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Urariano Motta e o dicionário das empregadas domésticas


26/05/2011 - 15h31

por Urariano Motta, no Direto da Redação

Nos últimos dias, na gente mais educada causou espécie, para não dizer causou urticária, o livro didático  “Por uma vida melhor”, que ensinaria a falar errado. No entanto, ninguém se levantou, nem perdeu a paz de espírito, quando um ilustre desembargador, faz alguns anos,  achou por bem escrever um dicionário para as empregadas domésticas. É fato.

Atropelos e apelos de títulos não faltaram ao ilustre dicionarista. Erudito em Direito Civil, filiado à Associação Paulista dos Magistrados, escritor de verve, ele assim gracejou em artigo no  jornal dos seus pares:

“Ele  ligou para sua  própria  casa. A  empregada era nova. Ele não a conhecia. Sua mulher, a Esther, digo (ou ele  diz), dona Esther, tinha  acabado  de contratar. A moça era do norte. De Garanhuns. Nada contra, mas….sabe como é. Nós, brasileiros, sabemos! O patrão morava num  sobrado. O telefone da residência ficava num nicho, embaixo da escada. No décimo segundo toque a Adamacena, a tal da empregada, atendeu: ‘Alonso!’ Na dúvida, o dono da casa perguntou: ‘De  onde falam?’ Ao que a Adamacena respondeu: ‘Debaixo da escada!’ Foi aí que ele começou a catalogar as expressões da serviçal…”

Na continuação do texto, para melhor diálogo com as inferiores, o preclaro e excelso organizou este pequeno dicionário das empregadas, para ser lido pelas classes cultas, do  gênero e classe dele no Brasil:

Dendufornodentro do forno

Dôdistongodor de estômago

Doidimaidoido demais

Dôsitamudor de estômago

Gáscabô o gás acabou

Iscodidenteescova de ente

Issokipómoiá – isto aqui pode molhar

Ládoncovim — lá de onde que eu vim

Lidialcomlitro de álcool

Lidileitelitro de leite

Mardufigomal do fígado

Mastumatemassa de tomate

Nossinhoranossa senhora

Óikicheroolha que cheiro

Óiprocevêolha pra você ver

Óiuchêro olha o cheiro

Oncotô onde que eu estou

Onquiéonde que é

Onquitáonde está

Etc. etc. etc. poderia ser a leitura geral das “palavras” coligidas pelo senhor dicionarista. Se ele fosse um homem culto de facto, e não um culto de fato, fato da toga que um dia vestiu,  saberia que as diversas falas de uma língua não significam uma superioridade cultural, civilizacional,  de uma fala sobre a outra. Ora, as pessoas que vêm do interior do Nordeste, e é a elas que a sua brincadeira de mau gosto se referiu, os brutos migrantes dos sertões nordestinos carregavam, além da miséria, uma gramática que é uma história da língua. Quando eles dizem “figo”, em lugar de “fígado”, ou “hay”, em lugar de “há”, ou “in riba”, em lugar de “em cima”, ou mesmo “joga no mato”, por “deixa fora, joga fora”, essas palavras, esses modos e conteúdos de fala não nasceram de uma carne, sangue e lugar inferiores.

Esses cortes de sílabas, esse “denduforno” em lugar de “dentro do forno”, esse corte de fonemas na fala de todos os dias, essa aglutinação é um procedimento comum em todas as falas, do Norte ao Sul do mundo, do Leste ao Oeste do planeta, em todas as classes e gentes e tempos. Diz-se até que é uma obediência à lei do menor esforço. Quem é bom de ouvido sabe que a última sílaba de uma palavra em uma frase não se ouve, adivinha-se pelo sentido. Um “Como vai de saúde?”, sai quase como um “Como vai de saú?”. Se os ingleses transformam consoantes de palavras em vogais, bravo, isso é mesmo um fenômeno linguístico. Se os norte-americanos pegam os tês e põem em seu lugar erres, isso só pode mesmo ser inglês moderno. Bravo.

No Brasil, na região que move a economia, quando um paulista insiste em pronunciar “record” à inglesa, mas com erres à brasileira, ou quando pronuncia “meni”, em lugar de “menu”, está apenas no exercício da sua cultura poliglota. Aplausos. Quando ele, no bar, pede um só, mas ainda assim pede “um chopes”, é uma graça. Viva. Mas um “oxente”, um “arretado”, que traem e trazem a marca da fala de nordestinos, desses baianos, desses nortistas, ah, isto só pode mesmo ser uma prova insofismável de subdesenvolvimento.

Isso comentamos à margem, do texto do léxico das empregadas e da grande mídia. Mas o pequeno dicionário para as empregadinhas não sofreu qualquer indignação patriótica, lembramos bem. Faz sentido, enfim. Como dizia Marx, ao lembrar as diferentes traduções de classe, os proletários se embriagam no bar, os burgueses vão ao club.



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78 comentários

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vera oliveria

27 de maio de 2011 às 22h35

pra falar fluente inglês tem que retrair as palavras pra ficar mais parecido com o jeito do povo de lá falar,aqui não pode,é ignorancia??

Responder

vera oliveria

27 de maio de 2011 às 22h30

À 500 anos os "dotô" que governaram esse país sucatearam o ensino,depois eles querem um povo culto ??

Responder

Luciana Witovisk

27 de maio de 2011 às 18h22

Bravo, Urariano!! É isso aí mesmo! Falar "Darling, vou ao shopping dar um up! aproveitar que está tudo 50% OFF, até as makes!!!" é chic… Agora ficar "chocado" (piu!) com nóis fumo e vortemo é certo?? Viva a diversidade cultural e linguistica de nosso Brasil!!

Responder

FrancoAtirador

27 de maio de 2011 às 15h13

.
.
Esse sujeito 'tá mais p'ra embargador.

É um lambisgóia (1, 2 e 3).

http://www.dicionarioinformal.com.br/definicao.ph

Responder

Rogério Leonardo

27 de maio de 2011 às 15h09

"grosseiria"…rs…

Como pudi ieu, qui sô adivogado, erra uma coisa deças, cês num sabe.

O preconceito linguístico é uma das formas de tentativa de dominação mais vis que eu conheço, pois, é utilizado para humilhar o interlocutor, desqualificando a mensagem apenas por sua origem, desconsiderando totalmente o conteúdo, ou seja, é um reduto de covardes superficiais.

Responder

ZePovinho

27 de maio de 2011 às 14h42

O blogueiro André Lux criou um jornal e,vejam vocês,estão querendo tirar o hebdomadário do blog "TUDO EM CIMA" de circulação usando a distribuidora de jornais- que ameaça as bancas que distribuem "A Folha do Japi".Até carta assinada( a cópia está no endereço abaixo) foi enviada aos donos de bancas de jornal.Voltamos ao regime militar???
http://tudo-em-cima.blogspot.com/2011/05/distribu

Distribuidora ameaça donos de bancas por distribuirem a Folha do Japi.
– por Cesar Tayar, no blog do Beduíno

Por volta do ano de 1973 o Brasil vivia uma época chamada por muitos de "anos de chumbo". Naqueles tempos o país era dominado por uma ditadura sangrenta sob a orientação do general Emílio Garrastazu Médici.

Eram os tempos bárbaros das torturas nos porões do Doi-Codi e da Operação Bandeirante. Através de atos absurdos e totalitários, o então Ministro da Justiça, Prof. Dr. Alfredo Buzaid, liquidou com os últimos resquícios de liberdade no país. O resto da história todos já sabem como terminou. Muito bem.

Hoje, em Jundiaí, estão querendo reviver os tempos do arbítrio, não mais através da ponta da baioneta mas sim pelo domínio dos interesses que rodeiam o poder político e econômico local. O governo do PSDB, instalado há 20 anos no executivo municipal, não admite a petulância daqueles que querem exercer a crítica livre, preceito básico de qualquer democracia que se preze. Há algumas semanas foi lançado na cidade um novo jornal chamado Folha do Japi.

Este semanário tem exercido a sua função de informar mostrando à toda a cidade os desmandos da prefeitura através de matérias muito bem colocadas sobre os problemas de nosso cotidiano. Pronto. Foi só aparecer um jornal isento que a guarda pretoriana do PSDB entrou em ação.

Dias atrás todas as bancas de jornal da cidade receberam uma circular altamente ameaçadora, colocando os jornaleiros na parede através de ameaças veladas pelo fato de que as bancas estão distribuindo jornais cujo intuito é "caluniar e ofender aos outros" além de "confundir a opinião do leitor".

Esta circular é uma peça da mais pura e indigna política remanescente dos tempos da ditadura onde até jornalistas foram assassinados, cujo exemplo maior foi o de Vladimir Herzog. Leiam abaixo a lamentável circular, na íntegra, e sintam-se arrebatados ao ano de 1973 quando o país respirava os ares cinzentos oriundos dos quartéis. Mas lembrem-se: Não são os generais que estão no poder em Jundiaí e sim o PSDB.

Responder

Nana

27 de maio de 2011 às 14h20

"A moça era do Norte, de Guarahuns" Letrado o autor né? Mudou o mapa do Brasil .

Responder

Uélintom

27 de maio de 2011 às 14h02

Que horror!
"A moça era do norte. De Garanhuns. Nada contra, mas….sabe como é. Nós, brasileiros, sabemos!"

O que ele quis dizer com isso? Além do fato de o desembargador se mostrar completamente ignorante em relação à divisão política e administrativa do Brasil (Garanhuns não fica no Norte, mas no Nordeste), ele dá a entender que existe alguma dúvida em relação aos brasileiros nordestinos. "Nada contra, mas…". Mas o que? Faltou coragem para completar a frase.

E depois, como assim "nós, brasileiros, sabemos"? Os Nordestinos não são brasileiros? Como pode um desembargador cometer impunemente tal preconceito de origem?! Não seria criminoso um desembargador decidir que os nordestinos não são cidadãos brasileiros? Afinal, justamente a pessoa com poderes para tomar decisões com base na Constituição Federal é a mesma que está excluindo milhões de pessoas da proteção dada pelos direitos constitucionais.

Responder

Jair de Souza

27 de maio de 2011 às 13h54

O maior exemplo do que seria errado em relação à linguagem, é ver como alguns idiotas, imbecis ou coisa semelhante, decidem dar mostras de sua sabedoria linguística e se põem a vomitar asneiras sobre quem fala certo e quem fala errado. Basta ler alguns dos comentários postados mais abaixo para constatar alguns dos casos a que me refiro. O maior ignorante é aquele que se julga o grande sábio. Via de regra, os defensores implacáveis do normacultismo não dominam bem nem mesmo a norma que eles querem adorar. Se um dia deixarem de lado seu preconceito, aprenderão que falar de jeito certo e jeito errado de se expressar só é admissível para idiotas e ignorantes, ou para os que são os dois simultaneamente. Fora disso, há o falar (ou escrever) de forma adequada ou inadequada à situação concreta em que o falante está inserido.

Responder

    Professor Laertes

    27 de maio de 2011 às 15h01

    Errata parcial:
    Onde se lê "se põem", leia-se "põem-se";
    Onde se lê "casos a que me refiro", leia-se "casos aos quais me refiro";
    Considere-se inexistente a primeira vírgula do comentário, posto que não é correto separar o sujeito do verbo através de vírgulas, v.g., "João, comeu a maçã", quando o correto é simplesmente "João comeu a maçã".
    Caso encontremos tempo, enumeraremos outros erros dentre os mais crassos.

    Cordialmente,

    Jair de Souza

    27 de maio de 2011 às 21h49

    Está claro que você é um daqueles a quem eu me refiro.

    Jair de Souza

    27 de maio de 2011 às 22h21

    Como havia dito, os imbecis repetidores de regra são assim mesmo. Não entendem nada da base científica da língua portuguesa. Não passam de meros imitadores de um imbecil maior, o tal Pasquali. Basta ver suas observações idiotas para dar-se conta disto.

Marcelo de Matos

27 de maio de 2011 às 13h28

O linguajar dos pedreiros é mais interessante que o das domésticas. Costumo contratar um que diz – Seu Marcelo: desse lado é só tirar o acesso, mas, ali tem de dismuli. O senhor tem uma escada? Aqui eu não ascanço.

Responder

Fernando

27 de maio de 2011 às 13h28

mil vezes falar a nossa lingua brasileira(nordeste) do que extrangeiro (São Paulo)!!!! kkkkkkkkkkk

Responder

Maxwell B. Medeiros

27 de maio de 2011 às 12h52

Pelo amor de Deus, alguém me diga que isso é piada! Sou paraibano, do interior, e fico espantado com este tipo de comportamento. Esse pessoal acha que os brasileiros de outras regiões são alienígenas, ou falam outro idioma?
Pensam que só os grandes centros são considerados cidades? Aqui onde moro não é raro você ver pessoas andando de hyundai, KIA, Toyota… até Camaro(aquele carro parece um caixão). Não que algo assim torne minha cidade melhor que as outras, porque não é. Acham que nós somos tolos? Só porque não nascemos em uma cidade importante, ou não temos "Berço", sangue azul ou coisa que o valha?!

Esse desembargador é uma grande idiota!

Responder

Rogério Leonardo

27 de maio de 2011 às 12h43

Me desculpem a grosseria, mas, a verdade é que este Desembargador é um grande "feladaputa" ou "fiodumaégua" ou "disgraçento" e por aí vai.

Responder

Marcelo de Matos

27 de maio de 2011 às 12h42

Se só as empregadas domésticas falassem errado estaríamos no melhor dos mundos. Tenho um conhecido, agrônomo, que diz – Eu sô agromo. Outro, advogado, diz – Eu vô levá o criente pra prestá deporimento. Qualquer dia vou colocar um gravador aqui em casa para saber como é a linguagem coloquial do bacharel Marcelo de Matos. Você falou no livro didático “Por uma vida melhor” e eu fiquei pensando: não seria melhor suspender sua distribuição, como a Dilma fez com o kit homofobia? Já temos inúmeros exemplos de como falar errado. Haveria necessidade de darmos mais alguns em livro didático? Outro dia assisti a longos debates sobre esse livro na TV Brasil. O governo procura justificar a sua adoção, recorrendo a escritores e jornalistas. Por falar em jornalista, tive outra idéia. Há uma ânsia por mudança ministerial entre a moçada do mundo digital, os twitteiros de plantão. Por que a Dilma não nomeia o Alberto Dines, garantindo mais charme à comunicação governamental? Ele está perdendo seu tempo na TV Brasil.

Responder

Gustavo Pamplona

27 de maio de 2011 às 12h14

Pessoal… O "minerês" daqui das Minas Gerais tem muito disto, comemos palavras, simplesmente não as falamos e cortamos sílabas.

Divirtam-se com este artigo da Desciclopédia: ;-)
http://desciclopedia.org/wiki/Miner%C3%AAs

Responder

Gerson Carneiro

27 de maio de 2011 às 12h07

Aqui nessa tribo
Ninguém quer a sua catequização
Falamos a sua língua,
Mas não entendemos o seu sermão

Volte Para O Seu Lar – Composição : Arnaldo Antunes

[youtube gSE0gbLvvm8 http://www.youtube.com/watch?v=gSE0gbLvvm8 youtube]

Responder

LUCIO FLAVIO

27 de maio de 2011 às 11h47

Continuando…
O "povinho mal-cheiroso", escravo desta gente, compreenderá que o seu papel na sociedade é muito maior que limpar latrinas destes "cheirozinhos" que, pretensiosos que são, acham que ao defecarem exalam perfume francês. Eles ainda não sentiram o perigo que os ronda. Já imaginaram uma greve das "domestica" em SP, conflagrada pela internet? As madame vai tudo indoidiá:
Adamacena, muié da peste, oncetá? Cê não viu que o gascabô? Oikichero tá nessa latrina, venha cá senão lefuro o bucho. Ao que ela responde: Oia dona sinhá. Não vô não. Ladoncovim sepega um lidialcom e se limpia essas boca suja.
LUCIO FLAVIO LAUTENSCHLAGER
Santa maria – RS – Cidade Cultura.

Responder

LUCIO FLAVIO

27 de maio de 2011 às 11h45

A cada dia que passa, agradeço a Internet e os "Blogs sujinhos", por patrocinarem a verdadeira integração e soberania do maravilhoso povo brasileiro. Reso todos os dias pelo Plano Nacional de Banda Larga. Depois disto, em muito pouco espaço de tempo, os Caio Gracho, as Catanhêde, os Diogo Mainardi, a tucanalha de higienópolis, os demo bornhausen de Floripa, enfim, a "elite cheirosa" brasileira vai ter que, literalmente, "botá" a mão na merda.
LUCIO FLAVIO LAUTENSCHLAGER

Responder

Gabriel

27 de maio de 2011 às 10h52

Pelo mesmo motivo anterior, continuação da continuação: O bom português foi vilipendiado pelo analfabetismo? Foi e ainda é, e muito. Tudo passa pela educação (e quanto falta disso no Brasil!), pela vontade de falar bem a língua. E falar bem a língua não é questão de sotaque ou trocar "t" por "r", no inglês, como alguém aí comentou. Falar bem a língua, ainda que seja a língua brasileira, não pode ser questão de recalque social, como pretendeu o autor. Devemos lutar para que a língua culta chegue a todos e que se fale a língua de forma escorreita, e não que se defenda a beleza do "oncotô".Tarefa difícil? Não há um político sequer que não saiba que a educação é importantíssima. Eu não vejo, nos demais países da América Latina onde já estive, o povo falar tão errado o espanhol (ou o castelhano) como o brasileiro, o português. Posso até estar errado. Mas odeio quem pretenda nivelar tudo por baixo.

Responder

Gabriel Jardim

27 de maio de 2011 às 10h51

Continuação do comentário anterior, porque apareceu uma caixa de mensagem, dizendo que o meu comentário era "um pouco grande demais":É certo, a língua é viva, dinâmica. Mas quanto mais nos afastamos da língua culta, mais nos demonstramos fracos, é fato. Falar errado pode ser bonito, para os modernistas. Dá um sentimento de enfrentamente à metrópole sanguinária. A língua francesa não muda há dois séculos, a par, evidentemente, do uso das gírias e dos substantivos "modernos", pois a língua é viva, repito. Nossa língua é difícil de falar? É, e muito. O povo é preguiçoso para falar? É, e muito, mas admito que fala e consegue se comunicar, dizem que é pra isso que serve a língua. Pena é que o modo de falar contamina a escrita, o que desperta a chacota (no sítio Kibeloco tem um quadro chamado "pracas do Braziu"). Talvez seja por isso também que o Brasil tenha tão poucos escritores.

Responder

Gabriel Jardim

27 de maio de 2011 às 10h49

Preconceituoso o próprio autor do artigo. Quantos e quantos e-mails recebemos com exemplos do modo de falar do mineiro (que pode ser estendido ao goiano, por exemplo) e nunca vi ninguém se indignar contra isso. Pelo contrário. Desgraçadamente, são anedotas: perseguem o drolático, portanto (alguém aí falou em Guimarães Rosa, certo?). E despertam muitas risadas. Compreendo o desembargador. Tenho certeza de que quis apenas gracejar, ainda que seja sobre uma mais uma tragédia nacional. Quem aqui se sente confortável com um "nós vai"?

Responder

Haroldo Gomes

27 de maio de 2011 às 10h42

Denduforno, Mastumate, Lidileite, Nossinhora…
Isso aí é o bom mineirêz, idioma que tenho fluência.

Responder

    Gustavo Pamplona

    27 de maio de 2011 às 12h21

    Me desculpe Haroldo… não tinha visto seu comentário… sobre o nosso querido "minerês". ;-)

Denise

27 de maio de 2011 às 10h39

O interessante é que a moça era de Garanhuns, no Nordeste mas a fala dela é típica de mineiros (posso reconhecer longe porque sou mineira e essa fala na região onde nasci nada tem a ver com classe social ou instrução – TODO mundo fala assim por lá – esse cara não saca nada nem de geografia!

Responder

    João Grillo

    27 de maio de 2011 às 11h44

    Pois entãosipronto: desiventemos o português atual e vamu começar tudinovo!
    Começemo pelo grunido pra rer se arente se forma doutô em Tuitês.
    Olavo Bilac sistrepou! Ar duas lingua num pode conviver sem uma esculachar com a outra não?

    carmen

    27 de maio de 2011 às 23h32

    Também sou mineira e tive a mesma impresão.O cara perdeu o rumo totalmente,pra dizer o mínimo.

Carlos J. R. Araújo

27 de maio de 2011 às 10h35

Pois é. O que dói nisto tudo é que o ilustre desembargador não escreveu (inventou mais da metade das expressões, obviamente) o seu ilustre dicionário com a intenção de realizar um estudo linguístico. A intenção foi a de humilhar e, nos convescotes com seus pares (rábulas, na vida real), proporcionar um orgasmo de grupo às custas das domésticas. Isto tem nome: calhordice.

Responder

    Mari

    27 de maio de 2011 às 11h42

    Tem toda razão.
    Essas expressões e modo de falar são típicas dos mineiros e estão na internet há muito tempo. Não tem nada a ver com empregada doméstica nem com ignorância ou cultura. É modo de falar do povo de Minas.
    O cara só fez graça com piada velha.
    E a empregada foi usada para ilustrar a piada, mas provavelmente nem fala assim.
    Agora, convenhamos, os mineiros falam assim e é interessante e rica a fala e as contrações.
    Agora, ESCREVER assim é outra história, cujo andor deve ser carregado com mil vezes mais cuidado.

Assis Ribeiro

27 de maio de 2011 às 10h18

Vixe Maria, ó paí ó! o meu baianês eu não largo.
Porreta essa!
http://assisprocura.blogspot.com/

Responder

Armando S Marangoni

27 de maio de 2011 às 09h59

Há um outro viés nessa história: as verdades que ela contém são importantes para entendermos nossa cultura e, pelo que li nos comentários, na maioria das outras.
É certo que a língua culta e a falada são diferentes, mesmo porque uma é usada para comunicar-se e a outra para lidar com o mundo. Usar a língua culta para lidar com o mundo é tão estranho quanto usar a linguagem popular para escrever cartas, relatórios, artigos, livros…
Explorar essas diferenças não tem nada de mais, já que somos todos críticos por natureza, uns mais outros menos, mas somos todos de julgar o que vemos. Fica até engraçado. Uma das piadas mais comuns e aceitas em Minas é justamente aquela que tem a forma do mineiro falar como alvo, e as palavras do "dicionário" lá em cima são quase todas usadas nela.

Responder

roberto

27 de maio de 2011 às 09h56

Quero um pastéissss e um chopisss.

Responder

Caracol

27 de maio de 2011 às 09h56

Então é isso: a mulher de quem trata o texto, além de ser mulher, é nordestina, sem escolaridade, sem direitos civis, ganhando um salário de merda, analfabeta, burra, desinformada, pobre, na verdade miserável, sem um pedaço de chão para um dia nele ser enterrada, sem documentos, sem futuro e assim sendo conservada pela classes hegemônicas para ser explorada como mão de obra barata. Mas ela tem um dever: TEM OBRIGAÇÃO DE SABER FALAR “DIREITO” E TEM QUE SABER OUTRAS COISAS, COMO VOTAR, ETC, ETC.
Enquanto isso, o país é conduzido pelas elites sabichonas e é a merda que é. É por essas e outras que quando o país é consertado por torneiro mecânico nordestino semi-analfabeto, que não fala direito e ainda por cima tem um dedo a menos (que horror!), quando isso acontece o sentimento gerado é o de RAIVA, pois isso é uma injúria, um acinte, uma ofensa ao branco sulista educado desde o berço e doutor em alguma coisa.
Então ta.

Responder

Murdok

27 de maio de 2011 às 09h29

Trabaiandinho zé?
Só quem não conhece esse interiorzão do Brasil e que fica em escritórios, com ar condicionado e ligado na rede, é que está criticando o livro.

Responder

JOACIL CAMBUIM

27 de maio de 2011 às 06h02

Vivi numa pequena cidade do Estado da Paraíba – Água Branca – até os vinte anos. Convivi com muitas pessoas analfabetos e semianalfabetas (maioria), entre os quais meus pais (e eu próprio, embora atualmente seja Promotor de Justiça em São Paulo). Nunca vi uma única expressão daquelas citadas pelo "ilustre jurista". Meu pai, 83 anos, e minha mãe, 80, são analfabetos. Os seus maiores erros de linguagem ocorrerm quando suprimem os esses e os emes. No entanto, usam uma linguamgem precisa, embora, muitas vezes, seja necessária a consulta a um dicionário, notadamente para quem não conhece o dialeto da região. Em tempo: quantos grandes escritores, músicos, escultores, jurista, poetas etc existiram e ainda existem no Nordeste? Lamentavelmente, só se fala adqueles que não tiveram qualquer oportunidade em seus estados de origem e, por isso, vieram tentar a vida em São Paulo, como é o caso do subscritor destas "mal traçadas linhas".

Responder

Mázio Recife

27 de maio de 2011 às 05h16

“O falante deve ser poliglota em sua própria língua”(Evanildo Bechara). Acredito que tenha faltado exatamente isso ao nosso Magistrado aposentado Caio Graccho, quando escreveu seu "Pequeno Dicionário da Empregada Doméstica". O "Pequeno" do dicionário não poderia ser mais adequado. Não referente ao tamanho, mas ao sentimento/conhecimento demonstrado a respeito do falar brasileiro.
Imagina se o excelso senhor da justiça tivesse lido, em algum momento da vida, as poesias de Patativa do Assaré?

Linguage dos óio

Quem repara o corpo humano
E com coidado nalisa,
Vê que o Autô Soberano
Lhe deu tudo o que precisa,
Os orgo que a gente tem
Tudo serve munto bem,
Mas ninguém pode negá
Que o Auto da Criação
Fez com maior prefeição
Os orgo visioná.

Certamente ele não iria entender nada. Por que? Porque não aprendeu uma das dezenas, talvez mais, de variações da Língua Falada Brasileira. Digo Brasileira, porque, certamente, as variações da Língua Falada de Portugal ele aprendeu. Afinal, é mais culto dizer "de facto" do que "iapôis", não é?

Eu aconselho, ao nosso insigne conhecedor do Direito e a todos que desconhecem os nossos idiomas falados de todo o Brasil, um curso intensivo. Porque se vocês chegarem a minha Terra(Pernambuco) sem o devido conhecimento do idioma local poderão sofrer, não preconceito, mas alguns deslizes fatais.

Imagine nosso juiz escritor dizendo para um sertanejo caba da peste a seguinte frase:

– Meu caríssimo figaldo, sua filha é uma rapariga muito graciosa!

Certamente, se ele escapasse da peixeirada, iria ouvir:

– Vôte homi! Deixe dessa munganga, seu fulêro. Rapariga aqui é a quenga da sua mãe.
– Ôxe, ôxe, tu mim deixou invocado, visse. Eu só num começo uma arenga com o sinhô, seu dotô e deixo uma roncha na sua fuça, porque pode me prender e eu sou um liso, não como pagar pelo avará de sortura.

Abraços a todos,

Mázio Ribeiro

Responder

Ronaldo

27 de maio de 2011 às 03h29

"Pó pará, governador."

Em qual idioma foi escrito esta célebre frase? Seu autor é nordestino?

Responder

    Edmundo Adôrno

    27 de maio de 2011 às 14h32

    Ronaldo,
    O idioma é o mais autêntico mineirês, e o autor é nordestino, infelizmente: o cretino do Ricardo Noblat, que é pernambucano, dos piores.
    Abraço.

betinho2

27 de maio de 2011 às 01h49

Dizem as más linguas que certa feita um americano, querendo se radicar no Brasil, por longo tempo estudou português, o culto. Achando-se já bílingue, fez sua primeira viajem ao Brasil, para escolher o local que iria se radicar. Chegou por Recífe, desembarcou do avião, pegou mala e resolveu primeiro tomar um cafézinho. Chegou ao balcão no momento que uma funcionaria pergunta à outra: "popôpó?"…responde a outra: "pó?pópô".
O americano desistiu do café, foi ao guiche e comprou passagem de volta…foi estudar mais um pouco.

Responder

Aristóteles Bastos

26 de maio de 2011 às 23h51

Não comento blogs. Mas, hoje fiquei surpreso com o nível elevado de sentimento cidadão aqui expresso. Chego a desconfiar que foram comentários de nordestinos, pobres, com língua estranha (português arcaico), mas, cultos como poucos sudestinos.
Sou de Recife e me mudei para Garanhuns, fugindo dos problemas de metrópoles, mas, esse linguajar citado não ouvi ainda por aqui. Bem, me desculpem, não assisto novelas.

Responder

    Marconde Cantarelli

    27 de maio de 2011 às 08h12

    Prezado Aristóteles, só para complementar… também sou de Recife e passei um tempo morando em Belo Horizonte, onde de fato constatei todas essas expressões serem ditas por pessoas conceituadas da sociedade belorizontina – e eram ditas com o prazer de expressar a mineiricie… Concordo contigo, e acho que tem alguma coisa errada se passando na mente dessas pessoas. O Sr. Desembargador é tão ignorante que não sabe a diferença de BH para Garanhuns – nossa querida terra das flores…

    Carlos A. Moliterno

    27 de maio de 2011 às 14h17

    Grande Aristo. Bom encontrá-lo nesse blog. Grande abraço, viu(alagoano)? ou, visse(pernambuquês)?. E viva o nosso nordeste e o nosso Brasil!!!!!!

FrancoAtirador

26 de maio de 2011 às 23h14

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SERRA E O ACERTO DE CONTAS TUCANO

Faltam pouco mais de 24 horas para a Convenção do PSDB que decidirá o futuro político de José Serra.

A disposição de setores majoritários do tucanato é de sepultar a figura do grande desagregador, hoje identificado amplamente como responsável pela implosão do partido já durante a campanha de 2010, o que explica em parte a letargia tucana na longa convalescência pós-eleitoral.

Serra frequentemente impôs a sua vontade dentro da sigla transformando adversários em escombros políticos, com a ajuda do rolo compressor de seu dispositivo midiático, sobretudo em São Paulo.

Pela primeira vez na história do PSDB o jogo virou.
O ex-governador está sem condições de fuzilar concorrentes, mas corre o risco de ser fulminado por eles.

Seguidores de Aécio Neves relutam em conceder ao candidato da derrota conservadora em 2002 e 2010 até mesmo o abrigo do Instituto Teotônio Vilela (ITV), cuja presidência é reivindicada como prêmio-consolação pelo serrismo.

O temor é de que o ITV seja utilizado como quartel-general para a urdidura de um novo ciclo de golpes e punhaladas dentro do partido, uma especialidade de Serra que alguns só enxergam um jeito de erradicar: expurgando o mal pela raiz.
A ver.

(Carta Maior; 6º feira 27/05/ 2011)

Responder

heloisa oliveira

26 de maio de 2011 às 21h31

É meu povo… "Quem moi no as'pro não fantaseia"…Viver é negócio muito perigoso…" (G.s.: veredas, 1968, 11)
— "Saiba vosmecê que, na Serra, por o ultimamente, se compareceu um moço do Governo, rapaz meio estrondoso… Saiba que estou com ele à revelia… Cá eu não quero questão com o Governo, não estou em saúde nem idade… O rapaz, muitos acham que ele é de seu tanto esmiolado…"
— "Vosmecê agora me faça a boa obra de querer me ensinar o que é mesmo que é: fasmisgerado… faz-megerado… falmisgeraldo… familhas-gerado…?
— "Saiba vosmecê que saí ind'hoje da Serra, que vim, sem parar, essas seis léguas, expresso direto pra mor de lhe preguntar a pregunta, pelo claro…"
http://www.releituras.com/guimarosa_menu.asp
SÓ FALTA AGORA QUERER DECLARAR INADEQUADA A LEITURA DE GUIMARÃES ROSA!!!!! E PROIBIR O GRANDE SERTÃO…..
heloisa

Responder

    leo

    27 de maio de 2011 às 09h11

    os "cultos" não sabem que esse falar é direto do português arcaico. Ah… os "cultos" tentam falar a língua da corte ou do século XVII…

C R TEIXEIRA

26 de maio de 2011 às 19h33

Tem pó pa tapá taio? Copu d'aua – onucêonécutô! preda d'áua. -fidumamãe – quiquecequé

Responder

    Helenice

    27 de maio de 2011 às 07h54

    Muito boa sua observação.

marisa

26 de maio de 2011 às 19h23

Olá Azenha, isso não acontece somente em nossas terrinhas. Percebi que também a língua inglesa é falada de modo diferente em cada país desse idioma que visitei, a contratura de fonemas é, por exemplo, muito usada na Nova Zelândia, tanto que nos primeiros dias, tive dificuldade em entender o que diziam. O que tb me acontece qdo vou ao nosso nordeste mas aos poucos o ouvido se acostuma e tudo bem, sem dramas nem gracejos…

Responder

Edmilson

26 de maio de 2011 às 18h48

tucãsduafiga…

Responder

Edmilson

26 de maio de 2011 às 18h47

Os cultos podem falar "vamu combiná?" à vontade, já que é "modismo". Os incultos falam errado…

Responder

C R TEIXEIRA

26 de maio de 2011 às 18h40

Tem pó pa tapá taio? Copu d'aua – onucêonécutô! preda d'áua. -fidumamãe – quiquecequé
Não precisa tradução, quem sabe sabe, quem não sabe fique sem saber UAI!

Responder

Fernanda

26 de maio de 2011 às 18h30

Tem certeza de que ela é de Garanhuns? Porque o que eu li é o mais autêntico minerês (o qual eu mesma falo).

Responder

    Edmilson

    26 de maio de 2011 às 18h46

    Garanhuns foi introduzida nessa estória em homenagem bem sabemos a quem…

    Ligeovanio

    26 de maio de 2011 às 21h34

    Garanhuns foi introduzida nessa estória em homenagem bem sabemos a quem… [2]

    dukrai

    27 de maio de 2011 às 09h56

    o povo daqui de Curral D'El Rey pica tanto as palavras que vão inventar um som pra ^ no lugar de você rs

Fátima

26 de maio de 2011 às 18h14

Adoro essa língua cabloca, sonora e sempre que me embrenho nesse interiorzão, não perco a chance de exercitá-la, amolecendo a fala nessa comunicação perfeita com o povo desse país!!

Responder

    Laurindo

    26 de maio de 2011 às 20h23

    Fátima, "…a vida não me chegava pelos jornais./ Vinha do povo, da boca do povo./ Do português errado do povo./ Do português gostoso do povo…"
    Salvo algum erro de minha cansada memória, esses versos são de Manuel Bandeira, do qual esse juiz aposentado nunca deve ter ouvido falar.

José Feitosa

26 de maio de 2011 às 18h03

É incrível como as classes mais favorecidas agi com preconceito contra os nordestinos, aliás, nem conhece o Brasil, pois confundem Nortistas com nordestinos, colocando-os no mesmo saco, nada contra nortistas, ao contrário, para mim Brasileiro é Brasileiro em qualquer lugar. No entanto, igualar essas regiões distintas sempre a aconteceu. A elite paulista ainda não se deu conta do resto do país, continua e vai continuar achando que são os mais importantes, os melhores, os mais sábios, os mais ricos da nação. Como disse o Ariano Suassuna, O Maior sonho de paulista é ser americano. Voltando aos fatos lingüísticos, 1ª as variantes lingüísticas são fenômenos em qualquer língua do mundo. 2ª Essas variantes está nos mais diferentes contextos sociais, como o mode de falar de um determinado grupo de profissionais, exemplos vocabulários do médicos, aliás esses tem uma grafia incompreensível, mas são médicos, geralmente com grana, esses podem escrever dessa forma

Responder

    ratusnatus

    26 de maio de 2011 às 18h25

    E os nordestinos que dizem que vão para o sul, quando na verdade vão para o sudeste.
    Eu como carioca me sinto ofendido. Imagine confundir um carioca com gaúcho. Uma verdadeira ofensa!

@vitordias_

26 de maio de 2011 às 17h44

Esse juiz tem preconceito contra mineiros, né? Engolir sílabas é marca registrada do nosso sotaque, pô…

Responder

bissolijr

26 de maio de 2011 às 17h31

mas quem é o tal "ilustre desembargador, faz alguns anos", mas quando?

Responder

    FrancoAtirador

    27 de maio de 2011 às 23h55

    .
    .
    Tribuna da Magistratura
    Informativo da Associação Paulista de Magistrados
    Ano XVI – Número 147 – Junho de 2006
    Página 14
    Pequeno dicionário da empregada doméstica
    Caio Graccho, desembargador aposentado

    http://www.apamagis.com.br/tribunadamagistratura/

Flavia Tunes

26 de maio de 2011 às 17h00

Para completar, estes "verbetes" são muito divulgados para descrever o "mineirês". Nada a ver com o Nordeste.
Discriminação + ignorância+soberba…

Responder

Klaus

26 de maio de 2011 às 16h44

Eu que nasci perto de Jisgifora (Juiz de Fora) acho que isto do texto tá mais pra mineirês. Aliás, sobre nós mineiros tem aquela história de dois de nós "fazeno" café:

"- Pó pô o pó?
– O pó? Pó pô."

Nota do tradutor:

" – Pode por o pó?
– O pó? Pode por."

Responder

    Sérgio Vianna

    26 de maio de 2011 às 23h27

    Klaus,

    Tem a variante: "GIZDIFOR"

Agostinho

26 de maio de 2011 às 16h33

Nasci no interior da Paraíba. No contexto de um país do tamanho do Brasil, vizinho a Pernambuco e à referida cidade de Garanhuns. Nunca ouvi ninguém falar como nosso culto dicionarista escreveu. Sempre que ouvi ou li expressões como "oncotô" e "proncovô", tratava-se de algum paulista sacaneando algum mineiro.

Mas isso não faz diferença. O artigo do Uriano é sobre preconceito, basófia, ignorância travestida de cultura. É sobre indignação seletiva. E é, principalmente, sobre uma parte pequena da nossa população que tem vergonha e até nojo do próprio povo e do próprio país. Não tem capacidade nem sensibilidade para ver beleza no seu próprio povo e no seu próprio país. E isso reflete seu pouco amor próprio.

Essas pessoas estudaram (portam diplomas), e orgulham-se disso, mas pouco aprenderam. Tem dinheiro, mas são tacanhos. Viajam por aí, mas continuam provincianas e bairristas. Acham que a cultura é um bem para ser exposto. Sua necessidade de se diferenciar dos "pobres diabos" é uma reação à certeza de que eles próprios são uns pobres diabos, os verdadeiros.

Essa turma me dá uma pena danada!

Grande abraço,

Agostinho

Responder

    urarianomota

    26 de maio de 2011 às 17h01

    Eita, Agostinho, disse tudo, rapaz.

    julio c.. m. bastos

    26 de maio de 2011 às 18h05

    Seu texto, depois de ler que pó pô o pó, me deu uma alegria de pé no chão por saber sentir o Brasil. Quanta solidão dos que por aqui moram sem ter por aqui tesão.

    edv

    26 de maio de 2011 às 19h31

    Clap, clap,clap!
    É isso, e tenho muito orgulho de pertencer a esta variedade chamada Brasil, oncotô!

    Felipe M

    26 de maio de 2011 às 22h24

    Não é a cultura que é um bem a ser exposto para essa gente, mas sim a ignorância, literalmente. A cultura brasileira está presente também nas mais variadas falas das mais variadas regiões do país – algo que os críticos dessa realidade ignoram por princípio. Ignoram o fato de que não é o mundo que deve se adaptar às suas crenças e valores, e sim o contrário.

    Luciana Witovisk

    27 de maio de 2011 às 18h26

    Parabens Agostinho!!! e o pEor é que esse povo tacanho enche mesmo a paciência….

João Bahia

26 de maio de 2011 às 16h03

Associar erros de portugues ao nordeste está meio fora de moda, sobretudo depois do excelente trabalho que o PSDB fez na educação de São Paulo…

Responder

    Felipe M

    26 de maio de 2011 às 22h26

    O Serra culpou justamente os nordestinos pelos maus resultados de São Paulo na educação. Para esse partido, culpar os outros pelos próprios erros jamais sairá de moda – especialmente quando envolver ódio e preconceito.

Fernando

26 de maio de 2011 às 15h58

magótuvê – mas agora você vê

Responder

    Javert

    26 de maio de 2011 às 22h43

    Legal mesmo é dizer "apartameeinto"kkkkkkkkkk

    Marcelo de Matos

    27 de maio de 2011 às 12h52

    “Sempre que ouvi ou li expressões como "oncotô" e "proncovô", tratava-se de algum paulista sacaneando algum mineiro”. Agostinho, nem sempre. Os próprios mineiros fazem essas brincadeiras. Em Areado, sul de Minas, tem um artesão, bem no centro da cidade, que vende camisetas e quadros de madeira com todas essas expressões mineiras. Quando estive em Fortaleza, os próprios guias-mirim contavam piadas que contamos aqui. Por exemplo: Por que o cearense tem cabeça grande? Porque o pai bate na cabeça do filho e diz – Quando crescê tu vai pra Sum Paulo, meu fio.


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