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Diário da Resistência


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Infiltração e repressão: Serra aplica cartilha de Yeda


31/03/2010 - 05h39

Em 2009, um homem, apontado como sendo agente do serviço secreto da Brigada Militar (a PM gaúcha), usou indevidamente o nome da Carta Maior ao infiltrar-se em uma manifestação de servidores públicos contra o governo Yeda , em Porto Alegre, e fazer fotos dos manifestantes

Mar 30th, 2010 by

por Marco Aurélio Weissheimer,em RS Urgente e Carta Maior, dica Stanley Burburinho

O governo José Serra (PSDB) adotou as mesmas táticas policiais utilizadas pela também tucana Yeda Crusius no Rio Grande do Sul. Integram essas táticas, entre outras, duas medidas básicas: reprimir violentamente protestos e manifestações de ruas e infiltrar policiais à paisana nestes protestos e manifestações. O episódio da foto onde um homem carrega uma PM ferida nos protestos de 26 de março expôs, involuntariamente, esse tipo de prática. Inicialmente, um texto do jornalista Leandro Fortes reproduziu a versão difundida pela Agência Estado dando conta de que o homem era um manifestante que participava do ato dos professores. Diante da repercussão causada pela foto, dois dias depois, o comando da PM de São Paulo divulgou uma nota garantindo que se tratava de um policial à paisana “que estava passando por ali por acaso”. A PM negou tratar-se de um “infiltrado”, mas negou-se a divulgar o nome do mesmo o que só reforça a tese de que se tratava de um homem do chamado “serviço de inteligência” da polícia.

Uma das regras básicas do trabalho desse “serviço de inteligência” é não ser identificado publicamente. Vale tudo para assegurar o anonimato, desde disfarçar-se de manifestante ou mesmo de jornalista. No dia 30 de abril de 2009, um homem, apontado por manifestantes como sendo agente da PM2, o serviço secreto da Brigada Militar (a PM gaúcha), usou indevidamente o nome da Carta Maior ao infiltrar-se em uma manifestação de servidores públicos contra o governo Yeda Crusius, em Porto Alegre, e fazer fotos dos manifestantes [foto acima]. Não foi a primeira vez que servidores de órgãos de segurança disfarçaram-se de fotógrafos no Rio Grande do Sul, identificando-se como profissionais de imprensa para espionar manifestações de sindicatos e movimentos sociais. Em geral, essa prática conta com a cumplicidade (pelo silêncio) da imprensa local, que tem conhecimento da mesma, mas não fala no assunto.

 O papel dos infiltrados é duplo: recolher informações e fazer fotos de manifestantes, por um lado; e, eventualmente, dar início a provocações que levem a distúrbios e conflitos que, posteriormente, serão atribuídos aos manifestantes. Essa prática, aplicada várias vezes contra sem terras, professores e servidores públicos no Rio Grande do Sul, é repetida agora em São Paulo com as acusações de que os professores em greve seriam “baderneiros” e responsáveis pelos conflitos com a polícia. A decisão do PSDB de São Paulo de entrar na Justiça contra o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo também segue a mesma cartilha utilizada pelo governo Yeda no RS. Segundo a representação encaminhada em conjunto pelo PSDB e pelo DEM, “o movimento se organiza em torno de palavras de ordem e outras manifestações que tendem a interferir no âmbito eleitoral, partidarizando o movimento”.

No Rio Grande do Sul, dirigentes sindicais, jornalistas e lideranças de movimentos sociais já perderam a conta do número de processos, no âmbito civil e criminal, movidos pela governadora Yeda Crusius. O Ministério Público do Rio Grande do Sul chegou a determinar, em 2009, a retirada de cartazes e outdoors que faziam parte de uma campanha de sindicatos de servidores públicos e movimentos sociais denunciando casos de corrupção envolvendo o governo Yeda. A atual presidente do Centro de Professores do Estado do RS (CPERS/Sindicato), Rejane Rodrigues, está sofrendo vários processos, um deles por ter participado de uma manifestação em frente à casa da governadora.

O fato é que os governos tucanos apresentam uma uniformidade no trato com manifestações sociais: o que domina é a lógica da repressão, a ausência do diálogo e a aversão ao contraditório. O uso de policiais infiltrados nas manifestações é típico de tempos autoritários, onde a “interlocução” de governos com a oposição é feita nos subterrâneos, com práticas nada transparentes. Não é por acaso, portanto, que cenas e práticas similares vêm sendo vistas nas ruas de São Paulo e do Rio Grande do Sul.

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



21 comentários

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Os anos mais felizes de nossas vidas 3 – SP sem violência « TIA CARMELA E O ZEZINHO

08 de abril de 2010 às 18h08

[…] de livre manifestação. Cada vez mais gentis, os policiais deixaram de ser algozes e passaram a  participar das manifestações, solidários com manifestantes, como no caso dos professores. Cenas pungentes de confraternização […]

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Paulo Oliveira

31 de março de 2010 às 18h48

Não é só o serrágio que faz isso. Aqui, Mato Grosso do Sul ( o Estado que não existe ) é a mesma coisa. Ontem 30/03 ele "o todo poderoso" mandou a polícia rodoviária estadual barrar todos os ônibus que vinham para a manifestação por melhores salários. Coisa da ditadura! O parque dos poderes, sede do governo e da assembléia legislativa foi fechado por policiais – todas as entradas – para "evitar" que os manifestantes chegassem. Coiasa inacreditáveis acontecem aqui. Pena que o Brasil é o "eixo Rio-SP". É uma pena mesmo.

Em tempo. O italiano (André Puccinelli) é do pmdb que aqui significa o mesmo que pps, demos e tucanos! letra minuscula mesmo.

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SÁVIO - do Ceará

31 de março de 2010 às 14h34

Os movimentos sociais, mais que nunca, tem que sair às ruas ordeiros e pacificamente, mas protestando veermentemente contra essa ditadura midiática, que se instalou no País. " O BRASIL POSSUI A MELHOR IMPRENSA QUE O DINHEIRO PODE COMPRAR" ( BARÃO DE ITARARÉ) – " NÃO EXISTE NINGUÉM 100% CORRETO, MAS EXISTEM CANALHAS IRRETOCÁVEIS" ( ZIRALDO ). ESSES CANALHAS ESTÃO NA GRANDE IMPRENSA BRASILEIRA .(MEU PONTO DE VISTA).

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Mirabeau Bainy Leal

31 de março de 2010 às 14h26

Sou gaúcho e sempre votei no Lula, assim como grande parte dos eleitores gaúchos ( em 2006, 42,9% dos eleitores riograndenses votaram em Lula). Para o governo do estado, o PT-RS, mesmo nas eleições que perdeu, sempre obteve, no segundo turno, mais de 45% dos votos válidos. A capital, Porto Alegre, foi administrada pelo PT por 16 anos consecutivos (4 mandatos). Isso é inédito no Brasil.

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Mc_SimplesAssim

31 de março de 2010 às 13h57

Essa tática contrarrevolucionária de infiltar agentes em manifestações populares para desmoralizá-las é mais antiga do que andar pra frente.

E como é pra frente que se anda creio ser fundamental que esses agentes arruaceiros sejam desmacarados e mostrados ao grande público como foi feito neste e em outros sites de grande audiência.

Parabéns pela iniciativa e esperamos que reportagens assim cheguem também à TV em futuro próximo.

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Daniel

31 de março de 2010 às 13h15

Tem um outro sujeito, apoiador do Serra nessas eleições que segue a mesma cartilha dele. Veja aqui: http://www.midiamax.com/view.php?mat_id=711719. Professores vieram do interior de MS para protestar na capital. E o que ele fez? Mandou a PM barrar os ônibus com manifestantes que chegavam… Esse cara é aquele mesmo que disse que o ministro Minc era "viado", "maconheiro" e outras atribuições pouco lisonjeiras… E ele apóia o Serra… E quer se candidatar à reeleição aqui. Por aí vocês já tiram o quilate do sujeito.

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    Carlos

    31 de março de 2010 às 15h39

    "quilate" e morde, Daniel?

jefferson

31 de março de 2010 às 13h13

Isso que estão espalhando de que o Serra impediu os professores de entrar na inauguração é um mal-entendido. Segundo informações fidedignas do Dimenstein, o homem dos 3,7 milhões de reais, o que o Serra quis fazer foi evitar expor os professores a riscos, pois poderia cair um viaduto do Robanel em suas cabeças… Foi o que saiu em http://wp.me/py9tu-nL

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Alexandre Araújo

31 de março de 2010 às 12h47

Algum sul-riograndense, por favor me responda: se a Yeda é tão desgraçada, por que a oposição (PT) não consegue ganhar eleições aí? Creio que a resposta está no próprio povo sul-riograndense, o povão, o sujeito comum, parece ter ódio das esquerdas. Em recente viagem à Serra Gaucha, a dona da loja em que eu estava, começou a falar mal de Lula e a dizer que não gostava de nordestinos, sem saber que eu era baiano. Perguntei se ela já tinha convivido ou conhecido algum nordestino, ela simplesmente disse que não, apenas tinha este conceito, porque ouvia as pessoas falarem. Após desembolsar uma boa quantia na compra de malhas (agasalhos de lã), e após conversarmos sobre outras coisas, revelei minha origem a ela. Esta sem graça, me preseneteou com a seguinte frase: VOCÊ É UM BAIANO DIFERENTE! Ou seja, acho que o pré-conceito com as esquerdas e o que ela representa está no próprio povo do Rio Grande do Sul e de São Paulo. De repente, um povo que se acha superior, está com raiva de um presidente que olha pelo povo mais pobre.

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    Mirabeau Bainy Leal

    31 de março de 2010 às 14h29

    Por outro lado, sempre recebi com restrição essa estória de que o eleitor gaúcho é o mais politizado do Brasil.
    Talvez o maior diferencial aqui no RS seja mesmo o cultural: o passionalismo exacerbado, que sempre existiu e continua existindo no estado, associado a uma bipolaridade característica do orgulho provinciano.
    Assim é que, diante de qualquer circunstância conflituosa, a maioria dos gaúchos sempre se posiciona a favor ou contra, permanecendo num flanco, e defende sua posição intransigentemente.
    Aqui no RS, não há meio-termo, é preciso ter lado: ou tu és gremista ou tu és colorado; ou brizolista ou antibrizolista; ou petista ou antipetista.
    É difícil encontrar em outro estado do Brasil essa bipolaridade histórica.
    E foi principalmente se aproveitando dessa característica gaúcha que a RBS, afiliada da RGTV que praticamente detém o monopólio das comunicações na Região Sul, com a colaboração das "eminências" políticas locais agrupadas (PSDB/DEM/PPS/PMDB/PDT/PP), fomentou a cultura do antipetismo. E triunfou.

    Carlos

    31 de março de 2010 às 15h36

    "… fomentou a cultura do antipetismo. E triunfou."
    Irreversivel?

    Mirabeau Bainy Leal

    31 de março de 2010 às 19h49

    Eu sinceramente espero que, nesta eleição, a maioria dos eleitores gaúchos se deem conta das catástrofes que foram os governos de Germano Rigotto (PMDB/PSDB/DEM/PPS/PDT/PP) e de Yeda Crusius (PSDB/DEM/PPS/PMDB/PDT/PP), no estado, e de José Fogaça (PMDB/PSDB/DEM/PPS/PDT/PP), em Porto Alegre.

    Ainda há esperança!

    Marcelo Ribeiro

    31 de março de 2010 às 14h53

    Gostaria de dizer que sou um gaúcho "diferente" e concordo com você.! O oligopólio da mídia local criou e vendeu ao povo do RS um mito que não existe, essa conversa de que "gaúcho é mais isso ou mais aquilo do que os outros". A imprensa local, abastecida por enormes verbas publicitárias, come pelas mãos de coronéis políticos, como o senador Pedro Simon, que, em Brasília, é o paradigma da honestidade; já, aqui no RS, fecha os olhos para a corrupção. Já, Lula, os nordestinos, etc, estes são corruptos, segundo a versão local. Esse gauchismo xenófobo, muito bem difundido pela mídia, representa o sustentáculo da elite de direita e traz embutido em si um maniqueismo muito útil aos políticos que a representa. Assim, o povo só repete o mesmo "mantra" ouvido na mídia local, seja de forma direta ou.disfarçada Mas, deixo claro, muita gente luta contra isso aqui no RS e isso há de mudar, pois a internet, aos poucos, vai permitindo à população a formação de um melhor nível de consciência política e social. Abs.

Franco Atirador

31 de março de 2010 às 12h06

.
O BOTA-FORA DO SERRA (PSDB/DEM)

BOTA FORA A PETROBRAS
BOTA FORA O BANCO DO BRASIL
BOTA FORA A CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
BOTA FORA O BOLSA-FAMÍLIA
BOTA FORA A REDISTRIBUIÇÃO DE RENDA
BOTA FORA O SALÁRIO MÍNIMO
BOTA FORA O PNDH3
BOTA FORA A REFORMA AGRÁRIA
BOTA FORA OS MOVIMENTOS SOCIAIS
BOTA FORA OS PROFESSORES E DEMAIS SERVIDORES PÚBLICOS
BOTA FORA A CONFECOM
BOA FORA O CONVÍVIO PACÍFICO COM AS NAÇÕES DO MUNDO
BOTA FORA A CREDIBILIDADE DO BRASIL NO EXTERIOR
BOTA FORA AS RESERVAS CAMBIAIS DE US$200 BILHÕES
BOTA FORA A ELEVADA AUTOESTIMA DOS BRASILEIROS
BOTA FORA O BRASIL
.

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Tweets that mention Infiltração e repressão: Serra aplica cartilha de Yeda | Viomundo - O que você não vê na mídia -- Topsy.com

31 de março de 2010 às 09h03

[…] This post was mentioned on Twitter by Aldo Nunes, PSDB ? Nunca mais. PSDB ? Nunca mais said: Infiltração e repressão: Serra aplica cartilha de Yeda http://2.ly/t7h #Serra #PSDB #FascistadoMocca […]

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Fabio

31 de março de 2010 às 11h28

PSDB=Ditadura

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mac

31 de março de 2010 às 11h12

O Serra tem conversado muito com a livusia do ACM ,ultimamente .

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Carlos Gomes

31 de março de 2010 às 10h16

Caro Azenha,tomo a liberdade de contar um caso que aconteceu comigo e a PM dos Tucanos.-QUANDO DO ACAMPAMENTO DOS DESEMPREGADOS NO PARQUE IBIRAPUERA ,ISTO NO GOV DO MONTOR.Pois bem:eu estava lá pois sou militante politico a 30 anos estava acompanhando o acampamento indicado pela minha comunidade religiosa ,estacionei meu carro enfrente a assembleia legislativa e deixei minha esposa e minha filha que era de colo ainda pois o dia esta de chuva e frio então fecehei a porta do carro e quando sai para ir ate o acampamento logo ali ,um policial militar veio a meu encontro e disse-me que era para eu ficar despreocupado pois eles sabiam que eu era P2 e que estariam zelando por mim e pela minha familia.Eu disse que agradecia e que ele aproveitase e mandase recomendações minhas para seu comandante ai eu notei que ele no jargão militar fez um gesto muito interesante ele "JUNTOU OS CASCO" ou seja ele entendia que eu era um oficial e le um subordinado a mim.Conclusão eles de fato infiltran gente já a muito tempo isto já faz quantos anos foi quando 84/85 quando o Covas era prefeito indicado prefeito pelo Montoro.Temos que afirmar que apesar da origens de alguns tucanos eles são verdadeiramente ati-democraticos.

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Gerson Carneiro

31 de março de 2010 às 09h55

"Sejamos todos cativos da democracia. É a única prisão que presta seu tributo à liberdade. Assim, repudiemos a simples sugestão de que menos democracia pode, em certo sentido, implicar mais justiça social. Trata-se apenas de uma fantasia de espíritos totalitários. Povos levados a fazer essa escolha acabam ficando sem a democracia e sem a justiça". José Serra – O Estado de S.Paulo – 15 de março de 2010.

Sejamos todos, de fato, reais praticantes da democracia!
Ser apenas teoricamente cativos da democracia, parece tratar-se apenas de uma fantasia de espíritos totalitários.

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    Williams/Bauru

    31 de março de 2010 às 21h45

    tenha dó!

Leider_Lincoln

31 de março de 2010 às 09h50

Cadê o paulista Dvorak e o gaudério de Divinópolis, o Klaus, para manifestarem suas preocupações com a democracia? Ou eles só estavam sendo hipócritas?

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