Filho de Teori: “Torço para ter sido acidente mesmo, não gostaria de ser órfão de pai assassinado”

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Teori pai e filho

“A questão é o que o movimento (contra Lava Jato) seria capaz de fazer”, diz filho de Teori

do GGN, 20/01/2017

Jornal GGN – O advogado Francisco Prehn Zavascki, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki, disse à Rádio Estadão, na manhã desta sexta (20), que seria “muito ruim para o País ter um ministro do Supremo assassinado” e que a “questão” é saber o que o movimento contrário à Lava Jato teria coragem de fazer para frear as investigações.

Teori faleceu na tarde de ontem, vítima de um acidente aéreo na região de Paraty (RJ). Francisco, que em maio passado havia postado na internet que algo poderia ocorrer com sua família em função da Lava Jato, pediu uma investigação para revelar a “verdade” por trás do acidente.

“É preciso investigar a fundo e saber se foi acidente ou não, que a verdade venha à tona seja ela qual for”, afirmou à Rádio Estadão.

Segundo o advogado, “não deu tempo para pensar com mais calma nisso, mas não podemos descartar qualquer possibilidade. No meu íntimo, eu torço para que tenha sido um acidente, seria muito ruim para o País ter um ministro do Supremo assassinado.”

Ele voltou a dizer, como na publicação no Facebook – deletada após repercussão na mídia – que “seria infantil dizer que não há movimento contrário, agora a questão é o que o movimento seria capaz de fazer.”

Francisco ainda disse que Teori estava concentrado na homologação da delação da Odebrecht. O pacote com 77 acordos de cooperação estava previsto para ser liberado para investigação em fevereiro. A Procuradoria Geral da República havia pedido ao relator da Lava Jato no STF o fim do sigilo das denúncias no momento da homologação.

“Ele tinha perfeita noção do impacto que tem no País e que isso poderia realmente fazer o País ser passado a limpo”, disse Francisco.

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Segundo dados do Estadão, o velório do corpo do ministro vai ser realizado na sede do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, a pedido da família.

Data e horário ainda não estão definidos.

O Ministério Público Federal e a Polícia Federal já comunicaram que abriram processos para apurar as causas do acidente.

teori acidente

‘Ele demonstrou preocupação com o que vinha’, diz filho de Teori Zavascki

Francisco se refere à homologação da delação de executivos da Odebrecht.

Igor Grossmann e Bernardo Bortolotto, no G1

O ministro Teori Zavascki vinha demonstrando “preocupação com o que tinha para acontecer” por conta das informações a que teve acesso, diz Francisco Prehn Zavascki, filho do magistrado. Teori, que morreu na quinta-feira (19) na queda de um avião em Paraty, estava prestes a homologar a delação da Odebrecht na Operação Lava Jato.

“Ele demonstrou bastante preocupação com o que vinha. Ele realmente estava muito preocupado com o que tinha para acontecer. Ele teve acesso a informações que tinham deixado ele bastante preocupado com o futuro das coisas”, afirmou Francisco ao receber a reportagem do G1 em seu escritório no bairro Boa Vista, na Zona Norte de Porto Alegre, na manhã desta sexta-feira (20).

O filho do ministro do STF diz que, em conversa recente, o pai não falou sobre particularidades das delações. Francisco lembra que Teori era uma pessoa reservada, mas que tinha todo o processo da Lava Jato na cabeça.

“Ele não entrou em detalhes, só realmente demonstrou preocupação. Por isso, ele queria fazer [a homologação] o mais rápido possível, dar início início às investigações e cumprir o papel dele. Ele tinha todo o processo na cabeça. Toda a estratégia de como seguir daqui a diante. Acho que se perde uma quantidade de informação muito grande”, pontuou.

Agora, a homologação das delações premiadas pode sofrer atraso até que seja designado um novo relator para tratar dos processos contra políticos no Supremo Tribunal Federal.

Especulações sobre morte

Indagado sobre as especulações acerca da morte do pai, Francisco afirma que “seria leviano” fazer qualquer conclusão, e deixa para a investigação as conclusões sobre as circunstâncias da morte de Teori. Entretanto, sentencia: “não gostaria de ser órfão de um pai assassinado”.

“Seria muito ruim para o país, extremamente pernicioso que se imagine que um ministro foi assassinado. Que um juiz, seja ele de primeira instância, seja ele do Supremo Tribunal Federal, seja assassinado por causa de um processo que julgue”, afirmou para, então, finalizar com a afirmação que “eu torço para que tenha sido uma fatalidade, que tenha chegado a hora dele”.

O acidente

O avião prefixo PR-SOM era um modelo Hawker Beechcraft King Air C90 e pertencia ao grupo Emiliano Empreendimentos. De pequeno porte, tinha capacidade para oito pessoas.

Segundo a Infraero, a aeronave decolou às 13h01 do Campo de Marte, em São Paulo, com destino a Paraty, e caiu próximo à Ilha Rasa, a 2 km de distância da cabeceira da pista do aeroporto da cidade fluminense. O acidente ocorreu por volta das 13h45.

Ainda não está totalmente claro o que ocorreu. Chovia bastante no momento do queda, segundo imagens de radar. O mau tempo é um fator que pode comprometer a aproximação do aeroporto de Paraty, em que as aterrissagens só podem acontecer em condição visual.

Testemunhas disseram que não houve explosão. Uma delas afirmou ter visto o avião voando baixo ao fazer uma curva e batendo uma das asas no mar.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que a documentação da aeronave estava regular. O certificado era válido até abril de 2022, e inspeção da manutenção (anual) estava válida até abril de 2017.

O piloto Osmar Rodrigues, de 56 anos, era conhecido por ser “muito cuidadoso” e chegou a dar palestra para outros pilotos sobre como fazer a rota São Paulo-Paraty, segundo informações do Bom Dia Brasil.

Investigações

A apuração das razões técnicas que contribuíram para o acidente, como a influência do mau tempo, da aeronave e do piloto, ficam a cargo do Cenipa, que esteve no local da queda na quinta-feira. Ministério Público Federal (MPF) e Polícia Federal (PF) irão apurar se houve eventual intenção deliberada de derrubar o avião.

O MPF de Angra dos Reis, no litoral sul do Rio de Janeiro, abriu inquérito a respeito. A responsável é a procuradora da República Cristina Nascimento de Melo.

Na PF, o inquérito está sob responsabilidade do delegado chefe da corporação em Angra, Adriano Antonio Soares. O policial aguarda a chegada em Angra de um grupo da PF de Brasília, especializado em acidentes aéreos.

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