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Diário da Resistência


Juliana Cardoso: Doria e Sabará destroem política de assistência social e povo fica ao deus-dará
Resistir e Lutar Você escreve 02/03/2018 - 13h09

Juliana Cardoso: Doria e Sabará destroem política de assistência social e povo fica ao deus-dará


Por Juliana Cardoso

Foto Divulgação/Câmara Municipal de São Paulo

A neofilantropia benemerente de Doria e Filipe Sabará: o desmonte da política de assistência e desenvolvimento social na cidade de São Paulo

por Juliana Cardoso*

Pouco mais de um ano de gestão Doria e moradores da cidade de São Paulo já sabem que o “João Trabalhador” não gosta de pobre.

Apesar do esforço em se parecer com o povo, Doria revela a cada careta e a cada canetada seu desprezo pela gente que efetivamente trabalha e sua a camisa.

A política de cortes de serviços é generalizada. Ele corta na saúde, na educação, na zeladoria e na assistência social.

Os efeitos são imediatos e visíveis. A “Cidade Linda” só existe na sua cabeça.

Até o Ministério Público admitiu essa farsa, pois ele está impedido de fazer propaganda com seu slogan SP Cidade Linda.

Nada mais justo, porque se tem algo que Doria está fazendo com a cidade é deixar tudo cinza e triste.

O mantra de Doria é simples, mas perverso: fazer mais com menos.

Aos ouvidos dos idólatras do Estado Mínimo, uma sinfonia perfeita.

Desde que assumiu, Doria impôs um absurdo retrocesso na política de assistência social na cidade, retomando práticas e princípios superados.

Ele combina a um só tempo o uso da polícia e da neofilantropia assistencialista e benemerente financiada pela iniciativa privada no tratamento da questão social na cidade.

A Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social é conduzida por Filipe Sabará que foi, até meados de abril de 2017, o secretário-adjunto de Soninha Francine.

A substituição da então secretária, hoje minha colega de vereança, foi para lá de constrangedora e com toques de machismo.

Doria, numa demonstração de elegância hipócrita, alegou num vídeo feito na sua rede social que Soninha seria substituída porque lhe faltava “força” para tocar obras, que seriam muitas, disse.

Cerca de um mês depois pudemos assistir chocados qual era a “força” a que se referia.

No dia 21 de maio, a Prefeitura e governo do Estado direcionaram 900 agentes da polícia numa ação com o objetivo de “sufocar o tráfico na Nova Luz”.

A Cracolândia, como é conhecida a região, foi alvo de uma megaoperação com apoio de policiais civis e militares do patrulhamento da área e dos batalhões do Comando de Choque e até de helicópteros.

O cenário foi de guerra. Balas de borracha e bombas de gás foram usadas para dispersar os usuários de crack, que só tiveram tempo de sair correndo.

Foi uma cena repugnante e também extremamente simbólica. As ações violentas na região se repetiram.

De questão de saúde pública, social, passou a ser tratada como uma questão de polícia.

Lembraram a forma como os governos brasileiros tratavam a pobreza até o início da estruturação das políticas sociais no Brasil, a partir da década de 1930.

Por outro lado, as ações de Sabará e Doria apontam para tendência de retomar o assistencialismo e a caridade como diretrizes desta política.

Temos assistido à retomada de ações pontuais e limitadas, sem qualquer compromisso com a construção da autonomia dos sujeitos atendidos pela política.

Vários serviços estão se transformando em meros balcões de atendimento e encaminhamento.

Basta ouvir os trabalhadores e trabalhadoras dos serviços para perceber isso.

Além disso, Doria e Sabará estão promovendo fechamento de serviços, corte de recursos, perseguição política, assédio moral e institucional de servidores e técnicos que ousam levantar suas vozes contra toda sorte de arbitrariedade e equívocos.

O COMAS (Conselho Municipal de Assistência Social), instância deliberativa, tem sido sistematicamente desrespeitado pela atual gestão, como ficou evidente por ocasião da discussão do orçamento para a pasta.

Os trabalhadores e trabalhadoras da assistência social têm resistido a essa política e nós na câmara municipal temos apoiado a resistência.

Solicitamos por inúmeras vezes a presença do secretário Sabará em audiências públicas e reuniões.

No entanto, a recusa ao diálogo tem sido a postura adotada por Sabará, de forma sistemática.

O que a gestão vem fazendo com a política de assistência social na cidade não é diferente do que se vem fazendo com o SUS.

Trata-se de um projeto deliberado de destruição.

Desde a promulgação da Constituição de 1988, a assistência social é um direito do cidadão e um dever do Estado.

Do mesmo modo que na Saúde temos o SUS, na assistência social temos o SUAS. É o Sistema Único de Assistência Social.

É o SUAS que gere, operacionaliza a política, com diretrizes, objetivos, tipificação dos serviços, orientações para sua implementação e condução.

É necessário, portanto, fazer frente a este projeto nefasto de desmonte da política de desenvolvimento e assistência social e à postura antidemocrática da dupla Doria-Sabará.

Por isso, propusemos a criação de uma frente parlamentar em defesa da assistência social na câmara municipal de São Paulo.

Entendemos que a atual política de Sabará e Doria representa um ataque sistemático ao SUAS e que defendê-lo é tarefa suprapartidária, que deve estar articulada com a sociedade civil, usuários e trabalhadores e trabalhadores do Sistema.

Seguiremos fazendo forte oposição aos retrocessos promovidos pela atual gestão, sempre nos colocando à disposição para buscar o diálogo, como temos feito desde o início.

A política de desenvolvimento e assistência social é hoje uma Política de Estado.

Há muito superamos a lógica da filantropia benemerente.

Não permitiremos retrocessos, o SUAS RESISTE e nós estamos nesta luta!

*Juliana Cardoso é vereadora do PT-SP.

 PS de Conceição Lemes:  Juliana Cardoso é uma das parlamentares mais combativas que conheço. Ética, corajosa, séria. Todo final de semana, chova ou faça sol, ela literalmente amassa barro em algum ponto da Zona Leste da cidade de São Paulo. Ela, de fato, vai onde  o povo está. Sempre foi assim.  Portanto, é uma honra tê-la a partir de hoje como colunista do blog. Bem-vinda, Juliana. Boa sorte!

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6 comentários

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Everton

09 de abril de 2018 às 09h26

“Eleito prefeito de São Paulo no primeiro turno, João Doria (PSDB) venceu em 56 das 58 zonas eleitorais da cidade -inclusive em regiões da periferia onde historicamente o PT era soberano.” Difícil de defender o povo de SP.

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Vitor Sorenzi

08 de abril de 2018 às 23h28

Nao sei porque o chororô. O povo é soberano e o povo da cidade de São Paulo decidiu que JD é o que eles querem. Parem de ficar de mimimi.

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luiz paiva sousa

15 de março de 2018 às 12h24

Esse prefeito João Dói é mais uma farsa do PSDB na política, somente os trabalhadores desinformados, a elite e os burgueses paulistanos, não conseguem enxergar.

Responder

    RONALD

    16 de março de 2018 às 17h02

    Luiz, dória( minúsculo mesmo) é o resultado de colocar empresário na gestão do Executivo. Só pode dar m-rda. Empresário nasce para destruir o concorrente, no caso de estar no governo, o POVO.

Elvys

11 de março de 2018 às 19h35

Vereadora, parabéns pelo texto e por seu trabalho. Quero aproveitar o espaço para relatar o descaso que Dória e cia estão tratando um segmento que merece muita atenção: autistas. Falo por mim (sou pai de um autista) e de inúmero pais, muitos são carentes. O atendimento era feito nos Capes até meados do ano passado, onde tinha além de acompanhamento psiquiatrico (que já estava deixando à desejar, pelo visto propositalmente), tinham terapias que são necessárias para os autistas. Oras, de uma hora para outra, foi comunicado que todos autistas teriam alta e seriam encaminhados para atendimento na rede pública municipal. Oras, pelo que tenho observado, serão duas, isso mesmo duas consultas por ano com psiquiatras. E as terapias, simplesmente acabaram. Verdadeiro absurdo e descaso do prefeito com a população, principalmente aqueles mais carentes.

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Julio Silveira

06 de março de 2018 às 08h18

Mais um sem noção colonizado que acredita que o Brasil deva ser um copiado apendice estadunidense, inclusive cultural. É outro dos tantos que não observam as profundas diferenças historicas nas construções de ambos os países, e inclusive humanas. E querem por que querem transformar algo que já se formou em um clone daquilo que o inspira. Melhor seria para todos se essa gente mudassem logo para seu país ideal. Poupariam sofrimentos a todos e teriam uma adaptação muito mais rapida, talvez instantanea, quem sabe um encontro com a sua realidade desejada?

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