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Médicos de Santa Catarina denunciam pressão por “tratamentos” contra covid
Médicos fazem treinamento no hospital de campanha para tratamento de covid-19 do Complexo Esportivo do Ibirapuera. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
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Médicos de Santa Catarina denunciam pressão por “tratamentos” contra covid


12/07/2020 - 10h49

Da Redação

O “Manifesto pela Segurança do Paciente no Tratamento para a Covid-19 e em Defesa de uma Medicina Responsável e Baseada em Evidências Científicas” nasceu em Santa Catarina.

A intenção inicial era entregá-lo às autoridades públicas da Prefeitura de Florianópolis e do Estado de Santa Catarina.

Na apresentação, os autores observam:

Compreendemos a angústia de todos com a falta de um arsenal terapêutico medicamentoso eficaz e seguro para a profilaxia e o tratamento de casos leves à moderados da COVID-19.

Por outro lado, estamos assistindo com grande preocupação movimentos que têm pressionado o poder público, promovido desinformação e coerção de pacientes, médicos e gestores para impor o tratamento precoce da COVID-19, independente de evidências de sua eficácia ou da segurança.

Esse manifesto reune médicos com essa preocupação e busca informar a população e o poder público sobre a importância da saúde baseada em evidências.

Seguramente, as preocupações contidas no documento não se aplicam apenas a Santa Catarina.

Valem para  o País.

Não é à toa que já conta com apoiadores em todo o Brasil.

A importância dele transcende também aos médicos.

Tanto que nós o recebemos de duas fontes bem distintas.

Do farmacêutico catarinense Ronald Santos, presidente da Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar).

E do médico infectologista Evaldo Stanislau,  diretor da Sociedade Paulista de Infectologia (SPI).

Abaixo a íntegra do manifesto.

Ao final, o documento e as assinaturas até as 12h de 10 de julho de 2020.

Ele continua  aberto a todos os médicos e médicas do Brasil e exterior que tenham a mesma preocupação.

Para assiná-lo, clique aqui

MANIFESTO PELA SEGURANÇA DO PACIENTE NO TRATAMENTO PARA A COVID-19 E EM DEFESA DE UMA MEDICINA RESPONSÁVEL E BASEADA EM EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS

A COVID-19 representa o maior problema de saúde pública dos últimos 100 anos e tem desafiado todos os setores da sociedade a encontrar soluções rápidas e inovadoras.

Estudos nacionais e internacionais vêm sendo realizados para avaliar as melhores medidas de enfrentamento, num grande esforço mundial para o combate da COVID-19, incluindo diversas pesquisas sobre a resposta imune, o desenvolvimento de vacinas e medicamentos para a prevenção e tratamento.

Nesse cenário, uma grande quantidade de informação científica vem sendo produzida e muitas vezes divulgada, dentro e fora do meio científico, com interpretações equivocadas ou precipitadas, antes mesmo de estarem expressamente reconhecidas cientificamente.

A análise das mais atuais e confiáveis evidências científicas, assim como a manifestação de entidades científicas independentes, em relação a eficácia e segurança da profilaxia e tratamento para a COVID-19 em casos leves a moderados afirmam que:

1. Num cenário de poucas certezas e recursos limitados, deve-se investir nas medidas que têm demonstrado resultados na redução da transmissão e sucesso no controle da pandemia:

i. Acesso facilitado aos cuidados em saúde;

ii. Identificação e isolamento precoce de todos os casos suspeitos e confirmados;

iii. Testagem ampla (incluindo casos leves e não somente casos graves);

iv. Distanciamento físico e redução de aglomerações, uso de máscaras e higienização frequente das mãos;

v. Monitoramento contínuo de pacientes até recuperação;

vi. Planejamento e organização de infraestrutura de suporte para os casos graves.

2. Não é recomendada a prescrição de tratamentos ou profilaxias com cloroquina ou hidroxicloroquina com ou sem azitromicina para manejo ambulatorial da COVID-19 leve à moderada.

A evidência atual tem mostrado associação do seu uso com potencial risco aumentado de arritmias e de parada cardíaca em algumas situações.

3. Não é recomendada a prescrição de ivermectina, nitazoxanida, cloroquina ou hidroxicloroquina, corticoides, lopinavir/ritonavir, tocilizumabe, anticoagulantes, vitaminas e/ou suplementos alimentares contendo zinco ou outros nutrientes, para tratamento ou profilaxia ambulatorial da COVID-19 leve à moderada.

Não há evidências concretas que pessoas que usem esses medicamentos isolados ou em associação, de forma profilática ou como tratamento para COVID-19, venham a ter seu risco de complicações pela COVID-19 reduzido.

Alinhadas a essas evidências, diversas entidades científicas nacionais e internacionais têm se posicionado alertando os profissionais sobre o balanço negativo de risco-benefício na prescrição de medicamentos para o tratamento da COVID-19.

Recentemente a Food and Drugs Administration (FDA) dos EUA proibiu a prescrição de hidroxi/cloroquina para COVID-19 fora de estudos clínicos.

Aproximadamente 80% das pessoas com COVID-19 vão ter somente sintomas leves a moderados, independentemente de qualquer tratamento prescrito no início da doença.

Submetê-las a tratamentos medicamentosos precoces sem termos até o momento qualquer comprovação de benefício não é prudente nem seguro. Primum non nocere.

Nós, médicos abaixo-assinados, compreendemos a angústia e insegurança de todos com a falta de um arsenal terapêutico medicamentoso eficaz e seguro contra a pandemia, porém temos visto com apreensão os sinais de estigmatização, desinformação e politização da pandemia da COVID-19.

São graves e preocupantes os movimentos que vêm pressionando o poder público e promovendo desinformação e coerção de pacientes, profissionais de saúde e tomadores de decisão para impor supostos tratamentos precoces da COVID-19, independente de evidências de sua eficácia ou da sua segurança.

Preocupante também é a pressão associada para a flexibilização das medidas de distanciamento físico, advogando uma falsa sensação de segurança à população com o uso de medicamentos, contribuindo para a desinformação, a desorganização das ações em saúde pública, o avanço da transmissão da Covid-19 e suas calamitosas consequências.

Reconhecemos, contudo, que a prescrição de tratamentos fora de sua indicação aprovada (off-label) pode ser uma decisão individual do médico compartilhando os possíveis benefícios e riscos com o paciente.

Essa decisão deve contar com uma avaliação ‘caso a caso’ e necessariamente com o acompanhamento e monitoramento próximos do paciente pelo próprio prescritor.

Não se recomenda a prescrição de ‘combos’ ou ‘kits’ de medicamentos que possam somar riscos, interações medicamentosas e possibilidades de efeitos adversos.

Ressalta-se que o Código de Ética Médica legisla que: “É vedado ao médico: Art. 113. Divulgar, fora do meio científico, processo de tratamento ou descoberta cujo valor ainda não esteja expressamente reconhecido cientificamente por órgão competente”.

A discussão sobre o tratamento medicamentoso precoce da COVID-19 está gerando desinformação e enfraquecendo as ações de combate à pandemia.

Tais medidas necessitam urgentemente serem pautadas pela sociedade, encontrando soluções que envolvam todos os setores da sociedade.

#tratamentosócomevidência #distanciamentotemevidência

#todosjuntospelavida #fiqueemcasa #ninguémficapratrás

#segurançaemprimeirolugar

Manifesto Segurança do Paciente Covid 19 by Conceição Lemes on Scribd



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1 comentário

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marcio gaúcho

13 de julho de 2020 às 17h57

O que leva um médico formado e atuante a prescrever, sem comprovação científica, esse “Coquetel do Messias anti-covid-19”, apenas baseado em evidências, boatarias ou outros interesses escusos aos seus pacientes, de forma profilática a quem não apresenta nenhum sintoma da doença? É a ideologização e a politização da medicina, beirando o curandeirismo. Hora de reavaliar a profissão ou rasgar os diplomas!

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