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Guilherme Hanesh: Mitos sobre a telefonia brasileira


18/10/2010 - 04h46

Da caixa de correio do Viomundo:

Mitos sobre a privatização da Telebrás

Guilherme Hanesh

O debate colocado neste segundo turno entre privatização vs. estatais é um dos poucos temas verdadeiramente relevantes de toda a campanha. Não porque a privatização seja necessariamente boa ou ruim, ou porque as estatais sejam necessariamente boas ou ruins, mas porque o que permeia esse debate é a discussão entre a ideia de um estado mínimo versus a ideia de um estado provedor. Pela primeira vez, o PSDB resolveu defender (um pouco) o seu modelo inegavelmente privatista, e elencou o setor de telecomunicações como melhor exemplo.

É claro que uma discussão de campanha dificilmente se aprofunda, mas particularmente acredito que a análise da privatização da Telebrás precisa ser vista com muito mais cuidado. Primeiro, porque ao contrário do que pregam os tucanos, este setor está longe de ser a grande maravilha prometida com a venda das estatais do setor. Depois, porque o governo Lula tem contribuições importantes que podem e devem ser colocadas na campanha.

Primeiro, é preciso ressaltar que de fato, a partir de julho de 1998, quando o Sistema Telebrás foi privatizado, houve um salto significativo na ampliação do mercado de telecomunicações no Brasil, mas ao contrário do que sugere a lógica tucana, o que trouxe essa expansão não foi o capital privado, mas sim a combinação de obrigações regulatórias, empresas geridas profissionalmente e uma explosão dos serviços de Internet e celular que aconteceram em todo o mundo.

Explico: em 1994, o setor de telefonia fixa somava cerca de 13,3 milhões de usuários, o que dava uma densidade de 8,6 linhas por 100 habitantes (8,6%). A privatização só aconteceu em julho de 1998. Nesse período, em que as estatais de telecomunicações foram reorganizadas e, sob a batuta do ministro Sérgio Motta, deixaram de ser objeto de barganha política, a Telebrás tornou-se uma empresa saudável e eficiente. Entre 1994 a julho de 1998, o total de linhas fixas saltou para 20,2 milhões e a densidade telefônica para 12,5%. Ou seja, bastou uma gestão profissional para que o setor se desenvolvesse. Isso porque, durante esse período, a Telebrás não foi uma empresa agressiva do ponto de vista de investimentos, já que se sabia que ela seria vendida em algum momento, pois essa era a plataforma política do governo.

Entre 1995 e 1997, o governo FHC estabeleceu as bases jurídicas do modelo de telecomunicações, primeiro com a reforma da Constituição, em 1995, que permitiu o fim do monopólio estatal do setor, depois, em 1996, com a Lei Mínima de Telecomunicações que estabeleceu a base para o modelo de exploração da telefonia celular e, finalmente, em 1997, com a Lei Geral de Telecomunicações, que é o principal marco legal até hoje. O fundamento do modelo proposto estava centrado em três pilares: privatização total do sistema, universalização do serviço de telefonia fixa e competição. Todo o desenho regulatório que foi feito depois da Lei Geral de Telecomunicações, com a criação da Anatel, buscava apenas uma coisa: universalizar a telefonia fixa e criar competição entre as empresas.

Hoje, olhando no retrovisor, podemos dizer que o sucesso dessas duas políticas foi relativo. Sim, de fato a telefonia fixa teve uma expansão importante, passando doa 20 milhões de acessos no dia da privatização, em 28 de julho de 1998, para pouco mais 43 milhões hoje.

A conquista mais importante, imposta por obrigações contratuais aos concessionários privados, foi levar a telefonia fixa a todos os municípios, o que aconteceu em 2002. Entretanto, a projeção inicial do governo FHC, ao privatizar, era de que o mercado chegaria a 58 milhões de acessos em 2005, o que nunca aconteceu. O número que temos hoje é o que havia sido idealizado inicialmente para 2002. Mas a base de telefonia fixa praticamente não cresce desde 2001. Onde o governo errou, então? Na questão tarifária. Ao mesmo tempo em que privatizou, o governo criou uma regra tarifária com duas componentes perversas criadas para agradar o investidor privado: primeiro, uma indexação maluca calculada pelo IGP-DI, e depois uma assinatura básica, cobrada independentemente do uso do telefone, de pelo menos R$ 35. A questão da indexação apareceu logo no primeiro ano do governo Lula.

Com a alta do dólar, em 2002, a perspectiva era de que houvesse um reajuste de tarifas superior a 30% em 2003! A economia, que já estava cambaleante, ia para o ralo com uma pressão inflacionária deste tamanho. Tudo culpa do IGP-DI (fortemente atrelado ao dólar), da metodologia de aplicação do índice de reajuste (que podia ser aplicado a apenas um item da cesta de tarifas) e do modelo estabelecido na privatização. Em 2004, depois de uma batalha pessoalmente encampada pelo então ministro das Comunicações Miro Teixeira contra o tecnicismo pró-mercado da Anatel (que se recusava a pensar em soluções alternativas), o governo Lula conseguiu mudar o índice de correção das tarifas, negociando com as empresas um novo índice, o IST (Índice Setorial de Telecomunicações). Isso evitou surtos de reajuste dali para frente. Mas não resolveu o principal problema de ampliação da base de telefones fixos, que é a assinatura básica. Por conta do conforto que essa assinatura básica traz às concessionárias privadas, elas preferem, hoje, manter os índices de penetração fixa na casa dos 22%, com pouco mais de 43 milhões de acessos fixos, a adotar políticas de expansão da telefonia. Ou seja, a universalização da telefonia fixa foi geográfica, mas as pessoas ainda usam muito pouco o telefone.

Outro efeito perverso da política estabelecida na privatização é sobre a banda larga. Como a rede telefônica fixa é a base para a principal tecnologia de acesso de banda larga (o ADSL, já que no Brasil há poucos municípios com redes de cabo), para o cidadão ter acesso àInternet em alta velocidade ele precisa, antes, ser assinante de um telefone fixo. Ou seja, além de ter que pagar pela banda larga em si, precisa pagar pelo menos mais R$ 35 de telefone.

No que se refere à competição na telefonia fixa, que era um outro pilar da política estabelecida pela Lei Geral de Telecomunicações em 1997, os resultados também são muito distantes da maravilha propagandeada pelo PSDB. Há hoje, no Brasil, não mais do que 600 cidades com serviço competitivo. Ou seja, em quase 5 mil municípios brasileiros, se o cidadão quiser uma linha fixa, só tem uma empresa para recorrer.

Outro defeito grave da política de privatização do governo FHC é que ela só impôs exigências às empresas em relação aos serviços de telefonia fixa, negligenciando as necessidades de investimentos que deveriam ser feitas na sua rede para os serviços de banda larga e na qualidade de serviço. Segundo dados da Abinee e da Telebrasil, a receita das operadoras de telecomunicações desde a privatização foi de R$ 1,151 trilhão, e o investimento foi de R$ 165 bilhões. Parece muito, mas isso significa apenas 14,3% das receitas no período. O percentual de investimento vem declinando ano a ano e já está em menos de 8% do faturamento das empresas. Sem contar o fato de que a decisão sobre a maior parte destes investimentos está concentrada fora do Brasil. Um setor estratégico e de alta inovação tecnológica como as telecomunicações não pode ficar sujeito a uma política de investimentos que satisfaça apenas a lógica dos acionistas privados. Imagine se a Petrobrás só fosse fazer os investimentos mínimos para se manter. Não haveria PAC, pré-sal, recuperação da indústria naval nacional e nada do que se crioou com uma política agressiva de investimentos.

Telefonia celular

Já na telefonia celular a história é um pouco diferente. Serra usou muito isso no debate da Band, dizendo que o governo FHC criou o celular. Nada mais mentiroso. Primeiro, porque o processo de privatização de 1998 não previa absolutamente nenhuma política para este setor, exceto a venda das empresas estatais que já existiam e o leilão de licenças para operadores competitivos. As primeiros operações de telefonia celular no Brasil surgiram no começo dos anos 90, primeiro pela Telerj Celular e depois pela Telesp Celular. No primeiro governo FHC, ainda com o sistema estatal, a base de usuários móveis saltou de 800 mil para 5,6 milhões no mês da privatização (julho de 98). Hoje, são 190 milhões de linhas de telefonia móvel no Brasil. Mas é falacioso creditar esse aumento espetacular às privatizações. No mundo inteiro, mesmo em mercados controlados por estatais, como a China, houve uma explosão dos acessos móveis muito além de qualquer previsão. O próprio governo FHC, ao montar o modelo de venda da Telebrás, estimava em seus estudos que o mercado de telefonia móvel chegaria, em 2005, a 58 milhões de usuários. Errou feio. Em 2005, o mercado passou 80 milhões de usuários móveis. Na verdade, o que aconteceu é que ninguém, nem os estrategistas que montaram o modelo de privatização da Telebrás, tinha a menor ideia do que seria o setor de telefonia celular. A realidade da mobilidade surpreendeu no mundo todo e desafiou qualquer modelo existente, privatizado ou estatal. Portanto, creditar os 190 milhões de telefones celulares existentes no Brasil exclusivamente à privatização é no mínimo um risco.

Mas, mais uma vez, o modelo implementado no governo FHC trouxe um grave efeito colateral: o custo das tarifas de celular. No anseio de fomentar o surgimento de mais competição no setor e promover a entrada de novas empresas, a política estabelecida pelos tucanos criou as mais altas tarifas de interconexão do mundo. A tarifa de interconexão é, basicamente, o quanto uma operadora paga para a outra quando um usuário seu precisa falar com um cliente de outra operadora. Essa política de interconexão teve um efeito positivo, que foi permitir o desenvolvimento do celular pré-pago (hoje 80% da base é pré-paga). Mas teve um efeito negativo: o minuto do crédito pré-pago no país é dos mais altos do mundo, assim como as tarifas do pós-pago e das tarifas para se ligar de um telefonia fixo para um móvel. Consequência: o pré-pago virou aquele telefone “pai de santo”, que só recebe ligação e as pessoas, em geral, usam muito menos o telefone do que poderiam. A maior prova disso é que o Brasil é um dos países em que menos se fala ao telefone, pois falar custa uma fortuna.

Outro problema do modelo estabelecido no governo Fernando Henrique no setor de telefonia móvel é que ele não estimulava as operadoras a avançarem para além dos mercados mais abastados e dos grandes centros. Assim, em 2002, último ano do governo FHC, a telefonia celular chegava a apenas 2,3 mil municípios. Ou seja, mais da metade dos municípios brasileiros e quase 40 milhões de pessoas não tinham acesso à telefonia celular.

A grande mudança conceitual que reverteu esse quadro só apareceu em 2007, no segundo governo Lula, quando foram leiloadas as faixas de frequências que as empresas demandavam para o serviço 3G (banda larga móvel). Naquela ocasião, o governo estabeleceu uma regra em que o preço a ser pago pelo espectro foi diminuído em troca do compromisso regulatório e contratual de que as empresas cobrissem todos os municípios brasileiros. O modelo deu certo e em abril deste ano 100% dos municípios brasileiros passaram a ter cobertura celular em suas áreas urbanas.

Banda larga

Durante o governo FHC não houve nenhuma política que estimulasse a expansão da banda larga no Brasil. Ao contrário, o governo tratou de evitar o desenvolvimento da banda larga para não causar impactos na venda das empresas do Sistema Telebrás. Empresas de TV a cabo, que desde 1996 pediam ao Ministério das Comunicações autorização para oferecer serviço de Internet em alta velocidade, tiveram que esperar até 1999 para iniciar os serviços. Ao mesmo tempo, enquanto preparava a venda da Telebrás, o governo suspendeu todos os planos de investimento da estatal em redes de fibras ópticas e acesso em alta velocidade.

Depois da privatização, estes investimentos passaram a obedecer à lógica do mercado, já que não havia nenhuma política pública para a expansão da Internet. E concentradas nas metas de expansão da telefonia fixa, obviamente as concessionárias de telecomunicações pouco fizeram para expandir suas redes de Internet em alta velocidade. Isso só começou para valer em 2002.

No segundo governo Lula, a partir de 2006, surgiram as primeiras políticas específicas para a banda larga. O primeiro foi o programa Banda Larga nas Escolas, em que o governo negociou com as concessionárias de telefonia a obrigação de levar acesso banda larga a todas as cerca de 55 mil escolas públicas brasileiras. Essa meta está sendo completada até o final deste ano.

Outro projeto é a expansão da rede de acesso à Internet das concessionárias de telefonia fixa a todos os municípios. Em 2008, o governo negociou com as empresas mudanças contratuais para que elas fossem obrigadas a levar até o final de 2010 a todas as cidades sua infraestrutura de acesso à Internet. Com isso, é provável que já no final do ano o serviço de banda larga fixo esteja disponível para ser contratado em todas as cidades brasileiras.

Soma-se a isso o Plano Nacional de Banda Larga, anunciado este ano, e que visa criar condições para que todas as cidades brasileiras tenham o serviço de banda larga a preços subsidiados de no máximo R$ 35. É dentro do PNBL que se insere o resgate da Telebrás como provedora da infraestrutura pública de backbones, que constitui parte importante do custo da prestação do serviço de banda larga. Ainda não há resultados concretos do PNBL já que as primeiras 100 cidades a serem atendidas receberão a infraestrutura da Telebrás até o final do ano.

Resumo

1)  A privatização das telecomunicações de FHC foi na verdade a venda das empresas estatais (por pouco mais de US$ 22 bilhões) acompanhada de uma política para a universalização apenas da telefonia fixa. Nada além disso.

2)  O resultado concreto foi a expansão da base de telefone fixo para uma penetração de 22% apenas, ou 43 milhões de linhas (incluindo linhas comerciais e residenciais).

3)  O efeito colateral da política de FHC na telefonia fixa foi uma das tarifas mais caras do mundo e uma assinatura básica, estabelecida em contrato, de pelo menos R$ 35 que as pessoas pagam sem usar o telefone. Com isso, pouca gente tem condições de contratar o serviço e as pessoas usam pouco o telefone.

4)  Em 2003, o governo Lula teve que renegociar os contratos das operadoras para evitar um salto de mais de 30% na tarifa de telefonia, que era indexada ao IGP-DI.

5)  A Telebrás, gerida eficientemente, já vinha apresentando índices razoáveis de crescimento e o de melhoria de seus serviços antes da privatização, entre 1994 e 1998.

6)  Não foi a privatização ou nenhuma política de FHC que trouxe a telefonia móvel para o Brasil. O crescimento aconteceu no mundo todo, em mercados com presença de operadoras estatais e operadoras privadas. A maior prova é que mesmo as projeções do governo ficaram defasadas com o crescimento do mercado.

7)  No governo Lula  se estabeleceram regras que permitiram levar os serviços de telefonia celular a todos os municípios brasileiros. Até então, apenas os centros mais importantes eram atendidos pelas empresas privadas.

8)  No governo FHC não houve nenhuma política de fomento e expansão da banda larga.

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43 comentários

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Daniel Siqueira

31 de outubro de 2010 às 12h44

Interessante o autor der notado todos os problemas atuais que temos com a telefonia, como taxas de conexao, preços de linhas fixas e valor do minuto pré-pago. Mais interessante ainda é que tudo isso pesa contra o governo lula, por nao ter tido interesse ou poder para resolver estes problemas.

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José Mário Comini

27 de outubro de 2010 às 11h24

Muito oportuno e explicativo o texto acima. Concordo com ele porque acabei de entregar uma linha fixa à operadora por não concordar em pagar a assinatura. Moro numa cidade de aproximadamente 30 mil habitantes, o meu bairro dista do centro da cidade mais ou menos 5 km, e pasmem lá não chega a rede da telefonia fixa, todos os seus moradores usam o celular, um absurdo, e ai vem o serra com seus trolólós sobre privatização da telefonia que deu certo. Ora! Será que a Dilma não dispõe de informações sábias como estas? Se não encaminhe para o comando da campanha, para muní-la das informações.

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wmporto

19 de outubro de 2010 às 18h18

Espero que se eleita, Dilma reerga o sistema telebrás, q permita nos vender serviços de qualidade a preço justo.

Responder

IVAIR CESAR

19 de outubro de 2010 às 09h01

O grande problema das empresas públicas no Brasil é que sempre foram, até os dias de hoje, usadas para cumprir compromissos de campanha, ou seja, empregar colaboradores. Qualquer empresa pública se gerida de forma responsavel tem capacidade de dar lucro, como dar prejuizo se só vc pode explorar aquela atividade. O pior de tudo é que todos os investimentos em melhorias foram feitos pelo Governo e depois repassado aos compradores, ainda me lembra de rodar pela BR 153 e ver a instalação das fibras óticas.

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Ismar Acunha Sardá

18 de outubro de 2010 às 23h51

Eu acompanhei as negociações que levaram a privatização da telefonia brasileira, e com efeito ocorreu a expansão pelo desempenho do mercado global, ou seja o PSDB pegou carona no crescimento da telefonia mundial, e pior errou no prognóstico de crrescimento dela aqui no Brasil.Tarifa básica e a interconexão se tornaram inviáveis para a população e os serviços nem se fala.

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Marcio H Silva

18 de outubro de 2010 às 20h08

Continuação:
– Chamamos os dois projetos citados de escola conectada e backhaul. Tiro certeiro do governo Lula ao renegociar a LGT. O backhaul obriga as operadoras a atender os municípios com 10mil, 20mil,……., 50mil habitantes com acesso banda larga. Um projeto ( backhaul ) ajuda o outro ( escolas conectadas ) e se complementam.
– Com a privatização veio o ranço com os antigos trabalhadores e a terceirização em massa dos mesmos, piorando a qualidade ( perdas de benefícios, treinamento, evolução ) e o salário do trabalhador que diminuiu muito. Foi um horror. Fui um dos poucos sobreviventes nesta época. Tive sorte e de alguém lá de cima.
Não temos, em serviço, 190 milhões de celular no Brasil os números são maquiados pelas operadoras. Neste número estão contabilizados e não corrigidos os chips defeituosos, roubados e os sem uso pelos usuários. Estimo no máximo 160 milhões de celular em serviço no Brasil, Hoje.
Sempre foi o 2º melhor negócio do mundo. O primeiro é petróleo.

Responder

Marcio H Silva

18 de outubro de 2010 às 20h08

Está de parabéns o relator da matéria.
Fiz parte disto tudo até ano passado quando me aposentei.
Alguns adendos:
– A tarifa mínima não é R$35,00 é um pouco mais R$ 42,00.
– O sistema funcionava bem na época das estatais, passou a funcionar mal por vontade política para justificar a privataria. Algo como tentaram fazer com a Petrobrás.
– A qualidade do serviço atualmente prestado é muito ruim, haja visto a quantidade de processos na justiça contra as operadoras. Tem muito o que se fazer na area operacional, bastante terceirizada.
– Dos 43 milhões de linhas instaladas, temos hoje em torno de 30 milhões em serviço gerando receita. Ociosidade do fixo alta, em função do custo elevado da tarifa e do fator provocado pela concorrência do celular, que explodiu realmente no Brasil e no mundo. Mas a área de cobertura do celular ainda deixa muito, mas muito a desejar.
– Ticket médio por uso do pré-pago muito baixo no brasil devido ao alto custo do impulso.

Responder

    Marcelo

    21 de outubro de 2010 às 18h23

    Márcio, sinceramente não sei onde vc acha que os serviços de tefonia funcionavem tão bem assim antes da privatização, haja visto e como exemplo, qdo viajamos para o litoral, qq que fosse ele não conseguiamos um sinal de linha para ligarmos para familiares nas festas de final de ano. Os equipamentos instalados no sistema telebrás eram arcaicos, ultrapassados, principal reclamação das operadoras. Não, não acho NADA perfeito, muito pelo contrário, acho sim que deveria haver um controle ainda maior sobre estas empresas, para que fizessem valer um atendimento realmente de qualidade para nós usuários.

    Marcio H Silva

    27 de outubro de 2010 às 19h28

    Caro, até 1985 funcionava bem sim, só tinhamos de serviço de voz é bem verdade, e era muito barato o serviço. Mas o atendimento era feito no máximo em 24 horas. Tinhamos telefone para todos. Havia sempre plano de expansão para atender as demandas de crescimento do mercado. Após a queda do regime, os políticos começaram a interfirir no sistema Telebrás. E após 1989, com intuito de privatizar, congelaram os investimentos no sistema. Menos na BA e MG, onde ACM, rntão Ministro das telecomunicações investiu maciçamente em seu estado e Itamar vice de Collor puxou a brasa para a sardinha de MG. A decada de 90 foi um horror e culminou com a peivatização.

    Renato

    04 de novembro de 2010 às 15h33

    E para ter linha telefonica nós precisavamos vender um carro para comprar uma linha. Que modelo de funcionamento.

    Marcio H Silva

    27 de outubro de 2010 às 19h32

    Quem te disse que os equipamentos eram arcaicos? Tinhamos o CPqD, que desenvolveu Fibra Óptica e equipamento de transmissão e central de comutação digital chamada Trópico R/RA. Tinhamos uma industria que absorvia os desenvolvimentos do CPqD, empresas, como Elebra, NEC, e outras que produziam os equipamentos para o mercado nacional. Eramos um dos ttres paises a produzir cabos ópticos. FHC, destruiu isto tudo. Hoje poderíamos ser um dos paises a produzir e exportar tecnologia.

Claudomiro

18 de outubro de 2010 às 19h52

A Dilma deve usar tais informações nos próximos debates para desmascarar ainda mais o safado.

Responder

Carlos

18 de outubro de 2010 às 17h37

Gostaria de saber, também como efeito colateral, o que foi feito e quais os efeitos do satélite da Embratel ter ido para nas mãos do mexicano Carlos Slim? Ouvi isto pela primeira vez em palestra do Marcos Dantas no Mocecon/Rio.

Responder

aparecido

18 de outubro de 2010 às 16h41

e tem gente que acha que comprar celular de última geração é a maior evolução do sistema de telecomunicação no brasil

Responder

Bad Streaming

18 de outubro de 2010 às 16h23

Até aonde sei, me corrijam se estiver errado, a Telefônica e Portugal Telecom são estatais em seus países. Dizer q estatal é um mal negócio é mentira. Afinal, o problema são modelos de implantação, monopólios estatal e conjunturas de mercado.

Responder

    Marcio H Silva

    18 de outubro de 2010 às 20h18

    Sim são estatais. A deutch telekom da alemanha também. A da França também. A da Itália também.
    A Alcatel, fornecedora de produtos de telecom, tem como controlador o Governo Frances.

    marcelo

    21 de outubro de 2010 às 18h25

    Nos EUA que é considerado como um dos melhores serviços de telecomunicações do mundo todas as empresas são privadas. Lá, qdo vc quer um telefone, vc liga de um orelhão pela manhã e a tarde seu telefone está instalado na sua casa.

    Marcio H Silva

    27 de outubro de 2010 às 19h36

    São privadas, mas jamais serão vendidas para "estrangeiros", o governo não deixa porque é estratégico. O serviço lá também é caríssimo, e nem sempre funciona bem.

    Daniel Siqueira

    31 de outubro de 2010 às 12h40

    mas é exatamente esse o problema de misturar politica com estado. o PT junto com o PMDB e aliados sao os partidos que mais utilizando o aparato publico para acumulo de poder, parar facilitar esquemas de desvio de verbas, trafico de influencia e compra de votos.
    eleja a Dilma e veja como nada disso vai mudar para melhor

Hellynton

18 de outubro de 2010 às 13h10

Por favor, gostaria de fazer um pergunta, existia entre 94 e 95, onde se regulou o sistema para posterior venda a expectativa tecnológica de expansão e do uso residencial/doméstico/individual da Banda larga de internet e celular, no mundo, havia essa previsão de tecnologia ser comercializável em 4 ou 5 anos?

Muito Obrigado

Hellynton

Responder

    Jefferson Alves

    18 de outubro de 2010 às 14h56

    Caro,
    não só havia como em 1994 o próprio Banco do Brasil disponibilizava o sistema de home banking (minimo e com diversos discketes, mas funcional), ou seja, já existia um incipiente mercado tecnologico que demandava soluções. Ademais, ao delinear politicas como as de telecomunicações não se pode pensar no curto prazo, deve-se ter em mente as necessidades dentro de 20, 30 anos, bem como a possibilidade de incorporação ao modelo de todas as tecnologias já disponiveis ou que venham a ser criadas.

Porsani

18 de outubro de 2010 às 13h10

Sugiro ao autor inserir na analise o que significou a privatização para o indústria brasileira do setor , qual o impacto na balança comercial e o modelo de desenvolvimento tecnológico. Se acrescentarmos estes três pontos veremos que o modelo de privatização de FHC/Serra não tinha estratégia de desenvolvimeto para o país. Simplesmente venderam um patrimônio e jogaram a sorte do avanço tecnogico os resultados para o setor. Precisamos de uma nova política de telecom para o País. Se tivessemos mantidos os investimentos da Telebrás nos anos anteriores ao da privatização com certeza teríamos uma situação melhor do que temos hoje, com empresas nacionais fortes e Centros de Pesquisas do segmento colocando o Brasil no grupo seleto de desenvolvedores para o setor. Hoje somos apenas consumidores de Telecom.

Responder

Zilda

18 de outubro de 2010 às 12h49

Muito esclarecedor o post do Guilherme. Tirou as dúvidas e colocou as coisas nos seus devidos lugares para que os defensores da privatização das telecomunicações deixem de criar ilusões e vendê-las à população. Para mim, só faltou esclarecer o perigo que representa para um país o sistema de comunicações estar nas mãos de estrangeiros. Já pensou se as concessionárias resolvem, por algum motivo drástico, por exemplo, guerra, fazer um blackout em nosso país. Ficaremos isolados e sem condições de saber o que realmente está acontecendo no mundo.

Responder

    Marcio H Silva

    18 de outubro de 2010 às 20h16

    Concordo. Telecom ( informação ) e Petróleo ( energia ) é estratégico para qualquer país. Só os tucanos que não querem ver isto.

Acácio F C Oliveira

18 de outubro de 2010 às 12h39

O valor da privatização das telecomunicações não incluiu as chamadas "moedas podres"?

Responder

Acácio F C Oliveira

18 de outubro de 2010 às 12h36

O valor da privatização das telecomunicações não incluiu as chamadas "moedas podres"?
– Isto reduziu em muito os recursos arrecadados.
Para completar, o BNDES financiou as transferências, do público para o privado.

Responder

Camilo

18 de outubro de 2010 às 12h22

A grande expansao ocorreu com a chegada da centrais digitais graças a empresas como Ericsson, Siemens, Alcatel , e não aos Tucanos , porque nao discutem sobre as empresas de energia privatizadas que nos levaram ao sucateamento e apagão ..

Responder

    Marcio H Silva

    18 de outubro de 2010 às 20h15

    Tinhamos no Brasil, as centrais TROPICO R e RA, desenvolvida pelo CPqD ( campinas ) que os tucanos detonaram também. "Mataram" nossos cerebros.
    Tínhamos o unico centro de pesquisas tecnológico da américa latina e FHC matou.
    Quase matou a EMBRAPA também, mas até hoje não sei porque voltaram atrás.

    Gerson S.

    04 de novembro de 2010 às 10h05

    Muito boas suas explicações, mas ainda tem o componente anterior, que era já preparação para privatizar, imposto pelo FMI, que PROIBIA que o governo investisse na TELEBRAS para expandir o sistema e oferecer telefonia universalizada. E o modelo de capitalização que foi feito, vendendo ações pulverizadas para o comprador de telefone fixo, foi algo genial, pois capitalizava para investir mais à frente na expansão. Isto também foi cortado pelas imposições do FMI na época das renegociações de dívidas. E os governos arrecadavam as tarifas e desviavam os recursos próprios do sistema, para pagamento de encargos da dívida mobiliária. Enfim, foi um processo de doação gestado por longo tempo em v'érios governos e não trouxe aquela maravilha toda. Exceto apra o PIG que se esmera em tentar passar que po sitema de telecomunicações é o melhor do mundo e o mais barato, GRANDE FALÁCIA.

    mariano

    18 de outubro de 2010 às 22h52

    Concordo plenamente e acrescento que a expansão do uso dos serviços de telefonia se deu não em função da privatização do setor, mas do desenvolvimento das tecnologias de telecomunicações que, indiferente de encontrar um ambiente estatizado ou privatizado do setor, teria ingressado da mesma forma no mercado brasileiro até mesmo em decorrência da necessidade de o país não ficar isolado no mundo em relação às demandas da comunicação e da informatização, especialmente em se considerando que as empresas que adquiriram nossas estatais são em sua maior parte também estatais. Quanto à qualidade dos serviços destaque-se que lideram todos os outros em termos de reclamações dos usuários, cobertura, e, principalmente, preço. Acredito que são pontos que deveriam ser usados para se contrapor à visão apregoada pelos tucanos de a privatização da área das teles foi um um exemplo que deu certo.

Felipe

18 de outubro de 2010 às 11h56

O texto é excelentemente esclarecedor. Só faltou o autor apresentar-se.

Responder

Ivan Arruda

18 de outubro de 2010 às 11h05

Azenha, é preciso lembrar dos altos investimentos em satélites, fibras óticas e equipamentos com enorme endividamento para o governo. Socializaram custos e prejuízos enquanto o lucro era privatizado.
Em defesa do que ocorreu convém não nos esquecermos de que o reajuste das tarivas públicas era um parto. Como a nossa justiça não sabe fazer contas, digamos assim, o reajuste era na base de 70% da correção monetária, era um marco nas decisões. Ou seja, não cobria nem as altas dos custos que tinha no dólar, a base das operações mercantis, quanto mais criar mecanismos para expansão.

Responder

jacc

18 de outubro de 2010 às 10h53

Prezados

Trabalhei no sistema TELEBRAS na década de 80 e era flagrante o descaso do governo com o setor, na época. Investimentos pífios, sucateamento da base instalada, etc. É só verificar com quem estava lá na época. A "administração" ACM foi o preparativo para a privatização, pois deixou o sistema tão ruim que quase não havia alternativas.

Responder

Marco

18 de outubro de 2010 às 10h26

Texto muito bom, mas discordo do trecho que diz que entre 94 e 98 a Telebrás não foi uma empresa agressiva do ponto de vista de investimentos, já que se sabia que ela seria vendida em algum momento.

O livro "O Brasil privatizado" de Aloysio Biondi mostra que foram investidos 20 bilhões neste período já sabendo que a empresa seria vendida.
Como a Telebrás foi vendida por 22 bilhões, o valor efetivo apurado na venda ficou em 2 bilhões (sempre é bom lembrar deste detalhe importante).

Sobre a privatização da telefonia brasileira, destaco outros dois excelentes posts do Viomundo publicados em 2009: https://www.viomundo.com.br/arquivo/buraco-negro/ahttps://www.viomundo.com.br/arquivo/voce-escreve/p

Fora do assunto:
Texto recente sobre o risco de se eleger um contador fiscalista como presidente. http://www.rumosdobrasil.org.br/2010/10/17/o-exte

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    Marcio H Silva

    18 de outubro de 2010 às 20h10

    Só no RJ teve investimentos, já que o governo federal Congelava o RJ por ter governos de oposição. Teve muito investimento no RJ para recuperar a Telerj e prepara-la para privatizar, mas foi muito menos que 20 vilhões.

Reinaldo C. Zanardi

18 de outubro de 2010 às 10h19

O problema do modelo neoliberal é que muitos defendem a ausência do estado ( o estado mínimo) quando este precisa regular o mercado. Na prática, o empresário neoliberal brasileiro gosta de terreno doado pelo poder público e insenção de impostos a perder de vista. Assim é fácil ser empresário. O estado não se mete quando ele ganha muito dinheiro e socorre quando há crise ou o empresário quer expandir seus negócios, com o dinheiro do contribuinte.

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    Marcio H Silva

    18 de outubro de 2010 às 20h11

    Os banqueiros de wall street também. Neoliberalismo em qualquer parte do mundo, só beneficia os ricos.

Adriano Meirelles

18 de outubro de 2010 às 10h12

Só mais uma importantíssima nota: A tarifa da telefonia móvel do Brasil é a mais alta dentre todos os países emergentes! A pesquisa foi feita pela ONU, com dados a partir da Nokia. Mesmo o Brasil batendo todos os recordes de penetração e assinantes, inclusive de países europeus e dos EUA.
http://diariodonordeste.globo.com/noticia.asp?cod

e pensar que há 2 meses eu pagava 5 EUROS ao mês para falar, enviar sms e mms, além de ter acesso ao twitter e facebook…. tudo ILIMITADO!!!

prefiro continuar com meu "pai de santo", que é um assalto à mão armada que posso controlar.

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Lucas

18 de outubro de 2010 às 08h57

Sinceramente, eu fico indignado com a forma que o PSDB levanta a bandeira do triunfo com relação à privatização da telefonia brasileira. É de uma maneira hipócrita que eles usam um fato que aconteceu no mundo inteiro (a expansão da telefonia e o desenvolvimento natural das empresas) para se autopromoverem como sendo um resultado excepcional de seu “brilhante feito”. Claro, não se pode esperar mais do que isso vindo de um partido que quer acabar com o Brasil vendendo tudo e mais um pouco daquilo que o povo ajudou a construir. PS: brilhante exemplo do celular “pai de santo”.

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Kadu

18 de outubro de 2010 às 07h53

Vejam o artigo do portal do Instituto Telecom sobre as privatizações em telecom:
http://www.institutotelecom.com.br/index.php?opti

Kadu

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Raoní Beltrão

18 de outubro de 2010 às 06h38

Excelente artigo, corrobora argumentos defendidos faz muitos anos por mim e todas e todos que foram e são contra as privatizações. Mas a classe média urbana parece recusar-se a acreditar no óbvio….

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Nilva

18 de outubro de 2010 às 05h27

O próprio Bresser Pereira sempre foi contra a privatização da telefonia e me parece que num recente artigo da FSP, corrobora esta análise feita pelo Hanesh.

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boniboni

18 de outubro de 2010 às 05h12

Eu que nunca fiz uma análise minuciosa já sei, pela própria experiência e percepção superficial, que a privatização das telecomunicações foi uma piada, principalmente no argumento dos celulares. Pagamos dentro de sistemas de tarifas absurdos e tudo conspira em favor das multinacionais e não do verdadeiro mercado de competição.

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