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Cartas de Minas
Cartas de Minas

Entidades denunciam Globo por falsificação sobre palestinos

15 de janeiro de 2014 às 22h23

Persio, o personagem palestino

Não à falsificação histórica sobre os palestinos na novela da Globo

Nós, organizações reunidas na Frente em Defesa do Povo Palestino-SP, nos comitês de outros estados, bem como demais entidades abaixo-assinadas, repudiamos veementemente a forma como os palestinos são representados na novela “Amor à Vida”, da TV Globo.

Sua resistência legítima à ocupação e apartheid israelenses que já duram 66 anos é retratada como terrorismo contra vítimas inocentes nos diálogos entre um personagem palestino, Pérsio (Mouhamed Hartouch), e uma judia (Paula Braun).

Todas as vezes em que é feita referência à Palestina, fala-se em guerra, o que pressupõe dois lados iguais disputando um território.

Na verdade, é uma distorção da realidade: tem-se um opressor e ocupante (Israel) e um oprimido (palestinos).

Em nenhum momento, a novela faz referência ao muro do apartheid, aos inúmeros postos de controle a que estão submetidos os palestinos, bem como às leis racistas que lhes são impostas e à limpeza étnica e ataques contínuos contra eles.

O diálogo que inaugura essa farsa é permeado por desinformação e manipulação da verdade.

Rebeca chega a afirmar que há muitos casais judeus e palestinos em Israel, como conviria a qualquer Estado democrático.

A verdade é que Israel foi criado em 1948 como um Estado exclusivamente judeu, um entrave à democracia, já que esses têm tratamento diferenciado.

Desde então, a própria convivência está comprometida.

O apartheid imposto aos palestinos impede até que vivam no mesmo bairro.

Os palestinos que vivem onde hoje é Israel (território palestino até 1948, ano da criação desse Estado exclusivamente judeu) são considerados cidadãos de segunda ou terceira categoria, discriminados cotidianamente, e as leis que valem para eles não são as mesmas que valem – e privilegiam – os judeus.

O apartheid é explícito e amparado por uma legislação que fere o direito internacional.

Em 1948, ano que na memória coletiva árabe é conhecido como “nakba”, a catástrofe, foram expulsos de suas terras e propriedades cerca de 800 mil palestinos e aproximadamente 500 aldeias palestinas foram destruídas para dar lugar a Israel.

Massacres cometidos por grupos paramilitares sionistas, contra agricultores palestinos desarmados e sem treino militar, são hoje comprovados.

Os palestinos têm sido desumanizados desde o início da colonização de suas terras.

Essa contextualização histórica também ficou fora da telinha.

O autor de “Amor à vida”, Walcyr Carrasco, reforçou, assim, mitos que são denunciados por vários historiadores, inclusive israelenses, como Ilan Pappe, em seu artigo “Os dez mitos de Israel”.

Entre eles, o mito de que a luta palestina não tem outro objetivo que não o terror e que Israel é “forçado” a responder à violência.

Segundo ele, a história distorcida serve à opressão, à colonização e à ocupação.

“A ampla aceitação mundial da narrativa sionista é baseada em um conjunto de mitos que, ao final, lançam dúvidas sobre o direito moral palestino, o comportamento ético e as chances de qualquer paz justa no futuro. A razão é que esses mitos são aceitos pela grande mídia no Ocidente e pelas elites políticas como verdade.”

O Brasil não é exceção.

Na contramão da campanha global por boicotes ao apartheid israelense, o governo federal se tornou nos últimos anos o segundo maior importador de tecnologias militares da potência que ocupa a Palestina e porta de entrada dessa indústria à América Latina.

E sua cumplicidade com a opressão, a ocupação e o apartheid a que estão submetidos os palestinos é justificada a milhares de espectadores desavisados da novela da Globo, através de um discurso que reproduz a versão falsificada da história e se fortalece perante a representação orientalista – em que os árabes seriam “orientais” bárbaros e atrasados, ante cidadãos “pacíficos e civilizados”.

Como detentora de concessão pública (o espaço eletromagnético está na Constituição Federal, como um bem do povo) e ciente de que as telenovelas moldam comportamentos, ideias e conceitos ou ajudam a reforçar preconceitos e discriminações, a Globo comete erros históricos graves, injustiças ao povo palestino em particular e aos árabes em geral e um desrespeito ao seu público ao desinformá-lo.

Denunciamos publicamente essas distorções e exigimos que a Globo se retrate nos próximos capítulos de “Amor à Vida”, programa de maior audiência da TV brasileira.

Frente em Defesa do Povo Palestino-SP / BDS Brasil

Centro Brasileiro de Estudos do Oriente Médio

Comitê Brasileiro de Defesa dos Direitos do Povo Palestino

Comitê de Solidariedade à Luta do Povo Palestino do Rio de Janeiro

Centro Cultural Palestino do Rio Grande do Sul

Comitê Gaúcho de Solidariedade ao Povo Palestino

Sociedade Árabe Palestino Brasileira de Corumbá

Comitê Democrático Palestino – Brasil

Comitê Pró-Haiti

Tribunal Popular

GTNM-SP – Grupo Tortura Nunca Mais do Estado de São Paulo

Ciranda Internacional de Comunicação Compartilhada

Rede Mulher e Mídia

Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social

Associação Islâmica de São Paulo

UNI – União Nacional das Entidades Islâmicas

ICArabe – Instituto da Cultura Árabe

FST-SP – Fórum Sindical dos Trabalhadores-SP

CSP-Conlutas – Central Sindical e Popular

Anel – Assembleia Nacional dos Estudantes Livre

UJC – União da Juventude Comunista

PCB – Partido Comunista Brasileiro

PSOL-SP – Partido Socialismo e Liberdade

PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado

MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

Mopat – Movimento Palestina para [email protected]

Coletivo Periferia, Nossa Faixa de Gaza

Coletivo de Mulheres Ana Montenegro

União da Juventude Comunista – Brasil

Marcha Mundial de Mulheres

Movimento Mulheres em Luta

Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe

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63 Comentários escrever comentário »

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Jair de Souza

18/01/2014 - 09h40

Vou repetir aqui a observação que fiz abaixo de uma resposta do Beto_W. É que ela por nem ter sido visto por ele, e como é de fundamental importância para mim, gostaria muito de receber alguma resposta. Claro que não há nenhuma obrigação em responder, mas se houver boa fé nas discussões, muitos entendimentos poderiam ser alcançados.

Estimado Beto_W, com relação a seu comentário (no qual faz menção a mim, a qual eu agradeço) devo dizer que não me parece importante que os judeus se considerem parte de um só povo ou não. Acredito que você também pensa assim. No entanto, a alegação do direito à exclusividade ao território da Palestina só pode ser justificada por questões fundamentadas na religião. E questões fundamentadas em religião podem servir a qualquer propósito, especialmente quando o fundo religioso é tão somente um pretexto.

Na questão da existência ou não da nacionalidade israelense, você não está correto. O Estado de Israel não atribui a ninguém em seus documentos a nacionalidade “israelense”, mesmo quando uma pessoa é cidadã desse estado, seus documentos estamparão “judeu”, árabe, italiano, etc… Qualquer coisa, menos israelense. É que, considerar a existência da nacionalidade israelense implicaria reconhecer que Israel é um estado dos cidadãos israelenses, e não de todos os judeus do mundo.

Agora, Beto_w, eu queria te fazer umas perguntas para tentar entender sua visão real sobre esta questão. Por favor, responda, você é a favor de que Israel se torne um estado em que todos os seus cidadãos (independentemente de sua origem étnica ou religião) tenham os mesmos direitos e deveres, tanto sobre a terra como sobre o próprio estado? Você é a favor de que Israel seja um estado que não tome medidas para impedir que uma parcela de seus habitantes não judeus possa eventualmente tornar-se maioria?

Se você me responder que sim, como eu sinceramente espero que você me responda, então, por que defender a existência de Israel como um estado judeu? Até aceito os argumentos de que já existe uma realidade concreta no local e não é possível acabar com ela sem mais nem menos. Posso aceitar a existência de dois estados com base nestes argumentos, mas não dá para aceitar que uma pessoa de boa fé defenda a expulsão de um povo de uma terra onde vivia há séculos para ali instalar um estado com bases racistas, etnicista, ou qualquer coisa pelo estilo. Beto_w, nós somos seres humanos. Devemos defender a humanidade. Uma nacionalidade é um fator histórico, não pode incluir tão somente as pessoas de uma única origem ou religião.

Eu me relaciono muito bem com diversas pessoas que se consideram judias, mas não sionistas. São pessoas que não renegam suas origens culturais (ou étnicas, para alguns), mas também não consideram que isto lhes dá o direito de sobrepor-se aos direitos de outros seres humanos. Eu te recomendo que acompanhe um portal de gente deste tipo: http://www.losotrosjudios.com.

Eu, às vezes, fico preocupado. Já vi muita gente aparecendo por aqui (e em outros portais), inicialmente se mostram tolerantes, compreensivos, pacifistas. Porém, quando constatam que não conseguem impedir a continuidade das críticas aos crimes do Estado de Israel, deixam surgir sua verdadeira face. Foi isto o que aconteceu, entre outros, com um tal doutor que vivia freqüentemente opinando neste espaço. Eu sinto que você não é igual. Por isso estou pedindo que você me responda estas questões. Elas são realmente definidoras.

Responder

    beto_w

    20/01/2014 - 15h48

    aro Jair, me desculpe por não ter respondido antes, reservo meus fins de semana para me dedicar à família e geralmente nem chego perto de um computador.

    Para mim é importante sim que os judeus se considerem como parte de um povo só, faz parte de minha identidade como judeu. Mas eu defendo que isso não deve servir de base a nenhuma discussão a respeito de quem tem direito à terra. A meu ver, nenhum dos dois povos tem um “direito exclusivo”, seja com base histórica, seja religiosa, ao território. E dado que já estão lá e nenhum irá conseguir tirar o outro de lá, então quanto antes aprenderem a conviver, melhor.

    Quanto à nacionalidade israelense, no documento de identidade israelense não consta nacionalidade. Mas tampouco consta a nacionalidade brasileira no nosso documento de identidade. É fato que até 2005 esse documento continha o famigerado item “etnia”, aonde constaria “judeu” ou “árabe” ou “druso” ou “beduíno”, etc, e que era atribuído pelo Ministério do Interior. Para residentes estrangeiros constava nesse campo o país de origem – talvez daí a confusão. A partir de 2005, após uma série de batalhas jurídicas, o documento passou a ser impresso com 8 asteriscos nesse campo, mas a informação de etnia ainda é estipulada e registrada pelo Ministério do Interior, ainda que não conste no documento. Segundo eles, é por uma questão de censo. E o mais curioso é que esse item foi removido do documento não por uma questão moral ou ética de se evitar discriminação étnica, mas sim porque o ministro à época, Eli Yishai, membro do Shas, partido religioso de direita, se recusava a registrar pessoas convertidas por rabinos reformistas como sendo judeus.

    Vale notar que existe um anexo ao documento de identidade, que é também de porte obrigatório e geralmente fica dobrado e guardado num bolso plástico da carteira de identidade, onde consta sim cidadania, e que informa “israelense” para todo cidadão do país, independente de etnia. Também há o passaporte, emitido a qualquer cidadão israelense, aonde consta a nacionalidade israelense. E também vale notar que, por mais que Israel facilite a imigração de judeus, se eu por exemplo fosse morar lá a trabalho antes de 2005, e requisitasse o status de residente estrangeiro ao invés da cidadania, constaria em meu documento de identidade no campo “etnia” o valor “brasileiro”, mesmo eu sendo judeu.

    Enfim, você disse que “considerar a existência da nacionalidade israelense implicaria reconhecer que Israel é um estado dos cidadãos israelenses, e não de todos os judeus do mundo”. Posto tudo o que eu disse nos dois parágrafos anteriores, eu discordo. A cidadania israelense existe, o problema é que tem gente lá que quer manter uma maioria judaica à força.

    Bom, avançando, vou tentar responder suas perguntas da forma mais clara possível. Para começar, sim, obviamente eu sou a favor de que Israel seja um estado em que todos os cidadãos tenham os mesmos direitos, e sou terminantemente contra qualquer tentativa de se controlar a distribuição étnica do país. Só para esclarecer, quando eu falo em Israel, estou desconsiderando Gaza e a Cisjordânia, já que, a meu ver, ambos são território palestino e não israelense. Eu não defendo a existência de Israel como um estado judeu, no sentido de um estado apenas para os judeus. Acho que o país deve acabar com qualquer resquício de legislação discriminatória, como por exemplo a Lei do Retorno, que dá uma série de incentivos econômicos a novos imigrantes judeus pelo período de 3 anos. Mas o problema é que não há muitos casos de leis discriminatórias, a discriminação aos árabes se dá no dia-a-dia, de forma velada – assim como a discriminação aos imigrantes russos ou etíopes.

    Acho também que é dever de Israel retirar-se da Cisjordânia e levantar o bloqueio a Gaza, permitindo assim que os palestinos construam também sua nação. E creio tambem que em algum ponto do processo de paz Israel deva oferecer vultuosas somas como compensação às famílias palestinas expulsas de suas casas em 1948, ou talvez até mesmo um direito de retorno – a questão aí é complexa, e ainda não tenho uma opinião firme a respeito.

    Por outro lado, não vejo mal algum em se manter o judaísmo como a religião oficial do país, assim como há países oficialmente católicos, protestantes ou muçulmanos, muitos dos quais têm seu símbolo religioso ostentado na própria bandeira. Desde, é claro, que isso não cause nenhuma desvantagem a não-judeus, e desde que o estado se mantenha como laico. Por exemplo, no Brasil, o acesso a cargos públicos é livre independentemente de credo ou raça, e a legislação trabalhista permite a um judeu ou muçulmano folgar em seus feriados religiosos sem prejuízo. Já no Irã, um não-muçulmano nunca poderia chegar à presidência, e escolas judaicas são obrigadas a funcionar aos sábados. Eu gostaria muito que um Israel do futuro fosse parecido com o Brasil nesse aspecto de liberdade religiosa (ao menos com o Brasil atual, não quero nem pensar no Brasil do futuro se certas forças religiosas conservadoras tomarem o poder).

    Espero ter respondido às suas questões. Sinta-se à vontade para me fazer mais perguntas sempre que quiser.

beto_w

17/01/2014 - 18h13

Infelizmente (ou felizmente) não assisto telenovelas, e não vi a cena em questão, portanto não posso dar uma opinião concreta a respeito. No entanto, um tema como esse não pode ser abordado pelo autor da novela de forma leviana, sem um profundo estudo que leve em conta ambos os lados do conflito.

Apesar de discordar em alguns pequenos pontos do texto, apoio esta manifestação. Tenho uma ressalva, apenas. Não vi em nenhum momento uma manifestação de repúdio a atentados terroristas cometidos por grupos radicais palestinos contra a população civil israelense. A resistência palestina é legítima, mas assim como condenamos atos do governo israelense contra a população civil palestina, devemos também denunciar atos de violência do lado palestino contra civis israelenses.

Responder

Mauro Assis

17/01/2014 - 14h48

Putz, 32 entidades a defender os palestinos… deve ser mais fácil achar uma ONG que defenda a causa palestina no Brasil que no Oriente Médio inteiro…

Responder

Luca K

17/01/2014 - 13h25

@BETO_W

Fala Beto! Há 3 grupos étnicos judaicos; Askenazitas, sefaraditas e orientais(mizhahim). Os Askenazitas são os mais numerosos no mundo. Os estudos genéticos ainda são inconclusivos mas parece haver um elo comum entre os 3 grupos étnicos judaicos.
Os Askenazitas – criadores do sionismo e fundadores de Israel – são um grupo híbrido, intermediário entre os europeus e os caucasianos da Ásia Ocidental. Um geneticista israelense recentemente afirmou q de acordo com seu estudo, haveria tb um componente importante oriundo do Cáucaso. NÃO SÃO portanto, semitas.
Quanto aos judeus orientais, havia pouquíssimos na Palestina antes do projeto sionista, q os transplantou, artificialmente, para as terras palestinas. Mais alguns pontos;

1. os judeus já haviam se espalhado pela bacia mediterrânea muito antes
do imperio romano.

2. os romanos NÃO expulsaram os judeus da Palestina. Isto eh mito sionista.

3. Mais de 100 anos antes da queda de Jerusalém perante as legiões, já havia uma comunidade judaica próspera instalada no q então era o coraçao da Europa, Roma. O senador e advogado romano, Cícero, defendeu cliente seu contra os judeus de Roma, no fim da era republicana.

4. Boa parte do componente europeu dos askenazitas foi adquirido já na
antiguidade, estudos genéticos vêm confirmando.

Lembra da participação judaica no tráfico negreiro? Check it out!
http://www.jta.org/2013/12/26/news-opinion/world/dutch-rabbi-confronts-jews-with-ancestors-complicity-in-slavery

Responder

    beto_w

    17/01/2014 - 17h49

    Caro Luca, faz tempo que não nos encontramos por aqui para debater, não é?

    Até onde eu sei, alguns estudiosos recentemente começaram a definir os mizrahim como um grupo distinto dos sefaraditas, mas em geral os mizrahim são considerados sefaraditas, pois o estilo litúrgico é o mesmo. Quanto aos ashkenazitas serem ou não semitas, a discussão está longe de acabar, pois como você mesmo já disse, parece haver um elo comum geneticamente falando. Se você tomar como verdade a tese de Shlomo Sand a respeito dos khazares, a conclusão lógica é que os judeus ashkenazitas não são semitas. Mas eu acredito que os khazares não sejam a base exclusiva para a formação dos judeus ashkenazitas, e sim uma parcela – ainda que significativa. Sendo assim, poder-se-ia dizer que parte dos judeus ashkenazitas pode ser chamada de semita, outra parte não. Mas, por mais interessante que essa discussão seja, ela não invalida o fato de que exista preconceito contra judeus. Como eu já disse, se por preciosismo você não quiser chamar a isso de antissemitismo, que chame de judeufobia. Mas esse preconceito existe e pode ser visto no comentário do Henrique.

    Quanto aos judeus orientais, concordo com você que antes do projeto sionista eram poucos na Palestina. Mas hoje em dia em Israel eles são quase metade da população judaica do país, e foi precisamente isso que eu quis mostrar, em resposta ao trecho do comentário da Baby que dizia “judeus de origem europeia, maioria em Israel”. Eu pretendi mostrar que, apesar de matematicamente correta, essa afirmação pode dar uma impressão errada a respeito da demografia israelense.

    Meus comentários a respeito de seus pontos numerados:

    1. Concordo

    2. Discordo em termos. O historiador romano Dio Cassius registra que no ano 135 DC o Império Romano proibiu que os judeus se assentassem em Jerusalém e seus arredores, e uma série de legislações subsequentes impuseram pesadas taxas, restrições e discriminações aos judeus, tornando insustentável sua vida na Palestina. Alguns permaneceram, é verdade. Mas foram poucos. Além disso, a noção judaica de diáspora existe desde bem antes do sionismo. Ou seja, eu concordo que a expulsão dos judeus da Palestina pelos romanos é um mito, mas esse mito tem um fundo de verdade.

    3. Concordo novamente. E por causa do nascente cristianismo, que no início era basicamente um movimento formado por judeus, os judeus em geral foram expulsos de Roma (a cidade) por volta de 50 DC, o que nem seria registrado se não houvesse uma quantidade considerável de judeus na capital.

    4. Não tenho opinião a respeito. Você pode me indicar algum material de leitura?

    E é claro que nada disso valida ou invalida algum direito histórico à terra. Você conhece minha opinião a respeito – se ficarmos discutindo quem estava lá antes, quem chegou primeiro, quem tem direito “divino” ou alguma dessas baboseiras, então melhor retirarmos nossos traseiros europeus da Terra Brasilis que pertence exclusivamente aos indígenas. E eu digo e repito, bem ou mal, Israel é um país que já existe há mais de 60 anos, e já existem duas gerações de pessoas nascidas lá, portanto ninguém vai retirá-los de lá e “mandar de volta” para onde quer que seja, pois eles são de lá. E do outro lado vale o mesmo, os palestinos vivem lá há gerações e tampouco irão embora. Resta a ambos os lados perceberem essa realidade e, ao invés de tentarem aniquilar o outro, tentarem conviver lado a lado com respeito e civilidade. Mas infelizmente eu acredito que isso não vai acontecer neste século.

    Quanto ao link no final de seu comentário, muitíssimo obrigado, é um ótimo ponto de partida para algumas leituras interesantes. Virei fã desse rabino van de Kamp. Mas, como eu já disse em nosso debate a respeito, isso mostra apenas que judeus participaram do tráfico de escravos, não que foram seus principais agentes. Não que isso os exima de culpa, e acho que a comunidade judaica em geral deveria se informar mais a respeito, e se sensibilize mais com a causa negra, sabendo que uma parcela de seu povo tomou parte nesse nefasto capítulo da humanidade. Mas também houve muitos judeus engajados na luta abolicionista, vale mencionar.

    Luca K

    18/01/2014 - 18h34

    Fala Beto!

    Os estudos genéticos mais recentes, ainda inconclusivos, nos mostram claramente q os asquenazitas são uma população híbrida, com forte componente europeu e talvez tb do Cáucaso. Há tb um componente do Oriente Médio, mas menos importante do q se pensava.

    Um novo estudo concluiu q cerca de 80% do DNA mitocondrial dos askenazes
    é europeu pré-histórico.
    http://www.nature.com/ncomms/2013/131008/ncomms3543/full/ncomms3543.html#affil-auth

    Já o geneticista israelense Eran Elhaik, defende a importância dos
    Kazares;
    http://failedmessiah.typepad.com/failed_messiahcom/2013/01/new-genetic-study-reportedly-proves-khazar-ancestry-for-ashkenazi-jews-567.html

    Agora quanto à Palestina; os judeus NÃO TÊM qualquer direito, histórico ou legal, às terras palestinas. Os askenazitas fundadores de Israel, não são orgânicos à região, eram estrangeiros vindos da Europa.

    Os palestinos são – estudos genéticos já provaram – um povo autóctone do levante, assim como sírios e libaneses. Vc faz um comparação com relação aos nossos ‘traseiros europeus’ no Brasil.

    É uma FALSA comparação; explico: quando os europeus vieram para a América,
    não havia leis internacionais q proibissem a conquista militar, limpeza
    étnica, transferencias forçadas de povos, etc. Mas a criação da entidade
    sionista tem só 60 anos, meus avós são mais velhos. Em 1948, havia um
    framework de direito internacional e precedentes criados q impediam tais
    práticas. Além disso, não há quase mais índios no Brasil, mas os
    palestinos estão lá, a maioria vivendo em péssimas condições em países vizinhos, como Jordânia, Libano e Síria. Sem contar os de Gaza, Cisjordania e Israel.

    E lembre-se: havia uma grande quantidade de descendentes de europeus vivendo na Argélia, os pied-noir. Not anymore.

    Abs

    beto_w

    20/01/2014 - 16h53

    Caro Luca, obrigado pelos links. O primeiro é bem pesado para alguém que não tem treinamento em genética além das aulas de biologia do segundo grau (como eu, por exemplo). Mas é bem interessante. O segundo eua inda não li, e comento depois que o fizer.

    Quanto ao direito ou não dos judeus à terra, eu acho que é absurdo usar uma alegação de ancestralidade bíblica – mesmo se for verdadeira – para clamar direito à terra. Mas é sabido também que a grande maioria dos palestinos, por mais que seus genes comprovem serem eles habitantes do Oriente Médio desde a antiguidade, se estabeleceu na região há menos de dois séculos, trazidos de outras áreas para trabalhar nas terras cujos donos moravam em outros lugares. Por isso é que eu afirmo que discutir ancestralidade pode ser um exercício acadêmico interessante, mas não serve como base para resolver a questão do conflito.

    Você diz que em 1948 havia um framework de direito internacional. Se você se refere à ONU, este mesmo órgão votou e aprovou a partilha da Palestina em 1947. Você poderia até discutir as ações dos lobbies de um e de outro lado, mas o fato é que a entidade que representa esse framework de direito internacional que você invocou ratificou essa partilha. E o fato de quase não haver mais índios no Brasil me parece mais um fato a lamentar do que a comemorar. O fato de não haver leis a respeito à época não torna isso menos imoral.

    Sigo repetindo, nenhum dos dois lados vai simplesmente se retirar da região, independentemente de estudos genéticos, e nenhum dos dois irá conseguir aniquilar o outro. Então o que resta a todos os envolvidos é perceber isto e começar a trabalhar numa solução em direção à convivência.

    Eu só não entendi o que você quis dizer com sua última frase a respeito dos pieds-noir. Se é uma alusão a uma possibilidade de que os palestinos expulsem os israelenses à força, é minha vez de discordar de sua comparação. Para começar, os pieds-noirs eram descendentes de franceses, e os judeus israelenses são descendentes de uma miríade de países. A Argélia era uma colônia francesa, e Israel é um país independente – não, esse papo de colônia dos EUA no Oriente Médio não vale, estou me referindo a colônia no sentido literal da palavra. E a principal diferença, os pieds-noir dependiam do exército francês para defendê-los dos nativos argelinos, e Sun Tzu já escrevia lá na antiguidade que um soldado defendendo a terra onde vive vale mais do que dez soldados lutando em terreno estrangeiro. Sendo assim, reitero que acho pouco provável que os palestinos consigam expulsar os judeus da região mesmo se resolverem abraçar a luta armada. A única coisa que conseguiriam seria um banho de sangue, com muito mais mortos do lado palestino. E por favor, não interprete isso como soberba ou sentimento de superioridade, já que acho que se Israel tentasse fazer o mesmo com os palestinos o resultado seria equivalente. Por isso dogo que nenhum dos dois conseguirá expulsar o outro, e que violência e luta armada não levarão a lugar algum. E sigo afirmando que quanto antes os dois lados se derem conta disso e começarem a trabalhar em direção à coexistência, melhor.

Edno Lima

16/01/2014 - 19h04

Falta do que fazer. Se a Globo fosse ligar para isso só haveira mocinhos nas novelas e minisséries.A enfermeira reclamam por ser O saco de gatos das entidades que subscrevem o texto mostra que a coisa não deve ser levada a sério. A parte mais edificante do texo é ” ciente de que as telenovelas moldam comportamentos, ideias e conceitos ou ajudam a reforçar preconceitos e discriminações”. Os traficantes , corruptos, assaltantes, adulteros, estelionatários, desonestos,racistas, prostitutas, rufiões, todos vão busca nas novelas a inspiração para exercer com plenitude suas atividades laborais!

Responder

    Luís Carlos

    16/01/2014 - 23h08

    E “bandido” deve ser palestino?

    Baby Siqueira Abrão

    17/01/2014 - 09h28

    O senhor faz parte da equipe paga pelo governo do Israel para defender sua política colonialista na Palestina, sr. Edno?

    Alex Mendes

    17/01/2014 - 11h38

    Quanta ignorância, Edno.

    Mauro Assis

    17/01/2014 - 14h42

    Edno, proponho uma política de cotas no banditismo televisivo:

    – Numa novela o bandido é o gay, na outra o lutador de MMA, na próxima o palestino, na outra o judeu e assim por diante. Claro que poderia haver combinações, por exemplo: se numa novela o bandido fosse um judeu gay enfermeiro, na outra seria uma palestina maratonista médica (será que médico poe ser aceito como compensação pelo enfermeiro? Só perguntando ao conselho de classe).

    Meu Deus, como esse mundo “lá vai” ficando chato…

HELBERT FAGUNDES

16/01/2014 - 17h16

Boa tarde,

essa é a vida!! Enquanto os palestinos e demais entidades muçulmanas continuar com essa relação estreita com certas redes de tv, irá dar nisso. Uma verdade distorcida como é passada aqui no Brasil para nós. Esta na hora de um novo sistema de TV no Brasil, onde não seja essa que se encontra ai. Como propus um modelo para reforma agrária, onde a terra na mão do governo, temos que ter uma televisão vigiada por entidade. O que não dá é para continuarmos em um sistema onde a população só paga sem um retorno real e com uma verdade transparente. Infelizmente estamos sendo empurrados para um caminho triste como da Síria. Sabe lá quando ocorrerá tal fato.

Responder

Hell Back

16/01/2014 - 17h08

Novelas? Globo? Não sei do que se trata!

Responder

Carlos N Mendes

16/01/2014 - 15h47

No que pese o constrangedor infantilismo da dramaturgia da novela em questão, acho que o autor tem todo o direito de expor seu ponto de vista em sua obra. Não existe uma “formatação” dramática a ser seguida por obras de ficção, isso é patrulhismo e censura. Agora, justamente por se tratar de opinião pessoal, o autor deve estar pronto para defender seu ponto de vista ante quem sentir-se ofendido por suas posições ideológicas.

Responder

    Elias

    16/01/2014 - 18h08

    Parece que há um equívoco na sua observação. Não se trata de patrulha nem de censura. O Manifesto/Denúncia diz muito claramente: “Como detentora de concessão pública (o espaço eletromagnético está na Constituição Federal, como um bem do povo) e ciente de que as telenovelas moldam comportamentos, ideias e conceitos ou ajudam a reforçar preconceitos e discriminações, a Globo comete erros históricos graves, injustiças ao povo palestino em particular e aos árabes em geral e um desrespeito ao seu público ao desinformá-lo.” A denúncia, não sem motivos, está muito além de se discutir se é ficção ou não. Quer defender o autor, tudo bem. Mas a Globo, que veicula essa aberrações, tem de ser denunciada.

    Elias

    16/01/2014 - 18h13

    Ou “tem que ser denunciada”, em português correto.

    Mauro Assis

    17/01/2014 - 14h56

    Elias,

    A Globo tem a concessão que permite a ela veicular obras de ficção, e é isso que é uma novela. Além disso, qualquer obra de arte tem potencial de influenciar a sociedade, umas mais, outras menos.

    Agora, tentar impor limites ao conteúdo de uma obra intelectual é censura, bicho… simples assim.

    Heitor

    16/01/2014 - 18h49

    Pera aí. E se trocarmos judeus por brancos e palestinos por negros, ou então judeus por paulistas e palestinos por nordestinos, não seria racismo ou preconceito? Então não defendamos o autor por seu “ponto de vista”. Isso é hipocrisia.

    Mauro Assis

    17/01/2014 - 15h00

    Mesmo se o seu “se” fosse implementado, o autor estaria no seu direito de escrever uma obra de ficção e a globo de veiculá-la.

Mauro Assis

16/01/2014 - 15h01

Mas esse mundo anda ficando cada vez mais chaaaato…
Ficção, galera, ficção.

Já imaginaram se uma novela fosse repercutir a DR eterna entre uns e outros?

A mensagem no fundo vai ser positiva, o casalzinho vai provar que o amor vence todas as barreiras, e serão felizes para sempre.

Responder

    Luís Carlos

    16/01/2014 - 23h11

    Talvez eu desconheça por não assistir novelas nem a Globo. Mas me diga, em qual “ficção” global judeu foi “bandido” e palestino “mocinho”?

    Mauro Assis

    17/01/2014 - 14h36

    E daí? A ficção tem que ser “balanceada”, então? Está faltando muito filme de nazista gente boa…

Marcos

16/01/2014 - 13h24

Rede Lobo de Manipulação!

Responder

Urbano

16/01/2014 - 13h05

Uma a mais, uma a menos…

Responder

Elias

16/01/2014 - 11h52

O novelista Walcir Carrasco e a Rede Globo só enxergam a história pela visão sionista. E já faz tempo (meados dos anos 1970) que a ONU declarou que “0 sionismo é racismo”. Existem muitos judeus que não são sionistas. O novelista perdeu a chance de dar uma mensagem de paz entre judeus e palestinos. Se os namorados tivessem consciência do famigerado aparthaid e mesmo assim se unissem em matrimônio, possivelmente seria um enredo menos ruim. Mas não, Carrasco e Globo preferem seguir o estabelecido sraelense. A não ser que a denúncia da Frente em Defesa do Povo Palestino-SP e os inúmeros abaixo assinados consigam reverter esse estúpido episódio que infelizmente parece difícil de se consertar.

PS: Em sã consciência alguém consegue pensar que a Globo faria de outro modo que não fosse o de subestimar o povo palestino?

Responder

Zhungarian Alatau

16/01/2014 - 11h34

Afora o fato de que quem começou com atos terroristas na Palestina foram justamente os judeus, que hoje posam de vítimas do terrorismo palestino.

Responder

    Baby Siqueira Abrão

    17/01/2014 - 09h33

    Exatamente! Mas essa história os sionistas não contam. Cabe a nós, que a conhecemos, contar, levando às pessoas a informação correta: a de que o sionismo roubou a Palestina para expandir seu domínio econômico e financeiro ao Oriente Médio, de olhos nas reservas de óleo, gás e pedras preciosas (inclusive na África). Por isso inventaram Israel e por isso continuam lá. No fundo, o sionismo usa palestinos e judeus com um só objetivo: ter cada vez mais dinheiro e poder.

Fernando

16/01/2014 - 11h29

Tenho certeza que diante disso a presidente Dilma irá cassar a concessão da Globo.

Responder

    silvio carlos nobre

    16/01/2014 - 12h34

    Vai esperando meu caro Ferndo! Se diante da sonegacao comprovada de impostos, a resposta foi botar mais verba de publicidade e agir como agente promotor de seus artistas( pois so eles fazem as campanha istitucionais) e programas. E mais facil eu, que sou todo deformado por artrite reumatoide, voltar a andar e jogar mais que o canhoteiro do glorioso sp, que essa frouxa e omissa( e como doi dizer isso) tomar atitude.

    Paulo

    16/01/2014 - 15h38

    Muito bem humorado este amigo Fernando hein?

henrique de oliveira

16/01/2014 - 11h19

Israel não é um país , é uma empresa afinal temos judeus alemães , americanos brasileiros etc judeu não é um povo são empresarios que invadiram um território com a conivencia da porcaria da ONU e foram massacrando o povo Palestino.
A globo é outra porcaria igual a israel que atraves das mentiras tenta por o bandido como mocinho.

Responder

    beto_w

    16/01/2014 - 16h04

    Caro Henrique, vamos com calma. Judeu é etnia e religião, israelense é cidadania. São duas coisas diferentes, e é possível existir judeu alemão, judeu brasileiro, etc, mas não israelense brasileiro (se bem que ambos os países aceitam a dupla cidadania, se não me engano). Nem todo judeu é israelense, e nem todo israelense é judeu. Quer criticar o governo Israelense, critique, mas não com declarações de tom anti-semita, por favor.

    Baby Siqueira Abrão

    17/01/2014 - 09h27

    Os judeus não formam uma etnia, por mais que os sionistas insistam nesse mito, desmentido por historiadores e pesquisadores sérios — inclusive israelenses. Judeus formam uma comunidade religiosa. E não há “israelenses” em Israel; o Estado os considera judeus, mesmo que sejam seculares (o que grande parte dos cidadãos de lá é).
    Quanto a antissemitismo, o termo sempre foi mal colocado. Semitas são os árabes, não os judeus de origem europeia, maioria em Israel. No mais, as pessoas têm direito de ser contra o que bem entenderem, neste país. O que elas não podem é AGIR contra grupos religiosos, etnias, pessoas em geral.
    De todo modo, o comentário de Henrique Oliveira mostra de modo exemplar o estrago que os sionistas têm provocado à imagem dos judeus e do judaísmo no mundo todo, ao insistir em falar por eles.

    beto_w

    17/01/2014 - 11h34

    Baby, os judeus são considerados uma etnia sim. Tenho a impressão de que, quando você diz que esse “mito” foi desmentido por “historiadores e pesquisadores sérios — inclusive israelenses”, se refere a Shlomo Sand, certo? Seria melhor mencioná-lo explicitamente do que uma referência genérica, indireta, indefinida e plural, beirando uma falácia de falsa autoridade (acho que é isso, o Jair entende muito mais disso do que eu). Pois bem, a tese de Sand não é unanimidade entre historiadores, bem longe disso, e houve uma série de estudos genéticos, muitos deles inconclusivos, e outros apontando para um ou para outro lado da questão. Mas mesmo se a tese de Shlomo Sand estiver correta, os judeus se referem a si mesmos como um povo desde os tempos bíblicos, bem antes do sionismo. Sim, os judeus formam uma comunidade religiosa, mas é mais que isso, pergunte a qualquer judeu. Há inclusive judeus ateus. O problema todo não é esse, mas sim o fato de muitos judeus usarem isso como argumento e prova cabal de que a terra é deles.

    Você afirma não existirem israelenses em Israel. Ora, um cidadão de Israel é um israelense, assim como um cidadão do Brasil é brasileiro. O Estado de Israel não considera todo israelense como judeu, e existem cidadãos israelenses de etnia árabe, drusa, beduína, entre outras, e existem cidadãos israelenses de religião cristã, muçulmana, bahai, etc. Se o tratamento dado às diversas etnias e religiões não é o mesmo, isso é outra questão – aliás, muito mais importante. Mas sua afirmação de que não existem israelenses está equivocada.

    Quanto à discussão semântica acerca de antissemitismo, de um lado eu vejo muita gente utilizando o mesmo argumento que você para justificar um comentário contra judeus, e de outro lado eu vejo muitos judeus acusando qualquer cometário contra as ações do governo de Israel no tocante aos palestinos como antissemita. A meu ver, ambos estão errados. Se não quer chamar de antissemitismo, chame de judeufobia, mas continua sendo um sentimento preconceituoso e nocivo. Ademais, uma pequena observação: os judeus de origem européia são realmente maioria em Israel, mas são pouco mais da metade dos judeus do país, sendo a outra metade composta em sua maioria por judeus com origem no Oriente Médio. Mesmo assim, todos os judeus são considerados semitas, juntamente com os árabes, outro povo semita. Prtanto, se quisermos ser pedantes, antissemitismo seria um preconceito contra judeus e árabes.

    Outra coisa que você afirma é que “as pessoas têm direito de ser contra o que bem entenderem, neste país”. Até onde sei, existem leis brasileiras que proíbem o discurso racista, preconceituoso e discriminatório, bem como a incitação ao ódio. Mas de qualquer forma, não sou como outros judeus por aqui que vivem ameaçando outros comentaristas citando essas leis. Em nenhum momento tentei intimidar o Henrique, minha intenção era esclarecer que ele pode criticar Israel sem se valer de um discurso de teor preconceituoso (antissemita, judeófobo, ou o que você achar melhor).

    Agora, com sua última frase, concordo em gênero, número e grau. Muitos judeus fazem questão em tomar qualquer crítica a Israel como um ataque antissemita (ok, ok, judeófobo), e colaboram em muito para essa confusão em que aqueles que criticam acabam misturando as estações também. Por isso, como judeu, faço questão de esclarecer as distinções, sempre que posso.

    Jair de Souza

    17/01/2014 - 15h57

    Estimado Beto_W, com relação a seu comentário (no qual faz menção a mim, a qual eu agradeço) devo dizer que não me parece importante que os judeus se considerem parte de um só povo ou não. Acredito que você também pensa assim. No entanto, a alegação do direito à exclusividade ao território da Palestina só pode ser justificada por questões fundamentadas na religião. E questões fundamentadas em religião podem servir a qualquer propósito, especialmente quando o fundo religioso é tão somente um pretexto.

    Na questão da existência ou não da nacionalidade israelense, você não está correto. O Estado de Israel não atribui a ninguém em seus documentos a nacionalidade “israelense”, mesmo quando uma pessoa é cidadã desse estado, seus documentos estamparão “judeu”, árabe, italiano, etc… Qualquer coisa, menos israelense. É que, considerar a existência da nacionalidade israelense implicaria reconhecer que Israel é um estado dos cidadãos israelenses, e não de todos os judeus do mundo.

    Agora, Beto_w, eu queria te fazer umas perguntas para tentar entender sua visão real sobre esta questão. Por favor, responda, você é a favor de que Israel se torne um estado em que todos os seus cidadãos (independentemente de sua origem étnica ou religião) tenham os mesmos direitos e deveres, tanto sobre a terra como sobre o próprio estado? Você é a favor de que Israel seja um estado que não tome medidas para impedir que uma parcela de seus habitantes não judeus possa eventualmente tornar-se maioria?

    Se você me responder que sim, como eu sinceramente espero que você me responda, então, por que defender a existência de Israel como um estado judeu? Até aceito os argumentos de que já existe uma realidade concreta no local e não é possível acabar com ela sem mais nem menos. Posso aceitar a existência de dois estados com base nestes argumentos, mas não dá para aceitar que uma pessoa de boa fé defenda a expulsão de um povo de uma terra onde vivia há séculos para ali instalar um estado com bases racistas, etnicista, ou qualquer coisa pelo estilo. Beto_w, nós somos seres humanos. Devemos defender a humanidade. Uma nacionalidade é um fator histórico, não pode incluir tão somente as pessoas de uma única origem ou religião.

    Eu me relaciono muito bem com diversas pessoas que se consideram judias, mas não sionistas. São pessoas que não renegam suas origens culturais (ou étnicas, para alguns), mas também não consideram que isto lhes dá o direito de sobrepor-se aos direitos de outros seres humanos. Eu te recomendo que acompanhe um portal de gente deste tipo: http://www.losotrosjudios.com.

    Eu, às vezes, fico preocupado. Já vi muita gente aparecendo por aqui (e em outros portais), inicialmente se mostram tolerantes, compreensivos, pacifistas. Porém, quando constatam que não conseguem impedir a continuidade das críticas aos crimes do Estado de Israel, deixam surgir sua verdadeira face. Foi isto o que aconteceu, entre outros, com um tal doutor que vivia freqüentemente opinando neste espaço. Eu sinto que você não é igual. Por isso estou pedindo que você me responda estas questões. Elas são realmente definidoras.

    Fernando

    16/01/2014 - 17h33

    Comentário perigoso.

    Alô moderação! Fiquem de olhos atentos pro anti-semitismo, isso ainda é crime no Brasil.

Jose C. Filho

16/01/2014 - 10h26

Afinal, o que há de verdade na globo? Ela não prejudica somente os incautos brasileiros que assistem sua fétida grade de programação, ela ataca todos os povos e nações que não se submetem aos caprichos do império do norte. O que há de verdade na globo? apoio à ditadura, assassinato de reputações, manipulação de informações, sonegação, etc. Tenho certeza absoluta que não tardará o dia em que nos livraremos desse estorvo.

Responder

Jair de Souza

16/01/2014 - 09h51

Muito oportuna a chamada de atenção feita em relação a mais esta tramoia patrocinada pela rede Globo. Para ajudar a esclarecer a realidade do problema vivido pelo povo palestino, recomendo que vejam todos (ou pelo menos alguns) os documentários que indico à continuação:

Renen Berelovich: A história Sionista
https://www.youtube.com/watch?v=3jNYlUj2gMU

John Pilger: A Palestina continua sendo a questão
https://www.youtube.com/watch?v=EYvOQHExhnY

Shlomo Sand: A invenção da Terra de Israel
https://www.youtube.com/watch?v=xfbq6ElEsAM

Ilan Pappe: A limpeza étnica da Palestina
https://www.youtube.com/watch?v=JsePdGlglxA

Nurit Peled-Elhanan: Os palestinos nos livros escolares israelenses
https://www.youtube.com/watch?v=GCcV7AtYgwo

Miko Peled: O filho do general
https://www.youtube.com/watch?v=ToYDesW47Wc

Marc H. Ellis: Judaísmo não é igual a Israel
https://www.youtube.com/watch?v=TOYwzFz441c

Ilan Pappe: Mitos e propaganda israelenses
https://www.youtube.com/watch?v=buIKKeygWBY

Responder

jaqueline

16/01/2014 - 09h36

Como se não bastasse esse ataque desinfreado da Globo contra a Palestina continua noite a fora com filmes e seriados o ultimo é (Homeland – Segurança Nacional) que obviamente coloca o Arabe como terrorista…mas não para por ai a ingorancia do nosso povo o Brasil o brasileiro que diz respeitar a crença e o credo diz estar num Pais de estado LAICO Democratico com Liberdade de Expressão essa Verdade inventada… nas paginas do FACEBOOK acontece outro ataque desinfreado de terrorismo contra arabes e Islamicos…ignorante insultam denigram a imagem de homens e Mulheres a pagina foi denunciada mas como resposta foi a negativa do face.

Responder

Cláudio

16/01/2014 - 07h11


“Com o tempo, uma imprensa [mídia] cínica, mercenária, demagógica e corruta formará um público tão vil como ela mesma” *** * Joseph Pulitzer.


“Se você não for cuidadoso(a), os jornais [mídias] farão você odiar as pessoas que estão sendo oprimidas, e amar as pessoas que estão oprimindo.” *** * Malcolm X.



Ley de Medios Já ! ! ! . . .



Responder

sergio

16/01/2014 - 02h07

De terrorismo a Rede Al-Qaeda de Televisão, digo Globo de Televisão, entende bem.

Responder

Adriano Medeiros Costa

16/01/2014 - 01h33

É incrível o desserviço q a Globo tem prestado ao país ao logo de sua trajetória…

Responder

Marat

15/01/2014 - 23h59

O cara é palestino, terrorista, e se chama Pérsio? Essa Globo chegou no fundo do poço… fala e faz bobagem o tempo todo, e isso porque a cara de pau está endividada até o pescoço!
Quanta babação de ovo aos EEUU e a Israel! Que lixo de emissora!!!

Responder

    Fabio Passos

    16/01/2014 - 07h12

    A globo não é lixo!
    É o esgoto… entupido!

    Mauro Assis

    17/01/2014 - 15h13

    Marat, o personagem não é terrorista.

Arthur Schieck

15/01/2014 - 23h45

Faltou um youtube da cena para ilustrar a crítica. Não vejo novela e não pude ver o diálogo citado para poder tirar minhas próprias conclusões.
Concordo que igualar as partes desse conflito é no mínimo cretino.

abraço!

Responder

    Mauro Assis

    17/01/2014 - 15h02

    Artur, não é cretino, é apenas ficção, bicho!

Trabalhador Brasileiro

15/01/2014 - 23h44

Em maio de 2005 li um estilhaço de pensamento de Dror Feiler publicado por Gershon Knispel na página franqueada a ele pela revista Caros Amigos numero 98. O texto enumera ‘Regras de Basquete na Palestina’ na visāo do autor e de milhares de palestinos. Foi fácil achar na internet, mas me orgulho do meu exemplar impresso e reconstituído.
Ei-las:


Regra 01: Os israelenses têm o direito de jogar nos dois lados da quadra, enquanto os palestinos só podem atuar em seu próprio lado.
Regra 02: Por razões de segurança, os palestinos não têm o direito de passar a bola a bola entre seus jogadores, pois ela pode acertar um jogador israelense.
Regra 03: Não haverá cesta no campo israelense.
Regra 04: Israel pode arremessar a qualquer momento, mesmo no intervalo e nos pedidos de tempo.
Regra 05: Os palestinos não podem ter torcida. Só aos israelenses é permitido.
Regra 06: Israel seleciona os jornalistas que vão cobrir o jogo e o que eles informam.
Regra 07: Israel encoraja os palestinos a arremessar na sua própria cesta. Jogadores que se recusarem serão denominados terroristas e não se permitirá que joguem.
Regra 08: Os jogadores palestinos têm o direito de deixar o campo, mas não podem retornar. Única exceção: um palestino pode ser substituído por um israelense.
Regra 09: Israel escolhe e orienta os juízes, e os avisa quando devem olhar para o outro lado.
Regra 10: Israel escolhe o capitão do time palestino.
Regra 11: As faltas israelenses e as boas jogadas palestinas não serão exibidas na televisão.
Regra 12: Israel fica com o dinheiro dos patrocinadores dos palestinos.
Regra 13: Somente os jogadores israelenses podem tomar água.
Regra 14: Os palestinos devem jogar quando e onde forem designados por Israel.
Regra 15: As regras somente se aplicam aos palestinos. Os israelenses podem mudar as regras durante o jogo e não são obrigados a avisar os palestinos sobre as mudanças. “

Responder

Mauro Bento

15/01/2014 - 23h39

Epa,epa,epa !
Cadê o PT e o PCdoB ??? Esqueceram de assinar ???

Responder

    Mardones

    16/01/2014 - 09h50

    k k k k k k k k.

    O ala que comanda o PT agora só pensa em reeleição.

    Aos petistas que ainda mantêm aos ideias pré-Carta ao Povo Brasileiro (entenda-se Banqueiros) só resta seguir lutando.

    Vale a denúncia e a confirmação de que a Globo é o Quarto Poder.

    Aos palestinos a certeza de que o fato de ser o maior programa em termos de audiência no Brasil não significa que o Povo Brasileiro compactua com o conteúdo ali veiculado. Graças inclusive à política – de financiamento das emissoras de tv – da SECOM.

    Narr

    16/01/2014 - 13h42

    Não leu o documento?
    É bastante claro: o Governo Federal (do PT)e a Rede Globo são considerados cúmplices.
    O acordo militar com Israel não foi criado pelo PSDB, mas pelo PT.
    A questão é complexa, porque do lado do partido aliado da Globo e submetido ao imperialismo há quem alegue que se defender apenas com a tecnologia dos fuzis AK-47 não é exatamente o mais prudente para uma país.

    Mauro Bento

    16/01/2014 - 14h13

    Sr.Narr
    Não entendi seu comentário.
    A título de ilustração o fuzil de assalto israelense é o Galil inspirado no AK-47 de origem soviética.

Nelson

15/01/2014 - 23h22

O “apodrecimento moral do ocidente”, como tem pontificado o sociólogo argentino, Atílio Borón, parece não ter fim e mesmo limites.

Responder

Márcio

15/01/2014 - 22h57

Queriam o que? Ariel Sharon acabou de morrer e foi retratado em todos os jornais como um herói, não obstante seu passado como um covarde assassino. Quem assistiu Monsieur Verdoux de Chaplin deve se lembrar de uma celebre frase: se você mata um é considerado um assassino, se mata milhões, um herói. Os números santificam.

Responder

ANDRE

15/01/2014 - 22h41

fugindo do assunto,segue informaçao:
http://www.novojornal.com/politica/noticia/aecio-rompe-com-seu-marqueteiro-por-divergencias-sobre-campa-17-12-2013.html
Vida desregrada de Aécio faz marqueteiro abandonar sua campanha
Prevendo derrota iminente por incapacidade de afastar senador da imagem de playboy e drogado, marqueteiro rompe contrato
Acostumado com a prática da equipe de marketing que o assessorou em Minas Gerais, sem interferir em suas opções e gostos, principalmente em relação à sua vida social e seu consumo de bebidas e de drogas, Aécio rebela-se contra marqueteiro que queria afastá-lo desta imagem.

Segundo assessores do marqueteiro, Renato Pereira, ele não conseguiu convencer Aécio em mudar. O senador amparado pelo grupo de familiares e políticos que o cercam, insistia em comparar-se a JK, que tinha uma imagem de festeiro e mulherengo, ignorando que sua imagem está ligada não à festas e mulheres, mas à orgias e drogas.

O antropólogo e publicitário Renato Pereira e o senador mineiro romperam o contrato iniciado no primeiro semestre para a realização dos programas de TV do PSDB. Oficialmente o encerramento da parceria ocorreu por “diferenças de visões” na condução da estratégia de comunicação.

O afastamento teria sido formalizado nos primeiros dias do mês, mas mantido em segredo. Nesta terça-feira (17), Aécio lançará um documento com 12 propostas para o país. O rompimento só seria divulgado depois.

Nos bastidores, mesmo quando as chances de cancelamento do contrato já eram grandes, o senador se mostrava satisfeito com o resultado do seu programa partidário, veiculado em setembro, produzido por Pereira. Entretanto, o pré-candidato pouco adotou os conselhos do marqueteiro para o segundo semestre.

A contratação de Pereira, um dos sócios da agência Prole, era apontada pelo próprio senador como um dos trunfos de sua escalada para tentar chegar ao Palácio do Planalto no ano que vem.

Aécio tem dito que gostaria de adotar uma espécie de estrutura colegiada para cuidar do marketing de sua campanha, como fez nas eleições que disputou em Minas. Responsável por todas as últimas eleições do governador Sérgio Cabral (PMDB), Renato Pereira é visto no mercado como uma das revelações do marketing político.

Fez também a campanha de Henrique Capriles contra Hugo Chávez, na Venezuela, em 2012, ocasião em que enfrentou o brasileiro João Santana, que pilotará a campanha de Dilma Rousseff. Houve, desde o início da parceria entre Pereira e Aécio, uma diferença de estilos e concepção de comunicação. O senador mineiro achava que deveria repetir a receita que lhe deu a vitória duas vezes em Minas, enquanto a equipe do publicitário se ressentia de falta de autonomia.

Apesar da não renovação, os dois encerraram a parceria em clima amistoso. Aécio só vai definir a nova equipe de marketing em 2014. Tucanos defendem um nome conhecido nacionalmente, mas aliados mineiros do senador gostariam que ele recorresse a dupla Rui Rodrigues e Paulo Vasconcellos, que fez as campanhas do partido em Minas desde 2002.

Responder

Luís Carlos

15/01/2014 - 22h37

Globo não comente erro histórico. Ela cria versão da história que convém a interesses dela. Não há erro, há intenção.

Responder

    FrancoAtirador

    15/01/2014 - 22h56

    .
    .
    Má Intenção.
    .
    .

    Nelson

    15/01/2014 - 23h20

    Concordo em gênero, número e grau com ambos, o Atirador e o Luís Carlos.

    mona

    16/01/2014 - 01h54

    Exato!

    Gabriela

    16/01/2014 - 08h19

    EXATAMENTE!

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