VIOMUNDO

Diário da Resistência


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Regina Casé, a Globo e a suposta denúncia da violência policial


28/04/2014 - 23h53

A mãe de DG foi ao Esquenta, mas não teve espaço para vocalizar as críticas que vem fazendo às UPPs.

Esquenta!”, DG e a disputa pela representação da nova classe trabalhadora

28.04.2014

por João Telésforo, no Brasil e Desenvolvimento

Vejo o “Esquenta” como um dos retratos do empoderamento conquistado por uma classe subalterna durante os anos Lula, e também de seus limites (que parecem cada vez mais incontornáveis nos moldes da atual governabilidade conservadora).

Esse empoderamento veio, como se sabe, pela conquista de aumento do poder de consumo. Um empoderamento que pode ser frágil e sem dúvida algum contraditório, mas foi empoderamento, porque o acesso a esses bens ampliou as condições materiais de autocomunicação e auto-organização desses setores – veja-se os “rolezinhos”, um dos exemplos mais marcantes desse fenômeno.

Frágil, porque é preciso analisar o peso do endividamento das famílias nessa expansão do consumo, e mais ainda porque basicamente não se tocou nas estruturas que concentram poder – material e ideológico – nas classes e setores dominantes.

Porém, embora não se tenha enfrentado essas estruturas, elas não ficaram imunes à maior inclusão desse setor subalterno no mercado de consumo.

Não se promoveu a democratização dos meios de radiodifusão nem se mexeu, aparentemente, nos privilégios fiscais de Globo e cia, mas fica cada vez mais difícil para a Globo e cia ignorarem a existência dessa classe em relativa ascensão econômica.

Engana-se redondamente quem pensa que basta, para não perder a hegemonia ideológica e de mercado sobre esse setor, fazer propaganda dirigida para ele (o que tem acontecido bastante, claro).

A Globo sabe que seu grande concorrente, cada vez mais, é a internet, com suas redes de autoprodução e difusão de cultura e entretenimento, inclusive entre esse segmento de trabalhadores pobres.

Prova disso é a reformulação que está fazendo em diversos programas para tentar torná-los mais “interativos” e parecidos com as redes sociais – não assisti ao Fantástico de ontem, mas dizem que foi mais um marco nesse sentido.

Então, preocupada com a hegemonia de audiência e ideológica sobre o setor pobre consumidor, o ‘consumitariado’, a Globo sabe que, cada vez mais, não bastará mostrá-lo como objeto; é preciso, tal como acontece nas redes sociais, promover sua inclusão como sujeitos produtores de cultura e entretenimento, em alguma medida.

O “Esquenta” é a principal resposta da Globo, até aqui, a esse duplo movimento: à ascensão consumidora de uma classe, e às mudanças forçadas pela nova lógica social de produção e comunicação, em escala global (cujas raízes não cabe examinar neste texto), que têm como grande símbolo as redes sociais.

Não é por acaso, então, que Douglas Silva, o DG, um dos jovens negros assassinados numa favela do Rio de Janeiro nessa semana, fosse um dançarino de destaque do Esquenta, e não do Fantástico, Domingão do Faustão, do programa do Luciano Huck, Fátima Bernardes, Ana Maria Braga ou Serginho Groisman.

Obviamente, nesses outros programas também devem trabalhar jovens pobres e negros de favelas do Rio de Janeiro. Porém, muito provavelmente, não na mesma proporção do Esquenta, e o mais importante: não tanto diante das câmeras, e muito menos em posições de destaque e como porta-vozes da estética produzida pelos segmentos da periferia, como no programa de Regina Casé. Estética essa que não é homogênea, claro, e que é seletivamente recortada nas suas representações admitidas e priorizadas no “Esquenta!”.

O Esquenta é, pois, uma pequena abertura conquistada pelas lutas dessa classe em relativa ascensão. Conquistada pelas lutas, sim: as pequenas grandes conquistas do ciclo lulista – não só Bolsa-Família, mas, mais ainda, políticas como o aumento real sustentado do salário-mínimo – foram arrancadas do poder: respostas do Estado para tentar se legitimar diante de anos e anos de mobilização popular por justiça social.

É claro que a resposta lulista foi limitada, deu-se nos marcos de não promover reformas estruturantes; e por isso mesmo, parece delinear-se não só sua precariedade, como seu esgotamento. Porém, isso não muda o fato de que esses parcos avanços foram obtidos pelas lutas, como tentativas dos poderosos de “dar os anéis (ou nem isso) para não perder os dedos”. De modo análogo, o programa “Esquenta”.

Dada a função que cumpre e sua composição social de classe (no palco e na audiência), o Esquenta não tinha como não se dedicar, hoje, à morte de seu dançarino Douglas DG, não tinha como não contextualizá-la como mais um episódio brutal da violência contra a juventude pobre e negra das periferias do Rio de Janeiro e do Brasil…

Devemos comemorar, pois, que se tenha falado nesses assuntos, ainda que de modo passageiro e superficial, no programa de Regina Casé de hoje. Trata-se de um furo do bloqueio midiático sobre a discussão desses temas, conquistado pelas lutas dos movimentos negros, das periferias, de cultura, populares.

Porém, basta olhar com um pouco mais atenção para a edição de hoje do Esquenta para se perceber os limites e o caráter contraditório da “abertura” em que ele consiste.

Praticamente não se falou da violência policial sistemática dirigida contra a população pobre e negra das favelas. Não se tocou no fato de que o Estado é um dos grandes instrumentos desse ciclo de criminalização da pobreza e da juventude negra.

O tom geral foi o de se falar da violência em abstrato, sem denunciar as políticas de segurança pública como parte fundamental desse quadro violento. Contraditoriamente, o discurso genérico “contra a violência” que marcou o programa de hoje pode alimentar justamente a legitimação da resposta policialesca que é parte do problema, e não de sua solução.

A resposta do governo do Rio à morte de DG, que tem indícios sérios de responsabilidade da polícia, é bastante eloquente sobre isso: na repressão ao protesto da população indignada da comunidade do Pavão-Pavãozinho, mais um jovem morto pela ação da PM: Edilson da Silva.

Não é uma coincidência que o Esquenta de hoje não tenha falado sobre Edilson. Não era conveniente para os interesses da Globo lembrar que insistir na resposta policial à violência só vem agravando-a ainda mais (perdi o começo do programa e posso ter tido algum lapso de atenção, mas, caso alguém tenha tocado no tema por lá, foi de modo extremamente passageiro e sem desdobrar a crítica).

Mais conveniente era falar de combater a violência, em abstrato, e até mesmo a impunidade (!), como o fez Jô Soares no programa (e não para falar de impunidade de policiais…).

Ou seja: a solução seria punir ainda mais… Como se os jovens das favelas já não estivessem sendo punidos, muitas vezes com a morte, por sua condição social e identidade racial.

Significativas, também, foram outras falas do Esquenta, como a de Fátima Bernardes. A apresentadora disse que o Estado tem de estar presente na favela também com educação. É claro que já é alguma coisa reconhecer-se a necessidade de superação da desigualdade no acesso à educação, saúde, etc.

Porém, a armadilha desse tipo de discurso é que critica a omissão do Estado, mas silencia diante da outra face complementar dela: o inchaço de seu aparato repressor. Esse é o discurso que se tenta construir, agora, para legitimar a ocupação militarizada das favelas: o problema não estaria exatamente nela, mas na ausência das políticas sociais.

Ou seja, uma vez que se “compense” a violência sistemática, a criminalização da pobreza, com “políticas sociais” (“UPP social”), aí o problema estaria resolvido…

Como se não fosse preciso mudar radicalmente as políticas de segurança pública, como se elas e a omissão do braço social do Estado não fossem parte de uma mesma política.

O fato é que são. O projeto das UPPs mostra muito bem isso, como parte de uma lógica de gestão neoliberal da pobreza. Neoliberal?! Sim. O neoliberalismo produz a “ascensão do Estado penal”, “em resposta à crescente inseguridade social, e não à insegurança criminal”, diz o sociólogo Loïc Wacquant, autor da já clássica obra “Punir os pobres: o governo neoliberal da inseguridade social” (2009).

O “neoliberalismo realmente existente”, diz Wacquant, consiste não na redução do Estado (conforme sua propaganda ideológica), mas em sua reengenharia, na “construção de um Estado forte capaz de opor-se de modo efetivo à resistência social à mercantilização e de moldar culturalmente subjetividades em conformidade com isso”.

Trata-se, diz ainda o francês radicado nos Estados Unidos, de uma “articulação entre Estado, mercado e cidadania que direciona o primeiro para impor o selo da segunda na terceira”.

O Estado não diminui, mas ganha um novo perfil, ainda mais forte como máquina de estratificação social a serviço da mercantilização. No caso da “ocupação” das favelas, isso fica bastante claro: o projeto das UPPs envolve não apenas o disciplinamento político de uma classe via repressão explícita, mas também uma disputa econômica pelo controle do mercado consumidor e produtivo dos territórios “pacificados”…

A retórica é de que o controle territorial pelo Estado teria por fim “levar serviços básicos” às favelas, mas o que se tem registrado não é isso.

A disputa pelo controle da economia dos territórios das favelas alcança não apenas a concorrência comercial pela prestação de alguns serviços, mas, de modo bastante central, a ofensiva de inclusão daquelas terras no mercado imobiliário dominado pelas grandes empresas “do asfalto”.

Não por acaso, tem se registrado alta brutal de preços dos imóveis de favelas “pacificadas”, o que tem expulsado a pobreza para áreas mais periféricas do Rio e gerado lucros exorbitantes para o capital imobiliário.

Vale lembrar que em janeiro deste ano, o secretário de segurança pública do Rio de Janeiro foi homenageado pelo Esquenta devido ao seu trabalho com as UPPs.

Foram blocos e mais blocos que falavam dos benefícios das Unidades, contradizendo outros muitos veículos midiáticos populares que trataram do assunto.

UPPs, governos e Rede Globo (e suas concorrentes da grande mídia) estão, como é bastante notório, unidos nesse projeto. Controlar territórios pobres de modo militarizado, não para garantir a segurança daquela população, mas para discipliná-la como público consumidor e assujeitado.

O “Esquenta” de hoje, ao não enfrentar a falência das UPPs ou enfrentar o tema da violência policial, mostrou-se como dimensão contraditória desse projeto. Contraditória porque esse programa, justamente por ser uma tentativa de disputar a representação simbólica da classe subalterna em ascensão (como parte do esforço de domesticá-la), precisa mostrá-la como sujeito, de alguma maneira – mesmo uma versão bastante parcial e disciplinada desse sujeito.

Ao fazer isso, abre um terreno de disputa menos desvantajoso para a autoexpressão desse sujeito e de suas lutas do que a programação “comum” da Rede Globo e das demais grandes emissoras de TV.

Como disse o megainvestidor norte-americano Warren Buffett, lembrado outro dia pelo Vladimir Safatle: “Quem disse que não há luta de classe? Claro que há, e nós estamos vencendo”.

Não sei quem está vencendo, sei que precisamos refinar nossos instrumentos de análise, pois tanto as estratégias de resistência e produção subalterna, como as de tentativa de seu apassivamento, apropriação e direcionamento, têm se sofisticado.

Mais útil do que celebrar as pequenas aberturas como se fossem revolucionárias, ou lamentar de modo impotente o fato de que não o são, é investigar a realidade dialeticamente, para pensar estratégias que alarguem a materialidade dessas frestas e evitem seu disciplinamento.

Leia também:

Marcelo Freixo: Globo é sócia de um projeto autoritário de cidade





20 comentários

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ANDRE

02 de maio de 2014 às 19h42

http://umhistoriador.wordpress.com/2014/04/26/o-ator-caio-blat-revela-como-a-globofilmes-esta-destruindo-o-cinema-nacional/
O ator CAIO BLAT revela como a Globofilmes está destruindo o cinema nacional

Publicado originalmente por PAULO NOGUEIRA no portal DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO em 21.Ago.2013

Duas coisas são notáveis num vídeo em que o ator Caio Blat fala sobre o papel predador da Globofilmes no cinema brasileiro.

A primeira é o assalto perpetrado pela Globofilmes. A segunda é que, tornado público isso, nada tenha acontecido exceto uma retratação de Blat que lembra as confissões dos acusados de crimes contra o comunismo na década de 1930 na Rússia de Stálin. Era claramente isso ou o fim da carreira.

O órgão que deveria coibir ações nocivas de monopólios, o Cade, é simplesmente inoperante quando se trata da Globo.

Sintetizarei o golpe aqui, tal como narrado calmamente por Blat.

Se você não fecha um contrato com a Globofilmes para a distribuição do seu filme, as mídias da Globo se fecham para você.

Tevê, jornal, revistas, internet: pode esquecer no trabalho de divulgação.

Então você é forçado a fazer.

Aí a Globofilmes coloca você no Jô, no Serginho Groisman, no Vídeo Show etc.

Ótimo. O detalhe é que sua ida àqueles programas é cobrada como se fosse publicidade.

Mercham, o que é ainda mais caro que a propaganda convencional porque se trata de enganar o espectador.

Depois, a Globofilmes se “ressarce” do investimento fictício na bilheteria.

Ela investiu quanto? Zero. Qual o custo de encaixar um diretor ou ator de um filme num programa da própria Globo? Nenhum, se descontarmos coisas subjetivas como a conversa com Jô Soares, por exemplo.

Mas a fatura vem, como conta candidamente Blat. E pesada. Acontece o seguinte: quem ganha, essencialmente, é apenas a Globofilmes, ou a Globo.

Para produtores é um negócio cruel.

Há, neste história, uma terrível injustiça, um comportamento que é a negação do capitalismo que a Globo, à luz do sol, tanto prega para, nas sombras, fazer tudo para extorquir os que têm a infelicidade de viver sob seu monopólio deletério.

O poder da Globo de fazer coisas malévolas com tem que ser combatido, em nome do interesse público.

Há que quebrar um monopólio que acaba dando em coisas como a Globofilmes.

Não enfrentar esse drama nacional, como sucessivos governantes fizeram, incluídos Lula e Dilma, é uma ação de lesa pátria.

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Luís CPPrudente

01 de maio de 2014 às 12h35

O tal do Esquenta, que assisti desde o início, quando da eleição de Dilma Rousseff, só é o que é hoje, graças às melhorias obtidas ao longo dos governo Lula e Dilma. A Regina Casé deve muito ao Lula e à Dilma.

Na semana anterior à este programa da morte do DG, a Regina Casé e o Esquenta promoveu a mudança genérica no (do) Brasil. Essas mudanças, pelas entrelinhas, a famiglia Marinho tenta impor ao imaginário popular que é a saida de Dilma com a eleição de pessoas comprometidas com as mudanças!!!!!! Justamente o Aécio Never e o Dudu Campriles!

A Regina Casé estará dando um tiro no seu próprio pé ao assumir como sua a mudança exigida pelo patrão. Ela ganhou bastante com os governos Lula e Dilma, passou a ser garota propaganda (e não foi de graça e foi bem paga).

Será que a Regina Casé vai abrir os seus olhos?

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    Luís CPPrudente

    01 de maio de 2014 às 12h42

    E o tal programa Esquenta que teve como tema a morte do DG terminou como se fosse um culto gospel com todo mundo chorando ao sabor da cantora gospel.

    A famiglia Marinho tem que dar espaço ao movimento gospel, que acaba ajudando a minar um dos pilares da própria famiglia Marinho, pois dá visibilidade aos evangélicos que muitas vezes não tem simpatia pela famiglia Marinho.

Paulo

30 de abril de 2014 às 21h04

Muito boas sua reflexão e analogias. Um tal de Felipe Moura Brasil, colunista da Veja, publicou em sua coluna o texto “Traficantes assistiram ao “Esquenta” comendo pipoca?”. Bom, por que estou me referindo a isto? Simplesmente porque não concordei com o tal texto e, simplesmente, exercendo meu direito de opinião e liberdade de expressão, postei (tentei, há 21h atrás) um comentário contrário ao pensamento do autor e que questionava-o. Adivinhem: não foi publicado! Na coluna apenas há comentários que enaltecem e corroboram com o pensamento do autor – o que é incrível, não acham? – e muitos realizados após o meu, nada de posicionamentos contrários… Depois, a Dilma é que é a ditadora comunista.

Já que “não posso” comentar lá, reproduzo-o aqui:

//Cara, você se perde totalmente ao tentar levantar a questão de (nós) os negros serem mortos pelos próprios (nós) negros. Por algum acaso, na sua visão, isso não importaria? Você tenta levar o leitor à seguinte conclusão: “Se os negros estão se matando, o que importa? Deixem que se matem.”. Quando você suscita o leitor a se indagar sobre esse tema, também ao perguntar “se (os negros) não são também predominantemente ou em grande parte os autores desses crimes?”, você deve ter tido algum tipo de lapso de memória ou “confundite midiática elitista”, pois a resposta é óbvia, meu caro, nós negros estamos absolutamente mais sujeitos à violência nas duas pontas desta: vítimas e transgressores. Para refrescar sua memória vou dizer apenas uma palavra: ESCRAVIDÃO.
A respeito da polarização entre direita (“divinal”; “perfeita”) e esquerda (“demoníaca”; “suja”) que você e seus colegas amigos dos Civita vislumbram, só tenho a dizer que é ridícula.
Só mais uma coisa: no subtítulo do seu blog está escrito “cultura e irreverência”. Com certeza sua cultura é fraca (pelo menos em história/sociologia) e a irreverência só se for a sinônimo de desrespeito com a inteligência alheia.//

Responder

    Juliana Paula

    01 de maio de 2014 às 00h21

    Oi Paulo, tambem li a porcaria desse artigo a que faz referencia, acho que até vi um comentario seu onde estava escrito “cadê meu comentario, isso é censura” uma coisa assim, era o seu mesmo?

    Apoio o texto assim como seu comentario ao outro la, fiquei absurdamente revoltada com a manipulação que aquele sujeito quis fazer com a situação. O engraçado é pensar em nós e nossa percepção e em como a internet e midia como um todo podem modelar nossa opinião. Pra quem leu aquele artigo a impressão é de que Regina e os seus falaram o tempo todo contra Estado e UPP’s ao ler esse ja se percebe o contrário. Eu não me digno assistir a esse Esquenta, mas de todo modo prefiro crer que o que aqui se relata é mais fidedigno, por razões óbvias.

    Vamos produzir mais conhecimento e debates e nunca desistir da luta, pois é o único jeito.

    Paulo

    03 de maio de 2014 às 01h08

    Não, Juliana, eu não fiz comentários posteriores. Toda matéria é tendenciosa; porque reflete a percepção de mundo do autor ou porque deve seguir a vontade dos chefes. Acredito que, no caso do texto citado, as duas coisas são demonstradas. A manipulação é clara.

    Eu tenho o meu lado. O lado da Veja e daquele colunista é oposto ao meu.

    O debate é importante demais, pena que o Felipe Moura Brasil e seus modero-censuradores não achem.

Gilberto

30 de abril de 2014 às 15h20

Discordo do autor, embora reconheça méritos em seu texto, como o olhar para o Esquenta que, tenho dito, é nitidamente progressista, embora represente um avanço muito pequeno face ao restante da grade de programação Global.
Tenho observado de longe o meu Rio e as manifestações de meus conterrâneos, e o que tenho visto é um radicalismo político muito grande, mais até do que em São Paulo. Esse inconformismo vem de longe: o Rio, não obstante suas explêndidas belezas naturais, sempre foi uma cidade muito complexa. São quase mil favelas, algumas misturadas em enormes complexos com centenas de milhares de moradores, como o Alemão e a Maré, não por acaso as ocupações mais difíceis. A maior favela do Brasil está no Rio (Rocinha) e a maior população em favelas também, e crescendo mais que a média da cidade “normal”.
E o mais complicado: diferentemente da maior parte das metrópoles, onde normalmente as comunidades se espalham ao redor, na periferia, no Rio é tudo “junto e misturado”, com favelas incrustradas bem em meio à bairros nobres, o que expõe ainda mais diretamente a nossa exclusão social. E como estivemos sempre, historicamente, entre os países mais injustos…
Tendo tudo isso em vista, some-se o problema da droga, uma das maiores tragédias sociais contemporâneas, do qual não vou falar aqui porque dá mais um texto enorme, e temos aquilo em que o Rio se transformou, com as favelas virando QGs de facções armadas, onde o Estado não entrava de jeito nenhum, a não ser em uma ou outra incursão policial, apenas para dar alguma satisfação ao noticiário e tranquilizar o “cidadão de bem”, invariavelmente matando alguns daqueles outros “cidadãos diferenciados”.
Maltratado por anos e anos de administradores incompetentes, o eleitor do Rio ficou impaciente, com razão, mas infelizmente parece perder as estribeiras justamente quando se tentou fazer algo, pela primeira vez.
A concepção das UPPs é correta, e pressupõe não uma simples ocupação militar, como o texto insinua, mas a fixação do estado naquelas comunidades, cumprindo seu papel de prover segurança, saúde e educação, e abrindo caminho para a economia formal e urbanização das favelas o mais próximo do que se exige nas regiões “normais” da cidade.
E isso não é uma mentira, eu vi isso começar a acontecer, em alguma medida, durante o governo Lula. Fui criado nas cercanias do Alemão, cresci, morei e brinquei, sempre no entorno. Entrei no complexo algumas vezes, de passagem. A única vez em toda a minha vida que vi alguma melhoria lá, foi a partir do governo Lula: teleféricos (que viraram atração turística) integrados às estações de trem e ônibus, uma enorme UPA numa entrada do complexo e, do outro lado, uma nova escola, igualmente grande. Lá em cima eu só vi as fotos, mas foram várias unidades residenciais novas, e as outras foram melhorando também, a paisagem foi se modificando. Se o bairro melhorou, ora, os preços das moradias sobem. Nada mais natural enquanto estivermos no capitalismo. Ou o autor do texto tem alguma receita para que essa lei de mercado não se realizasse?
É evidente que não é uma panacéia, porque não há panacéia que dê jeito no Rio, com toda essa complexidade. Um próximo governo vai ter que, não só, avançar nas UPPs (porque considero que não há possibilidade de regredir ao estado anterior, seria um crime), mas também na política de drogas e principalmente, na modernização das polícias para esta nova realidade.
A paciência do eleitor, que está por um fio agora também por causa das enormes dificuldades de mobilidade urbana, vai ficar bem melhor assim que as principais obras forem concluídas e ele começar a se dar conta dos benefícios que alcançou. O Rio passa por uma faxina geral pela qual nunca passou, não se faz uma omelete sem quebrar ovos, e isso vale também para as remoções. Não há cidade sem elas, não teríamos nossas cidades como são hoje se muita gente não tivesse sido removida, então o importante é que tudo seja feito de forma transparente, dentro da lei e com indenizações justas. Mas não há como elas não acontecerem.
No mais, voltando às UPPs em si, concordo que temos que avançar mais em muitas favelas, mas convenhamos: são quase MIL e nunca foi feito nada parecido antes, então vai levar muito tempo porque não só não há efetivo policial que dê conta desse policiamento permanente, no morro e no asfalto, como não há recursos para, em pouco tempo, assegurar a todas essas comunidades todo o aparato estatal a que elas fazem jus, reconheça-se, mas nunca tiveram.
Vamos levar muitos anos, mas é preciso não ser politicamente cego e captar que algo começou, finalmente, a ser feito. Difícil acreditar que avançaremos com a direita, logo ela que sempre esteve à frente do Rio (excetuando por breve período os governos Brizola, violentamente atacados) e deixou que o problema crescesse a esse ponto. Acho que tende a melhorar também com a melhoria da distribuição de renda, o que de resto ocorreu em todo o país. Mas tenho certeza que os mais pobres, os moradores de favelas ou próximos, de um modo geral, estão mais satisfeitos onde houve a pacificação. Eventuais crimes cometidos pela polícia, muito mais por sua equivocada formação (o que também é um problema histórico, cultural e que não será solucionado em um governo) do que pelo projeto das UPPs, devem ser investigados e punidos exemplarmente, e me parece que o secretário atual é um homem sério e demonstra essa disposição (o corporativismo é outra coisa…)
Percebo, enfim, que começamos, que estamos no meio conturbado de uma trajetória muito difícil, e que não há como voltar atrás. Também não reconheço possibilidade de êxito num futuro governo que não conte com total apoio do governo federal, que não busque esse apoio como foi com as duas últimas administrações, na cidade e no estado. Que o carioca participe, reclame e continue se politizando e buscando a difícil, mas necessária, inclusão de seus irmãos das comunidades. Que a favela e o asfalto se misturem cada vez mais e busquem, cada vez mais, sua cidadania. Mas que façam isso com mais inteligência do que fúria. Que o carioca tenha também o cuidado de não votar com o fígado, hipnotizado por cantos de sereia ou no calor de sua revolta no trânsito hostil. Vai passar e será para o seu bem, conterrâneo. Saiba olhar, portanto, para trás e para a frente, e ao depositar seu voto em outubro, muito cuidado para não jogar fora o bebê, na urgência de se livrar da água suja…

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Momo P.

30 de abril de 2014 às 14h26

A TV tentando representar a comunidade.
Pura Exploração! Faturam muita grana, expõem ao ridículo as comunidades e tenta nacionalizar os problemas locais da cidade do rio. Quando o bicho pega todo mundo
é tratado pelas emissoras como marginais, moradores, policiais – salvam-se apenas aqueles que tem o “privilégio” de aparecer na telinha. Sem contar aqueles que dizem amar o rio , trabalham no rio mas gostam mesmo é de fazer propaganda que passam férias em Miami nos Estados unidos! Ce-le-bri-da-des

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sem talento.

30 de abril de 2014 às 09h52

Essa Regina é uma “atora” sem talento.

Responder

Francisco

30 de abril de 2014 às 03h21

O que precisa é o eleitor do “Esquenta” ganhar eleição e mandar de fato.

Poder novo pela metade resulta em fracasso da novidade e presunção de que o “jeito antigo” é que dá resultado.

Quais os últimos prefeitos e governadores do Rio? Pois é. Violência tem nome e sobrenome e o Rio tem uma certa tendência a tratar dos problemas em abstrato.

O Rio é uma província em que todos sabem os nomes e endereços dos donos do poder. Alguém mais sábio que eu já disse que “os filósofos já interpretaram o mundo de variadas formas” e eu completo que falta é “prensá-los”.

Responder

R Godinho

29 de abril de 2014 às 22h06

Moro na boca da favela do Juramento. Canso de ver moleques que não aguentam um cascudo bem dado trepados em motos roubadas, de pistola na cinta, tirando marra com a cara de quem trabalha honestamente. Tô cansado de ver essa pregação babaca de outras soluções.
Que bosta!, soluções que não passam nem de perto pela situação cotidiana de quem tem que ficar se escondendo de tiro de traficante (é, lindinhos, vagabundo também dá tiro, e muito), assistindo os rambos de araque passeando de fuzil na mão pra cima e pra baixo, a transformação da extrema violência em banalidade. Ver uma indústria imensa de bailes funk que servem pra vender pó / crack / maconha, transformar a saudável sexualidade dos adolescentes em pornografia e fazer a apologia da bandidagem. Virou mexeu aparece um funk de sucesso, feito esse que fala pra respeitar o moço que ele tem bigode grosso, um elogio aberto dos chefões. A esquerda zona sul, gente que resolveu sua vida profissional faz tempo e está longe, muito longe da realidade material das favelas, trata do assunto com um idealismo pra lá de babaca.
Traficante não é revolucionário, bosta! São o pior do pior do pior do capitalismo neoliberal: formam uma cadeia econômica em que nenhum “trabalhador” tem direitos, em que a “demissão” é uma bala na cabeça – quando estão de bom humor e não cortam a cabeça do “demitido” e jogam nas vias principais da favela, pra todo mundo ver o exemplo. Se, por um lado, é verdade que o funk é uma expressão cultural dessa massa, é verdade também que ele foi apropriado, faz muito tempo, pelos barões do pó e já não serve mais como expressão de resistência cultural, e é muito mais um meio de controle social do tráfico sobre os jovens.
Fico imaginando o que fariam esses teóricos se, de repente, o país passasse por uma revolução popular. Fico pensando como fariam para evitar que esses verdadeiros senhores feudais desafiassem o Estado Revolucionário.
O problema principal, a raiz da violência policial, nenhum deles aborda. Não há ação política que não esteja fundada no econômico. Porque a polícia nas favelas não resolveu o tráfico? É por causa de sua estrutura militarizada? É porque os Estado só quer reprimir os pobres? Nada disso. É porque UPP, depois de contar com a oposição ferrenha da PM no início – porque supostamente diminuiria muito o tráfico e consequentemente o arrego – foi transformada pelos que dentro da corporação sempre se locupletaram com o crime alheio numa enorme fonte de renda. O arrego hoje é muito maior. Talvez até por isso se vejam tantos “manifestantes” queimando ônibus e pedindo fim das UPPs, porque o tráfico não está aguentando o custo do arrego.
A solução não passa pela desmilitarização da polícia, simplesmente, nem pela desmilitarização da segurança pública somente – até porque o que vivemos é uma situação tal que justificaria, sem dificuldade, a decretação do Estado de Emergência -, nem tampouco pelas soluções “paz e amor” que tantos vislumbram. A primeira medida para solução é algo que não vai acontecer, aos menos no curto espaço de alguns anos: a limpeza completa das polícias, a prisão dos corruptos (muitos) que nelas existem, a reformulação completa do modo como se constituem e estruturam, montados para perpetuação do poder e consequentes ganhos dos que hoje as dominam. Só quando houver uma polícia verdadeiramente polícia, não uma “milícia” oficializada, cafetizando criminosos e sociedade, só aí teremos uma possibilidade de solução.

Responder

    Edgar Rocha

    30 de abril de 2014 às 01h15

    Onde está mesmo o botãozinho de “curtir”? Taí, colega. Achei que só eu estivesse com um chipe alien na cabeça. A impressão que dá é que quem vê a realidade de perto (no Rio, no teu caso ou em São Paulo, como eu) ou é completamente retardado mental ou é uma alma penada, invisível, um ebó que só comenta pra encher o saco dos acadêmicos estilo USP que, estes sim, enxergam as coisas da maneira correta. O certo é como eles interpretam. A realidade é que não se encaixa na verdade deles, poxa. Fiz um comentário recente em outro post (“Se insistir nos ‘almoços’ com a mídia, PT pode virar sobremesa”) indagando o porquê do Governo petista, sendo tão violentamente criticado pelo PSDB, nunca tocou no assunto da violência em São Paulo e do incontrolável crescimento do PCC em nível nacional. Nunca se investigou e nunca se falou nada, nem antes da Copa, que seria um bom álibi. Estranho. Me responda, você, colega, se puder. O que passa na cabeça desta gente que governa o país e em sua representação partidária que nunca enfrentou esta realidade? Será que é só equívoco de quem insiste em glamorizar esta garotada que morre à toa, pro bem dos barões do morro e dos batalhões? Estamos ambos míopes, loucos ou o que?

Fani Figueira

29 de abril de 2014 às 16h13

Viomundo vem publicando artigos mais compatíveis com a linha editorial do Globo, da Folha. Nada é mais semelhante à mesmice do que publicar iguais aos que eles também publicariam.

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lulipe

29 de abril de 2014 às 13h43

E dos policiais que são caçados e executados ninguém se lembra, não????

Responder

    abolicionista

    30 de abril de 2014 às 20h10

    Os policias mortos também são vítimas das políticas de repressão que você elogia. Para a elite, os policiais são apenas os instrumentos do apartheid social brasileiro. E, como todo, instrumento passíveis de substituição. Para a elite, a bala que fere um policial é indolor.

Meester Marcelo

29 de abril de 2014 às 08h37

A melhor forma de democratizar é acabar com o controle estatal sobre o espectro de radiofrequência. Por que isso tem que ser uma política de Estado, pergunto.

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Romanelli

29 de abril de 2014 às 07h12

do próprio João Telesforo “precisamos refinar nossos instrumentos de análise” ..sem duvida, e rápido.. ainda mais depois de ler estas críticas destrutivas, amorfas, ideológicas e MEDONHAS

Evidente que as UPPs, a ocupação pelo Estado, pela lei (e não por um governo) se faz necessária ..ou é isso ou são as facções, escolha a que lhe atende os interesses ?

Claro, claro que faltaram muitas outras ações (creche, escola, lazer, urbanização) ..assim como a reconstrução de áreas degradadas, a oferta de moradia de qualidade, a abertura de ruas pra chegada da infra, a proibição e SEVERA punição pelas novas áreas invadidas e tomadas que nunca cessão (afinal, o BRASIL deixar de ser terra de LADRÃO)..

faltaram tb a prisão de meliantes e de traficantes, a maior valoração da VIDA das vítimas (e não só doa malacas e ordinários), o respeito a ORDEM e a cidadania (como com a PROIBIÇÃO da farra de VAGABUNDOS que oprimem o trabalhador que sequer consegue dormir), enfim..

mas daí a cortar raso e desmerecer esta iniciativa corajosa e, lamentavelmente, retardatária, bem, aí são ouros quinhentos ..ou serão trouxinhas ?

Sinceramente, perder a ideia de UPP só por causa destes tropeços, pra mim será tão deletério aos seu simbolismo, ao que ele poderia representar, como foi com o catastrófico governo de Obama, de Pitta ou de Dilma ..uma perda de oportuinidade ímpar

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Alexandre Tambelli

29 de abril de 2014 às 03h19

Desde sempre há este apoderamento por parte dos meios de comunicação e do Sistema das culturas populares e negras periféricas e mais enraizadas
Lembro dois exemplos.

1) Quando o pagode no início dos anos 90 se tornou uma febre, os grupos musicais de sucesso eram: Fundo de Quintal, Só preto sem preconceito, Sensação, sem Compromisso, etc., eram grupos de pagode de raiz, ligados às comunidades de morros, favelas, periferias onde residiam esses pagodeiros, certamente, pessoas com maior consciência social, fazedores de letras mais elaboradas e críticas e de melhor qualidade musical.
O que fez a mídia e o mercado da música? Trocou-os, aos poucos, pelo Belo e o Soweto, posteriormente, o Rodriguinho e os Travessos, pelo É o Tchan, etc. e suas músicas inofensivas, muitas delas fabricadas por terceiros e de refrão fácil de decorar. Colocavam 5 meninos magros, porém, fortes e boa-pinta com uma roupa transada e o cabelo pintado de branco e se massificava essas músicas nas TVS e rádios até a exaustão. Os pagodeiros de raiz, aos poucos sumiram das rádios e TVS.

2) Quando o RAP dos Racionais MC´S, do Facção Central, etc. e suas letras de contestação do Sistema começaram a despontar como fizeram para ele não ter muita penetração? Dá-lhe investir em Sampa Crew, Claudinho e Bochecha e posteriormente no Funk.

Toda manifestação de raiz popular que cresce busca-se o apoderamento pelo Sistema para conter o que nela houver de revolucionário, subversivo, contestador, crítico, transformador e que possa ser um instrumento de consciência crítica dos indivíduos.

O fenômeno das classes C e D segue o mesmo caminho. A Rede Globo só não sabe ainda, como agir corretamente, porque confronta o modelo de sociedade do padrão Global com o modelo do “Esquenta”, que sabemos, este programa é um balão de ensaio, é uma apoderação inicial desse público para uma posterior tentativa de enquadramento dele, dentro de padrões de comportamento que não sejam subversivos, a ponto de desgarrar por inteiro da emissora e de questionar o Sistema. É o mesmo fenômeno que se deu com o Pagode e o RAP.

O diferencial da busca de apoderamento hoje, para o da música e demais manifestações culturais periféricas dos tempos pré-LULA, é que existe uma nova classe social com dinheiro e poder de consumo enorme, e temos ainda, a Internet e suas diferentes possibilidades interação social. Afora que com mais poder aquisitivo o brasileiro das classes C e D sai bastante, vai para as baladas, viaja e consome muito mais do que programação de TV e música de rádio FM.

E, não nos esqueçamos, o novo consumidor, ao conhecer o mundo fora de uma telinha, pode tornar mais difícil para o Sistema enquadrá-lo no padrão desejado pelo Sistema. Pode tornar o Sistema vulnerável.

A Rede Globo tentou até apoderar-se dos evangélicos, lembram-se disso, certo? Fez um show musical com padrão global e convidou as principais estrelas da música gospel.

O que o Sistema, via Rede Globo e outras mídias conservadoras, quererá é transformar as classes C e D do lulismo numa “nova classe média tradicional” idêntica a que lê a Veja, lendo outra publicação, vendo outros programas de TV, mas com a mesma incapacidade de reflexão dos fatos do cotidiano do Brasil e do Mundo, com a mesma passividade e desinformação da classe média tradicional. O que não posso afirmar se já não existe, por desconhecer pesquisas à respeito da consciência social e política das novas classes C e D.

Para a Rede Globo o problema é que ela é uma só e as classes médias tradicionais e as classes C e D do lulismo são duas. Talvez, seja impossível querer ser a porta-voz de classes sociais opostas, além, de ser a porta-voz dos católicos e evangélicos ao mesmo tempo.

Como dividir entre dois ou mais grupos sociais a grade programação da emissora, é a pergunta que eles devem se fazer diariamente.

O Brasil ficou maior com o PT no poder. Temos mais grupos sociais para acomodação em uma só emissora.

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Paulo Cesar

29 de abril de 2014 às 00h53

Permita-me não concordar com seu ponto de vista. Acho que o Esquenta não tem nada de fruto de lutas políticas ou de ascensão da nova classe média. Nada disso! É uma loucura não levar em conta, neste campo o qual se explora, discussões acerca da estética e da indústria cultural contemporânea. Esse programa é sim fruto de uma estética televisiva que esta presente na TV brasileira desde a sua fundação. Há vários programas na mesma linha. Uma estética que privilegia o popular, o marginal, o underground e que teve seu início lá no final dos 1960; e que permanece… Aliás, a própria Regina Casé tem uma história muito interessante nesse sentido. O Esquenta não tem que enfrentar nada. Que loucura! É um programa de música popular, de expressão da rica cultura popular brasileira e não de resistência ao poder. Não confundam política com poder. Permita-me novamente uma crítica, pois gosto bastante deste blog. Cuidado para não conjecturarem a partir de pressupostos, categorias e jargões que nada explicam determinados contextos. Isso é fruto de um vazio de pauta jornalística e de pesquisas que não vão além do senso comum.

Saudações!

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Guanabara

29 de abril de 2014 às 00h51

Sai o cidadão, entra o consumidor. Mas não se iludam: morte do DG só apareceu na TV porque ele era da Globo, que nem o Tim Lopes. Quantos já não foram mortos por policiais ou traficantes nos chamados “microondas” e foram solenemente ignorados pela mídia em geral?

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