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Diane Ravitch: De onde sopram os ventos de destruição da educação pública

publicado em 14 de junho de 2012 às 23:48

por Luiz Carlos Azenha

Os argumentos políticos e ideológicos são apenas pretexto para os que pretendem destruir a educação pública e gratuita para todos: eles correm atrás é de lucro. A matriz é estadunidense, mas o movimento é global e encontra forte apoio na mídia corporativa, já que grandes empresas do ramo também oferecem “serviços educacionais”. O lobby dos empresários do ramo conven$e à esquerda e à direita. Culpar os professores pela falência sistêmica abre espaço para a venda dos testes padronizados, das apostilas de apoio didático, de vagas e de outras invencionices que rendem bilhões de dólares e reais.

Por isso traduzimos o artigo a seguir, do New York Review of Books: é um mapa do que já está acontecendo ou pode vir a acontecer no Brasil.

A deseducação de Mitt Romney

por Diane Ravitch, no NYRB

Em 23 de maio a campanha [do pré-candidato republicano à Casa Branca Mitt] Romney divulgou o programa de educação do candidato intitulado “Uma oportunidade para toda criança: o plano de Mitt Romney para restaurar o futuro da educação estadunidense”. Se você gostou das reformas educacionais do governo George W. Bush, você vai amar o plano de Romney. Se você acha que entregar as escolas para o setor privado vai resolver o problema, o plano vai deixá-lo entusiasmado.

Os temas centrais do plano Romney são um requentado das ideias republicanas para a educação dos últimos trinta anos, ou seja, subsidiar os pais que querem mandar suas crianças para escolas privadas ou religiosas, encorajar o setor privado a operar escolas, colocar os bancos privados no controle de programas de financiamento de bolsas de estudos, cobrar de professores e escolas os resultados de exames obtidos por alunos e reduzir as exigências para a admissão de novos professores.

Estas políticas refletem a experiência dos assessores de Romney, dentre os quais há uma dúzia de ex-integrantes do governo Bush e vários acadêmicos conservadores, entre eles o ex-ministro da Educação Rod Paige, o ex-subsecretário de Educação Bill Hansen e os militantes pelo direito de escolha dos pais, John Chubb e Paul Peterson.

Ao contrário de George W. Bush, que negociou com um Congresso controlado pelos democratas para aprovar o [programa de educação] “Nenhuma Criança Deixada para Trás”, Romney não faz acordo com ninguém. Ele precisa provar à base do Partido Republicano — especialmente a evangélica — que é realmente conservador. E este plano é o seu “missão cumprida” [referência à anedótica "Missão Cumprida" de Bush, que celebrou a vitória no Iraque antes da insurgência que devastou o país].

Romney dá apoio total ao uso do dinheiro do contribuinte para pagar bolsas de estudos em escolas privadas [vouchers], às escolas gerenciadas pela iniciativa privada e às escolas online que buscam lucro, além de qualquer outra alternativa às escolas públicas. Como Bob Dole [candidato republicano] em 1996, Romney demonstra desprezo pelos sindicatos de professores. Ele assume posição firme contra a certificação de professores — as exigências mínimas de que futuros professores devem passar por exames estaduais ou nacional para demonstrar seu conhecimento –, alegando se tratar de uma barreira desnecessária. Ele acredita que o número de alunos por sala de aula não importa (embora ele e os filhos dele tenham frequentado escolas privadas de elite, onde as classes são pequenas). Romney alega que “escolha” na educação é “o direito civil de nossa era”, um tema familiar entre os reformistas da educação de hoje, que usam a ideia para fazer avançar suas tentativas de privatizar a educação pública.

Quando se trata de universidades, Romney ataca Obama pelo aumento nos custos da educação superior. Ele alega que ajuda federal leva ao aumento das anuidades, por isso não pretende dar financiamento aos estudantes endividados. O plano não menciona que as anuidades aumentaram também em universidades públicas (onde estudam 3/4 de todos os estudantes), já que os estados reduziram seus orçamentos para educação superior e transferiram o peso de pagar dos contribuintes para os estudantes.

Romney pretende encorajar o envolvimento do setor privado na educação superior ao dar a bancos privados o papel de intermediários nos empréstimos federais para a educação, o que Obama eliminou em 2010, por ser custoso. (Até 2010, os bancos recebiam subsídios do governo federal para fazer empréstimos a estudantes, mas o governo assumia todos os riscos da inadimplência. Quando o programa foi reformado pelo governo Obama, bilhões de dólares em lucro dos bancos foram redirecionados para dar bolsas a estudantes necessitados). Para cortar custos, Romney encoraja a proliferação de universidades privadas online.

O plano de educação de Romney diz que nenhum dinheiro novo será necessário, já que gastar mais com as escolas não resolve os problemas da educação. No entanto, ele propõe o uso de dinheiro público para promover suas prioridades, como bolsas em escolas privadas, escolas gerenciadas privadamente e escolas online. Ele também quer usar dinheiro federal para recompensar estados que “eliminarem ou reformarem a estabilidade de emprego dos professores, com foco no avanço dos estudantes”. Traduzido, isso significa que Romney se dispõe a dar dinheiro federal aos estados que eliminarem os direitos dos professores e se eles pagarem mais aos professores cujos estudantes tiverem resultados melhores em testes-padrão, demitindo os professores cujos alunos não conseguirem isso.

Ao defender as bolsas — nas quais o governo financia o pagamento das mensalidades em qualquer escola privada ou religiosa escolhida pelos pais — Romney exagera os dados; algumas de suas afirmações são simplesmente falsas. O plano de Romney diz que o programa de bolsas do Distrito de Columbia [onde fica Washington, a capital dos Estados Unidos], que começou em 2004, o primeiro a usar dinheiro federal para subsidiar escolas privadas, é “um modelo para a nação”. Afirma que “depois de três meses, os estudantes podiam ler em níveis que só seriam atingidos 19 meses depois por alunos de escolas públicas”.

É simplesmente falso. Uma avaliação do programa requisitada pelo Congresso descobriu que os estudantes que receberam as bolsas não tiveram ganhos de leitura ou matemática. Como disse o relatório final, “não há provas de que o OSP [Programa de Bolsas Oportunidade] tenha afetado as conquistas dos estudantes”. Romney alega que 90% dos estudantes que receberam bolsas em escolas privadas se formaram no ensino médio, comparado com 55% nas escolas de baixo rendimento do Distrito de Columbia. Mas é exagero. A avaliação federal disse que 82% dos que receberam bolsas se formaram, contra 70% entre os estudantes que pediram bolsas mas não conseguiram. É um ganho respeitável, mas nem de perto chega aos números citados por Romney. Como estudantes que disputam as bolsas tendem a ser mais motivados que os que não disputam, os cientistas sociais geralmente comparam o resultado final entre os que conquistaram as bolsas e os que ficaram de fora.

Paradoxalmente, a campanha de Romney assume crédito pelo fato de que [o estado de] Massachussets lidera a nação nos testes federais de leitura e matemática conhecidos como National Assessment of Educational Progress.

Mas Romney não foi o responsável pelo sucesso acadêmico do estado, que se deve a reformas completamente diferentes das que ele agora propõe para o país.

A reforma no estado se tornou lei pelo menos uma década antes de Romney começar seu mandato de governador, em 2003.

O Ato de Reforma de Educação de Massachusetts envolveu o compromisso do estado de dobrar o financiamento da educação de 1,3 bilhão de dólares em 1993 para 2,6 bilhões em 2000; o compromisso de financiamento mínimo para todo distrito escolar, de acordo com suas necessidades básicas; o desenvolvimento de um forte currículo de Ciências, Artes, Língua Estrangeira, Matemática e Inglês; a implementação de um programa de testes baseado no currículo completo (por causa do custo, o estado testava apenas para leitura e matemática); a expansão do desenvolvimento profissional dos professores; e o teste de futuros professores. No fim dos anos 90, antes que Romney assumisse o governo, o estado aumentou o financiamento para as crianças em idade pré-escolar.

O plano de Romney, em contraste, é animado pela reverência ao setor privado. Embora fale pouco sobre a melhoria ou o investimento em educação pública, que é tratada como instituição falida, um grande entusiasmo é dedicado à inovação e ao progresso que supostamente ocorrem quando pais usam dinheiro público federal para colocar os filhos em instituições privadas ou em escolas privadas online. Massachusetts conseguiu sucesso ao melhorar o padrão de exigência para novos professores, não ao reduzí-lo. Massachusetts não eliminou a estabilidade dos professores, ou seja, o direito que os professores experientes têm de serem ouvidos antes da demissão.

A educação superior, garante Romney, vai florescer quando “inovação e novas aptidões” forem mais importantes que “tempo em sala-de-aula”. Em português simples, a última sentença significa que a educação superior se tornará mais acessível quando estudantes se matricularem em escolas online, muitas das quais visam lucro e custam barato. Naturalmente que as universidades online são mais baratas; não envolvem custos de capital, bibliotecas, prédios e o pessoal é mínimo. Algumas estão sendo investigadas por fraude nos métodos usados para recrutar alunos; elas evitam regulamentação federal com um alto investimento (bipartidário) em lobby.

A primeira resposta do governo Obama às propostas de Romney foi dizer que as políticas de Obama para o ensino médio têm o apoio entusiástico de conservadores proeminentes como os governadores republicanos Chris Christie de Nova Jersey e Susana Martinez do Novo México. Infelizmente, é a verdade. Tirando a oferta de bolsas para escolas privadas e a redução da certificação de professores, o programa “Corrida ao Topo” de Obama promove virtualmente tudo o que Romney propõe — gerenciamento privado, competição, avaliação de professores baseada nos resultados de testes dos alunos. O ministro da Educação de Obama, Arne Duncan, tem defendido as escolas gerenciadas privadamente e a cobrança a partir de resultados de testes tanto quanto Mitt Romney. E, como Romney, Duncan despreza a ideia de que é preciso reduzir o número de estudantes por professor.

A proposta de Romney de dar bolsas em escolas privadas usando dinheiro federal é carne crua para a base direitista do Partido Republicano, especialmente os evangélicos. As bolsas são vendidas como o terceiro trilho da educação desde que foram propostas por Milton Friedman, em 1955; foram colocadas sob votação em vários referendos estaduais e foram rejeitadas consistentemente. De forma geral, o público não quer ver dinheiro público usado para promover escolas religiosas. E várias escolas religiosas não querem dinheiro público, que vem ligado a vários exigências federais. Mas nos últimos anos as bolsas foram reanimadas por legisladores estaduais de Indiana, Wisconsin e Louisiana, sem passar pelos eleitores.

Os resultados não são nada animadores. Em Louisiana, onde a reforma da educação do governador Bobby Jindal foi aprovada em abril, a nova lei declara que os estudantes de escolas com baixa performance nos testes-padrão podem transferir o dinheiro do financiamento público que recebem para qualquer escola privada ou religiosa pré-aprovada. Cerca de 400 mil estudantes (mais da metade do total) podem competir, mas há apenas 5 mil vagas nas escolas privadas ou paroquiais do estado. Quando o estado divulgou a lista de escolas, a que se propôs a receber o maior número de estudantes bolsistas foi a New Living Word School, que ofereceu 315 vagas. Hoje ela tem um total de 122 vagas, mas não dispõe de instalações ou professores para os futuros estudantes, embora prometa construir um novo prédio antes do início do ano escolar. A maior parte das aulas na escola é dada através de DVDs.

Outra escola, a Academia da Eternidade Cristã, que atualmente tem 14 estudantes, concordou em receber 135 bolsistas. De acordo com um artigo recente da agência de notícias Reuters, os estudantes da escola ficam a maior parte do dia sentados em cubículos e trabalham com livros didáticos cristãos, um deles, de Ciência para iniciantes, com um texto que explica “as coisas que Deus fez” em cada um dos seis dias de criação. As crianças não aprendem sobre a teoria da evolução.

O pastor-diretor explicou: “Tentamos ficar longe de todas as coisas que confundem nossas crianças”. Outras escolas aprovadas para receber estudantes bolsistas, pagas com dinheiro público, “usam textos de estudos sociais que advertem contra liberais que ameaçam a prosperidade global [por acreditarem na teoria do aquecimento global]; livros de matemática baseados na Bíblia que não tratam de conceitos modernos; e textos de biologia construídos em torno de negar a teoria da evolução”.

O repórter da Reuters descreveu a lei de Louisiana como “o mais ousado experimento nacional para privatizar a educação pública, com o estado preparado para transferir milhões de dólares em dinheiro do contribuinte para pagar à indústria privada, empresários e pastores para educar crianças”. No ano que vem, todos os estudantes de Louisiana poderão disputar bolsas para fazer cursos com empresas privadas ou corporações que ofereçam ensino ou treinamento. Podem esperar por um boom nos negócios da educação no estado.

O que o governador Jindal está fazendo soa como uma ensaio do plano Romney. Sem dinheiro novo no orçamento, todo o dinheiro para bolsas e empresas privadas e escolas online será deduzido do orçamento estadual das escolas públicas. O governador Jindal e Mitt Romney deveriam explicar como a educação vai melhorar nos Estados Unidos se o dinheiro público for usado para mandar estudantes para escolas sectárias ou pagando cursos em empresas privadas ou online. Pela visão apresentada por Romney, dinheiro público vai ser usado em escolas que ensinam criacionismo. Qualquer um poderá ensinar, sem passar por testes de conhecimento e habilidade e sem preparo profissional. Professores poderão ser demitidos por qualquer razão, sem a proteção garantida pela liberdade para ensinar. Em alguns estados ou regiões, professores vão temer dar aulas sobre a teoria da evolução, o aquecimento global ou questões controversas. Nem vão ousar ensinar sobre livros considerados ofensivos por qualquer um na comunidade, como Huckleberry Finn.

O candidato Romney deveria explicar como a privatização da forma como educamos nossas crianças vai nos fazer atingir o objetivo de “restaurar a promessa da educação norte-americana”. “Restaurar” sugere uma volta ao passado. Quando na história dos Estados Unidos as escolas foram colocadas a serviço do lucro? Que estado permitiu isso antes do advento das escolas gerenciadas privadamente e das corporações da educação online? Qual dos fundadores do país foi contra a educação pública? John Adams, aquele encardido conservador, disse: “Todo o povo deve assumir a educação de todo o povo e deve arcar com os custos disso. Não deve existir um só distrito de um quilômetro quadrado sem uma escola, não financiada pela caridade individual, mas mantida às expensas de todos”.

Restaurar a promessa da educação norte-americana deveria significar o rejuvenescimento das escolas públicas, não a destruição delas.

Leia também:

Ciro Gomes detona a educação brasileira

Diane Ravitch: As corporações atacam a educação pública

Diane Ravitch: Como é a escola pública na Finlândia

 

33 Comentários para “Diane Ravitch: De onde sopram os ventos de destruição da educação pública”

  1. qui, 09/08/2012 - 13:59
    HEBER

    Elabore-se videos de ciências exatas lecionados pelos mais competentes mestres das melhores universidades, que hão de servir em classe aos alunos e principalmente ao professores vítimas da malfadada missão golbery de arrasar com a escola pública e dominar pela ignorância.

  2. [...] Diane Ravitch: De onde sopram os ventos de destruição da educação pública [...]

  3. [...] Diane Ravitch: De onde sopram os ventos que podem destruir a educação pública [...]

  4. [...] Diane Ravitch: Quem quer destruir a educação pública [...]

  5. dom, 17/06/2012 - 22:01
    marcosomag

    Os chineses devem estar rindo à toa com os rumos do “hencino” nos EUA.

  6. sáb, 16/06/2012 - 9:53
    Apavorado por Vírus e Bactérias

    No Brasil, o fim da Educação Pública serve ao PSDB:

    1- Os empresários amigos ganham dinheiro fácil do BNDES para fazer de conta que constróem escolas, mas enriquecem com o derrame de dinheiro público, que para o PSDB não é de ninguém, além de seus correligionários e amigos;

    2- A escola particular é um irradiador de ideologia da direita e um formatador de cabeças, de onde os alunos saem dizendo sim às atrocidades e à corrupção que eles praticam. É uma grande ferramenta a serviço da ideologia neocolonial e um inibidor do pensamento crítico.

    3- A escola particular é o muro social ideal para afastar pobres sem vergonha que querem aprender e ascender socialmente.

    A escola particular é o ideal para manter a colonização e as coisas não mudarem.

  7. sáb, 16/06/2012 - 9:00
    Dilma Coelho

    Sem educação, em todos os sentidos, não conseguiremos progredir.
    A educação vem da família, da boa escola, de professores conscientes, não dos pais irresponsáveis, que não têm compromisso com o presente e o futuro.
    Não de professores que aceitam ser professores por falta de opção, que aceitam fazer concurso e ganhar um baixo salário e depois saem se lamuriando e descontando nas crianças.
    Educação é algo muito sério.

    • sáb, 16/06/2012 - 12:10
      m.a.p

      Prezada Dilma
      A lamuria do professor tambem é um ato pedagógico, ou essa interpretação da realidade tem que ser feita pelo PIG!

    • sex, 13/07/2012 - 11:00
      andre

      educação é algo muito sério para os responsáveis por ela (os professores) ganharem baixos salários e ficar se lamuriando.

    • qui, 09/08/2012 - 11:54
      João Paulo Ferreira de Assis

      Você fala sem conhecimento de causa. Quando eu entrei no serviço público havia uma série de direitos que foram quase todos retirados. E o governo continua nos retirando esses direitos. E se recusando a cumprir a lei 11738. Lógico que tudo isto tem um preço. As escolas públicas vão começar a se esvaziar. Quem tiver dinheiro para matricular os filhos na escola particular que o faça.

      A categoria de professor foi a única que depois do plano real teve uma brutal redução de poder aquisitivo.

  8. sex, 15/06/2012 - 22:47
    Robynson

    Enquanto isso, na Bahia, o governo priva de conhecimento os estudantes da rede pública e faz chacota com os professor, alega que não pode cumprir acordo firmado com a classe e nem a lei federal do piso nacional do magistério devido a lei de responsabilidade fiscal e quando vai para Brasilia diz isso aí:
    Wagner afirma que Bahia não tem problema em contrair “dívidas”, veja o link:

    http://www.metro1.com.br/portal/?varSession=noticia&varEditoriaId=10&varId=10770

    A educação está em cheque mate!!!
    O PT da BAHIA navega contra a maré FEDERAL, parece mais partido neoliberal!!
    O governador esquece de quem, os professores, militou pela sua eleição !!!

  9. sex, 15/06/2012 - 19:58
    Gil Rocha

    Por enquanto eu vivo no Brasil.
    Então, tô nem aí e com a qualidade
    do ensino no nosso país poderia era
    ter escrito ou reproduzido alguma coisa
    com informações daqui.

    • sex, 13/07/2012 - 11:02
      andre

      Voce deveria estar mais atento pois o que está acontecendo lá nos EUA é um movimento mundial que atinge a Europa e a América Latina. Para você ter uma ideia, nas escolas municipais do Rio de Janeiro foi instituído o ensino religioso confessional com professores pagaos pelo nosso dinheiro (incluido os impostos de ateus) e que são selecionados por religiosos.

    • qui, 09/08/2012 - 12:04
      João Paulo Ferreira de Assis

      Pois deveria estar preocupado sim com o massacre que a educação pública e gratuita, pois agora o nível dos professores só tenderá a cair. Ninguém com dois neurônios quer ser mais professor. Futuramente vai faltar professor nas escolas públicas, pois quando o exército de reserva que existe para manter os nossos salários artificialmente baixos se enjoar também, aí é que eu quero ver.

      Mas se você é um elitista que não se preocupa, pois tem ao seu dispor as melhores escolas particulares, saiba que o futuro dos seus filhos está assegurado, mas o do Brasil…

  10. Os EUA descem mais um degrau rumo ao fosso da história e da insignificância. Criacionismo nas escolas em pleno século 21 é o cúmulo!

  11. sex, 15/06/2012 - 11:38
    lia vinhas

    Eu, que solu da área da educação digo que eles sopream dos governos estaduais e municipais corruptos, que embolsam a grana dos impotos e as v erbas do GF. Não se aplica nada nessas áreas e o principal, que é a qualidade de ensino, é absolutamente ignorada. Pretendem mil mudanças, mas eu lhes pergunto: Por que na minha época, a do onça, com o ensino público tradicionalíssimo, formaram-se cientistas e outros profissionais de altíssimo gabarito? Saía-se da 4ª série lendo e escrevendo bem, terminava-se o ginásio conhecendo o fundamental das literaturas brasileira e portuguesa (esta, então, hoje nem se sabe que existe), com livros simples, como a Matemática de Ary Quintela, mas sabendo de cor a tabuada (hoje, haja dedos para as crianças contarem), sabendo vários tipos de redação, cansando de fazer ditados para aprender a escrever corretamente. Mas as Escolas Normaios eram excelenetes, os profesores ganhavam decentemente, os militares sentiam orgulho de casar com professoras. Hoje, o lema da maioria dos nossos governantes estaduais e m inicipais é: um povo ignorante eu domino melhor.

    • sex, 15/06/2012 - 18:42
      Nelson

      “Hoje, o lema da maioria dos nossos governantes estaduais e m inicipais é: um povo ignorante eu domino melhor.”

      Minha cara Lia Vinhas.
      Apimentando o debate, eu quero dizer que já não acredito que seja esse o caso.

      Explico.

      Penso que já não há preocupação em manter o povo ignorante para dominá-lo melhor, afastando-o do acesso à educação. Pelo menos no que diz respeito ao tipo de educação que é aplicado; essa educação meramente utilitarista e voltada quase que exclusivamente ao mercado, ao suprimento, em abundância, de mão de obra de qualidade às empresas. Uma grande quantidade de especialistas à disposição permitirá às empresas barganharem salários visando à obtenção de lucros maiores. Assim, eu digo que os donos do sistema querem, sim, formar profissionais, mas dentro desse padrão educacional que citei.

      Quanto a manter o povo na ignorância, o aparato de divulgação e propaganda vai se encarregar disso. O lema de Goebbels, “uma mentira repetida cem vezes torna-se uma verdade inquestionável”, será largamente utilizado para tal fim.

      Um exemplo de dominação que posso citar é o povo dos EUA. Os estadunidenses têm um nível educacional muito mais elevado que o nosso e, no entanto, por serem submetidos a um bombardeio ideológico incessante, brutal, apresentam um nível abismal de ignorância em relação a diversos aspectos; política internacional é um deles. Isso faz com que eles apoiem, quase acriticamente, absurdos como a invasão e o bombardeio assassinos ao Iraque, para citar somente esse caso entre tantos outros.

      Continua….

      • seg, 18/06/2012 - 0:19
        lia vinhas

        Obrigada, NElson. Sua resposta foi uma ampla e excelente aula, fico feliz por ter estimulado, como outros, esta discussão tão saudável sobre o descalabro da educação no nosso país, não só pública, mas também privada, com raras exceções.

    • sex, 15/06/2012 - 18:45
      Nelson

      Dando sequência ao debate, Lia.

      Creio que há outra razão porque o objetivo central desses governantes não é o de manter o povo ignorante. Atualmente, a maioria dos governantes consegue se eleger graças ao apoio financeiro de grandes empresários a suas campanhas. Entre esses empresários estão os donos de escolas e universidades privadas no país. Uma vez empossados, é óbvio que esses governantes terão que retribuir os favores recebidos.

      Então, se durante a campanha os candidatos falaram tanto em investimento em educação pública de qualidade, ao governarem não irão entregá-la. Isto porque, se realmente fizerem esse investimento, vão acabar roubando mercado das escolas privadas, justamente aquelas que estiveram entre seus financiadores da campanha eleitoral.

      Assim, é preciso sucatear, desmoralizar, quase que destruir a educação pública, para fazer com que o cidadão, preocupado com o futuro de seu filho, acabe tirando-o da escola pública para matriculá-lo na privada. Desta forma, estarão garantidos os lucros dos financiadores de campanha.

      Para terminar, Lia. Eu creio que para mudarmos este estado de coisas só com muita pressão popular sobre os governantes. Infelizmente, o povo brasileiro é extremamente egoísta neste quesito; não são muitos os que se dispõem a se unir para buscar objetivos comuns.

  12. sex, 15/06/2012 - 11:21
    Nelson

    Nestes tempos de acirramento crescente da crise do sistema capitalista, o setor de serviços é considerado a “salvação da lavoura”. Por isso mesmo, a pressão pela privatização do fornecimento de água e saneamento, de energia elétrica, da educação, da previdência segue cada vez mais forte.

    Você pode viver recusando-se a comprar um televisor mais novo ou um carro do ano, mas não pode dar-se ao luxo de recusar-se a beber um copo d’água, a tomar um banho, não pode dispensar a luz elétrica ou a geladeira em tua casa, não pode se esquivar de garantir uma boa educação para você ou teus filhos e não pode descuidar da tua velhice; precisa de uma aposentadoria minimamente decente. E, detalhe, você vai necessitar de tudo isso até o final dos teus dias. a demanda, portanto, é permanente.

    Por isso, o grande capital quer abocanhar o nicho de mercado chamado de serviços; há a garantia de extração de lucros ad eternum.

    • sex, 13/07/2012 - 11:07
      andre

      Em um artigo sobre a crise do capitalismo no Financial Times o economista Lawrence Summers (acessor do Bill clinton, membro do conselho da Goldman Sachs e ex-reitor de Harvad que perdeu o cargo por ter afirmado que haviam poucas mulheres ensinando na universidade porque elas eram menos inteligentes) afirmou que a saída para a crise do capital está na educação e na saúde. mais uma evidência que confirma seu comentário.

  13. sex, 15/06/2012 - 11:06
    Nelson

    Para o linguista e filósofo estadunidense, Noam Chomsky, “os intelectuais constituem o estrato mais ignorante da sociedade”. Chomsky justifica afirmando que os intelectuais sabem de tudo o que está acontecendo ou têm os meios para sabê-lo, e, ao invés de agirem para mudar o estado de coisas, preferem acoitar-se nas benesses do poder deixando tudo como está.
    A afirmação de Chomsky vale também para esta questão da privatização da educação.
    Quem está por trás dessa onda privatista senão os educados, intelectualizados, que elaboram as teorias mais estapafúrdias para provar que o melhor é entregar a educação à iniciativa privada? Certamente, não são os cidadãos que vendem churros nas praças – que, por dificuldades várias, conseguiram cursar apenas dois ou três anos do ensino fundamental e, por isso mesmo, não tiveram a oportunidade de acesso a empregos melhores.
    Isto mesmo, camarada. A privatização da educação, por paradoxal que pareça, está sendo gestada na cabeça de gente educada, intelectualizada que deveria estar, por ter tido acesso a um maior conhecimento, trabalhando em benefício do conjunto da sociedade e não de apenas de um punhado de capitalistas. Capitalistas esses que não estão nem aí, para a qualidade da educação; o que eles querem mesmo é engordar ainda mais seus já faustosos lucros.

  14. sex, 15/06/2012 - 9:52

    Avança incólume o invisibilizado 4º Reich nazi sionista a sua agenda de dominação sobre o mundo com sua nova ordem mundial escravagista e suas conseqüências óbvias. Já falei disso em outras oportunidades, é bom repensarmos os paradigmas de análise e entendimento deste projeto macabro pois, já está ficando tarde. A grande porta da liberdade está se fechando.
    Sinto muito, sou grato.

  15. sex, 15/06/2012 - 9:29
    Reginaldo

    Muito interessante o artigo da profa. Ravitch. Muito relevante para pensar a educacao em outros paises, tambem, desde que se evite o paralelo simplista e descontextualizado. Aliás, é impressionante a visão caricatural e simplória que se tem, no Brasil, da educação americana (especialmente da educação superior). E nao falo do ‘publico em geral’, falo de jornalistas, professores, políticos. A profa. Ravitch – que já foi uma paladina de posições tem feito uma virada importante nas suas posições, num exercício de autocrítica interessante. Vejam a respeito o texto em que explica (mais ou menos) porque mudou de opinião: http://online.wsj.com/article/SB10001424052748704869304575109443305343962.html

  16. sex, 15/06/2012 - 8:55
    Leonardo Mattos

    Qualquer semelhança com o novo PNE, com o ProUNI, com o FIES, com a expansão do EaD no Brasil NÃO é mera coincidência.

  17. sex, 15/06/2012 - 3:35

    Aqui nos trópicos, não vi nenhum movimento na direção da estatalização das instituições privadas, sequer no ensino superior.

    Também não vi nenhum movimento no sentido de financiar preferencialmente escolas instituídas a partir de cooperativas de professores.

    Em resumo, e na boa, o Pró Uni é o quê? Não existe nenhuma meta nacional de redução de oferta de vagas privadas e ampliação de vagas públicas (ou semi-privadas, no caso das cooperativas).

    É assombroso constatar, mas o partido com mais professores no seu quadro de militantes e representantes eleitos, não tem um projeto (com “P” maiúsculo) para a educação. Começo a desconfiar consistentemente que não tem projeto de país, também.

    Chame o ladrão!!!

    • sex, 15/06/2012 - 9:49
      Jorge Nunes

      Até agora no Brasil abriu mais vagas em universidades e escolas técnicas públicas (Isso foi bem forte na gestão Lula).

      No município do Rio de Janeiro há mais investimentos tanto no professor quanto nas unidades escolares (embora não se vê muito livros didáticos).

      Mas acho que privatização tem mais a ver com a cultura dos EUA, o contribuinte brasileiro não vê com bons olhos a privatização do ensino público ou mesmo sua degradação.

      As cobranças em torno da educação pública e saúde pública são constantes nos notíciarios.

      • dom, 17/06/2012 - 20:27
        Nelson

        Meu camarada Nunes

        Creio que o teu comentário contém uma elevada dose de ingenuidade, e explico o porquê. A tua afirmação de que “o contribuinte brasileiro não vê com bons olhos a privatização do ensino público ou mesmo sua degradação” não espelha em nada a realidade brasileira.

        Infelizmente, desgraçadamente, o povo brasileiro está assistindo a degradação, e o extermínio quase que completo, do ensino público brasileiro e nada está fazendo. O que temos visto é somente a classe dos professores reagindo, empilhando dias de greve que surtem muito pouco efeito em termos de pressão sobre os governantes. Estes continuam mantendo cortes nos orçamentos destinados à educação, vão “matando no cansaço” os professores, que acabam desistindo de lutar, e a coisa vai ficando por isso mesmo.

        Isto, sem contar o fato de grande parte dos governantes não ter a intenção real de investir na recuperação efetiva do ensino público, uma vez que isso roubaria mercado das escolas privadas, como já afirmei em resposta que fiz à Lia Vinhas mais acima.

        Continua…

      • dom, 17/06/2012 - 20:30
        Nelson

        A meu juízo, camarada Nunes, podemos constatar outra ingenuidade na tua afirmação: “as cobranças em torno da educação pública e saúde pública são constantes nos noticiários”. Ora, os órgãos da mídia hegemônica e seus comentaristas, supostos especialistas em tudo – na verdade, apenas (de)formadores de opinião – agem de duas formas, dependendo do governo de turno:

        1º – Se o governo de turno é seu aliado incondicional, ou seja, “toca” o país de forma a garantir a obtenção de lucros cada vez maiores pelas grandes corporações – e isto se dará às custas dos trabalhadores e do povo em geral -, exemplo, o de FHC, essa mídia hegemônica vai tocar nos temas da saúde e da educação públicas de forma a reforçar as políticas desse governo. E sabemos que as políticas de um governo desse tipo levam à privatização de tudo o que é público/estatal. O objetivo não é melhorar serviços e baratear custos para a população. Isto pode até acontecer de uma forma incidental, mas o mais comum é que os serviços não melhorem ou venham mesmo a piorar sua qualidade. Já os custos para a população, invariavelmente, vão crescer bastante, com as privatizações.

        2º – Se o governo de turno não é e não se dispõe a ser seu aliado, o que significa que “toca” o país de forma excessivamente independente dos interesses do grande capital – exemplo, o de Hugo Chávez – essa mídia hegemônica vai tocar nos temas saúde e educação públicas para denegrir o mais possível tal governo perante sua população, de olho na próxima eleição. Ao mesmo tempo, ela estará também procurando convencer a população de que é necessário recorrer às privatizações para que tudo possa melhorar. E essa mídia fará o mesmo no caso de um governo como o de Lula, por exemplo. Por fazer inúmeras concessões ao grande capital, o governo Lula não é considerado tão radical quanto o de Chávez. Porém, nem por isso se tornou um governo plenamente confiável à mídia hegemônica e ao grande empresariado.

  18. http://www.blogdadilma.blog.br/tecnologia/115-redes-sociais/1429-twitaco-marca-1-ano-do-assassinato-do-blogueiro-edinaldofilgueira.html

    Nesta sexta-feira, 15, diversas atividades marcam um ano do assassinato do 3º blogueiro e ativista social em todo o mundo (antes de #EdinaldoFilgueira foram mortos por seu ativismo o iraniano Omid Reza Mir Sayafi e o Bahraini Zakariya Rashid Hassan al-Ashiri).

    A Deputada Federal Fátima Bezerra (PT-RN) apresentará projeto de lei idealizado no III Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, haverá passeata e missa em sua cidade Natal, além de um twitaço com a hashtag #EdinaldoFilgueira. Edinaldo Filgueira foi um lutador social, filho de agricultores que nem sobrenome possuíam. Foi militante no movimento estudantil, cultural, adquiriu formação superior, jornalista, blogueiro, presidente do PT em sua cidade, e é um mártir na luta pela democratização das comunicações.

    “Despite legislative progressive and some success in combating impunity, Brazil can still be dangerous for journalists, especially in the north and northeast. As in other countries, organized crime continues to be the main direct source of threats. Handicapped by conflicts of interest, Brazil’s media are also increasingly exposed to political and judicial harassment, while Internet journalists are often subject to preventive censorship.[1]

    Em tradução livre, o texto acima transcrito, contido no sitio da organização internacional Reporters Without Borders, diz o seguinte: “A despeito do progresso legislativo e algum sucesso no combate à impunidade, o Brasil pode, ainda, ser perigoso para jornalistas, especialmente no norte e nordeste. Tal qual em outros países, o crime organizado continua a ser a principal fonte direta de ameaças. Aleijados por conflitos de interesses, a mídia brasileira está também, cada vez mais, exposta a assédio político e judicial, enquanto jornalistas na Internet são frequentemente submetidos à censura preventiva”.

    [1] http://en.rsf.org/report-brazil,169.html

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