incompreensível, omissão resultante de uma ignorância histórica, social e econômica eternamente generalizada, O que esperar do brasileiro? Nada, obviamente.

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