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Fátima Oliveira: E as mulheres?


27/04/2010 - 08h17

A imoralidade das propostas de candidaturas de “biscuit”

O recado é: chega de Lei de Cotas só no papel!

FÁTIMA OLIVEIRA, em O Tempo

Médica – [email protected]

Com duas candidatas à Presidência da República, Dilma Rousseff e Marina Silva, a tendência é pensar que os partidos progressistas terão a decência de investir mais em candidaturas de mulheres. Não daquele tipo só para cumprir a lei de cotas de 30% para mulheres e, sem pudor, levá-las ao sacrifício e a vexames eleitorais, numa atitude de dupla moral. A demonstração do empenho de eleger mais mulheres é o rótulo de “prioridade de campanha”. O resto é conversa fiada.

Eis uma manchete reveladora: “Partidos buscam mulheres para preencher cota de 30% de candidaturas”. O conteúdo fala de caça às mulheres – como se elas estivessem fugindo da raia por analfabetismo político! “Os partidos estão à procura de candidatas para compor as chapas às Assembleias Legislativas e à Câmara dos Deputados. Embora mais da metade da população do país seja do sexo feminino, faltam aspirantes à política. A julgar pela vã batalha retórica empreendida por líderes partidários na tentativa de cooptá-las, neste pleito, assim como em 1998, 2002 e 2006, as chapas mal conseguirão integrar 15% de participação feminina”.

Após elencar desculpas rotas e esfarrapadas de figuras como Roberto Freire (PPS), o deputado federal Rodrigo de Castro (secretário nacional do PSDB) e o deputado federal Reginaldo Lopes, presidente do PT mineiro, a matéria chega ao âmago da questão: “Motivos para resistir aos apelos, elas têm”. Dizer que faltam aspirantes femininas à política é um raciocínio machista ilimitado. É muita desfaçatez que só às soleiras das eleições comecem a “caçada”, 13 anos após a Lei de Cotas (lei federal nº 9504/97)! Donde se deduz que os partidos em geral passam ao largo da seriedade no tocante à justiça de gênero.

“Algumas revelam experiências frustrantes e repassam suas histórias em família e entre amigos. A cabeleireira Izabel Lina Alves, 45, guarda triste experiência de sua aventura eleitoral, quando concorreu pelo PTN a uma cadeira na Assembleia Legislativa mineira. ‘Prometeram-me recursos para bancar a campanha e fui dando cheques pré-datados. No fim, estava endividada e só. Por isso, não pretendo voltar à política. A estrutura dos partidos está a serviço da eleição de uns poucos. E, em geral, homens”.

O que disse Izabel é voz corrente, de cabo a rabo, nos sentidos norte-sul: da nascente do rio Ailã, no monte Caburaí (RR) à barra do arroio Chuí (RS); e de oeste-leste: da nascente do rio Moa, na serra da Contamana (AC) à ponta do Seixas (PB); até o extremo leste absoluto (ponta sem nome na ilha do sul do arquipélago de Martim Vaz). E isso não significa nada para os partidos? A matéria entrevistou a chefe do Departamento de Ciência Política da UFMG, Marlise Matos, que desmontou o discurso demagógico da quase totalidade dos partidos brasileiros quando o assunto é viabilizar candidaturas femininas.

Pontuando que, quanto à presença de mulheres em cargos eletivos, a situação do Brasil é vergonhosa – décima posição mundial, com 8,8% de cadeiras na Câmara dos Deputados -, ela declarou que “nesse conjunto de 137 países estudados pela Inter-Parliamentary Union, o Brasil se iguala, por exemplo, aos países árabes, que também têm cerca de 9% de representação feminina” (Bertha Maakaroun e Ricardo Beghini, “Correio Braziliense”).

Resumo da opereta: não faltam mulheres que desejam se candidatar, mas a maioria tem coragem de dizer não às propostas indecentes de candidaturas de “biscuit”.

O recado é: chega de Lei de Cotas só no papel!

Publicado em: 27.04.2010

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25 comentários

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Sexismo na política digital do twitter | Viomundo - O que você não vê na mídia

01 de maio de 2010 às 21h35

[…] Com a luta das mulheres essas diferenças salariais desfavoráveis às mulheres vem caindo, mas ainda é preciso políticas para intervir na situação de clara desigualdade construída historicamente. Entretanto, no Brasil somos sub-representadas na política como bem informou o artigo de Fátima de Oliveira: “E as mulheres?” que pode ser lido aqui. […]

Responder

ANTONIO ATEU

28 de abril de 2010 às 14h15

que o mundo seja feminino sem ser capitalista. tenho dito. pois alguem já dizia isso.

Responder

Carlos

28 de abril de 2010 às 11h55

"Botar grana, minha senhora! É disso quee stamos falando. "
Êpa!

Responder

Gilberto Torres

28 de abril de 2010 às 11h55

O artigo retrata uma realidade cruel da vida das mulheres na política. Acredito que, ou as mulheres tomam mesmo a decisão de dizerem não aos pedidos para que se candidatem ou os partidos não se corrigem.

Responder

Melissa Costa

28 de abril de 2010 às 01h53

Quem vota em gente como Kátia Abreu é porque pensa como ela. É voto consciente e sabedor de que lado está. E isso não é crime. Ou por acaso é e eu não estou sabendo? Nós da esquerda precisamos saber respeitar outras ideias, mesmo que elas sejam contrárias às nossas, desde que não atentem contra a liberdade e a democracia. O partido da Kátia Abreu não está na ilegalidade. É coberto pela lei brasileira. Ou estou enganada? Lutar contra as ideias da Kátia Abreu é colocar o pé pra amassar barro meu senhor. Mas como tem gente que só faz política virtual…

Responder

Milton Hayek

28 de abril de 2010 às 00h34

Para as mulheres o mínimo começa com Vinícius de Morais:
http://www.releituras.com/viniciusm_haver.asp

O Haver

Vinicius de Moraes

Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
– Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido…

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.

Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada…

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.

15/04/1962

A poesia acima foi extraída do livro "Jardim Noturno – Poemas Inéditos", Companhia das Letras – São Paulo, 1993, pág. 17.

_______________________

Responder

Melissa Costa

28 de abril de 2010 às 01h53

Jairo Beraldo, e o que você acha? Por que não teve a delicadeza de emitir a sua opinião antes para fomentar o debate? Você quer debater ou quer arguir as mulheres? Kátia Abreu é uma mulher muito rica e não depende de dinheiro partidário para fazer a sua campanha. Kátia Abreu faz campanha onde quiser e na hora em que quiser. E contrata o tanto de gente que quiser para fazer a campanha dela. Ela recebe votos de gente que pensa como ela. Ou você acha que há gente que não pensa como ela? Não é que as pessoas que votam em gente como Kátia Abreu são INCONSCIENTES OU ANALFABETAS POLÍTICAS. Deixemos de bobagem.

Responder

Laura Carvalho

27 de abril de 2010 às 22h52

Porque 30% mulheres e 70% tem que ser macho! Qual a razão? Não deveria nem existir lei de cotas. "adotar políticas de promoção e de apoio às mulheres, para que elas pudessem concorrer de forma mais igual". Penso que essa lei é racista e homofóbica e deveria ser revogada. Não necessitamos de protecionismo. Temos que ter atitude.

Responder

Melissa Costa

28 de abril de 2010 às 01h18

Sr. Juiz, realmente você não é uma Mulher do PT e nem tem procuração para falar em nome delas. A vida das mulheres no PT não é fácil. É de muita luta. E por que será? A dos negros também não! E por que será? Pense! Cabeça não é só pra servir de caminho pra piolho não.
Por outro lado, considero uma conquista da peleja das mulheres brasileiras na política que tenhamos duas candidatas como Marina Silva e como Dilma Roussef concorrendo a presidência da República. É uma vitória da luta pela democracia que as três candidaturas sejam no campo que não é a direita mais profunda e troglodita. Que não tenhamos nenhum "caiado" da vida concorrendo. O cenário democrático é de tanto avanço que essa gente não teve sequer coragem de concorrer. Você não acha que isso tem significado para a democracia? Pois tem! E muito.Sr. Juiz, deixe seu proselitismo de lado e leia a realidade com lentes que a mostrem melhor e com mais fidelidade.

Responder

    @jruiz31

    28 de abril de 2010 às 15h51

    Oi Melissa, não é Juiz, é JRuiz, abreviação de José Ruiz, meu nome. Você acha que minha cabeça só serve de caminho para piolho? Porque? Porque não concordo com a tese defendida no texto? Faz parte, é meu ponto de vista… não tem nada a ver com "não saber pensar"…

    Por outro lado, quando você solta a seguinte frase: "O cenário democrático é de tanto avanço que essa gente não teve sequer coragem de concorrer", querendo argumentar que todas as candidaturas são do campo de esquerda, mostra que há uma certa miopia aí. Dilma é uma candidata de centro-esquerda. Serra e Marina são candidaturas de direita, e todos os trogloditas estão muito bem representados nestas eleições.

    Se você não consegue enxergar isso, deixa claro a falta de intimidade com o jogo que defende para as mulheres (supostamente para você também).

    Por outro lado, como você mesmo chamou atenção acima, se vamos ter cotas para mulheres (e temos), porque não para negros? Homossexuais? Índios? Enfim, tem muita gente fora desse jogo… E aí insisto na minha própria (pessoal) tese: não adianta cota. Política é uma questão de liderança e liderança se constrói, não adianta nomear, ainda mais em partidos democráticos… é completamente diferente das cotas nas universidades (que sou totalmente a favor).

    Se quer chegar lá, esqueça as cotas. Quantas pessoas te seguem atualmente? Essa é a pergunta. Mire-se no exemplo de várias mulheres que construíram um nome neste "universo masculino". O resto é papo…

Melissa Costa

28 de abril de 2010 às 01h12

Por que poucas mulheres se elegem? Porque os partidos investem pouco. Mas como é que funciona esse lançamento de campanha na sociedade que a gente vive? Não é público. O Brasil não é público, é privado. Quem é a maior parte dos empresários que tem recursos? São mulheres? São homens! Como é a relação de uma mulher pedir dinheiro para um homem? É igual de um homem pedir para outro homem?" [Deputada fededal Manuela D'Ávila (PCdoB-RS)]

Responder

Milton Hayek

28 de abril de 2010 às 00h43

E o bom e velho Roy Orbison também:

Roy Orbison-She´s A Mystery To Me-Tradução
http://www.youtube.com/watch?v=tgDgBLfXK_g

Hoje me deu uma saudade brutal da minha patroa.A noite vai ser de cachaça por aqui…

Responder

Milton Hayek

28 de abril de 2010 às 00h34

Para as mulheres o mínimo começa com Vinícius de Morais:
http://www.releituras.com/viniciusm_haver.asp

O Haver

Vinicius de Moraes

Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
– Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido…

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.

Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada…

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.

15/04/1962

A poesia acima foi extraída do livro "Jardim Noturno – Poemas Inéditos", Companhia das Letras – São Paulo, 1993, pág. 17.

_______________________

Responder

francisco.latorre

28 de abril de 2010 às 00h29

desculpalá fátima..

as mulheres tem que buscar..

quando buscam.. sempre conseguem.

mulheres mobilizem as mulheres.

..

os machos demagogos vão rebolar.. denunciando o machismo.

papinho furado.

mulheres mobilizem-se.

..

ps. sou das mulheres.

por isso mesmo dispenso a demagogia.

mulheres conquistem.

a bagaça excludente exclui mesmo.

lutem.

..

Responder

Jairo Beraldo

27 de abril de 2010 às 22h20

Só que antes,voces mulheres tem que fazerem o jogo da eleição feminina.Ou voce acha que foram as esposas dos fazendeiros de TO que elegeram a Kátia Abreu?

Responder

@jruiz31

27 de abril de 2010 às 21h36

Nos partidos que eu conheço, em especial o PT, cada filiado tem um voto. Não tem essa de sexo… O dia que as mulheres quiserem participar ativamente da vida política, como muitas já fazem, devem "colocar a cara na janela" e ocupar seu espaço… não precisam da proteção de cotas… Vale lembrar também que candidato tem história, não adianta "pular de para-quedas" em época de eleição. A pergunta que deve ser feita é como as mulheres estão participando agora dos movimentos sociais: é essa participação que abrirá espaço (pelo menos nos partidos progressistas) no futuro.

Também é preciso fazer uma separação qualitativa das candidaturas Dilma e Marina. Colocar tudo no mesmo saco como "conquistas" das mulheres é um equívoco. A Dilma é uma militante histórica do PT, é uma das principais articuladoras do governo Lula, tem uma enorme capacidade de gestão, conquistou seu espaço e foi eleita no PED do PT, ainda que apadrinhada pelo presidente (que tem todo o direito de cacifar quem ele quiser).

A Marina está um bibelô no PV, que nem eleições internas tem. No PV é a executiva nacional quem diz quem será candidato e a que cargo. O PV tem dono. Eles estão usando a Marina para escapar da cláusula de barreira que quase extingüiu o partido nas últimas eleições, assim como estão aproveitando o nome que ela construiu ao longo de anos no PT para servir de moeda de troca em cargos públicos. Confundir a estrutura do PT com a do PV é um absurdo…

No mais, acho que esse sexismo não ajuda em nada as mulheres e enquanto os partidos tiverem que correr atrás delas para cumprir cota elas não serão reconhecidas pelo valor que realmente têm.

Responder

Carlos

27 de abril de 2010 às 20h02

Das três candidaturas presidendiais já postas, duas são de mulheres.
Que tal fato marque o início de uma arrancada na participação política das mulheres.

Responder

Ari Silveira

27 de abril de 2010 às 18h29

Na minha opinião, essa cota de 30% para mulheres não faz sentido. Só teria lógica se a cota fosse proporcional à participação do grupo representado no total da sociedade. No caso das mulheres, que são pouco mais de 50% da população, a cota deveria ser de, no mínimo, 50%. Cotas étnicas e sociais deveriam seguir o mesmo princípio.

Responder

Mariana Rodrigues

27 de abril de 2010 às 18h23

Lembro-me bem que, embora não estivesse na Lei de Cotas, havia um consenso ético de que os Partidos deveriam adotar políticas de promoção e de apoio às mulheres, para que elas pudessem concorrer de forma mais igual. Mas deixam-nas ao léu e endividadas, porque raramente nos partidos de esquerda elas são as candidaturas prioritárias. Não é de espantar que não queiram ser candidatas em condições tão adversas.

Responder

Carlos

27 de abril de 2010 às 18h02

Fátima
Senso comum: toda atividade política é suspeita /interesseira, todos e todas que buscam mandatos querem mesmo é "se ajeitar"…
Tal fato tem algum reflexo mais direto entre as mulheres no sentido de afastá-las da política?
Mulher vota em mulher?

Responder

Vera Silva

27 de abril de 2010 às 17h38

É isto Fátima. Você disse tudo.
Não dá para tapar o sol com a peneira. Se os partidos querem combater a desigualdade, comecem por eleger as mulheres filiadas para a diretoria dos partidos: presidência, vice-presidência etc. Comecem a eleger as mulheres para a direção da Câmara Federal, do Senado, das Câmaras Estaduais e Municipais. Comecem a lançar as mulheres como candidatas a Prefeitas e a Governadoras.
O resto é conversa para boi dormir.

Responder

Alexandre Tambelli

27 de abril de 2010 às 16h42

(continuação) E por quê? O que é mais fácil: 40% de cabos eleitorais femininos buscarem votos para 15 mulheres ou 60% de cabos eleitorais masculinos buscarem votos para 85 homens? Outra constatação: o que é menos custoso (R$) – realizar campanha para 15 ou 85 pessoas? Esta constatação equilibraria o menor orçamento, que é provável, para as candidatas mulheres. Afinal os recursos angariados para campanha das mulheres seriam divididos entre 15 candidatas; já os angariados pelos homens seriam divididos entre 85 candidatos. Se as 40% de filiadas angariassem 200 mil reais para a campanha e os 60% de filiados 1 milhão de reais (5 vezes mais), as mulheres, mesmo assim teriam mais dinheiro para dividir entre as candidatas em suas campanhas individuais: + ou – 13.300 para cada candidata, contra 11.700 para cada candidato. O mais importante não é quantidade de candidatos masculinos ou femininos, seria justa uma distribuição igualitária, e sim, o poder de ganhar votos da(o) candidata(o), e o que vale é ser eleita(o).

Responder

Alexandre Tambelli

27 de abril de 2010 às 16h41

Total apoio ao investimento dos partidos políticos em quadros femininos para os cargos políticos no Brasil! Lembrando que na eleição 2010 temos, entre os 3 (três) principais candidatos à Presidência da República, 2 (duas) mulheres! Seria justo, através de uma campanha de conscientização, incentivar as mulheres ao voto nas mulheres, não é verdade?! Algumas candidaturas femininas dos partidos X, Y, Z, etc. poderiam ser encampadas pelas mulheres e simpatizantes femininas desses partidos, fazendo uma campanha redobrada para elas se elegerem. Imaginemos que o partido X tenha 100 candidatos a Deputada(o) Federal, destes, 15 são mulheres e imaginemos, também, que o partido costuma eleger 30 deputados(as) por eleição. Imaginemos ainda que 40% dos(as) filiados(as) deste partido sejam mulheres. Se elas, os 40%, batalharem para eleger as 15 candidatas mulheres do partido terão uma grande chance de elege-las, mesmo que o partido disponibilize apenas 15 vagas às mulheres para concorrer à eleição.

Responder

Gerson Carneiro

27 de abril de 2010 às 12h18

“Partidos buscam mulheres para preencher cota de 30% de candidaturas”

Mais que reveladora é desanimadora, a manchete. Ideal fosse que convidassem mulheres para de fato concorrer, ganhar e efetivamente assumir cadeiras na carreia política. Antes, porém, a carreira política deve ser atraente e estimulante no sentido de decência, de efetividade em fazer valer o interesse público. Em assim se tornando não carecerá de buscas nem convites, as mulheres por si marcarão presença. Do contrário, a carreira política continuará sendo um restrito negócio de família (prevalecendo os machos, ainda assim). Chega de cotas!

Responder

    Mariana Rodrigues

    27 de abril de 2010 às 19h06

    Por que poucas mulheres se elegem? Porque os partidos investem pouco. Mas como é que funciona esse lançamento de campanha na sociedade que a gente vive? Não é público. O Brasil não é público, é privado. Quem é a maior parte dos empresários que tem recursos? São mulheres? São homens! Como é a relação de uma mulher pedir dinheiro para um homem? É igual de um homem pedir para outro homem? Nunca fui desrespeitada. [Deputada fededal Manuela D'Ávila (PCdoB-RS)]
    As mulheres e a política: realidades e mitos http://www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=3807


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