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Lelê Teles: Adeus à deusa, rainha, diva
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Lelê Teles: Adeus à deusa, rainha, diva


21/01/2022 - 23h23

ADEUS À DEUSA

Por Lelê Teles* 

Elza soou como ninguém, suou como ninguém zoou como ninguém.

O soar do timbre da voz de Elza, aliás, os soares, eram como uma digital acústica, uma marca única, genuína, original.

Oriunda do Planeta Fome, a menina regurgitava um grito de dor e fúria, numa ternura serena e trovejante, numa doçura repleta de inconformismo.

Porque Elza, era antes de tudo, uma inconformada.

Seu timbre, rasgante, luminoso como uma lâmina e cortante como uma espada, feria; porque o que ela cantava era pra doer.

Elza não cantava para ninar a Casa Grande.

Suou como muitas de suas manas, sofreu os dissabores do amor, sobreviveu à violência doméstica, foi mulher com voz e gritos num mundo que teima em sufocá-las.

Zuou como ninguém, na Itália, lembra Chico Buarque, encheu a rua de uma alegria algazarrante com seus filhos e agregados a jogar golzinho como se estivessem nas ruelas cariocas.

Seu mundo tava sempre consigo, enraizado.

Elza era atualíssima, por isso esteve sempre a encantar as gerações que lhe sucediam, sempre diva, sempre referenciada e reverenciada; entendeu o funk, o rap…

Prestou atenção no presente sem estar presa ao passado.

Embora soubesse que o seu passado sempre será um presente para a juventude que bebe na fonte rejuvenescente de sua arte.

Abraçou, no sentido de afago e afeto, todas as causas que traziam dores aso seus e às suas, bradou contra o racismo, a misoginia, a homo e a transfobia, era o eterno grito da fome.

E a fome das gentes não é só fome de comida.

O mundo soube da sua existência e da sua resistência.

Era a brasileira brasileiríssima.

Era não, Elza sempre será!

Inspiradora, Rainha, deusa, diva, exu…

Elza soará para sempre em nossas vidas.

Palavra da salvação.

*Lelê Teles é jornalista, publicitário e roteirista





1 comentário

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Zé Maria

24 de janeiro de 2022 às 16h35

ELZA DEUSA SOARES

Mocidade Independente de Padre Miguel

https://youtu.be/EcDMkZTAs3E?t=4

Laroyê e Mojubá, liberdade
Abre os caminhos pra Elza passar
Salve a mocidade*
Essa nega tem poder
É luz que clareia
É samba que corre na veia

Laroyê e Mojubá, liberdade
Abre os caminhos pra Elza passar
Salve a mocidade
Essa nega tem poder
É luz que clareia
É samba que corre na veia

Lá vai menina
Lata d’água na cabeça
Vencer a dor, que esse mundo é todo seu
Onde a água santa foi saliva
Pra curar toda ferida
Que a história escreveu

É sua voz que amordaça a opressão
Que embala o irmão
Para a preta não chorar (para a preta não chorar)
Se a vida é uma aquarela
Vi em ti a cor mais bela
Pelos palcos a brilhar

É hora de acender
No peito a inspiração
Sei que é preciso lutar
Com as armas de uma canção
A gente tem que acordar
Da lama nasce o amor
Quebrar as agulhas que vestem a dor

É hora de acender
No peito a inspiração
Sei que é preciso lutar
Com as armas de uma canção
A gente tem que acordar
Da lama nasce o amor
Quebrar as agulhas que vestem a dor

Brasil
Enfrente o mal que te consome
Que os filhos do planeta fome
Não percam a esperança em seu cantar

Ó nega!
Sou eu que te falo em nome daquela
Da batida mais quente*
O som da favela
É resistência em nosso chão

Se acaso você chegar
Com a mensagem do bem
O mundo vai despertar
Deusa da vila Vintém
Eis a estrela
Teu povo esperou tanto pra revê-la

Laroyê e Mojubá, liberdade
Abre os caminhos pra Elza passar
Salve a mocidade
Essa nega tem poder
É luz que clareia
É samba que corre na veia

Laroyê e Mojubá, liberdade
Abre os caminhos pra Elza passar
Salve a mocidade
Essa nega tem poder
É luz que clareia
É samba que corre na veia

Lá vai menina
Lata d’água na cabeça
Vencer a dor, que esse mundo é todo seu
Onde a água santa foi saliva
Pra curar toda ferida
Que a história escreveu

É sua voz que amordaça a opressão
Que embala o irmão
Para a preta não chorar (para a preta não chorar)
Se a vida é uma aquarela
Vi em ti a cor mais bela
Pelos palcos a brilhar

É hora de acender
No peito a inspiração
Sei que é preciso lutar
Com as armas de uma canção
A gente tem que acordar
Da lama nasce o amor
Quebrar as agulhas que vestem a dor

É hora de acender
No peito a inspiração
Sei que é preciso lutar
Com as armas de uma canção
A gente tem que acordar
Da lama nasce o amor
Quebrar as agulhas que vestem a dor

Brasil
Enfrente o mal que te consome
Que os filhos do planeta fome
Não percam a esperança em seu cantar

Ó nega!
Sou eu que te falo em nome daquela
Da batida mais quente
O som da favela
É resistência em nosso chão

Se acaso você chegar
Com a mensagem do bem
O mundo vai despertar
Deusa da vila Vintém
Eis a estrela
Teu povo esperou tanto pra revê-la

Laroyê e Mojubá, liberdade
Abre os caminhos pra Elza passar
Salve a mocidade
Essa nega tem poder
É luz que clareia
É samba que corre na veia

Laroyê e Mojubá, liberdade
Abre os caminhos pra Elza passar
Salve a mocidade
Essa nega tem poder
É luz que clareia
É samba que corre na veia

* https://youtu.be/86xYvyt0zFQ

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