VIOMUNDO

Diário da Resistência


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Robert Fisk: O Jornalismo e as palavras do poder


26/05/2010 - 03h49

Journalism and ‘the words of power’

By Robert Fisk

O original está aqui, em inglês (dica do Índio)

O correspondente do jornal britânico The Independent no Oriente Médio, Robert Fisk, fez o seguinte discurso no quinto fórum anual da emissora árabe Al Jazeera, em 23 de maio:

Poder e mídia não são apenas relações amigáveis entre jornalistas e líderes políticos, entre editores e presidentes. Não são apenas sobre as relações parasitárias e de osmose entre repórteres supostamente honrados e o eixo do poder que existe entre a Casa Branca, o Departamento de Estado e o Pentágono, a Downing Street e os ministérios das Relações Exteriores e da Defesa [britânicos]. No contexto Ocidental, a relação entre poder e mídia diz respeito a palavras — é sobre o uso de palavras. É sobre semântica. É sobre o emprego de frases e suas origens. E é sobre o mau uso da História e sobre nossa ignorância da História. Mais e mais, hoje em dia, nós jornalistas nos tornamos prisioneiros da linguagem do poder.

Isso acontece porque não nos preocupamos com a linguística? É porque os laptops ‘corrigem’ nossa ortografia, ‘limpam’ nossa gramática de forma a que nossas sentenças frequentemente se tornem idênticas às de nossos líderes? É por isso que os editoriais de jornais hoje em dia soam como se fossem discursos políticos?

Deixem-me demonstrar o que quero dizer.

Por duas décadas as lideranças dos Estados Unidos e do Reino Unido — e dos israelenses e palestinos — tem usado as palavras “processo de paz” para definir o acordo sem futuro, inadequado e desonroso que permite aos Estados Unidos e a Israel fazerem o que bem entenderem com os pedaços de terra que deveriam ser dados a um povo sob ocupação.

Eu primeiro me perguntei sobre esta expressão e sobre a origem dela na época de Oslo [Nota do Viomundo: A capital da Noruega foi sede das negociações que resultaram num tratado entre israelenses e palestinos celebrado na Casa Branca com as presenças do presidente Bill Clinton, do líder palestino Yasser Arafat e do primeiro-ministro de Israel Yitzhak Rabin, tratado que na prática fracassou]  — embora a gente se esqueça facilmente que as rendições secretas de Oslo tenham sido, em si, uma conspiração sem qualquer base legal. Pobre e velha Oslo, sempre pensei! O que Oslo fez para merecer isso? Foi o acordo da Casa Branca que selou o tratado dúbio e absurdo — pelo qual os refugiados, as fronteiras, as colônias israelenses e mesmo o plano de metas foram adiados até que não pudessem mais ser negociados.

E como nos esquecemos facilmente do gramado da Casa Branca — embora, sim, lembremos das imagens — no qual Clinton citou o Corão e Arafat escolheu dizer: “Obrigado, obrigado, obrigado sr. presidente”. E como chamamos esse embuste depois? Sim, foi um ‘momento histórico’! Foi? Foi mesmo?

Vocês se lembram como Arafat se referia a ele?  “A paz dos bravos”. Mas não me lembro que algum de nós tenha apontado que a frase “paz dos bravos” foi usada originalmente pelo general De Gaulle no fim da guerra [de independência] da Argélia. Os franceses perderam a guerra na Argélia. Nós não nos demos conta desta ironia extraordinária.

Vemos isso de novo, hoje. Nós, jornalistas ocidentais — usados outra vez mais pelos nossos líderes — temos noticiado como os felizes generais do Afeganistão tem dito que a guerra lá só pode ser vencida como parte de uma campanha “pelos corações e mentes” [dos afegãos]. Ninguém fez aos generais a pergunta óbvia: esta mesma frase não foi usada em relação aos civis vietnamitas na guerra do Vietnã? E nós não — nós, o Ocidente —  não perdemos a guerra do Vietnã?

Ainda assim nós, jornalistas ocidentais, estamos usando — no Afeganistão — a frase “corações e mentes” em nossas reportagens, como se fosse uma frase nova no dicionário e não um símbolo de derrota usado pela segunda vez em quatro décadas, em alguns casos usada pelos mesmos soldados que venderam esta bobagem — quando eram mais novos — no Vietnã.

Olhem agora para as palavras que nós recentemente ‘adotamos’ vindas dos militares dos Estados Unidos.

Quando nós ocidentais descobrimos que “nossos” inimigos — a Al-Qaeda, por exemplo, ou o talibã — explodiram mais bombas e patrocinaram mais ataques do que o esperado, chamamos isso de “um pico de violência”. Ah, sim, um ‘pico’.

Um ‘pico’ de violência, senhoras e senhores, foi uma frase primeiro usada, de acordo com meus arquivos, por um general na Zona Verde de Bagdá em 2004 [inicialmente quartel-general da ocupação dos Estados Unidos no Iraque]. No entanto, nós usamos a frase agora, discutimos a partir dela, replicamos como se fosse nossa. Estamos usando, literalmente, uma expressão criada para nós pelo Pentágono. Um “pico”, naturalmente, significa algo que sobe rapidamente e que em seguida cai rapidamente. Um ‘pico’, assim sendo, evita o uso do terrível “aumento da violência” — já que um aumento, senhoras e senhores, pode não ser seguido por uma redução posteriormente.

De novo, quando os generais dos Estados Unidos se referem a um repentino aumento de suas forças para um ataque contra Fallujah ou o centro de Bagdá ou Kandahar — um movimento em massa de soldados trazidos para países muçulmanos  aos milhares — eles chamam isso de ‘surge’. E um ‘surge’, como um tsunami ou qualquer outro fenômeno natural, pode ter efeitos devastadores. O que esses ‘surges’ são, na verdade — para usar as palavras verdadeiras do jornalismo sério — são reforços. E reforços são mandados para as guerras quando os exércitos estão perdendo essas guerras. Mas nossos meninos e meninas nos jornais e nas emissoras de TV estão falando em ‘surges’ sem atribuir isso ao Pentágono! O Pentágono ganha de novo.

Enquanto isso, o ‘processo de paz’ desabou. Assim nossos líderes — nós gostamos de chamá-los de ‘jogadores-chave’ — estão tentando de novo. Assim o processo tem de ser colocado ‘nos trilhos’. Era um trem, como vocês notaram. Os vagões tinham saído dos trilhos. E assim o trem tem de ser posto de novo ‘nos trilhos’. Foi o governo Clinton o primeiro a usar a frase, depois os israelenses, depois a BBC. Mas havia um problema quando o ‘processo de paz’  foi colocado de novo ‘nos trilhos’ — e ainda assim não andou. E então produzimos o ‘mapa do caminho’ — tocado por um quarteto liderado pelo nosso amigo de Deus, Tony Blair, ao qual — em uma obscenidade da História — agora nos referimos como ‘enviado da paz’.

Mas o ‘mapa do caminho’ não está funcionando. E agora, notem, o velho ‘processo de paz’ está de volta aos jornais e às telas de TV. Dois dias atrás, na CNN, um destes velhos chatos que os meninos e meninas da TV chamam de ‘experts’ — falarei deles em um momento — nos disse de novo que o ‘processo de paz’  está sendo colocado ‘nos trilhos’ por causa do início de ‘conversas indiretas’ entre israelenses e palestinos.

Senhoras e senhores, não são apenas clichês — isso é jornalismo absurdo. Não existe mais batalha entre o poder e a mídia. Através da linguagem, nós nos tornamos eles. Talvez o problema advenha de que a gente não pensa mais por conta própria por não ler livros. Os árabes ainda lêem livros — não estou falando aqui sobre a taxa de analfabetismo em países árabes — mas não estou certo de que no Ocidente a gente ainda leia livros. Eu geralmente mando mensagens por telefone e descubro que tenho de passar dez minutos repetindo à secretária algumas centenas de palavras. Elas não sabem soletrar.

Eu estava no avião um dia destes, voando de Paris a Beirute — um vôo de cerca de 3 horas e 45 minutos — e a mulher sentada ao lado estava lendo um livro em francês sobre a história da Segunda Guerra Mundial. Ela mudava de página depois de alguns segundos. Acabou o livro antes do pouso em Beirute! E de repente me dei conta de que ela não estava lendo o livro, estava surfando nas páginas! Tinha perdido a habilidade do que costumo chamar de ‘leitura profunda’. Meramente usamos as primeiras palavras que aparecem…

Deixe-me mostrar outro pedaço da covardia midiática que faz os meus dentes de 63 anos de idade rangerem depois de 34 anos comendo humus e tahina no Oriente Médio.

Somos informados, em tantas análises, que precisamos lidar no Oriente Médio com ‘narrativas que competem’. Que meigo. Não há justiça, nem injustiça, apenas algumas pessoas que nos contam histórias diferentes. ‘Narrativas que competem’ agora aparece regularmente na imprensa britânica. A frase é uma espécie — ou subespécie — da falsa linguagem da antropologia. Nega a possibilidade de que um grupo de pessoas — no Oriente Médio, por exemplo — seja ocupado, enquanto outro grupo de pessoas promove a ocupação. Novamente, não há justiça, injustiça, não-opressão ou opressão, apenas amigáveis ‘narrativas que competem’, um jogo de futebol, se quiserem, um campo neutro já que os dois lados estão — não estão? — ’em competição’. E os dois lados merecem tempo igual em todas as reportagens.

E assim uma ‘ocupação’ pode se tornar uma ‘disputa’. E assim um ‘muro’ pode se tornar uma ‘cerca’ ou uma ‘barreira de segurança’. E assim a colonização israelense de terra árabe contrária a todas as leis internacionais se torna ‘acampamentos’ ou ‘postos’ ou ‘vizinhanças judaicas’.

Vocês não vão se surpreender ao descobrir que foi Colin Powell, em seu estrelato sem poder no posto de secretário de Estado de George W. Bush, que disse a diplomatas americanos no Oriente Médio que eles deveriam se referir à terra ocupada dos palestinos como ‘terra disputada’ — o que foi bom o suficiente para a maior parte da mídia americana.

Fiquem de olho na ‘narrativa que compete’, senhoras e senhores. Não há ‘narrativas que competem’, naturalmente, entre os militares dos Estados Unidos e o talibã. Quando houver, no entanto, vocês saberão que o Ocidente perdeu. Mas vou dar um exemplo pessoal para demonstrar como as ‘narrativas que competem’ evaporam.

No ano passado, fiz uma palestra em Toronto para marcar os 95 anos do genocídio armênio de 1915, o assassinato em massa deliberado de um milhão e meio de cristãos armênios por milícias e pelo exército otomano da Turquia. Antes da minha palestra, fui entrevistado na tv canadense, a CTV, que também é dona do jornal Toronto Globe and Mail. Desde o início, notei que minha entrevistadora tinha um problema. O Canadá tem uma grande comunidade armênia. Mas Toronto também tem uma grande comunidade turca. E os turcos, como o Globe and Mail sempre diz, ‘negam calorosamente’ que tenha havido genocídio. E assim a entrevistadora chamou o genocídio de “massacres mortais”.

Naturalmente que notei este problema específico de cara. Ela não podia chamar os massacres de ‘genocídio’ porque a comunidade turca se sentiria ultrajada. Mas, igualmente, ela sentiu que ‘massacre’ sozinho — especialmente com as fotos cruéis que serviam de cenário no estúdio, de armênios mortos — não seria suficiente para definir um milhão e meio de seres humanos assassinados. Daí os ‘massacres mortais’. Que estranho!!! Se existem massacres ‘mortais’, existem massacres que não são ‘mortais’, nos quais as vítimas saem com vida? Foi tautologia ridícula.

No fim, contei este pequeno caso de covardia jornalística na palestra, para minha audiência armênia, na qual também havia executivos da CTV. Uma hora depois de minha palestra, o armênio que promoveu o encontro recebeu uma mensagem de texto de um repórter da CTV. “Cagar na CTV não tinha nada a ver”, o repórter reclamou. Duvido, pessoalmente, que a palavra ‘cagar’ seja usada na CTV. Mas ‘genocídio’ também não é. Foi assim que as ‘narrativas que competem’ explodiram.

Sim, o uso da linguagem do poder — de suas palavras e frases — é comum entre nós. Quantas vezes ouvi de repórteres ocidentais sobre ‘combatentes estrangeiros’ no Afeganistão? Eles estão se referindo, naturalmente, a vários grupos árabes que supostamente ajudam o talibã. Ouvimos a mesma história no Iraque. Sauditas, jordanianos, palestinos, combatentes chechenos, naturalmente. Os generais os chamavam de ‘combatentes estrangeiros’. E assim, imediatamente, fizemos o mesmo. Chamá-los de ‘combatentes estrangeiros’ significava que são uma força de invasão.  Mas nunca — nunca — ouvi uma estação de TV ocidental se referir ao fato de que existem pelo menos 150 mil ‘combatentes estrangeiros’ no Afeganistão. E que a maioria deles, senhoras e senhores, veste uniformes dos Estados Unidos e da Otan!

Da mesma forma, a frase perniciosa ‘Af-Pak’ — racista e politicamente desonesta como é — é usada por repórteres quando foi originalmente uma criação do Departamento de Estado, no dia em que Richard Holbrooke foi indicado mediador dos Estados Unidos no Afeganistão e no Paquistão. Mas a frase evita o uso da palavra ‘Índia’, cuja influência no Afeganistão e cuja presença no Afeganistão é parte vital da história. Além disso, ‘Af-Pak’ — ao apagar a Índia — eficazmente apaga toda a crise de Kashmir do conflito no sudeste da Ásia. E assim o Paquistão ficou sem qualquer papel na política dos Estados Unidos para Kashmir — afinal, Holbrooke foi nomeado para o ‘Af-Pak’, especificamente proibido de discutir Kashmir. E assim a frase ‘Af-Pak’, que nega totalmente a tragédia do Kashmir — muitas ‘narrativas que competem’, quem sabe? — significa que quando nós jornalistas usamos a mesma frase, ‘Af-Pak’ — que com certeza foi criada para nós — estamos fazendo o trabalho do Departamento de Estado americano.

Agora olhemos para a História. Nossos leitores amam História. Mais que tudo, eles amam a Segunda Guerra Mundial. Em 2003, George W. Bush pensou que era Churchill e George W. Bush. Na verdade, Bush gastou a guerra do Vietnã protegendo os céus do Texas dos vietcongs [Nota do Viomundo: Durante a guerra do Vietnã, Bush filho evitou sua convocação servindo à Força Aérea americana em uma base do Texas].

Mas agora, em 2003, Bush estava enfrentando os ‘apaziguadores’ que não queriam guerra com o Saddam que era, naturalmente, o “Hitler do [rio] Tigre”. Os ‘apaziguadores’ eram os britânicos que não queriam enfrentar a Alemanha nazista em 1938. Blair, naturalmente, também experimentou a casaca de Churchill. Ele não era ‘apaziguador’. Os Estados Unidos eram os aliados mais antigos do Reino Unido — Blair proclamou — e Bush e Blair lembraram aos jornalistas que os Estados Unidos estavam ombro a ombro com o Reino Unido quando este precisou de ajuda, em 1940.

Mas nada disso era verdade.

O mais antigo aliado do Reino Unido não foram os Estados Unidos. Foi Portugal, um estado fascista que ficou neutro durante a Segunda Guerra. Somente meu jornal, o Independent, notou isso.

Nem os Estados Unidos lutaram ao lado do Reino Unido na hora que os britânicos precisaram, em 1940, quando Hitler ameaçou invasão e a força aérea alemã bombardeou Londres. Não, em 1940 os Estados Unidos aproveitavam um período lucrativo de neutralidade — e não se juntaram à guerra do Reino Unido a não ser depois que o Japão atacou a base de Pearl Harbor em dezembro de 1941. Doeu!

Em 1956, li outro dia, Eden chamou Nasser de ‘Mussolini do Nilo’. Um erro. Nasser era amado pelos árabes, não odiado como Mussolini era pela maioria dos africanos, especialmente os líbios árabes. O paralelo com Mussolini não foi questionado pela mídia britânica. E todos sabemos o que aconteceu em Suez em 1956.

[Nota do Viomundo: Anthony Eden foi ministro britânico das Relações Exteriores mas, como notou o leitor Bico, era primeiro-ministro britânico durante a crise de Suez; Gamal Abdel Nasser, líder nacionalista do Egito; em 1956 Nasser nacionalizou o canal de Suez, ao que se seguiu um ataque militar de Reino Unido, França e Israel, que só fracassou politicamente por pressão de Estados Unidos e União Soviética]

Sim, quando se trata de História, nós jornalistas simplesmente deixamos que presidentes e primeiros-ministros nos dêem um balão.

Hoje, no momento em que estrangeiros tentam levar comida e combustível pelo mar a palestinos famintos em Gaza, nós jornalistas deveríamos relembrar nossos telespectadores e leitores de um dia faz-tempo quando os Estados Unidos e o Reino Unido sairam em socorro de um povo cercado, levando comida e combustível — foi assim que alguns de nossos próprios militares morreram — para uma população faminta.

Aquela população tinha sido cercada por uma cerca construída por um exército brutal que queria torná-los submissos pela fome. O exército era o russo. A cidade era Berlim. O muro viria mais tarde. O povo ajudado tinha sido nosso inimigo há apenas três anos. Ainda assim fizemos uma ponte-aérea para salvá-los. Agora olhem para Gaza. Que jornalista ocidental — e amamos paralelos históricos — já mencionou Berlim de 1948 no contexto de Gaza?

Olhem para exemplos mais recentes. Saddam tinha ‘armas de destruição em massa’ — dá para encaixar ‘WMD’ numa manchete — mas naturalmente, ele não tinha e a imprensa americana passou por momentos embaraçosos de auto-condenação. Como pudemos ser enganados, o New York Times se perguntou? O jornal concluiu que não tinha desafiado suficientemente o governo Bush.

E agora o mesmo jornal está suavemente — muito suavemente — batendo os bumbos de guerra no Irã. O Irã está trabalhando com ‘WMD’. E depois da guerra, se houver guerra, haverá de novo a auto-condenação, se não houver projetos de armas nucleares no Irã.

Ainda assim o lado mais perigoso de nosso uso da semântica de guerra, nosso uso das palavras do poder — embora não seja uma guerra, já que nós nos rendemos — é que isso nos isola de nossos telespectadores e leitores. Eles não são estúpidos. Eles entendem as palavras e, em muitos casos — temo — melhor que nós. Eles sabem que estamos afogando nosso vocabulário na linguagem dos generais e presidentes, das assim-chamadas elites, na arrogância dos experts do Brookings Institute, ou daqueles da Rand Corporation ou o que eu chamo de ‘tink thanks’. Então nós nos tornanos parte desta linguagem. Aqui estão, por exemplo, algumas palavras perigosas:

– power players
– ativismo
– atores não-estatais
– jogadores-chave
– jogadores geoestratégicos
– narrativas
– jogadores externos
– processo de paz
– soluções significativas
– Af-Pak
– agentes de mudanças (quem quer que sejam estas criaturas sinistras)

Não sou um convidado regular da Al Jazeera. Isso me dá liberdade para falar. Alguns anos atrás, quando Wadah Khanfar (agora diretor-geral da Al Jazeera) era o homem da emissora em Bagdá, os militares dos Estados Unidos  começaram uma campanha de boatos contra o escritório de Wadah, alegando — mentirosamente — que a Al Jazeera fazia o jogo da Al Qaeda porque estava recebendo vídeos de ataques contra forças dos Estados Unidos. Fui a Fallujah para checar isso. Wadah estava 100% correto. A Al Qaeda estava entregando os vídeos de suas emboscadas sem qualquer aviso, colocando nas caixas de correio. Os americanos estavam mentindo. O Wadah, naturalmente, está pensando o que virá em seguida…

Bem, devo dizer a vocês, senhoras e senhores, que todas as ‘palavras perigosas’ que acabei de ler para vocês — de jogadores-chave a narrativas a processo de paz a Af-Pak — estão no programa de nove páginas da Al Jazeera para este forum.  Não estou condenando a Al Jazeera por isso, senhoras e senhores. Porque este vocabulário não é adotado como resultado de aliança política. É uma infecção da qual todos sofremos. Eu mesmo usei ‘processo de paz’ algumas vezes, embora entre aspas, o que não dá para fazer na TV, mas sim, é um contágio.

E quando usamos estas palavras nós nos tornamos aliados do poder e das elites que mandam no mundo sem medo de serem desafiadas pela mídia. A Al Jazeera fez mais que qualquer rede de televisão que conheço para desafiar a autoridade, tanto no Oriente Médio quanto no Ocidente. (Não estou usando ‘desafio’ como ‘problema’, mas como ‘enfrento muitos desafios’, dito pelo general McCrystal).

Como escapamos desta doença? Fiquem de olho nos corretores de ortografia de seus laptops, nos sonhos dos subeditores com palavras de uma sílaba, parem de usar a Wikipedia. E leiam livros, com páginas de papel, que significam leitura profunda. Livros de História, especialmente.

A Al Jazeera está fazendo uma boa cobertura da frota — o comboio de barcos — que vai a Gaza. Não acredito que sejam um bando de anti-israelenses. Penso que este comboio internacional está a caminho porque as pessoas a bordo dos navios — de todo o mundo — estão tentando fazer o que líderes supostamente humanitários deixaram de fazer. Estão levando comida e combustível e equipamento hospitalar para aqueles que sofrem. Em qualquer outro contexto, os Obamas e os Sarkozys e os Camerons estariam competindo para mandar fuzileiros navais, marinheiros reais ou forças francesas com ajuda humanitária — como Clinton fez na Somália. O divino Blair não acreditava em ‘intervenção’ humanitária em Kosovo e Serra Leoa?

Em circunstâncias normais, o Blair colocaria o pé sobre a fronteira. Mas não. Não ousamos ofender Israel. E assim pessoas comuns estão tentando fazer o que os líderes não fizeram. Os líderes fracassaram. E a mídia? Estamos mostrando imagens de documentários da ponte aérea que salvou Berlim? Ou das tentativas de Clinton de resgatar pessoas que morriam de fome na Somália ou da ‘intervenção’humanitária de Blair nos Balcãs, simplesmente para relembrar nossos leitores e telespectadores — e aqueles pessoas naqueles barcos — que isso é hipocrisia em escala maciça?

O diabo que estamos! Nós preferimos ‘narrativas que competem’. Poucos políticos querem que a viagem até Gaza seja completada — seja o seu fim bem sucedido, uma farsa ou trágico. Nós acreditamos no ‘processo de paz’, no ‘mapa do caminho’. Mantenham a ‘cerca’ em torno dos palestinos. Deixem os ‘jogadores-chave’ encontrar uma solução. Senhoras e senhores, não sou seu ‘key-speaker’ nesta manhã. Sou seu convidado e agradeço pela paciência que tiveram em me ouvir.

PS: Esta tradução é continuamente aperfeiçoada a partir dos comentários dos internautas, a quem agradecemos pela ajuda.

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



53 comentários

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A crise e as novas forças políticas (e as nem tão novas assim) | Viomundo - O que você não vê na mídia

29 de maio de 2010 às 14h28

[…] Robert Fisk tratou melhor disso do que eu o faria, ainda que chegasse aos 100 anos de […]

Responder

yacov

27 de maio de 2010 às 12h33

… As pessoas se "acomodam" a posições pré-fabricadas pelos centros de poder, difundem suas idéias facciosas, identificando-as como suas próprias, e as suas próprias idéias (ou falta delas), como sendo do BEM… Nada mais ilusório. O que estamos assistindo atualmente, principalmente nas questões que envolvem o Oriente Médio, internacionalmente e as eleições, nacionalmente, é o triunfo de um maniqueísmo e de um sectarismo chulos nas mídia corporativas, pois "tudo o que não é espelho, narciso acha feio". Nossa salvação, nesse grande Big Brother em que a mídia corporativa se transformou, é a internet e alguns heróis da resistência, como estes blogueiros "anarquistas, graças a Deus", do tipo Azenha, PHamroin, Rodrigo Vianna e similares.

"O BRASIL DE VERDADE não passa na glOBO – O que passa na glOBO é um braZil para os TOLOS"

Responder

yacov

27 de maio de 2010 às 12h32

Penso que, num mundo onde as "armas" foram substituídas pelas "palavras", a profissão de jornalista é muito importante para que este seja dispensado do "canudo". Penso que além do canudo de jornalismo, este profissional deveria ter uma sólida formação em história, economia, gramática, e até filosofia e ciências. A liberdade de pensamento, tão defendida por pessoas esclarecidas, ao longo dos tempos, desde PLATÃO, parece ter se tornado, um item acessório nos dias atuais (cont.)

"O BRASIL DE VERDADE não passa na gLoBo – O que passa na glOBO é um braZil para TOLOS"

Responder

Milton Hayek

27 de maio de 2010 às 12h31

Cadê o Ubaldo??????????????????????????????????????????????????????????????????

Relação dívida/PIB deve fechar maio em 41,2%, diz Altamir

Em abril, taxa era de 42,2%; projeção para maio considera câmbio a R$ 1,84

Adriana Fernandes e Fabio Graner, da Agência Estado
http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,…

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Roberto

27 de maio de 2010 às 11h18

O nosso mundo se rende às nossas palavras. A língua foi assassinada. A linguagem. Como ainda se matêm na academia. Sou um pouco mau.

Responder

mac

27 de maio de 2010 às 14h00

Quem quer um presidente que acorda tarde ?

O sono do Serra

Notívago, Serra está acostumado a ir dormir de madrugada e acordar tarde …
http://oglobo.globo.com/pais/moreno/posts/2010/05

O Brasil acorda cedo

Responder

    mac

    27 de maio de 2010 às 11h16

    Quem trabalha depois do expediente,na madruga ,quando tudo está quieto e todos dormindo ,são os ratos.

fichacorrida

27 de maio de 2010 às 07h45

O que Fisk diz tamém diz repeito à velha mídia brasileira. Cuba é sempre comunista; Colômbia nunca é capitalista. O PT é esquerdista; o DEMo nunca é direitista. O MST é invasor; a CUTRALE e Katia Abreu são o quê? Roubo é desvio somente quando o meliante têm ligações com quem divulga a notícia. E assim caminha a velha mídia.

Responder

mac

27 de maio de 2010 às 07h01

VEJA acompanha José Serra
http://veja.abril.com.br/blog/eleicoes/veja-acomp

se isso não for campanha antecipada …

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Werner_Piana

26 de maio de 2010 às 21h57

Fisk, sempre um texto de excelência. Aula de História e de Jornalismo.

Concordo com ele. Nenhum acesso fácil à informação rasa da tv, internet, pode substituir a leitura de um bom livro impresso, de um bom jornal diário independente (de verdade), como aqui no Brasil não temos.

Saudades do jornal 'República' do Mino Carta do fim dos anos 70… saudades de ler um jornalão digno impresso em papel no fim-de-semana…

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beattrice

26 de maio de 2010 às 21h45

Azenha,
realmente um excelente artigo.
Nós, em terras brasilis estamos experts em "narrativas que competem", competem com a verdade dos fatos, como bem exemplifica o já famoso caso da Procuradora.

Responder

Lucas Cardoso

26 de maio de 2010 às 19h30

Ótimo artigo. Só gostaria de mencionar que os EUA ("O ocidente") não "perderam" a guerra do Vietnam. Eles só não conseguiram ganhar e desistiram.

Depois de bombardear o país todo, matar milhares de inocentes e dar dinheiro para as indústrias bélicas (essas aí que vêm ganhando todas as guerras estadunidenses desde a segunda guerra mundial).

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Alcindo

26 de maio de 2010 às 18h58

Excelente artigo. É bom ver este problema ser abordado por um jornalista cujas palavras têm alcance de milhões de pessoas pelo mundo. Vivemos a sofrer por sermos tratados como idiotas quando, através do PIG, escutamos algumas dessas "palavras perigosas":
Insurgentes – Iraquianos que lutam em seu próprio país contra as forças de ocupação anglo-americanas.
Rebeldes – Idem.
Novo recurso contra o terror – Nova arma israelense
Etc.

Responder

Eduardo Lima

26 de maio de 2010 às 18h42

Lula mostrou a hipocrisia das potências ocidentais. E eu não sei como ainda consigo assistir a Globo News e seus debates de uma só opinião. Dizendo que Lula usou o acordo com o Irã de forma eleitoral, como se ele precisasse disso. Que pequenez tem a nossa mídia. Willian Waack dizendo que o Brasil não deve se entrometer em assuntos de paz e de guerra. Quer dizer, só as potências ocidentais podem dizer onde vai ter guerra e onde vai ter paz? E mais, como noticiou a imprensa estrangeira, o Brasil não se entrometeu em nada, pois faz parte do conselho de segurança, embora sem direito a veto. Pelo contrário, foi encorajado e incentivado. As potências ocidentais subestimaram um metalúrgico que é tão bom negociador que já organizou greve em plena ditadura militar.

Responder

    Alcindo

    26 de maio de 2010 às 19h29

    Globo, Veja, etc. ficaram muito pequenos e toscos para o que o Brasil é hoje. A imprensa direitista precisa se reestruturar em bases muito mais avançadas. O efeito da poção alienadora da época neoliberal está passando. E não adiantam reformas ridículas, como a que fez a Folha, onde o caderno 'Dinheiro" passou a se chamar "Mercado" e o caderno Brasil passou a se chamar "Poder."

    Augusto Curtial

    27 de maio de 2010 às 06h52

    Exatamente! Quem lê revistas e jornais estrangeiros (EUA, França, Inglaterra, Alemanha, e mesmo Argentina e México) percebe nitidamente a diferença. Mesmo quando se trata de publicações conservadoras e de reportagens com viès ideologico de direita, hà argumentação coerente e respeito aos pontos de vista opostos. Eles têm suas linhas editoriais, mais não fogem ao debate e à tentativa de interpretar o mundo. Jà a nossa imprensa conservadora, orientada por idiossincrasias mesquinhas e um conservadorismo feudal, e adota a estratégia do ataque pessoal e do esvaziamento do debate. Foi o que aconteceu neste episodio do Irã. Quem leu por exemplo a repercussão do tema no NY Times ou no Le Monde viu que mesmo sendo céticos com relação ao acordo, os reporteres e colunistas que trataram do assunto reconheceram os esforcos, e sobretudo!, a legitimidade da inciativa brasileira e turca. Eles inclusive não se furtaram a tecer reflexões sobre o novo papel que os paises emergentes podem desempenhar no cenario mundial multipolar (ao que aliàs o Ministro Celso Amorim se refere em sua entrevista ao JB). Nos jornais conservadores brasileiros, por outro lado, os argumentos (explicitos ou sibentendidos) campeões entre os auto designados "especialistas" da imprensa era o de que o Brasil não deveria ter se metido no assunto, que Lula se aproveitou da oportunidade para cavar um emprego na ONU e que o Brasil "mais uma vez passou vexame" frente às superpotências. Ou seja, praticam a tatica do ataque pessoal e do consequente esvaziamento do debate. Conslusão: quem quiser se manter bem informado e dispor de argumentos consistentes (que sejam de direita ou de esquerda) sobre o episodio do Irã deve evitar ler a Veja, a Folha de SP e assistir ao à Globo; deve ir direto à Economist, Le Monde Diplomatique, Foreign Affaires, e diarios dos paises supracitados.
    PS: além do mais, quem jà morou no exterior sabe que aos olhos de cidadãos dos paises "desenvolvidos" o que é motivo de vexame no Brasil não é nossa politica diplomatica independente, mas nossos problemas sociais internos ainda não resolvidos: desvalorização do trabalho assalariado, escravidão, desrespeito às leis e à constituição, trabalho infantil, menores de rua ao deus darà, fome, precariedade da assistência médica, da educação publica e dos transportes, violência, corrupção, e por ai vai… Mazelas oriundas de estruturas sociais, politicas e econômicas arcaicas e conservadoras, que as grandes empresas de comunicação, proprietarias da midia conservadora, contribuem a perpetuar.

    um abraço…

    Augusto Curtial

    27 de maio de 2010 às 11h42

    "Dizendo que Lula usou o acordo com o Irã de forma eleitoral, como se ele precisasse disso. Que pequenez tem a nossa mídia. Willian Waack dizendo que o Brasil não deve se entrometer em assuntos de paz e de guerra. "

    So pra acrescentar: é sabido que nos, cidadãos brasileiros, ainda temos uma profunda dificuldade em distinguir entre governo e estado, pessoa e função, entre o concreto e o abstrato. Isso não deveria ser assim. Por exemplo, o sujeito pode odiar o Lula e criticar suas idéias e iniciativas, mas deve respeitar a figura e os atos do Presidente da Republica e a dignidade do Estado Brasileiro. Ora, os comentarios dos "intelectuais" da midia têm como presuposto justamente a confusão dos dois aspectos, por ignorância, cinismo ou odio afetado. No episodio do Irã, não estavam presentes exatamente o Governo do PT e o Lula, e sim, sobretudo, o Estado Brasileiro e o Presidente da Républica. No entanto o que deveria merecer uma analise do novo papel do Estado e de seu Representante no cenario mundial (o que é muito importante pois quem quer que venha a ser eleito assumirà essa responsabilidade) se transformou num discurso de desdém, mesquinho e recalcado, contra a suposta posição do Governo em "se meter onde não deveria" e "se aproximar do Irã contra os Cinco", e contra a atitude pessoal de seu lider que "so quer aparecer". Quer prova maior de imaturidade politica e despreparo intelectual? Uma incoerência tanto mais incompreensivel que o objetivo brasileiro era tão somente o de tentar negociar a paz (ao que, convenhamos, é dificil se opor sem passar por politicamente incorreto, que é o que os jornalistas mais abominam).

    Jà é mais do que tempo de a imprensa começar a dar o exemplo e distinguir entre politica de estado e politica de governo. O problema é que na grande midia brasileira de hoje, não hà somente um problema de alinhamento ideologico com o conservadorismo, hà também um problema de incompetência e falta de coerência na fundamentação racional dos argumentos. Em outras palavras, falta ter algo de consistente a dizer, algo digno de ser levado a sério e discutido como possibilidade de interpretação. Basta comparar entre o que sai nos jornalões e o que sai nos blogues e algumas publicações mais especiais. A diferença é gritante! Concordo com o amigo que me precede: ou esses caras se adaptam aos novos tempos ou estarão fadados a desaparecer. Aliàs, jà estão desaparecendo: a queda nas vendas e na audiência, a redução da credibilidade e o jogo sujo de apelação (do tipo conferência do Instituto Millenium) são sinais claros disso!

    Chega até a ser irônico: logo eles, que prezam tanto a "livre concorrência neoliberal" e o "darwinismo social", que exaltam a vitoria do mais forte, do mais eficaz e do mais preparado, que pregam a meritocracia num pais de desigualdades estruturais, logo eles, tubarões da midia, serem jantados por pequenas sardinhas virtuais por falta de adaptação às novas conjunturas nacionais e globais… tsc tsc

    um abraço

José Ribeiro Jr

26 de maio de 2010 às 17h47

O portal IG entrevistou o cantor sertanejo Zezé Di Camargo e foi mexer onde não devia: política. Dicerto (como diz o caipira) achou que Zezé ia elogiar os demos/tucanos, mas vejam o que ele disse a respeito:

"Serra acho que é continuação de uma coisa que é meio termo no país inteiro, que é o PSDB. Tivemos experiência com dois mandatos do Fernando Henrique Cardoso, estamos tendo anos e anos de experiência aqui em São Paulo e não é nada daquilo que se propaga. Se vai fazer, transformar o Brasil, faz aqui em São Paulo primeiro então. Fica essa incógnita, você não deu conta de arrumar a sua casa, como quer arrumar a rua inteira?"

Ficou escondido no último parágrafo, mas deveria ter ido para o título da entrevista.

Responder

Luiz Albuquerque

26 de maio de 2010 às 17h24

Caro Azenha, se “A paz dos bravos” foi traduzido de "brave", então talvez a melhor tradução para o português seja "corajosos".
Por fim, queria te dizer seu trabalho me inspirou a fazer o Observatório de Relações Internacionais (www.neccint.ufop.br), onde divulgo muitos dos artigos que você escreve ou publica aqui no Viomundo.
Continue com o bom trabalho, pois a blogosfera precisa de vocês (PHA, Alon, Brizola, Eduardo Guimarães, e muitos outros)
Luiz Albuquerque
Professor de Direito Internacional da UFOP

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Jairo_Beraldo

26 de maio de 2010 às 15h59

Fantástico este artigo. A veemencia do Fisk é de intrigar o raciocinio logico.

Responder

Alexandre

26 de maio de 2010 às 15h22

Isso também vale para o nosso judiciário e ministério público em relação à candidata do governo.

Responder

FatimaBahia

26 de maio de 2010 às 13h51

Coisa boa ler um artigo desse,aula de história e de jornalismo.Obrigadacomo sempre!Não tenho nem o que comentar,só agradecer e divulgar.

Responder

zanuja

26 de maio de 2010 às 13h19

Excelente uma verdadeira aula de história e de jornalismo. Obrigada Azenha.

Responder

Leonardo Avila

26 de maio de 2010 às 15h25

(Continuação…)Enfim, uma ditadura contra os estudantes que realizam o movimento de forma pacífica. Devido ao seu blog ser alvo de leitura de diversos colegas meus que atuam neste meio, tendo a oportunidade de divulgar esta repressão realiza pela mídia local, governo e PMSC para uma grande parcela da população não alienada.
Fico no aguardo por uma resposta, não é necessário que o senhor aceite o comentário, somente tenha conhecimento sobre a censura realizada.
Conto com a sua ajuda.

Segue o meu e-mail: [email protected]

Segue o meu blog:http://www.avilismo.blogspot.com

Att.: Leonardo Avila

Responder

    Alcindo

    26 de maio de 2010 às 19h41

    É justo um grande estado como Santa Catarina depender, para se informar, desta tragédia do jornalismo brasileiro que se chama rede Brasil Sul? Com seu filtro de comunicação que só deixa passar a informação que atenda aos seus interesses políticos e empresariais?

    Carlos

    27 de maio de 2010 às 16h58

    Catarinenses que reajam, que criem alternativas.
    Se jornal diário é inviável em função dos custos, tentem um semanário.
    Mas enquanto isso não for possível , criem blogs ou enviem notícias para os que abram espaço para noticiário daí. Ou atuem em conjunto com o rsurgente e o sul21.

Leonardo Avila

26 de maio de 2010 às 15h24

Boa tarde Azenha. Venho por meio deste comentário realizar um pedido, devido a não possuir um e-mail de contato com o senhor.
Leio o seu blog diariamente, faz parte do meu ciclo de informações verdadeiras, não alteradas.
Devido a esta realidade, gostaria que você acompanhasse a repressão e censura cometida em Florianópolis com os estudantes, estamos realizando um movimento que desde 2005 (Movimento Passe Livre/MPL) age em repúdio ao aumento abusivo das tarifas de "transporte público".
Vou expor alguns fatos ao senhor, caso tenha interesse o meu blog possui um conteúdo em texto, imagens e videos que comprovam tais censuras. A PMSC realiza prisões de forma arbitrária, a RBS não cobre os manifesto, somente "meia dúzia" de casos isolados (atritos e prisões), manipulando os fatos, agindo de encontro aos interesses de burgueses donos de "transporte público". (Continua…)

Responder

Urbano

26 de maio de 2010 às 12h18

Azenha, Parabéns! Há algum tempo que tenho notado o horário de suas postagens e você deve ter um fôlego de mergulhador que não usa equipamento.

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    27 de maio de 2010 às 01h51

    Meu caro, é o único horário que me sobra. Mas ainda assim preciso e consigo acordar cedo. Ainda. abs

    Ricardo Souza

    27 de maio de 2010 às 09h20

    Azenha, mudando de assunto: olha como o José Pedágio é fera com porcentagem!!! http://www.youtube.com/watch?v=UiRNvK95438&fe

    Abraço,
    Ricardo de Souza

setepalmos

26 de maio de 2010 às 12h09

Canibalizando Noam Chomsky: http://setepalmos.wordpress.com/2010/02/20/armas-

Responder

Bico

26 de maio de 2010 às 14h07

Como correcao, Sir Anthony Eden , nao era era chanceler em 1956, por ocasi'ao da crise Suez e sim Primeiro Ministro

Responder

Milton Hayek

26 de maio de 2010 às 13h48

Obama conta com o Brasil e o resto dos BRICS para enfrentar o Pentágono???????????????
http://pbrasil.wordpress.com/2010/05/26/obama-man

Responder

    Alcindo

    26 de maio de 2010 às 22h11

    Obama não cabe em sí de tão feliz com seu amigo Lula por tê-lo ajudado a passar uma rasteira em seus inimigos neocons que têm fome de guerra..

carlos anselmo

26 de maio de 2010 às 12h53

salve, azenha,

como leitor assiduo dos livros e textos do correspondente no líbano do the guardian, robert fisk, só peço o seguinte: nunca deixe de publicar suas matérias, caro azenha, é uma aula de história.

abçs

Responder

Augusto Curtial

26 de maio de 2010 às 12h33

Otimo artigo! Aliàs, a desmistificação da midia, que profissionais como você, Paulo Henrique Amorim, Luis Nassif e outros vêm heroicamente levando a cabo em seus blogs, so serà completa e consistente quando levar em conta também, de modo sistematico, a questão do "discurso jornalistico" e mais amplamento do "discurso social". Pois é na linguagem que se cristalisam as ideologias, e sobretudo aquela que é a mais dificil de se identificar como tal: a do senso comum, da opinião corrente, da doxa média de uma certa sociedade, e que é por excelência a ideologia dos jornais que se dizem "imparciais". Isto é, trata-se da reprodução mecânica, inconsciente, por falta de meios ou de vontade de reflexão por parte dos profissionais da comunicação, de palavras, frases e associações semânticas concernentes a formas de pensar perconceituosas, aos discursos do poder, ou aos valores conservadores, às crenças do cotidiano. Tais discursos, que ao mesmo tempo se alimentam e disseminam medos e esperanças, contribuem para uma manipulação insidiosa, uma manipulação quase invisivel, que se passa facilmente por liberdade de expressão. A alienação do trabalho jornalistico contribui em muito para este fenômeno, mas hà que se ressaltar também, como bem lembra o senhor Fisk, a falta de cultura geral, a insuficiência de conhecimentos solidos de historia e geografia, a quase total ignorância em linguistica e analise do discurso, o pouco tempo e por conseguinte a pouca disposição para a reflexão, e o aprisionamento ideologico do grosso dos jornalistas no Brasil e no mundo.
Sem querer ser arrogante, permitam-me recomendar aqui a leitura de intelectuais como Mikhail Balhtine, Michel Foucault, Pierre Bourdieu, J.L. Austin, Marc Angenot, Dominique Maignueneau, e tantos outros que contribuem para desmistificar o poder da palavra. São leituras dificeis, por vezes muito teoricas, mas suas idéias se aplicam à realidade pratica, ajudam a entender muita coisa, a ver as informações que circulam por ai com outros olhos, ou melhor escutà-las com outros ouvidos. Além disso, permitam-me lembrar que os grandes romances e poemas da literatura brasileira e mundial são também reflexões sobre a lingua, por isso lê-los, de modo frequente e "aprofundado" como diz o senhor Fisk, também ajuda a aprendermos a desconfiar da lingua, dos discursos, das palavras, do que se diz por ai e que se repete na midia. Afinal, ninguém fala nada so por falar…

Acho que ficou muito longo. Desculpem. Por fim, um ultimo detalhe: faltou acrescentar um link para o original em inglês.

Abraço

Responder

Ricardo

26 de maio de 2010 às 12h19

É o desespero que bate á porta do psdb

Responder

O jornalismo e as palavras do poder | Luis Nassif

26 de maio de 2010 às 08h53

[…] Robert Fisk: O Jornalismo e as palavras do poder […]

Responder

Tweets that mention Robert Fisk: O Jornalismo e as palavras do poder | Viomundo - O que você não vê na mídia -- Topsy.com

26 de maio de 2010 às 08h44

[…] This post was mentioned on Twitter by Blog Arlesophia, Dr. Rosinha (PT-PR), Dr. Rosinha (PT-PR), ronan wittee, ronan wittee and others. ronan wittee said: RT @drrosinha: 'Nós jornalistas nos tornamos prisioneiros da linguagem do poder', discursa Robert Fisk; http://ven.to/7Ni via @VioMundo […]

Responder

sergio

26 de maio de 2010 às 11h41

belo texto, mostra que o poder deteriora-se e que é necessário uma nova ordem mundial, epa, caí na armadilha dos jargões

Responder

Pedro Luiz paredes

26 de maio de 2010 às 11h35

Tava na hora de lanças uma campanha mundial contra "a guerra política", ou melhor, usar o termo "o massacre político"; "a guerra do Petróleo"; "a Guerra energética"; etc… Só assim fazer-se-ia um contra peso às ainda lideranças midiáticas.
Vem comigo, se começamos a fazer e a falar escancaradamente sobre esses temas sob essas palavras e enfraquecer as ditas "palavras do poder" deles, logo a opinião pública de massa, trabalhadores e desinteressados vão começar a achar graça dessas mentiras, e isso vai trazer descrédito, eles terão que mudar de estratégia ou falar sério, e ainda obrigar os mentores a tentar resolver de fato essas questões de forma pacífica.
Digo que esse esforço deveria ser feio em conjunto, com jornalistas do mundo inteiro que acham essa política informativa uma peste, logo surgirão adeptos de influência que começarão a contribuir com textos e falar abertamente.
Acho que deveria-se abrir um blog de discussão mundial, o mesmo sob várias línguas, a ponto de um texto do Azenha ser traduzido para todas as línguas das quais há jornalistas engajados no projeto, e vice versa.
A centralização seria para provocar, plantar uma semente mais rápida. Logo o cenário independente estaria debatendo sobre isso e viraria a febre do momento. Isso traria segurança ao debate pois qualquer tentativa de retaliação já seria então inútil.
É necessário também para ser contra peso, o nome do blog mundial contra a guerra chamar de horror o mesmo que os outros chamam de processo de paz, democracia(?), e que tentam impor como o certo a se fazer e de se pensar. Bater de frente mesmo, ataque ordenado e conjunto, fazer história e globalizar a informação!
Seria fácil para você Azenha, que viu o mundo, conhece gente…faça!

Responder

Gerson Carneiro

26 de maio de 2010 às 10h45

Sobre “salto da violência” há menos de quinhentos anos os "bravos" saltaram da Europa para cá e dizimaram as civilizações milenares que habitavam toda America. E à época não existiam jornalistas tal como hoje, e portanto não existia essa relação promíscua. Daí é possível imaginar a magnitude da barbárie promovida mediante polvorosa por não ter a quem se explicar.

Portanto houve um tempo em que a crueldade era incondicionalmente promovida e aceita. Em escala menor foram os mesmos parâmetros utilizados pelos Bandeirantes, tão exaltados hoje no Estado de São Paulo.

Responder

    O índio

    26 de maio de 2010 às 15h28

    A tradução tropeça, nesse ponto. Melhor seria dizer, em português, o que de fato se ouviu por aqui: "um pico de violência".

Ney Henrique

26 de maio de 2010 às 10h15

Belo texto …

Só uma resalva: O ataque a Pear Harbor foi provocado pelos EUA como justificativa para sua entrada na guerra.

Fonte: Formação do Império Americano de José Luiz Moniz Bandeira … não lembro a página, mas ele demonstra através da documentação diplomática.

Responder

Márcia Aranha

26 de maio de 2010 às 10h07

Infelizmente Azenha, o magnífico texto apenas reforça a sensação de que nas redações de hoje não existem mais jornalistas e sim foquinhas amestradas…

Um tipo de profissional que não apenas não entende as palavras mas se submete docilmente à pressão que vem de cima, seja ela qual for.

O tal Kennedy de Alencar, da Folha, é um excelente exemplo…

Responder

Alexandre Motta

26 de maio de 2010 às 10h00

Absolutamente fantástico para quem teve a oportunidade de-sobre o texto-"fazer uma leitura profunda"

Responder

setepalmos

26 de maio de 2010 às 06h29

E ele dança o rebolation em seu túmulo:

“De tanto se repetir uma mentira, ela acaba se transformando em verdade.”

“Pode ser bom possuir o poder baseado na força, mas é melhor ganhar e segurar o coração das pessoas!”

“A propaganda jamais apela à razão, mas sempre à emoção e ao instinto”

Joseph Goebbels

Responder

Adilson

26 de maio de 2010 às 04h55

Azenha,

Com a sua permissão vou falar sobre outro assunto, em face da audiência e seriedade do seu trabalho.

Depois das declarações da Procuradora do TSE, ameaçando a candidatura da Ministra Dilma Rousseff, a blogosfera reagiu de pronto às colocações da Procuradora.

O Deputado Brizola Neto, está divulgando em seu blog uma bela campanha em prol da democracia.

Espero que você e todas as pessoas de bem divulgue e faça a adesão, em prol do Estado Democrático de Direito. Eu já fiz a minha adesão. http://www.tijolaco.com/?p=15748

Responder

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