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Fátima Oliveira: “Ah, pode dar uma olhadinha aqui?”


27/08/2013 - 11h05

Comportamento bipolar e parasitário sobre a “riqueza” de médicos

por Fátima Oliveira, em O TEMPO

Médica – [email protected] @oliveirafatima_

Fico abismada quando leio matérias que dizem que todas as pessoas que são médicas não trabalham e só querem se encher de dinheiro sem trabalhar; e que as pessoas que querem ser ou que são médicas querem apenas ganhar dinheiro.

Nas soleiras da aposentadoria, tenho a honra de dizer que nunca faltei, nem sequer cheguei atrasada em toda a minha vida laboral. Em nenhuma profissão as pessoas são iguais, por que deveriam ser em medicina? Ganhar dinheiro com o suor do próprio trabalho nunca foi crime ou pecado, mas parece que para quem faz medicina é! Em tempo: não sou pobre, mas não enriqueci!

Será que confundem o exercício da medicina com sacerdócio de graça, que não existe em nenhuma religião, ou “profissão de fé” de não receber pelo trabalho realizado? Ou é má-fé inominável? Num país capitalista os salários são regulados pelo mercado. Assalariados não impõem quanto vão ganhar, por que só médicos teriam de dizer que querem menos do que paga o mercado, que aqui é majoritariamente precarizado: sem carteira assinada e sem concurso público?

Os planos/convênios de saúde ficaram milionários porque médicos recebem por “produção”, sem lenço e sem documento, sob as bênçãos de todos os governos, até hoje! Conhece algum convênio em que, mesmo em hospitais próprios, médicos são funcionários? E não fomos nós quem estabelecemos o mercado assim, abrindo mão de direitos trabalhistas, regra tão arraigada que o governo dela compactua, tanto que no programa Mais Médicos não se paga salários, se dá bolsas! Ou trabalhamos assim, ou nada!

Há uma expectativa cultural leviana de que médicos são ricos ou vão ficar, e há certeza que querem ficar. São generalizações furadas. A aura cultural da sociedade exige de que médicos ganhem bem, morem bem, tenham carros sempre novos e top de linha e se vistam nos trinques – que suas mulheres andem na última moda, que as médicas se vistam como modelos. Quem não se encaixa no figurino imaginário fracassou porque os bons mesmo ganham rios de dinheiro, pois o mito da medicina profissão liberal diz que temos um consultório abarrotado de pagantes!

É senso comum que não podemos morar em qualquer lugar, nossos filhos não podem estudar em qualquer lugar, como pessoas comuns, porque nosso valor profissional fica comprometido. Uma diretora da Escola Estadual Leopoldo de Miranda indagou por que meus filhos estudavam lá. Respondi que considerava uma boa escola e perto de casa. “Você é médica e pode pagar escola!”. Tasquei: “E pago, inclusive a sua, religiosamente e em dia, já que meu imposto de renda é descontado na fonte!”.

Quase sempre quem faz algum trabalho para médicos cobra “os olhos da cara”. Um bombeiro fez um pequeno reparo hidráulico num apartamento em meu prédio e cobrou R$ 30. O mesmo serviço no meu apartamento cobrou R$ 100! A vizinha havia dito que eu era médica!

Em geral, quem já trabalhou para nós, sendo regiamente pago, adquire o direito eterno de telefonar a qualquer hora da noite para uma “consultinha telefônica”; trocar a receita do “remédio controlado” da vizinha; quer 0800 sempre e, sinceramente, crê que merece favores infinitos e quando trabalhou para nós “meteu a faca”! E a parentada toda VIP é outro departamento, a querer para o saco e para o bisaco 24 horas por dia!

Há um comportamento bipolar generalizado em relação a médicos de tirar proveito, meio sanguessuga e parasitário, que se revela até em festas: “Ah, pode dar uma olhadinha aqui?”. Ora, a olhadinha 0800 é uma consulta… no meio da festa! Ai que fadiga!

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A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



43 comentários

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Eli

06 de julho de 2018 às 17h06

Pedir para médico dar uma “olhadinha” é o mesmo que pedir para um motorista de táxi dar uma “voltinha” de graça e te deixar no local onde vc precisa… Vc acha certo? Justo? Sou médica e não suporto mais pacientes, amigos e parentes abusadores, exploradores… Dezenas de abordagens inconvenientes todos os dias, como se eu tivesse obrigação de parar a toda hora para fazer receitas, olhar exames, examinar… nos corredores do local de trabalho, nos finais de semana, em eventos sociais ou quando estou finalmente em casa para descansar poucas horas… é uma verdadeira exploração 24 horas, todos os dias! E ai se eu me negar ou disser não! Pronto, sou uma egoísta e arrogante, como todos os médicos, uma classe que merece o ódio mesmo!

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Celso

27 de setembro de 2013 às 01h25

Ai, como sofrem os médicos. Que Deus os ajudem!

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Gerson Carneiro

05 de setembro de 2013 às 09h33

Acho isso um absurdo.

Conheço alguém que viajou para o Haiti e antes de viajar consultou a Dra. Fátima Oliveira pelo twitter.

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Malvina Cruela

29 de agosto de 2013 às 07h24

parece que a grande desgraça para os médicos são as próprias famílias lá deles..

Responder

    Ester Nolasco

    29 de agosto de 2013 às 10h26

    A senhora leu mesmo o artigo? Pense bem depois de ler.

    Ivan Cordeiro

    30 de agosto de 2013 às 00h44

    A Sra Cruela deve ser parenta de medico, já que vestiu a carapuça, daquelas que acham que merecem TUDO a TODA hora e que chega no trabalho dele querendo atendimento VIP, furando fila e dizendo a todo mundo “Olha, me cuida porque sou parenta do Dr. Fulano de tal”. Conheço bem parentes assim que nem desconfima que o parente é apenas médico, um trbalhador, e não dono de hospital.
    Parentes de médicos que são folgados são uma verdadeira desgraça, saiba!

edir

28 de agosto de 2013 às 15h34

Morro de pena da Dona Fátima, näo tem mais sossego, e os pobres usuários do SUS näo tem médicos. O profissional de medicina lida com vida, e lidar com vida significa ser cobrado sim. Como é triste ir ao posto de saúde com uma dor, ou mal estar e näo encontrar atendimento. Como é difícil estar com dor ou mal estar e ter de viajar horas em busca de atendimento. Como é triste estar com dor ou mal estar e ter de esperar por horas nos prontos socorros e hospitais para um atendimento. Portanto a profissäo médica é diferente da do bombeiro/advogado/eletricista/mecanico/engenheiro/padeiro/manicure/contador/cientista e por aí vai.

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Aline dos Santos

28 de agosto de 2013 às 15h03

Sr. JPFernandes: em nenhum momento a dra. Fátima Oliveira comentou sobre clientela particular, até porque do que sei, e a conheço há muitos anos, ela trabalha exclusivamente no SUS e nem atende convênios.
Ela se referiu ao seguinte ao abuso de pessoas que trabalham para médicos e CRIAM uma intimidade desmedida: “Em geral, quem já trabalhou para nós, sendo regiamente pago, adquire o direito eterno de telefonar a qualquer hora da noite para uma “consultinha telefônica”; trocar a receita do “remédio controlado” da vizinha; quer 0800 sempre e, sinceramente, crê que merece favores infinitos e quando trabalhou para nós “meteu a faca”! E a parentada toda VIP é outro departamento, a querer para o saco e para o bisaco 24 horas por dia!”

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Aline dos Santos

28 de agosto de 2013 às 09h40

Prezada Dra. Fátima Oliveira, gostei do seu artigo. Fala de uma realidade que a gente desconhece, mas não deve ser fácil. Parabéns por nos mostrar uma realidade que desconhecemos.

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    Malvina Cruela

    29 de agosto de 2013 às 07h21

    fina ironia…na mosca

    Ivan Cordeiro

    30 de agosto de 2013 às 00h40

    Dona Cruela, não foi ironia. Nem grossa e nem fina. Aline conhece bem Fátima. Ela falou a verdade. A gente convive anos com uma pessoa alto astral, cheia de vida e com muito amor pra dar e sequer imagina o que se passa com ela, não é?
    Fátima, obrigado por socializar a sua intimidade de médica.

Miriam Lucena

28 de agosto de 2013 às 07h49

Entendo o que Fátima Oliveira falou. Aparentemente somos como médicos bem vistos nos círculos sociais que frequentamos, mas parece que não é bem assim. Há uma explosão de ódio contra médicos, generalizada. Em parte ela foi sacudida pelos atos do ministro Padilha. Não tenho dúvida que o governo através do ministro fincou pé em desmoralizar médicos. E é responsável por tanta esculhambação generalizada e descabida.
O artigo de Fátima Oliveira se refere ao tema dos favores, da pressão de gente do nosso entorno que vive pedindo favores e agora é essa mesma gente, amigos e conhecidos, que nos esculhamba na rede mundial de internet.

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José Américo

27 de agosto de 2013 às 18h24

Se tá ruim pros médicos, imagina para os advogados! Nossa classe é tão desunida, que não aparece nem para denunciar as atrocidades do nosso mercado. Se médico trabalha de graça para a família e conhecidos, advogado faz o mesmo e, pior, se for contencioso judicial, aguarde e espere passar 2, 3, 5,às vezes 10 anos trabalhando em um processo. Ou seja, 10 anos de penitência, em certos casos.

Todas as profissões tem seus ônus e bônus, especialmente quando elas tem parâmetros difíceis de comparação, como no caso de médicos e advogados, quando comparados o mercado privado com o serviço público. Cabe a cada Conselho Profissional (quando existir) e/ou ao Governo estabelecer condições melhores de trabalho e remuneração, além de efetivamente FISCALIZAR o exercício profissional.

A maior parte dos desmandos, equívocos, falcatruas e desvios ocorrem por ausência de fiscalização eficiente e de cobrança quanto a melhorias profissionais. Nesse contexto, médicos, advogados, contadores, garçons, garis, todos sofrem.

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Mari

27 de agosto de 2013 às 18h01

Paulo, a Fátima foi clara. Não falou dos amigos e nem dos parentes, abusadores com certeza também. Mas ela já falou sobre eles em outros artigos e com muita propriedade. Até disse que todo mundo acha que todo médico é dono de hospital, pelos pedidos que fazem, de consulta à internação.O tempo todo. É um abuso. No artigo ela foi clara, alguém trabalha pra você, recebe o que pediu e deopis vira uma carga eterna.
E o comportamento é assim mesmo. Se você fosse médico saberia que é. É uma cultura de abuso.
O que ela disse:
“Em geral, quem já trabalhou para nós, sendo regiamente pago, adquire o direito eterno de telefonar a qualquer hora da noite para uma “consultinha telefônica”; trocar a receita do “remédio controlado” da vizinha; quer 0800 sempre e, sinceramente, crê que merece favores infinitos e quando trabalhou para nós “meteu a faca”! E a parentada toda VIP é outro departamento, a querer para o saco e para o bisaco 24 horas por dia!”

Responder

    Silas

    29 de agosto de 2013 às 06h13

    Mari não sei se você é médica ou não, mas e só impor limites, se você pagou pelo serviço prestado acabou o vinculo, é só falar não e pronto.

Bacellar

27 de agosto de 2013 às 17h50

Mas claro que existem bons médicos. A crítica é contra o corporativismo da classe e dos maus profissionais, que são muitos. Como fotografo eu tambem não escapo de em todas as festas ter que ver a maldita sony point and shoot do primo do anfitrião e explicar pq “a foto ta ficando ruim”…Ossos do oficio…

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Euclides Rodrigues de Moraes

27 de agosto de 2013 às 17h32

Eu morro de peninha dos médicos e médicas do Brasil… Tão abnegados, tão contritos e humanos que chega a dar dó. UMA OVA! Tenho pena sim, mas é dos desassistidos e abandonados, daqueles que, quando são atendidos, recebem uma consulta em que no máximo se pergunta o que ele sente e já lhe largam uma requisição de exame na mão e o mandam cair fora. Aí daqueles que precisam dessa raça de ratos vestidos de branco, sem o menor sentimento de solidariedade humana. Pobre, sem recurso? que se dane. E, o pior, do alto de sua soberba, ainda querem impedir que se faça algo em favor dos abandonados. Mas, como tudo na vida esse momento tem um lado bom, fica demonstrada a mesquinhez e vilania dessa categoria.

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Ana Raposo

27 de agosto de 2013 às 16h48

A prática de pedir uma olhadinha aqui é corriqueira em todas as relações pessoas de médicos. Concordo que é uma exploração generalizada, pois olhadinha é uma consulta 0800. A turma grita porque acontece com praticamente todo mundo e se você não der olhadinha pedida vira megera. orgulhosa, sem coração…Mas eu nunca havia pensado o quanto isso deve ser uma carga para a pessoa que é médica. Agora sei que é. Pesada, desrespeitosa e desagradável. Fadiga mesmo

Responder

Ana Raposo

27 de agosto de 2013 às 16h43

Vida de médico realmente não é fácil. Um mundo bem sacrificado desde a época de estudante. Alem do mais ainda sofre a exploração do mercado todo, o seu e o de outras profissões que sempre cobram muito mais caro qdo trabalham para médico.

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Darci

27 de agosto de 2013 às 15h22

Para toda regra,há exceção. Mas, cada profissão tem sua particularidade e quando se escolhe deve se levar em conta os ônus a suportar e não reclamar depois.
Médico é uma profissional especial, de grande nobreza, de sacrifícios sim. Não é para qualquer um e a assistência a saúde deve ser pública e universal. Quer quer fazer fortuna deve buscar outra profissão. `É de vida e de morte que se trata. Saúde não tem preço. A opção do paciente não pode ser tudo ou nada. Não pode depender do preço da consulta ou do salário do médico. Por isso devemos todos condenar a mercantilização da saúde.

Responder

    Mauro Assis

    27 de agosto de 2013 às 15h41

    Não concordo com vc, Darci. Ao escolher uma profissão, o que a gente quer é ser bem sucedido, que passa por realização profissional, digamos “mudar o mundo” com o nosso trabalho mas também darmos uma vida digna à família. Medicina não é sacerdócio, é uma profissão como outra. Se a sociedade brasileira acha que a saúde deve ser gratuita e universal, ela que pague a conta, que inclui pagar dignamente os seus profissionais de saúde. E uma bolsa de R$ 10.000,00, sem nenhuma garantia CLT, nem mesmo férias, por período temporário e longe do domicílio não é nenhuma maravilha. Me responda: a que outros profissionais do serviço público o governo oferece esse tipo de contrato?

Luiza

27 de agosto de 2013 às 15h06

A Dra só não explicou porque os médicos brasileiros RECUSARAM o salário de 10 mil para atender ao MAIS MÉDICOS e além de tudo boicotaram e estão hostilizando os médicos estrangeiros que aceitaram atender os pobres, agindo assim como MOLEQUES e BADERNEIROS.

Responder

    Mauro Assis

    27 de agosto de 2013 às 15h17

    Luiza, “os médicos brasileiros” não agrediram ninguém. Alguns baderneiros agiram como tal.

    Luiza

    28 de agosto de 2013 às 01h39

    Mauro Assis, pelo jeito você deve morar no mato. Ontem em Fortaleza médicas patricinhas insultaram médicos cubanos chamando-os de escravos e gritando como loucas. O Dr. CRM disse que vai mandar prender os cubanos.

    Quando ao salário que eles vão receber eu não. Você está sabendo? Tem certeza que vão receber 400 reais? Qual é sua fonte?

    Joana, favor colocar legendas nos seus coments. Não deu pra entender nada do que você disse.

    Mauro Assis

    27 de agosto de 2013 às 15h19

    E também não é salário, é bolsa, sem direitos trabalhistas da CLT e por tempo limitado. Já os cubanos, essa gente fina, sai do Paraíso para via prá cá por R$ 400,00, não são maravilhosos essas caras?

    Joana Medeiros

    27 de agosto de 2013 às 16h38

    O artigo era sobre o assunto que a sra. está querendo. Pors então releia. E dexemos as baboseiras de lado.

Mauro Assis

27 de agosto de 2013 às 15h01

Muito bom o texto, Fátima! A turma acha que os cubanos cá estão porque são altruístas, e os médicos brasileiros são mercenários. Tem até um texto aqui no blog que fala em “pagamento não monetário”, coisa assim. Vamos então pagar o armazém e o governo não monetariamente.

Os caras vem porque são obrigados, e o governo brasileiro aproveita para botar algum no bolso da ditadura mais antiga do planeta. Simples assim.

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Arquibaldo de Cali

27 de agosto de 2013 às 14h31

Coisa impressionante a falta de ferro. Para defender o ato médico, a médica exclamou “ai que canseira!”. Agora, perseguida pelos convivas sanguessugas, se dilacera: “Ai, que fadiga!”. É anemia ou histeria? Precisamos fazer algo urgente para salvar esta pobre e benevolente alma. Chamem os médicos, temos uma eterna vítima incurável!!!

Responder

    Scan

    27 de agosto de 2013 às 17h01

    E que sejam cubanos, porque não sabemos onde dona Fátima mora.
    E se for em algum cafundó? Vamos deixá-la sem socorro?
    Chamem os cubanos!

maria ines azambuja

27 de agosto de 2013 às 14h24

Fåtima
Estou de pleno acordo contigo. E pior, acho que é må fé… orquestração, campanha difamatória de quem tem interesse em desmoralizar os médicos e a reação da categoria ao autoritarismo desta mp do programa mais médicos..

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Matheus

27 de agosto de 2013 às 14h20

Somos sanguessugas, pagamentos impostos que custeiam a educação universitária e o emprego público dos médicos, e ainda por cima temos a audácia de querer ser atendidos “de graça” no SUS! O horror! O horror!

Que peninha dos médicos brasileiros!

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    Mauro Assis

    27 de agosto de 2013 às 14h54

    Matheus,

    Vamos imaginar que vc seja professor e tenha estudado em escola pública: isso quer dizer que vc vai dar aulas de graça?

    Alberto

    27 de agosto de 2013 às 18h11

    Mateus, o seu desdém tem nome e diz tudo: pode ser um contumaz abusador de amigos e parentes médicos. Estamos falando de abusos de pedir uma olhadinha, de querer atendimento VIP em hospitais e ambulatórios públicos, só por que é amigo ou parente. É gente assim que mantém relações bipolares quando se trata de médicos.

José Ricardo Romero

27 de agosto de 2013 às 13h43

Estou consternado de ver como sofrem os pobres dos médicos! Ora, vão se catar. Deveriam protestar junto às próprias entidades de classe pela lama que estão jogando na reputação de vocês. Os médicos acreditam que são respeitados pela população porque lidam com pacientes vulneráveis naquele momento de dor e medo. Mas no geral eles não são bem vistos e agora então as suas reputações estão mais sujas que pau de galinheiro.

Responder

Leo V

27 de agosto de 2013 às 13h37

Sobre bombeiros hidráulicos.

Acho que eles cobram de acordo com o endereço (bairro), do cliente. Embora não digam isso evidentemente.

Responder

    Mari

    27 de agosto de 2013 às 17h55

    LeoV, o texto diz que os apartamentos eram no mesmo prédio, ou seja, no mesmo endereço! Mas Fátima tem razão, é assim mesmo. E quanto às cargas de pedidos de amigos, conhecidos, gente que já trabalhou pra médico e recebeu devidamente, parentes, é tudo verdade. Tanto é que gostaria que alguns desses detratores de médicos como do todos do mesmo saco de farinha, declarassem e provassem que JAMAIS tentaram aplicar 0800 nos lugares mais inadequados, por puro aproveitamento. É a cultura da Lei do Gerson que inferniza a vida dos médicos, até em festas como disse a Fátima. Quer dizer, não têm sossego nem na hora do lazer. Tem que dar consulta 24 horas por dia, a vida inteira. A bipolaridade tá aí: usa e abusa, depois mete o ferro.

J Fernando

27 de agosto de 2013 às 12h46

Assim como não generalizamos quando dissemos que há um corporativismo exagerado na classe médica, acredito que sua generalização de que as pessoas acreditam ter direito de aproveitar dos médicos é surreal.

Os relatos que você cita (ligações noturnas, solicitações de nova receitas, entre outros) são comumente associadas às senhoras da elite, tão ricas quanto.

As pessoas mais humildes dificilmente utilizam destes artifícios. E, sinceramente, quando tentam utilizar, são rechaçadas na hora, pois não poderão ser “cobradas por fora” em uma próxima consulta.

Quanto ao bombeiro explorador, convenhamos… você pode utilizar o que a maioria utiliza: três ou mais orçamentos e o menor valor executa o serviço. Exploradores há em todas profissões, INCLUSIVE OS MÉDICOS…

Responder

    Paulo Preto

    27 de agosto de 2013 às 14h16

    Parabéns, J Fernando!

    Mari

    27 de agosto de 2013 às 18h03

    O que Fátima disse:
    Em geral, quem já trabalhou para nós, sendo regiamente pago, adquire o direito eterno de telefonar a qualquer hora da noite para uma “consultinha telefônica”; trocar a receita do “remédio controlado” da vizinha; quer 0800 sempre e, sinceramente, crê que merece favores infinitos e quando trabalhou para nós “meteu a faca”! E a parentada toda VIP é outro departamento, a querer para o saco e para o bisaco 24 horas por dia!

    Bem diferente de sua distorção.
    Sobre amigos e parentes abusadores, achacadores, ela já escreveu em outros artigos. É uma relação de abuso mesmo. Infernal.

    Fernando

    27 de agosto de 2013 às 14h30

    cara você está espalhando o mesmo preconceito que o povo humilde e negro sofre.

    voce esta afirmando que as senhoras ricas tem este comportamento de ligar nomeio da noite e as pessoas mais pobres nao.

    cara, que ridiculo

    este é um argumento regido em preconceito que consegue invalidar tudo que você escreve no blog.

    IDIOTICE, não tem raça, nacionalidade ou classe social.

    essa demonização da riqueza que acontece por aqui é ridicula.

    A Fatima Oliveira também é uma senhora certo? O com mais dinheiro certo? Ela é aproveitadora também?

    J Fernando

    28 de agosto de 2013 às 12h20

    Onde eu disse que os mais pobres não fazem isso?
    No meu comentário está bem explícito:
    “As pessoas mais humildes dificilmente utilizam destes artifícios. E, sinceramente, quando tentam utilizar, são rechaçadas na hora, pois não poderão ser “cobradas por fora” em uma próxima consulta.”

    As pessoas pobres também fazem isso sim, menos, mas fazem; só que são rechaçadas com mais facilidade. Mas, se você lê sobre médicos saberá que o que ela citou é justamente fatos associados aos clientes de médicos PARTICULARES. Pobres não têm médico particular.

    A questão não é a riqueza e sim a exposição de fatos relacionados ao MÉDICO.
    Já fui atendido gratuitamente por médico no interior quando criança (minha mãe sempre enaltecia este médico). Uma vez ele me atendeu de madrugada quando cortei o pé e necessitei de pontos (eu tinha 12 anos). Minha mãe vendia doce de leite e sempre deixava uma lata para ele de graça, claro. Este tipo de médico não se encontra mais hoje em dia. Nem no interior.

    Como eu disse, não convém generalizar.

Igor

27 de agosto de 2013 às 12h12

E o pior Fátima é que viveremos a vida inteira assim nessa fadiga, de “pidança”, de cobranças, de falta de sossego. Eu nem vou mais a festas de gente conhecida, não tenho mais saco. Prefiro me divertir com gente estranha. pra ter um pouco de sossego.
Me identifiquei muito com o texto de hoje, mas o nota dez pra mim e cabe em minha vida é o “Tratamento fora do domicílio do doente é direito de cidadania” . É que todo mundo acha que a gente é DONO de hospital. A família da gente, então nem se fala. E se ela for grande o inferno ainda é maior.

Tratamento fora do domicílio do doente é direito de cidadania
PUBLICADO EM 16/03/10 – 00h00
FÁTIMA OLIVEIRA
Médica – [email protected]

Há uns dois anos, após um plantão pauleira, atendi em casa um telefonema de uma cunhada que mora em Apuí, no Amazonas, mas estava na capital de Roraima, Boa Vista, fazendo consultas médicas. Um típico caso de que o que está ruim sempre pode piorar. Eu? Aos cacos, louca para tomar banho, deitar, comer… Ela queria vir para Belo Horizonte “se tratar”, pois há dois meses sentia uma dor na perna, mas não deu atenção. Não sofrera nenhuma pancada, mas estava quase sem poder andar. E, pior, apareceu um caroço na perna, que só aumentava.

“Entendi. E aí?”. Acrescentou: “O médico disse que pode ser um tumor, “aquela doença ruim”. Tenho de ir pra fora”. Perguntei: “Ele deu um encaminhamento?”. Foi cristalina: “Só disse que aqui não há recursos. Telefonei para dizer que vou para Belo Horizonte, pelas facilidades de você ser médica e morar aí”. Não foi fácil usar da mais absoluta franqueza. Disse-lhe que não poderia vir só porque sou médica; sou apenas médica, não dona de hospital, nem banqueira e nem teúda e manteúda.

Expliquei que há uma coisa chamada Tratamento Fora de Domicílio (TFD); que deveria pedir ao médico o encaminhamento; que eu não sabia a referência de Roraima para o caso dela, mas se ela pudesse escolher, poderia vir para Beagá. Uma ziquizira familiar, cujos lances ninguém merece! Ouvi coisas do arco da velha, desde que abandonava um familiar doente a que eu era ruim mesmo. Segurei o tranco. Sempre que alguém pede algo que você se recusa a dar, seja porque não há como ou mesmo por não querer, você vira megera.

Resumo da ópera: ela, uma mulher simples da roça, mas que não é lajeiro e sabe se virar, correu atrás de seus direitos. Em outro telefonema, entre gargalhadas, contou que o médico ficou espantado quando ela voltou no dia seguinte falando que tinha direito a um TFD e deu até o número da portaria! O processo foi rápido. Foi encaminhada para São Paulo, acompanhada da mãe, com consulta marcada, passagens de avião e hospedagens pagas pelo SUS! Em menos de um mês, retornou feliz ao Apuí. Não era câncer (“aquela doença ruim”). E, o mais importante: acessou um direito e não ficou devendo favor a ninguém. Mas acha que deve a Lula! “Imagina, siazinha, se em outros governos, que não ligavam pra gente pobre, eu estaria contando essa história. E ainda conheci São Paulo!”.

O TFD é um direito do usuário do SUS, “instituído pela Portaria nº 55 da Secretaria de Assistência à Saúde do Ministério da Saúde; é um instrumento legal que visa a garantir, através do SUS, tratamento médico a pacientes portadores de doenças não tratáveis no município de origem por falta de condições técnicas. O TFD dá uma ajuda de custo ao paciente e, em alguns casos, também ao acompanhante, encaminhados por ordem médica a unidades de saúde de outro município ou Estado da federação, quando esgotados todos os meios de tratamento no local em que reside, desde que haja possibilidade de cura total ou parcial, limitado ao período estritamente necessário ao tratamento e aos recursos orçamentários existentes. Destina-se a quem necessita de assistência médico-hospitalar cujo procedimento seja considerado de alta e média complexidade eletiva”.

Quem precisa de tratamento que não existe onde mora tem direito a um TFD, que deve ser solicitado a quem fez a indicação do tratamento e protocolado na Secretaria Municipal de Saúde. Muitas prefeituras não informam a existência do direito e até proíbem seus médicos de indicarem o TFD!

Responder

Magui

27 de agosto de 2013 às 11h23

Na veia! srsrrsrsrssr é assim mesmo, querem tudo 0800 como se médicos não tivessem contas a pagar. Artigo gracioso e magistral

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