Por Gerson Carneiro*
Todos os dias há casos e casos de mulheres assassinadas por homens covardes que não sustentam um NÃO. Cada caso mais horripilante, mais brutal, que o anterior.
Passei por um abrupto divórcio. Foi a coisa mais dura pela qual passei.
Imagina você entrar em um cartório, assinar um papel, e a partir dali, por decreto, ser obrigado a deixar de amar. Nem na morte da minha mãe e na morte do meu pai, eu sofri tanto.
Apesar de toda crueldade fática, eu não ofereci resistência. Não briguei, não discuti, não bati boca. Aceitei o fato, respeitei a decisão, e fui viver a dor e o luto.
Em momento algum cogitei violência.
Eu só pensava em ficar bem e sair daquele abismo.
É a primeira vez, em oito anos, que publicamente menciono essa minha intimidade.
E faço em razão da absurda explosão de feminicídios. Faço para dizer que homem de verdade suporta um NÃO de uma mulher, sem apelar para violência.
Quem mata mulher por não suportar um não, é burro e covarde.
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Sigo, íntegro.
Em tempo: Se você ou alguém que você conhece está passando por uma situação de violência, procure ajuda: Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) para orientação e denúncias. Em casos de emergência, ligue 190 para a Polícia Militar.
*Gerson Carneiro é leitor de Viomundo.
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