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Washington Novaes: O terreno difícil dos agrotóxicos


27/05/2011 - 10h35

O terreno difícil dos agrotóxicos

27 de maio de 2011 | 0h 00

Washington Novaes – O Estado de S.Paulo

Neste próximo mês de junho entra em vigor resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que proíbe (desde janeiro) a produção e a comercialização de agrotóxicos que contenham como ingrediente ativo o metamidofós. O veto à comercialização programado só para junho visou a evitar que houvesse este ano prejuízos para cultivos, com indisponibilidade de substitutos. Mas em junho de 2012 ficará proibido todo e qualquer uso do metamidofós.

Os estudos que levaram à resolução concluíram que esse inseticida – usado no País em lavouras de soja, algodão, feijão, batata, trigo, tomate e amendoim – “não oferece segurança nem para trabalhadores, nem para consumidores, nem para a população em geral” que possa estar exposta a seus resíduos: foi considerado neurotóxico e imunotóxico, com atuação prejudicial aos sistemas endócrino, reprodutor e ao desenvolvimento embriofetal. No Brasil, tem um consumo anual em torno de 8 mil toneladas de ingrediente ativo.

O produto já está proibido em vários países, até mesmo na China. A resolução da Anvisa – que estudava o problema desde 2008 e ficou 75 dias em consulta pública, na qual teve 34 manifestações favoráveis e 22 contrárias – foi aprovada por unanimidade pela Comissão de Reavaliação Toxicológica (que tem membros da própria Anvisa, do Ibama e do Ministério da Agricultura). E já tivera uma nota técnica, com estudos publicados e literatura científica, avaliada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Mas setores da produção e da comercialização, inconformados, continuam a contestá-la. E há uma ação à espera de decisão na Justiça Federal em Brasília.

É uma questão em que se contrapõem fabricantes e produtores agrícolas, de um lado, e cientistas, ambientalistas e sanitaristas, do outro. E não é só aqui. Há poucos dias encerrou-se em Genebra a V Conferência das Partes do Convênio de Estocolmo sobre Contaminantes Orgânicos Persistentes, no âmbito do qual já foram proibidos 21 produtos. Que incluem pesticidas, substâncias industriais e produtos que se propagam pelo solo, pelo ar e pela água, além de se acumularem em tecidos de organismos vivos – incluindo humanos. São, portanto, tóxicos para as pessoas, para a fauna e para a flora. Podem ser transmitidos pelo leite materno, podem causar câncer, problemas reprodutivos e alterações no sistema imunológico.

Esse tema dos agrotóxicos precisa de muita discussão no Brasil.

Na China, como informaram alguns jornais, há pouco registrou-se na Província de Jiangsu perda praticamente total da safra de melancias porque, na ânsia de apressar o crescimento e a venda, os produtores usaram agrotóxicos em excesso. E as melancias passaram a explodir nas estufas. No Brasil, o uso de alguns produtos levou a gravíssimos problemas de saúde entre os trabalhadores, principalmente em lavouras de fumo. Num mercado mundial cada vez mais atento a problemas dessa natureza, usos inadequados podem levar até a restrições ou proibições de importação.

E o panorama brasileiro nessa área, como já foi assinalado neste espaço em artigo anterior (18/4), merece muita atenção e cuidado. Já somos os maiores importadores de agrotóxicos do planeta, com um consumo médio anual de 14 litros por hectare cultivado, mais 180 mil toneladas anuais de fertilizantes. A importação aumentou mais de 20% em uma década e chegou a 80% do consumo total (quando era de 20% há 30 anos). Hoje, importamos 74% do nitrogênio, 49% do fósforo, 92% do potássio. Nossa importação total de defensivos chegou a US$ 6,6 bilhões em 2009, quando o total no mundo ficou em US$ 48 bilhões.

O preço médio dos fertilizantes também teve forte alta em 2010, com influência considerável no preço dos produtos, já que dependemos em 81% de fertilizantes importados. Tanto que o relatório do Banco Central de 12 de outubro de 2010 já mencionou que o maior fator de alta no preço de commodities incluía essa questão. O índice de commodities agropecuárias (açúcar, soja, trigo, carne) acusou, em dez meses do ano passado, alta de 46%. Para avaliar essa influência basta lembrar que hoje, no Brasil, as lavouras de cana-de-açúcar usam 6,3 litros de agrotóxicos e insumos químicos por hectare cultivado; as de milho, 6,7 litros; as de soja, 15,4 litros; e as de algodão, 39,2 litros. O consumo total, de quase 1 bilhão de litros por ano, equivale a seis litros por habitante do País.

Quando se retorna às questões de saúde, vale a pena ouvir palavras do professor Wanderlei Pignati, médico e doutor na área de toxicologia, professor na Universidade Federal de Mato Grosso, que, em parceria com a Fiocruz, estuda a questão no município de Lucas do Rio Verde (MT), onde há cinco anos houve um acidente de contaminação tóxica de pessoas por pulverização aérea de defensivos. Ele analisou 62 mulheres que amamentavam bebês. Todas as amostras “revelaram a presença de algum agrotóxico”, inclusive o DDT (diclorodifeniltricloroetano), já banido, e o endossulfan, “proibido há 20 anos na União Europeia”, mas que somente será banido no Brasil em julho de 2013. “O metamidofós”, também encontrado, diz professor Wanderlei Pignati, “é cancerígeno e neurotóxico”.

Segundo o toxicologista, legislação, no Brasil, há: “Mas existem alguns furos. Primeiro, quem está fiscalizando? (…) E os critérios, como a distância de 500 metros de nascentes de água, casas, criação de animais, ninguém respeita.” E acrecenta: “O litro de água que você bebe hoje pode ter 13 tipos de metais pesados, 13 tipos de solventes, 22 tipos de agrotóxicos diferentes, 6 tipos de desinfetantes. Hoje, a questão mais importante na contaminação da água não é mais a bactéria, mas toda essa contaminação química” (Agência Brasil de Fato, 28/4).

Então, é preciso ter políticas adequadas, legislação competente. A agricultura é fundamental para o País. Mas, na área dos agrotóxicos e dos insumos químicos, é preciso muito cuidado, até para não ter, além de problemas internos de saúde, barreiras comerciais externas.

JORNALISTA

E-MAIL: [email protected]

PS do Viomundo: A reportagem do Brasil de Fato a que se refere o autor, aqui, na verdade é reprodução de entrevista publicada por este site, aqui.

Aqui para ler entrevista com a pesquisadora que investigou os agrotóxicos no leite materno.

Aqui para ler entrevista com a pesquisadora que investigou a relação entre agrotóxicos e doenças respiratórias.

E aqui para ler entrevista com a professora Raquel Rigotto, que pesquisa o mesmo tema no Ceará.

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



20 comentários

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Nics

29 de maio de 2011 às 04h10

Conclusão: quem não morrer de fome , vai morrer envenenado !

Responder

FrancoAtirador

27 de maio de 2011 às 22h41

.
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A CORPORAÇÃO

[youtube Sx8zJ0Df4V8 http://www.youtube.com/watch?v=Sx8zJ0Df4V8 youtube]

Responder

Regina Braga

27 de maio de 2011 às 18h20

Se no Congresso, há 410 ruralistas,como esperar alguma proposta, que nos proteja? Nem fiscalização é feita…Assassinatos são feitos na Cara do Estado,hoje,mais um líder foi assassinado em Rondônia…Os índios estã sendo viciados no ôxi…Desmatamentos em troca da eleição…Se o GOVERNO FEDERAL não agir com força,vamos continuar reféns de políticos mafiosos e de máfias internacionais.

Responder

betinho2

27 de maio de 2011 às 15h46

China tem área cultivada 4,4 vezes maior que o Brasil. EEUU 3 vezes maior. Índia também bem maior.
Porém somos campeão em uso total de venenos (que eles chamam de insumos ou agrotóxico). Com certeza algo está errado.

Mas mais uma vez temos que agradecer o fato de termos eleito Lula e Dilma. O Projeto Xisto Agricola, numa parceria da Petrobras e Embrapa, a partir de 2004, depois que Lula soltou a fernandina roda presa dessas 2 estatais, vem pesquisando sobre a utilização do Xisto na agricultura. Alguns produtos já foram patenteados e licenciados para o mercado. Será nossa grande revolução agricola se não for interrompido por novos entreguistas fernandinos. O Xisto, comprovadamente é um fertilizante agroecológico, que substituira os agroquímicos importados, além de terem em sua composição também os microelementos, dando melhor equilíbrio e defesa às espécies cultivadas, são fitoprotetores. Em consequência diminuiremos nossa dependência externa de insumos e diminuiremos o uso de agrotóxicos.
São medidas e iniciativas que só são possíveis com um Estado forte e não dependente do "deus mercado" como apregoam os neoliberais e entreguistas do passado. E que sejam realmente o passado.

Responder

    FrancoAtirador

    27 de maio de 2011 às 17h24

    .
    .
    Muito bem lembrado, caro Betinho2.

    Embrapa e Petrobras colocam no mercado em 2009 fertilizante feito à base de água do xisto
    noticias
    22/09/2008

    A Embrapa está prestes a obter um fertilizante com tecnologia genuinamente brasileira capaz de ser uma alternativa a produtos fabricados por gigantes multinacionais. Experimentos desenvolvidos na Embrapa Clima Temperado, em Pelotas (RS), com apoio da Petrobras, por meio do programa Xisto Agrícola, já comprovaram ganhos de até 15% na produtividade de culturas como arroz, milho e hortaliças a partir do uso de fertilizantes feitos à base de água extraída do xisto (rocha sedimentar formada há 250 milhões de anos e usada para produção de óleo e gás).

    A expectativa dos pesquisadores é de ver o insumo produzido pela parceria Embrapa e Petrobras à disposição de agricultores de todo o país até o final de 2009. Atualmente, a equipe da Embrapa estuda três fórmulas diferentes.

    O uso da água e de outros três subprodutos da rocha (calcário de xisto, xisto retortado e finus de xisto) na composição de adubos é estudado desde 2004 por uma equipe de 21 pesquisadores e 50 colaboradores da Embrapa. Após 36 meses de pesquisas um produto já foi colocado no mercado: a água de xisto, comercializada na forma de matéria-prima de fertilizantes para aplicação foliar.

    "Agora trabalhamos para chegar a uma formulação própria, capaz de competir com os produtos existentes no mercado", anuncia o pesquisador Clênio Pillon, chefe adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Clima Temperado.

    O percentual de 15% de ganho no rendimento das lavouras de milho e arroz é, conforme Pillon, satisfatório e está dentro da média dos produtos vendidos hoje no mercado brasileiro.

    Outra boa notícia colhida pelos pesquisadores tem saído dos canteiros cultivados com feijão e batata, onde a aplicação de adubo à base de água de xisto aumentou a resistência das plantas a doenças e reduziu em até 50% a necessidade de aplicação de agrotóxicos.

    "Estamos obtendo um avanço importante na elaboração de uma tecnologia nacional capaz de ser uma alternativa nesse mercado tão dependente de empresas estrangeiras", reforça Pillon.

    http://www.agrosoft.org.br/agropag/102452.htm

    FrancoAtirador

    27 de maio de 2011 às 18h35

    .
    .
    Fertilizante de Xisto

    O novo fertilizante Microxisto, lançado na sexta-feira, no 15º Seminário de Gramado, já está sendo comercializado nos três estados da Região Sul. O produto é resultado de um projeto da incubadora tecnológica da Petrobras e da empresa Terra Nossa, do Paraná.

    O engenheiro químico e gerente da incubadora tecnológica, Valmor Neves Vieira, informou que o projeto é uma parceria entre a Petrobras e a Terra Nossa, que produz o fertilizante. Vieira informou que o objetivo da incubadora, que funciona desde 1992 e já desenvolveu quatro projetos como esse, é facilitar o desenvolvimento de empresas e novos produtos.

    Vieira explicou que a Petrobras participa da produção do adubo fornecendo água de retornagem, resultante do processo de beneficiamento do xisto betuminoso, uma rocha sedimentar de 250 milhões de anos. O xisto é rico em nitrogênio, enxofre, cálcio, ferro, magnésio, potássio e sódio. O processo é feito em um equipamento chamado retorta, que aquece o xisto a altas temperaturas. Resultam deste aquecimento, o óleo de xisto (semelhante ao petróleo), gases, enxofre e água. Para resfriar os produtos, é adicionada mais água, que termina o processo com muitos nutrientes provenientes do xisto.

    A retirada da água de retornagem do xisto betuminoso é realizada pela Petrobras na estação de São Mateus do Sul, no Paraná, a única do mundo que utiliza esta técnica. A região tem abundância de xisto betuminoso, o que viabiliza o projeto.

    Na década de 70, em razão da crise do petróleo. “Como o Brasil não tinha poços de extração do produto na época, começamos a desenvolver pesquisas sobre as aplicações do xisto”, disse Vieira. O projeto previa a criação de 21 estações, mas acabou sendo construída apenas uma usina-piloto. O diretor comercial da Terra Nossa, Ivanes Tortelli, disse que os outros fertilizantes utilizam água comum na composição. “O Microxisto se difere dos demais por utilizar uma água muito mais rica, com mais de 40 elementos macro e micro nutrientes”, informou. Tortelli também informou que o novo fertilizante apresenta ação fungicida e inseticida. “Com o uso do Microxisto, o ganho de produtividade chega a 15%”, salientou ele. O projeto do Microxisto vem sendo desenvolvido desde junho do ano passado.

    Anteriormente, a Terra Nossa já havia elaborado um adubo em parceria com a incubadora tecnológica da Petrobras. A Cooperativa dos Agricultores de Plantio Direto do Rio Grande do Sul e Santa Catarina (Cooplantio) fará a distribuição do fertilizante nos dois Estados. No Paraná, a própria Terra Nossa será a responsável pela comercialização do Microxisto. Até o final do ano, o produto deve estar à venda em todo o Brasil. Para isto, a Terra Nossa está ampliando a produção do fertilizante.

    24/11/2003
    Gazeta Mercantil / RS

    betinho2

    27 de maio de 2011 às 19h19

    Grato pelo reforço nas informações.
    Temos ainda que lembrar que é uma retomada, pois nossa nacionalíssima Ultrafértil, também de iniciativa da Petrobras, levou uma primeira rasteira do Collor e o "tiro de misericórdia" dos fernandinos.
    Enquanto isso nossos "ruralistas" foram sendo emprenhados pelos ouvidos, com o sêmem do complexo de vira latas.

    JotaCe

    27 de maio de 2011 às 21h56

    Caro Betinho2,

    O produto do xisto pode até ajudar, caso não seja nomeado mais um ‘patriota’ como Henri Reichstul para ‘conselheiro’ da Embrapa…Abs,

    JotaCe

    junior ibitinga

    28 de maio de 2011 às 12h01

    pois é betinho, mas aí eu junto seu comentário com o próximo da regina, (por sinal muito correto) e lembro que quem é a maioria no congresso são esses entreguistas que não estão nem com a industria nacional e nem com a agricultura planejada e eficiente que realmente gere lucros(familiar e sustentável? hum, esses caras riem disso), e aí não vejo muita esperança. Temos agora mais outro exemplo, essa palhaçada do código ambiental, conseguiram regredir para antes da Lei de 1930, nem nascentes estão protegidas mais! A pouca vergonha é que quando o projeto ficou como queriam e totalmente deturpado, aí impuseram ao governo que não votariam nada mais a não ser o código, que estava sendo estudado a quase 10 anos! Moro no interior e posso garantir que os agricultores de verdade, que não tem ajuda para comprar seus insumos e aplica menos que o necessário e moram na roça estão preocupados com o futuro de suas nascentes e reservas.

JotaCe

27 de maio de 2011 às 15h01

Caro Washington,
É um terreno difícil, como você o classifica. Pois o lobby dos agrotóxicos, com o apoio do PIG e a colaboração de muitos que não o podiam (nem o deviam) fazer, conseguiu impor a idéia da necessidade de se transformar a agricultura na arte de matar. A começar da designação ardilosa de ‘defensivos’ que você, ao que parece num ato falho, chegou a usar no seu texto.Exposição que também parece aceitar que a ‘praga’ é sintoma e não a causa do problema (que os fertilizantes solúveis ainda mais acentuam) .
Assim, por que não discutirmos se há realmente a tão badalada necessidade de empestear os solos, as águas e os alimentos produzidos? Um bom começo seria discutir os trabalhos de Chaboussou. O biólogo, ex-diretor do INRA, demonstrou com seus trabalhos, consubstanciados em quatro notáveis obras que, os agrotóxicos, ao perturbarem o metabolismo vegetal, tornam as culturas ainda mais sujeitas às ‘pragas’ e agentes de doenças… Cordial abraço,

JotaCe

Responder

Diogo

27 de maio de 2011 às 12h20

Passei o ultimo final de semana em Alterosa MG (região de Alfenas) e conversei com um trabalhador encostado no INSS por causa de contaminação por agrotoxico (que as industrias chamam de defensivos agricolas). Ele disse que existem mais pessoas na mesma situação.
Em fevereiro do ano passado tambem passei uns dias lá e fiquei sabendo de um trabalhador de 26 anos que estava internado no hospital local por contaminação de veneno usado na plantação de café. Este veio a falecer tempos depois em decorrencia da contaminação.
Lá o quadro é assustador, exemplo: capina-se o terreno de cultivo com erbicida, planta-se a batata e a cada semana irriga-se e em seguida colocam um veneno p/ eliminar todo tipo de problemas que impedem o produto ficar com aquela aparencia que nos consumidores exigimos. Segundo o trabalhador que conversei, após a aplicação do dito veneno todo animal que se aproxima da plantação morre: insetos, passaros, pequenos animais, etc. Antes da colheita mais erbicida p/ facilitar a retirada mecanica.
Sugiro ao Viomundo uma reportagem na localidade para uma melhor avaliação , pois este que vos escreve não tem conhecimento profundo destas técnicas modernas de cultivo. Nasci lá e no meu tempo usava-se muito a enxada, o arado e a foice (meu pai era lavrador e possuia uma pequena propriedade rural, onde produzia arroz, milho, feijão, leite e café). o referido trabalhador me aconselhou: não coma batata nem tomate.

Responder

    betinho2

    27 de maio de 2011 às 15h50

    Diogo
    Belo relato. É isso mesmo. Te garanto que sou testemunha vivo (escapei) do que voce escreve. No tempo que eu lidava diretamente com esses agrotóxicos não tinhamos informação nenhuma, como hoje. Por isso me admiro que tem quem, com tudo que já se sabe agora, saia em defesa dessa "encrenca" pra nossa saúde.

Marcelo de Matos

27 de maio de 2011 às 11h37

O texto não esclarece que as sementes das melancias que explodiram na China foram importadas do Japão. O uso de defensivos agrícolas ocorre em escala mundial. Só irei me insurgir contra ele quando assinar a ficha de filiação no PV ou no PSOL. Não entendo por que não defendemos a produção dos defensivos aqui no país. O governo Lula passou para Dilma o projeto de construção de duas indústrias de fertilizantes, em Minas e no RS. Quanto a defensivos nada?

Responder

    Nilo

    27 de maio de 2011 às 12h34

    Claro, se produzirmos aqui essas porcarias poderemos justificar o envenenamento, pela manutenção dos empregos da fábrica, já que na mentira dos empregos gerados pela monocultura ninguem mais acredita, se sabe que hoje com as tecnologias novas meia duzia de empregados plantam 5000 hc soja em 5 dias. O que pode acontecer é baixar os preços e o consumo aumentar ainda mais. O que se questiona não é o consumo desses produtos, mas o uso inadequado deles, sendo que a população das pequenas cidades produtoras principalmente no MT se torna refém do agronegócio , onde eles elegem os prefeito que lhes convêm e as medidas de proteção da saúde dos cidadãos não são tomadas.

    betinho2

    27 de maio de 2011 às 15h32

    Nilo
    Voce está correto. Em região do agronegócio, 80% dos prefeitos são vinculados ao agronegócio.
    Sobre emprego, já postei em outro artigo, um único funcionário planta 10.000 hectares em 25 dias. Tratores super potentes, com um comboio de até 5 plantadeiras num sistema de "vôo de pato", GPS dando o direcionamento e controle remoto para abastecer as plantadeiras.
    Grande parte dos internamentos em hospitais são por agrotóxicos e domosanitários (os venenos spray usados dentro de casa), a questão é que isso é escondido, sob o diagnostico de "viroses". Está tudo dominado.

    junior ibitnga

    28 de maio de 2011 às 12h20

    Vixi Nilo, que exemplo, justo MT? Lá tem uma porcaria de governador! Não foi lá esses dias que a secretária do meio ambiente se "assustou" com os números do desmatamento em seu estado? Bom eu não me espantei com os dados, me espantei foi com a atitude dela. Como ela se convence que está servindo para o meio ambiente? regando as plantas de plástico do seu gabinete? indo fumar do lado de fora? Por que esse estado não fecha logo essa secretaria e uso o dinheiro pra comprar mais um jatinho? Agora com o novo código florestal fica bom, os estados vão ter autonomia sobre politica ambiental, como disse, tá tudo dominado!

    Elton

    27 de maio de 2011 às 19h17

    Você chama agrotóxicos de "defensivos". Essa é a linguagem dos agrônomos, trazem-na das faculdades onde se formam. E evidentemente também é a linguagem dos produtores rurais, que tratam tais produtos como indispensáveis, insubstituíveis…cabeças-feitas, há muito tempo!

    JotaCe

    27 de maio de 2011 às 22h39

    Caro Elton,
    Dá até tristeza, aos que lêem, a sua afirmação quanto ao que chama ‘linguagem dos agrônomos’. De fato, muitos deles parecem confundir ‘agrotóxicos’ por ‘defensivos agrícolas’. Trazem parte do legado que aprenderam em escolas de agronomia de universidades até renomadas. Um exemplo disso é a disciplina de Matologia, focada – ainda que se o negue – justamente para a eliminação da cobertura natural pelo uso de agrotóxicos, mais particularmente do glifosato, princípio ativo de variadas denominações comerciais como o round up, por exemplo. A pesquisa brasileira muito tem trabalhado (com nosso dinheiro) para as multinacionais ao experimentar as mais variadas opções desse agrotóxico em termos de épocas do ano, períodos na vida da planta , quantidades, seletividade, misturas com fertilizantes etc etc. Decerto, 'como você afirma muito bem, as cabeças são 'feitas para esquecer…Justo no caso, existem inúmeras práticas agrícolas da agricultura ecológica, que substituem com êxito o uso de herbicidas. Cordial abraço,

    JotaCe

Marisa Novaes

27 de maio de 2011 às 11h06

Esclarecedor o artigo e coloco para discussão a questão da nebulização com MALATHION no "combate" ao mosquito da dengue. Este inseticida, proibido em diversos países é usado, sem controle e, segundo alguns pesquisadores, pode ser o responsável pela ocorrência da dengue hemorrágica. Se verdadeiro, muda todo o enfoque das causas das mortes por dengue hemorrágica.

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