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Cartas de Minas
Cartas de Minas

Adriano Diogo: Infiltraram policiais entre os jovens para incitar violência

14 de junho de 2013 às 23h56

por Conceição Lemes

Na próxima terça-feira, os deputados estaduais Adriano Diogo e Beth Sahão (PT) proporão  à Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) a  convocação do comandante da Polícia Militar (PM), para dar explicações sobre barbárie dessa quinta-feira, 13 de junho.

“Nos últimos dias, o governo Alckmin prometeu intensificar a repressão nas próximas manifestações de rua. Ao anunciar isso publicamente, ele deu a senha para a repressão abusiva, descabida, desnecessária da PM”, atenta Adriano Diogo, que preside a Comissão. “Os policiais atiraram em jovens, jornalistas, pessoas que estavam passando… Barbarizam mesmo para forçar uma reação violenta.”

“Embora o metrô e o trem tenham aumentado, o governo Alckmin, nas entrevistas, só se refere ao aumento do ônibus, para atingir o governo Haddad”, prossegue o deputado. “É uma ação pensada, bem orquestrada, com vistas à eleição de 2014, e com o objetivo de desmoralizar o PT.”

“Nessas horas, dá perceber claramente o que nós já sabemos: a  estrutura policial da ditadura permanece intacta, principalmente os setores de inteligência, como a P2 [serviço reservado da PM] e a tropa de choque”,  denuncia Adriano. “Infiltraram policiais civis e militares à paisana no meio da garotada para incitar a violência. Ninguém me contou, eu vi um bando de profissionais em provocação – não eram estudantes! –,  quebrando vidro, fazendo bandidagem.”

Leia também:

Daniela Xavier vê guerra de guerrilha contra o PT

 

96 Comentários escrever comentário »

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Se houve “infiltração” da PM no MPL, a culpa é de Alckmin | Blog da Cidadania

06/12/2013 - 17h15

[…] o deputado estadual pelo PT de São Paulo Adriano Diogo afirma, em entrevista concedida ao site Viomundo, que presenciou esses agentes provocadores […]

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Ativistas alertam: Entulhos de obras no Largo da Batata podem ser uma armadilha - Viomundo - O que você não vê na mídia

17/06/2013 - 11h32

[…] Adriano Diogo: Infiltraram policiais entre os jovens para incitar violência […]

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leprechaun

17/06/2013 - 10h46

Como respondeu o psicanalista Dunker à pergunta “o que restou da ditadura?” tudo, menos a ditadura. Mas o governador Tarso Genro não gostou e respondeu através de um artigo na carta maior que vivemos num estado de direito democrático consolidado. Eu fico com Dunker e com o filósofo Paulo Arantes vivemos num estado de excessão com todo edifício construído pelas ditaduras, intacto.

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Gilberto Maringoni: Ô Haddad, coragem! Baixa esse troço aí! - Viomundo - O que você não vê na mídia

17/06/2013 - 00h07

[…] Adriano Diogo: Infiltraram policiais entre os jovens para incitar violência […]

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Messias Franca de Macedo

16/06/2013 - 19h37

AINDA SOBRE “OS(AS) INFILTRADOS(AS)” NO ESTÁDIO NACIONAL MANÉ GARRINCHA! “CHEIROSOS(AS)”?! “CANSADOS(AS)”?!…

… As dondocas e as demais “cheirosas” do ‘Cansei’ [“a Disney é o limite!”] que estavam nas dependências do Estádio NACIONAL Mané Garrincha vaiaram *’o bola murcha do Neymar’ ou fazem parte das [patéticas e grotescas] ‘Neymarzetes’?!… Vaiaram os inúmeros passes errados do Hulk ou aplaudiram pensando que o atleta(!) brasileiro seja a réplica da ‘criação homônima esverdeada dos Estados Unidos’?!… Estados Unidos a quem os colonizados e as colonizadas devotam sacrossanta reverência!…
*o PIG – movido pela imperiosa necessidade de criar ídolos, objetivando incrementar os lucros – compara Neymar a Messi! É brincadeira! O baiano Bebeto jogava muito mais do que o Neymar, sobretudo atuando pela seleção brasileira! Messi é um gênio da bola!…

(… Até quando a “grande” mídia nativa persistirá nesse perigoso jogo ambíguo? Ao tempo em que aufere lucros nababescos com a cobertura da Copa das Confederações, por um lado; por outro lado, potencializa e, portanto, estimula a tentativa de desqualificação do mesmo evento, objetivando macular os esforços do governo federal no sentido de realizar exitosamente o referido evento esportivo internacional…)

República de ‘Nois’ Bananas
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

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Samira Silva

16/06/2013 - 16h29

Alckmin é estúpido e violento. Aquele jeito de bom moço é fachada. Foi assim em Pinheirinho. Foi assim na Cracolândia. Foi assim na USP. É assim com trabalhadores, professores. Alckmin só não enfrenta bandido. Só não enfrenta o tráfico pesado de drogas. Porquê será? Idosos, idosas, mulheres são o prato preferido dos bandidos na porta dos bancos e a polícia do Alckmin nunca está lá, mesmo quando sua base é ao lado. Nós pagamos ao Estado para levarmos porrada dessa polícia fascista, nas mãos de um governador incompetente, que não tem controle sobre a bandidagem. Porquê será?

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Regina Braga

16/06/2013 - 14h16

Intervenção,já!!!! Nenhum Estado pode ser refém de grupos militares,para-militares,crime organizado.Chega.Xoque de Jestão é polícia de choque mesmo!

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Messias Franca de Macedo

16/06/2013 - 10h22

AGORA SOBRE “OS(AS) INFILTRADOS(AS)” NO ESTÁDIO NACIONAL MANÉ GARRINCHA! “CHEIROSOS(AS)”?! “CANSADOS(AS)”?!…

APROVEITANDO “OS PROTESTANTEMENTE MANIFESTAMENTE MILITANTES TEMPOS DE AGORA NO BRASIL”
*lembrando o saudoso Odorico Paraguaçu: bom político – e militante (sic) – aquele!

… Não seria oportuno e didático aproveitar o momento tão embalado pelo PIG e, consequentemente, pela ‘opinião publicada’ (sic), no sentido de promovermos manifestações Brasil afora contra a falta de educação e de civismo de pessoas que, digamos, não sendo expressamente convidadas a um evento qualquer, ainda assim comparecem imbuídas do propósito de constranger/agredir aqueles e aquelas que se empenharam para a construção/materialização do mesmo evento?! E, sobretudo, quando o anfitrião ou anfitriã representa a instituição Presidência da República! Ou achincalhar os símbolos nacionais – “por agora”(!) -, pode?!

UMA PERGUNTINHA: se houver contundentes manifestações de repúdio a esses e essas mal-educados(as) “patriotas”, como será a cobertura do diligente PIG?!…

… E vamos protestar! Viva!…
República de ‘Nois’ Bananas
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

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Jose Mario HRP

16/06/2013 - 09h10

Ponha um pano branco na janela e mostre estar com o movimento pelo preço justo das passagens, pela tarifa zero e por melhor transporte público no país todo!

#vemprajanela

Responder

Fabio Passos

15/06/2013 - 23h41

Responder

Uélintom

15/06/2013 - 22h37

Concordo com o deputado. Pena que a primeira reação do Ministro Cardozo (também do PT) foi dizer que o Governo Federal oferecia a Haddad e Alckmin todo o apoio necessário para reprimir as manifestações.

Felizmente, Haddad já disse que está aberto para conversar com a liderança do MPL. E outras figuras importantes (como o dep. Berzoini) estão se mobilizando para fazer uma grande discussão sobre mobilidade urbana em SP.

Infelizmente, muitos filiados e lideranças do PT ainda não entenderam o que está acontecendo. Estão dizendo que as manifestações são fruto: 1) do PSTU, 2) do PSOL, 3) de burguesinhos alimentados com leitinho tipo A, 4) do PiG, 5) do “Cansei” e do “Basta”. Sinto dor de estômago há dias e muito aperto no peito com as declarações de muita gente do PT. Estão perdendo o bonde da história e não querem ouvir. Neste momento, só me resta chorar pelo partido, e lutar.

Responder

    leprechaun

    17/06/2013 - 10h37

    é pq os petistas só fazem cálculos eleitoreiros, tudo que for legítimo mas contra suas pretensões eleitorais, eles serão contrários, é o fetiche da política e do estado

FrancoAtirador

15/06/2013 - 21h42

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Revista Brasileira de História

A LÓGICA DA SUSPEIÇÃO:
SOBRE OS APARELHOS REPRESSIVOS
À ÉPOCA DA DITADURA MILITAR NO BRASIL (*)

Por Marionilde Dias Brepohl de Magalhães (http://bit.ly/13PcWbS)

“Do rio que tudo arrasta se diz que ele é violento.
Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.”
(Bertold Brecht)

INTRODUÇÃO

Para muitos intelectuais que se propõem analisar a ditadura militar no Brasil, a questão da tortura é especialmente destacada; segundo diversos trabalhos, essa prática constituiu o núcleo do sistema repressivo: de uma ação arbitrária por parte de alguns interrogadores, transformou-se em método científico, criteriosamente planejado, com a finalidade de obter informações sobre atividades e/ou indivíduos considerados inimigos internos da nação (1).

Através da tortura, garantiu-se também a eliminação de muitos líderes de movimentos de resistência e de oposição, o que permitiu ao regime orientar suas ações sem que precisasse buscar, para suas decisões, qualquer legitimação da sociedade civil.

Neste trabalho, procuraremos destacar um outro mecanismo repressivo de que se valeu o regime militar no Brasil, e que em muitos casos demonstrou ser mais eficiente e produtivo:
a repressão preventiva, que consistia na vigilância e controle cotidiano sobre a sociedade, prática consolidada pela criação do que foi denominado “Comunidade de Informações”.

Ao destacarmos este dispositivo, buscaremos contribuir ainda para a compreensão de atores políticos que normalmente são pouco enfatizados pelos estudiosos desta temática: referimo-nos àqueles que, em diversos sistemas políticos e mesmo em diversas relações sociais, não pertencem às elites dirigentes nem aos que a ela fazem oposição, mas demonstraram-se dispostos a colaborar, de forma direta ou indireta, com os poderes instituídos.

A COMUNIDADE DE INFORMAÇÕES

Com o advento da ditadura militar no Brasil, e em nome da “Segurança Nacional”, instalou-se um complexo sistema repressivo para combater a subversão e, ao mesmo tempo, reprimir preventivamente qualquer atividade considerada suspeita por se afigurar como potencialmente perturbadora da ordem.

À diferença dos aparatos repressivos preexistentes, em que as unidades de força militares ou policiais guardavam autonomia de ação entre si, este pretendeu consolidar uma estrutura única e coesa, como uma rede inextricável, cujas ações eram coordenadas a partir de um núcleo central, o “Serviço Nacional de Informações – SNI”.
Criado em 1964, este organismo subordinou rapidamente todos os outros órgãos repressivos, como os centros de informações das três armas, a polícia federal e as polícias estaduais.
Para integrá-los e harmonizar suas ações, criou-se o “Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna, DOI-CODI”, uma instituição tornada oficial em 1970, que aglutinava representantes de todas as demais forças policiais. Dotada de recursos financeiros e tecnológicos, suas atividades eram estrategicamente planejadas e orientadas pela lógica da disciplina militar, com vistas a enfrentar o que seus próprios agentes entendiam como uma “guerra revolucionária”.

A seleção de pessoal para o exercício de funções repressivas submetia-se a um conjunto de critérios cuidadosamente elaborado, seguindo uma rígida hierarquia: no topo da pirâmide situava-se o presidente da República e como seu ‘staff’ para assuntos de segurança, o Conselho de Segurança Nacional e a equipe executiva do SNI.
A este organismo subordinavam-se os órgãos de repressão alocados em todas as regiões do país, cada um deles coordenado por um militar.
Para assessorá-lo, contrataram-se “analistas de informações”, concebidos como a elite do sistema;
estes subsidiavam seus superiores com dados e informações já processados e recomendavam programas e planos de ação. Para tanto, tinham de freqüentar cursos ministrados pela “Escola Nacional de Informações – EsNI”, uma instituição cujos currículos foram delineados com o apoio técnico de profissionais ligados às áreas de segurança da Inglaterra, França, Alemanha e Estados Unidos.

No estrato intermediário situava-se o interrogador, função que se dividia em duas atividades: a de responsável direto pelos interrogatórios e a de monitor.
Este se escondia atrás de um espelho falso para observar o andamento do interrogatório e, por meio de um aparelho de transmissão, sugeria perguntas, técnicas de intimidação, hora de interromper a sessão, etc.

Segundo o depoimento de um militar que realizou um curso sobre técnicas de informações no Panamá,

“Os interrogatórios, em geral, eram feitos por pessoal mais especializado, e uma das técnicas utilizadas era fazer cansar o interrogado. Por exemplo, começa-se o interrogatório às duas horas da tarde e, às cinco horas da manhã seguinte, o indivíduo ainda está sendo interrogado. (…) Em todos os cursos de informações aprende-se a fazer isto. Uns chegam e ameaçam: ‘Você vai sofrer punição por isso’. Aí, o outro diz: ‘Não, eu sou seu amigo. Ele é muito bruto, muito nervoso’. Então procura ser amigo do interrogado para colher informações. Quando fica padrinho, amiguinho, chega outro mais violento, mais zangado: ‘Nada disso, você tem de dizer a verdade. O que ia fazer com o fulano?’ Dali a pouco aparece outro. Então, faz-se ele repetir vinte vezes a mesma coisa” (2).

Abaixo dos interrogadores, com uma formação menos especializada, estavam os captores – policiais responsáveis pelo aprisionamento dos suspeitos -, o pessoal administrativo e o de carceragem (3).

Em paralelo a estas atividades, e exercendo um maior ou menor poder de influência sobre aqueles, estavam os “informantes”, aos quais podia-se, de acordo com sua competência, delegar também a função de “analista”, “interrogador” ou “captor”.

Para efeitos de confiabilidade, estes homens denominados “fontes” eram classificados segundo uma escala de seis níveis:

“Há seis níveis de fontes e seis graus de veracidade do informe: A,B,C,D,E,F e 1,2,3,4,5,6. Um informante A1 é um informe de uma fonte sempre idônea e com grande probabilidade de verdade. (…) Se o informe é F6, significa que não pode se saber a idoneidade da fonte, pode ser de um maluco qualquer (…) O grosso caía no C. Quer dizer, fonte razoalvelmente idônea e o informe tem possibilidades de ser verídico. O trabalho do analista é juntar tudo numa pasta ou, agora, num computador, e fazer uma análise (…) o que ele dá ao chefe do escalão e com o máximo que pode alcançar de precisão” (4).

Geralmente, o agente do tipo ‘C’ era do próprio exército, na maior parte das vezes um sargento formado pela EsNI, o qual, vestido à paisana, infiltrava-se nos mais diversos locais para coletar o maior número possível de dados.

Os agentes do tipo ‘D’, ‘E’ e ‘F’ eram, em sua maioria, informantes eventuais (remunerados ou não) ou informantes “espontâneos”, vale dizer, pessoas que possuíam certa cumplicidade com o regime e que voluntariamente se dispunham a cooperar, fosse por convicção, fosse para receber algum apoio de caráter pessoal.

A técnica de infiltração consistia em suspeitar, em princípio, de todos, coletar e arquivar quaisquer dados obtidos e entregá-los, por escrito, à polícia.
Ali estes seriam classificados com palavras-chave extremamente sugestivas, por caracterizarem uma gradação em que se colocava num extremo o inimigo mais perigoso, e em outro, aqueles que estariam, provavelmente, dispostos a cooperar.

Obedecendo a esta ordem, cite-se um exemplo desta técnica de arquivamento: “terrorista”, “fanático comunista”, “esquerdista” ou “socialista”, “subversivo”, “autor de atos indiretamente subversivos”, “inocente útil”, “idôneo” ou “confiável”.

Além de aumentar a eficiência do processo repressivo, os informes obtidos podiam também assumir um papel preventivo, uma vez que instruíam os poderes sobre as tendências, em cada microconjuntura, dos movimentos de oposição.

Esta prática adquiriu relevância após 1968, quando os militares assumiram uma posição mais profissional, se assim podemos dizer, com relação às técnicas de repressão.

Segundo o depoimento de um militar que foi chefe do SNI nos anos setenta, a tortura devia ser preterida em favor da “infiltração” pelo menos por dois motivos:
primeiro, por macular a imagem do governo e, segundo, porque os próprios suspeitos já haviam desenvolvido uma certa experiência que lhes permitia driblar os interrogadores (5).

Isto se confirma no trecho de um relatório do SNI, redigido em 1969:

“Os subversivos têm se negado, cada vez mais, a dar quaisquer informações. Os últimos elementos detidos, apesar de submetidos aos mais cerrados interrogatórios, negaram-se a declarar até o próprio nome. Decorrido um determinado tempo, falam sem problemas, mas porque este é o tempo demarcado para que os demais companheiros saiam dos seus aparelhos” (6).

Se a tortura tinha ainda alguma utilidade, conforme um militar que esteve à frente do DOI-CODI entre 1972 e 1974, era no sentido de intimidar aqueles que não estavam preparados para aquela guerra:

“O medo é o grande auxiliar do interrogatório. Os ingleses, por exemplo, recomendam que só se interrogue o prisioneiro despido porque, segundo eles, uma das defesas do homem e da mulher é a roupa, e tirando a sua roupa, fica-se muito agoniado, num estado de depressão muito grande.

Depois (de um interrogatório) grande parte abandona suas atividades e retorna à boa vida de pequeno burguês. (…) Os frios, evidentemente que não. Esses eram muito estruturados, muito rancorosos, e só pensavam na volta, no troco. Quando liberados, retornavam ao grupo terrorista” (7).

Daí se depreende que a tortura, além de servir como técnica para obter algumas informações, funcionava também como instrumento para desmobilizar as oposições por meio da intimidação, atingindo não apenas aqueles que eram a ela submetidos, mas também, e talvez principalmente, os grupos e movimentos de que faziam parte tais indivíduos, uma vez que a experiência com os interrogatórios era transmitida aos demais.

Já a infiltração, levada a efeito pelo informante (remunerado ou espontâneo, profissional ou amador) era uma prática sigilosa que, ademais, arregimentava indivíduos dispostos a colaborar, fosse para obter algum proveito pessoal ou porque, devido a propaganda, acabava por identificar-se com o regime.

A seguir, procuraremos entender os vínculos que se formaram entre os informantes e a cúpula do sistema.

A FABRICAÇÃO DO INFORMANTE

No que se refere aos aparelhos repressivos, pode-se detectar alguns mecanismos, discursos e procedimentos que se inspiraram, seguramente, em experiências totalitárias [Nazi-Fascistas], notadamente a experiência da propaganda política e o emprego do terror…

Não estamos nos referindo à propaganda do governo sobre suas intervenções oficiais na esfera pública, que eram veiculadas nos jornais de consumo difundido (9).
Também ela se afigurava como um recurso para a ampliação das bases de apoio ao regime, mas não era neste espaço, obviamente, que os militares buscavam conquistar colaboradores para as práticas repressivas.

Referimo-nos a uma propaganda de alcance restrito, dirigida a uma pequena parcela da população por meio de documentos sigilosos, que eram dados a conhecer segundo a confiabilidade que o regime dispensava aos receptores, e que possuía uma finalidade mais organizativa.

Para entendermos esta máquina de propaganda recorramos, primeiramente, ao historiador Pierre Ansart que, analisando as diferentes feições do trabalho ideológico, instância em que é operada não a violência física, mas a violência simbólica, distingue três campos a partir dos quais os discursos são elaborados:

“a ortodoxia apoiada”, que é alcançada pela difusão de mensagens aceitas, na maioria das vezes, de forma espontânea;
“a ortodoxia consentida”, que significa uma forma organizada e sistemática de inculcação e controle sobre a opinião pública,
e “a ortodoxia terrorista”, em que os discursos racionais são substituídos por uma linguagem prenhe de mitos, com o objetivo de garantir total obediência aos poderes oficiais.
Neste nível, os indivíduos deixam de ser meros receptores das mensagens, e passam à condição de entusiastas defensores da ‘verdade’ (10).

Sob um regime autoritário, torna-se imprescindível aos poderes oficiais, além de difundir certezas, inculcar em seus governados que os valores transmitidos pelo discurso ideológico podem e devem ser representados pelos detentores do poder – apresentados não somente como governantes, mas como “protetores da nação”.

A relação que se procura estabelecer é semelhante àquela mantida com o “pai severo”, porém “protetor”. Esta depende, no entanto, de um sentimento de identidade, de ser parte de uma comunidade afetiva (a grande família, a nação, a pátria), cultuada como um ente acima de quaisquer interesses privados.

A sacralização de imagens como a bandeira, a pátria, o hino nacional, a própria história, subjaz, com maior ou menor intensidade, em todos os sistemas políticos, e pode explicar a dimensão afetiva da submissão.

Por estas razões, os poderes instituídos, mesmo num regime autoritário, elaboram uma série de mensagens que visam senão o total apoio da população, pelo menos a sua tolerância.

Orientados por esta tipologia, parece-nos plausível afirmar que o governo militar buscou, recorrentemente, o apoio ou o consentimento da população por meio de sua propaganda oficial.

Mas no que se refere aos “homens de confiança”, o trabalho ideológico pautou-se, segundo nosso entendimento, na ortodoxia terrorista.
Pois, neste nível, segundo Pierre Ansart, o terror ideológico designa “o inimigo”, que passa a ser visto como o outro [lado] da ‘verdade’, e transforma-o em ‘um objeto a ser destruído’.

Com esta linguagem,

“A ideologia oferece bem mais do que uma identificação com a lei, oferece a exaltante identificação na submissão a uma força pronta a enfrentar a violência. O apelo faz de cada qual um ser que se ultrapassa a si mesmo, arrebatado à mediocridade do cotidiano, vencendo o medo inculcado pela cumplicidade com o déspota.

O membro do grupo legitimado é obscuramente chamado a se identificar com o agente da violência e, quando a perseguição se aproximar do sujeito fanatizado, a fronteira entre a identificação com o herói e a interiorização do perseguidor se confundirá” (1978, p. 153).

A partir destas considerações, podem ser detectados os vínculos existentes entre a violência simbólica e a violência física.

Para os funcionários ou colaboradores da repressão, o inimigo é apresentado, cotidianamente, como dotado de uma força demoníaca, contra quem não adianta querer combater ou controlar, mas impõe-se destruir, para que assim, e só assim, seja garantido o bem-estar da sociedade.

Ainda que oculto ou mesmo desconhecido, “o inimigo” é citado cotidianamente como sempre pronto a atacar.

A linguagem empregada para designá-lo (‘perigoso’, ‘fanático’, ‘terrorista’, etc.) desperta, por sua vez, sentimentos paranóicos na sociedade, o que provoca em muitos a disposição à violência.

Esta linguagem pode ser encontrada com uma clareza meridiana nos relatórios e instruções do SNI à época do regime militar no Brasil, como por exemplo no seguinte texto, distribuído sob forma de panfleto:

“Decálogo da Segurança

1 – Os terroristas jogam com o mêdo e o pânico. Somente um povo prevenido e valente pode combatê-los. Ao ver um assalto ou alguém em atitude suspeita, não fique indiferente, não finja que não viu, não seja conivente, avisa logo a polícia. As autoridades lhe dão todas as garantias, inclusive do anonimato.

2 – Antes de formar uma opinião, verifique várias vezes se ela é realmente sua, ou seja, se não passa de influência de amigos que o envolveram. Não estará sendo você um inocente útil numa guerra que visa destruir você, sua família e tudo o que você mais ama nesta vida?

3 – Aprenda a ler jornais, ouvir rádio e assistir TV com certa malícia. Aprenda a captar mensagens indiretas e intenções ocultas em tudo o que você vê e ouve. Não vai se divertir muito com o jogo daqueles que pensam que são mais inteligentes do que você e estão tentando fazer você de bobo com um simples jogo de palavras.

4 – Se você fôr convidado ou sondado ou conversado sobre assuntos que lhes pareçam estranhos ou suspeitos, finja que concorda e cultive relações com a pessoa que assim o sondou e avise a polícia ou o quartel mais próximo. As autoridades lhe dão todas as garantias, inclusive do anonimato.

5 – Aprenda a observar e guardar de memória alguns detalhes das pessoas, viaturas e objetos, na rua, nos bares, nos cinemas, teatros e auditórios, nos ônibus, nos edifícios comerciais e residenciais, nas feiras, nos armazéns, nas lojas, nos cabeleireiros, nos bancos, nos escritórios, nas estações ferroviárias, nos trens, nos aeroportos, nas estradas, nos lugares de maior movimento ou aglomeração de gente.

6 – Não receba estranhos em sua casa, mesmo que sejam da polícia – sem antes pedir-lhes a identidade e observá-los até guardar de memória alguns detalhes: número da identidade, repartição que expediu, roupa, aspecto pessoal, sinais especiais, etc . O documento também pode ser falso.

7 – Nunca pare seu carro solicitado por estranhos, nem lhes dê carona. Ande sempre com as portas de seu carro trancadas por dentro. Quando deixar o seu carro em algum estacionamento ou posto de serviço, procure guardar alguns detalhes das pessoas que o cercam.

8 – Há muitas linhas telefônicas cruzadas. Sempre que encontrar uma delas, mantenha-se na escuta e informe logo a polícia ou o quartel mais próximo. As autoridades lhe dão todas as garantias, inclusive do anonimato.

9 – Quando um novo morador se mudar para o seu edifício ou para o seu quarteirão, avise logo a polícia ou o quartel mais próximo. As autoridades lhe dão todas as garantias, inclusive do anonimato.

10 – A nossa desunião será a maior fôrça de nosso inimigo. Se soubermos nos manter compreensivos, cordiais, informados, confiantes e unidos, ninguém nos vencerá” (11).

Observa-se aí uma linguagem típica da ortodoxia terrorista: segundo o panfleto, a sociedade brasileira está dividida entre algozes e vítimas.

E a única forma de defesa é a cooperação com o regime, que se apresenta como autoridade protetora da nação.

Todos eram convidados a participar da “Comunidade de Informações”, suspeitando de tudo e de todos que os cercassem, como que movidos por um sentimento de ameaça permanente.
Como um interrogador que tem diante de si um espelho falso que lhe permite ver sem ser visto, as atividades do informante devem se tornar invisíveis para a sociedade, tanto quanto para os poderes oficiais, que lhe garantem o anonimato.

Só assim ele pode exercer um poder efetivamente produtivo: o de orientar o governo à ação. Pois que o inimigo jamais descansa, está sempre ali e acolá, mudando de tática, aliciando pessoas, incitando à desordem.

Suspeite-se, por exemplo, do tráfico de entorpecentes. Este não é um crime comum, uma vez que
“é muito fácil conquistar o país com a utilização de tóxicos. Estes afetam a masculinidade dos moços e fazem as moças perderem seu instinto de defesa moral. Por isto são um perigo real, um mal que se alastra (…) trata-se de um plano para enfraquecer a nação, um plano subversivo” (12).

Suspeite-se dos estudantes quando participam de passeatas, momento em que são instigados a desacatar as autoridades policiais, “com o objetivo muito claro: de produzir uma vítima, o que lhes permitirá criar um clima de comoção social a seu favor” (13).

Suspeite-se até mesmo de brincadeiras aparentemente inocentes, como o trote dos calouros nas universidades, o que é compreendido como uma tática de aliciamento dos subversivos, pois
“No momento do trote (…) raspam-lhes os cabelos, fazem-nos desfilar com cartazes contendo palavras obscenas, pintam-lhes o rosto para que pareçam palhaços, ensinam-lhes a desacatar as autoridades, para que depois, enfraquecidos espiritualmente, estes adolescentes encontrem no líder estudantil um dominador capaz, um substituto de seu pai…” (14)

Suspeite-se dos hospitais, que podem estar tratando de subversivos feridos sem comunicar nada às autoridades, das livrarias que clandestinamente vendem livros subversivos, do ‘rock and roll’, esta música eletrizante, e portanto subversiva, dos advogados, jornalistas, professores.

E assim, por meio da produção continuada de “notícias” que estão a falar de um perigo iminente, o cidadão comum é convidado a participar da “comunidade de informações”, que lhe dá a um só tempo proteção e sentido para a sua existência, pois pelo menos no momento da delação ele tem a prazerosa sensação de estar exercendo um poder cuja natureza é idêntica à de seu chefe.

A FABRICAÇÃO DO MEDO

Os documentos que foram escritos para orientar a ação dos informantes eram produzidos pelos “analistas de informações”.

Tais documentos, pelo que se depreende de sua análise, prestavam-se a uma dupla função: a de assessorar as elites dirigentes do regime e a de produzir material de propaganda dirigida aos informantes.

Tratemos de verificar, apesar das limitações impostas pela natureza de nossos documentos, como os informantes “amadores” compreendem essas mensagens, e como aplicam, na prática, suas recomendações.

Nossa atenção se dirige, principalmente, para os informantes classificados pelo sistema como ‘D’, ‘E’ e ‘F’.

São eles uma fonte duvidosa, porém digna de registro, posto que compartilham dos “ideais da revolução” – homens invisíveis que, ao mesmo tempo em que cooperam com a repressão, constituem uma base de sustentação do regime.
Apesar das limitações das fontes de que dispomos (o nome do informante raramente é mencionado, os registros que produz são bastante sucintos, as causas de suas denúncias raramente reveladas, etc.), pudemos detectar, através da leitura de 172 informes, alguns denominadores comuns, e que podem contribuir para a compreensão de suas motivações subjetivas, visões de mundo, personalidade.

Além disto, entendemos, como Michel Foucault, que quando se trata de analisar o processo de sujeição em qualquer sistema político, é necessário “captar o poder em suas extremidades, em suas últimas ramificações” (15), pois é nesta instância que ele é efetivamente exercido.

Como já foi mencionado, o sistema possuía funcionários e colaboradores de diferentes ‘status’ e com diferentes atribuições.

Os informantes ‘D’, ‘E’ e ‘F’ não pertenciam formalmente ao sistema, mas suas informações contribuíam para que a repressão preventiva fosse praticada.
Muitos membros deste segmento eram recrutados pelos poderes oficiais entre os quadros do funcionalismo público.

Para tanto, sua vida pregressa era avaliada e, após serem considerados confiáveis, eram arrolados como eventuais fontes de informação (16).

Tratava-se, de uma certa maneira, de um clientelismo às avessas: se o funcionário não cooperasse, poderia perder alguns benefícios inerentes à sua função, ou pior, tornar-se, ele mesmo, um suspeito.

Um outro grupo era composto por membros de entidades e associações da própria sociedade civil, comprometidos com ideologias conservadoras e radicalmente anticomunistas, como por exemplo, a “Tradição, Família e Propriedade – TFP” – grupo ligado à ala ultraconservadora da Igreja Católica, o “Comando Geral Democrático” e o “Comando de Caça aos Comunistas” (17).
Prestavam informações espontaneamente, como uma forma de colaboração ao regime.
Ao mesmo tempo, sentiam-se representados por aquele governo, como se fossem o partido da situação.

Finalmente, os informantes voluntários, cujas origens são mais difíceis de precisar, uma vez que atuavam individualmente, mas que, como os demais, mantinham vínculos de cooperação com o sistema.

Como se comportam estes informantes, quais suas expectativas no ato de vigiar e quais suas interpretações sobre esta tarefa?

Ao compararmos os registros, cartas, pareceres e formas de inserção no sistema, pudemos constatar diversas semelhanças em seus procedimentos, que podem ser assim caracterizados:

“- O informante sempre age sozinho. Seus planos de infiltração, suas desconfianças, os contatos que faz com os órgãos de repressão não são conhecidos por ninguém. Ele não expõe suas opiniões, aliás, o que é de resto opinião pessoal, transforma-se em uma sentença. Mesmo quando não está seguro de sua acusação, sugere que pelo menos o suspeito que ele denunciou seja chamado a prestar esclarecimentos.

– Seu campo privilegiado de investigação é o seu próprio ambiente de convívio: vizinhos, colegas e amigos são seu objeto de suspeição. Isso se depreende pela intimidade com a qual ele faz referência aos seus suspeitos e pelo conhecimento que demonstra ter dos hábitos mais corriqueiros de cada um deles. E ainda mais: ao denunciar, pede que seu nome não seja jamais mencionado, pois o acusado o conhece, e pode prejudicá-lo ou mesmo persegui-lo. Em alguns casos, justifica sua denúncia por querer o bem daquela pessoa, apresentada como uma vítima nas mãos dos subversivos.

– Está sempre a sugerir às autoridades outros suspeitos, ou lugares que não estejam devidamente vigiados, armadilhas não descobertas. Faz recomendações e reflexões sobre a sociedade, a economia, a cultura. Além de informar, ele quer participar mais ativamente dos poderes decisórios, quer ser reconhecido pelas autoridades, por quem sempre expressa sua admiração e respeito.

– Não poucos acabam por revelar, nas entrelinhas, diversos preconceitos, dentre os quais o mais destacado é o racial. O subversivo, quando judeu, por exemplo, merece mais severidade no tratamento que os demais;o polonês ou ucraniano são sempre comunistas (18); o negro, desordeiro. E os estrangeiros, em geral, são qualificados como portadores de idéias estranhas ao sistema.”

Ressalte-se ainda o apego à moral conservadora.

“- Tanto quanto os analistas de informações, o informante amador associa invariavelmente a subversão à promiscuidade. Cite-se um episódio ilustrativo: mesmo quando uma prostituta denunciou subversivos que queriam contratá-la para manter relações sexuais com um militar e dele retirar informações, seu depoimento não só foi rejeitado como ela mesma foi colocada sob suspeita (19).

– Às mulheres é dispensado um tratamento diferenciado no ato de informar: se consideradas subversivas, sua vida privada é quase sempre devassada, como se a atividade política fosse uma decorrência de sua moral sexual; se os homens conquistam adeptos para a sua causa por meio de técnicas de propaganda, aquelas se valem da sedução. Amasiam-se, prostituem-se, usam drogas. Pelo conteúdo dos registros, pode-se afirmar que a maioria dos informantes possui um radical desprezo pela mulher subversiva, considerada, a um só tempo, degradada e perigosa. Neste caso, o seu espaço de convívio privilegiado, – o lar, e o papel de esposa e mãe de família, foram sufocados em nome de uma postura agressiva, tipicamente masculina.

– Aos olhos do informante, a delação mais preciosa é a de um verdadeiro comunista. Quando isto ocorre, ele descreve suas informações de forma extremamente minuciosa, seja para comprovar a veracidade de seu informe, seja para deixar clara a importância de sua descoberta.”

Nestes casos, é particularmente interessante observar como a vida pregressa do acusado é cuidadosamente descrita.

Enquanto do mero subversivo ou esquerdista são mencionados apenas seus atos, do comunista impõe-se esquadrinhar toda a sua história.

Esta prática nos aproxima de uma importante reflexão de Michel Foucault, quando ele analisa a figura delinqüente: o delinqüente, conceito elaborado pelas instituições penais no século XIX, é um criminoso que existe antes mesmo do seu próprio crime, uma vez que traz consigo tendências psicológicas que o predispõem ao delito.

“À medida que a biografia do criminoso acompanha na prática penal a análise das circunstâncias, (…) vemos os discursos penal e psiquiátrico confundirem suas fronteiras: e aí, em seu ponto de junção, forma-se aquela noção de indivíduo perigoso que permite estabelecer uma rede de causalidade na escala de uma biografia inteira e estabelecer um veredicto de punição-correção” (20).

Esta observação nos parece fundamental e passível de ser aplicada aos dias atuais.

Mesmo que se trate de uma categoria identificável também em regimes não-autoritários, a designação de um determinado grupo como “elemento perigoso” suscita sentimentos de rejeição e medo, passíveis de serem instrumentalizados politicamente por diversos organismos, sejam ou não de caráter oficial.

Desta maneira, atribui-se responsabilidade pela desordem a mendigos, menores de rua, trabalhadores imigrantes, pessoas de outra etnia ou quaisquer outros, de acordo com os diferentes contextos políticos de cada sociedade.

No período da ditadura militar, mais do que em qualquer outro, o comunista representou esse “elemento perigoso”, perturbador e nocivo; no limite, alguém possuído por forças malignas e incontroláveis.
Um elemento a quem se devia temer.

Tal sentimento foi seguramente experimentado pelo informante, um medo que se demonstrou tão ou mais mobilizador do que suas convicções políticas.

Ao lado de sua fidelidade a idéias, do comportamento arrivista quando estava em causa a possibilidade de uma ascensão profissional, ou, ao contrário, o receio de perder o emprego, não se pode desconsiderar os traços de medo que se refletiam em seus escritos: o medo da retaliação, de ser descoberto como delator, da desordem, do poder, enfim, o medo que o fantasma da subversão lhe provocava.

Por isto, o sistema, que ao apostar na ciência para criar uma máquina repressiva desprovida de qualquer subjetividade teve de conviver, para seu desgosto, com homens que denunciavam seus chefes, suas ex-esposas, seus vizinhos, o próprio governo, e não poucas vezes, outros informantes: denunciavam todos a quem temiam.

O medo do outro, entendido como detentor de um poder absoluto provoca, em seus extremos, atitudes que desfazem as fronteiras entre realidade e fantasia, esfera pública e privada, passado e presente.

Como se pode verificar num exemplo-limite que nos chamou a atenção justamente pela sua incongruência:
trata-se de uma carta bastante sugestiva, de oito páginas, escrita à mão, em que um informante espontâneo, após arrolar 22 nomes e descrever detalhadamente as atividades de cada um, codinomes, hábitos cotidianos, motivo de suas suspeitas e supostos endereços, termina pedindo como retribuição pelo serviço ao regime que as autoridades o protejam de seu próprio pai:
“um homem terrível, confidente secreto de Salazar, amigo de Hitler, nazista e comunista … amigo do governador do Estado do Amazonas, em nome de quem presta favores a subversivos, como a seu próprio irmão, um padre que treina jovens para a guerrilha …”
um homem que o chamava de retardado durante a sua infância, e que ele solicita que seja, “finalmente, castigado” (21).

Não pretendemos com esta última citação concluir pela ineficiência do sistema. É bem provável que cartas como esta fossem ignoradas, apesar de arquivadas, como “a de um louco qualquer…”, conforme aludiu Adyr Fiúza de Castro (22).

Ela é importante para a nossa análise à medida que revela as expectativas e sentimentos que determinados indivíduos nutriram pelo regime, este “bom pai” alternativo à sua experiência de infância.
E para demonstrar que mesmo os informantes que faziam uso do sistema para manifestar seus ódios pessoais podiam ser úteis, em alguma medida, à “Comunidade de Informações”.
Afinal, eles faziam parte de uma cadeia cujas ações eram propositadamente segmentadas e hierarquizadas, como num sistema “taylorista”, o que permitia que nenhum agente tivesse plena responsabilidade ou mesmo consciência dos resultados de suas ações.

E é justamente esta técnica que nos leva a identificar o caráter produtivo da suspeição praticada tanto por “profissionais” como por “amadores”, bem como sua semelhança com as técnicas de divisão de tarefas adotada nos sistemas carcerários da Alemanha nazista.

Neste caso, racionalidade e irracionalidade se confundem, conformando personalidades, gestos e palavras plenamente solidárias à prática da violência política.

NOTAS

(*) Tema originalmente apresentado no III Congresso da BRASA – Brazilian Studies Association, em Cambridge, Inglaterra, setembro de 1996.

(1) ARQUIDIOCESE de São Paulo. Brasil; nunca mais. Petrópolis: Vozes, 1985, p. 32.
(2) João Paulo Moreira Burnier. In: D’ARAÚJO, Maria Celina et all. Os anos de chumbo. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1994. p. 207.
(3) Adyr Fiúza de Castro. idem, p. 62 e ss.
(4) Idem, p.47
(5) Carlos Alberto da Fontoura. idem, p. 91 e ss.
(6) Departamento Estadual de Arquivo e Microfilmagem do Paraná – DEAP/Departamento de Ordem Política e Social – DOPS, Pasta SNI.
(7) Adyr Fiúza de Castro. In: D’ARAÚJO, Maria Celina et all. Os anos de chumbo. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1994, pp. 64-66.
(8) A este respeito ver especialmente TRINDADE, Hélgio. “O radicalismo militar em 64 e a nova tentação fascista”. In: SOARES, Glaucio Ary D. e D’Araújo, M. Celina (org). 21 anos de regime militar: balanço e perspectivas. Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1994. pp.123-41.
(9)Cite-se, como um dos exemplos mais importantes,o slogan “Milagre Brasileiro”, termo repetidamente empregado para enunciar o crescimento econômico acelerado por que passou o Brasil no início da década de setenta.
(10) ANSART, Pierre. Ideologia, conflito e poder. Rio de Janeiro:: Zahar, 1978, p. 112 e ss.
(11) DEAP/DOPS, Pasta SNI, 1969.
(12) DEAP/DOPS, Pasta 1547. [ Links ]
(13) DEAP/DOPS, Pasta SNI, Informe n. 184.
(14) DEAP/DOPS, Pasta SNI – Contribuição ao conhecimento da guerra revolucionária.
(15) FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder.4.ed. Rio de Janeiro: Graal, 1984, p.182.
(16) À guisa de ilustração, cite-se uma lista de 540 nomes de funcionários públicos do Estado do Paraná, enviados ao DOPS pelo SNI para que este órgão selecionasse aqueles que, dada a sua vida pregressa, poderiam estar dispostos a cooperar com o sistema (DEAP/DOPS, 1966 – Pasta 1543).
(17) Sobre este último grupo, que dada a sua importância, mereceria um estudo mais aprofundado, mencione-se apenas um registro: para os poderes oficiais, segundo o parecer de um analista de informações, mesmo que suas informações sejam úteis ao sistema, tal grupo deve ser colocado sob suspeita, porquanto seus membros querem por si mesmos eliminar os comunistas, além de prejudicarem a imagem do governo, uma vez que suas ações são confundidas, pela opinião pública, com as dos órgãos de segurança (DEAP/DOPS, 1978, Pasta 256).
(18) Esta observação deve ser interpretada como uma especificidade do Paraná, Estado que recebeu diversos imigrantes destas origens, e que provinham de regiões pobres da Europa, e foram muitas vezes discriminados como elementos de raça e cultura inferiores. À época do regime militar, àqueles preconceitos se somara também a suspeita de subversão, uma vez que seus países de origem ou de seus ascendentes estavam alinhados com o bloco soviético.
(19) DEAP/DOPS, Pasta 1.547.
(20) FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir. Petrópolis: Vozes, 1986, p.224.
(21) DEAP/DOPS. Carta ao Brigadeiro Nelson de Souza Mendes e Coronel Maciel. Assinatura ilegível – 19-10-1972.
(22) Ver citação n. 4.

Rev. bras. Hist. vol. 17 n. 34 São Paulo 1997

(http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-01881997000200011&script=sci_arttext)
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Responder

    FrancoAtirador

    16/06/2013 - 00h00

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    Os baderneiros, os vândalos e a lógica do terrorismo

    Fora das ruas tomadas pela população descontente, a violência continua sendo exercida de maneira simbólica: a grande mídia, o senso comum, e algumas autoridades têm se referido aos manifestantes como “baderneiros”, “vândalos” e outros qualitativos, construindo a imagem de um inimigo, muito semelhante ao processo que foi feito durante a ditadura civil-militar:
    a construção do “subversivo”.

    Por Caroline Silveira Bauer(*), na Carta Maior

    As manifestações contra o aumento das tarifas de transporte urbano, que se iniciaram em Porto Alegre e agora se disseminam por todo o Brasil, tem sido marcadas não somente pela violência física durante os atos.

    Fora das avenidas e ruas tomadas pela população descontente, a violência continua sendo exercida de maneira simbólica: a grande mídia, o senso comum, e algumas autoridades têm se referido aos manifestantes como “baderneiros”, “vândalos” e outros qualitativos, construindo a imagem de um inimigo, muito semelhante ao processo que foi feito durante a ditadura civil-militar:
    a construção do “subversivo”.

    O filósofo francês Pierre Ansart chamou este processo de “ortodoxia terrorista”, onde o exercício do terror através da ideologia estabelece uma dicotomia simplória entre o legítimo e o ilegítimo, o justo e o injusto, o certo e o errado.

    “O ilegítimo é tudo aquilo que convém controlar, combater e excluir.
    A ideologia terrorista leva ao extremo essa dimensão […];
    o ilegítimo já não é apenas o inferior que é preciso controlar, e sim o mal que cumpre destruir para que a sociedade legítima se realize”, afirma Ansart.

    O discurso sobre a “baderna” e o “vandalismo” do movimento contra o aumento das passagens carece de informações e argumentações lógicas, pois seu objetivo não é convencer através do raciocínio, mas sim de estigmatizar através do apelo às emoções e à violência simbólica, utilizando-se esses recursos linguísticos de difícil precisão.

    Ora, a desinformação também foi um elemento de persuasão que não deixou de ser empregado com o fim do período autoritário-ditatorial no Brasil.

    Em outras palavras, não se trata de explicar quem são os manifestantes, mas sim de designar os inimigos, aprofundar as distâncias entre os cúmplices da repressão e suas vítimas.

    Nas primeiras manifestações, os “baderneiros” e os “vândalos” eram aqueles que empregavam algum tipo de violência em seus atos, fazendo com que o movimento perdesse um pretenso caráter de “pacifista”.

    Agora, essas designações tornaram-se mais permeáveis, e a repressão passa a combater um número maior de dissidentes, em uma espiral repressiva crescente: o descontentamento e suas expressões passam a ser criminalizados.

    Existir um “criminoso” fundamental para sustentar o medo.

    Nada mais expressivo de uma cultura autoritária, marcada pela lógica do terror, e, por isso, antidemocrática; “sujeitos sem direitos”, nas análises do filósofo italiano Giorgio Agamben.

    (*) Caroline Silveira Bauer é professora de História Contemporânea na Universidade Federal de Pelotas. Doutora pela Universidade Federal do Rio Grade do Sul e pela Universitat de Barcelona, é autora do livro “Brasil e Argentina: ditaduras, desaparecimentos e políticas de memória”.

    (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=22189)

renato

15/06/2013 - 20h12

Pelo direito dos jovens em reunir-se e dizer o que quer.
Pelo direito de falar sem levar bala.
Pelo direito de comungar com a sociedade, os medos, os receios.
Pelo direito de caminhar junto com o desconhecido e fazer algo igual.
Pelo direito de estar acompanhando de longe e torcendo para a Democracia.
Pelo direito de não ser enganado.

Responder

lulipe

15/06/2013 - 19h41

E ninguém fala da vaia que a Dilma recebeu???Até nisso ela tá igual ao lula…

Responder

    Luís Carlos

    15/06/2013 - 20h02

    Não. Na popularidade ela está melhor.

    Gerson Carneiro

    15/06/2013 - 20h17

    Eu falo.

    Torceram para dar errado. Deu certo. O que resta fazer? Vaiar.

    Vaiar é fácil. Quero ver abandonar o estádio.

    Vaiaram porque não tem outra opção.

    Vaiaram, e eu rio hahahahaha…

    Messias Franca de Macedo

    15/06/2013 - 20h31

    … É o rio do PIG água abaixo! Há muito tempo, o PIG chafurda nos mangues, desembocadura do mesmo rio, “que faz lama por todos os lados”!… É verdade: só rindo!…

    Saudações democráticas, progressistas, civilizatórias, nacionalistas e antigolpistas,

    República de ‘Nois’ Bananas
    Bahia, Feira de Santana
    Messias Franca de Macedo

    Jandeli Carvalho

    15/06/2013 - 21h47

    Quem tem dinheiro para pagar por esses ingressos, estadias e viagens, certamente ñ são os mesmos que precisam de escolas públicas ou atendimento do SUS, pois se fosse o caso, estariam do lado de fora protestando e ñ dentro do estádio vaiando Dilma e comemorando.

    Trevo da sorte

    16/06/2013 - 00h42

    Igualzinha ao Lula…
    vai, inclusive, ganhar duas eleições consecutivas.

    Heloisa

    17/06/2013 - 11h44

    Este movimento parece ter sido mal planejado. Desordenadamente, ou com muitas cabeças. Coisa de jovem. Os velhos deram a partida e se afastaram.O resultado é que tudo saiu do controle. Uma hora vão parar e dizer : e agora ? Não é assim que se derruba um governo, seja PT ou PSDB.

Fabio Passos

15/06/2013 - 19h12

O PHA repercute o video em que uma empresaria da uma aula de cidadania e desmente o fascistinha arnaldo jabour. A globo, assim como a pulica militar, e um entulho da ditadura.

E imperdivel.

A empresaria, e logico… pois o lixo do jabour eu pago pra nao assistir. rsrs

Confiram:

“SENSACIONAL ! CLAUDIA NÃO USA ÔNIBUS E JOGA VINAGRE NO JABOR
2% dos crimes são apurados !”
http://www.conversaafiada.com.br/tv-afiada/2013/06/15/sensacional-claudia-nao-usa-onibus-e-joga-vinagre-no-jabor/

Responder

Sagarana

15/06/2013 - 19h07

Ainda não entendi em que os cassetetes e o gás lacrimogênio paulista é diferente dos de Porto Alegre e Rio de Janeiro.
Alguém sabe a diferença?

Responder

Manifesto contra a violência da PM nos protestos de SP - Viomundo - O que você não vê na mídia

15/06/2013 - 18h55

[…] Adriano Diogo: “Infiltraram policiais civis e militares no meio da garotada para incitar a violên… […]

Responder

Messias Franca de Macedo

15/06/2013 - 18h39

AINDA SOBRE “INFILTRADOS”!…

MCE (Movimento dos Com Estádio)

… Provavelmente, os que estavam no Estádio Nacional Mané Garrincha e que – de forma absoluta e estranhamente inexplicável – vaiaram a presidente Dilma Rousseff devem ser do “time dos protestantes” que protestaram do lado de fora do mesmo Estádio! [Mais uma vez] Tem algo de suspeito no ar de Pindorama(!): um povo ordeiro, apaixonado por futebol, e que – “não mais do que de repente” – começa a protagonizar sublevações às vésperas do início de um evento esportivo internacional! Sei não: tem algo “cheiroso do ‘Cansei’” na atmosfera sombria de Brasília! E nas cidades onde as tarifas do transporte urbano tiveram reajustes de preços! (sic)…

(A propósito: qual foi mesmo a motivação para as vaias?! Essas vaias representaram qual natureza de protestos?! Quais descontentamentos?!… “O nível de escolaridade” dos manifestantes?! Leitores(as) de ‘veja’?!…)

… [Deve ter sido] O [cívico(?!)] protesto dos ‘Com Estádio’!…

Saudações democráticas, progressistas, civilizatórias, nacionalistas e antigolpistas,

República de ‘Nois’ Bananas
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

Responder

    willian

    15/06/2013 - 19h40

    Os que estavam dentro do estádio vaiaram Dilma; já os que estavam de fora, apanharam da polícia do PT.

    Messias Franca de Macedo

    15/06/2013 - 20h34

    … E por “acauso” – e por analogia -, a Polícia Militar do Estado de São Paulo é do PSDB do Alckmin e do (S)erra?!…

    Marcos

    16/06/2013 - 04h51

    Menos petistas…. menos… quer dizer que o PSDB comprou milhares de ingressos e distribuiu entre seus simpatizantes só para vaiar a Dilma????

    Aline C Pavia

    17/06/2013 - 09h41

    O Alvaro Botox Dias estava lá.
    Quem vaiou Dilma tem dinheiro pra um ingresso de 400 reais e água mineral a 6 reais. E óculos Rayban, lógico.

    Dilma e Lula não governam para essa gente.

    Protesto DE VERDADE seria um estádio vazio.

Luís Carlos

15/06/2013 - 18h33

A polícia do Alckmim é pacífica. Só bate em manifestantes e jornalistas, todos desarmados, mas claro, todos profundamente perigosos, mesmo porque portar vinagre é crime em SP. Isso é o PSDB.

Responder

marcosomag

15/06/2013 - 18h24

Na quinta-feira, passei à tarde na frente do Teatro Municipal em cujas escadarias a meninada pintava suas faixas de protesto contra o aumento da condução. Alertei para que tivessem um mínimo de organização, destacando um pessoal para a segurança das passeatas. Desconhecidos tentando tumultuar deveriam ser expulsos da manifestação pelo manifestantes destacados para a segurança. Elementos provocadores podem ser facilmente identificados até previamente pois freqüentam páginas de direita no Facebook.

Estranhei a postura crítica dos veículos das Folhas em relação a violência policial nas manifestações. Mesmo com uma profissional agredida a bala pela PM, não seria de estranhar que os jornais do Frias, tucanos até os ossos, elogiassem a ação repressiva. Acho que o clima ficou tão pesado na Barão de Limeira que Otavinho teve que recuar.

SP está à deriva, e eleição de 2014 está tão longe!

Responder

    Fabio Passos

    15/06/2013 - 19h18

    otavinho “ditabranda” frias foi um dos canalhas que incitou a pulica a atacar violentamente os manifestantes.

    O PiG aplaude a pulica que assassina pobre e preto na periferia.
    O PiG apoia a repressao, espancamentos e tortura contra quemquer que proteste contra o Apartheid Social.

    O PiG e inimigo do povo… e assim deve ser tratado.

Saul Leblon: A resposta é mais democracia na gestão de São Paulo - Viomundo - O que você não vê na mídia

15/06/2013 - 17h02

[…] Adriano Diogo: “Infiltraram policiais civis e militares no meio da garotada para incitar a violên… […]

Responder

Vlad

15/06/2013 - 16h06

Ah…agora é “garotada”.

Depois de arruaceiros. Pau-mandados dos tucanos. Manifestantes.
Agora é “garotada”, para tentar colar um verniz de infantilidade que retire a seriedade do ÚNICO objetivo dos protestos que é reduzir a passagem do ônibus.

Muito bem, deputado. Muito bem pensado.

Responder

Fabio Passos

15/06/2013 - 15h56

A pulica da “elite” branca e rica, quando nao esta matando preto e pobre na periferia, esta espancando e torturando manifestantes.

O “governador” alkmin precisa ser responsabilizado e condenado por comandar a barbarie militar contra cidadaos que protestavam pacificamente.

Responder

    Roberto Locatelli

    15/06/2013 - 21h04

    Pinheirinho veio para o centro de Sampa.

    Fabio Passos

    15/06/2013 - 23h53

    Atacar a populacao com a pulica e tudo o que alckmin sabe fazer…

FrancoAtirador

15/06/2013 - 15h08

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DEMOCRACIA EM CONSTRUÇÃO PERMANENTE
Ordem Constitucional e Progresso Civilizatório

A Manutenção da Ordem em um País não se faz arbitrariamente pela Repressão Policial Militar, com base em uma Lei de Segurança Nacional oriunda de Estatutos Fascistas, como querem, e pronunciam-se desejando, diversos oficiais militares saudosos da Ditadura, que instalou no Brasil o Estado de Exceção em 1964, da qual ainda restam resquícios instalados em algumas Instituições Governamentais, e como, inclusive, sugerem, através da Mídia Bandida, alguns ególatras afoitos extremistas da direita católica ligados à seita internacional reacionária Opus Dei e a outros setores moralistas hipócritas da Igreja – que, se leram, não entenderam a mensagem humanística inscrita no Evangelho Segundo Mateus –

mas se faz sim pelos dispositivos constitucionais democráticos republicanos, garantidores dos direitos humanos universais, aplicados na solução pacífica dos conflitos sociais naturais e inerentes a qualquer Democracia em construção, como é a brasileira, senão todas, fundamentalmente se decorrentes de demandas populares espontâneas, legítimas e justas, sobretudo quando manifestadas diretamente aos administradores estatais eleitos exatamente para esta finalidade, isto é, para atender especificamente às reivindicações emanadas das camadas da população, urbana e rural, carentes dos serviços públicos essenciais de prestação direta, como saúde e ensino, ou mesmo sob o regime de concessão ao setor privado, como telecomunicações, energia e transporte coletivo.

E o Progresso de uma Nação não é medido exclusivamente pelo grau de desenvolvimento econômico-financeiro de pessoas jurídicas instaladas nesse País, sejam elas de direito público ou privado – tal como impõe atualmente sobre a maioria dos Seres Humanos esse sistema estritamente mercantil, cruel e insensível, porque excludente, discriminatório e expropriatório, petrificado simbolicamente numa estátua bovina (http://bit.ly/155CjG1), desprovido, portanto, de qualquer espírito de humanidade –

porém, sim, pelo nível de avanço social civilizatório, que não se restringe apenas aos caracteres de satisfação material individual e familiar na Sociedade – como emprego, salário e poder aquisitivo, que são inquestionavelmente de suma importância para o desenvolvimento nacional, mormente no que se refere ao suprimento dos meios básicos de sobrevivência humana, inda mais no Brasil com a discrepância abismal entre pobreza e riqueza existente – mas também e concomitantemente à detecção de fatores psicossociais relativos ao fortalecimento e ao engrandecimento de valores educacionais e culturais, nas ações comportamentais no âmbito coletivo, regidos por normas tácitas de convivência cidadã, como solidariedade e respeito mútuo, que, no somatório, irá determinar o crescimento da qualidade de vida da Comunidade Nacional em seu conjunto e, por conseguinte, demonstrar um parâmetro comparativo das condições de civilidade e sociabilidade em proporção ao quanto de brutalidade e barbárie eventualmente ainda prevalentes nas relações sociais.

Os eventos ocorridos, no curso desta semana, a partir dos protestos juvenis, ainda que utópicos, legítimos e até necessários ao aprimoramento democrático do Brasil, de iniciativa elogiável do Movimento Passe Livre (MPL) (http://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_Passe_Livre) – organizado no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, no ano de 2005, por sinal, inspirado originalmente em uma revolta popular, de idêntico cunho reivindicatório, promovida há 10 anos por jovens estudantes e trabalhadores na cidade de Salvador, capital da Bahia, que ficou conhecida como “A Revolta do Buzu” (http://www.youtube.com/watch?v=5xh0xB7-0tE) –
um movimento social que, hoje, frisa-se, está formalmente e legalmente constituído, cujas manifestações se estenderam pelas ruas e avenidas do centro da cidade de São Paulo, foram deveras didáticos para a população brasileira, fundamentalmente àquela classe que, vivendo numa redoma ilusória exclusiva como os habitantes da “Caverna de Platão” (http://pt.wikipedia.org/wiki/Alegoria_da_Caverna), pensa que, por meio das empresas de mídia impressa e rádio-televisionada, é informada da realidade que se passa no País e no Mundo, passando a adotar padrões ideológicos ditados por uma casta mercenária, manipuladora e de falsa moralidade, incorporando posições políticas contraditórias com a própria condição social e acabando por se refletir como num espelho de circo.

Mesmo com os atos de violência condenáveis e passíveis de punição, alguns partindo de manifestantes isolados, e outros tantos irracionais, odiosos e deploráveis, da parte dos Policiais Militares que deveriam estar ali para defender a integridade física e psicológica da população, ganhou a Democracia Brasileira para sua própria Construção.

Pois, não fossem os fatos se desencadearem da forma explícita onde e como se desenrolaram, gerando vítimas entre os próprios mentores intelectuais de uma realidade obscura e destruidora propositadamente ocultada, muito embora contrastasse o contorno luminoso do Bem com a silhueta escura do Mal, e não teríamos a face da Verdade exposta de maneira tão clara e cristalina:

A Humanidade da Palavra se transformou em Força Bruta.

A Lucidez do Governante se transmudou na Ferocidade do Predador.

A Razão do Estado se converteu no Instinto de Aniquilação.

A Verdadeira Face do Estado de São Paulo, em duas fotos:


INSTINTO DA FERA ESTATAL PAULISTA

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OBRIGADO MPL, MUITO OBRIGADO!

PARA O BEM DA DEMOCRACIA REAL EM CONSTRUÇÃO,

CONTINUE O RESGATE DOS HABITANTES DA CAVERNA,

TRAZENDO-OS DA ESCURIDÃO PARA A LUZ DO SOL.

VIDA LONGA, BRASIL AFORA!

HASTA LA VICTORIA, SIEMPRE!
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Depoimento da Giuliana Vallone (foto), jornalista da Folha,
atingida por bala atirada por uma das Feras de São Paulo

Giuliana Vallone:

“Queridos,

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer a todas as manifestações de carinho e preocupação recebidas dos amigos e também de pessoas que não tive a oportunidade de conhecer. Vocês são incríveis.

Agora, o boletim médico: passei a noite no hospital em observação.
A tomografia mostrou que não há fraturas nem danos neurológicos.
A maior preocupação era o comprometimento do meu olho, que sofreu uma hemorragia por causa da pancada.
Felizmente, meu globo ocular não aparenta nenhum dano.
E agora, ao acordar, percebi a coisa mais incrível: já consigo enxergar com o olho afetado, o que não acontecia quando cheguei aqui.
Fora isso, estou muito inchada e tomei alguns pontos na pálpebra.

Sobre o aconteceu: já tinha saído da zona de conflito principal –na Consolação, em que já havia sido ameaçada por um policial por estar filmando a violência– quando fui atingida.
Estava na Augusta com pouquíssimos manifestantes na rua. Tentei ajudar uma mulher perdida no meio do caos e coloquei ela dentro de um estacionamento.
O Choque havia voltado ao caminhão que os transportava.
Fui checar se tinham ido embora quando eles desceram de novo.
Não vi nenhuma manifestação violenta ao meu redor, não me manifestei de nenhuma forma contra os policiais, estava usando a identificação da Folha e nem sequer estava gravando a cena.
Vi o policial mirar em mim e no querido colega Leandro Machado e atirar.
Tomei um tiro na cara.
O médico disse que os meus óculos possivelmente salvaram meu olho.
Cobri os dois protestos nesta semana.
Não me arrependo nem um pouco de participar desta cobertura (embora minha família vá pirar com essa afirmação).

Acho que o que aconteceu comigo, outros jornalistas e manifestantes, mostra que existem, sim, um lado certo e um errado nessa história.

De que lado você samba?

Em tempo: obrigada Giba Bergamim Junior e Leandro Machado pelos primeiros socorros!
.
.
“A PM atira pra se defender…”

… disse o PM armado, trajando colete a prova de balas, escudo e capacete enquanto disparava uma bomba de efeito moral contra o menino com a mochila nas costas…

(http://mariolobato.blogspot.com.br/2013/06/depoimento-da-giuliana-vallone.html)
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Responder

João-PR

15/06/2013 - 15h06

RELEMBRANDO:
Lembram-se daquela manifestação dos Professores de São Paulo! Houve uma foto com um “Professor” carregando uma soldado da PM.

Depois descobriu-se que não era um Professor, mas sim um PM à paisana.

Vejam aqui

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/a-foto-escondida-professor-manifestante-carregando-policial-ferida.html

Responder

Zanchetta

15/06/2013 - 15h03

Extra! Extra! Manifestantes se infiltraram na polícia e causam resposta violenta aos policiais infiltrados entre os manifestantes!!

Responder

willian

15/06/2013 - 14h30

14:24hs, ao vivo na GLOBO NEWS, policial de Brasilia atropelou manifestante com sua moto.

Deve haver policiais infiltrados entre os manifestantes para causar tumulto.

Responder

ricardo silveira

15/06/2013 - 14h14

Para que serve um ministro da justiça?

Responder

Urbano

15/06/2013 - 14h13

Medidas do pintor surrealista e apelidadas de inteligência, no instante em que forem questionadas. A ditadura trevosa foi exímia nisso…

Responder

willian

15/06/2013 - 13h09

Viomundo e os comentaristas engolem a afirmação dos vereadores, mesmo sem provas, porque lhes é conveniente.

Ah, o PIG! Qual é mesmo o diferencial de voces?

Responder

    Edfg.

    16/06/2013 - 14h08

    Estão “testando hipóteses”, meu caro William. Tudo muito diferente do PIG, como se vê…

willian

15/06/2013 - 13h06

Ah, o PT velho de guerra…rs Tentando fingir que o prefeito não é seu. A culpa é sempre dos outros de sempre: tucanos, PIG… rs

Responder

    Luís Carlos

    15/06/2013 - 18h25

    Os petistas estão tentando “fingir” que a polícia de SP é comandada pelo governo do estado que é do PSDB. Ainda bem que não é isso e que só estão fingindo… O governo estadual que tem polícia e manda bater nas pessoas em SP, no Pinheirinho, nos professores, nos negros da zona leste de SP não é do PSDB, claro?!?!? É só “fingimento” de petistas. Puxa, fiquei aliviado. A PM de SP é pacífica e respeitadora dos cidadãos, inclusive de jornalistas, e culpa toda é do PT.

    Marcos C. Campos

    15/06/2013 - 19h12

    Me responda uma coisa: Quantos anos o PSDB está no governo do estado de SP ? Quantos anos o PSDB estava no governo municipal da capital ? O PT está no governo há cinco meses e quinze dias … e tudo já é culpa do Haddad e do PT na capital SP ?

    Ainda bem que o povo que vota mesmo já está acordando … Já está distinguindo o joio do trigo.

Messias Franca de Macedo

15/06/2013 - 12h45

COLETIVIZANDO O QUE É COLETIVO(!) Uma resposta a um pedido de assinatura em apoio ao movimento dos manifestantes contra o aumento da tarifa das passagens no transporte coletivo da cidade de São Paulo

… Muito obrigado pela deferência e confiança pelo encaminhamento. Respeitosa e humildemente, gostaria de aproveitar o ensejo para expressar as seguintes premissas:

# manifestar o meu repúdio aos atos de violência perpetrados pela Polícia Militar do Estado de São Paulo – ao tempo em que presto a minha singela solidariedade a todos e todas que foram – de uma forma ou de outra – agredidos(as);
# no caso específico da cidade de São Paulo, creio que a reação ao reajuste das tarifas do transporte coletivo foi desproporcional e extemporânea. Desproporcional porquanto o reajuste ocorre após um período significativo de congelamento desses preços, além do que o percentual [do reajuste tarifário] é compatível com a realidade concreta da atual conjuntura do país; extemporâneo na medida em que o prefeito Fernando Haddad, apenas, inicia o mandato – e provavelmente deve ter encontro um [negativo] legado pesado do antecessor [o kassab]…
#neste momento, creio, a sociedade brasileira deve discutir as mais adequadas estratégias no sentido de nos fazermos ser escutados, valorizados e respeitados. Imagine o caos que seria o nosso país caso a cada descontentamento da população, tivéssemos, nas cidades, situações de conflitos beligerantes semelhantes às quais estamos, perplexos, assistindo nesses últimos dias!…
# concordemos ou não com o fato, o Brasil está às vésperas de sediar a Copa das Confederações – e numa perspectiva mediata, a Copa do Mundo e as Olimpíadas…
# lamentamos, também, a não certeza de que legítimos movimentos populares serão reproduzidos em relação a outras situações aflitivas e deveras preocupante, a exemplo do julgamento fascista relacionado à Ação Penal 470 – o tal ‘Mentirão’!… Ou ainda em protesto contra as ações delituosas, perniciosas e nefastas da “grande” mídia terrorista/golpista/antinacionalista [o PIG (Partido da Imprensa Golpista), capitaneado pelas organizações(!) Globo, Editora Abril [em especial, a revista ‘Veja’] e ‘Folha de São Paulo’ [da ‘ditabranda’ dos Frias!]…

Finalizo, repetindo uma lúcida, sensata e pedagógica assertiva asseverada por vocês: “… [Nós] todos temos que defender o direito de nos manifestar. Porque se hoje é contra a passagem, amanhã poderá ser para defender um direito seu.” É verdade: “… é nos manifestando que este país vai mudar! Não podem tirar o nosso direito!” Bravo! Bravíssimo!…

Nesse sentido, espero contribuir para com a reflexão e a crítica!

Muito obrigado.

Felicidades!

Saudações democráticas, progressistas, civilizatórias, nacionalistas e antigolpistas,

Messias Franca de Macedo
Feira de Santana, Bahia
República de ‘Nois’ Bananas

Responder

Fabio Passos

15/06/2013 - 12h09

Responder

Fabio Passos

15/06/2013 - 12h01

Nao e surpresa.
A pulica do psdb, que tortura e assassina preto e pobre na periferia impunemente, e um entulho da ditadura e de suas praticas.
A barbarie policial contra quem ousa protestar e a regra no Brasil.

E o PiG incitou abertamente a pulica fascista para atacar os manifestantes… tambem nao e surpresa.

O “trabalho” que a pulica realizou com cacetetes e bombas e o mesmo que o PiG realiza com suas mentiras: Sustentar o Apartheid Social.

Esta mesmo na hora de implodir a casa-grande e tomar toda a riqueza que a “elite” branca roubou do povo trabalhador.

Responder

    Zanchetta

    15/06/2013 - 15h40

    A puliça do Distrito Federal acaba de descer a borracha nos manifestantes no Estádio… só pode ser coisa desse fascista do Agnelo Rossi do PT…

    Rodrigo Leme

    15/06/2013 - 16h39

    Não, quem deu a ordem pra PM do DF foi o Alckmin! Foi ele tbm que mandou a PM mandar ver nos índios no MS tbm!

von Narr

15/06/2013 - 11h50

Faltou comando da PM. Jamais deveriam ter dado porrada nos jornalistas, ou pelo menos não nos já conhecidos jornalckmistas. Botaram o PIG contra a PM. Mas já tem gente do PIG falando em violência dos dois lados. Como se quebrar vidraça e furar olho fosse assim num tipo de empate no jogo.

Responder

von Narr

15/06/2013 - 11h36

Ah, vamos lá, as manifestações são contra o aumento do ônibus. Cidades onde não há metrô também se levantaram. Contudo, é óbvio milhares de manifestantes não representam necessariamente a maioria da sociedade.

Responder

Jorge

15/06/2013 - 11h35

Movimento que não tem liderança vira baderna.
É preciso orientação, uma pauta clara a reivindicar, uma lista com itens a serem discutidos, vontade para dialogar, condições para o diálogo, ceder um passo para avançar dois mais tarde.
Quando o movimento é acéfalo, fica fácil infiltrar pessoas dispostas a transformar qualquer manifestação em caos, que sempre interessam a algum grupo em particular.
Manter carros próximos é uma maneira de se proteger.
Sentar no chão ao avanço da polícia é uma tática eficiente.
Virar de costas para a polícia com as mãos erguidas mostra a possível truculência de (prováveis) ações de repressão.
O pânico é o pior inimigo.
O movimento pode até ser legítimo, porém sem cabeças pensantes fica facilmente manipulável.
Faltam líderes.
A CIA e seguidores de suas táticas adoram movimentos sem líderes.
As greves no ABC nos anos 70/80 deveriam servir de manual básico para qualquer movimento que se diz abrangente, nacional. Ali havia líderes. Ali havia UM grande líder.

Responder

Pedro luiz

15/06/2013 - 11h35

É o choque de gestão do candidato Geraldo Ackmin que agora se retrata nas ações do seu belo governo. Paulistas conservadores vcs merecem o governo que tem. Olha que o homem manda bater em todo mundo. Então cuidado com seus filhos nas ruas próximas a qualquer manifestação democrática.

Responder

Malvina Cruela

15/06/2013 - 11h17

A direita diz que os manifestantes são de esquerda e sua mídia manda meter o pau… a esquerda diz que a policia e os manifestantes são de direita sabotando o prefeito dos trabalhadores…
o bom do povo é que ele sempre desarruma os esquemas ideológicos das múmias e dinossauros dos dois lados. Isso não tem preço.

Responder

    Leonardo

    15/06/2013 - 13h12

    É isso mesmo, os dinossauros políticos e midiáticos estão preocupados pois tem medo de um grande meteoro chamado povo do Brasil.
    O gigante despertou e tão cedo não vai se atordoar com os roncos dos jurássicos senhores que querem encabrestar a juventude.
    Lúcida análise!

Roberto Ribeiro

15/06/2013 - 10h48

“Embora o metrô e o trem tenham aumentado, o governo Alckmin, nas entrevistas, só se refere ao aumento do ônibus, para atingir o governo Haddad”, prossegue o deputado. Caro deputado Adriano Diogo, não é somente o governo Geraldo Alckmin que só se refere ao aumento do ônibus. Globo, Globo News, O Globo, Folha, Estadão, Veja, Bandeirantes(rádio e tv), SBT, Record, Record News, etc. Todas essas empresas jornalísticas são apoiadoras, propagadoras e propangandísticas do sr. Geraldo Alckmin.

Responder

paulo

15/06/2013 - 10h25

Ontem o JN mostrou um manifestante sendo preso:
http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2013/06/protestos-desta-quinta-sao-marcados-por-excessos-da-policia-e-vandalismo.html
Aos 05:35, à direita do video, veja o uniforme do policial que ajuda a fechar o camburão.
Pode-se alegar que ele estava disfarçado para justamente pegar os vândalos.
Porém, eu não acho.

Responder

    Roberto Locatelli

    15/06/2013 - 11h25

    Na mosca!! Certeza que a PM infiltrou provocadores entre os manifestantes para justificar a violência.

    Aliás, vamos lembrar que essa é a mesma PM que fez o que fez em Pinheirinho.

    Zanchetta

    15/06/2013 - 18h33

    Pois eu acho que tinha manifestantes infiltrados no meio da polícia que causaram a resposta violenta… achar por achar, eu acho o que eu quero…

Julio Silveira

15/06/2013 - 10h17

A tática da policia exposta na matéria não é novidade para ninguém, isso sempre ocorreu se as pessoas esperam comportamento democrático do conservadorismo brasileiro, é por que não aprenderam nada com a história republicana brasileira. Ah! pode parar. Nessa, o PT e o PSDB estão de mãos dadas. Sei que deve ser difícil para um militante, com sinceridade de propósito, ter que encarar a realidade com relação ao seu partido. Os militantes Tucanos por exemplo, estão com o partido de forma consciente, ideológica. São assumidamente reacionários, conservadores. Mas a militância petista foi sequestrada e parece que gosta. A culpa não pode é não deve continuar sendo do sofá.

Responder

Luiz Antonio Carvalho

15/06/2013 - 10h09

Policia que preste protege o cidadao, inclusive em suas livres e programadas manifestações. A do Rio soube faze-lo. A de São Paulo não soube distinguir manifestantes e transeuntes de provocadores. Ao contrario, chamou para si as açoes que deveriam evitar. Provocou, fechou a Paulista, vandalizou, agrediu. Não sou a favor da redução de tarifa, mas tenho muitos motivos para it à próxima manifestação: peka liberdade de expressao, por uma nova pm em sao paulo, contra a imobilidade urbana, contra metros abarrotados, contra os alckimins/serras/malafaias…

Responder

Malvina Cruela

15/06/2013 - 09h40

Não passa pela cabeça de ninguém que se possa tentar incendiar um país como esse por R$ 0,20 centavos não é? Então a zanga do povo é por outra coisa; não faltam motivos de raiva mas faltam bandeiras, faltam pautas de reivindicação; os grupos não são capazes de articular politicamente sua insatisfação..e pq isso? ora..obviamente pq já temos o tal governo popular, de esquerda, o povo já está no poder (mais ou menos né??)…então é pra isso que serve e política não é?? alguém esta mentindo para alguém não acham????

Responder

    Leia

    15/06/2013 - 17h45

    A saturacäo do metro e trem em SP está a mais de 10 anos, e os “estudantes” resolveram manifestar agora por causa de 20 centavos de aumento? O usuário näo consegue embarcar nos horários de pico, basta ver os vídeos no youtube. Estudantes que nos anos 90, depedraram o restaurante da Unicamp exigindo refeicäo de qualidade, e de graca, enquanto milhöes de brasileiros passavam fome pelo Brasil a fora. Fizeram um quebra quebra na USP porque näo queriam a polícia lá, para terem a liberdade e a libertinagem para fumar maconha. “Estudantes” que praticam violencia com a pseuda brincadeira com os calouros. Esses säo os futuro do Brasil ?

Jose Mario HRP

15/06/2013 - 09h38

Nem na Africa a policia é tão boçal!

http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=9wq6Xp0K4ZM

Responder

    francisco pereira neto

    15/06/2013 - 10h36

    Poxa! Vídeo magnífico e esclarecedor?!

Ronei

15/06/2013 - 09h34

Sem dúvida os deputados têm razão no que tange aos resquícios da Ditadura.
Porém, não foi por esses dias que vereadores do PT assinaram felizes e contentes um projeto de lei em homenagem à ROTA (representante maior do fascismo policial)?
http://www.viomundo.com.br/politica/rota.html

Tem muita gente boa no PT, mas quem manda efetivamente no partido não é muito diferente da camarilha liberal e fascista do psdb. Afinal, todos servem aos interesses da velha oligarquia brasileira (Ex? vide a acusação recente do ex-ministro de LULA, o Sr. Paulo Vannuchi à Sra. Gleisi Hoffmann (Casa Civil) de que ela defende sistematicamente os interesses dos fazendeiros no caso das demarcações de terras indígenas….
O triste é olhar à esquerda do PT e perceber que não tem nada,
absolutamente nada de novo e criativo…

Responder

J Souza

15/06/2013 - 09h22

É lindo ver o povo unido, lutando por suas causas.
As árvores do Gasômetro…
A praça Taskim…
O transporte público…
Há vida!
E, quem sabe, os governos, espancando cordeiros, conseguirão transformá-los em lobos…

Responder

Zanchetta

15/06/2013 - 09h00

KKKKKK… quando fazem bobagem as crianças são assim mesmo… jogam a culpa nos outros…

Aposto que foram os mesmos infiltrados que fizeram a invasão da Reitoria da USP há 2 anos…

Responder

Rodrigo Leme

15/06/2013 - 07h53

Ué, ele os viu? Sabe quem são da PM? Então os identifique, sr. Diogo!!!

Agora que o PT viu chance de explorar politicamente a história quer sair por cima. A ação da PM foi apoiada por prefeito e ministro da justiça, não ofendam a inteligência alheia.

Responder

    Gerson Carneiro

    15/06/2013 - 10h20

    Gostaria que o grande guru do PSDB nos explicasse quem permitiu à polícia tucana quebrar carro da polícia tucana.

    http://www.youtube.com/watch?v=UUd2LoGCCKU

    Vamos lá, mestre.

    Luís Carlos

    15/06/2013 - 14h01

    Então Rodrigo? A ordem para quebrar o vidro foi dado pelo PT? Todos sabemos a quem responde a polícia de SP com sua violência e ataques à população de São Paulo, ou quem governa o estado não é o PSDB? Querem misturar o governo tucano com o PT porque não tem coragem de assumir o que estão fazendo? Ou seria porque esta ação teria sido combinada entre Governo do Estado de SP e grande mídia? As mesmas digitais da ditadura brasileira estão novamente a mostra na atual truculência e covardia da polícia de SP. Como não têm o exército sob seu comando, usam a PM de SP.
    Aliás, os patrões da mídia já fizeram manifesto contra as agressões de seus jornalistas? Não farão, pois estão apoiando a violência policial do governo tucano?

    Rodrigo Leme

    15/06/2013 - 16h41

    Quem mandou a PM descer o sarrafo nos manifestantes no DF? Deve ser aquele governador tucano do estado…não, peraí.

    E quem mandou a PM aqui de SP fazer algo não sei. Sei que PT e PSDB estão no mesmo lado nessa ação. O ministro da justiça já até ofereceu apoio, deve ter achado pouco.

    Luís Carlos

    15/06/2013 - 20h16

    Pois é Rodrigo… …vai ver tem um “conluio entre o PT, PSDB e os “grandes” Estadão e Folha que pediram para o Alckmim, governador de SP e chefe da polícia paulista “exercer a ordem”, seguindo sua linha de raciocínio. Para quem acredita nisso… …só lembrando que eles pediram ao governador de SP que parece ter atendido ao pedido, afinal pedido deles é uma ordem para seu braço político, o PSDB. E ainda segundo sua indução, o PT que é alvo permanente do Estadão e da Folha e adevrsário do PSDB no governo federal e disputarão o governo estadual estariam juntos e mancomunadas nessa ação violenta da polícia de SP que é comandada pelo governo tucano. Muito útil para o PSDB seu raciocínio, não Rodrigo? Dividir o ônus da violência e covardia da polícia de SP comandada por tucanos com o PT?

    von Narr

    15/06/2013 - 11h54

    Aqui da janela vi uns rapazes a brigar feio, com garrafa de vidro na mão. Chamei a PM. Veio a Rota e executou todos eles. Então agora, para “não ofender a inteligência alheia”, eu devo me apresentar na Delegacia como o mandante da chacina?

    rodrigo

    15/06/2013 - 16h48

    Dexa de ser besta Rodrigo. Eu conheço o Adriano pessoalmente. Divirjo do partido “dele” em muitas coisas, mas em questão de direitos humanos o cara é sincero.

Sr.Indignado

15/06/2013 - 07h16

Cedo ou tarde, todo tucano de São Paulo acaba fazendo isso. Usando setores da PM para criminalizar movimentos sociais. É preciso gerar provas, dar nome aos bois e denunciar.

Responder

Jose Mario HRP

15/06/2013 - 06h49

Uma virada na cobertura
Por Luciano Martins Costa em 14/06/2013 na edição 750

Comentário para o programa radiofônico do Observatório, 14/6/2013

De repente, não mais que de repente, o noticiário sobre as manifestações que paralisam grandes cidades brasileiras há uma semana sofre uma reviravolta: agora os jornais começam a enxergar os excessos da polícia e mostrar que no meio da tropa há agentes provocadores e grupos predispostos à violência.

Um dos relatos mais esclarecedores sobre o momento em que a passeata realizada na capital paulista na quinta-feira (13/06) deixou de ser pacífica é feito pelo colunista Elio Gaspari, na Folha de S.Paulo e no Globo (ver “A PM começou a batalha na Maria Antônia”). Ele descreve como uma equipe da tropa de choque se posicionou e agiu deliberadamente para provocar o tumulto.

Há também, na rede social digital, um vídeo mostrando um PM, aparentemente por orientação de um oficial, quebrando o vidro da viatura. A imagem, cuja autenticidade só pode ser confirmada pela própria Polícia Militar, está disponível no Youtube.

No Facebook, registro para a legenda colocada sob cenas dos conflitos, no noticiário da GloboNews durante a noite: “Polícia fecha a Avenida Paulista para evitar que manifestantes fechem a Avenida Paulista”. Nessa linha de raciocínio, pode-se imaginar também a seguinte manchete: “Polícia usa violência para evitar violência de manifestantes”.

Truculência e irresponsabilidade

Foi preciso mais do que evidências para a imprensa cair na real: os repórteres testemunharam dezenas de ações abusivas de policiais, como a retirada e o espancamento de um casal que tomava cerveja num bar, alheio à passeata, ou o lançamento de granadas de gás em meio aos carros travados nos congestionamentos.

Claramente, não se trata de bolsões descontrolados, mas de uma ação organizada dentro da corporação policial, o que mostra o esgarçamento da disciplina e do controle na Polícia Militar. A única possibilidade de desmentir tal observação é a ação imediata do comando, identificando e afastando das ruas os oficiais responsáveis por esses grupos.

A violência gratuita e excessiva ficou registrada nas páginas dos jornais, entre outras razões, porque desta vez houve mais jornalistas entre as vítimas de agressões. Sete deles são repórteres da Folha de S. Paulo. Isso talvez explique a mudança de tom nas reportagens, mas o relato da violência não esgota o assunto, apenas instala algum equilíbrio na visão dos fatos por parte da imprensa.

Para ampliar sua compreensão do que realmente se passa nas ruas da cidade por estes dias, o leitor tem que se valer de outras fontes além dos jornais e do noticiário da TV. Por exemplo, o vereador Ricardo Young, que acompanhou o indiciamento de alguns manifestantes detidos, registrou no Facebook um fato preocupante: policiais fizeram a revista de mochilas e bolsas longe de testemunhas, trocando conteúdos e inserindo em algumas delas materiais estranhos, como pedras e pacotes com maconha. Assessores do vereador denunciam que houve tentativa de “plantar” provas contra alguns dos manifestantes detidos.

É notória a má vontade da polícia, como instituição, contra jovens em geral, talvez ainda um resquício da ideologia de segurança pública que se consolidou durante a ditadura militar e que ainda orienta a formação nas academias. Os indicadores de agressões cometidas por agentes públicos contra homens jovens são um dos aspectos mais evidentes nos estudos sobre a violência nas grandes cidades brasileiras. O encontro dessa mentalidade com a irresponsabilidade de grupos de manifestantes que se julgam autores de uma revolução política pode resultar em tragédia.

Ações ilegais

Se algum fato mais grave vier a ocorrer em futuras manifestações, pode-se contar como grande a probabilidade de haver alguns desses policiais envolvidos. Portanto, a responsabilidade pelo que virá a partir de segunda-feira (17/6), quando nova manifestação está marcada para o Largo da Batata, na zona oeste de São Paulo, tem um peso maior na Secretaria de Segurança Pública.

Isso não quer dizer que a prefeitura e os líderes do Movimento Passe Livre, bem como os dirigentes dos partidos cujas bandeiras são agitadas por alguns ativistas, estejam isentos de arcar com sua parte na tarefa de prevenir o desastre.

A imprensa, que finalmente despertou para o fato de que há vândalos em ambos os lados do conflito, pode ajudar a identificar os comandantes dessas ações ilegais, assim como tem sabido apontar os autores de depredações durante os protestos.

Foi preciso que alguns jornalistas sofressem a violência no próprio corpo para que os jornais se dessem conta de que nem tudo é o que parece.

Responder

    francisco pereira neto

    15/06/2013 - 11h07

    “A imprensa, que finalmente despertou para o fato?”
    O Luciano me perdoe, mas está sendo infantil.
    A imprensa passou doze anos praticando vilania contra o governo de Lula/Dilma e agora que os resultados começam a ser atingidos, eles cairam na “real”?
    Se o capo Civita não tivesse passado dessa para uma pior, hoje ele estaria esfregando as mãos. Ele não disse que o objetivo dele era derrubar Dilma?
    Aliás, Dilma com essa postura, se não se mexer, vai cair sozinha. É isso mesmo, sozinha, porque o Zé Cardozo está no barco do Dantas, o Bernardão e a bonequinha Gleise estão com o PIG (ele é o porta-vos do controle remoto da Dilma), o Mercadante lambe botas do “seu” Frias, se abrigará na redação da Folha e a bancada do PT vai fugir para New York.

Roberto Locatelli

15/06/2013 - 06h25

Sobre o Movimento Passe Livre, vamos refrescar a memória dos que acham que se trata de um movimento contra Haddad – http://mariafro.com/2013/06/14/refrescando-a-memoria-dos-que-acusam-o-mpl-de-ser-um-golpe-contra-haddad/

Ao mesmo tempo, vamos reconhecer: já que o PT se retirou do movimento popular, agora encontrará resistência para retornar a ele – http://governismodoencainfantil.tumblr.com/post/52940357521/manifestacao-contra-aumento-das-tarifas-dando-o#.UbwpVdimUts

Esse movimento é liderado por PSTU, PCO, PSOL, etc. Por exemplo: a diretoria do Diretório Central dos Estudantes da USP está com o PSTU. Assim como a diretoria do Sindicato dos Metroviários de São Paulo. Não existe vácuo na política: se um partido se retira de determinado espaço político, outros tomam seu lugar.

Responder

Roberto Locatelli

15/06/2013 - 06h01

Alckmin é um fascista. E a liderança desse movimento é inexperiente, além de ser sectária. Para a PM, infiltrar gente entre a meninada é a coisa mais fácil.

Responder

luana

15/06/2013 - 04h28

Conceição, se você assistir ao programa do mascarado Datena deste dia, ele falava isto o tempo todo.

Responder

Gerson Carneiro

15/06/2013 - 04h11

O grande incentivador da truculência da PM:

RT @geraldoalckmin_: Depredação, violência e obstrução de vias públicas não são aceitáveis. O Governo de São Paulo não vai tolerar vandalismo.
Thu 13 Jun 21:02

Responder

Hugo

15/06/2013 - 03h19

Do Picolé de Chuchu eu espero qualquer coisa, foi assim no Pinheirinho, foi assim na Cracolândia, foi assim quinta-feira.

Nazitucanos estão em êxtase!

Responder

Avelino

15/06/2013 - 03h13

Isso já aconteceu na greve do magistério, durante o governo Serra, em que um policial, inclusive, tentou colocar fogo num carro, mas que foi visto, e os professores, conseguiram interromper esse ato, ele uma vez identificado, foi se esconder junto aos policiais que ali estavam.
Não é de hoje, que setores conservadores querem marginalizar os movimentos sociais, ou se aproveitarem dele, contra governantes progressistas.

Responder

Doug

15/06/2013 - 02h29

Isso é uma coisa grave que deve ser apurada!

Responder

Iza

15/06/2013 - 01h15

Eu não quero nada momentâneo, meu querido!
Daqui há duas semanas os pobres estarão tomando tapas na cara na periferia, como sempre, de qualquer filho da puta “preparado” pelo governo do Estado.
Vamos acabar COM A POLICIA MILITAR!
Pra que “policia militar”?
Estamos em guerra?

Responder

    Roberto Weber

    15/06/2013 - 07h19

    É isso mesmo: vamos propor aos nossos depufedes a criação de um projeto de lei pela extinção das polícias militares estaduais, junto com a extinção dos ainda existentes tribunais militares. A lei deve de ser aplicada pelas polícias civis estaduais, preferentemente unificadas e coordenadas pela PF; e tribunais militares para que, se nem a constituição vigente os prevê e sequer contempla em seu texto?
    Constituição neles já!

    Roberto Locatelli

    15/06/2013 - 11h29

    Assino embaixo!

    Conhecido meu, ex-oficial da PM, hoje blogueiro de esquerda, me disse: “A ditadura não acabou. Ela continua viva nas PMs de todo o Brasil”.

Elvys

15/06/2013 - 01h14

Bem, ainda tenho minhas restrições por conta de algumas siglas que lá estão, mas vamos lá: porque não fotografam os agitadores infiltrados (lembrem-se, hoje todo celular tem camera) postam e compartilhem em redes sociais, com um título tipo – ESSE É UM AGITADOR INFILTRADO – COMPARTILHEM!

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sílvia macedo

15/06/2013 - 00h11

Parabéns, Adriano, pela bela militância política. Um abraço.

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