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Morvan Bliasby:  Intervenção dos EUA na Fifa seria um novo “Big Stick” a caminho?
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Morvan Bliasby: Intervenção dos EUA na Fifa seria um novo “Big Stick” a caminho?


29/05/2015 - 08h48

fifa

Estados Unidos, Intervenção Na FIFA! Novo Big Stick À Vista?

por Morvan Bliasby, em seu blog, via e-mail

O mundo ficou estupefato com a notícia dos capi da Fifa; não que alguém, de sã consciência, discorde da necessidade de se sanitizar a Entidade, cuja corrupção campeia há tempo, e não d´agora, deste arroubo “vestal” das rapinas, até onde isto for possível.

O evento, longe de significar fato isolado (nada o é, em se tratando de EUA!), evoca a política descaradamente intervencionista do Big Stick (grande porrete), dos estadunidenses,os xerifes da humanidade; sempre, com a aquiescência dos que ou não enxergam a gravidade das ações destes reacionários neo-romanos e a falta de noção dos que clamam pela própria, ou da intervenção militar constitucional (Sic!); (os políticos brasileiros, notadamente os de direita, que têm à escrivaninha uma bandeira dos EUA, em vez da nossa, que o digam!).

A responsável pela emissão dos mandados de prisão no escândalo que abalou a Fifa (e o mundo!) ora, a procuradora-geral dos Estados Unidos,Loretta E. Lynch, afirmou:

“… O Departamento de Justiça do país está ‘determinado a acabar com a corrupção no mundo do futebol’.”

Lindo. Como são diligenciosos, estes estadunidenses. De uma hora para outra, eles tentam varrer a corrupção (dos outros!). Num país em que o lobbie é uma atividade regulamentada, os escândalos sempre ficam impunes (vide caso Enron), desde que os corrutos sejam “amigos do rei”, falar em corrupção soa no mínimo estranho. Sem se falar em um país onde se financiam derrubadas de Governos contrários à democracia (pois sim!) e a sociedade civil não se manifesta ou não tem força para. A corrupção dos outros é realmente mais fácil de detectar e de combater, sabe-se. Tanta fome na África, moléstias em todo o mundo, doenças que já deveriam ter sido erradicadas há séculos, tecnologia biomédica, há, e a preocupação destes honrados estadunidenses é com o futebol na Fifa!

Felizmente, nem todos caem neste conto manjado dos “vestais da humanidade”. A Rússia já alertou para as reais intenções da “palmatória do mundo“, embora possa se crer que o problema é bem mais complexo do que continuar a ser simplesmente a régua deste ou somente prejudicar a Rússia, futura sede da Copa: a agenda aponta claramente para um recado. Recado sutil como os são os daqueles senhores falconiformes: — “não vos esqueçais do Destino Manifesto, pois vós sois o meu quintal!“.

O recado, como se diz, nada sutil, é para os bolivarianos (Sic!); a Fifa é só o transdutor, ou seja, — “Nós podemos tudo, inclusive intervir, em qualquer lugar“. É a manifestação inequívoca, embora com o mesmo discurso protoudenista de sempre: a América Latina como nosso (deles, claro) quintal; afinal, para um povo ‘superior’, se lhe parece apenas o cumprimento da ‘profecia’.

Resta saber como a AL se comportará, diante deste farol de udenismo triunfante: ou aceitará o “Destino Manifesto” ou lhes dará um manifesto cacete, ou “Big Stick”, como eles gostam de falar, como fez a pequena, porém imponente Nicarágua, quando lhe tentaram anexar. Anexar o cacete, diriam os nicaraguenses. “peia” para vinte, os valentões “escolhidos” pela “providência” (talvez seja a mesma que “escolheu” o avião onde viajava Eduardo Campos!) levaram sozinhos.

Assim se faz um povo. Viva a Nicarágua. O tal de “Destino Manifesto” não resiste a um povo. Apenas, onde eles e seu “Big Stick” atuam, têm sempre aqueles que vaticinam “A Teoria da Dependência”; depois, fica fácil: uma imprensa a serviço dos ‘superiores’, ‘escolhidos’, e o escritor da teoria da Dependência (É o cacete!) cria leis que facilitam a transferência de patrimônio. Funciona, mesmo. Vale, Petrobrax (felizmente, não deu tempo), nióbio, pedras preciosas, estrutura de telecomunicações, etc. Beleza de teoria. Não funciona na Nicarágua, na Bolívia, na Venezuela. sabe-se… nem em Cuba.

Façam com a Fifa e com seus carcamani o que quiserem, mas, fora da América Latina! É o Pré-Sal, estupendo!

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22 comentários

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Urbano

31 de maio de 2015 às 18h46

Calma, calma… É apenas a confirmação de há males que vêm para o bem. Será para o melhor, se avançarem até o restante da tropa. Devastar países do Oriente Médio inteiros, acompanhado por verdadeiro holocausto não foi big stick… Ademais, por que mesmo a corja quer boicotar Israel?

Responder

    Urbano

    31 de maio de 2015 às 18h46

    … de que há males…

    Urbano

    31 de maio de 2015 às 18h52

    Onde escrevi corja, leia-se tropa também…

Nelson

30 de maio de 2015 às 22h43

Meu caro Morvan.

Segundo “Moon of Alabama”, os EUA colocaram pressão sobre a Fifa por causa de uma votação no âmbito da mesma que poderia suspender Israel do futebol internacional, da mesma forma que já tinha acontecido com a África do Sul na época do Apartheid. O objetivo seria “melar” a votação para evitar a expulsão de Israel.

A matéria pode ser lida em http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2015/05/dias-antes-da-votacao-para-expulsar.html.

Responder

    Mário SF Alves

    01 de junho de 2015 às 00h28

    Uma tese não invalida a outra.

Nelson

30 de maio de 2015 às 22h24

Edward Snowden, Julian Assange e Bradley Manning denunciaram a pior das corrupções que grassa nos Estados Unidos, a corrupção dos princípios nos quais embasou-se a criação do grande país do norte.

E qual foi a reação do Establishment, “defensor da justiça”, estadunidense?

Passou a depurar essa corrupção? Não. Desatou perseguição sem tréguas aos três tentando destruir suas vidas.

Então, só podemos concluir que o que querem os EUA, em sua suposta caça a corruptos, é alijar concorrentes.

Responder

    Mário SF Alves

    01 de junho de 2015 às 00h33

    “Então, só podemos concluir que o que querem os EUA, em sua suposta caça a corruptos, é alijar concorrentes.”
    _________________________________
    Ora, prezado Nelson, não sejamos tão cruéis; faltou acrescentar: “alijar concorrentes nem que seja na base da porrada/big stck ou na base da revolução/sabotagem colorida.” Vide Ucrania.

Luiza

30 de maio de 2015 às 14h25

Os yankees gostam mesmo é de dinheiro. O poder é só uma consequencia, um jogo levado a sério, muito a sério.
A copa do mundo provou ser um espetáculo em audiencia e rendeu muito, mas muito dindin naquelas terras, inclusive deixou a liga profissional yankee bastante ciumenta. Mas nao é só dindim.
Quando a seleçao norte americana perdeu o jogo na copa do Brasil, Obama nao só ligou para cumprimentar os jogadores pela excelente participaçao, mas também deixou mais um recado por meio de uma das contas oficiais da Casa Branca no Twitter: “Muito orgulhoso do @USSoccer. Vamos ganhar tudo mais cedo do que o mundo imagina. #acredite”.
Com essas palavras, “Ganhar tudo” e “mais cedo do que o mundo imagina”, a natureza yankee falou muito além dos gramados, foi a mais completa traduçao da mensagem repetida por eles às Naçoes desde que o mundo é mundo.
Se é certo que acidentes de percurso acontecem, à exemplo da Nicarágua, nao menos certo é que o verniz que tem um povo nao é o mesmo que cobre o outro.
O Brasil é um país crú.
Meu pai costumava dizer que o Brasil era como um milho de excelente qualidade, aquele capaz de produzir, da mesma forma, excelentes pamonhas.
Recordar é viver – no passado os EUA financiaram a ditadura, hoje prenderam o Marin, um dos seus colaboradores.
Tempos interessantes esses.

Responder

    Mário SF Alves

    01 de junho de 2015 às 00h36

    “Os yankees gostam mesmo é de dinheiro.”
    ____________________________
    Esses aí eram mais modestos. Ruins mesmo são os de hoje, os que os dominam ideologicamente/midiaticamente.

    Mário SF Alves

    01 de junho de 2015 às 00h43

    “Recordar é viver – no passado os EUA financiaram a ditadura, hoje prenderam o Marin, um dos seus colaboradores. Tempos interessantes esses.”
    ______________________________
    Eh, eh, interessantes mesmo. E é a dinâmica do processo que, em princípio, não mudou absolutamente nada. Tudo na mais pura e “perfeita” lógica da relação pamonho-imperialista, sempre ela e apenas ela.

Eduardo

29 de maio de 2015 às 14h13

Nem uma coisa nem outra.
O que fica evidente para europeus e latino americanos é como funciona a justiça nos EUA.
O início de tudo foi na receita federal americana, o IRS.
Que segundo Chomsky tem mais poderes que a Gestapo.
Pois o IRS pode mandar para a cadeia quem não declarar direitinho seus ganhos.
Enriquecimento sem causa declara é como roubo, é cadeia.
Foi assim que arregimentaram o primeiro delator que se tornou informante.
Nossa elite brasileira não duraria 3 meses na mão do IRS, estariam todos de uniforme laranja falando com advogados através de cabines de vidro.

Responder

    Bonobo, Severino de Oliveira

    29 de maio de 2015 às 22h20

    Sim, mas num ponto o autor do post tem razão. Que eles montaram, muito bem montado, no Brasil, um formidável aparato de poder para garantia da realização dos pressupostos da “Teoria da Dependência”, isso, montaram! E está aí funcionando desde os anos 90, bem diante de nossos olhos que por vezes não são capazes de perceber a extensão e os movimentos desses poderosos tentáculos atuando com extraordinária coordenação e precisão, como rezam as regras do PSYOPS.

    Bonobo, Severino de Oliveira

    29 de maio de 2015 às 22h49

    “… documentos PowerPoint revelados pelo denunciante da NSA, Edward Snowden, mostram as semelhanças entre o Joint Threat Research Intelligence Group (JTRIG) do GCHQ e a Célula de Operação de Ciencias Humanas (HSOC). O próprio nome «Operações de Ciências Humanas» tem semelhança com o fulcro operacional do Instituto Tavistock, o que inclui a capacidade de envolver-se em «dominação de espectro completo» pelos Estados Unidos e os serviços de inteligência do Reino Unido, em outras palavras, os dois membros do núcleo da aliança Five Eyes.”

    The Massive PSYOP Employed against Ukraine by GCHQ and NSA

    http://www.strategic-culture.org/news/2014/02/28/massive-psyop-employed-against-ukraine-by-gchq-and-nsa.html

    FrancoAtirador

    30 de maio de 2015 às 01h00

    .
    .
    Prezado Eduardo.
    .
    Parece que depois que o Reagan assumiu,
    .
    a coisa lá já não está tão rigorosa assim.
    .
    Pelo menos com as Grandes Corporações.
    .
    De qualquer forma, um fato não exclui outros.
    .
    .

    Nelson

    30 de maio de 2015 às 22h13

    Meu caro Eduardo.

    Eu não creria tanto assim na capacidade de punição deste tal de IRS. Lá como cá, o que manda é o dinheiro. Aos “boludos” a Justiça não atinge.

    Quando acontece, em raras vezes, de um deles ir parar na cadeia, é porque o Sistema já está a prescindir de seus préstimos.

    Isto faz bem ao Sistema, pois este pode se utilizar da condenação do “boludo” para autopromover-se alardeando que está atento à corrupção e a combate firmemente.

    E os incautos acabam acreditando nisso.

    De minha parte, eu creio que a definição cunhada pelo Alfred Neumann, anos atrás, na revista Mad, descreve melhor o Sistema:

    “Um país capitalista se faz com homens corruptos e livros caixas rasurados”.

FrancoAtirador

29 de maio de 2015 às 12h53

.
.
É óbvio que, como sempre, há outros interesses maiores
.
ocultos por trás dessa Síndrome de Salvador do Mundo.
.
Há tempos que o US Big Brother quer derrubar a FIFA
.
e criar uma Liga Independente, nos mesmos moldes,
.
para dominar o Gigantesco Mercado do Futebol (Soccer) .
.
(http://www.foxsports.com.br/fotos/7134/5-os-10-maiores-milionarios-donos-de-clubes-do-mundo)
(http://www.foxsports.com.br/fotos/7134/6-os-10-maiores-milionarios-donos-de-clubes-do-mundo)
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