VIOMUNDO

Diário da Resistência


Nassif: Em crise, mídia busca golpe; Globo veta menção a FHC
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Nassif: Em crise, mídia busca golpe; Globo veta menção a FHC


09/02/2015 - 10h28

Globo sonega

A estratégia de Dilma para a guerra da comunicação: “virem-se”

Luis Nassif, em seu blog, 08/02/2015

São curiosos esses tempos de crise e de vácuos de poder.

Recentemente foi divulgada uma entrevista de Jango com John Foster Dulles, o brasilianista, em 15 de novembro de 1967.

Na entrevista, um mea culpa: “Goulart disse que em seus esforços para promover reformas estruturais, ele fez concessões demais a grupos políticos no Brasil”.

O objetivo era aprovar as reformas estruturais: “Foram reformas em prol da independência, do desenvolvimento, do bem-estar do povo e da justiça social. A justiça social não era algo no sentido marxista ou comunista”.

Mostrou como a ampliação dos meios de comunicação aumentou as demandas da população: “Hoje, com o uso amplo de rádios e televisores, o povo pobre vê as condições melhores que existem em outros lugares. O grande problema é a justiça social. Não é um problema de comunismo. Mas a insatisfação pode se converter em revolta se as condições não melhorarem. 92% da América Latina se encontra na condição mais precária possível”.

Finalmente, mencionou a campanha da imprensa contra seu governo: “Houve uma campanha para envenenar a opinião pública contra “meu governo”. Goulart disse que a imprensa estava contra seu governo. Ele acrescentou que a imprensa tem problemas financeiros e é influenciada por grandes grupos empresariais”.

Na raiz de todo acirramento da mídia estão problemas financeiros provocados por épocas de transição tecnológica. Foi assim nos anos 20, com o advento do rádio; nos anos 50, com o início da TV; nos anos 60, com a crise financeira dos jornais. E agora.

Do ponto de vista financeiro, tem-se a seguinte situação:

1. No ano passado, pela primeira vez a Rede Globo fechou no vermelho. A empresa está revisando todo seu modo de produção, acabando com os contratos permanentes com artistas, que eram mantidos no cast, muitas vezes sem aproveitamento, apenas para não serem contratados por competidores. O quadro está tão complicado, que a ABERT (Associação Brasileira das Empresas de Rádio e Televisão) levantou o veto que tinha em relação à TV digital, vista agora como uma forma de faturamento suplementar

2. A Editora Abril está se esvaindo em sangue. O valor do vale refeição caiu para R$ 15,00, que só cobre o preço do refeitório instalado no prédio. Há informações de que até o refeitório será desativado nos próximos dias. As redações estão abrindo mão de jornalistas experientes, sendo trocados por novatos sem grande experiência.

3. O Estadão está há tempos à venda.

4. A Folha caminha para ser, cada vez mais, uma editoria da UOL.

É uma questão de vida ou de morte: ou empalmam o poder ou tornam-se irrelevantes.

O jogo da informação

É por aí que se entende a campanha da mídia em busca do impeachment.

Os vícios do modelo político brasileiro afetam todos os partidos. Mais ainda o governo FHC com a compra de votos e as operações ligadas ao câmbio e à privatização. A gestão Joel Rennó foi das mais controvertidas da história da empresa.

Ao tornar o noticiário seletivo, os grupos de mídia conspiram contra o direito à informação, centrando todo o fogo em uma das partes e blindando todos os malfeitos dos aliados.

Ontem,  a diretora da Central Globo de Jornalismo, Silvia Faria, enviou um e-mail a todos os chefes de núcleo com o seguinte conteúdo:

Assunto:  Tirar trecho que menciona FHC nos VTs sobre Lava a Jato

Atenção para a orientação

Sergio e Mazza: revisem os vts com atenção! Não vamos deixar ir ao ar nenhum com citação ao Fernando Henrique”.

O recado se deveu ao fato da reportagem ter procurado FHC para repercutir as declarações de Pedro Barusco – de que recebia propinas antes do governo Lula.

No Jornal Nacional, o realismo foi maior. Não se divulgou a acusação de Barusco, mas deu-se todo destaque à resposta de FHC (http://migre.me/oyiwP) assegurando que, no seu governo, as propinas eram fruto de negociação individual de Barusco com seus fornecedores; e no governo Lula, de acertos políticos.

Proibiu-se também a divulgação da denúncia da revista Época (do próprio grupo) contra Gilmar Mendes.

No Estadão, a perspectiva de um racionamento inédito de água, assim como as repercussões na saúde e na economia, é tratado da seguinte maneira.

Se não vierem chuvas até março, a SABESP finalmente adotará o racionamento. Era essa a posição da empresa desde o ano passado e foi impedida pelo governador Geraldo Alckmin.

Só após a posse do novo presidente, Jerson Kelman, a SABESP conseguiu romper com os vetos de Alckmin ao racionamento. Respeitado internacionalmente, Kelman assumiu declarando que crises de água precisam ser tratadas com coragem e racionamento.

Segundo a matéria do Estadão, “A pedido do governador Geraldo Alckmin (PSDB), o presidente da SABESP Jerson Kelman definirá até o fim da semana um nível mínimo de segurança do Sistema Cantareira”.

A total falta de atitudes de Alckmin é convertida em “monitoramento diário”.  Algumas reportagens relataram o fato da única atitude de Alckmin consistir em consultar um aplicativo de tempo no seu celular, para torcer pela chegada das chuvas.

Na reportagem do Estadão, essa demonstração de amadorismo, de um governador sem nenhum conhecimento de questões hídricas monitorar “pessoalmente” as chuvas, converte-se em uma prova de responsabilidade: ”O quadro hídrico vem sendo monitorado pessoalmente pelo governador e sua equipe diariamente e debatido em reuniões que acontecem a cada dois dias no Palácio Bandeirantes”.

Na home do Estadão, uma reportagem especial sugere que a responsabilidade pela crise é do prefeito Fernando Haddad que deixou de aplicar um programa de despoluição da Billings. O título na home é “Governo Haddad deixou de investir R$ 1,6 bi em represas”.

Na matéria interna, esclarece-se que os problemas são a não liberação de recursos pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e o fato dos valores de licitação do programa – feitos na gestão Kassab  – incluírem insumos (como asfalto e cimento) em valores acima do teto estabelecido pela Caixa Econômica Federal.

Os fatos e a campanha

Mesmo com todo o poder de fogo, sozinhos os grupos de mídia não conseguem criar um mundo virtual. Ainda mais nesses tempos de redes sociais, o enfrentamento precisa ser dado através de uma estratégia de comunicação — que também não é algo feito no ar. Ela precisa estar subordinada a uma estratégia política, à identificação dos pontos nevrálgicos do noticiário, ao tratamento antecipado de todo tema sensível, à criação da agenda positivo.

De qualquer modo, na primeira reunião com seu Ministério, Dilma já definiu sua estratégia de comunicação. Juntou os Ministros e ordenou a eles mais ou menos o seguinte:

— Vocês precisam entrar na batalha de comunicação.

Eles:

— Como?

E ela, mais ou menos assim:

— Virem-se.

Leia também:

Dilma “missing in action”, Lula ignora autocrítica

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



37 comentários

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Valdeir Pereira

19 de março de 2016 às 14h07

Olá! Hoje sugeri ao PHA, ao DCM, ao Blog do Tarso, ao Esmael, ao Portal Vermelho e a muitos outros uma campanha de boicote às empresas e produtos anunciados na rede globo no intuito de reduzir a sua fonte de recursos. Essa tática é muito utilizada no combate ao crime organizado… O que vocês acham da idéia? Está na hora de atingirmos a globo no que ela realmente sente: O seu faturamento.

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Makário

11 de fevereiro de 2015 às 20h10

DELAÇÃO PREMIADA À LA CARTE – Já ouviu falar, Azenha? Pois veja do que se trata.

Os antecedentes do Dr. Sérgio Moro, o “rei da delação”
11 de fevereiro de 2015 | 11:16 Autor: Fernando Brito

moro

Reproduzo parte do texto escrito pelo jornalista, professor e escritor Claudio Tognolli, publicado há três anos no 247.

Muito antes, portanto, que alguém pudesse pensar em “Operação Lava-Jato”.

Insuspeito, portanto, de referir-se a denúncias de tropelias e direcionamento da investigação sobre os desvios envolvendo a Petrobras.

Mas importante como antecedente e revelador dos métodos que se empregam, no Tribunal dirigido pelo Dr. Sérgio Moro, no Ministério Público do Paraná e na Polícia Federal daquele estado.

Que, aliás, parece ter se transformado numa espécie de “Juízo único” da corrupção, ferindo completamente o princípio da impessoalidade da Justiça.

Deveria chocar todos os que, neste país, têm consciência da isenção, equilíbrio e garantias legais com que devem trabalhar o Judiciário e, também, polícia e promotoria.

E mostra como estas distorções, infelizmente, não chocam e repugnam nossa Corte Suprema, a última trincheira do “garantismo”, um conceito jurídico que sempre imperou entre nós e, no fundo, se confunde com a própria natureza do Estado de Direito.
Moro, o juiz que pode
decidir o “mensalão”

Claudio Tognolli (trecho)

“(…)Sergio Moro foi uma das estrelas jurídicas da industriosa produção da “PF republicana”, sob a octaetéride de Lula. Só para você lembrar: as operações da PF aumentaram quinze vezes durante o governo Lula. Pularam, por exemplo, de 16 em 2003 para 143 até agosto de 2009. De 2003 para 2010 o número de funcionários da PF pulou de 9.231 para 14.575, um crescimento de 58%. Lula botou nas ruas, na maioria das vezes sob MTB, 1.244 operações, o que representa 25 vezes mais do que as 48 tocadas pela PF no governo Fernando Henrique Cardoso.

Para você ter uma ideia do peso que Sergio Moro vai ter no destino dos mensaleiros, é necessário lembrar das práticas nada incontroversas desse juiz. Foi dele a ideia de se monitorar, no presídio de Catanduvas, no Paraná, as conversas de advogados em suas visitas a seus clien tes. Catanduvas já teve como inquilino gente como Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira Mar, e Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, ambos ligados ao Comando Vermelho. A ideia de Sergio Moro, de monitorar os parlatórios foi tida como inconstitucional, além de violar a privacidade entre advogado e cliente prevista na Lei federal 8.906/1994, o Estatuto da OAB.

Sergio Moro é um dos campeões brasileiros da chamada delação premiada. A lei 8.072, de 1990, é uma das varias leis que prevêem o dispositivo da delação premiada. Em seu artigo 8º, parágrafo único prevê que “o participante e o associado que denunciar à autoridade o bando ou quadrilha, possibilitando o seu desmantelamento, terá pena reduzida de um a dois terços”.

Muitos juízes e procuradores fãs de Sergio Moro, porém, ultrapassaram os limites da ética, inventando um novo portento nas mazelas da lei. Efeito residual do Caso Banestado e da Operação Farol da Colina, o estado do Paraná tem sido acossado por ofertas de delação premiada, feitas a doleiros, que, em condições de temperatura e pressão, passam ao largo da ética do direito.

A alguns acusados, sobretudo de crimes financeiros, tem sido ofertado um dispositivo estranho, a que alguns advogados apelidaram de “delação premiada à la carte”. Esta modalidade de delação premiada, em voga não só no Paraná, mas em todo o Brasil, à disposição de advogados, policiais e membros do ministério Público, consistiria em ofertar ao acusado uma lista de possíveis pessoas a serem denunciadas em troca de redução de pena do acusado.

Apenas um advogado já denunciou isso publicamente: o criminalista Elias Mattar, de Curitiba.

“Devo dizer que a democracia ela própria está agora sob suspeita, porque todos os princípios que constituem os institutos do Estado democrático estão sendo contestados. A delação premiada tem tomado caminhos de injustiça sonora e gritante”, diz Elias Mattar.

O criminalista concordou em revelar caso em que viu de perto como se operam as maquinações que conduzem à delação premiada a la carte, desde que o nome de seu cliente fosse mantido em sigilo.

“Meu cliente, ora inocentado e reconduzido ao cargo que tinha na Receita Federal, era acusado de um caso que envolvia exportação fraudulenta. Na Polícia Federal, na cela, ele era procurado, sobretudo por agentes e delegados, que o pressionavam psicologicamente, perguntando ‘Diga quem está por trás de tudo, diga!!!!!’ Ele não tinha a quem delatar, mas o pressionaram tanto que escrevi ao ministro da Justiça. Até que um dia meu cliente me disse na cela “Diga para eles pararem de me pressionar porque não tenho a quem delatar, mas se eles continuarem, podem trazer uma lista de nomes que assino embaixo, porque não agüento mais essa tortura na cela da PF”.

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O Mar da Silva

11 de fevereiro de 2015 às 11h20

Precisam urgentemente de outro ponto fora da curva. k k k k k k k k k

Imagina se a Dilma descobre que a SECOM existe e faz um ajuste fiscal na publicidade da pasta, cortando 90% das verbas para as tvs, rádios, jornais, sites e afins?

Seria o apocalipse para o PIG.

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Leandro_O

11 de fevereiro de 2015 às 11h09

Continuem divulgando a campanha do site paraexpressaraliberdade.org.br. O Viomundo é um dos poucos blogs/sites que vi divulgando a campanha, os demais só reclamam e reclamam, mas na hora de agir é cada um com seus objetivos pessoais. Por isso os 1% sempre serão os 1%. Cheira até hipocrisia de certos blogs tidos como de esquerda.

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PENSANDO O BRASIL

11 de fevereiro de 2015 às 10h31

A STALINGRADO DO GOVERNO:

Quem deveria comandar a Batalha da Comunicação? Em meus sonhos (utopias) a Presidenta Dilma comanda. O que ela deveria dizer? Leia e opine no link abaixo:

http://reino-de-clio.com.br/Pensando%20BR10.html

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enganado

10 de fevereiro de 2015 às 23h58

Infelizmente para o Povo Verdadeiramente Brasileiro estamos de novo em um pré-golpe 1964. Imaginemos engolir os FHC’s/Eduardo Cunha/Aópio/GAFE/EUA/iSSrael/Halliburton/… et cetera. Vamos pro buraco, acho bom começarmos aprender os hinos dos EUA e de iSSrael e/ou pularmos do Cristo Redendor!

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Carlos

10 de fevereiro de 2015 às 20h23

Finalmente, g1 publica matéria de delator que afirma que tudo começou em meados de 90(portanto, 10 anos antes da data que o pig dissemina em suas perversas publicações). A denúncia do e-mail teve papel preponderante. É o momento de replicar Salvem a matéria antes que se arrependam e apaguem. Acorda PT.

Responder

FrancoAtirador

10 de fevereiro de 2015 às 18h31

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O GOLPE É NO REGIME DE PARTILHA DO PRÉ-SAL

10/02/2015
Jornal GGN

Cunha reforça o Côro pelo Fim do Modelo de Partilha do Pré-Sal

Ontem, segunda-feira (9), o presidente da Câmara, Eduardo Cunha,
disse que é contrário ao modelo de partilha na exploração de petróleo.

Para ele, “o modelo não funciona” e foi um “grande erro”.

A Petrobras não tem condição financeira
de dar conta dos investimentos que começou a fazer,
que dirá de investimentos futuros. Vai atrasar o País“.

(http://jornalggn.com.br/noticia/cunha-reforca-o-coro-pelo-fim-do-modelo-de-partilha-do-pre-sal)
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Entrementes…

A Lava Jato está paralisando Obras
da Petrobras ligadas ao Pré-Sal.

Salários não estão sendo pagos.

Trabalhadores da Comperj foram à luta
e ocuparam a Ponte Rio-Niterói.

Esse é só um caso. Virão outros.

Quem vai dar aos protestos o foco
em defesa da Petrobras e do Brasil?

(Hora a Hora – Carta Maior)
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Responder

    FrancoAtirador

    10 de fevereiro de 2015 às 18h37

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    JUIZ MORO QUEBRA A PETROBRAS

    E JUSTIFICA O FIM DO BRASIL

    (http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2015/02/10/moro-poe-desempregados-da-comperj-na-rua)
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    FrancoAtirador

    10 de fevereiro de 2015 às 18h45

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    10/02/2015 17:03
    Rede Brasil Atual (RBA)

    “Mídia Confunde População sobre Petrobras”

    Ex-presidente da Petrobras afirma
    que há interesse de criar clima, “irreal”,
    de que a empresa vive “em um mar de lama”

    São Paulo – O ex-presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, disse em entrevista à Rádio Brasil Atual que a imprensa corporativa não cumpre o seu papel e presta um desserviço ao confundir a população brasileira sobre a realidade da crise por que passa a empresa.

    “Primeiro, tem uma posição pré-definida
    de condenação, a priori, de tudo.
    Segundo, não tem nenhum interesse em esclarecer as coisas.
    Tem mais confundido do que esclarecido.
    Terceiro, trabalhado, muito fortemente,
    confundindo problemas policiais e criminais
    com problemas de gestão e de economia.
    E quarto, tem um viés claramente partidário.
    Tudo o que se refere ao PT está condenado,
    independente do que seja.”

    Para Gabrielli, que é economista e exerceu o cargo de diretor financeiro e de relações com investidores da Petrobras, de 2003 a 2005, antes de se tornar presidente, “há interesse em confundir e criar um clima, que é irreal, de que a Petrobras vive em um mar de lama”.

    O ex-presidente da Petrobras afirma que os casos de corrupção, apontados por delatores no âmbito da operação Lava Jato, não compromete o modelo de gestão da empresa:

    “Se se comparar o que tem sido divulgado da íntegra dos depoimentos, constata-se que os procedimentos internos da companhia foram seguidos
    e que, se houve corrupção, foi fora da companhia, na relação deles com os fornecedores,
    e com os fornecedores dos fornecedores e doleiros,
    portanto, não tem nada a ver com a vida interna da Petrobras.”

    No afã condenatório, a grande imprensa esquece do histórico de conquistas da empresa
    e da sua importância para o setor de petróleo e gás, no país,
    que, segundo Gabrielli, “tem uma enorme descoberta,
    e que tem uma política de expansão do conteúdo nacional,
    que viabiliza a expansão da cadeia de fornecedores, no Brasil,
    gerando emprego e renda para o brasileiros, no longo prazo”.

    Ouça a entrevista a Claudia Manzzano, da Rádio Brasil Atual.

    (http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2015/02/para-sergio-gabrielli-midia-confunde-a-populacao-sobre-petrobras-5197.html)
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olivires

10 de fevereiro de 2015 às 16h00

John Foster Dulles, antes de ser “brasilianista”, foi Secretário de Estado americano de 1953 a 1959, época em que a UDN já fomentava (a mando estrangeiro) o golpe no Brasil, alegando reiteradas “irregularidades” nas eleições de 1950 (Getúlio), 1955 (JK), 1960 (Jânio).

Além disso, seu irmão, Allen Dulles, foi diretor da CIA (1953 a 1961) e executivo da United Fruit/ Chiquita Brands (companhia que pelas ações abusivas na América Central inspirou o termo “república das bananas”).

Era essa figura que Jango foi conversar, em 1967, depois de ter sido deposto em 1964. Impossível imaginar este presidente aceitando a sugestão de Brizola de resistir e fazer valer a vontade do povo nas eleições.

Responder

Eduardo

10 de fevereiro de 2015 às 12h57

Erro do dicionário : Hugo Chaves

Responder

Eduardo

10 de fevereiro de 2015 às 12h55

Está errado esperar que a Presidenta da república resolva todos os nossos problemas públicos e privados! Não foi eleita para isso! A imprensa é um grande problema dos brasileiros em 1° lugar! Todos temos que resolver isso, ao contrário de esperar leis e ações da presidenta. O que o PIG quer é exatamente isso! Está em decadência tecnológica e não sabe enfrentar os novos tempos! O PIG quer que o PT e o governo o enfrente em campo aberto, se expondo, criando-lhe dificuldades, fazendo leis polêmicas ! O PIG sonha com isso para se vitimizar perante o PT e o Governo Dilma! Com isso se torna vítima dos bolivarianos, dos que impedem a liberdade de expressão e de imprensa, transforma Dilma em Hugo Sanches de saias, Lula em Fidel Castro e PT em partido de ladrões e quadrilha a serviço dos Bolívares. Querem dar o golpe da comunicação já bastante conhecido dos brasileiros. Não pode, nem cabe à Presidenta colocar a imprensa na linha, na conformidade! Isso cabe ao povo insatisfeito, eleitores, órgãos e segmentos da imprensa respeitável e às demais instituições, intelectuais e serviços de regulação. No momento, estamos todos sendo idiotas e fazendo exatamente o que o PIG quer! Usar- nos para criminalizar e pressionar a Presidenta e o PT.

Responder

    elizabeth pretel

    10 de fevereiro de 2015 às 21h43

    Concordo plenamente com vc.

    dimas

    10 de fevereiro de 2015 às 23h41

    E nós que lutamos contra o partidão em razão desta análise de merda. “A ditadura não sobreviverá mais que 3 meses. É só ficar bem quietinho que ela passa” É triste voltar a ouvir isso.

    Elza

    11 de fevereiro de 2015 às 02h01

    Bravo Eduardo é isso mesmo e têm muitos entrando
    nessa onda e querendo q a Dilma entre tbm.
    Eu confio na Dilma, ela ñ se intimidará com alguns pontos a menos na sua aceitação de governo. Ela sabe q a situação é delicada, tem q ir c calma. Quem estar fora tem belas sugestões tipo torcedor de time de futebol. As pessoas esquecem rapidinho o q Dilma passou c a Copa do Mundo, Mas no final saiu vitoriosa junto c aqueles que ñ caem fora do barco assim q começa uma marolinha.

italo

10 de fevereiro de 2015 às 10h45

Se a gente não for cuidadoso, a globo fará o Brasil odiar o PT e amar o PSDB, em nome de liberdades que custaram sangue de brasileiros que não estão e nunca estiveram do mesmo lado da globo e dos torturadores.

Responder

abolicionistas

10 de fevereiro de 2015 às 09h56

O PT colhe o que plantou. O Lula disse que luta ideológica era coisa de intelectual, que o politização era besteira, que o povo só queria consumir. Agora ele que se vire… O PT teve muitos anos para politizar a classe trabalhadora, não o fez porque não quis, nenhuma força política externa o impediu, nem o PIG, nem a base aliada. A igreja evangélica, por exemplo, cresceu e vigorou nos corações e mentes do povão abandonado pelo PT. E a Dilma foi lá ajoelhar-se diante do Salamão do Edir Macedo… Quem não faz toma.

Responder

Policarpo

10 de fevereiro de 2015 às 08h54

Senhores,
não dá pra trocar a fita? Não que isso não ocorra. Mas o problema é maior que isso. Não vamos coar mosquitos e engolir camelos. Essa situação não tem pivô, tem sim, vários responsáveis e, nenhum inocente.

Responder

Julio Delgado

10 de fevereiro de 2015 às 08h25

Vamos acabar com o monopólio da rede Globo já. E, aproveitando vamos tirar acabar com o sofá da sala.

Responder

Lafaiete de Souza Spínola

10 de fevereiro de 2015 às 00h52

“Enfim, dá vontade de forçar o relógio da história em alguns anos, quiçá décadas, para vermos logo o que será do país quando as novas gerações, mais saudáveis, mais bonitas, melhor alimentadas, mais escolarizadas, mais livres, tão distantes da neurastenia forçada e hipócrita do antipetismo midiático, ainda mais distantes desse conservadorismo quase sociopata de alguns medalhões do jornalismo, o que será do Brasil quando esta geração tomar o poder?”

Como chegar às “novas gerações, mais saudáveis, mais bonitas, melhor alimentadas, mais escolarizadas,”?

Veja essa sugestão (não há meio termo):

https://www.facebook.com/lafaiete.spinola.3/posts/239669346190481

Responder

José Ademar

09 de fevereiro de 2015 às 20h52

A tal Rede Globo do Bem já começando a fechar balanços no vermelho ou próximo disso já podemos dizer que é uma Vitória da democracia.Então quer dizer que a Globo do Bem fica indignada com as mazelas do Brasil?

Responder

maria

09 de fevereiro de 2015 às 19h11

é difícil conviver com uma mídia tão omissa e tão inconsequente como esta imprensa marron, que atualmente só age e noticia com extremo interesse próprio, é lamentável e vergonhoso

Responder

Regina Fe

09 de fevereiro de 2015 às 17h28

Todos já sabemos que a mídia representada pelo PIG não é honesta e não vai se regenerar. O seu DNA não permite, é como o ditado que diz que pau que nasce torto morre torno. A turma do PSDB e da direita empolada sempre será santificada em vida por essa mídia criminosa. O que não pode é a Dilma e o PT não fazerem nada. É preciso agir com destemor. Dilma e o PT precisam reagir o quanto antes, pelo bem do Brasil. Não se admite mais tamanha inação beirando a covardia. Lembro de uma imagem do Lula sendo acariciado no rosto por um garoto nos ombros de seu pai, que pode ser vista no link abaixo e em tantos outros sites. Imagem emblemática de um País no caminho do desenvolvimento e também do motivo do ódio dos que não querem o bem do Brasil, mas sim os bens do Brasil. Dilma e o PT não podem, não têm o direito, jamais, de, nessa altura, se converterem em cabos eleitorais do que há de mais retrógrado no Brasil. Resgatem a era Lula e a grande Dilma que evitou o apagão no Rio Grande do Sul, não deixem o tempo passar.
http://verbobrasilis.blogspot.com.br/2010/12/lula-e-seu-povo-por-mino-carta-em.html

Responder

FrancoAtirador

09 de fevereiro de 2015 às 16h17

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A DEPRIMENTE, HUMILHANTE, DEGRADANTE E MEDÍOCRE SOCIEDADE DO ESPETÁCULO

09/02/2015
Portal Terra

“Quero que a Globo seja condenada!”, diz ex-BBB Fani Pacheco

Fani Pacheco é uma das mais queridas ex-participantes do Big Brother BraZil (BBB)
e também uma das mais polêmicas.
Atualmente, Fani é repórter do TV Fama e tem se destacado pela abordagem cordial e sincera com as celebridades.
“Eu faço aquilo que eu gosto e não preciso ser grossa ou mentir”, se defende.

A ex-BBB se diz apaixonada e fã de Boninho, o diretor geral da atração.
“Eu adoro o Boninho, amo o Boninho”, diz ela em conversa exclusiva com a coluna.

Porém, por causa da última participação que teve no programa, ela resolveu processar a TV Globo.

Ela acusa a emissora de ter retirado subitamente seus remédios para depressão durante o programa em 2013.

Isso acabou causando um efeito “rebote” da doença,
o que levou a repórter a chegar ao nível máximo de depressão em 2014.

No mês de abril ela publicou uma série de acusações contra a emissora e ingressou com o processo.

Fani disse que teve pensamentos de suicídio durante o programa e diz que a emissora agiu de má fé.

“Eu continuo processando a Globo, independente de qualquer coisa”
“Não sei se vai rolar acordo ou se não vai.
Minha intenção é que role a sentença
para que eles não possam mais deixar de dar
remédios tarja preta das pessoas do reality”,
disse.

(http://diversao.terra.com.br/gente/spot/blog/2015/02/09/quero-que-a-globo-seja-condenada-diz-fani-pacheco)

Responder

FrancoAtirador

09 de fevereiro de 2015 às 15h47

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íííí… Um Estagiário na CGJ vai bailar.
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Responder

wendel

09 de fevereiro de 2015 às 14h06

Miguel do Rosario, nese artigo foi cirúrgico!!!
É realmente uma análise perfeita do que ocorre atualmente no cenário politico brasileiro, e com a devida e provável licença, estou repassando.
A comparação do ocorrido na França, quando do julgamento de Dreyfus e os julgamentos da Ação Penal 470 e o Lava Jato, nos faz refletir o quanto somos impotentes frente a esta midia prostituta.
Outro fato, que também merece nossas reflexões é ” …..Sequer escondiam a descarada solapagem do Estado Democrático de Direito, em nome de uma vulgar e covarde rendição a um populacho manipulado pela mídia.
Arendt explica a diferença entre esta “opinião pública”, ou “populacho”, e o povo propriamente dito. O populacho é a representação dos setores frustrados de todas as classes sociais. Pobres, classe média e ricos insatisfeitos com a representação política, prontos a aderirem a qualquer aventura golpista: este é o populacho de todas as eras. Eles têm uma opinião instável, cambiante, mas com uma propaganda bem planejada, é possível orientá-lo na direção certa, enquanto este for útil.”
Continuando ” …A política é o único palco onde o PT pode ganhar, porque é a legenda com maior número de filiados no país, várias vezes superior a todas as outras. Seus presidentes, sobretudo Lula, ainda são as figuras públicas mais populares da nossa história, até hoje. É o partido com maior número de deputados na Câmara Federal. O partido que tem mais ministros, incluindo o Ministério da Comunicação e da Justiça. Tem a presidência da república. É o único partido que tem uma militância orgânica de massa, real e digital.”
E não o faz, porquê ????????????
Seria incompetência, ou simplesmente desgaste motivacional ?????

Responder

Francisco

09 de fevereiro de 2015 às 13h36

O Ministério da Cultura é tão estratégico para a soberania nacional de um povo, que tenho dúvidas se não deveria ter assessoramento das forças Armadas.

NENHUM filme mostra o papel de NENHUM segmento da imprensa na deposição de Vargas ou no Golpe Militar.

No filme “O que é isso companheiro?” deram um jeito de colocar um torturador “torturado pela culpa”. Culpa o cacete! Esse pessoal continua arrogante e ganhando eleição! O povo não sabe, não sabe porque a imprensa não trata (falar de si própria?), nem a escola aborda (outro problema do PT, comprou a tese de que educação se resolve somente com dinheiro, computador…).

Como é que socialistas se estão no Poder há doze (doze!) anos e não tem uma superprodução sobre Francisco Julião, Bacuri, Oswaldão, Marighella, Prestes, Drummond (isso mesmo leitor, era co-mu-nis-ta), sobre Pagu, sobre Abdias Nascimento…

O rol é imenso! Mas não!! Governar é construir estradas!!!

Quanto custa uma estrada e quanto custa um filme?

Quanto custa um filme e quanto custa a democracia?

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Jorge

09 de fevereiro de 2015 às 13h09

Simples: Ter pulso e cortar o apoio financeiro da Mídia…
Cortar os comerciais e afins….fácil fácil…
essa galera tem que ser pega pelo bolso…..
os marinhos são assim mesmo….ladrões, manipuladores…
Mas o grande erro do PT é dar grana pra essa gente…pros Civita…
é só cortar os comerciais….

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Francisco

09 de fevereiro de 2015 às 13h05

Tem uma coisa que eu tenho dificuldade de entender…

Se a reforma que Dilma quer fazer é só para combater monopólio, porque precisa de uma Lei de Mídia?

Usa a lei que já existe contra monopólio, certo?

Primeiro quebra o joelho, depois sim, vai na garganta.

Al Capone foi preso por dever ao Imposto de Renda. Aliás, um outro foco possível para a Lei de Mídia: IR, BV…

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Vlad

09 de fevereiro de 2015 às 13h04

Calma.
A turbinada na bolinha de papel já foi paga, via Panamericano: custo ao contribuinte R$ 10 bilhões.
Falta pagar o aecioporto do playboy.
Quanto vai custar não sei.
Mas certamente mais que aquilo.

PIG?
Sei.

Responder

Fabio Silva

09 de fevereiro de 2015 às 12h32

A imprensa está escondendo os nomes dos brasileiros da lista de sonegadores do caso HSBC?

Será que há barões da mídia entre eles?

Há bilhões de reais escondidos em cofres suíços e a denúncia vai virar pó como foi com o Banestado?

Responder

Lenir Vicente

09 de fevereiro de 2015 às 11h30

corrigindo “suposta” liberdade de expressão, que não passa de libertinagem

Responder

Lenir Vicente

09 de fevereiro de 2015 às 11h29

Só a regulamentação da mídia vai acabar com a “supos” liberdade de expressão que não passa de libertinagem.

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Gerson Carneiro

09 de fevereiro de 2015 às 11h03

Tic tac tic tac tic tac…

Responder

Aroeira

09 de fevereiro de 2015 às 10h39

Fora de Pauta? Nem tanto.

Fora de Pauta. Azenha, segue mais uma matéria (fora de pauta?) imperdível, obrigatória. É sobre a operação Lava a Jato. Uma síntese perfeita sobre o que vem acontecendo até hoje com o objetivo exclusivo de lascar o Partido dos Trabalhadores. Recomendo a todos os internautas.

A Lava Jato à luz de Hannah Arendt, por Miguel do Rosário
seg, 09/02/2015 – 10:08

Enviado por MCN

A Lava Jato à luz de Hannah Arendt

Por Miguel do Rosário

Do O Cafezinho

Se o leitor prestou atenção aos meus posts sobre o assunto, verá que fiz um esforço heroico para acreditar na Operação Lava Jato.

Minha relação com a Lava Jato foi bipolar, pois eu não queria acreditar que testemunharíamos mais uma sequência de arbítrios protagonizados por autoridades cegas pelos holofotes da mídia.

As relações promíscuas entre essas autoridades do Lava Jato e a oposição sempre estiveram em evidência.

Primeiro, o flagrante patético dos delegados da Lava Jato xingando Lula e Dilma nas redes sociais.

Segundo, descobrimos que a esposa do juiz Sergio Moro trabalha para o PSDB, e que ele mesmo foi estagiário e depois testemunha de defesa, de um tributarista condenado por associação com um prefeito tucano corrupto do interior do Paraná.

Terceiro, um blogueiro nos revelou a história de que o pai de Sergio Moro é um antipetista sectario e raivoso, a ponto de nunca mais entrar numa locadora de video, apenas porque descobriu que o seu gerente votava no PT.

Quarto, o advogado de Alberto Youssef, pivô de todo o esquema da Lava Jato, o senhor Antonio Augusto Lopes Figueiredo Basto, trabalhou por anos no Conselho da Sanepar, a companhia de saneamento do governo do Paraná, estado governado pelo PSDB.

Quinto, o próprio Alberto Youssef foi durante toda a sua vida um dos principais operadores do PSDB.

Os executivos “delatores”, por sua vez, também são ligados ao PSDB.

O primeiro a “piar”, após a estratégia da República do Paraná, de manter os executivos presos por tempo indeterminado, foi Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, um dos sócios da Toyo Setal, e primo de um tucano de alta plumagem, Marcos Mendonça, presidente da Fundação Anchieta.

Mendonça Neto participa de esquemas tucanos desde meados dos anos 90, entre eles o já famoso “trensalão”.

Júlio Camargo também é da Toyo Setal, empresa envolvida até o pescoço no trensalão tucano.

O próprio Pedro Barusco, eleito a categoria de heroi pela mídia e pelas autoridades da Java Jato, após denunciar o PT, mesmo sem apresentar uma mísera prova, também fez escola na era tucana, vide que ele confessa que recebe propina, em negócios da Petrobrás, desde 1997.

Pedro Barusco era diretor operacional da Sete Brasil, controlada pelo BTG, que pertence ao ultra-tucano Andre Esteves, o mesmo que pagou a viagem de lua de mel para Aécio Neves em Nova York.

Entre os executivos presos, tanto das empreiteiras quanto da Petrobrás, não há nenhum petista ou com histórico na esquerda.

Paulo Roberto Costa, funcionário da Petrobrás desde a década de 70, foi indicado pelo PP (legenda que, apesar de compor a base governista, é ideologicamente muito mais próxima do PSDB e DEM, do que do PT), e vinha crescendo na estatal desde a era FHC.

Esses são os que “confessaram” crimes. Renato Duque é acusado de muitas coisas, mas ainda não confessou nada e não foi condenado.

*

O espetáculo promovido ontem fez cair a máscara de Sergio Moro?

Sim.

Tendo em vista que não havia necessidade de nenhuma decisão “coercitiva” para levar o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, a prestar depoimento, a operação visou apenas a mídia e constituiu uma arbitrariedade.

Neto é um dos mais importantes dirigentes políticos do partido que governa o Brasil, tem residência fixa, e jamais se recusou a depor na Justiça. Cúmulo da truculência: não há sequer nenhuma acusação formal contra Vaccari.

Por que a violência? Por que o arbítrio?

Porque era preciso estabelecer uma narrativa.

O depoimento “coercitivo” de Vaccari foi o único, entre dezenas de outros, todos arbitrários também, diga-se de passagem, visto que ninguém se recusou a depor, em momento algum, foi o único vazado de manhã cedo para a mídia.

Portais e telejornais noticiaram que agentes da PF tiveram que pular o portão da casa de Vaccari. Uma mentira.

O Jornal Nacional dedicou 20 minutos à Lava Jato, citando o nome do PT mais de 30 vezes. Fez acusações pesadíssimas contra o partido baseado num depoimento de uma pessoa declaradamente corrupta, que não apresentou nenhuma prova.

Aliás, diversas denúncias feitas até agora pelos delatores não trouxeram nenhuma prova.

Parece um roteiro pré-determinado. Sergio Moro lidera um espetáculo midiático na quinta-feira, com tempo de pegar os políticos de oposição ainda em plenário. Na sexta-feira, a bomba vai para a manchete de todos os jornalões. No sábado, para as revistas semanais. No domingo, chega ao Fantástico.

E assim a semana se inicia sob fortíssimo bombardeio midiático.

Ninguém se preocupa com um detalhe: a delação premiada deveria ser feita em sigilo absoluto, exatamente para não permitir que bandidos confessos se utilizem desse instrumento para se vingar de seus desafetos, ou pior, exercer ou traficar influência política.

Ao invés de me torturar lendo os espasmos golpistas dos jornalões, passei a noite e a manhã de hoje, lendo um capítulo do livro As Origens do Totalitarismo, de Hannah Arendt. É o capítulo que fala do Caso Dreyfus, o oficial judeu condenado pela Justiça Francesa por alta traição, mas que era inocente.

Há muitas semelhanças. Eu já havia abordado o caso Dreyfus ao discutir o caso Pizzolato, o petista do Banco do Brasil condenado no mensalão por algo que não fez, não podia ter feito, não tinha sequer instrumentos para fazê-lo.

Hoje eu vejo que o verdadeiro Dreyfus contemporâneo não é Pizzolato, mas o PT.

Arendt aponta o caso Dreyfus como uma das feridas nunca totalmente fechadas da história política e judicial da França, e que serviriam de caldo cultural para a explosão do nazismo europeu.

Assim como o mensalão e agora o petrolão, o caso Dreyfus envolveu uma conspiração entre mídia e judiciário.

A mídia francesa da época, assim como a brasileira, atiçou todos os preconceitos e rancores do populacho (mob, em inglês) contra Dreyfus e seus defensores, que de início eram uma minoria ilustre.

Também a França vivia sob o impacto de um grande escândalo de corrupção no parlamento: o escândalo do Canal de Panamá.

Um jornal reacionário e antissemita alcançara uma tiragem recorde após denunciar o clamoroso escândalo de propinas pagas a parlamentares e lobistas, como “comissão” aos financiamentos que o Estado francês dava à Companhia do Panamá.

Igualzinho hoje. A Companhia do Panamá era um pool de empreiteiras, que viviam do dinheiro do Estado, assim como as nossas. Para ser justo, assim como todas as empreiteiras do mundo.

Os deputados franceses haviam encontrado os métodos que deveriam pôr em prática. Nas palavras de Arendt: “a política correta era a defesa de interesses particulares e corporativos, e o método adequado seria a corrupção. Em 1881, a tramoia tornou-se a única lei”.

Entretanto, não foram os deputados que tomaram a iniciativa de usar o caso Dreyfus como uma estratégia de poder. Eles surfariam na onda, satisfeitos de ver a atenção pública olhar para outro lado. A mesma coisa vale para a maioria dos nossos corruptos. É reconfortante para eles ver a mídia apontando o dedo apenas para o PT.

No caso dos empreiteiros presos, o juiz já sinalizou: apontou o dedo para o PT, está solto. Não apontou: prisão por tempo indeterminado, com ameaças veladas contra toda a família.

Na França, o golpe contra Dreyfus veio dos estamentos burocráticos e meritocráticos, onde a elite descendente do ancien regime, falida pelas revoluções, havia se refugiado, e onde procuravam se vingar pela perda de seus privilégios. No caso francês: o exército e o judiciário. No Brasil, o MP, PF e Judiciário, também histórico refúgio de antigas e decadentes elites nacionais.

A mídia, como sempre, cumpriu o papel de instrumento da classe dominante, ontem e hoje. A Companhia de Jesus, os jesuítas, que dominavam o alto clero da época, foi a principal articuladora política do movimento contra Dreyfus. Nossos “jesuítas” de hoje são os tucanos e moralistas de ocasião da mídia.

Arendt lembra que os socialistas demoraram a se enfileirar ao lado dos “dreyfusard” (os que defendiam Dreyfus), e mesmo assim vieram divididos, porque viam nisso apenas uma escaramuça da alta burguesia.

Apenas quando Clemenceau convenceu o grande líder socialista Jean Jaurès, de que a injustiça praticada contra um era uma injustiça contra todos, é que este último aderiu à causa, e mesmo assim, não com os argumentos que, segundo Arendt, seriam os mais corretos, a defesa da justiça e da dignidade humana, mas com argumentos classistas, visto que aristocracia e alto clero lideravam o movimento contra Dreyfus.

O erro dos socialistas franceses me parece o mesmo cometido pelo PT, por ocasião do mensalão.

E a mesma desconfiança dos trabalhadores franceses, contra um problema que parecia se limitar a uma divergência doméstica das classes dominantes, vimos também surgir entre os petistas e na esquerda em geral, quando estes se defrontaram com a Ação Penal 470 e, agora, com a Operação Lava Jato.

Tanto o mensalão quanto o petrolão levaram figuras dominantes da política e do capital à cadeia.

O que foi vendido pela mídia brasileira como um “avanço” democrático, não passa de uma tática recorrente do arbítrio para empolgar o populacho, desde os primórdios da história. Todas as ditaduras, explícitas ou disfarçadas, fazem isso.

É o que tentam fazer agora novamente.

As próprias elites entendem que é preciso sacrificar alguns de seus mais queridos empregados, a fim de assegurar o poder no longo prazo.

Por ocasião do julgamento da Ação Penal 470, os colunistas da grande mídia, e depois até mesmo alguns ministros do supremo, batiam na tecla que não era possível decepcionar a expectativa da “opinião pública”.

Sequer escondiam a descarada solapagem do Estado Democrático de Direito, em nome de uma vulgar e covarde rendição a um populacho manipulado pela mídia.

Arendt explica a diferença entre esta “opinião pública”, ou “populacho”, e o povo
propriamente dito. O populacho é a representação dos setores frustrados de todas as classes sociais. Pobres, classe média e ricos insatisfeitos com a representação política, prontos a aderirem a qualquer aventura golpista: este é o populacho de todas as eras. Eles têm uma opinião instável, cambiante, mas com uma propaganda bem planejada, é possível orientá-lo na direção certa, enquanto este for útil.

Não é difícil para a mídia, num segundo momento, descartar o populacho, com desprezo, tratando-o como uma massa desorganizada e inculta.

Onde estão os protestos inflamados de juristas e ministros do supremo contra as arbitrariedades da polícia?

Quando prenderam Daniel Dantas, e a PF começou a realizar uma série de operações para combater sobretudo crimes financeiros e sonegação (Daslu e automóveis de luxo, lembram?), um grito desesperado tomou conta das elites, através da mídia: é o Estado Policial!

Gilmar Mendes aparecia diariamente nos jornalões para bradar contra isso, e até mesmo urdiu uma trama, em parceria com o senador Demóstenes Torres (mais tarde defenestrado por corrupção), para inventar um grampo de seu telefone, e criar um escândalo que iria derrubar o diretor da Polícia Federal, Paulo Lacerda.

A derrubada de Paulo Lacerda representa um momento chave da política brasileira contemporânea, porque, aparentemente, é a partir daí que a Polícia Federal toma um caminho diferente: ao invés de investigar a sonegação das grandes empresas, que contam com a cumplicidade da mídia (também grande sonegadora, como vimos), a PF voltou suas baterias contra agentes do Estado. E aí ela, a PF, passa a contar com entusiástica cumplicidade da mídia.

Não há nada de errado na PF se voltar contra agentes do Estado. Ao contrário, é até saudável.

Errado é a PF entrar no jogo da mídia, promovendo vazamentos seletivos e espetáculos que visam apenas interferir no debate político-partidário.

Também já especulei sobre a tendência do Ministério Público em desenvolver um sentimento de oposição ao Executivo – um sentimento que é primo de seu orgulho corporativo.

Entretanto, se o Executivo não reage, tanto a PF quanto o MP avançam o sinal, e transformam-se em instrumentos de arbítrio, sob forte influência da mídia.

*

Para piorar o quadro, o governo permanece num silêncio aterrorizante.

Uma mera intervenção oral de Dilma, ou de seu ministro da Justiça, nem que fosse para pontuar o debate com algum comentário irônico ou crítico sobre a violência judicial cometida contra o tesoureiro de seu próprio partido, João Vaccari Neto, ajudaria a dar algum equilíbrio à crise política.

(PS: Menos mal que o ministro da Comunicação, Ricardo Berzoini, manifestou-se sobre o tema).

Mas essa postura vem desde a Ação Penal 470. Ao sacrificarem Henrique Pizzolato, por exemplo, o partido sacrificou o próprio Estado de Direito.

Assim como Dreyfus era ridicularizado por seus adversários, e mesmo por seus amigos, porque ostentava arrogantemente a riqueza de sua família e a quantidade de dinheiro que gastava com mulheres e bebidas, assim os “amigos” de Pizzolato se negaram a defendê-lo porque ele usava “ternos caros”, gravatas borboleta, e conseguira juntar dinheiro para comprar imóveis.

A AP 470 fez escola. O “Estado de Direito” começou a ruir ali, e não agora, com o depoimento “coercitivo” de João Vaccari Neto.

Todos os métodos usados na frente midiática durante o mensalão estão sendo repetidos agora. Os jornais criaram uma nova alcunha, o “petrolão”, que já se tornou aba ou chapeu em todos os portais.

Jamais a nossa mídia criou alcunha ou abas editoriais para a compra de votos para a reeleição de FHC, para o trensalão, para o Banestado, ou pelo menos nada que durasse muito.

*

O PT anuncia que “entrará na Justiça” contra Pedro Barusco, pela denúncia contra o partido.

Está certo, tem que fazer isso mesmo.

Porém mais uma vez o partido foge da política, única instância onde é um protagonista, e tenta se refugiar sob as asas do judiciário, onde a mídia tem mais influência.

A política é o único palco onde o PT pode ganhar, porque é a legenda com maior número de filiados no país, várias vezes superior a todas as outras. Seus presidentes, sobretudo Lula, ainda são as figuras públicas mais populares da nossa história, até hoje. É o partido com maior número de deputados na Câmara Federal. O partido que tem mais ministros, incluindo o Ministério da Comunicação e da Justiça. Tem a presidência da república. É o único partido que tem uma militância orgânica de massa, real e digital.

Por que o PT foge da luta política?

A impressão que eu tenho é que o PT esqueceu o que é fazer política.

Até mesmo alguns militantes esqueceram o que é fazer política. Alguns falam, incluindo Lula: temos que ir às ruas, como se bastasse vagar perdido por aí, sem saber o que dizer, para obter qualquer resultado prático na política.

A política, numa democracia, é, antes de tudo, uma luta intelectual, que deve ser travada através da persuasão.

Para isso, é preciso investir em cultura.

Somente a cultura pode salvar a política brasileira.

A cultura é o deus ex-machina que pode nos salvar da barbárie para onde a mídia está nos arrastando.

Por exemplo, nos EUA, existem centenas de filmes e livros sobre os arbítrios da mídia. A começar pelo primeiro filme do cinema moderno: Cidadão Kane, uma terrível denúncia contra o monopólio e a concentração de poder em mãos de poucos.

Aqui, são raríssimos as obras de arte que abordam a questão da mídia, apesar dela ser, desde os anos 50, o principal ator político do país.

A campanha contra a criação da Petrobrás, o suicídio de Vargas, as marchas da família, o golpe de 64, a sustentação da ditadura, o poder das oligarquias nordestinas, o antipetismo do sudeste, mensalão, petrolão, a mídia é sempre o protagonista.

Por que não são escritos ou filmados livros, séries, filmes, novelas sobre o tema?

Por que o governo, principal patrocinador da cultura, nunca abriu editais voltados especificamente para a crítica de mídia?

Alô, Juca, agora não podemos mais perder tempo!

O governo, por sua vez, encontra-se paralisado, indeciso, com o pior sistema de comunicação dentre todos os poderes.

O Legislativo, Câmara e Senado, tem ótimos portais, com várias TVs, e os próprios parlamentares agem como porta-vozes de si mesmos.

O MP criou até uma historinha do mensalão para crianças…

Já o Executivo tem uma comunicação dispersa, fragmentada, negligente.

Todos os presidentes da república, em todo mundo, externam pontos-de-vista e intervêm constantemente no debate político. Falam e escutam, junto com seus ministros. Aqui, não.

Há dias em que os únicos representantes do Estado que falam de política na mídia são ministros do Supremo, ou seja, justamente aqueles que são proibidos pela Constituição de exercer atividade politico-partidária.

E agora toda a política nacional volta a girar em torno de um juiz tratado como heroi pela mídia – já ganhou até o prêmio da Globo – e cercado por todos os lados de conspiradores golpistas.

A democracia brasileira se vê, mais uma vez, a mercê de arbítrios judiciais e conspirações midiáticas.

O problema da política é a sua dinâmica desesperada. Tudo acontece rápido demais para que o bom senso prevaleça.

A análise ponderada, objetiva, fria dos fatos, nunca chega a tempo, de maneira que os homens se tornam como que cobaias de si mesmos. No médio e longo prazo, as coisas tendem a se equilibrar, mas quantas revoluções, guerras, tragédias, golpes, não foram necessários para chegarmos onde chegamos?

Enfim, dá vontade de forçar o relógio da história em alguns anos, quiçá décadas, para vermos logo o que será do país quando as novas gerações, mais saudáveis, mais bonitas, melhor alimentadas, mais escolarizadas, mais livres, tão distantes da neurastenia forçada e hipócrita do antipetismo midiático, ainda mais distantes desse conservadorismo quase sociopata de alguns medalhões do jornalismo, o que será do Brasil quando esta geração tomar o poder?

– See more at: http://www.ocafezinho.com/2015/02/06/a-lava-jato-a-luz-de-hannah-arendt/…
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