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Caleb Maupin: O golpe da Exxon, Chevron, BP e Shell

03 de março de 2016 às 23h57

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“Se fosse consultado, diria que é uma boa ideia (acabar com exclusividade da Petrobras no pré-sal). Se vier a acontecer, estamos em posição de querer um papel nesse contexto” (Presidente da Shell ao visitar o Brasil)

Atual crise econômica mundial é resultado de manobra política criada por gigantes petrolíferas norte-americanas, afirma Caleb Maupin

do site da Central de Sindicatos Brasileiros

O jornalista e analista político norte-americano Caleb Maupin trouxe à tona o controle mundial que as quatro grandes empresas petrolíferas dos Estados Unidos, Exxon Mobil, Chevron, British Petroleum (BP) e Royal Dutch Shell exercem na economia mundial

Durante sua palestra no II Congresso da Central de Sindicatos Brasileiros, Caleb Maupin indagou: “Quem são as pessoas mais ricas do mundo? Muitos vão responder Bill Gates, algum sultão ou príncipe saudita ou talvez alguém cite algum novo rico que está na lista das 100 pessoas mais ricas do mundo da revista Forbes. Mas tudo isso é bobagem. Se compararmos essas pessoas com quem realmente detém o poder, elas são consideradas pobres; são tão pobres que possuem toda a fortuna em seu nome. Aqueles que têm o maior poder de riqueza detêm uma riqueza tão astronômica que muitas vezes seu valor líquido sequer pode ser calculado. As pessoas mais ricas do mundo podem ser descritas em duas palavras: banqueiros do petróleo. Rockefellers e DuPonts são dinastias que estão no centro de uma pequena rede de influência enraizada, dominando as economias dos Estados Unidos da América, da Europa Ocidental, Arábia Saudita e da maior parte do mundo”, afirmou.

“Para se entender as dimensões da influência das quatro gigantes do petróleo, podemos citar que o terreno onde foi construída a sede da Organização das Nações Unidas (ONU) foi doado pelos Rockefellers, proprietários da Exxon Mobil, que também têm participação nos poços de petróleo da Arábia Saudita. A JP Morgans, empresa que possui participação da mesma família, possui cerca de seis mil contratos com o Pentágono”, contou Maupin, que participou do planejamento do Occupy Wall Street, movimento de protesto contra a desigualdade econômica e social, a ganância, a corrupção e a influência do setor financeiro.

O analista elucidou que, diante do panorama político atual, não se pode separar a política externa norte-americana das grandes companhias de petróleo.

“Basta observarmos quais os países foram os principais inimigos dos Estados Unidos nas últimas guerras. Todas as nações que entraram em guerra com os EUA eram grandes exportadores de petróleo no mundo. Eles acabaram temporariamente com a produção de petróleo desses países. Esse é o processo que os Estados Unidos da América usam para desenhar a geopolítica e dominar a economia mundial”, recordou.

Crise do petróleo

Com as guerras nos países exploradores de petróleo, o preço do barril subiu no início dos anos 2000 e gerou grande lucro para as quatro gigantes do petróleo.

Para Maupin, “essas ações criaram problemas para essas companhias”.

O jornalista relembra que, “em 2003, Hugo Chávez assumiu o governo da Venezuela e estatizou as petroleiras, repassando o lucro do petróleo para a educação e saúde. Na Rússia, Vladimir Putin assumiu o poder e colocou a economia do país nos eixos, e voltou a exportar petróleo e gás. Por sua vez, as pequenas empresas exploradoras do combustível fóssil também cresceram. Neste período, a Petrobrás cresceu mais que a Microsoft e se tornou uma das três grandes empresas do petróleo; tornou-se a base da independência econômica. Tudo isso passou a ameaçar e incomodar a hegemonia das gigantes do petróleo”.

Sobre a estatal brasileira, o jornalista alertou os dirigentes da CSB para os riscos no Brasil.

“Eu vou dizer isso como uma pessoa que observa a economia do mundo, e não como norte-americano. Eu, humildemente, peço a vocês que não desistam da Petrobrás. Não deixem os Rockefellers e DuPonts dominarem o Brasil. Preservem a República e os seus recursos naturais. As forças do mal por trás do capitalismo e do neoliberalismo não têm lealdade, eles não têm um lado ou um deus, eles apenas cultuam seus próprios lucros e obedientemente seguem as teorias malucas do Adam Smith”, disse o palestrante.

Maupin explica que a atual baixa de preços do petróleo foi estimulada por uma manobra da Arábia Saudita para prejudicar as economias da Rússia, Irã, Venezuela e dos chamados “nanicos do petróleo”, que são companhias de pequeno porte exploradoras de petróleo, as quais, em sua maioria, são comandadas pelos irmãos Koch, oposição declarada aos Rockefellers.

Maupin classificou esta manobra saudita como “esquema Walmart”.

“O Walmart chega a uma nova cidade, baixa seus preços, quebra todo o comércio local, livrando-se da concorrência. Depois eles sobem seus preços de novo. E é isso o que a Arábia Saudita, com o apoio dos EUA, está fazendo em escala global. Por razões extremamente egoístas, os Rockefellers estão brincando com fogo e queimando toda a economia global. A crise criada com a baixa dos valores dos barris de petróleo tem afetado o mundo inteiro, o preço de todas as commodities está caindo no mundo. Os Estados Unidos e muitos países estão enfrentando uma crise econômica como consequência”, sentenciou.

Para o jornalista, a solução para este cenário está nas sociedades.

Segundo Maupin, quando o povo dá as mãos e luta por sua economia, o mundo muda. “É assim que a vida das pessoas melhora. Para um país se tornar uma superpotência, não precisa de marxismo ou stalinismo, mas precisa que as lideranças amem sua pátria, e não os banqueiros do petróleo. Vida longa à CSB, vida longa à Petrobrás. Viva o poder do povo”, concluiu Caleb Maupin.

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Johrisan

04/03/2016 - 11h47

Apenas para constar, as petroleiras americanas British Petroleum (BP) e Royal Dutch Shell são na verdade INGLESA e ANGLO-HOLANDESA.

Responder

Sérgio

04/03/2016 - 03h47

…Segundo Maupin, quando o povo dá as mãos e luta por sua economia, o mundo muda. “É assim que a vida das pessoas melhora. Para um país se tornar uma superpotência, não precisa de marxismo ou stalinismo, mas precisa que as lideranças amem sua pátria, e não os banqueiros do petróleo. Vida longa à CSB, vida longa à Petrobrás. Viva o poder do povo”…
Ainda bem que nossas lideranças amam o nosso País. O que seria de nós sem o grande líder Serra e FHC e o super Aécio.

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