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Leitor do Viomundo a Carla Zambelli: ‘Não foi mero erro. É política de extermínio, mesmo’
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Leitor do Viomundo a Carla Zambelli: ‘Não foi mero erro. É política de extermínio, mesmo’


23/09/2019 - 19h34

por Morvan Bliasby, especial para o Viomundo

Passada a eleição mais suja da história do Brasil, na esteira de um golpe de toga (basta dizer que superou a de 2010, onde a presença do Nosferatu da política brasileira bancou a baixaria, então), é preciso manter a narrativa de que o inferno é o outro.

Eleição “ganha” no arrastão das fake news, da Farsa Jato, do discurso e do incentivo ao ódio e da facada perene e salvadora do fascismo.

Perdemos muita gente para o ódio. Marielle, Mestre Goa, etc., e agora a menina Ágatha Vitória (impossível não lastimar o infeliz trocadilho no nome dessa inocente vítima do fascismo).

Com o clamor da morte da menina, não falta quem lhe diminua a importância, pessoa e fato, atribuindo a sua morte a um “acidente”.

Bom, num país onde um governador sai de helicóptero à cata de vítimas, acidente é um termo, na melhor das hipóteses, infeliz.

As explicações estapafúrdias dos defensores da necropolítica pululam por aí, e a mais “original”, sem dúvida, é a da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP).

Na ânsia de justificar a carnificina em cima das pessoas menos favorecidas, a parlamentar saiu-se com essa:

“A política do “não-confronto”, adotada por Brizola e seguida por TODOS os sucessores dele até o Pezão, foi o que gerou esse caos na segurança do Rio. Esses governadores simplesmente largaram o estado nas mãos dos traficantes”.

Ora, nada mais disparatado. Brizola, com seus CIEPs, confrontou o pior bandido que existe: a desigualdade, agravada e perpetuada pela ausência do Estado.

Os CIEPs eram tão acertados que foram duramente combatidos pela mídia.

Combate esse, como sói, sem qualquer traço de civilidade e com a marca da classe dominada brasileira, eterna sacripanta.

Ou seja, nossa “elite” sempre destrói o que não concebe e os fins justificam os meios.

Destruíram os CIEPs, com eles a imagem de Brizola e, na esteira, o Rio de Janeiro, hoje totalmente dominado por milícias.

O golpe de 2016, não devemos esquecer, vem no roldão.

Para destruir Lula, destruiu-se o Brasil, quebrando sua indústria pesada, promovendo desemprego em massa, colocando no poder o que há de mais bizarro, odioso e execrável.

Os sacripantas venceram (não em sua totalidade, pois Lula se mantém como um totem de luta de um povo e alcança, como nunca, projeção mundial como preso político do século).

Foi a destruição dos CIEPs e de Brizola, idem do Rio de Janeiro, quem concebeu essa leva de doidivanas que nos “representa”, não o contrário, sra. Deputada. Vossa senhoria, inclusive.

Foi o sistema midiático brasileiro que pôs na política estes teratos que a senhora encarna, e, pasmem, vilipendiando a política, fato comum em época de ascensão fascista.

“Ninguém quer que inocente morra. Mas erros INFELIZMENTE acontecem. A culpa NÃO É DA POLÍCIA, que só REAGE aos bandidos, defendidos pelo antro da sociedade”

No caso, sra. deputada, não foi um mero erro. É política de extermínio, mesmo.

Ver um Governador dando pulinhos de alegria, comemorando carnificina não é erro, é necropolítica. É pena de morte, para os menos favorecidos.

Velho Brizola, árduo defensor da Escola em Tempo Integral, da vida, da Educação, morreu defendendo seus valores e não é justo que os odiosos desmereçam o grande político.

Aliás, os inimigos de Brizola (e do Brasil, historicamente) precisaram destruir tudo, Rio de Janeiro junto, para fazer não prosperarem os CIEPs.

Quantos presídios não precisariam ser construídos para cada CIEP?

Impossível dizer, mas é possível inferir que quem cria escolas e lá põe crianças, alimenta-as, educa, está a formar cidadãos e é projeto de longuíssimo prazo.

Enxergava longe, o velho gaúcho.

A miopia da “elite” brasileira, por seu turno, parece sem fim.

Morvan Bliasby, pedagogo. Trabalha como técnico em Gestão de Pessoas no Serviço Público (Seplag – Ceará).

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4 comentários

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Eugenio

24 de setembro de 2019 às 12h56

Carla Zambelli pertence à nobre classe escravagista de São Paulo, legítima herdeira das tradições bandeirantes de saque, estupros e assassinatos.
Suas raízes são obscuras, entranhadas no que há de mais covarde, mais brutal e insensível.
Desconhece direitos que não seja os imorais benefícios que defende, como defendeu na mal chamada mini reforma eleitoral.
Por sua visão de naturalidade diante do privilégio que, ironicamente, nossa sociedade lhe permite, como por exemplo, não processá-la por suas falas agressivas, desconectas e racistas, já que ocupa cargo eletivo.
Ainda acredita que seus filhos estejam protegidos pelo mesmo amparo legal, aliás, um amparo ampliado porque naturalmente, deve exigir escolta para a prole. Pois para ela, o que importa são os seus.
Nisto, não é nada diferente da população que elegeu Witzel naquele bairro. Eles estavam preocupados com seus problemas, acreditando que as balas tem nome. Lamentavelmente, descobriram agora o que nelas está escrito: preto, pobre, favelado.
É isto que esta mulher que foi eleita, pensa. Insensível ao mal que provoca, desde que isto não retorne em Nêmesis

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Nehto

24 de setembro de 2019 às 11h11

Peixoto, personagem de “Otto Lara Resende ou Bonitinha, mas Ordinária” (1962), a certa altura afirma: “Mas hoje em dia: Escuta. No Brasil, quem não é canalha na véspera, é canalha no dia seguinte”. E completa: “Não há ninguém que trepe na mesa e diga: “Eu sou canalha!” Pois bem, eu digo!, “Eu sou um canalha!” Digo isso de boca cheia! “Eu sou canalha!'”. No entanto, na mesma peça, Edgard recusa um casamento financeiramente vantajoso para viver um amor verdadeiro. Não seria exagero concluir que a visão negativa de Nelson, sem intento político expresso, se refere à classe dominante.
Foi assim que Sabato Magaldi interpretou Nelson Rodriques que nunca foi tão atual quanto hoje.

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Thiago

24 de setembro de 2019 às 06h26

Humor perverso: os fascistas não se entendem

A classe média poderá escolher em 2022 um entre os dois candidatos fascistas, psicopatas e genocidas que ameaçam estar presentes na corrida presidencial daquele ano: o primeiro é o próprio capitão Bolsonaro, que quer armar a população brasileira com todo tipo de arma letal, e tentará a releição se chegar ao final do primeiro mandato. O outro será o Wilson Witzel, atual governador do Rio de Janeiro, psicopata e genocida de carteirinha, que quer matar todos os brasileiros que circulem pelas ruas portando uma arma.

Vejam que “comercial maravilhoso” do Wilson Witzel e notem a alegria contagiante da moça que faz a única pergunta ao candidato. Eu nunca pensei que a morte tivesse um rosto tão angelical, cínico e perverso! Veja o vídeo:

https://twitter.com/LarissaGaioso/status/1158867905532108800/video/1

Parabéns, membros da classe média! O Brasil, ou o que sobrar dele, será todo de vocês. Mas não se esqueçam de carregar um Bíblia debaixo do braço, porque senão a bala come.

O Witzel é uma tremenda ameaça à segurança dos pobres. Tai a melhor opção para 2022.

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Zé Maria

23 de setembro de 2019 às 23h47

Aliás, CIEPs (Centros Integrados de Educação Pública) idealizados pelo gênio antropólogo Darcy Ribeiro, que dizia que “a ‘Crise’ da Educação não era uma crise, era um Projeto”, tal como agora, analogicamente, pode-se afirmar que as balas de fuzis da PM, ‘perdidas’,
que só alvejam pobres das favelas dos Morros e das Periferias, e portanto apenas pretos e pardos, não são acidentais,
mas a execução de um Programa de Extermínio Etno-Racial, nos moldes do Apartheid, estrategicamente camuflado de ‘política de segurança pública’, que na realidade só protege mesmo burgueses brancos.

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