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Cartas de Minas

Dona Zélia, depois da ‘limpeza social’: “Ficou parecendo uma Miami”

25 de agosto de 2011 às 21h27

No quintal de casa, dona Zélia e a papelada das remoções

por Manuela Azenha

“Isso chama-se limpeza social. Removeram a primeira e maior parte da comunidade, 68 famílias, para fazer um belo jardim na entrada do condomínio. Ficou parecendo uma Miami. Quando os moradores abriram os olhos, já era tarde demais. Agora, mais uma vez, sem necessidade, vão acabar com o resto”.

O desabafo é de Maria Zélia Carneiro Dazzi, a presidente da Associação de Moradores e Pescadores da Vila Arroio Pavuna, na zona Oeste do Rio de Janeiro. Descendente de um dos primeiros integrantes da comunidade, dona Zélia é parte viva de uma história de remoções que marca o avanço da especulação imobiliária na cidade.

Surgida em 1910, às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona Sul, em 1938 a comunidade foi transferida pela primeira vez, para as proximidades da Lagoa de Jacarepaguá. Em 2006, a construção de um condomínio de luxo nas redondezas desfez casas e laços comunitários.

A ‘Miami’ de dona Zélia, onde ficava parte da comunidade removida

“A área do condomínio e de tudo aqui era uma enorme mata. A gente saia com um pedaço de pau na mão, porque era cheio de bicho: cobra, capivara, coelho. Tinha borboletas azuis lindíssimas. Os pássaros noturnos, todos sucumbiram.Tinha pássaro Carão, aquele que parece uma galinha e tem um canto lindíssimo. Naquela época [da construção do condomínio] os bichos conseguiram escapar para o terreno aqui do lado. Mas dessa vez, não. Foram todos aterrados, coitadinhos”.

Dona Zélia se refere ao aterro onde caminhões e tratores se preparam para erguer um viaduto que fará parte da TransCarioca, a ligação entre o aeroporto do Galeão e a Barra da Tijuca, uma das obras de infraestrutura para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Para concluir a avenida, a Prefeitura pretende remover as 28 famílias que restam, extinguindo uma comunidade centenária.

Dona Zélia diz que só ficou sabendo que perderia a casa quando repórteres de TV vieram até o bairro no dia seguinte à publicação do decreto no Diário Oficial.

“A verdade é que não estamos entendendo nada. Cada hora a planta que fazem da comunidade está de um jeito, sempre com erros. Tudo bem desapropriar as casas da frente, mas não é necessário fazer isso com todas”, ela argumenta.

Organizados pela ativista, os moradores estão decididos a não permitir que a Prefeitura faça a avaliação das casas para efeito de desapropriação. Tiram proveito do fato de que existe um portão isolando a comunidade. Recorreram à Defensoria Pública. Por enquanto, os moradores não tiveram acesso ao projeto e reclamam da escassez de informações.

“Minha casa não está à venda. Não tenho porque permitir que entrem nela”, diz dona Zélia.

As marcas em tinta preta que a Secretaria Municipal de Habitação deixou na entrada do bairro, supostamente para marcar as casas a serem demolidas, foram cobertas pelos moradores com tinta branca.

No muro onde a prefeitura pintou as marcas da remoção, moradores cobriram com tinta branca

“Isso é uma prática nazista, não vamos aceitar”, diz dona Zélia.

Ela continua planejando o futuro. Fez um curso para elaborar projetos comunitários na Fiocruz e gostaria de promover o turismo ecológico no entorno da Lagoa de Jacarepaguá, hoje altamente poluída.

A luta para salvar a comunidade fez com que ela descuidasse da própria saúde. Dona Zélia sofreu um mal estar, por um breve período deixou de sentir o lado esquerdo do corpo, levou um tombo na rua e feriu o joelho. Mas não teve tempo de procurar atendimento médico. Além de lidar com a ameaça de remoção, precisa ajudar o marido a enfrentar as consequências de um câncer recém-descoberto.

Apesar dos abalos, ela demonstra determinação. Passeando pela comunidade, aponta para uma árvore centenária e lamenta a perda de outra, que ficava por perto.

Foi então que disparou a frase mais marcante da entrevista:

“Isso chama-se limpeza social. Removeram a primeira e maior parte da comunidade, 68 famílias, para fazer um belo jardim na entrada do condomínio. Ficou parecendo uma Miami. Quando os moradores abriram os olhos, já era tarde demais. Agora, mais uma vez, sem necessidade, vão acabar com o resto”.

A construtora Delta, de Fernando Cavendish, amigo do governador Sérgio Cabral, é a responsável pela obra que vai remover a comunidade

A Lagoa de Jacarepaguá, hoje altamente poluída: dona Zélia gostaria de promover turismo ecológico na região

O limite entre o terreno de dona Zélia e as obras do aterro que precedem a construção de um viaduto

Portão que impede o acesso da Prefeitura às casas da comunidade

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55 Comentários escrever comentário »

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Zélia Dazzi

08/02/2015 - 17h56

Hoje janeiro de 2015, vejo uma reportagem de 2011 quando a nossa comunidade estava ameaçada de sair para construção da Transcarioca. Levamos de 2010 a abril de 2013 para conseguirmos nossa vitória de permanecermos no local.
A comunidade já existe desde de 1938, foi uma colonia de pesca que foi transferida por Getulio Vargas para à margem do rio Arroio Pavuna. Portanto não somos invasores pagamos taxa de ocupação. Hoje a via está pronta e o BRT indo e vindo. Mas sòmente 5 moradia foram removidas e indenizadas, o restante das moradias permanecem e a regularização fundiária está em curso pois o solo pertence a União.

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JOSE DANTAS

01/09/2011 - 17h26

"A gente saia com um pedaço de pau na mão, porque era cheio de bicho: cobra, capivara, coelho."

Na prática é sempre assim. As pessoas usam os mais distintos meios para se defender de bichos como cobras e outros que nos ameaçam, coelhos aí já é paranóia. Só que o matuto não pode se defender porque é crime ambiental, apesar de ser a maior vítima de acidentes principalmente com animais peçonhentos. O sujeito tem que deixar a cobra no terreiro de casa mesmo sabendo que amanhã ela poderá tirar sua vida ou a de um familiar. Quem mora num apartamento que não seja térreo, estará a salvo desse tipo de coisa e acha que lidar com cobras, como fazem aqueles biólogos da telinha é tão simples como engolir espadas e andar na corda bamba, só que eles treinaram a vida toda até fazer daquilo um meio de vida.

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Claudia Santiago

30/08/2011 - 19h49

Sou amiga da Zélia. Parabéns e muito obrigada pela matéria.

Um beijo

Claudia

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#foraricardoteixeira, em estádios do Nordeste ao Sul | Viomundo - O que você não vê na mídia

29/08/2011 - 18h39

[…] Dona Zélia, depois da limpeza social: “Ficou parecendo uma Miami”   […]

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Cronopio

28/08/2011 - 19h25

"Refletindo Sobre O Inferno

Refletindo, ouço dizer, sobre o inferno
Meu irmão Shelley achou ser ele um lugar
Mais ou menos semelhante a Londres.
Eu Que não vivo em Londres, mas em Los Angeles
Acho, refletindo sobre o inferno,
que ele deve Assemelhar-se mais ainda a Los Angeles.
Também no inferno Existem, não tenho dúvidas, esses jardins luxuriantes
Com as flores grandes como árvores, que naturalmente fenecem
Sem demora, se não são molhadas com água muito cara.
E mercados de frutas Com verdadeiros montes de frutos, no entanto
Sem cheiro nem sabor. E intermináveis filas de carros
Mais leves que suas próprias sombras, mais rápidos
Que pensamentos tolos, automóveis reluzentes, nos quais
Gente rosada, vindo de lugar nenhum, vai a nenhum lugar.
E casas construídas para pessoas felizes, portanto vazias
Mesmo quando habitadas.
Também as casas do inferno não são todas feias
Mas a preocupação de serem lançados na rua
Consome os moradores das mansões não menos que
Os moradores do barracos"

B. Brecht

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A ação do MPF para permitir o protesto dos torcedores | Viomundo - O que você não vê na mídia

27/08/2011 - 19h02

[…] Dona Zélia, depois da limpeza social: “Ficou parecendo uma Miami” […]

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soninha

27/08/2011 - 13h24

mas não é o 'desenvolvimento' que a Copa vai trazer para o povo brasileiro?

Responder

diogojfaraujo

27/08/2011 - 13h01

O Rio já vem se transformando numa Miami desde os anos 90, inclusive na produção intelectual… Faz um tempo tal aberração havia parado, mas parece que agora volta a toda…

E se fosse em SP, qual seria a manchete no Conversa Afiada????

Responder

nabarrigadamiséria

27/08/2011 - 11h10

Minha solidariedade a essa gente sofrida que está sempre no final da fila de atendimento do Estado e sempre no início da fila na hora de abrir passagem para o Estado. Que a infreestrutura chegue e com ela chegue também o desenvolvimento, ninguém é contra. Mas há de se respeitar os cidadãos que ali estão. Eles não são cidadãos apenas por um dia a cada dois anos. Me lembro agora da primeira campanha de Eduardo Paes para vereador, fez de jacarepagua e barra seu canteiro eleitoral, incluindo aí os "emergentes" e os demais, uma grande maioria que foi sendo empurrada para jacarepagua (longe para caramba de tudo: escola, hospital, trabalhos) com a expansão urbana. Me refiro a uma época que até uns quinze anos atrás a estrada arroio-pavuna era chamada por seus moradores e vizinhos por estrada do urubu por conta do abandono – muito lixo, muito mato, muitos mega-mosquitos, nada de iluminação… Pois bem, quando enfim os equipamentos públicos e infraestrutura começam a chegar para essa gente, a história parece se repetir. Serão os primeiros a entrarem na fila para o "se vira". E de novo entra lá no fim da fila. E pelas mãos de ninguém menos que Eduardo Paes (diga-se, figura política em quem estes meus vizinhos, desde os idos de sua vereança, sempre muito confiaram). Minha solidariedade sincera.

Responder

Regina Braga

26/08/2011 - 18h44

Exclusão social,virou moda no país…No Rio é feita na cara dura e em Sampa é fogo destruindo as favelas…E o setor imobiliário? Vai bem graças a Deus!!! Olhe as faces do nazismo,maquiadas pela copa do mundo.

Responder

    ana

    26/08/2011 - 22h46

    aqui em SP, a face nazista está atuando há anos

Gabriel

26/08/2011 - 16h08

Serio é difícil não se sentir revoltado com a especulação imobiliária e ver como as prefeituras, que deveriam ter em primeiro lugar compromisso com a população, apoiar tais empreiteiras. Aqui no ES, por exemplo, em Vila Velha, a especulação imobiliária pretende acabar com o que restou da comunidade de pescadores de Itapuã pra fazer condomínios de luxo. O prefeito, que contou com votos de membros da comunidade pra se eleger, apóia a ação da empreiteiras como se numa cidade que carece de planejamento urbano jogar mais condomínios de luxo de 15 andares fosse resolver o problema.

Responder

Maurício Rayel

26/08/2011 - 15h27

Lula e Sérgio Cabral estão toda hora juntos. Bem que o Lula podia pedir pro governador pegar mais leve com seu próprio povo….

Responder

beattrice

26/08/2011 - 12h50

Azenha
a falta de planejamento urbano e a speculação imobiliária,
a falta de governo em todas as esferas e a desmobilização dos movimentos sociais
estão acarretando a remoção legal ou ilegal de milhares de brasileiros em todo o país.
Neste espaço, em outro post, já lemos comentários de pessoas que residem em diferentes estados,
todos testemunhas do caos reinante.
Ainda existe um "ministério das cidades"?
Lá supostamente tem um "ministro" dando expediente?

Responder

M. S. Romares

26/08/2011 - 12h49

O Rio, como SP, padece cronicamente de governos pouco sérios e comprometidos com a população. Esse cabral é uma piada. O pai dele escrevia no Pasquim e já o achava uma porcaria, mas inofensivo. Parece que o filho conseguiu ser ainda pior pelo poder de que dispõe.

Responder

    Rodrigo Falcon

    26/08/2011 - 13h51

    O Sérgio Cabral pai já foi até vereador, pavimentando o caminho para o famigerado filho ser governador, mas por favor não diminua o compositor e pesquisador de música popular brasileira Sérgio Cabral, que tem obras seminais para a história do samba. Saiba de quem você está falando, antes de destilar seu veneno. De injustiça, já temos é demais…

Wanderson Brum

26/08/2011 - 12h24

Parabéns, parabéns vamos comemorar a nossa hipocrísa e inaugurar a nossa Palestina, nosso Iraque, Afeganistão ou Libia onde a força militar vem "pacifíca a área" e depois entram as construtoras e deitam e rolam na mamata.

Pra que falar do Barack/Bush se nós temos no Rio uma mistura de Napoleonzinnho e Berlusconi -sem-direito-buga-buga para alegria geral, se bem que essa "desapropiações" verdadeiros confiscos arbitrários já são pornografia que baste!

Mas que se dane! Tá chegando a Copa e as Olimpiadas é preciso se livras dos pobres, nossos batustões ficam muito próximos dos locais de interesse da Mídia internacional, o governo do Rio aderiu a campanha de combate a miséria com força vai eliminar quantos miseráveis for possivel que seja na bala ou na base do despejo.

Responder

    Sebastião Medeiros

    26/08/2011 - 20h38

    Parece que o governo do Rio de Janeiro foi buscar know-how em Israel para fazer esta limpeza étnica na outrora Cidade Maravilhosa.
    Depois que membros da forças de segurança de Israel foram assessorar o governo do Estado do Rio de Janeiro"na luta contra o narcotráfico" vocês queriam o quê?

Eudes H. Travassos

26/08/2011 - 12h21

Governo racista!!!

Responder

Paulo Villas

26/08/2011 - 12h17

A Barra é um bairro tìpicamente carioca , não tem nada de paulistano , isso é papo de incautos ou de quem gosta de repetir o discurso dos recalcados . O bairro está aberto aos paulistanos , aos nordestinos , aos gaúchos e a qualquer um que goste de morar perto do mar , goste da boa gastronomia e de estar perto das mulheres mais lindas do mundo. O resto é conservadorismo na veia ou manipulação de mercado das imobiliárias que tem interêsses na zona sul. Finalmente , com o PAC não se justificam as presenças de favelas , já passou da hora de erradicá-las da memória nacional. Casas dignas para todos , o resto é … bem , eu já disse.

Responder

    ana

    26/08/2011 - 22h47

    a barra tem uma estátua da liberdade fake e horrível

    beattrice

    27/08/2011 - 01h17

    O PAC da moradia tem favelizado a habitação popular, falta fiscalização e decoro aos incorporadores.

    Marcio H Silva

    27/08/2011 - 01h54

    Este mané deve morar na Barra. É um novo riquinho, ou pensa que é riquinho. Deve ser um ex-suburbano que melhorou um pouquinho de vida e foi morar nos condomínios da barra e pensa que mora bem.

Antonio

26/08/2011 - 12h14

Sérgio Cabral não é do DEM nem do PSDB porque o PMDB supre suas necessidades.

Responder

betinho2

26/08/2011 - 12h07

PARTICIPEMOS:

Reconhecimento para a Palestina — um novo caminho para a paz http://www.avaaz.org/po/middle_east_peace_now/?cl

Responder

Julio Silveira

26/08/2011 - 10h53

Esses politicos que governam os Rios hoje, estado e capital, devem ser enrustidos fãs do Carlos Lacerda, politico que foi governador do estado, radical adversário de Getulio Vargas, e que tinha uma visão antagonica das comunidades carentes do Rio. Adorava removê-las, sempre, para as conchinchinas, e deixar a elite carioca com um visual de limpeza social que esta lider comunitaria se refere. Criou a Cidade de Deus (dentre outras obras imobiliárias para os pobres surrealistas), numa época em que a Cidade de Deus era fim de mundo, que acabou virou centro de criminalidade pelas poucas oportunidades lá oferecidas a população. Com o crescimento populacional e da capital acabou por terem de integrá-la gerando os custos que muitos conhecem. Provavelmente o atual governador e seguidor de Lacerda, junto com o edil da capital, já estejam reservando recursos para os futuros administradores resolverem os problemas que eles certamente legarão em suas tentativas de maquiar o problemas até os eventos que ocorrerão no estado, já devem ter seus bunquers.

Responder

Bonifa

26/08/2011 - 10h53

Remoções para necessárias obras de infraestrutura podem ser realizadas. Mas o trabalho de remoção de uma comunidade exige uma atenção absoluta do poder público, fundada em princípios que não podem ser de modo algum desconsiderados. Primeiro, deverá ser feito um trabalho social profundo junto aos membros da comunidade, não com a intensão inicial de convencê-los, mas antes de de equacionar os principais problemas comunitários e servir como uma ponte de diálogo e negociação entre os moradores e os interesses da cidade. Segundo, a disposição imprescindível de conseguir terreno de relocação nas vizinhanças, onde as moradias deverão ser reconstruídas, para que não seja alterada a base socio-geográfica da vida comunitária. Mesmo que tal terreno tenha elevado custo, isso tem que ser feito. Terceiro, a elaboração do projeto de reassentamento deverá ser conduzida por arquitetos em alta interatividade com a comunidade, a qual deverá sentir-se coautora dos projetos, em todas as suas fases, projetos esses que contemplem detalhadamente as particularidades funcionais e culturais da comunidade. Se essas três condições forem atendidas, estar-se-á agindo do modo correto. Se uma dessas condições não for realizada, o poder público merece até o imediato impedimento judiciário em nome dos princípios constitucionais e dos interesses maiores da sociedade.

Responder

LUCIO FLAVIO

26/08/2011 - 10h31

Azenha.
Nada a ver com o assunto, mas a famigerada OTAN, já contando com a queda do Kadaffi, achou a bola da vez.
O G1 de hoje, sobre o ataque ao prédio da ONU na Nigéria, está falando que o dinheiro do petróleo da Nigéria não chega ao povo Nigeriano. Incrível não? Faz mais de 50 anos que as gigantes americanas exploram o petróleo e degradam o solo nigeriano. Só agora eles vem nos dizer isto? Certamente a OTAN, mais uma vez, vai entrar em ação para "salvar" o "povo" nigeriano das garras de seu governo, como estão fazendo na Líbia.
LUCIO FLAVIO LAUTENSCHLAGER
Partido Pátria Livre
Santa Maria-Cidade Universitária-RS

Responder

Alencar

26/08/2011 - 10h14

E a Belo Monte?
Pessoal menos esclarecido ou mais eleitoreiro, querem tumultuar a construção da terceira maior hidroelétrica do mundo para "preservar" o ambiente de cobras e lagartos.
Vamos comparar a futura usina com a "miami"? Que bicho vai dar?

Responder

Marcus

26/08/2011 - 09h56

O mais engraçado nisso tudo foi quando estava passando pelo bairro do Campinho, e as pessoas das comunidades pararam a Ernani Cardoso exigindo os seus direitos . Na hora me veio em mente que o Rio SEMPRE foi assim. Remoções à la Gestapo. Na época da primeira urbanização da cidade, depois com Pereira Passos. A extinção dos cortiços, e toda a baboseira que pregam acerca do progresso da cidade.

Ora, o bem mais valioso da cidade do Rio de Janeiro são os seus cidadãos. Ou, pelo menos para os turistas e as revistas especializadas que ele geram o povo do Rio como o mais simpático.

Mas agora, se o Eduardo Paes não concorda, azar o nosso!

Mas que desde o princípio isso não me pareceu estranho, isso foi verdade. O Rio sacrifica o seu povo em nome da modernidade, progresso, dinheiro e turistas.

Responder

Marat

26/08/2011 - 08h55

Limpeza social dá margem aos radicais de delinear uma limpeza étnica também!

Responder

    HMS TIRELESS

    26/08/2011 - 10h14

    Essa é a administração de Eduardo Paes, o discípulo do fanfarrão vascaíno filhote da esquerda etílica Sérgio Cabral. Tudo isso com as bênçãos e o apoio do governo federal.

O_Brasileiro

26/08/2011 - 07h43

Miami???
Baixou o índice de criminalidade?
Melhorou a educação pública?
A maioria da população tem plano de saúde bom?
Baixaram os impostos?

Responder

Luciana

26/08/2011 - 07h14

Eu sempre soube que essa Copa do Mundo no Brasil seria o mega-evento dos mais corruptos e perversos do mundo.

Responder

Gustavo Pamplona

26/08/2011 - 02h44

E aqui em BH que estão acabando com a Avenida Pedro I e um pedaço da Av. Antonio Carlos, só para dar acesso a quem vem dos aeroportos da Pampulha e de Confins para o estádio do Mineirão.

Dinheiro para hospitais, escolas, pagar médicos, professores falta, mas para fazer obras monumentais visando eventos de grande magnitude tem de sobra.

Depois vocês ainda me criticam o porque um tempo atrás eu disse aqui num artigo sobre o desperdício de dinheiro com o trem-bala.

—-
Gustavo Eduardo Paim Pamplona – Belo Horizonte – MG
Desde Jun/2007 criticando obras monumentais no "Vi o Mundo"! ;-)

Responder

ZePovinho

26/08/2011 - 01h25

A Barra da Tijuca é o bairro mais paulistano do Rio de Janeiro…………….Tem até estátua da liberdade em frente a um shopping e tem outro shopping,o Downtown,que copiou o estilo art déco de Miami.
Quando eu ia tomar chopp por lá,gozava os cariocas dizendo que me sentia em Campina Grande porque essa cidade da Paraíba tem um enorme acervo de edifícios em art déco.

Responder

    ana

    26/08/2011 - 22h49

    a estátua da liberdade não fica em miami. e em SP não tem nada parecido. a não ser os mauricinhos

Marcio H Silva

26/08/2011 - 00h48

Ninguém é contra as obras, mas porque estes governantes do RJ não fazem a coisa certa? Ou dar um valor correto para os desapropriados ou remove-los para casas ou apartamentos decentes. 2012 é ano que vem. Teremos eleição Municipal. Vamos ver como vai se comportar o eleitorado do rj.

Responder

FrancoAtirador

25/08/2011 - 23h19

.
.
Por causa da "copa" vão demolir quarto, sala, cozinha e banheiro.

Esse é o Rio de Janeiro, do Cabral e da Globo:

De pernas abertas para o mundo.
.
.
.
.

Responder

    JOSE DANTAS

    01/09/2011 - 17h33

    No início isso aí era tudo dos índios. Do primeiro Cabral até o atual mudou muita coisa e muita gente se apoderou do seu pedaço e se não fosse em consequência disso, nem existiria o Rio de Janeiro, nem a Globo e muito menos motivos para as críticas da Dona Zélia.

herlan

25/08/2011 - 23h18

Eu não sei se o caso desses moradores se trata de moradias em favelas ou em terrenos invadidos. Mas fica aí a minha opinião…

É impressionante que quando se fala em remoção de favelas, vem um monte de oportunistas cheio de papos demagógicos, dizendo que um político tal, ou uma empresa sal, "odeia pobre" ou é isso ou é aquilo. Cheio de papos românticos..

Será que vão remover essas pessoas de suas residências sem darem indenização ou um novo local para morarem, só que com qualidade e a infra estrutura que se faz necessária?

Caso estejam fazendo essas remoções sem os devidos cuidados aqui em cima citados, eu me posiciono totalmente contra.

Não falo nem dos condomínios de luxo, mas sim das obras de infra estrutura e de melhorias urbanas pros eventos e pros próximos anos na cidade.

Agora eu acho errado, é ficarem com esse discurso de conto de fadas, como se favelas fossem coisas normais ou bonitas e que devessemos mantê-las onde estão pro resto de suas vidas. A favela é a face mais evidente de que moramos num país extremamente desigual em vários sentidos, e nisso aí se encontra a falta de acesso a moradia digna pras pessoas.

Aí quando se quer dar uma solução pro problema, vem um monte de gente se posicionar contra. Mas quando acontece as desgraças como os da região Serrana e de tantos outros casos aí pelo Brasil, falam que a culpa é do Estado e blá blá blá…aí aparecem os mesmos que são contra a remoção de favelas criticarem o estado ou sei o que.

Parem com esse discurso de esquerda demagogo e implicante. Quem gosta de favela é elite e o empresariado, pra sempre ter ali do lado um monte de empregadas domésticas e um exército de desempregados de reserva, e o resto que a gente já sabe.

Por um Brasil sem favelas e todo mundo tendo acesso a moradia com dignidade. Por cidades com urbanismo armonico e sem discrepâncias socio-espaciais.

Porque se for assim, eu fico contra também.

Agora

Responder

    Daniel Campos

    26/08/2011 - 08h42

    Prezado, o conto de fadas da história é dizerem que os removidos serão indenizados e/ou movidos para um lugar melhor. O conceito de propriedade privada, tão sagrado para o capital, só é lembrado quando o dono têm dinheiro. Quando é um "pé-rapado" o dono… bem, você está vendo o que acontece.

    herlan

    27/08/2011 - 01h13

    Sabe qual outra solução eu dou para se resolver o problema da favelização nas nossas cidades, porém mais especificamente no caso da Barra da Tijuca e arredores?

    Retirem as favelas da região, e depois construa edifícios residências nos vários terrenos existentes nessa região, bem próximo dos condomínios de luxo que ali existem. Isso com isenção de IPTU, redução no valor da conta de água e luz.

    Deixariam essas pessoas próximas do local onde já habitavam, mas agora com moradia digna, e evitaria essa "miamização" do bairro, e diminuindo assim a segregação espacial.

    Bonifa

    27/08/2011 - 10h10

    É recomendação de qualquer urbanismo responsável evitar-se de maneira radical a segregação espacial. Em muitos países desapropriam-se áreas inteiras de bairros ricos para colocar alí populações mais pobres ou etnias diferentes, evitando a todo custo a segregação urbana.

Guanabara

25/08/2011 - 23h08

Que tal uma entrevista com o prefeito sobre as remoções?

Responder

    Marcio H Silva

    26/08/2011 - 00h45

    Se der a entrevista vai falar mentira. Vai enrolar e não esclarecer nada. São especialistas nisso.

Maria Paula

25/08/2011 - 22h25

Com certeza não queremos um Rio de Janeiro com cara de Miami. É preciso história para mostrar ao mundo e nela incluida as comunidades existentes.
Fora a Delta, sr prefeito.

Responder

    beattrice

    26/08/2011 - 12h51

    O sr. Eduardo Paes é um tucano de corpo e alma, sempre foi e sempre será.

    Marcio H Silva

    26/08/2011 - 12h59

    A Globo não divulga e nem denuncia, faz parte do esquema.

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