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Wladimir Pomar: Lula e a modernização conservadora


18/03/2010 - 12h27

por Wladimir Pomar, no Correio da Cidadania

Os críticos do governo Lula reiteram, sem pestanejar, que Lula não teria rompido com a modernização conservadora. Reconhecem, porém, que houve algum tipo de ruptura ao optar por um modelo de desenvolvimentismo que privilegia o capital nacional. Daí a tese deles de que Lula estaria reorganizando o capitalismo brasileiro, mesmo não sendo avesso ao capital transnacional.

Alguns acreditam que, sob o governo Lula, o capitalismo brasileiro se tornou um global player, levando o país a um desenvolvimento que vai reiterar as mais doces expectativas acalentadas pela esquerda e pelos progressistas nos anos 1950 e 1960. O problema residiria na verticalização e centralização do Estado, capaz de esvaziar o debate público, a única forma de impedir que os mercados interno e externo se transformem no monopólio de um grupelho.

Reclamam, então, que Lula não atacou nem feriu de morte a hegemonia dos poderosos do agronegócio, das finanças e da grande indústria, permitindo que eles, ao se aninharem no interior do Estado, possam se apropriar das riquezas que serão geradas pelo desenvolvimento do capitalismo brasileiro. Postulam então que esse capitalismo seja organizado numa social-democracia avançada, com um Estado forte, mas sob controle da sociedade.

Com isso, a montanha crítica consegue, no máximo, parir um rato. Não discute, sequer, se nas presentes condições brasileiras, seria possível ter uma modernização não-conservadora. Isto é, uma modernização impulsionada por um Estado que ousasse combinar a construção de instrumentos de propriedade social (estatais e públicas) com a democratização da propriedade capitalista, evitando a formação de monopólios e oligopólios e utilizando mecanismos diferenciados para desenvolver as forças produtivas em combinação com uma constante e progressiva redistribuição de renda.

A história demonstrou que os Estados de bem-estar da social-democracia só conseguiram combinar a construção de instrumentos de propriedade social com a democratização da propriedade capitalista, assim como manter uma razoável redistribuição de renda, em condições históricas muito especiais. Isto é, enquanto podiam dominar mecanismos econômicos e políticos que lhes permitia transferir riquezas dos países dependentes da periferia, e enquanto estavam sob a pressão comparativa dos países socialistas europeus.

Quando essas condições se reduziram ou deixaram de existir, e o capitalismo se reestruturou em corporações transnacionais, a social-democracia teve que se transformar em social-liberalismo. Tornou-se incapaz de gerir um capitalismo que, ao mesmo tempo em que se desenvolvia, permitia que se redistribuísse a riqueza gerada de uma forma menos desigual. Assim, as sociais-democracias européia e brasileira não mudaram sua natureza por maldade, mas pela imperiosidade das novas condições do capital.

Por outro lado, o socialismo voltou à pauta. Porém, mais pelo fracasso do neoliberalismo e pelas contradições do capital do que pela ação dos socialistas. Portanto, deduzir que o retorno da problemática socialista à pauta social represente a criação imediata das condições para a transformação radical da sociedade brasileira é não só um sonho, mas um desejo voluntarista de primeira ordem.

Além disso, não devemos esquecer que, em nosso país, o capitalismo se desenvolveu tendo por base grandes empresas estatais e privadas, estas últimas também com o apoio do Estado. Ao contrário de outros países, em que o capital criou uma massa considerável de pequenos capitalistas, com força social e política, aqui isso não ocorreu.

Na verdade, a democratização da propriedade capitalista sempre foi vista como uma ideologia comunista, por paradoxal que isso possa parecer. A reforma agrária, de conteúdo essencialmente burguês, sempre foi tratada como uma reivindicação comunista.

As mobilizações sociais ocorridas no Brasil nos últimos 60 anos foram incapazes de impor a democratização da propriedade da terra e a democratização da propriedade capitalista. Nas zonas rurais, hoje o Brasil corre o risco de ver os remanescentes do latifúndio improdutivo serem transformados em grandes explorações agrícolas capitalistas, ou o chamado agronegócio, ao invés de ver ampliadas as explorações camponesas.

A tendência é de que as explorações camponesas sejam engolidas pela rápida expansão do agronegócio, transformando os lavradores autônomos em proletários rurais, operários industriais ou lumpensinato. Em outras palavras, as pequenas-burguesias industrial e agrícola no Brasil continuam sem ter força social suficiente para impor seus interesses próprios.

Nessas condições, a proposta de romper com a modernização conservadora pode ser muito bonita e teoricamente ideal, mas sua execução prática demandaria não apenas um governo como o de Lula, mas também um Estado suficientemente forte para realizar uma modernização democrática e popular. Nesse sentido, um Estado social-democrata, pela mudança da natureza da social-democracia, romperia com a modernização conservadora por seu lado pior. Isto é, liquidando a modernização, a exemplo do que fez FHC, mesmo que seu candidato fale em Estado ativo.

Nas condições presentes, para não paralisar a modernização, a pretexto de que ela é conservadora, talvez a política mais adequada resida em introduzir modificações que permitam reforçar a participação do capital estatal no pacto com os capitais privados nacionais e estrangeiros, ampliar significativamente a presença do pequeno capitalismo (ou capitalismo democrático) na sociedade e criar condições favoráveis para a participação democrática e popular nas decisões do Estado.

Ou seja, no contexto atual, o que pode realmente introduzir mudanças na modernização conservadora é o desenvolvimento da musculatura das empresas estatais, da força econômica da pequena-burguesia urbana na indústria e nos serviços e da pequena-burguesia rural na agricultura, e da força social dos trabalhadores assalariados urbanos e rurais na sociedade e na participação política.

Wladimir Pomar é analista político e escritor.



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32 comentários

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Bernardo

19 de março de 2010 às 14h37

Muito interessante !. Vou fazer um comentário sobre um trecho que achei o mais rico do texto:

"Reclamam, então, que Lula não atacou nem feriu de morte a hegemonia dos poderosos do agronegócio, das finanças e da grande indústria, permitindo que eles, ao se aninharem no interior do Estado, possam se apropriar das riquezas que serão geradas pelo desenvolvimento do capitalismo brasileiro. Postulam então que esse capitalismo seja organizado numa social-democracia avançada, com um Estado forte, mas sob controle da sociedade.

Com isso, a montanha crítica consegue, no máximo, parir um rato. Não discute, sequer, se nas presentes condições brasileiras, seria possível ter uma modernização não-conservadora. Isto é, uma modernização impulsionada por um Estado que ousasse combinar a construção de instrumentos de propriedade social (estatais e públicas) com a democratização da propriedade capitalista, evitando a formação de monopólios e oligopólios e utilizando mecanismos diferenciados para desenvolver as forças produtivas em combinação com uma constante e progressiva redistribuição de renda."

Ok. Não temos muita alternativa atualmente, visto que nenhum dos possíveis candidatos a presidência com chances reais de levar a eleição sequer falam em reforma agrária ou coisa parecida. Isso não significa dizer que por conta disso essas demandas estão mortas ou que isso vai ficar adormecido ou mesmo desaparecer. Qualquer pessoa de bom senso e com algum conhecimento sabe que em algum momento haverá o embate necessário entre o velho – atualmente setor financeiro e latifundio – contra o novo – principalmente classe C, mas pode por sem-terras aí no meio entre outros movimentos sociais. Quando o embate houver, ficará claro para todos os limites do lulismo enquanto solução para os problemas políticos do país. Na república de 46, em um espaço de 10 anos, Getúlio Vargas fez algo parecido com Lula em sua época – modernização conservadora – até que apareceu João Goulart antevendo a necessidade das reformas de base. Quanto tempo demoraremos nesta nova república para que surja um presidente querendo implantar uma versão atualizada do programa de reformas de base de Goulart ?

Responder

    francisco.latorre

    19 de março de 2010 às 15h13

    o embate é agora.

    a eleição de dilma. e novo congresso.

    outra coisa… se falar muito… nada acontece…

    a dilma vai chegar lá… mineiramente.

    pra não fazer marola.

    Saulo Petean

    20 de março de 2010 às 02h50

    sim… desse jeitinho místico a dilma vai chegar lá,
    como o lula lá, e o novo congresso, ha, ha, ha.
    e as estatísticas do ibge vão confirmar:
    a bolsa família tirou tantos e quantos da pobreza
    e nós acreditaremos que R$ 170,00 por mês
    é mesmo capaz de acabar com a fome do pobre

    francisco.latorre

    23 de março de 2010 às 00h30

    a fome do pobre?…

    tá diminuindo.

    é por aí… ou não?…

Ralf Rickli

19 de março de 2010 às 13h01

O melhor deste artigo é mostrar que ainda há PENSAMENTO VIVO na esquerda, capaz de deixar a realidade falar e aí interagir com ela, e não meramente repetir clichês acreditando que são mais reais que a realidade! Valeu, Pomar!

Responder

Acelino Carvalho

19 de março de 2010 às 12h52

Azena,
Sou professor na UEMS e UFGD e leitor do seu blog. Gostaria de saber o contato (e-mail ou telefone) do Wladimnir Pomar.
Atenciosamente
Acelino Carvalho

Responder

Leosfera

19 de março de 2010 às 11h47

O que se deveria por com todas as letras é: há uma camada de decisões que é do Deus Mercado, a partir daí você é livre para fazer isso ou aquilo. Temos também as forças conservadoras que ainda tem seu peso e o resultado é um partido de esquerda no poder, mas engessado. Aí fica melhoe racionalizar e tentar mostrar que tinha que ser assim, somos vítimas das circunstâncias – mas no campo teórico, não se tocam os processos reais. Tergiversação de mão cheia de quem ainda quer se acreditar esquerdista.

Responder

Fabio_Passos

19 de março de 2010 às 11h23

Percebam que a Luiza Erundina não está pedindo a expropriação dos meios privados de produção…

"A questão dos direitos humanos, das comunicações. É preciso superar esse estágio de atraso, de monopólio, de oligopólio das comunicações do país."
Luiza Erundina

… ela está pedindo por democracia.
É pedir muito?

Como é que pode o governo manter o helio costa da globo como ministro das comunicações?

http://www.tijolaco.com/?page_id=26

Responder

Fabio_Passos

19 de março de 2010 às 11h07

Uma análise muito lúcida sobre as eleições pelo Ivan Valente em entrevista a Caros Amigos:

"
Ivan Valente (PSol) – Corremos o risco de ficar na superficialidade da falsa polarização. O problema aqui é que a direita é tão truculenta, preconceituosa e protofascista – principalmente a que está à frente de alguns veículos da chamada grande imprensa e é aliada do tucanato, como a Veja, por exemplo –, que acaba por realçar os poucos elementos progressistas do governo Lula. É o caso da recém- -polêmica do Plano Nacional de Direitos Humanos, quando o governo foi tensionado e optou pela linha de menor resistência, recuou e fez acordo com os setores mais conservadores de dentro do próprio governo. A lógica que predomina é a de acobertamento das diferenças, assim, quem dá linha do governo são os setores mais conservadores, a base aliada mais fisiológica (como no caso da crise do Sarney) e o grande capital, que tem seus interesses intocados. É o governo que concilia o tempo todo, que não enfrenta o agronegócio, que faz genuflexão aos interesses dos ruralistas, como na questão do código florestal, que é um enorme retrocesso na questão ambiental no país.
"

A íntegra está lá no blog do Brizola Neto:
http://www.tijolaco.com/?page_id=26

Vejam que não tem nada de uma defesa da ruptura socialista.

É uma crítica aos acordos exdrúxulos feitos pelo governo Lula com os setores mais atrasados da sociedade. Recuos sem sentido que impedem conquistas civilizatórias elementares.

Responder

Clóvis

19 de março de 2010 às 03h45

Creio que num cenário como a sociedade brasileira atual, não há perspectivas de avanço maior, das propostas populares, visto a dominação existente pela mídia e pelos donos do capital.
Um avanço ou uma ruptura maior, demandará do apoio popular… O governo o terá??? É difícil de prever!!!
Porém, dada as condições atuais, o governo Lula, conquistou avanços importantes… e serão imprescindíveis no futuro, visando uma nova ordem economica e social…

Responder

Ismar Curi

19 de março de 2010 às 03h04

Quando se fala que as condições não estão dadas, significa também que há outras condições que já estão dadas, e seria de bom tom, não ficar pensando no que não está, mas, também naquilo que está. Em outros termos, quem tem as palavras de ordem hoje, quem enuncia o que pode ser enunciado? Os sociais democratas, ora bolas, suas palavras de ordem surpreendem pela força que tem sobre as coisas que devem acontecer de uma forma ou de outra, enquanto isso eles ficam na perplexidade (veja-se o comportamento da mídia/oposição sobre a popularidade de Lula).
Quem de nós da esquerda não se lembra dos anos Tatcher-Reagan, quando o muro caiu, só nos restou apear e arquivar nossos planos, ou então, voltar, quero dizer, retrogredir às Academias perplexos… parar e pensar, sentar sobre a pedra e chorar. Mas, realidade é realidade, o tempo passou e o mundo girou de novo, na verdade parece que a social democracia é a última chance de um capitalismo às voltas com a tremenda crise ambiental do novo mega ciclo econômico promovido pela China.

Responder

O vice do Lula?

19 de março de 2010 às 00h01

Achei o discurso do sudito(Wladimir Pomar),mais realista do que o da realeza(Lula),esta é uma tradução certeira e afirmativa da forma como a social democracia atua neste momento com o capitalismo globalizado.Falou tanto de tudo e de todos,só se esqueceu de uma coisa,aonde é que entra a classe assalariada nesta exploração toda,digo,neste "desenvolvimento" todo,ou seja,falou mais do mesmo,distribuir migalhas para os pobres e concentrar cada vez mais,nas mãos de meia duzia de capitalistas,toda a riqueza produzida socialmente pela classe trabalhadora,isso tudo,sem maldades,claro.

francisco.

Responder

Clovis Campos

19 de março de 2010 às 02h15

Essa tese é a ressurreição do PCB dos anos 50/60, e que me parece ter sido uma das causas do racha e da criação do PCdoB.

Naquela época não só ela era válida como tinha sentido de avanço. Hoje há muito mais condições de modernização, sem pagar tanto tributo à direita reacionária. Até pela aprovação recorde de Lula.

Porque um Supremo tão conservador se Lula nomeou oito dos onze ministros? Porque a reforma agrária não se dá ou ocorre em passos tão lentos? Porque os índices de produtividade, que são de 1975, não foram alterados? Dependem apenas de portaria ministerial, sequer de uma lei congressual.

Há timidez. Se o governo Lula avançou, não o fez mudando estruturalmente a sociedade. Não ousou. Está, sim, realizando uma modernização conservadora nos limites impostos pela burguesia e aceitos por ele a título de conciliação.

Comparativamente ao período FHC é um governo muito melhor, mas terminará o mandato sem ter avançado na iníqua concentração da propriedade, seja urbana ou rural. Aliás, o IBGE indica ter havido concentração, pequena, da propriedade rural

Minha esperança é que Dilma, pelo seu passado ideológico possa avançar na distribuição da propriedade, que é a real e efetiva distribuição de renda. Não falo de socialismo, mas de reforma capitalista que privilegie o caráter social da propriedade.

Responder

    francisco.latorre

    19 de março de 2010 às 03h36

    a mancada do lula foi mesmo o supremo.

    importante demais pra ser negociado. grande equívoco.

    e dilma vai avançar. com certeza.

    2011 será surpreendente.

    principalmente levando em conta a renovação no congresso.

    a surra que os entreguistas reacionários vão levar.

Fabio_Passos

19 de março de 2010 às 00h02

É mais grave.

Há inúmeras decisões do governo Lula que indicam conformismo:
– A submissão ao capital especulativo mantida mesmo após a ruína neoliberal.
– Os recuos e hesitações em bancar o PNDH3.
– O privilélio e favorecimento ao agronegócio em detrimento a agricultura familiar.

Inverter esta lógica sequer significa ruptura com o capitalismo… seria apenas arbitrar em favor de um exforço civilizatório.
Há massa crítica na sociedade para viabilizar mudanças profundas dentro do sistema.

Mesmo com uma popularidade imensa – a maior da história – o governo Lula não apoiou estas mudanças.
Um erro crasso.

Responder

    francisco.latorre

    19 de março de 2010 às 01h06

    o rupturismo não encontra eco na população.

    logo não é factível.

    ou seja… não está no horizonte de eventos.

    o futuro chegou. e é esse aí.

    tô achando aproveitável.

    aliás divertido.

    com certeza mais do que podíamos esperar.

    ___

    o rumo é outro. e o avanço tem sido constante.

    com certeza haverá surpresas no terceiro mandato popular.

    importa consolidar o avanço pra aprofundar a mudança.

    Fabio_Passos

    19 de março de 2010 às 03h37

    Deixar de transferir + de R$150 Bilhões dos pobres para os ricos e investir este dinheiro em hospital, escola, infra-estrutura não encontraria eco na população?

    E isto não tem nada com socialismo. Seria apenas bom senso. Dentro do sistema podre que está aí.

    Carlos

    19 de março de 2010 às 13h30

    Pergunta garrinchiana: combinaríamos com os russos?

    Fabio_Passos

    19 de março de 2010 às 14h01

    É preciso combinar com os interesses nacionais: indústria, agricultura e trabalho. Imagino que o governo tem capacidade para isso. Uma pena que não exercitou esta capacidade.

    O que não pode é combinar o jogo apenas com a banca e submeter o Brasil ao cassino da especulação como é hoje.

    Mário Kodama

    19 de março de 2010 às 04h43

    Francisco, foi a melhor definição da conjuntura brasileira, sob o governo Lula, que eu vi até agora. Não adianta chorar o leite derramado. Temos que nos virar com a história nos legou. Não adianta criticar o processo histórico. Fazer isso é como reclamar porque o vento desvia da árvore. O negócio é aproveitar o melhor possível o que temos na mão, que não é uma situação tão mal assim. É incrível como extrema direita e extrema esquerda se aproximam. A teoria de que os extremos se parecem. O primeiro critica porque o governo Lula está, por pior que pareça, criando massa crítica e cidadania com a participação cada vez maior de uma massa pobre para o nível de classe média, e o outro porque acredita que quanto pior melhor para a ruptura e o início da revolução socialista. Mas o melhor é deixar gregos e baianos para trás e viva o governo Lula e Dilma presidente.

    Gunther Furtado

    19 de março de 2010 às 12h26

    Me diga só uma coisa: que fatos dos dois mandatos do Lula remotamente conferem-lhes a alcunha de "mandatos populares"? Em que setor pode se dizer que houve aumento da importância da população na tomada de decisões pelo poder público?

    De resto, concordo plenamente que o presente é melhor e mais divertido (acrescentaria ainda menos previsível) do que se poderia esperar há dez anos.

    JORGE MORAES

    19 de março de 2010 às 03h14

    Erro crasso mesmo, Fábio, foi escrever "exforço" (com "x"!). Pela qualidade de seu texto, no entanto, só posso creditá-lo à proximidade entre o "s" e o "x" no teclado.

    Mas este comentário, claro, não é para falar disso, o que seria uma brincadeira, e de pouca graça. A questão é de conteúdo. Mesmo que as premissas que alinhou tenham um tanto de verdade (a meu juízo, logicamente), prossegue o problema central, há realmente massa crítica para as mudanças profundas reclamadas? Desconfio que não. Infelizmente, por sinal. Uma coisa é o desejo, outra é a sua realização dele. Enfim, "querer é poder" é só um ditado. Mas, de qualquer forma, congratulo-me contigo. Espero que tenha aceitado a brincadeira inicial.

    No mais, um abraço.

    Fabio_Passos

    19 de março de 2010 às 13h56

    Além do "querer" e do "poder" há algo fundamental que você esqueceu: A necessidade.

    É necessário para o Brasil promover estes esforços civilizatórios.
    Esforços de que o governo Lula abdicou.

    A questõa da massa crítica em minha opinião é evidente e não apenas pela aprovação de mais de 80% do governo, mas inclusive porque o fim da hegemonia da especulação financeira por ex, teria apoio de grande parte da indústria e agricultura de base conservadora.

    Temos um grupelho de especuladores comandando a política econômica do Brasil. Por mais poderoso que seja, após a ruina do cassino global, não conseguiria impedir um avanço contundente em direção a produção e ao trabalho.

    Carlos

    19 de março de 2010 às 18h42

    "Há massa crítica na sociedade para viabilizar mudanças profundas dentro do sistema."
    Só na cabeça dos convertidos…
    Onde tal massa crítica? Uniforme em todo o País ou localizada?
    Pessoal que cobra radicalizações deveria sair do casulo e ouvir pessoas não vinculadas a partidos políticos, que não elocuibram em "análises de conjuntura", sem tentar convertê-las ao credo.

dukrai

18 de março de 2010 às 22h25

Os meus irmãos petistas, 15 anos mais novos do que eu, zoavam de mim porque eu era, e sou, brizolista, votei nele para presidente e para vice do Lula.Taí, hoje estamos no mesmo barco e o Brizola assinaria este artigo sem piscar.

Responder

francisco.latorre

18 de março de 2010 às 20h38

claps claps.

chega de voluntarismo infantil.

a hora é de pragmatismo cético.

Responder

Luciene

18 de março de 2010 às 20h29

Até pode fazer algum sentido… porém me responda?
Como pode " realmente introduzir mudanças na modernização conservadora, o desenvolvimento da musculatura das empresas estatais, da força econômica da pequena-burguesia urbana na indústria e nos serviços e da pequena-burguesia rural na agricultura, e da força social dos trabalhadores assalariados urbanos e rurais na sociedade e na participação política" se são esses os que estão "pagando a conta" não apenas das políticas sociais, mais ainda da enorme corrupção permitida aos "de sempre" e assombrosa e brutalmente perpetrada pelo grupo político que está no poder, a turma do Lula. É difícil até sobreviver, meu amigo!

Responder

Uiran

18 de março de 2010 às 18h43

Isso é uma resposta ao Hamilton de Souza? Se não é, deveria ser…

Responder

    Flavio Lima

    19 de março de 2010 às 11h14

    Concordo que parece, ou se encaixa.
    Azenha, tava tão legal tirar com o Hamilton (note que escrevo com maiuscula). Voce tirou o post dele pra não perder a amizade, ou pra não tira-lo do mundinho de ilusão no qual ele vive? Ele surtou com voce?

    viomundo

    19 de março de 2010 às 12h39

    Eu não tirei o post dele. Continua nos mais recentes. abs

    Flavio Lima

    19 de março de 2010 às 17h55

    Uau, resposta direta do Azenha!
    Vou procurar o post.
    Ok temos que ter respeito democratico pelos companheiros mais a esquerda, mas não consigo não tirar uma com eles.
    Valeu a resposta, Azenha.
    E que belissimo trabalho esse seu!

    Alvaro

    19 de março de 2010 às 11h25

    Ou é uma Resposta ao artigo do André Singer?


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