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Marcelo Justo: Usinas midiáticas do setor financeiro contra Dilma


28/12/2012 - 14h10

A guerra das usinas midiáticas do setor financeiro contra Dilma

Primeiro foi a revista The Economist; agora, foi a vez do jornal Financial Times: o governo de Dilma Rousseff entrou na mira dos grandes meios de comunicação financeiros britânicos internacionais. Ambos zombam do governo brasileiro, pedem a renúncia de Guido Mantega e qualificam Dilma como a rena do nariz vermelho. Para as usinas midiáticas do setor financeiro, Dilma cometeu um pecado imperdoável: forçou a baixa das taxas de juro. Não que o cenário econômico na casa destas publicações ande melhor. Justamente o contrário. O artigo é de Marcelo Justo.

por Marcelo Justo, em Carta Maior

Londres – A The Economist primeiro, o Financial Time depois: o governo de Dilma Rousseff entrou na mira dos grandes meios de comunicação financeiros britânicos internacionais. Ambos zombam do governo brasileiro, pedem a renúncia de Guido Mantega e qualificam Dilma como a rena do nariz vermelho. Não que as coisas na casa destas publicações andem melhor. Justamente o contrário.

A economia britânica acaba de sair da segunda recessão em três anos graças ao pequeno estímulo dos jogos olímpicos, mas a maioria dos analistas acredita que no próximo trimestre ela voltará a se contrair. A eurozona salvou-se raspando neste ano de 2012, mas ninguém se atreve a apostar no que pode acontecer no próximo ano, apesar de o diretor do Banco Central da Europa, Mario Draghi, assegurar desde julho que fará tudo o que está ao seu alcance para salvar o euro. Por último, os Estados Unidos estão fazendo o impossível para evitar o abismo fiscal, um incremento de impostos e um corte de gastos públicos que entraria em vigor automaticamente no dia 1º de janeiro se não houver um acordo político.

Apesar deste cenário do Primeiro Mundo, as críticas a Dilma não surpreendem. Para as usinas midiáticas do setor financeiro, a presidenta cometeu um pecado imperdoável: forçou a baixa das taxas de juro. Quando esta crítica à presidenta brasileira vem do Primeiro Mundo aparece como uma variante do famoso “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.

Desde o estouro financeiro de 2008, Estados Unidos, Reino Unido e Banco Central Europeu se dedicaram à emissão de dinheiro eletrônico, um mecanismo conhecido em inglês como quantitative easing, e a baixar as taxas de juros a mínimos históricos para estimular o consumo.

“A ideia é que mantendo essas taxas de juros o setor privado terminará investindo, algo que não está fazendo porque a demanda está estagnada. Em resumo, o problema mais grave é que esta política monetarista não está funcionando”, disse à Carta Maior Ismail Erturk, catedrático sênior de finanças da Universidade de Negócios de Manchester.

Este monetarismo foi debatido no chamado mundo desenvolvido, mas sem a estridência desqualificadora reservada ao governo de Dilma Rousseff. No caso do Reino Unido e da eurozona, a comparação se torna mais absurda se tomamos como parâmetro a crise provocada pelos programas de austeridade vigentes na Europa. No Reino Unido, a coalizão conservadora-liberal democrata, que assumiu em maio de 2010 encabeçada pelo primeiro-ministro David Cameron, herdou um forte déficit fiscal, produto do estouro financeiro de 2008-2009, e uma incipiente recuperação de 1,7% pela mão do estímulo fiscal do governo trabalhista de Gordon Brown.

A coalizão prometeu equilibrar as contas fiscais ao final de seu período de governo, em 2015, e projetou um crescimento de 2,1% para 2011 e 2,5% para 2012. A chave-mestra para esse passe de mágica era um programa de austeridade com cortes de 80 bilhões de libras (cerca de 140 bilhões de dólares) com uma perda de mais de meio milhão de empregos públicos.

O resultado desse apequenamento logo ficou evidente. Em 2011, o crescimento real foi de 0,8%, enquanto que, em 2012, foi negativo (menos 0,4%). Quanto ao equilíbrio fiscal, o próprio governo admitiu em dezembro que para atingi-lo terá que ampliar a política de austeridade até…2018.

As coisas não andam melhor pela eurozona. Com a bandeira da austeridade, a União Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional (a Troika) conseguiram converter a debacle fiscal de um país que representava pouco mais de 2% do PIB da eurozona em uma crise que pode colocar em perigo todo o projeto pan-europeu.

Desde o começo da crise grega em 2010, quatro nações terminaram regatadas pela Troika (Grécia, Portugal, Irlanda e Chipre), a banca espanhola foi salva com uma injeção de 100 bilhões de euros do Banco Central Europeu e a Grécia recebeu um novo pacote de ajuda em dezembro, no valor de 34 bilhões euros, que todos sabem que não será o último.

Em 2012, a eurozona teve um crescimento negativo de 0,5% que esconde em seu interior extraordinárias disparidades (a queda da Grécia superou 7%, enquanto que a Alemanha cresceu 0,8%). Segundo um informe da ONU, divulgado em 20 de dezembro, com estas políticas de austeridade as coisas vão piorar. O cálculo é que a região crescerá um magro 0,5% em 2013.

O governo de Barack Obama não apostou na austeridade e conseguiu evitar uma queda como a do Reino Unido ou da eurozona, mas sua recuperação é menor do que a esperada e está ameaçada por uma obra prima do terror econômico: o abismo fiscal. Em agosto, o Congresso estabeleceu o 1º de janeiro como prazo para chegar a um acordo sobre o gasto público e as reduções tributárias aprovadas durante a presidência de George Bush que finalizam nesta data.

Se não houver acordo e as medidas entrarem em vigor, o resultado será uma recessão nos Estados Unidos e um forte impacto em uma economia mundial que, nas atuais projeções, crescerá 2,4%, muito menos do que é necessário para recuperar o terreno perdido desde o estouro do Lehman Brothers. A responsabilidade fiscal das reduções de impostos de George Bush foi discutida em seu momento, mas nenhuma usina midiática econômica teve a ideia de colocar um nariz vermelho no artífice da invasão ao Iraque. Assim são as coisas.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer



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21 comentários

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José Carlos Araújo

29 de dezembro de 2012 às 14h12

Eu não vou deixar de votar no PT por causa do Mensalão…

Eu voto no PT pelo Salário Mínimo, pelo FIES, pelo PROUNI, pelo Bolsa Família, pelo Minha Casa Minha Vida, pelo Estatuto do Idoso, pelo Crédito, pela Valorização do Real, pelo Aumento da Renda, pelas Exportações, pela Poupança Interna, pelo Pagamento da Dívida, por ser Credor do FMI, pela Abertura de Universidades e Escolas Técnicas, pelo Emprego, etc. etc. etc.

Responder

Rodrigo Leme

29 de dezembro de 2012 às 11h18

Realmente, esses veículos estão contra o governo petista:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/11/091112_economist_rc.shtml

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Reinaldo José Mercador Dantas

29 de dezembro de 2012 às 11h14

Vamos fazer uma cruzada para democratizar a mídia nacional. Só assim teremos um país melhor com mais educação e saúde para todos. Chega de vermos uma mídia virando partidos políticos. Tenho dito.

Responder

    Glaucia

    16 de janeiro de 2013 às 09h52

    Concordo plenamente, Reinaldo!

abolicionista

29 de dezembro de 2012 às 10h07

Dá para confiar num jornal chamado “Financial Times”? Seria como confiar no Diário da Especulação, pelamor…

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Roberto

29 de dezembro de 2012 às 08h31

Dears “ingrêses”:
SUCK IT, because it’s grape!

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sandro

29 de dezembro de 2012 às 00h18

Agora que estamos virando uma nação respeitavel é normal que isso ocorra.
O ideal e meter o dedo nas feridas deles tambem, velhos e decadentes.

Responder

Braw

28 de dezembro de 2012 às 23h08

Na boa…..que se exploda o F Times e Economist…..a boquinha dos especuladores ta descendo morro abaixo no Brasil…por isso o chororo!!!!!!!

Responder

Lafaiete de Souza Spínola

28 de dezembro de 2012 às 22h14

Não esqueçamos que nos últimos 20 anos fomos invadidos por instituições bancárias vindas do hemisfério norte. Aqui estava o eldorado!

O que estamos necessitando, prioritariamente, para fortalecermos nossa total independência em relação ao norte:

A) Investir pelo menos 15% do PIB na EDUCAÇÃO.

B) Ampliar nosso mercado interno, a partir das classes B e C.

Nota: A CEF e o Banco do Brasil estão colocando freios na baixa dos juros em determinadas áreas. Não sei se a Presidenta Dilma concorda.

Cito, por exemplo, na área de compra de consignados. Isso tem permitido outras instituições aumentarem os juros, quando deveriam estar diminuindo. Estão, assim, usando o guarda-chuva dos bancos controlados pelo estado!

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Roberto Locatelli

28 de dezembro de 2012 às 20h52

Dados importantes:

A dívida do Reino Unido é de cerca de 507% do PIB deles.
http://advivo.com.br/blog/luisnassif/divida-do-reino-unido-e-507-do-pib

A dívida pública do Brasil é de cerca de 35% do nosso PIB.
http://www.jb.com.br/economia/noticias/2012/06/29/divida-publica-deve-ficar-em-35-do-pib-este-ano/

Sugiro que eles contratem uma consultoria do governo brasileiro antes que seja tarde…

Responder

    simas

    29 de dezembro de 2012 às 05h30

    O volume da dívida dos países europeus são de dar dó. E se reflete, claro, em sua relação com os respectivos PIB’s – Uma visão, estarrecedora, nunca mostrada pela imprensa, maldita. Mostram, sim, as belezas dos cenários, europeu; isso, servindo de fundo ao aspecto saudável da gente européia. Mostram, sim, tentando comparar com nossas misérias…Mto desse “cartão postal”, europeu, foi bancado pela dureza dos dias atuais. Igual, meu caro Locatelli, ao tempos do nosso Delfin, criador do “Milagre Brasileiro”, com a grana tomada de empréstimo, à rodo, pelos governos redentores… Lembro, q nossas Estatais assinavam o aval pelos empréstimos, o q me deixava espantado. É o caso: endividados, ficamos; endividados, estão…
    Qdo a Pres Dilma discursa nas tribunas, internacionais, fico a pensar o qto foi preciso, penar, pra gente mostrar valor. Fico orgulhoso, mesmo.

Abel

28 de dezembro de 2012 às 20h18

Faltou falar no “Abacaxi de Sapé”, o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega. Está todo pimpão lá no Instituto Millenium, urubuzando a economia brasileira em 2013. Segundo ele, Dilma baixou os juros “no grito” e agora vai colher o que plantou. Vade retro Satana!

Responder

    Anônimo do Prado

    29 de dezembro de 2012 às 03h34

    M. da nobrega, seria aquele economista nomeado ministro via plantão do Jornal Nacional, após ser sabatinado pelo R Marinho?

    simas

    29 de dezembro de 2012 às 05h06

    A canalhice desse cara não tem tamanho. Funcionário do BB, por lá conseguiu estudar, se formar, fazer pós… tudo junto com cargos regados de altas comissões. Os pais desse crápula eram os mesmos q faliram o País, várias vezes; além de garantir a proliferação da miséria, no seio do povo brasileiro. Um safado q, perdoam o palavreado… sacaneou o BB e seus abnegados funcionários, o qto lhe foi possível. Por isso, a garantia, aos dias de hj, de um bom emprego, bem remunerado. Ordinário, sim – assinado, Simas Mayer, Hebert

Marcelo de Matos

28 de dezembro de 2012 às 16h59

Capitães de imprensa de todo o mundo, uni-vos. Esse deve ser o lema do PIG internacional. Larry Rohter, do New York Times, disse que “Hábito de beber de Lula se torna preocupação nacional”. O PT no poder parece ter iniciado essa colaboração piguiana em escala mundial. Não me admirarei se um jornal de Madagascar, da Ossétia do Sul, ou da Chechênia atacarem o governo Dilma. A participação de jornais estrangeiros nas críticas ao governo petista já não são novidade. Essa participação é diretamente proporcional à perda de credibilidade da imprensa tupiniquim.

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