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Itamar Franco: “Fernando Henrique era a terceira opção”


03/07/2011 - 17h37

por Mauro Santayana, no seu blog

A última grande entrevista do ex-presidente Itamar Franco foi concedida ao jornalista  Mauro Santayana, há cerca de um ano. Santayna republicou hoje no seu blog a íntegra da reportagem que saiu no dia 6 de junho de 2010 nas páginas do JB, cuj0 título é “Itamar Franco — O poder de um homem ético”.  Publicou também hoje “Itamar Franco:  Um honrado patriota”.  Os dois textos estão abaixo.

Itamar Franco – O poder de um homem ético

Quando assumiu a Presidência da República, durante o afastamento compulsório do titular, Fernando Collor – que seria definitivo meses depois, com o impeachment – Itamar Franco surpreendeu as elites, representadas pelos principais veículos de comunicação do país. Seu ministério foi tachado de “governo de compadres”, e “República do Pão de Queijo”. A resposta de Itamar foi uma pergunta, quase inocente: “As pessoas simples não podem governar?”. Meses depois, o senador Antonio Carlos Magalhães pediu-lhe uma audiência. Queria fazer “graves revelações” contra Jutahy Magalhães Júnior, seu ex-aliado e então desafeto na Bahia, que ocupava o cargo de ministro de Bem-estar Social. Ao ser introduzido no gabinete, na hora marcada, Antonio Carlos encontrou todos os jornalistas credenciados no Planalto, com seus fotógrafos e as câmeras de televisão. Diante do espanto e constrangimento do Senador,Itamar explicou: “Como o senhor me disse que faria uma denúncia, achei conveniente que a fizesse à nação inteira. O senhor pode apresentá-la diretamente aos jornalistas”.

Antonio Carlos engoliu em seco. Seu “dossiê” era constituído de recortes de jornais, que nada provavam contra Jutahy. Ao minimizar a importância do episódio, que alguns atribuíram à sua astúcia de mineiro, Itamar confessou, modesto: “Eu, astuto? Eu sou até meio bobo”.

A República do Pão de Queijo pode ter sido, para o desdém de seus críticos, a república do pão, pão; queijo, queijo; orientada pelo pensamento óbvio, pelo senso comum. Mas é provável que Itamar tenha sido realmente ingênuo, ao deslumbrar-se pela retórica professoral do sociólogo Fernando Henrique Cardoso e fazer dele seu sucessor. Itamar relembra o episódio:

“O nome de Fernando Henrique surgiu por exclusão. Diante da pressão dos fatos, que me levaram a aceitar a demissão do ministro Eliseu Resende, desloquei Fernando Henrique do ministério de Relações Exteriores e o nomeei para a Fazenda. A partir de então, seu protagonismo foi natural. Mas, naquele momento, eu pensava, e pensava firmemente, em dar a José Aparecido de Oliveira visibilidade que o credenciasse à sucessão. Aparecido – tal como hoje ocorre ao presidente Lula – se revelara excepcional diplomata, à frente de nossa embaixada em Lisboa. Coube-lhe articular, com grande sacrifício pessoal, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Teve que vencer a resistência de certos setores lusitanos, que não queriam dividir, com o Brasil, a influência sobre as suas antigas colônias. Com o apoio de Mário Soares, Aparecido partiu para a segunda etapa: a de convencer os novos países que podiam confiar na CPLP, porque a presença brasileira neutralizava a suspeita, natural, de que a instituição viesse a ser instrumento de novo colonialismo. Foi assim que, sem linhas aéreas regulares, que lhe possibilitassem as viagens sucessivas e rápidas pelo continente africano, Aparecido teve que se deslocar de um país para outro em aviões monomotores. O Brasil deve também ao Aparecido a oportunidade de hoje estar presente na Ásia: ele nos revelou a existência de Timor-Leste e incluiu essa realidade em nossa política externa. Eu não tive dúvida em convidá-lo para ocupar a Secretaria de Estado. Os elitistas do Itamaraty se levantaram contra a indicação, mas eu não recuaria. Quem recuou foi o próprio Aparecido, e com razões ponderáveis: estava enfermo, sujeito a uma cirurgia arriscada e, com sua sensibilidade, entendeu que não teria condições para ocupar o cargo. Foi então que – e mais uma vez eu lhe louvo a perspicácia diplomática – ele me sugeriu o nome do embaixador Celso Amorim. Acatei, com prazer, a sugestão. Em primeiro lugar porque, não podendo contar com Aparecido, era mais razoável que me valesse de um quadro do Itamaraty, para servir-me no curto mandato que me restava. Além da recomendação de Aparecido, tive outras referências que confortaram a minha escolha. Quanto à sucessão, o nome de Aparecido se tornou inviável pela enfermidade. Optei então pelo jornalista Antonio Brito, que se destacara como ministro da Previdência e estava à frente das pesquisas. Brito declinou: era muito jovem, e preferia governar o Rio Grande do Sul. Fernando Henrique era a terceira opção”.

Lula e a política externa

Já que falamos em diplomacia – e Itamar foi embaixador em Portugal, na OEA e na Itália – conversamos algum temposobre a política externa de Lula. Itamar sorri: ele se sente parceiro de seus êxitos, uma vez que lhe coube levar Amorim para a chancelaria.

Ex-presidente disse que Lula o afagou politicamente ao indicar Amorim para chefiar o Itamaraty:

“Senti-me homenageado quando, na presença do embaixador Amorim, em uma recepção na Embaixada do Brasil no Vaticano, o presidente Lula me disse que o havia convocado para a chefia do Itamaraty por ele ter sido meu chanceler. É claro que Lula me fazia um afago político, e que a razão da escolha não fora só a nomeação de Amorim pelo meu governo, mas, de qualquer forma, eu dera ao diplomata de Santos a chance de revelar-se como um dos mais importantes negociadores internacionais de nosso tempo. Só tenho a lamentar que Amorim tenha ido a Juiz de Fora participar de um comício em favor da candidatura de Nilmário Miranda, do PT, com Lula, e ao lado de Newton Cardoso, contra a reeleição de Aécio. Um ministro de Relações Exteriores não deveria intervir em disputa regional, e muito menos na cidade natal de quem nele confiara a execução da política externa brasileira. Magalhães Pinto, que era político, nunca fez isso. Esse episódio, que me entristeceu profundamente, não diminui a admiração pelo grande diplomata que ele é”.

Comento com Itamar curiosa circunstância histórica. Celso Amorim é de Santos, e em Santos nasceram dois dos mais importantes diplomatas brasileiros, decisivos em momentos cruciais da nacionalidade. O primeiro foi Alexandre de Gusmão, que deu ao Brasil os seus limites continentais, com oTratado de Madri, de 1750, em que se reconheceu o princípio do utis possidetis que legitima a posse de fato. O segundo foi José Bonifáciode Andrada, o primeiro-ministro de Relações Exteriores do Brasil. Continuando na política externa, Itamar faz pequeno reparo a Celso Amorim:

“O ministro disse que, para não ter direito a um voto independente, é melhor não fazer parte do Conselho de Segurança da ONU. No meu entendimento, trata-se de falsa questão. A nação que faz parte do Conselho tem a liberdade de votar como quiser, de acordo com seus princípios e interesses e em favor da paz mundial. O que deve ser contestado é o ainda poder de veto exclusivo aos cinco países que são membros permanentes do órgão. O Brasil sempre teve direito, pelas suas dimensões geográficas e pela sua formação histórica, a participar do Conselho de Segurança. Em 1926, com forte presença na Liga das Nações, teve a sua candidatura, como membro efetivo do Conselho das Nações, preterida em favor da Alemanha – da mesma Alemanha que fora derrotada em 1918. Como era nosso presidente o grande estadista mineiro Artur Bernardes, e seu representante na Liga outro invulgar homem de Estado, também mineiro, o embaixador Afrânio de Mello Franco, o Brasil preferiu a honra e abandonou a Liga, que se revelara instrumento dócil do eurocentrismo. Um país que defendera, com Rui, em Haia, a plena igualdade entre as nações, não poderia compactuar com a ditadura dos grandes”.

Nacionalismo

A referência ao episódio de há 84 anos e a Artur Bernardes nos leva ao sentimento nacionalista dos mineiros. Itamar não é apologista radical da mineiridade, ainda que sempre se valha de uma frase forte, a de que ninguém nivelará as montanhas de Minas. Ele pondera que o nacionalismo está presente em todos os estados brasileiros, em maior ou menor expressão, mas reconhece que as circunstâncias históricas acentuaram essa consciência de defesa da soberania em Minas.

Falamos durante algum tempo sobre essas circunstâncias. A primeira delas foi a descoberta do ouro, e a promessa de riqueza e potência que o metal sugere. Em um primeiro momento, o ouro atrai a ambição de enriquecimento pessoal. Depois, esse sentimento passa a ser coletivo: para proteger o direito de cada um, é preciso proteger o de todos. Foi assim que os mineiros criaram o Estado dos Emboabas, contra a pretensão dos paulistas de expulsarem os recém-chegados da Bahia, das capitanias do Nordeste e da Europa. Ao expelir os paulistas das minas centrais, os emboabas fundaram o pensamento nacionalista dos mineiros, que se afirmaria contra o Conde de Assumar, em 1720, no martírio de Filipe dos Santos, e na Conjuração de 1789, chefiada por Tiradentes.

Sentimento

“A minha tese é de que coube aos mineiros despertar esse sentimento nos demais brasileiros, o de que o nacionalismo é a união entre a ideia da dignidade e da defesa da riqueza que coube, pela natureza, à geografia de cada nação. É certo que a dignidade dos povos é mais importante do que seus bens: uma nação pode ser honrada, ainda que pobre. Mas a cobiça internacional se dirige aos recursos naturais. O nacionalismo deve ser instrumento de defesa e resistência, jamais estímulo à conquista, como ocorreu com a Alemanha de Hitler”.

A conversa nos leva à experiência diplomática de Itamar, e ele acredita que ela foi mais importante na representação do Brasil junto à Organização dos Estados Americanos. O fato de se tratar de órgão multilateral possibilitou-lhe contato com personalidades de todo o continente e lhe confirmou a divergência de fundo entre a América Latina e os Estados Unidos. Na OEA, Itamar atuou com a independência de sua autoridade política. Foi assim que fez veemente discurso contra a existência do centro de treinamento de militares latino-americanos. que existira antes no Panamá, e fora transferida para os Estados Unidos, a conhecida Escola das Americas. Itamar citou o secretário de Defesa dos Estados Unidos de então, William Perry, que considerou “totalmente inaceitáveis” os manuais de instrução da Escola. O órgão continua funcionando em Fort Benning, nos Estados Unidos, mas sob pressão crescente para seu fechamento. Hoje, a escola quase se limita a treinar militares colombianos.

O pronunciamento foi criticado por alguns embaixadores, pelo fato de que o Itamaraty não fora consultado previamente, e porque envolvia as relações bilaterais entre Brasília e Washington. Itamar não se defende, ataca: um ex-presidente da República – e isso já ocorrera a Campos Salles, quando enviado à Argentina – dispõe de mandato ético e político para defender os interesses brasileiros, conforme sua consciência e convicção.

Plano Real

Há uma coisa que aborrece particularmente o ex-presidente: a memória seletiva de alguns homens públicos sobre a sua administração. Ele se refere a pontos importantes, começando pelo Plano Real. O plano nada tinha de original, baseado que foi no Plano Schacht, da Alemanha dos anos 20, e já um pouco adaptado – sem êxito – pelos argentinos, com o Plano Austral. Itamar lembra que só o aprovou depois de conferir os seus números, trabalhando várias horas nisso. Como engenheiro, e bom conhecedor de matemática, corrigiu alguns de seus itens, antes de aprová-lo e correr todos os riscos políticos da decisão. Da mesma forma, Itamar lembra que os medicamentos genéricos foram adotados pelo seu ministro da Saúde, o médico Jamil Haddad, com sua aprovação, apesar da resistência dos laboratórios. Embora fosse reivindicação de médicos brasileiros, o SUS começou a ser implantado pelo médico Carlos Mosconi, presidente do Inamps em seu governo. Hoje – e Itamar usa o advérbio “despudoradamente” – tais êxitos são atribuídos ao governo de seu sucessor.

De fora, sempre entendi que o Estado existe para impor aos poderosos o respeito aos cidadãos, qualquer que seja a sua posição na sociedade. Mais do que isso, sempre acreditei que o poder político deve buscar a igualdade de todos, diante da lei e das oportunidades da vida. Assim agi quando, por duas vezes, fui prefeito de minha cidade. E só fui atraído para a política porque, como engenheiro do DNOS, tomei conhecimento da vida difícil das populações periféricas. Até hoje creio que o saneamento básico é uma das principais tarefas do poder público. Na mesma época, juntamente com meu colega Nicolau Kleijorge, dei aulas de matemática e conhecimentos gerais aos trabalhadores de Juiz de Fora. No Senado, para onde fui eleito pela primeira vez em 1974, naquela memorável manifestação de inconformismo de nosso povo, quando o MDB não era o PMDB de hoje, mantive a mesma postura, a de que o mercado deve estar sob o controle do Estado, servidor da sociedade, e não o contrário. Resisti ao projeto neoliberal que se iniciara no governo Collor, e não concordei com a privatização de setores estratégicos, como os da energia e das telecomunicações. Da mesma forma cortei, pela raiz, o projeto da equipe econômica, de privatizar o Banco do Brasil e a Caixa Econômica”.

Outros fatos foram lembrados na conversa, como a redução da dívida pública e a aprovação excepcional de seu governo, de acordo com pesquisas de opinião, alem de seu plano de combate à fome, dirigido por dom Mauro Morelli.

Aécio Neves

O ex-presidente lembra a luta que teve, ao assumir o governo de Minas, em 1999, a fim de organizar as finanças do estado. Ao decretar a moratória – uma vez que os presos e os enfermos de alguns hospitais públicos estavam ameaçados de morrer de inanição, por falta de comida – o mundo desabou sobre ele. Logo depois, coube-lhe resistir, manu militari, à anunciada privatização de Furnas, situada em território mineiro. Isso sem falar na Cemig.

“Não quero lembrar os nomes dos responsáveis, mas estávamos reféns, na administração da Cemig, de investidores estrangeiros, que haviam obtido, por alguns 30 dinheiros, o controle operacional da empresa. A minha resistência e a atuação do governador Aécio Neves nos libertaram desse conluio dissimulado em acordo de acionistas. Nestes últimos 10 anos – dois dos quais sob meu governo – a Cemig valorizou-se em 400%. Ela se tornou, nesse período, a empresa energética de maior sustentabilidade no mundo, de acordo com a Bolsa de Nova York. Entramos na atualidade política. Itamar diz que sua prioridade é a sucessão em Minas. Não cita o nome, porque não é necessário citá-lo em Minas, mas se declara disposto a lutar para que o governo não seja entregue a alguém não confiável”.

Pergunto-lhe sobre os rumores de que poderia vir a ocupar a chapa da oposição como candidato à Vice-Presidência:

“O governador Aécio Neves, com sua generosa amizade, citou meu nome como apto a compor a chapa da oposição. Pertenço, hoje, ao PPS. Sei que se tratou de homenagem a um amigo. Mesmo assim, rejeitaram essa hipótese, como se fosse postulação minha. Não sou candidato àquele cargo. Não insinuei essa possibilidade, mas a recusa ao meu nome robustece a decisão de agir, no pleito, conforme a minha consciência, sem qualquer constrangimento político”.

Não é Itamar que deve influir na sucessão. São as razões de Minas que terão de ser respeitadas. E as razões de Minas são as razões do Brasil. Em qualquer lugar do Brasil há “mineiros”, isto é, honrados patriotas, que colocam, acima dos interesses regionais, a soberania do país e o bem-estar de nosso povo.

Itamar Franco: Um honrado patriota

O homem que morreu neste sábado não pertencia às elites políticas ou empresariais de Minas. Engenheiro, filho de descendentes de imigrantes (o pai, de alemães, e a mãe, de italianos) Itamar teve uma infância de classe média modesta. Não chegou a conhecer o pai, que morreu pouco antes que nascesse. Formado, com as dificuldades da situação familiar, em engenharia, aos 24 anos, trabalhou no saneamento básico na periferia de Juiz de Fora, antes de integrar os quadros do DNOCS. Esse contato com o povo o levou à vida pública.

Itamar não foi um político definido pelos estereótipos. Destacaram-se em sua personalidade e ação política os dois sentimentos que orientam os grandes homens públicos de Minas: o do nacionalismo – que vem da Inconfidência – e o da justiça social. Não há como negar a Itamar o alinhamento ideológico à esquerda. Um de seus ídolos desde a adolescência foi o gaúcho Alberto Pasqualini, dos mais importantes pensadores políticos brasileiros e conselheiro de Getúlio.

Como é de conhecimento público, prestei assessoria informal ao Presidente, e, mais tarde, ao governador. Pude acompanhar, de perto, seu empenho na defesa dos interesses nacionais e da moralidade no governo. Acompanhei, de perto, as suas preocupações, quando decidiu adotar, a conselho de membros da equipe econômica, o expediente antiinflacionário da Alemanha dos anos 20 – o Plano Schacht. Era a segunda vez que se tentava, no continente, a mesma estratégia contra a hiperinflação, bem conhecida como matéria de estudos financeiros. A primeira fora a do Plano Austral, da Argentina. Também o Plano Cruzado, de Sarney, contemplava algumas de suas medidas.

Conhecedor de matemática, Itamar reviu o plano, ponto a ponto, fez correções que lhe pareceram apropriadas e, só depois disso, assinou a medida provisória que o implantou.

Poucos dias antes de sua internação, estive em seu gabinete, em companhia do Embaixador Jerônimo Moscardo, que foi seu Ministro da Cultura. Ao nos cumprimentar, visivelmente gripado, Itamar reclamou do ambiente frio do Senado. “Esse ar acondicionado é de matar”. E disse que estava com uma gripe que não cedia.

Convidou-nos para uma visita ao gabinete do presidente José Sarney, ao lado do seu. Conversamos os quatro, alguns minutos, sobre a situação do país e do mundo. Relembramos a personalidade de Tancredo Neves e episódios menos conhecidos do processo de transição democrática que, pelas circunstâncias do tempo, Sarney e este jornalista haviam vivido mais de perto.

Itamar estava preocupado com a situação do país, e a necessidade de que se formassem líderes capazes de enfrentar as dificuldades internacionais do futuro próximo. Naquele mesmo dia, ele solicitara da Mesa do Senado a transcrição de um artigo meu, publicado neste jornal, de reparos ao seu sucessor.

O grande êxito de Itamar pode ser explicado pela renúncia pessoal às glórias e pompas do poder. Não foi açodado em assumir o governo, depois do impeachment de Collor. Coube a Simon instá-lo a isso, sob o argumento da razão de Estado: o poder não admite o vazio. Logo que assumiu a Presidência, reuniu todos os dirigentes partidários e líderes no Congresso, sem excluir ninguém, nem mesmo o folclórico Enéas Cardoso. Disse-lhes que estava disposto a convocar eleições imediatas para a Presidência e Vice-Presidência, se estivessem de acordo. Silenciou-se, à espera da resposta – e ninguém concordou. Por duas ou três vezes, ele me disse que, apesar daquela recusa unânime, talvez tivesse sido melhor consultar o povo, naquela difícil circunstância.

Quando se pôs o problema de sua sucessão, tendo em vista a sua altíssima popularidade – de mais de 80% – alguns líderes políticos lhe propuseram a apresentação de emenda constitucional permitindo a sua reeleição. Itamar recusou, com veemência, a proposta. O democrata não poderia admitir o golpe que seu sucessor desfecharia.

Mais do que sanear a moeda, Itamar ficará na História por haver recuperado a credibilidade da Presidência da República junto ao povo brasileiro. Poucos, muito poucos, dos que exerceram o alto cargo ao longo da História, ficarão na memória da Nação com a mesma e sólida presença de Itamar Franco, modesto homem do povo, intransigente patriota, severo guardião do bem público.



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41 comentários

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Jésus Araújo

11 de julho de 2011 às 22h55

Com todos os seus defeitos, Itamar é uma das exceções entre os políticos brasileiros; é amado pelo povo.Os feitos de seu breve governo, apropriados pelos tucanos, se tornarão conhecidos por todos, despindo o traje indevidamente vestido pelo rei e deixando-o nu..

Responder

Klaus

04 de julho de 2011 às 21h13

Lula sugeriu José Serra a Itamar, para ocupar o Ministerio da Fazenda.

Responder

    Jorge Nunes

    05 de julho de 2011 às 06h25

    Tem o link ?

    Klaus

    05 de julho de 2011 às 11h24

    Memória da nação

    13 de julho de 2011 às 14h16

    Klaus, gostei de ler o texto do Kotscho que você indica no link, mas lá não consta absolutamente nenhuma referência ao que você afirmou no seu post. Será outro o link com essa citação?

beattrice

04 de julho de 2011 às 16h22

Mais que perfeita a descrição da lavra de PHA do adeus do Estado Maior tucaneiro a Itamar Franco:
"De repente, à esquerda do vídeo, sobre o ombro (avariado) direito do Aécio, avulta-se o Padim Pade Cerra.
De olho na câmera, passo a passo, o Padim se move em direção a uma extremidade do caixão.
Movimentos firmes, na mesma direção, sempre. Ultrapassa um. Empurra o outro. De olho na câmera.
Até que num movimento sinuoso evita o ombro (avariado) do Aécio e posta-se na ponta sul do caixão.
Por pouco não derruba o propriamente dito. Dá um suave “chega pra lá” no Aécio.
E olha firmemente para a câmera. Pronto ! Estava no foco da câmera. Com o caixão em primeiro plano.
Logo ele, por quem o Itamar nutria solene menosprezo.
Cabe notar, amigo navegante, o aspecto saudável do Padim. Amarelo como o verniz do caixão.
As olheiras desciam à linha das narinas. Magérrimo. Mãos de faquir.
A roupa do tipo – sem trocadilho, por favor – “o defunto era maior”.
Não fosse respirar seria confundido com o morto."

Responder

Klaus

04 de julho de 2011 às 16h01

Realmente foi Itamar Franco o Pai do Real. O fato que, antes de Fernando Henrique Cardoso, terem sido Ministros da Fazenda Gustavo Krause (quem?), Paulo Haddad (quem?) e Eliseu Resende (!!!!!!!) e nenhum destes ter implantado o Real se deveu apenas às circunstâncias do momento. Itamar já havia pensado o plano e FHC pegou tudo mastigado. Acabou dando sorte, ou azar, já que para muitos o plano não deu certo. Mas o que me leva a acreditar que o plano real foi bom é o fato de quererem tirar o mérito de FHC. Se fosse ruim ele seria o pai, ningu´pem veria aqui falra que Itamar é o pai

Responder

Klaus

04 de julho de 2011 às 15h21

José Aparecido e Antônio Brito: do que escapamos, hein?

Responder

Jotapeve

04 de julho de 2011 às 15h20

Não conheço o Sr. Jose Aparecido, mas, quanto ao Sr. Antonio Brito, este sem dúvida, foi um dos piores governadores que o Rio Grande já teve, privatizou tudo o que pode no governo e até hoje estamos pagando a conta da sua administração catastrófica. Acho que no quesito "escolha de sucessor" o Presidente Itamar deixou a desejar.

Responder

Zilda

04 de julho de 2011 às 13h38

Eu só não entendo uma coisa: com tantos "estadistas", homens probos, nacionalistas, homens do povo, que já governaram este país, seja presidente, governador, prefeito, parlamentar etc., citados por aí, como se explica um pais tão desestruturado, que não fez nem uma das reformas de base que todo país capitalista faz – agrária, educacional, urbana, habitacional- que até 2004 não tinha uma instituição para fiscalizar o dinheiro público da União (CGU), para dar um basta nos desmandos do Judiciário (ainda insuficiente porque não é externa) o CNJ e uma PF bem aparelhada para combater crime de colarinho branco e crime organizado. O que foi mesmo que esses ilustres patriotas fizeram? Ajudaram a construir um dos países mais desiguais do mundo, com índices de analfabetismo alarmantes em pleno século XXI, com doenças endêmicas por falta de saneamento básico. Alguém pode me explicar essa história?

Responder

    Alexei

    04 de julho de 2011 às 17h25

    Zilda
    País capitalista mesmo não faz reformas de base alguma.
    São as pressões sociais, e não "capitais", que obrigam os países a fazer estas reformas.
    (para citar um exemplo, na inglaterra a reforma urbana, da saúde pública e da educação pública só aconteceu depois da vitória acachapante do partido trabalhista – socialista – sobre os conservadores liderados por Churchill)
    O capitalismo é perfeitamente compatível com desigualdade, analfabetismo, doenças endêmicas e falta de saneamento básico.

    João

    04 de julho de 2011 às 20h07

    q profuuuuuuuuuuuuuuuuundo…

    o rapaz acabou de descobrir q a Inglaterra deixa de ser capitalista quando o partido trabalhista vence a eleição , olha só q coisa!

    de qualquer maneira, melhor ler isso q ser cego…

    rsrsrsrsrsrs

    João

    04 de julho de 2011 às 20h29

    a questão q fica é a seguinte:

    pq tem gente q prefere falar bobagens a ficar calado?

    se pelo menos pedisse ajuda pros "universitários"…

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    João

    05 de julho de 2011 às 20h04

    vá para a Africa ou para alguns países da Asia e vc verá q a AUSENCIA DE CAPITALISMO é muito mais compatível com desigualdade, analfabetismo, doenças endêmicas e falta de saneamento básico…

    acho q o seu nome deveria ser "alecNÃOsei"!

    Adriano Cabreira

    08 de junho de 2012 às 17h27

    A observação é perfeita. Enquanto as pessoas não entenderem que o objetivo único do capitalismo é o lucro para seus guardiões, simplesmente não vão compreender que partidos nascidos do empresariado e do latifúndio não farão reformas sociais.

Carlos

04 de julho de 2011 às 13h36

A Juiz de Fora compareceram três ex-Presidentes da República: Sarney, Collor e Lula, para prestar as últimas homenagens a Itamar. Faltou um, o fhc. Porque será que ele não foi ?
Seria por medo de ser hostilizado pelos conterrâneos do Presidente falecido, por ter-se apropriado da paternidade do Plano Real, quando fazia meses que nem mais Ministro da Fazenda era ?

Responder

Paulo Villas

04 de julho de 2011 às 13h00

Antes tivesse buscado uma quarta opção para sucedê-lo , seu lugar na história , talvez , fôsse outro.

Responder

    Klaus

    04 de julho de 2011 às 15h25

    Lula, por exemplo.rs

Bernardino

04 de julho de 2011 às 11h14

PIADA: O sr ITAMAR assumiu à presidencia depois depois do aborto que foi a renuncia de COLOR.O sr Itamar sempre foi oportunista,tanto que mudava de partido como o vento(PMDB,PL<PPS)Na presidencia toda semana mudava um ministro da fazenda,ate aparecer FHC que assessorou-se de economista compentente e fez o REAL e olha que eu abomino os TUCANOS,votei duas vezes no LULA!!!
MIneito NAcionalista é piada"eles sao oportunistas.Quem fez revoluçao neste país foram GAUHOS E Nordestinos!Getulio deu tudo pra eles,pois eram obedientes(Benedito Valadares,Juscelino, Capanema)
Erundina saiu do ministerio dele(Itamar) e disse:nunca vi um presidente tao BURRO!!Vamos acabar com esse negocio de depois de morto fazer ELOGIOS,So na cultura Portuguesa mesmo!!!!

Responder

João

04 de julho de 2011 às 10h45

caramba… se FHC, como 3ª opção ganhou de Lula 2 vezes NO PRIMEIRO TURNO, imagina só o q não teria acontecido se a "1ª opção" tivesse concorrido!

moral da história: Lula perdeu 2 x pra "3ª opção"…

kkkkkkkkkkkkkkkkkk

Responder

    Alexei Alves

    04 de julho de 2011 às 17h37

    que risadinha amarela do João….. coitado.
    Mas vai… aperta bastante a tecla "k", isso, João, aperta bastante, assim, quem sabe, a gente não perceba o quanto você deve ter chorado de raiva nas últimas três eleições.

    3 x 2

    João

    04 de julho de 2011 às 19h12

    fofa…

    se não fosse pela roubalheira dos governos petistas, eu até q estaria satisfeito com eles…

    na economia, por exemplo, parece cópia do FHC… tudo igualzinho!

    quem não deve estar muito satisfeito são vcs…

    e só pra te agradar:

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Jorge Nunes

    05 de julho de 2011 às 06h25

    Eu vivi no Brasil no tempo de FHC e posso dizer com segurança que a economia está melhor que da era FHC… eu mais 100 milhões de brasileiros.

    João

    05 de julho de 2011 às 11h38

    oxe…

    eu tb vivi (e vivo) no Brasil e concordo com o Sr…

    está melhor!

    e o q isso tem a ver com o fato de Lula ter seguido a mesma linha da economia de FHC?

    alias, só está melhor hj JUSTAMENTE pq Lula não fez NADA das bobagens q ele dizia q ia fazer quando estava na oposição…

    lembra da "carta ao povo brasileiro", onde Lula prometeu se "comportar" ?
    lembra Lula dizendo q "bravata se faz na oposição?
    lembra Lula se assumindo uma "metamorfose ambulante" pra justificar as mudanças de posição em relação à TUDO?

    rsrsrsrs

    Klaus

    04 de julho de 2011 às 20h18

    Uai, o Collor é nosso também, ou não?

    3 x3

    Alexei

    05 de julho de 2011 às 00h16

    Ah então agora o collor é de vocês?
    Não foi isso que você escreveu no outro post, Klaus….
    Se decida aí, meu caro.
    O Collor é de vocês ou não?

    (como sempre, peixe morre pela boca)

Klaus

04 de julho de 2011 às 08h33

Caramba, vocês são demais. Qualquer fato que aconteça no mundo é aproveitado para barter nos tucanos. Se colocarem aqui uma receita de bolo de fubá vocês dão conta de encontrar um modo de falar do Serra, FHC. Acho que isto é psicológico. Até hoje não perdoaram FHC ter derrotado Lula. Duas vezes. As duas no primeiro turno. Desencana, gente, já passou, doeu mas passou.

Responder

    Jairo_Beraldo

    04 de julho de 2011 às 13h13

    Herr Klaus, na verdade, o perdão é próprio dos sensatos, mas não foi feito para insensatos como FHC, Serra e seus pares que se apropriaram dos cofres públicos e as propriedades públicas…esses tucanos nada sabem fazer além de se apossarem de tudo que não são deles (planos, obras, propriedades, ideias, etc). São uns falaciosos inertes e preguiçosos contumazes.

    Klaus

    04 de julho de 2011 às 15h25

    Mas vocês perdoaram Collor, Jáder Barbalho, Sarney, Romero Jucá e Renan Calheiros. Estes não são insensatos e se apropriaram dos cofres públicos também? Também não são falaciosos e preguiçosos contumazes também? Caso você não tenha resposta, eu te ajudo: estes foram perdoados porque se ajoelharam diante do altar petista e apoiaram Lula. Aqueles que ousam não se ajoelhar jamais são perdoados. O fato de um polítoco apoiar o PT já livra sua cara frente a blogosFERA.

    João

    04 de julho de 2011 às 15h28

    Rapaz…

    não faz pergunta dificil q petista se enrola todo!

    rsrsrsrs

    Alexei Alves

    04 de julho de 2011 às 17h42

    Baixo, ofensivo, sem argumentos e…… triplamente derrotados

    Como é gostoso ver perdedores tentando – sem sucesso – disfarçar a sua raiva.

    Eita dor de cotovelo….. pelo jeito deve estar doendo bastante hein?

    João

    04 de julho de 2011 às 19h22

    Lula dizendo q "bravata se faz na oposição" e q ele é "metamorfose ambulante"…

    Lula escrevendo a "carta ao povo brasileiro" onde se comprometeu a não fazer as bobagens q dizia quando estava na oposição…

    Lula fazendo superavit primário e pagando o FMI…

    Dilma privatizando aeroportos…

    privatizando a banda-larga…

    se não fosse pelos escandalos de corrupção petista, eu até estaria satisfeito!

    já vcs…

    kkkkkkkkkkkkkkkk

    Queiroz

    05 de julho de 2011 às 16h01

    A tua tecla "k" está com defeito ;-)

    Jésus Araújo

    11 de julho de 2011 às 22h47

    Klaus
    Não é questão de perdoar, política não se faz com nomes individuais e sim com partidos. Foi feita aliança eleitoral com os partidos das pessoas que você menciona. O partido indica os nomes para participarem do governo. E, por falar em governo, para seu governo saiba que, atualmente, nenhum partido governa sem o PMDB, a maior máquina eleitoral existente no país. E FHC, que não é bobo, o entendeu bem, aliando-se ao amaldiçoado PMDB, ao supercorrupto PFL, hoje Demo e à maioria dos partidos atuais integrantes da coligação dos governos de Lula e Dilma, formando uma forte coligação partidária. Os nomes eram os mesmos; Sarnei não nasceu ontem, presidiu o Senado na era FHC. E a acusação que você faz aos políticos que nomeia é competência do Judiciário, não misture as coisas. Se o Ministério Público não processa esses políticos, livrando deles os partidos, está aí o problema. Aprenda a entender política.Leiamais.

    PAULO

    04 de julho de 2011 às 13h46

    Aos VENDILHÕES TRAIDORES LESA PÁTRIA DO PSDB E EM ESPECIAL AO THC, o ódio eterno do povo brasileiro, amém.

Yarus

04 de julho de 2011 às 05h58

"Itamar lembra que os medicamentos genéricos foram adotados pelo seu ministro da Saúde, o médico Jamil Haddad, com sua aprovação, apesar da resistência dos laboratórios."

Será que dá prá parar de mentir agora, Cerra!
Jamais terias coragem de ir contra os interesses dos laboratórios em benefício do povão…JAMAIS!

Responder

Gustavo

03 de julho de 2011 às 23h27

o cara precisou morrer, para a grande mídia "descobrir" quem foi o verdadeiro pai do Plano Rel…

Responder

Jean Scharlau

03 de julho de 2011 às 21h32

Morreu agora, mas o dedo indicador já estava morto há decadas.

Responder

luis nascimento

03 de julho de 2011 às 20h59

Tudo bem. Mas Itamar poderia ter poupado a nação não se associando a um cartola de conduta questionável, deixando-o no Senado em seu lugar.

Responder

Tetê

03 de julho de 2011 às 20h46

Itamar está num cantinho do coração de cada brasileiro. Sem arroubos, com serenidade.

Responder

mquadros1

03 de julho de 2011 às 20h33

"severo guardião do bem público"? E por qual razão apoiava o Aécio?

Responder

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