VIOMUNDO

Anotação em documento liga herdeira da Globo diretamente a três empresas offshore, uma delas a Vaincre, dona da mansão de Paraty

28 de março de 2016 às 21h54

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Do Garganta Profunda

Uma anotação manuscrita no que parece ser o controle de uma conta bancária liga diretamente Paula Marinho, filha de João Roberto Marinho e herdeira do Grupo Globo, à Vaincre LLC,  empresa offshore baseada em Nevada, nos Estados Unidos, que é uma das donas da mansão de concreto na praia de Santa Rita, em Paraty.

Em mensagens enviadas a blogs, João Roberto sustentou que a filha não tem relação com a casa, nem com nenhuma das empresas ligadas à mansão ou ao ex-marido dela, Alexandre Chiappetta de Azevedo.

Porém, a anotação na página 17 do documento de apreensão número 9 levanta dúvidas sobre esta versão.

O nome de Paula, uma das netas preferidas do patriarca da família, Roberto Marinho, aparece ao lado de três pagamentos feitos à Mossack & Fonseca, empresa panamenha especializada em criar empresas laranja.

Em geral, estas empresas são utilizadas para esconder patrimônio, burlar o imposto de renda ou lavar dinheiro de origem duvidosa.

O nome da Vaincre LLC é um dos mencionados. A Vaincre é sócia da Agropecuária Veine Patrimonial na propriedade da Paraty House.

Uma recepcionista informou recentemente a um repórter que a Veine ocupa uma sala na sede da Lagoon, na avenida Borges de Medeiros, 1424, Rio de Janeiro. A Lagoon é do ex-marido de Paula.

A informação é consistente com a possibilidade de Paula e Alexandre serem sócios na mansão: Veine (Alexandre)/Vaincre (Paula).

A Vaincre LLC é sócia de uma segunda empresa no Rio de Janeiro, a Shiraz Participações, com o pai de Alexandre, Marco Aurélio de Azevedo.

Vaincre, Veine e Shiraz dividem um mesmo endereço de correspondência: rua Bulhões de Carvalho, 296, apartamento 610.

Também era o endereço de correspondência de uma sociedade entre João Roberto Marinho e a filha Paula: a FN5 Participações Ltda. O dono do Grupo Globo, em mensagem ao blog Tijolaço, diminuiu a importância deste fato dizendo que o ex-marido de Paula havia autorizado a utilização do endereço e que ele era sócio minoritário.

Na anotação que consta no documento apreendido na Mossack & Fonseca o nome de Paula também aparece associado a outras duas offshore: a A Plus Holdings, baseada no Panamá, e a Juste, criada nas Ilhas Seychelles.

A A Plus é integrante do consórcio permissionário do estádio de remo da Lagoa Rodrigo de Freitas, um contrato que vem sendo questionado através de duas ações do Ministério Público do Rio de Janeiro.

Uma ação pretende recuperar o patrimônio público, alegando que o estádio foi entregue em 1997 ao casal Alexandre/Paula sem licitação. A herdeira dos Marinho assinou o primeiro aditivo do contrato como fiadora.

A segunda ação é para reaver todo o investimento feito por governos do Rio no estádio, onde o permissionário opera cinemas, restaurantes e clube noturno. É um dos endereços mais desejados do Rio. O valor investido em duas reformas gira em torno de R$ 30 milhões. O MP argumenta que as reformas deveriam ter sido bancadas pela empresa permissionária.

Apesar de ter se instalado no estádio com a promessa de fortalecer o remo, duas décadas atrás, a empresa Glen/Glem/Lagoon não o fez: o Brasil tem remotas chances de conquistar uma das 42 duas medalhas que estarão em jogo nas Olimpíadas de 2016.

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A terceira empresa associada a Paula Marinho no documento apreendido na Mossack & Fonseca é a Juste International, criada em nome de Lúcia Cortes Pinto, moradora do bairro do Grajaú, no Rio. Tentamos ouvir Lúcia por telefone, mas ela desligou. A Juste aparece associada a outras duas empresas, de origem desconhecida: a Direhold e a Shareton.

O Viomundo já havia noticiado que o nome da herdeira do Grupo Globo aparecia nos documentos apreendidos na Mossack & Fonseca.

Foi numa anotação em que o nome dela vinha acompanhado do valor 3.741,00 e da data 27 de julho de 2015, além do que parece ser o número de uma conta bancária: 576764-15.

Nesta segunda anotação, no entanto, além do nome de Paula aparecem três valores, os nomes A Plus, Vaincre e Juste e a data 27 de junho de 2015.

Isso é consistente com o pagamento de taxas de manutenção de empresas de fachada à Mossack. O banco destinatário é o FPB Bank Inc, do Panamá.

As anotações manuscritas foram apreendidas na mesa de Ricardo Honório Neto, funcionário da Mossack. Tudo indica que foram feitas por ele. Ricardo chegou a ser preso e em seguida libertado pelo juiz Sérgio Moro. O depoimento dele será essencial para confirmar o grau de envolvimento de Paula Marinho com as empresas offshore.

A quebra do sigilo fiscal da herdeira da Globo permitirá à Policia Federal rastrear os pagamentos feitos por ela. É uma forma de obter provas muito mais sólidas do que aquelas que ligam o ex-presidente Lula ao triplex do Guarujá ou ao sítio de Atibaia.

PS do Viomundo: Este post foi atualizado para acréscimo de informações.

Leia também:

Investigação VIOMUNDO

Estamos investigando a hipocrisia de deputados e senadores que dizem uma coisa ao condenar Dilma Rousseff ao impeachment mas fazem outra fora do Parlamento. Hipocrisia, sim, mas também maracutaias que deveriam fazer corar as esposas e filhos aos quais dedicaram seus votos. Muitos destes parlamentares obscuros controlam a mídia local ou regional contra qualquer tipo de investigação e estão fora do radar de jornalistas investigativos que trabalham nos grandes meios. Precisamos de sua ajuda para financiar esta investigação permanente e para manter um banco de dados digital que os eleitores poderão consultar já em 2016. Estamos recebendo dezenas de sugestões, links e documentos pelo [email protected]

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Paulo Brasil

11/04/2016 - 02h24

Vamos parar de tapar o sol com a peneira todos os corruptos desse país tem que ser preso PT, PSDB PMDB, Sarney, Fernando Henrique, Collor, Lula, Dilma e etc… todos, tudo corrupto. O povo tá cansado de carregar esse bando de sanguessugas da nação nas costas.

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C.Paoliello

04/04/2016 - 22h06

O que resulta das manipulações da mídia monopolizada:

https://youtu.be/on_YoutrBAQ

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Ricardo

31/03/2016 - 01h57

Essa outra empresa também tem nome Plus:

” Diário Oficial: 20/10/2015 | DJSP – Primeira Instancia da Capital
Processo: 0261825-11.2007.8.26.0100
Tipo: Execução de Título Extrajudicial
Seção: 25ª Vara Cível
Murray Holding Companhia de Responsabilidade Ltda
Paulista Plus Promoções Ltda”
http://www.escavador.com/diarios/DJSP/primeira-instancia-da-capital/2015-10-20/66024160/movimentacao-do-processo-0261825-1120078260100

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Urbano

29/03/2016 - 13h54

Hen, hein… Pelo menos um bibelô…

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Maur

29/03/2016 - 12h08

Isso aqui quando o Lula era o alvo em Guarujá. E agora? Não vem ao caso?

“A Mossack é bem mais ampla do que o caso Lava Jato. Ela tem demanda, porque a demanda de dinheiro sujo no Brasil é farta e precisa ser lavado. Não só ela já apresentou indícios de aparecer em outras investigações que foram deflagradas como muito provavelmente vai se descobrir muita coisa, porque a gente não pode descartar o encontro fortuito de provas para outras investigações”, disse o delegado (obs – de nome Igor Romário de Paula)

—–
“A Mossack Fonseca que é uma empresa com sede no Panamá e tem escritórios no mundo inteiro, inclusive em São Paulo. Esta empresa continuava promovendo a abertura de offshores no exterior”, disse Lima ao mencionar a continuidade das atividades, mesmo depois do início da Lava Jato.
Segundo o procurador (obs – de nome Carlos Fernando dos Santos Lima), estas atividades foram confirmadas com a quebra de sigilos telefônico que indicam a abertura destas contas tanto para investigados da operação quanto para outras pessoas.
Lima conclamou pessoas que não estão envolvidas nas investigações a se explicarem para a PF. “Porque estão usando este sistema que é um sistema de fraude”, afirmou. O procurador explicou que manter dinheiro no exterior é lícito, desde que seja declarado aos órgãos brasileiros, como a Receita Federal.

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carlos

29/03/2016 - 11h38

Uma pergunta, o presidente da OAB, é um analfabeto politico, aonde ele foi buscar um impeachment com base em renuncia fiscal se a lei foi aprovada pelo congresso, que é famosa lei das PPP? a uma jaula pra prender esse leão.

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marta

29/03/2016 - 09h31

De que vale esse tipo de preocupação agora, Azenha? Em pleno golpe! Ou alguém acha que a Globo, dona do Brasil sem freios a partir de agora, será investigada pelos golpistas do Temer? Ao que parece todos jogaram a toalha, inclusive e principalmente a Dilma e o Lula. Com o STF lavando as mãos.

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    Bonobo de Oliveira, Severino

    29/03/2016 - 16h43

    O Lula vendo a família massacrada pelo consórcio abjeto Judiciário X Globo/Mossack-Fonseca e até sendo humilhado publicamente com sequestro ilegal, não arredou da luta em nenhum momento. Eu vejo muita gente que não tem a coragem de por a cara na janela, criticando quem tem coragem e disposição de luta, mesmo sendo atacado de todos os lados sem ter sequer seus direitos de cidadão minimamente respeitados. Eu acredito, Marta, que vc deve ser uma pessoa muito corajosa para se julgar no direito de criticar quem luta sob fogo cruzado e cerrado, contra tudo e contra todos, há décadas, e não foge pra debaixo da saia da mamãe.

paul moura

29/03/2016 - 08h42

mais claro que isso nem água mineral.
e ninguém investiga?

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Luís CPPrudente

29/03/2016 - 00h11

Aquele juizinho desonesto, golpista e fascista…esqueci, faltou tucano, Sergio Moro vai dizer que não vem ao caso.
Novamente Sergio Moro!

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Julio Silveira

28/03/2016 - 22h41

Claro que não vai investigar, pelo menos esses que fazem parte da partidarização ligados ao partido e grupo do qual os donos da globo fazem parte. Os associados ao instituto Millenium.

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Jair Fonseca

28/03/2016 - 22h19

Curioso que a investigação sobre a Mossack Fonseca tenha sumido do mapa.
Por que será?

Responder

    Bonobo de Oliveira, Severino

    29/03/2016 - 04h47

    Deve ser porque eles é que mandam nas comunicações no país. Só existe o que eles querem ou autorizam que exista. Assim como parece que sumiram com qualquer menção na imprensa à herdeira do velho Marinho envolvida nas mesmas tramoias dos seus ascendentes. Dizem que o cappo do clam ficou furioso com a exposição da moçoila. Mas um amigo navegante mandou um link e garante que essa é a foto da moçoila.

    https://drive.google.com/file/d/0B1D2QoXeJgXwaVY3SzlTOWYxMnptbXpuek1XekZadGw4RkQw/view?usp=sharing

    Maria Aparecida Jubé

    29/03/2016 - 08h44

    Agora é que a DILMA cai mesmo, e o LULA não tem a menor chance de ser candidato em 2018, com a Globo dominando a PF, o MP, o judiciário, sem falar nos bandidos que ela mantêm no Congresso, ela vai por na presidência o Pinguim de Geladeira, de vice decorativo, vai ser promovido a presidente decorativo, em troca do favor ele vai mandar banir todas as acusações, todos os processos por sonegação e, ainda vai entupir a programação dela de propaganda do governo, todo o dinheiro que hoje mantém os programas sociais será canalizado para pagar o imenso apoio ao golpe que ela está dando.

    Luís CPPrudente

    30/03/2016 - 23h19

    Será que essa Mossack é o próximo passo para se aproximar dos paraísos fiscais, onde a famiglia Marinho esconde seu dinheiro para não pagar impostos no Brasil?

antonio sobreira

28/03/2016 - 22h08

eu acho tão estranho uma planilha com tanta grana ser manuscritada….será que são críveis???

Responder

    bonobo de oliveira, severino

    29/03/2016 - 07h34

    Ao que parece não se trata de tanta grana assim. São valores modestos, na verdade, que não interessam pela magnitude mas pelo que podem representar. Ou seja, podem indicar valores pagos a título de manutenção de contas para movimentação ilegal de dinheiro “não contabilizado”. Esse tipo de dinheiro “não contabilizado” deu CADEIA em processo sumário para inimigos dos Marinho em 2012, lembra-se? Embora não se tratasse de dinheiro público e nem tenha sido jamais comprovada a sua movimentação para a finalidade sustentada na peça acusatória de 2007 do, então, PGR Antônio Fernando de Souza. Qual seria, a compra de votos de parlamentares no Congresso Nacional em troca de apoio político nas votações de interesse do Governo Federal. A tese fundamentadora da FALÁCIA que deu origem ao famigerado julgamento (?) da AP 470. Que a imprensa tratou de “mensalão” que nunca existiu e, por isso, a atenta Colunista Hildegard Angel apelidou a patranha de “Mentirão”! Depois de condenados, linchados e esquartejados em praça pública, os inimigos dos Marinho, pelos mesmo crimes, dessa vez com DINHEIRO PÚBLICO, o Eduardo Azeredo teve um tratamento diferenciado e teve seu processo enviado para varas amigas em MG, onde deveria repousar até a prescrição.

    catarina

    29/03/2016 - 12h08

    Obviamente não são criveis “a seu critério”, pois nao? Perguntinha “hipocritamente capciosa” nao é?

FrancoAtirador

28/03/2016 - 22h04

.
.
“A Polícia Federal
vai mesmo investigar?”
Eis a Questão…
.
.

Responder

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