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Banqueiro diz que conteúdo de livro é “ilícito”; editora rebate
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Banqueiro diz que conteúdo de livro é “ilícito”; editora rebate


15/01/2014 - 10h25

Daniel Dantas ameaça a Geração Editorial pelo livro “Operação Banqueiro” e quer impedir divulgação de dados de inquéritos e processos judiciais

da assessoria da Geração Editorial

Banqueiro ataca a referência a provas judiciais, policiais e administrativas inéditas obtidas e reveladas pelo jornalista Rubens Valente

O banqueiro Daniel Dantas fez a primeira ameaça oficial à Geração Editorial, que no último dia 10 lançou a obra “Operação Banqueiro”, do jornalista Rubens Valente, com revelações e provas inéditas sobre as atividades do banqueiro e do Banco Opportunity. A primeira edição da obra esgotou nas livrarias em poucos dias, e a Geração trabalha para colocar a segunda edição nas livrarias de todo o país.

Em notificação extra-judicial datada do último dia 9 de janeiro, subscrita pelos seus advogados, Daniel Dantas ataca a citação, na obra, de dados obtidos pelo jornalista em inúmeros processos judiciais e inquéritos policiais e administrativos de interesse público.

O banqueiro afirma que “pode-se concluir que a publicação extrapola — em muito — os limites do exercício da liberdade de expressão, sujeitando V. Sas. [Geração Editorial], na qualidade de editores e distribuidores, à responsabilização pela divulgação dos dados sigilosos e pelos danos causados ao notificante [Dantas] e ao Opportunity”.

O banqueiro alega que há dados sob sigilo e, por isso, “o conteúdo divulgado no livro intitulado ‘Operação Banqueiro’ é ilícito”.

A notificação extra-judicial é datada de 9 de janeiro, um dia antes da chegada da obra às livrarias do país. A peça assinada pelos advogados do banqueiro reconhece que houve portanto uma “leitura superficial”.

Segundo o banqueiro, “a leitura superficial da obra publicada permite constatar a divulgação indevida, ainda que não se reconheça o seu teor, de informações sigilosas constantes de processos judiciais e administrativos, como por exemplo o conteúdo de interceptações telefônicas, a transcrição de e-mails; a reprodução de documentos e relatórios da Polícia Federal”.

A Geração Editorial e o autor reafirmam que jamais utilizaram material “ilícito” e que a divulgação de dados do gênero é reconhecida em várias esferas judiciais e oficiais que defendem o direito à liberdade de informação e de expressão no Brasil. Caso prosperasse a tese desenvolvida pelo banqueiro e contida na peça ameaçadora de seus advogados, todos os jornais e revistas do país, todas as emissoras de televisão e todas as editoras estariam impedidas de divulgar quaisquer investigações desenvolvidas, por exemplo, pela Polícia Federal.

Os brasileiros já estão acostumados a abrir todos os dias os jornais e revistas ou ligar a televisão no noticiário para ter acesso a gravações telefônicas e e-mails interceptados por ordem judicial no decorrer de processos e inquéritos da Polícia Federal e das várias polícias nos Estados.

Estariam o “Jornal Nacional” e os jornais televisivos da Rede Record, da Rede Bandeirantes e do SBT, dentre tantas outras emissoras, fazendo uso de “conteúdo ilícito” em seu noticiário?

Estariam a revista “Veja”, “Época” , “IstoÉ” e “Carta Capital”, semanalmente, e os jornais “Folha de S. Paulo”, “O Estado de S. Paulo” e “O Globo”, diariamente, apenas para citar alguns mais conhecidos no país, usando material “ilícito” em suas páginas?

Estariam todos esses veículos “extrapolando – em muito — os limites do exercício da liberdade de expressão”?

A resposta a todas essas perguntas é obviamente não, pois editores e jornalistas apenas cumprem o seu papel e o seu dever de bem informar a população sobre temas de interesse público.

Caso a tese levantada pelo banqueiro fosse verdadeira e acolhida pelo Judiciário, seria instituído no país um verdadeiro sistema autoritário de censura e de controle da liberdade de expressão e de informação, no qual jornalistas e editores seriam perseguidos e punidos apenas porque levaram ao público determinadas informações, principalmente as que incomodam forças poderosas no país.

A Geração Editorial e o autor reafirmam o respeito à lei e à Justiça brasileiras e o compromisso com a transparência de seus atos e com o direito do leitor de ter acesso a informações de interesse da sociedade.

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



28 comentários

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Jorge

16 de janeiro de 2014 às 21h32

Concordo com o Dantas. O que mais tem dentro do livro são ilícitos… praticados por ele e seus amigos.

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Julio Silveira

16 de janeiro de 2014 às 19h57

Fácil para o Dantas resolver esse problema, basta comprar a editora,
comprar todos os livros, e depois ver se da para comprar o jornalista.
Por que por tudo que temos visto e lido, esse tipo de negócio ele entende muito bem.

Responder

Eduardo

16 de janeiro de 2014 às 09h59

Sair ou não de circulação é uma questão de preço!

Responder

FrancoAtirador

15 de janeiro de 2014 às 22h53

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Mais uma vitória da Mídia Bandida:

COPOM AUMENTOU A TAXA SELIC… DE NOVO!
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Copom cede novamente e juros sobem

Por Altamiro Borges, no Blog do Miro

Pela sétima vez consecutiva, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) elevou nesta quarta-feira (15) a taxa básica de juros, a Selic, de 10% para 10,5% ao ano.

Um verdadeiro crime, que beneficia uma minoria de rentistas em detrimento da geração de emprego e renda no país.
Até abril de 2013, a taxa de juros sofreu acentuada redução – chegou a 7,25%, o nível mais baixo desde que o Copom foi criado, em 1996 –, o que sinalizou uma mudança de postura da área econômica do governo Dilma no enfrentamento da ditadura financeira.
De lá para cá, porém, a brutal pressão dos banqueiros e da mídia rentista fez com que o Banco Central cedesse covardemente na sua política monetária.

O sétimo aumento da Selic terá impacto direto nas contas públicas, com a elevação da dívida da União, e no crescimento da economia.
Juros mais altos afetam a produção e consumo internos, com efeitos negativos na geração de emprego e renda.
No ano passado, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) já foi pífio.
Com a manutenção da política monetária restritiva, a tendência é que a economia também não decole em 2014.
Para os que fazem fortuna com a especulação financeira – o 1% de ricaços do país –, a alta dos juros é motivo de festança.
Já para a maioria dos brasileiros, que vive do seu trabalho, a decisão de hoje do BC só deve gerar preocupações com o futuro de seus empregos e de sua renda.

Para piorar, ao final da primeira reunião deste ano, o Copom ainda divulgou um comunicado em que afirma que a decisão de elevar a Selic em 0,50 ponto percentual foi tomada por unanimidade e que o comitê dará “prosseguimento ao processo de ajuste da taxa básica de juros”.
Para os tais analistas do mercado – nome fictício dos porta-vozes dos rentistas –, o comunicado oficial indica que novas altas poderão ocorrer em 2014.
Com isto, o Brasil se mantém na liderança incontestável – e vergonhosa – da taxa de juros mais alta do planeta e ainda segue na contramão do restante dos chamados países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Estudo divulgado em meados do ano passado revelou que entre os 13 países que alteraram a sua política monetária em 2013, apenas o Brasil e o Egito elevaram os seus juros.
“Outras 11 nações, como Índia, México, Colômbia e Austrália, reduziram os juros para estimular suas economias.
O mesmo ocorreu na zona do euro, que reduziu sua taxa de 0,75% para 0,5%”, registrou na ocasião o jornalista Álvaro Fagundes, da Folha.
Apesar disso, o Banco Central volta a ceder à ditadura do capital financeiro.
Os estragos podem ser grandes, inclusive do ponto de vista eleitoral.

(http://altamiroborges.blogspot.com.br/2014/01/copom-cede-novamente-e-juros-sobem.html#more)
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Responder

PedroAurelioZabaleta

15 de janeiro de 2014 às 22h16

Por acaso o tal livro poderia ser catalogado como biografia não autorizada?
Fiquei cá pensando com meus paranóicos botões…

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Marat

15 de janeiro de 2014 às 22h00

Onde está a justiça deste país? Onde estão os nobres ministros do STF, que ainda não correram defender o nobre, honrado, honesto e ilibado banqueiro? Ah, mas que país… Quero mudar daqui!!!

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    Luís Carlos

    15 de janeiro de 2014 às 22h15

    Um deles, o presidente, está gozando férias na Europa e recebendo R$14.000,00 em diárias pagas por nós. Quanta ética!

    Marat

    15 de janeiro de 2014 às 23h49

    Qual presidente? o do PSDB? Ou seria algum ministro do Supremo?

    Marat

    15 de janeiro de 2014 às 23h50

    Ah, o Quincas? Mas o Quincas é capa da veja… rsrsrsrsrsssss

Marat

15 de janeiro de 2014 às 21h56

Pobrezinho do banqueiro… coitadinho… Que gente malvada esta, da Editora! Que malvado o Rubens Valente…

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ANDRE

15 de janeiro de 2014 às 20h52

enquanto isto:
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/estadia-de-barbosa-na-europa-e-paga-pelo-stf/

Estadia de Barbosa na Europa é paga pelo STF

Joaquim Barbosa receberá 11 diárias, no valor total de R$ 14.142,60, durante suas férias, para proferir duas palestras – em Paris e Londres.

Dados do tribunal mostram que Barbosa receberá diárias para viajar no período de 20 a 30 de janeiro.

O cronograma do evento francês, publicado no site da Agence Nationale de la Recherche – uma agência do governo francês dedicada à pesquisa científica – indica que ele falará 30 minutos sobre a influência da publicidade das sessões do Supremo, transmitidas ao vivo pela TV Justiça, na racionalidade das decisões do tribunal.

Na segundo evento, marcada para o dia 29 na Inglaterra, palestrará sobre o funcionamento da Corte.

Oficialmente, JB está de férias. No final do ano passado, após a última sessão plenária do tribunal, o ministro disse em entrevista que tiraria 20 dias este mês – do dia 10 ao dia 30.

Na ocasião, em entrevista gravada, ele disse que descansaria até o fim de janeiro. Perguntado sobre seu destino durante as férias, respondeu: “Você está querendo saber demais”.

Responder

Luís Carlos

15 de janeiro de 2014 às 19h59

Além de Gilmar, o banqueiro também teve ajuda da então ministra do STF, Dra. Greice, que escondeu o disco rígido de computador do DD, e agora cogitada para ser vice na chapa de Aécio. Coincidência não?

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Ednaldo Vieira Costa

15 de janeiro de 2014 às 19h22

Ele vai prender o jornalista e o editor,eu não tenho dúvida.

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Francisco

15 de janeiro de 2014 às 18h42

Mas me diga uma coisa: ele negou?

Responder

ricardo silveira

15 de janeiro de 2014 às 15h59

Se for ao STF o banqueiro ganha, a menos que o STF da AP 470 tenha mudado, pois, o que lá já se viu foi o banqueiro, apesar de prova com vídeo – imagem e som, mais dinheiro vivo que comprovava suborno – ser absolvido e na AP 470 réus serem condenados sem provas, na base do só pode ser.

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Marcos

15 de janeiro de 2014 às 14h43

O mais interessante é que ele não se defende das afirmações contidas no livro, mas apenas que elas não deveriam ser publicadas! PORTANTO É CONFISSÃO PÚBLICA, PODE MANDAR PRENDER O BANQUEIRO.
rsrsrs… Ele poderia ter escrito o seguinte: SOU LADRÃO MAS NÃO PUBLIQUEM!

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Felipe

15 de janeiro de 2014 às 13h15

É “antas”… é a hora do choro, e ele é livre. Aceite os fatos.

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Mauro Bento

15 de janeiro de 2014 às 12h52

Pior é que eu suspeito que o STF concorde com o Orelhudo.

Responder

    Emerson

    15 de janeiro de 2014 às 15h50

    Se depender do Gilmar Mendes, sem dúvida.

    Mauro Bento

    15 de janeiro de 2014 às 22h13

    Só o Gilmar Mendes ???
    No Brasil se conseguiu o cargo de juiz é porque provou ser cão de guarda da burguesia,
    acreditar em outro tipo de juiz é o mesmo que acreditar que o Copom subiu os juros só para conter a inflação.

Domingos Sávio Maia

15 de janeiro de 2014 às 12h32

Todos os mais de 500,000 presos no Brasil, não representam o perigo que esse Senhor Doutor e seu exército de advogados podem fazer de mal( sem contar o mal que já fizeram) ao Brasil. É um câncer que tem de ser extirpado com uma alta dose de quimioterapia, radioterapia e cirurgia. Tudo democraticamente. Mas, a desinfecção ocorrerá.

Responder

Urbano

15 de janeiro de 2014 às 12h26

O que é que é ilícito mesmo? Hen, heim… não se cria…

Responder

Leo V

15 de janeiro de 2014 às 12h07

Pela lógica a Geração Editorial vai sofrer consequencias judiciais severas.
Já vimos que a jurisprudência é feita em prol de Daniel Dantas, em todas as instâncias do Judiciário, e delegado e Juiz que não se dobram são afastados e acusados.

Por mais correta que esteja a editora, e de achar com razão que faz o mesmo que a Globo e as outras TVs fazem, a Justiça é seletiva. Eu ficaria com muito receito. Dantas é muito mais poderoso que Serra.

Responder

tonimeola

15 de janeiro de 2014 às 11h58

E, quando algum magistrado tirar a bunda de cima dos “discos” o que a nossa República terá que absorver!

Responder

walter rodrigues

15 de janeiro de 2014 às 11h27

O Barãozinho é um orelhudo.

Responder

ma.rosa

15 de janeiro de 2014 às 11h27

É isto “sr.dd”, a sua liberdade termina aonde começa a nossa. E o interesse de sermos sempre bem informados é o que deve prevalecer! Transparência é TUDO de Boooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooom! Avante Srs. da Geração Editorial.Parabéns Sr.Rubens Valente, assim é que faz jornalismo!
Em tempo: moro no interior, mas já encomendei meu exemplar.

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renato

15 de janeiro de 2014 às 11h04

Começou a voar ” alimentos em forma de pasta”, vai espirrar em todas as paredes brancas da JUSTIÇA BRASILEIRA.
Até lá, ainda acho que vai vazar aluns fluidos humanos de cor vermelha!

Responder

Helena/S.André SP

15 de janeiro de 2014 às 10h59

E FHC ainda teve a insensatez de colocar esse banqueiro para “tomar conta da PREVI” e dos demais fundos de pensão. Foi como colocar um lobo tomando conta de um galinheiro. Ainda bem que Luiz Gushiken abriu os olhos dos funcionários do BB e estes reagiram a fim de colocar esse banqueiro e seu Banco “Oportunista” fora da administração da PREVI. Seremos eternamente gratos a Gushiken por isso.

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