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Weissheimer: Serra tem saudade da ALCA


28/04/2010 - 12h27

Serra repete discurso pró-ALCA da campanha de Alckmin

Ao caracterizar Mercosul como uma “farsa” e defender a “flexibilização” do bloco, o ex-governador José Serra repete discurso usado na campanha de Geraldo Alckmin em 2006. Menor peso para o Mercosul e retomada das negociações para uma Área de Livre Comércio nas Américas fazem parte da agenda política do PSDB. Senador tucano chegou a prever que “ALCA sairia com ou sem o Brasil”. E o governador mineiro Aécio Neves enviou carta ao presidente Lula, em 2003, propondo que Belo Horizonte fosse a sede da ALCA.

Marco Aurélio Weissheimer, na Carta Maior

O pré-candidato à presidência da República, José Serra (PSDB), vem tentando consertar as críticas que fez ao Mercosul durante palestra na Federação de Indústrias de Minas Gerais. Serra disse que o bloco sulamericano era uma “farsa” e “uma barreira para que o Brasil possa fazer acordos comerciais”.

Diante da repercussão negativa das declarações, especialmente nos países parceiros do Brasil no Mercosul, o ex-governador de São Paulo recuou dizendo que defende apenas a “flexibilização do bloco”. “O Mercosul deve ser flexibilizado de modo a evitar que seja um obstáculo para políticas mais agressivas de acordos internacionais”, disse Serra em entrevista à Folha de S.Paulo. A mudança de discurso, na verdade, foi uma troca de seis por meia dúzia. A integração sulamericana nunca faz parte da agenda de Serra e de seu partido o PSDB.

Além de desastradas diplomaticamente, as declarações de Serra não são sequer originais. Elas foram repetidas por lideranças tucanas no início da campanha de Geraldo Alckmin, em 2006. Logo após ser anunciado como candidato do PSDB à presidência da República, Alckmin começou a discutir com um grupo de especialistas reunidos por ele, que recebeu o apelido de República dos Bandeirantes.

Esse grupo definiu a agenda do que seria um governo tucano no Brasil: reforma trabalhista radical, com corte de encargos e direitos; privatização de todos os bancos estaduais, fusão dos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário (ou seja, o fim deste último), adoção da política do déficit nominal zero, menor peso ao Mercosul e retomada das negociações da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA).

Ao chamar o Mercosul de “farsa” e defender a “flexibilização” do bloco, Serra está apenas repetindo o que disseram em 2006, Roberto Giannetti da Fonseca (empresário, ex-secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior), Arthur Virgílio (então líder do PSDB no Senado) e o governador de Minas Gerais Aécio Neves, etre outros.

Em matéria publicada no dia 10 de janeiro de 2006, a Folha de S.Paulo definiu assim o pensamento de Giannetti da Fonseca sobre uma futura política externa tucana: “pouco simpático ao Mercosul no formato atual, cobra evolução mais rápida dos acordos comerciais com a ALCA e as negociações com a União Européia”. Em novembro de 2005, o senador Arthur Virgílio aproveitou a visita de George W. Bush para defender a retomada das negociações da ALCA.

Para Virgílio, a aliança comercial com os EUA era de interesse do Brasil e deveria “ser buscada e perseguida e não suportada ou adiada”. A ALCA surgirá com ou sem o Brasil, profetizou na época o senador tucano. “Sem o Brasil, ela fará a alegria do México”, acrescentou, defendendo que a prioridade da política externa brasileira deveria ser um pacto político com os EUA em troca de vantagens comerciais claras, incluindo aí a queda de barreiras alfandegárias.

Nenhuma das previsões do senador se concretizou. A ALCA não surgiu sem o Brasil e o México não fez a festa com ela. Quando a maioria dos governos da América Latina decidiu apostar na integração regional em detrimento da proposta da ALCA, o discurso tucano perdeu força, sendo agora recuperado por Serra.

A simpatia do PSDB em relação à ALCA manifestou-se também através de outras iniciativas. Em 2003, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, encaminhou correspondência ao presidente Lula apresentando a candidatura de Belo Horizonte para abrigar a sede permanente da secretaria geral da futura Área de Livre Comércio das Américas.

Na carta, Aécio defendeu, entre outras coisas, que o Brasil deveria incluir, na sua pauta de negociação sobre a criação da área de livre comércio hemisférica a proposta de trazer para cá a sede da organização. “A questão da cidade-sede da área de livre comércio torna-se particularmente estratégica. São evidentes os ganhos oriundos de abrigar a ALCA não apenas para Minas Gerais, mas para todo o Brasil”, profetizou o governador mineiro.

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12 comentários

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CAP DUREZA

29 de abril de 2010 às 15h49

Ahhh,e não podemos nos esquecer tambem,da subserviencia militar desta turma,que queria colocar uma base militar norteamericana em Alcantara,e desta forma,dominar de vez a amazonia e sua biodiversidade. A bem da verdade esta turma tá tentando fazer isto desde 1929. Temos que estinguir esta raça de entreguistas,felizmente o DEMO vai cair mais um pouquinho na proxima eleição,depois será a vez do psd….. . SDS

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Tavaresdemello

29 de abril de 2010 às 14h25

Se eu fosse da elite ou do governo estadunidense, estaria investindo forte na campanha do Zé Biruta…
E aí? Washington ainda não deu pinta não?

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augustinho

29 de abril de 2010 às 14h03

Com o mexicc, depois da Alca, aconteceram quatro coisas:
1-as maquiladoras da fronteira foram p/a China e as que ficaram se tornam mairionetes do sweatshop do consumo americano, sem melhorias sociais na região 2- o narco trafico se tornou a maior ameaça mexicana; 3-Após ser super.explorado o petroleo do golfo do mexico, a Pemex descobriu que suas reservas diminuiram alarmantemente 4-
4-Houve a ultima eleiçao presidencial, com interferencia externa, e que foi comprovadamente FRAUDADA em grande escala simplesmente para impedir a vitoria de um esquerdista bem moderado, Manuel Lopes Obrador.
Ocorreu só isso.

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mila

29 de abril de 2010 às 13h10

Como esta o MEXICO que se atrelou ao NAFTA por imposição dos USA, que tentaram fazer o mesmo com o Brasil com a ALCA?Literalmente QUEBRADO.
É como estaria o BRASIL se os tucanos tivessem ganho as eleições de 2002 e se atrelado a ALCA, ou seja, QUEBRADO. O projeto dos tucanos é quebrar o Brasil pela QUARTA VEZ, dando prosseguimenbto ao governo FHC que QUEBROU TRÊS.

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beattrice

29 de abril de 2010 às 03h16

Azenha
Durante longos 8 bons anos não ouvi mais falar nesse pesadelo chamado ALCA.
Aí vem a dinastia tucana, sacode o mofo, espanta o pó, achando que tem "po-de-mais", e começa essa cantilena enfadonha de ALCA prá lá prá cá.
Porque o Zé Trolloló nunca apresenta uma idéia nova, se apresenta e é boa não é dele.

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Rodrigo

28 de abril de 2010 às 22h35

Eles tão sem um Chatô. Fica um pouco mais difícil…
Ainda bem!

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Gilson Raslan

28 de abril de 2010 às 21h46

O José Serra está se portando como o Ali Kamel: TESTANDO HIPÓTESES. Se suas ideias forem bem recebidas, continua como o lenga-lenga (ou trololó), caso contrário, vai o PIG e diz que não foi bem isso que quis dizer.

Qualquer pessoa de mediana inteligência, se não representar as forças do atraso, jamais votará em candidato DEMOTUCANO.

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Nelson

28 de abril de 2010 às 20h00

Sem dúvidas, a ALCA, ou melhor, o NAFTA, está fazendo a alegria do Mexico e dos mexicanos.
A alegria dos mexicanos ricos: mão-de-obra cada vez mais barata e campo aberto, livre de empecilhos, para a destruição ambiental. A alegria dos traficantes de drogas: a degradação da sociedade mexicana á brutal.
E que ninguém pense que o nobre senador não é sabedor de tudo isso. Ele sabe, sim. É que as coisas que dizem respeito ao povo mais humilde não têm o mínimo interesse para ele.
O que ele gosta é das altas rodas, dos ricaços, do grande capital.

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Leider_Lincoln

28 de abril de 2010 às 19h43

Não é por nada não, mas dizendo as besteiras que diz acho que quanto mais espaço o PSDB/DEM tiverem no horário eleitoral, mais certa e rápida será a derrota deles…

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Urbano

28 de abril de 2010 às 19h31

Se eu tivesse competência para ter um blog, eu faria a seguinte chamada: "zé burranha, o político papel-carbono".
A única coisa essencialmente original e autêntica nele era o sorriso, mesmo assim o pig, através de um determinado software, falseou.

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Ruy barbosa Maciel

28 de abril de 2010 às 17h32

A UDN, sempre foi é e será entreguista e adoradores da metrópole do norte, hoje os tucanos de alta plumagem incluindo o Minas Boy, aquele que das praias do Leblon, dizem governar minas, e que foi brindado com artigo escrito a 4 mãos pelo seu mui respeitoso amigo Zé Inacabado, vulgo Zé serra, segundo Elio gaspari, que assim o trata, no Estadão, "Pó para governador?" Representam o criador do entreguismo e americanofilismo da elite? De extrema direita do Brasil, o corvo da rua Chile, Lacerda. Querem voltar á velha política Caracu, que a diplomacia de FHD ( d de doar) exercia de forma submissa aos USA e na sociedade entrava com a segunda parte, da tal diplomacia Caracu. Querem de volta os Lamapreias os M.G Lafer a andarem sem sapatos nos lustrosos pisos dos aeroportos dos Ianques sobre olhares sorridentes dos guardinhas americanos, coisa que no governo Lula nem no sonho ocorre.

Ruy Barbosa maciel- Governador Valadares MG

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Carlos

28 de abril de 2010 às 17h12

"Roberto Giannetti da Fonseca (empresário, ex-secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior)"
.
Guru econômico de Marina Silva…

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