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Cartas de Minas
Cartas de Minas

Ermínia Maricato: Os prisioneiros da especulação imobiliária

13 de janeiro de 2011 às 14h41

por Luiz Carlos Azenha

Num evento recente do qual participei estava lá a arquiteta Ermínia Maricato. Ela pediu a palavra para dizer que, infelizmente, os movimentos sociais haviam se desarticulado na luta pela “reforma urbana”. Disse que o programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, tratava do subsidiário sem atacar o principal. Que, na verdade, o programa tinha sido responsável por inflacionar o estoque de terras, beneficiando a especulação imobiliária.

As tragédias do Rio de Janeiro e de São Paulo, além da inépcia generalizada — bombeiros sem equipamento para iluminação noturna, Defesa Civil dependente de aparelhos celulares, prefeituras que só agem (quando agem) para remediar as tragédias — demonstram o quanto somos reféns dos interesses imobiliários, que ao mesmo tempo determinam as leis de ocupação locais E financiam a mídia e as campanhas eleitorais.

Na entrevista abaixo, concedida antes das tragédias do Rio e de São Paulo à Caros Amigos, Ermínia faz previsões sombrias sobre o futuro das cidades se nada for feito. Meu pessimismo neste tema tem relação com o fato de que tanto o PT quanto o PSDB são almas gêmeas quando se trata da reforma urbana: ninguém fala do assunto para ver se o problema some.

Especulação da terra inviabiliza moradia popular

Participaram: Bárbara Mengardo, Gabriela Moncau, Hamilton Octavio de Souza, Júio Delmanto, Lúia Rodrigues, Otávio Nagoya, Tatiana Merlino.

A arquiteta Ermínia Maricato tem uma longa trajetória de reflexão teórica e enfrentamento dos problemas urbanos, como profissional e como militante do PT. Professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, coordenadora do programa de pós-graduação (1998-2002), foi também secretária de Habitação de São Paulo (1989-1992) e secretária-executiva do Ministério das Cidades (2003-2005). Na entrevista a seguir ela faz uma análise profunda e reveladora da situação caótica das cidades brasileiras. Vale a pena ler.

Hamilton Octávio de Souza – Onde você nasceu? O que estudou? Fale sobre a sua trajetória.
Ermínia Maricato – Eu nasci no interior do Estado de São Paulo, em uma cidade chamada Santa Ernestina, mas vim muito cedo para São Paulo. Meu pai foi camponês, mas se tornou um pequeno empresário, tinha uma granja de aves. A família é três quartos italiana e um quarto portuguesa. Nós tivemos que vir para São Paulo porque a minha mãe tinha uma doença, hoje eu sei que é psíquica, mas no interior nós não sabíamos bem o que era. Com 5 anos eu vim para São Paulo, estudei em escola pública, que era maravilhosa, morei no Brás e, enfim, sempre gostei muito de estudar, minha mãe não queria que eu estudasse, o meu pai me deu toda a força, acho que não tem tanta novidade aí. Foi um período em que era possível um filho de europeu, mesmo que viesse do campo, era fácil ter ascensão social em São Paulo. Foi o que aconteceu com o meu pai, ele amealhou um certo patrimoniozinho, então não é a mesma condição que o filho de camponês brasileiro, que tem origem muitas vezes na herança escrava, uma condição diferente. Bem, eu fiz química industrial no nível médio, comecei a faculdade de física na USP, depois é que eu passei para arquitetura; mas hoje eu acho que errei, estou muito apaixonada pela terra, por agricultura, por agricultura orgânica. Atualmente pertenço a uma associação que tem uma gleba de Mata Atlântica e nós estamos fazendo um pomar de frutas em extinção da Mata Atlântica, esse é o meu hobby atual. Então eu estou tão encantada, tão impressionada com a força e a exuberância da Mata Atlântica que fico pensando como nós conseguimos destruir essa riqueza.

Lúcia Rodrigues – Como surgiu essa ideia?
A associação já existia. Eu cheguei em um amigo e falei: acho que a gente devia comprar um pedaço de mata para deixar lá. E aí ele falou: mas eu já estou em um lugar que tem isso e tal. Aí eu fui, me encantei, entrei na diretoria. Temos uma médica homeopata como presidente, temos várias tribos ali, temos sete nascentes de água, então nós estamos trabalhando no tratamento e distribuição dessa água e agora nós passaremos a discutir o lixo, o esgoto.

Tatiana Merlino – Onde é?
Fica a uma hora de São Paulo, em São Lourenço da Serra. Então é a minha paixão atual e eu fiquei muito impressionada de como é que eu não fui para a agricultura, pois tem muito a ver com a questão ambiental. Eu comi uma fruta quando era criança e morava no interior que chamava pindaíva, é uma fruta lindíssima, vermelha, parece uma fruta do conde, ela é de uma árvore muito alta e aí eu falei: Mas cadê a fruta? Não existe mais. Então eu fui pesquisar e consegui, depois de muito procurar, achar uma muda da pindaíva, hoje nós plantamos quatro mudas lá no vale e aí tem outras frutas que eu nem sei o que são, comprei outras mudas, fui atrás, agora eu estou pesquisando isso. Lá tem uns malucos que entram na mata, pegam semente, estão plantando, tem um pessoal interessante. Eu gosto mais de falar disso do que falar de cidade, meu Deus do céu. O que eu quero deixar de fundamental em relação a questão urbana é que as cidades vão piorar.

Lúcia Rodrigues – Mais ainda?
Muito, muito.

Lúcia Rodrigues – Por que, professora?
Porque não tem nada sendo feito para contrariar o rumo.

Júlio Delmanto – As cidades que você diz não são só as grandes, né?
Não só as grandes, porque as cidades que mais crescem atualmente são as médias no Brasil, não são as metrópoles, as metrópoles deram uma recuada, desde a década de 80 as metrópoles estão crescendo menos e as cidades médias estão crescendo mais.

Tatiana Merlino – Nada está sendo feito nos âmbitos federal, estadual e municipal?
Não é só uma questão de governo. Primeiro não é uma questão restrita a governo, é uma questão do capitalismo periférico, eu quero fazer questão de falar isso porque muita gente fala: ah! falta vontade política! Eu vou dizer que tem problemas que são estruturais. Um deles: o mercado residencial, no capitalismo periférico, atinge uma pequena parte da população. Até 2004, quando começa uma mudança na política habitacional, da qual eu fiz parte, o mercado brasileiro produzia para 20% da população. Em São Luís (MA) é para 10% da população. Eu fico pensando, pela minha experiência, que São Paulo, por exemplo, chega a 40% da população, mas quando você vai para São Luís ou Belém (PA), o mercado não chega a 10% da população. O  mercado, esse sim, segue a lei, que tem um investimento, às vezes tem um financiamento, ou às vezes até mesmo a empresa incorpora o teu financiamento, você faz um projeto que é aprovado na prefeitura de acordo com a legislação de código de obras, legislação de parcelamento do solo, legislação de zoneamento, aí isso é lançado, tem compradores que também podem ter um financiamento. Isso é o que? No Canadá, na Europa, nos EUA isso atinge de 70 a 80% da população. No Canadá isso é muito claro: 30% da população precisa de subsídio para comprar moradia. Aqui no Brasil é o oposto: tem 70% da população. Varia de cidade, de região, se tem uma classe média maior, esse número é maior, se você tem uma classe média menor, como as cidades do Norte e Nordeste, esse número é menor. Então, vivemos em uma sociedade em que uma parte da população se vira, ela não se integra ao mercado e não tem política pública para chegar nela. O financiamento, o investimento público habitacional ampliou muito a partir de 2004, é impressionante o aumento nos últimos anos. Mas na sociedade brasileira a classe média não entra no mercado. O que quer dizer que a classe média não entra no mercado? O policial, o funcionário da USP, o professor secundário mora em favela, isso é uma coisa comum. Então, o Brasil é um país típico de capitalismo periférico, onde um trabalhador regularmente empregado, com estabilidade no emprego, que é o caso de um funcionário público, não tem acesso à moradia no mercado.

Tatiana Merlino – Esse “se vira” a que você se referiu é equivalente ao déficit habitacional que há no Brasil?
É mais do que o déficit.

Tatiana Merlino – Qual é o déficit habitacional hoje do Brasil?
Olha, o déficit deve estar entre os 7 e 8 milhões, o déficit é sempre uma coisa que deve ser discutida, né? O que você considera déficit? Uma das questões que discutimos no ministério, por exemplo, é que o IBGE considera déficit a convivência de famílias e às vezes é uma decisão sua conviver com mais de uma família. Então, devo ou não considerar isso déficit? O que eu quero dizer é o seguinte: “parte da população brasileira se vira” significa que ela arruma terra, eu tenho muita restrição para usar a palavra invadindo, porque os movimentos sociais não gostam, digamos que ocupando ilegalmente, mas esse ocupando ilegalmente é uma coisa muito vasta. E construindo as próprias casas, como o Chico de Oliveira mostrou em um artigo que ficou clássico, em 1972, que essa autoconstrução, essas ocupações ilegais não eram uma coisa espontânea  ou decisão deles, aquilo era o resultado do rebaixamento da força de trabalho, quer dizer uma força de trabalho que não ganha para comprar uma casa, para pagar para alguém construir, mas não dentro da lei, não é dentro do mercado, não consegue comprar a  terra. E a terra é um capítulo a parte. Então essa condição de ilegalidade é geral no Brasil. Tem um município perto de Belém, Ananindeua, ou outros municípios na periferia de Recife, Salvador, Fortaleza, onde 90% dos domicílios são ilegais. Quando você chega à região metropolitana de Fortaleza o próprio IBGE dá 33% da chamada sub-habitação. Nós temos alguns estudos, não temos dados fidedignos, mas isso já mostra um pouco o que é a realidade brasileira. Quanto por cento da população brasileira mora em favela? Tem alguns trabalhos que mostram que há uma grande diferença de uma cidade para outra no Brasil, mas que a exceção que seria uma casa ilegal, construída completamente fora da lei em uma terra ocupada de forma completamente irregular, construída aos poucos, sem qualquer conhecimento de engenheiro ou arquiteto etc., é regra, não é mais exceção. Veja bem, o que era para ser exceção virou regra e o que era para ser regra virou exceção.

Tatiana Merlino – Essa é uma característica do capitalismo periférico?
É. Você vê isso no mundo inteirinho e varia um pouco em cada país. A Argentina, que já teve uma condição muito melhor socialmente na América Latina, agora está em uma situação dramática. Na Argentina você tinha menos disso, algo em torno de 20 ou 30 anos atrás, ela era mais formal, a cidade na Argentina. Fui convidada para ir a um encontro sobre moradores de rua na Argentina, eles ficaram encantados com a nossa política de morador de rua e aí eu falei: Bom, mas vocês não tinham porque vocês não tinham morador de rua e no Brasil tem há muito tempo. Se você vai para o Chile você tem uma formalidade maior na cidade, tem uma classe média mais forte. Agora o resto, Bolívia, Venezuela, que eu andei pelos morros em volta de Caracas, o próprio México, você tem uma situação que é pior do que algumas metrópoles brasileiras, porque o Brasil tem algumas coisas que são mais ricas e algumas coisas que são mais pobres.

Hamilton Octávio de Souza – Mas esse processo não está sendo revertido?
Ao contrário, as cidades do mundo estão se empobrecendo. Se você pegar a África é impressionante o que está acontecendo.

Hamilton Octávio de Souza – E São Paulo? O que acontece em São Paulo?
São Paulo está assim: o município concentra, se não me engano, 22% da população que ganha acima de 20 salários mínimos do Brasil. Então você tem uma grande concentração de renda em São Paulo, Ribeirão Preto, Santos, e Brasília – no plano piloto. Então você tem uma condição de expulsão da população desses municípios mais ricos.

Hamilton Octávio de Souza – A favelização aqui tem sido crescente, não tem? Desde a década de 50?
Mas muito mais nas periferias. Se eu pegar Cajamar, Franco da Rocha, Itapecerica da Serra, Embu, Embu-Guaçu, você tem uma periferização com o aumento da violência, com uma queda geral de índices e a gente trabalha com média, o que é complicado.

Lúcia Rodrigues – A concentração do capital é o que está levando ao empobrecimento das cidades, é isso?
Não é só. Você tem assim uma tradição de desigualdade histórica, você tem nesses países essa questão estrutural da informalidade tanto no trabalho quanto na ocupação do solo, então nós temos ilhas que são cidades do primeiro mundo, isso é tudo inadequado. Por isso que eu acho engraçado dizer que a questão é técnica. Na verdade nós copiamos a lei de zoneamento, toda a legislação do primeiro mundo e aí a gente garante uma ilha onde o resto não cabe. Para inserir a população pobre nessa cidade eu preciso  transformar o conjunto, isso foi o que discutimos no Fórum Urbano Mundial e no Fórum Social Urbano.

Júlio Delmanto – Existe alguma diferença entre esses países que são chamados em desenvolvimento em relação ao resto da periferia?
Sim. O Brasil é diferente. É uma economia forte. É um player internacional. Ele passou de “nada dava certo” para “país do futuro” ou “do presente”. Mas a desigualdade é uma coisa escandalosa no Brasil. A África do Sul me impactou porque ela saiu do apartheid, em que a segregação, diferentemente da nossa, era jurídica. Então você não podia ir para a cidade se você fosse negro, a menos que você tivesse um passe. Vencer essa segregação quando o Mandela ganhou parecia fácil. Mas existe um problema que está atingindo todo o terceiro mundo que é a questão da terra. A questão da terra não foi superada com a luta contra o apartheid. Aliás, foi uma coisa que me impressionou muito, que eu ouvi de vários líderes: se a terra tivesse entrado em negociação, a paz não acontecia.

Hamilton Octavio de Souza – O que é a questão da terra? É a terra urbana?
É a terra urbana e rural. A terra está na essência da alma brasileira. A desigualdade no Brasil passa essencialmente pela questão fundiária. Campo e cidade. Só terminando a história dessa segregação, não tem nenhum mistério. Uma parte da população constrói as casas, constrói fora da lei e não tem lugar nas cidades. Às vezes os planos diretores não disseram onde os jovens iam morar, porque todo plano diretor é seguido de uma lei de zoneamento e a lei de zoneamento é lei para o mercado, e a nossa população tá fora do mercado. Então os urbanistas estão trabalhan do em um espaço de ficção, com realidade de ficção. Aliás, essa ausência dos engenheiros nem se fala. Eu quero falar depois do estrago que a engenharia fez em São Paulo.

Lúcia Rodrigues – Essas leis que você citou funcionam?
Nada. O estatuto da cidade é um sucesso no mundo. Do Brasil para o mundo. Eu sou convidada a consultoria internacional o tempo todo por conta do estatuto da cidade. Eu fui a poucos lugares, mas para onde eu fui eu falei que não está sendo aplicado no Brasil. Não está sendo aplicado.

Tatiana Merlino – Existe uma política habitacional para resolver essa questão do controle do solo?
Lei nós temos. O estatuto da cidade é ótimo. Constituição Federal nós temos. Só que nós não aplicamos a função social da propriedade. Só terminando aquilo. A nossa lógica é que a mão de obra barata de que o Celso Furtado falava muito, que garante a exportação de riqueza, que garante uma elite conspícua, que é patrimonialista, que se agarrou a este Estado e fez dele o que fez, tem a lógica de que nós temos que ter uma mão de obra absolutamente rebaixada no seu preço para poder segurar essa relação.

Lúcia Rodrigues – Mas isso não é anticapitalista? Por que se você tem gente ganhando mais, injeta força e fluxo no mercado.
É engraçado isso. Porque o Ford descobriu que os operários precisavam ganhar melhor para que o capitalismo fosse melhor em 1905, início do século 20. Não é essa a lógica no Brasil. Inclusive uma das coisas que nós nos perguntamos é se o capitalismo brasileiro, principalmente a burguesia nacional, porque as transnacionais não estão nem aí se vão esgotar as reservas, se as cidades vão virar um negócio inviável, pretende se tornar viável. O capitalismo no Brasil não está preocupado em viabilizar. As nossas cidades estão ficando inviáveis. O automóvel está inviabilizando não só São Paulo, mas todas as cidades brasileiras. Brasília está também com um problema seríssimo de trânsito. Então você tem um problema que também é estrutural. A indústria automobilística é responsável por 20% do PIB do mundo, se eu colocar a exploração de petróleo, a distribuição de petróleo, toda a indústria da borracha, das autopeças. E todas as obras nas cidades são uma questão de infraestrutura para o automóvel andar. Quebrar esse modelo é o que seria necessário para incorporar os pobres.

Lúcia Rodrigues – E como se quebra esse modelo?
Vamos primeiro falar da terra. Porque esse “como se quebra esse modelo” é uma reflexão muito difícil para eu fazer depois que eu saí do governo federal. A terra no Brasil durante vários séculos, a propriedade da terra, esteve ligada à detenção de poder social, político e econômico. É interessante perceber em uma cidade como São Paulo como é que a área de proteção dos mananciais, que é uma área protegida por lei federal, estadual e municipal e planos de tudo quanto é tipo, está sendo ocupada. O poder de polícia sobre o uso do solo tem cinco organismos: a Sabesp, a Cetesb, Eletropaulo, o poder municipal sobre o parcelamento do solo, e a Polícia Florestal. Todo mundo é responsável pela fiscalização. Então não falta lei, não falta plano. É bem importante deixar isso claro. Estou cansada de ouvir gente dizendo que falta  planejamento, falta plano diretor. Não falta nada. E não falta lei no papel. O que falta é que essa população tem que morar em algum lugar. E ela vai morar onde? Então pensa na população que chega na cidade de São Paulo. O centro está se esvaziando. Isso  parece incrível, aliás, em todas as cidades brasileiras grandes. Então nós temos em área de proteção dos mananciais, já vi secretário de meio ambiente falar em um milhão e quinhentas mil pessoas. E já ouvi gente da Empresa Metropolitana de Planejamento falar em dois milhões de pessoas. É uma ligeira margem de dúvida. Isso mostra que nós não sabemos quantas pessoas moram na área de proteção dos mananciais.

Hamilton Octavio de Souza – Qual a consequência disso para o abastecimento de São Paulo?
Nós estamos buscando água na bacia do rio Piracicaba. Falam em buscar água serra abaixo. Estão falando em buscar água não sei mais onde no vale do Paraíba, e nós temos duas represas em que a água vem por gravidade, mas a água está crescentemente contaminada, e eu estou me referindo à contaminação recém-descoberta de que mesmo depois do tratamento existem hormônios e antidepressivos na água. Mas isso é outra coisa, são pesquisas mais recentes. Eu tenho então uma metrópole na área de proteção dos mananciais. E se os governos decidissem cumprir a lei? Não entra mais ninguém ou tem que sair? O que aconteceria? Os conflitos do MST iam ser refresco. Eu já tive aluno que afirmou que haverá guerra civil. Eu concordo. Se voce de repente pega todo mundo que ocupou os morros do Rio de Janeiro, que estão desmoronando, ou dos morros de São Paulo, que desmoronaram meses atrás, e proíbe de ocupar, é guerra. Mas aí alguém fala: tem que ter uma política habitacional. Tem. Metade da população do Rio de Janeiro mora em domicílios ilegais. Como é que você faz uma política habitacional para incorporar metade da população sem uma completa revolução com a terra? Sem uma
completa mudança na característica do mercado imobiliário? Sem uma completa mudança no direito de propriedade? Sem uma completa mudança da forma de ação do Estado? De que jeito?

Tatiana Merlino – Mas como é muito pouco provável que aconteça, para onde a gente vai caminhar?
Nós estamos caminhando para o caos.

Tatiana Merlino – O que aconteceu no Rio de Janeiro é a prova disso?
É. O que aconteceu em São Paulo, em todas as cidades, é a maior prova disso. Se você somar a falta de controle de uso e ocupação do solo, que não existe a consciência de que é necessário controlar, mais a falta de planejamento com a questão da macrodrenagem… E ainda com mais incentivo para a matriz automobilística, nós vamos piorar.

Lúcia Rodrigues – Mas como romper com esse modelo?
Eu acho sinceramente que não vai ser simples. A questão da terra sempre foi muito clara no campo, mas ela não foi muito clara na cidade. Por quê? Porque ninguém se dava conta de que a regra era exceção e a exceção era regra.

Lúcia Rodrigues – Mas qual é o problema da terra?
Um aluno meu me mostrou a funcionalidade da confusão registrária no Brasil. Ele mostrou que nos parques estaduais paulistas existiam sete andares de registro de propriedade no mesmo pedaço de terra. Por quê? Porque a história do registro de  propriedades no Brasil é uma história de fraudes. Eu desagradei muita gente, mas falo isso o tempo todo. A história da propriedade privada no Brasil é uma história de fraudes sistemáticas. Não é que você tenha uma fraude ou outra. É regra de novo. O Ariovaldo Umbelino mostrou em uma de suas palestras (ele é um geógrafo competente, se aposentou da USP) um anúncio de venda de uma propriedade de 40 mil hectares, no qual a grande vantagem que oferecia era uma escritura de 4 mil hectares. Porque a cerca anda. Então ter uma escritura já é uma maravilha. E a cerca anda no Brasil. Então o que me impressionou na tese do Joaquim de Brito, esse meu aluno, é que o governo não tem nenhum interesse em cancelar registros que se revelam falsos.

Tatiana Merlino – E no caso da Cutrale?
Esse é outro exemplo que eu adoro dar. Quer dizer, para a mídia brasileira foi muito mais importante a derrubada de meia dúzia de pés de laranja do que o patrimônio público ser apropriado privadamente. Ora, é regra. O Pontal todo. E a polícia e o Judiciário têm a coragem de atacar o MST, que é meia dúzia de gente pobre que quer o mínimo, que é o acesso à terra. Vai fazer a discriminatória das terras públicas que você vai ver quanto esse país vai ganhar de terra!

Bárbara Mengardo – Existe uma estimativa de quantos hectares de terras griladas são ocupadas por grandes empresas?
Na verdade os documentos são produzidos. Foi isso que eu verifiquei com a tese do Joaquim de Brito, que, aliás, eu pedi que ele produzisse um texto que fosse mais palatável para a linguagem de um livro e ele morreu na madrugada que ele escreveu o texto. Aprendi muito com ele porque ele tinha documentos de todas as terras e dizia: “Olha, ainda tem registros novos aparecendo”. Ele mostrou que tinha propriedade no litoral que subia a serra. E aí quando eu vejo a mídia atacar o MST eu fico absolutamente impressionada. Em um país onde a história da propriedade é de fraude. Eu resolvi juntar livro sobre isso. Aí eu comecei a ver que nós temos uma produção gigantesca sobre a fraude na propriedade da terra, sobre as disputas de terra, sobre morte.

Lúcia Rodrigues – Quem está por trás disso? São os cartórios? É o governo?
Tudo. É a sociedade brasileira. É poder vinculado à propriedade.

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Novo Recife: Mas, para quem? « Viomundo – O que você não vê na mídia

20/12/2012 - 01h42

[…] Ermínia Maricato: Os prisioneiros da especulação imobiliária […]

Responder

Reforma Urbana, quando governos encararão de frente a questão? | Maria Frô

15/01/2011 - 23h41

[…] às almas gêmeas do PT e PSDB quando se trata de encarar a necessidade de se fazer reforma urbana, aqui. O PT tem excelentes especialistas na área, com inúmeros estudos e contribuições que se fossem […]

Responder

Luci

15/01/2011 - 15h12

A cobrança da natureza estpa só codfmeçando, e os que acumularam riqueza espoliando cidadãos submetenso os à humilhações, fome, miséria, também serão cobrados. A cerca que anda não significa nada para a natureza que está dando sinais de que a humanidade não sabe conviver em paz, e não respeita o meio ambiente, considerando-se donos de tudo e de todos até da flora e fauna. Desmatam e querem terra por dinheiro, aprisionam quem tem o legítimo direito à terra.A ambição e a ganância é desmedida e voraz.Não dividem porque implantaram o capitalismo selvagem.É tempo de fmeditar, repensar, reconhecer direitos dos que secularmente e historicamente ficaram com o nada e estão sendo penalizados há séculos.

Responder

    Renato

    26/01/2012 - 11h55

    Luci, as pessoas que acumulam terra foram aquelas que deram prioridades para o trabalho, cortar custo.(aumentar receita e diminuir despesa), assim como eu faço com o meu salário. (estou dimnuindo as minhas despesas) para chegar lá na frente não depender de U$ 15,00 por mÊs de aposentadoria.

carmen silvia

15/01/2011 - 04h47

Eu ainda não defini se a Maricato está mais pra realista ou pessimista,ela em alguns pontos coloca uma parede, não deixando perspectiva pra solução a curto e médio prazos.Eu espero sinceramente que no próximo período de chuvas não estejamos aqui a discutir as mesmas questões.Sei que por se tratar de um problema estrutural as soluções não acontecerão num piscar de olhos,mas como boa mineira que sou já está passando da hora de irmos comendo o mingau pelas beiradas.Não dá pra encarar de frente algumas questõe, porque seria uma guerra de acordo com a urbanista,que façamos de outra forma,o que não dá é a cada problema com as dimensões do que assistimos agora,fazer todo esse alvoroço e depois continuar e esperar outra tragédia chegar e mais outra e mais outra…Muitas vidas já foram perdidas,e não me refiro apenas as de agora.Em 1967 eu era criança e lembro de ver na antiga revista Manchete matérias sobre deslizamento e morte no RJ.Não dá mais pra empurrar com a barriga.

Responder

    Jose antonio

    15/01/2011 - 11h33

    Pelo que vc sente que ela não é nem realista nem pessimista, eu sinto que ela está fora do problema, não sinto ela engajada em nenhum movimento que possa mudar a situação.
    Existe um ditado que dis o seguinte: Deus sempre perdoa, a humanidade as vezes perdoa e a natureza nunca perdoa.
    Portanto, isso ainda vai longe, se começarmos hoje a retirar as famílias localizazadas em área de risco daqui algumasa décadas podemos estar loivres destas catastrofes.
    choveu no rio estes dias 182 ml e já morreram quase 1000 pessoas, em portugal na última enchente choveu 200 ml e só morreram 52 pessoas.
    essa é a asituação do teceiro mundo.

MMiguel

14/01/2011 - 19h33

Parece q a presidenta conhece o discurso de Ermínia Maricato, pois até o usou a expressão "ocupação irregular é a regra, não a excessão" ao falar sobre os problemas causados pelas chuvas nesse começo de ano.

Responder

edv

14/01/2011 - 14h52

Uma das origens da concentração urbana é a concentração econômica. O brasileiro urbano tem raízes fortíssimas nas cidades, talvez por achar ou ser convencido de que já "está no melhor lugar possível".
Aí a economia gerada atrai imigração, num círculo vicioso.
Uma das ações que podem ser tomadas provisoriamente é o incentivo à migração distribuída.
Ex: médicos formados nas capitais irem para o interior.
Bobagem pensar que todos querem ficar no asfalto. Há muita gente que vê SUA qualidade de vida melhor em outros lugares. O que desincentiva é a frequente inviabilidade econômica. No exemplo citado, o médico precisa de pacientes que lhe paguem, podendo até ser um pouco menos.
Mas não estará disposto a ser médico pobre.

Responder

    edv

    15/01/2011 - 16h37

    Embora já tenha exemplificado "médicos", talvez seja conveniente reforçar que a migração referida é a de camadas socioeconômicas MAIS desenvolvidas da população, até para distribuir melhor este desenvolvimento pelo país.
    E não o inverso, já que sou defensor do direito universal de ir e vir de QUALQUER cidadão brasileiro para QUALQUER lugar onde ele meramente enxergue mais oportunidades para si.
    Antes que alguém possa inferir que estaria sugerindo, por ex., um medíocre "devolver nordestinos"…
    Estou falando em incentivar gaúchos, paulistas, cariocas, mineiros e outros tantos, em migrarem o Nordeste, Norte, Centro-Oeste…
    Obviamente também os nordestinos, nortistas e centro-oestinos (?) socio-economicamente desenvolvidos fazerem o mesmo. Se quiserem.
    Espalhar (e misturar) gente e desenvolvimento!

Ermínia Maricato: Os prisioneiros da especulação imobiliária | Fórum Imobiliário

14/01/2011 - 12h59

[…] por Luiz Carlos Azenha do Viomundo […]

Responder

Sr. Indignado

14/01/2011 - 12h40

Olha que piada.
Em algumas cidades, empreiteiras buscam recursos na caixa para construirem apartamentos até um determinado valor (ex: até R$90.000.00), e obviamente com juros bem baixinho. Até aí tudo bem. Quando a obra termina, o avaliador da caixa vai lá e avalia até esse valor, nem olha pra dizer a verdade.
Só que a empreiteira diz que o imóvel vale R$120.000,00-R$150.000,00 e que o resto tem que ser por fora, aí o sujeito faz o quê:
(a) fica indignado, procura outra, mas é a mesma coisa.
(b) denuncia na caixa… hahahahaha
(c) continua morando no barraco
(d) faz um empréstimo por fora, para pagar a diferença e as taxas municipais, em torno de 5% do imóvel (outro absurdo)

Bom mesmo é quem acumula imóveis para alugar (5,10, 100 imóveis!!!!) e o IPTU progressivo como é essa história? MINHA CASA MINHA DÍVIDA

Responder

    edv

    15/01/2011 - 14h16

    Ou seja, a "empreiteira diz que…" e a "indignação" … com o programa do governo.
    É, faz sentido…
    Olhei a piada,

Sergio José Dias

14/01/2011 - 12h12

A questão é ambiental, mas também de cunho social. O uso do solo, a ocupação da terra não seguem o Estatuto das Cidades, que prevê a prevalência do uso social do solo urbano sobre a especulação imobiliária, no entanto, nada é feito neste sentido pelos diversos governos. Fala-se muito de reforma agrária, mas esquece-se da reforma urbana. Devemos observar como a propriedade imobiliária nas cidades está concentrada nas mãos de uns poucos, enriquecendo-os, enquanto, parcelas gigantescas da população vivem nos morros do Rio de Janeiro, como se fossem cabritos, e em São Paulo, há distâncias tão grandes do centro, que gastam horas para chegar ao trabalho, isso sem falar das outras capitais brasileiras e cidades médias.
Reforma agrária? Muito mais séria é a questão da reforma urbana, e neste sentido, o acesso ao mercado formal de trabalho, e mesmo quando estando neste, o problema dos baixíssimos salários que recebem os trabalhadores, isso inviabiliza a sua entrada no mercado de compra e venda de imóveis e os empurra para a moradia ilegal e para a favelização. Na verdade, a cidade formal serve à especulação financeira. Este território não é para todos, mas sim para uns poucos apaniguados, capacitados financeiramente a terem acesso a todos os benefícios do capitalismo. Em uma fala da Maricato "É a terra urbana e rural. A terra está na essência da alma brasileira. A desigualdade no Brasil passa essencialmente pela questão fundiária. Campo e cidade. Só terminando a história dessa segregação, não tem nenhum mistério. Uma parte da população constrói as casas, constrói fora da lei e não tem lugar nas cidades. Às vezes os planos diretores não disseram onde os jovens iam morar, porque todo plano diretor é seguido de uma lei de zoneamento e a lei de zoneamento é lei para o mercado, e a nossa população tá fora do mercado." E porque está fora do mercado? Porque os salários pagos por nossa elite são irrisórios, mas garantem aos donos do capital altíssimos lucros. É como nos disse há muito tempo atrás o sociólogo Francisco de Oliveira, para garantir a acumulação de capitais para nossa burguesia mantemos os trabalhadores vivendo em total ilegalidade, levando-os ao acesso irregular de todo e qualquer serviço: de energia elétrica, de telefonia, de internet, e inclusive, de moradia, ou seja, a favelização.
Para Maricato, mexer nesta estrutura territorial urbana levaria o país a uma revolução. Ela afirma: "Se voce de repente pega todo mundo que ocupou os morros do Rio de Janeiro, que estão desmoronando, ou dos morros de São Paulo, que desmoronaram meses atrás, e proíbe de ocupar, é guerra. Mas aí alguém fala: tem que ter uma política habitacional. Tem. Metade da população do Rio de Janeiro mora em domicílios ilegais. Como é que você faz uma política habitacional para incorporar metade da população sem uma completa revolução com a terra? Sem uma completa mudança na característica do mercado imobiliário? Sem uma completa mudança no direito de propriedade? Sem uma completa mudança da forma de ação do Estado? De que jeito?"
Para finalizar, são estas as moradias mais fragilizadas nos momentos das grandes tragédias ambientais. mas enquanto tivermos esta estrutura habitacional pouco poderá ser feito.

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Sergio José Dias

14/01/2011 - 11h19

Reforma agrária? Muito mais séria é a questão da reforma urbana! Para quem quiser baixar a tese de Joaquim de Brito, citada pela Maricato: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16131/tde-3...

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Martin

14/01/2011 - 10h22

(Faltou o Início (!!!) => 1…)

Azenha !!

Eu tenho uma visão tão simples disso tudo…( O por que de não haver controle sobre o crescimento urbano desordenado , aqui brilhantemente explanado pela arquiteta Ermínia Maricato!)

O “político” está inserido fortemente no contexto empresarial (ou econômico) de TODAS as Cidades (e Estados ) .
Essas Empresas (ou Sociedades Comerciais ) colaboram drasticamente com o pagamento das campanhas vencedoras desses “políticos”, e ambos conviverão em harmonia (de interesses!!) pois precisarão reativar esse apoio daqui 4 anos…
E ainda, na MAIORIA das vezes, o próprio “político” aproveita sua chegada a esse âmbito para se beneficiar de informações privilegiadas e iniciar-se como “empresário” !! Se já não é…

(continua em 2…)

Att.
Martin

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Messias

14/01/2011 - 10h19

8.514.876,599 km² de País, com as mais variadas e belas paisagens, e o povo amontoado em grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. Tem alguma coisa de burrice nisto.

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Martin

14/01/2011 - 00h21

(6…e Final, ufa!!)

…Nessa NOVA REALIDADE, as "IDEOLOGIAS" POLÍTICAS teriam um espaço justo, e não serviriam, como é hoje, para picaretas fazerem "carreira" política enquanto legitimam ações de GRUPOS FINANCEIROS e BANQUEIROS que os financiam…Ou então desenvolvendo suas próprias “empresas”.

Por falar nisso, aonde andam os "300 picaretas do Congresso", denunciados pelo Lula em 1993, durante o escândalo dos "Anões do Orçamento" ?
Suas cadeiras estarão sendo ocupadas por outros picaretas ?

Att.

Martin

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Martin

14/01/2011 - 00h20

(5)
Obs.: Poderíamos definir 2/3 das vagas p/ candidatos formados exclusivamente em Escolas Públicas… ( Incentivando a Escola Pública de Qualidade e a Carreira de Professor ).

Dessa forma, cada região estaria obrigatoriamente representada (por exemplo) pelo menos por 1 Deputado Estadual, SELECIONADO de uma forma muito mais justa e digna para avaliar (no dia-a-dia) as questões que dizem respeito à ÁREA que ele vai representar lá na Assembléia Legislativa, na capital de seu Estado…E assim tbém com relação aos Deputados Federais e Senadores, que irão morar em Brasília (e certamente serão mais produtivos, no BOM SENTIDO) .

Quanto aos Vereadores (incubadora de políticos), bastaria sua simples indicação pela Associação Comunitária ou Entidade Sindical (SEM gastos com campanha), aliado a um salário simbólico, compatível com 1 reunião noturna semanal !! (grande percentual das cidades brasileiras têm 1 reunião semanal apenas).

(continua em 6)

Att.

Martin

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Martin

14/01/2011 - 00h19

(4)
FILTRO POLÍTICO nos traz à SOLUÇÃO =>

Dando aos Congressistas a mesma estabilidade do Poder Judiciário e Policiais Federais , através de CONCURSO PÚBLICO !!!

– Com Estabilidade no Cargo => Sem Necessidade de Financiamento de Campanha !!!

– Proibidos de serem Sócios de Empresa Comercial !! => Não ouviríamos mais aquela frase idiota: "Meu Nome e o de Minhas Empresas são Imaculados” !!

– Aliado ao Endurecimento da Legislação contra Crimes do Colarinho Branco;

– Enquadrando como Crime Hediondo os delitos de:
Evasão de Divisas, Sonegação Fiscal, Lavagem de Dinheiro, Corrupção e Formação de Quadrilha.

(continua em 5)

Att.

Martin

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Martin

14/01/2011 - 00h16

(3)
Quando conseguirmos selecionar POLÍTICOS com real vocação de FUNCIONÁRIO PÚBLICO bem preparado (!), o resto será questão de tempo…

As ações de REAL Interesse Público como a Preservação de Matas Ciliares e Encostas de Áreas Íngremes, o NÃO desmatamento, o respeito aos ( bons) Planos Diretores e a NÃO POLUIÇÃO descarada, a mudança gradual da MATRIZ ENERGÉTICA e de TRANSPORTE público e individual, etc, serão VERDADEIRAMENTE vigiados pelos nossos “SÍNDICOS” …

MAS…Como SEPARAR o “político” do empresário ???

(continua em 4)

Att.

Martin

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Martin

14/01/2011 - 00h15

(2)
Como se sabe, a mão-de-obra barata (advinda dessa população “favelada”) é um dos pilares do capitalismo selvagem…Selvagem porque, nesse ambiente, os “fins-justificam-os-meios” !! E as ocupações irregulares ocorrem paralelamente à busca do MAIOR LUCRO POSSÍVEL para continuar crescendo mais e mais…

O que preconizo como SOLUÇÃO (gradual) para a maioria dos problemas das SOCIEDADES HUMANAS, é a SEPARAÇÃO RADICAL entre os “políticos” e os empresários !!!!! Coisa que a própria Constituição Federal de 1988 “tenta” mas não consegue evitar !!

(continua em 3)

Att.

Martin

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Martin

14/01/2011 - 00h14

Azenha !!

Eu tenho uma visão tão simples disso tudo…( O por que de não haver controle sobre o crescimento urbano desordenado , aqui brilhantemente explanado pela arquiteta Ermínia Maricato!)

O “político” está inserido fortemente no contexto empresarial (ou econômico) de TODAS as Cidades (e Estados ) .
Essas Empresas (ou Sociedades Comerciais ) colaboram drasticamente com o pagamento das campanhas vencedoras desses “políticos”, e ambos conviverão em harmonia (de interesses!!) pois precisarão reativar esse apoio daqui 4 anos…
E ainda, na MAIORIA das vezes, o próprio “político” aproveita sua chegada a esse âmbito para se beneficiar de informações privilegiadas e iniciar-se como “empresário” !! Se já não é…

(continua em 2….)

Att.

Martin

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Norton

13/01/2011 - 21h50

Como se retira o poder da estrutura imobiliária supranacional? É, talvez não seja tão simples, mas alguns caminhos são conhecidos: concurso para cartorário a cada dez anos, cooperativas de moradia, subsídios para materiais de construção (junto ao Minha Casa…), discussão sobre mediação de conflitos sobre a posse da terra (tanto urbana qto rural). Todas elas criticáveis? Sem dúvida, mas são ações humanas reais, e por isso mesmo passíveis de aprimoramento. Quero crer que todos os que criticam não devem nada, ou melhor, queiram a mudança real (ou não a temam, porque de covardia o Brasil e a Humanidade já sofreu por demais).

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Elton

13/01/2011 - 21h28

A especulação imobiliária é poderosa……..dá dinheiro para campanhas eleitorais de prefeitos, vereadores e talvez até governadores de estados. A especulação imobiliária não quer reforma urbana, quer espaços cada vez mais "valorizados" por obras públicas direcionadas. A especulação imobiliária quer "liberdade de mercado" e não está NEM AÍ para questões ambientais e sociais. Em Curitiba (PR) foi construído um Shopping Center em área de preservação ambiental (manancial hídrico) com expressa "autorização" da prefeitura, sem maior burocracia……….

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Tolentino

13/01/2011 - 20h11

Falou tudo

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É a natureza! « Nós

13/01/2011 - 19h41

[…] de artigos de duas mulheres que manjam muito desses temas acima elencados, Ermínia Maricato (leiam aqui um artigo dela publicado originalmente em 2010) e Raquel Rolnik (leiam aqui o blog dela). Até o google (ou terá sido o twitter?) me apresentou […]

Responder

Carlos Cruz

13/01/2011 - 19h13

Vamos despolitizar, gente. A OBRIGAÇÃO de seguir a LEI é de TODOS! TODOS os governantes (eleitos…), TODOS os cidadãos (que sempre querem levar uma vantagem a mais, jogando papel, lixo pela janela …). Se os governos não agem é pq não pressionamos. Nossa OMISSÃO. E continuamos a não pressionar, a nos omitir, negligenciando a manutenção de nossa casa, nosso bairro, cidade, estado, nação. Um ano depois das tragédias de 2010 estamos discutindo o mesmo: de quem é a culpa? NOSSA CULPA. Ou EXIGIMOS que haja respeito ao plano diretor, política de saneamento, de recolhimento e tratamento do lixo (não adianta jogar em um "lixão"), ou nada acontece. Dinheiro há para propaganda, aumento de vereadores, deputados estaduais, do Congresso Nacional, viagens, etc… Os vereadores servem para alguma coisa? Necessitamos de educação quanto ao lixo de todo o dia e punição severa a quem descumpre a legislação. Necessitamos da obrigação de continuidade das obras públicas (quantas estão inacabadas? Quantas foram prometidas e nem sairam do papel?) Continuamos, porém, discutindo política e procurando os culpados. Não olhamos para nosso próprio umbigo…

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    Elton

    13/01/2011 - 21h40

    Desculpe amigo mas é IMPOSSÍVEL não politizar tais temas. Politizar a população como um todo é necessário e isso leva tempo mas já há mostras de evolução nesse sentido.

Gustavo Pamplona

13/01/2011 - 18h27

Eu vou contar para vocês a verdade sobre o "Minha Casa Minha Vida."

Depois que o Governo inventou isto… as imobiliárias elevaram os preços dos imóveis para fugirem justamente do financiamento da Caixa já que tem burocracia e o dinheiro demora mais a sair

Aqui em BH aonde eu moro (Castelo – região da Pampulha) tinha apartamentos de 2 quartos que eram vendidos por menos de 100 mil reais… 90…80 mil eram a faixa de preço e isto foi no começo de 2009…

Hoje aqui nesta região você somente acha por 130..140 mil reais um apto de 2 quartos.

E olhem que em 2005 estes mesmos apartamentos custavam em media 50..60 mil reais e depois que o Minha Casa Minha Vida foi lançado as imobiliárias para FUGIREM do Minha Casa Minha Vida elevaram os preços para justamente ficarem livres da OBRIGAÇÃO já que o Minha Casa Minha Vida cobre até um certo limite de preço.

Ou seja… o Governo acabou sacaneando com todo mundo e vocês ficam aplaudindo… Parabéns!!!

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    Jairo_Beraldo

    13/01/2011 - 19h59

    Pamplona, o que voce descrveu, foi uma forma de "selcionar" os compradores. É diferente.

    Paulo

    13/01/2011 - 20h05

    Entendi…então a ganância do mercado imobiliário e os barões das construtoras privadas são santos e é o governo que não presta. Gostei

    Elton

    13/01/2011 - 21h36

    Não é só isso, os imóveis encareceram em todo o país também em função do crescimento econômico vivido nos últimos anos e até da própria desvalorização de outros ativos como o dólar e o Euro. Aí naturalmente os "investidores" canalizam recursos para outro lado.

    Emilio Matos

    14/01/2011 - 14h21

    O limite de preço de apartamentos cobertos pelo programa é de 100.000 reais. Que eu saiba, os apartamentos que já tinham preços maiores também aumentaram na mesma proporção que os que custavam menos. Logo, tem coisa errada no seu raciocínio.

    Gustavo Pamplona

    14/01/2011 - 15h17

    Amigo… não há lógica errada em meu raciocínio.

    Um apartamento de 3 quartos aqui nesta região anda valendo pelo menos uns 200 mil reais enquanto em 2005 valia uns 100 mil. Sei como são reajustados os preços de imóveis…

    O que eu quis dizer é o seguinte: Depois que o Minha Casa Minha Vida foi lançado as imobiliárias aumentaram os preços de forma ABSURDA bem mais do que o reajuste justamente para não serem OBRIGADAS

    Detalhe: Sou técnico de informática mas acho que até o final deste ano vou virar corretor de imóveis e tenho conversado com vários corretores…eu só preciso estudar, fazer a prova e tirar o CRECI.

    Eu acho que a diferença entre eu e vocês é que sou um PTista porém não sou um alienado PTista e sei o quanto alguns programas do Governo são ruins…

    Um deles é justamente o Minha Casa Minha Vida conforme um leitor chamado Sr. Indignado bem disse acima… Minha Casa, Minha Dívida…

    Sabe porque meu caro amigo: O cidadão já não tem dinheiro suficiente para comprar um imóvel e ele entra numa dívida que vai durar pelo menos uns 30 anos… Ou seja é ou não é uma (dí)vida?

    E outra coisa: Eu, Gustavo, eu SEMPRE sei o que estou falando…

    Emilio Matos

    15/01/2011 - 15h14

    Interessante que você se utiliza de falácias demais para quem acha que sempre sabe o que está falando.

    1. Não disse nada sobre o meu comentário de que apartamentos que já estavam acima do limite para o programa também tiveram aumentos de preços altos.

    2. Tenta me desqualificar como alienado, a típica fuga de quem não sabe argumentar. Em vez de atacar o argumento, ataca a pessoa com quem está conversando.

    3. Tenta usar um argumento de autoridade, exigindo respeito pelo conhecimento próprio. Se é que você tem conhecimento acima do normal sobre o mercado imobiliário, o que você tem que fazer é utilizá-lo de modo a me mostrar como estou errando, e não exigir respeito por si só, sem demonstrar conhecimento nenhum em forma de argumentos.

    Emilio Matos

    15/01/2011 - 15h14

    O que eu disse é bem simples, e vou quase desenhar pra ver se você entende. Há 3 anos, comprei um imóvel por 380 mil reeais. Hoje, o imóvel vale perto de 600 mil reais. Existe Minha Casa Minha Vida para imóveis para essa faixa de preço? Não. Então parece evidente que existem fatores mais importantes que o programa que estão inflacionando o mercado imobiliário. Deveria ser evidente para quem diz conhecer do assunto quais são esses fatores.

    E ainda quero esclarecer que não duvido de que o programa possa ter sido um dos fatores de aumento de preço para imóveis de preço mais baixo, mas existem outros fatores também em jogo, e mais importantes, não sendo esse absurdo que você diz de 100% de aumento em função quase exclusiva do programa do governo.

    edv

    15/01/2011 - 16h18

    Concordo com vc, Gustavo: "Não há lógica errada em seu raciocínio"… Veirdadi!
    Nem certa…
    Na verdade, simplesmente fica perto de nenhuma. De pouca.
    Como sua exibição de conhecimento do assunto.
    Começando por "as imobiliárias aumentaram o preço…"
    Passando pela valorização imobiliária, que é fato, mas eu já suponho (humildemente) que a "culpa" é pela volta dos Ronaldos ao Brasil. Ou talvez a diminuição das sardinhas no litoral sul.
    Chegando na dívida de financiamento. Que embora seja o processo comum e universal de aquisição do primeiro imóvel, mesmo no primeiro mundo, aqui eu acho que este "governo sacana" deveria prover uma solução para que todos comprassem à vista.
    Talvez definindo um salário mínimo de R$ 76.545,00.
    Ou definir um valor máximo de aluguel de uns "dez real". Aí nem precisa comprar…
    Outra coisa: sabemos que vc SEMPRE sabe o que está falando.
    De minha parte (um alienado não petista), agradeço a brilhante luz que vc nos traz!

    edv

    15/01/2011 - 15h54

    Um espanto! Obviamente este é o objetivo do programa: "sacanear todo mundo"….
    Quem nem aquele filantropo que vai numa favela, doa 5 tons. de alimento, vai embora e aí aparecem aqueles malandros mais fortes começaram a roubar os alimento dos mais fracos…
    Êita filantropo FDP!
    É tanta inferência ingênua que temos que ir por partes, como "Joca" o estripador:
    a) O valor de imóveis subiu muito nos últimos anos, principalmente em capitais. isto se chama "mercado", refletindo a melhora da economia, em todos os níveis (uma cadeia…).
    b) Existem centenas de variáveis que influem no preço, independente de programas e financiamentos (uma delas), mas longe de ser a única ou mais relevante.
    c) Imobiliária não "define" preço. No máximo, aproveita as marés e ganha comissão.
    d) Quem determina o preço de venda é a construtora, incorporadora ou proprietário. Só que não adianta ele "subir" o preço a seu bel prazer, pois quem paga e dá a última palavra é o mercado, o comprador, que paga o que "vale", comparado aos similares disponíveis. Se ficar acima, mica!
    e) Não há vendedor que deixe de vender para um "financiado", pois uma vez aprovado, ele recebe à vista.
    f) O vendedor não tem risco, ele fica com o banco financiador. Pra ele, tanto faz ,recebe a vista.
    g) O que pode acontecer é durante a espera da aprovação ele encontrar alguém que pague à vista do bolso. Se não vende para o financiado do mesmo jeito, a diferença é só tempo de oportunidade.
    h) Isto acontece até com que já tem "bala na agulha", se chegar outro antes.
    i) Uma vez aprovado, se o comprador perdeu um imóvel, estará habilitado a comprar outro imóvel.
    h) Se aguém "sobe" de 100 para 150, e VENDE, é porque tem gente pagando os 150 e não para "fugir do plano". Só se vende pelo preço que o mercado paga e não o mercado paga o preço que ele quiser. Básico.
    Mas de qualquer forma, obrigado por nos contar a "verdade", Pamplona.
    Vc deveria ser entrevistado como "especialista" pelo Sardenberg, Waack, Waldvogel e similares!

Orides

13/01/2011 - 18h17

Pode ser até verdadeiro afirmar que o Minha Cada, Minha Vida inflacionou o preço dos terrenos.

MAS é profundamente injusto não ressaltar que haveriam providências das prefeituras que poderiam evitar essa inflação de preços. Se não foi feita, a culpa é das autoridades, não do programa Minha Cada, Minha Vida.

Do jeito que está colocado, parece que o financiamento de moradias para a população de baixa renda SÓ deveria ocorrer quando não inflacionasse os preços dos terrenos? ISSO SERIA NUNCA, JAMAIS, e não pode haver nada mais injusto e preconceituoso que este tipo de raciocínio.

Não acredito que a arquiteta pense assim, nem que o Azenha jamais pensou isso.

Mas faço o alerta.

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    Bonifa

    14/01/2011 - 11h48

    Alertar para risco de inflação em preços do mercado imobiliário buscando evitar providências de subsídio em políticas públicas para habitação de menor renda, foi o argumento favorito utilizado pelos incorporadores imobiliários nos Estados Unidos, na década de 60. Em nome do combate à violência advinda da miséria de enclaves habitacionais sub-humanos, inúmeros governos municipais por todos os Estados Unidos deram gloriosa banana para estes alaridos neoliberais e refizeram, com subsídios, o perfil urbano e habitacional de suas cidades. Agora, em um tempo em que os neoliberais estão a ponto de serem caçados impiedosamente até embaixo de suas próprias camas por todo o mundo desenvolvido, vêm os neoliberais macunaímicos papaguear o mesmo discurso ridículo no Brasil? De que políticas públicas na área de habitação inflacionam os preços do mercado? O que merecem estas pessoas retrógradas?

Arthur Schieck

13/01/2011 - 18h03

Ninguém acha estranho num edifício de 20 apartamentos 5 estarem vázios, mas numa quadra de 20 casas onde 5 estão vazias todos pensam que se trata de uma cidade veraneio.
O que ocorre hoje em grandes cidades é isso, muitos imóveis vazios que poderiam estar barateando o preço dos aluguéis se estivessem disponíveis. Com aluguéis cada vez mais caros a população procura novas fronteiras da especulação imobiliária para viabilizar sua moradia. O resultado disso, além dos grandes congestionamentos, é o que vemos hoje no estado do Rio: moradias precárias em áreas inapropriadas.
Não existe governo no mundo capaz de bancas habitação para toda sua população. Isso vai além de qualquer utopia. O que os governos podem e devem fazer é legislar sobre o tema forçando uma maior disponibilidade de moradias mais próximas dos grandes centros. O IPTU extra para imóveis vazios não é uma ideia nova e há 5 anos já se falava sobre isso em Barcelona.
Não estou falando de combater a especulação imobiliária, esta é inerente a cidade. Aliás, a cidade é em sua essência uma grande especulação.

Responder

Luci

13/01/2011 - 18h02

Mas tinha também os ricos que construiram hotéis de luxo e pousadas. O Brasil tem "área de ricos" e bolsões de miséria, onde reside quem lhes limpa suas casas.É o estilo Casa Grande Senzala. Gostaria muito de assistir uma palestra da professora juntinho com o professor Fabio Konder Comparato."A função social da terra…, a oligarquia desvirtuou a função social e mercantilizam até pedaço de terra para enterro é desumano demais.

Responder

Marcia Costa

13/01/2011 - 17h55

O mesmo processo o qual a articulista se referiu, ocorre em Brasília, DF. A grilagem de terras é t]ão escandalosa que já fez um dono de cartório cair. Aqui também há uma cultura de invasão de terras públicas por toda sorte de classe social: os "ricos" funcionários públicos invadem as áreas mais próximas ao Plano Piloto e os mais pobres, as áreas mais distantes. O boom imobiliário da capital avança sobre áreas nativas do Cerrado como o Noroeste, que fica ao lado do Parque Água Mineral. No mais, morro de inveja da arquiteta. Meu sonho de "consumo" é comprar uma fazenda aqui no Goiás bem grande para reflorestar com as espécies típicas do Cerrado assim como ela e amigos estão fazendo com a Mata Atlântica. Coma idéia deles, acho que vou procurar outras almas que amam a natureza para pôr esse projeto adiante.

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Bonifa

13/01/2011 - 17h23

Durante o reinado do neoliberalismo macunaímico, destruiu-se o planejamento urbano no Brasil. Mesmo os planos diretores básicos de cidades pequenas, realizados sem condições técnicas e sem participação popular, foram declarados precocemente leis mortas, sem nenhuma sustentação política. Nas grandes cidades, os planos diretores antigos, das décadas entre 40 e 60, que ainda davam sustentação civilizada ao desenvolvimento urbano, foram atirados ao lixo e substituidos por diretrizes traçadas exclusivamente pela especulação imobiliária. Os escritórios de planejamento das prefeituras, foram sucateados e seus funcionários foram desprezados e humilhados, sujeitos a salários de fome, quando não foram apenas fechados. Os códigos de obras foram tratados como empecilhos jurássicos. Os serviços de fiscalização foram estimulados a se lançarem nos braços da mais torpe corrupção. É este o balanço que hoje as cidades brasileiras apresentam, quando confrontam as forças da natureza.

Responder

Luis

13/01/2011 - 16h50

Quando eu vejo os especialistas da Coppe – UFRJ falando na Globo, acerca das chuvas no RJ, fica fácil perceber o esforço dos e das jornalistas para evitar a expressão maldita, que nunca pode ser dita: propriedade privada da terra urbana ou rural. É aí que reside o problema dos "pobres que vivem construíndo em áreas de risco". Como se eles pudessem escolher: vamos morar em uma área urbanizada, corretamente drenada? Não, preferimos encostas!
A "grobo" nunca vai botar a mão na ferida: a fraude nos registros de proriedades griladas por especuladores. Se 10% desses registros fraudados fossem anulados, sobraria terra para alocar esses "pobres que insistem em morar em lugares perigosos".

Responder

Latifundio é poder!

13/01/2011 - 16h47

É poder vinculado a propriedade.? Porque os governos homens do poder são oriundos das oligarquias.
As oligarquias formaram latifundios e métodos de dominação, os meios de comunicação é um deles.
Portanto manter a propriedade é manter o poder, é a "cerca que anda" e atravanca tudo.O capitalista quer a terra para lucrar. A função social da terra quem sabe um dia, num outro planeta.

Responder

Marcelo de Matos

13/01/2011 - 16h31

Parte 2. Há muitos mortos a serem velados. Não é hora de ficarmos discutindo questões como desigualdade social, reforma urbana (que seria uma espécie de reforma agrária, ou seja, a melhor distribuição do solo). É claro que deve haver uma pauta para tudo isso. O conceito de reforma urbana, como dizem os juristas, é uma “vexata quaestio”, ou seja, uma questão muito controvertida. Não vem a pelo, no momento. É hora de pensarmos em soluções administrativas, planejamento estratégico, em nível nacional, normas de ocupação do solo urbano e preservação do meio ambiente, bem como na forma de implementar, de modo rigoroso, essas normas. Nossas cidades padecem as consequências do aquecimento global, potencializado pela impermeabilização excessiva do solo, embora esses problemas sejam agravados pela pobreza da população. Nos morros cariocas desabam tanto barracos de pobres como mansões de bicheiros. As intempéries não escolhem classe social.

Responder

    Angela

    13/01/2011 - 17h55

    Quanto equivoco, o sr precisa estudar a lei 10257/2001 – Estatuto da Cidade sobre Planos Diretores; a fala da MAricato tem tudoa ver com as tragédias que estão acontecendo nos varias cidades em varios estados.

    Marcelo de Matos

    13/01/2011 - 19h54

    Cara Angela. A lei que você citou já tem dez anos e não acrescentou nada. Regulamenta os arts. 182 e 183 da CF. O primeiro trata do Plano Diretor municipal; o segundo do usucapião urbano. Os planos diretores, elaborados pelos municípios, não resolvem os problemas atuais de enchentes causadas pelo efeito estufa, o excesso de impermeabilização do solo, etc. Novas normas terão de ser editas e é preciso criar condições para que sejam de fato implementadas. Você deve saber que fiscal municipal não fiscaliza nada. Não dá para continuar assim. O governo tem de traçar políticas urbanas e zelar para que sejam crumpridas. Chega de populismo e prevaricação. Precisamos de normas atuais, direcionadas para os prementes problemas do momento. E que essas normas sejam de fato cumpridas.

Marcelo de Matos

13/01/2011 - 16h31

Parte 1. Deixa ver se entendi: PT e PSDB não falam de reforma urbana? Qual o conceito de reforma urbana? Ouço falar desse assunto desde o tempo do governo João Goulart, em 1963, quando o jornal do PCB, A Classe Operária, publicava um suplemento explicando as “Reformas de base”. Até hoje não entendi direito. A Fundação Perseu Abramo dá algumas explicações: “O cenário das nossas grandes cidades provavelmente será marcado pela fragmentação. Esse é um dos desafios para quem enxerga a reforma urbana como parte de um projeto nacional e popular que busca a hegemonia na sociedade. Uma resposta à proposta neoliberal deve questionar o fortalecimento do Estado desenvolvimentista.” “O espaço urbano é considerado como arena onde se defrontam interesses diferenciados em luta pela apropriação de benefícios não só em termos de rendas e ganhos gerados pela ocupação do solo da cidade, mas também em termos de melhores condições materiais e simbólicas de vida”.

Responder

Pedro Luiz Paredes

13/01/2011 - 15h58

O representante de vocês não sabe nem escrever direito! Olha aqui: http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2011

"Vedada" gente, chamem o encanador!

"Vetada" por favor!!!!!!!!

Os caras são tão xucros que mesmo eu avisando por email não corrigem!

Responder

    Marcelo de Matos

    13/01/2011 - 16h46

    Por falar em vazamento e encanador, a Folha acaba de publicar: “O Ministério Público de São Paulo pediu a instauração de um inquérito policial para apurar o vazamento da investigação contra Paulo Ribeiro, cunhado do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB)”. O jornal informa, ainda, que: “A Verdurama, pivô do suposto esquema de fraude na merenda em Pindamonhangaba que envolve Paulo César Ribeiro, cunhado do governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB), piorou a qualidade dos produtos nas escolas para fazer caixa. Segundo investigações do Ministério Público, o dinheiro economizado teria bancado propina e doações a campanhas eleitorais”. Que pilantragem! Piorar a qualidade da merenda escolar para fazer caixa eleitoral! No link http://www1.folha.uol.com.br/poder/859267-denunci… há um infográfico que explica toda a pilantragem tucana.

    Fabio SP

    13/01/2011 - 17h53

    Pelo menos o titulo está sequinho, né?

Pedro Luiz Paredes

13/01/2011 - 15h55

Que reforma urbana, vocês não tem mais o que inventar!
É só aparecer um presidente que da bolsa esmola e já querem o bolsa moradia, bolsa carro… daqui a pouco vão querer bolsa de grife, bolsa ingresso de jogo de futebol!
Pra que gari precisa de casa boa, o cara vive no lixo?
Se o cara é pedreiro e não consegue construir uma casa pra ele então muda de profissão!
A mulher tem a sorte de trabalhar num hotel 5 estrelas e ainda quer passar o tempo livre no bem-bom?
Pra que escola boa se é na dificuldade que se da valor nas coisas?
Serão muito mais felizes comendo ovo e pão do que carne. Ninguém consegue ver isso, é um absurdo!!!

Responder

    Pablo Mattos

    13/01/2011 - 17h24

    hehehehe
    o pior é que é por aí mesmo algumas vezes… Já ouvi futuros professores se espantarem com o "absurdo" de uma empregada doméstica ter tantos eletrodomésticos quanto ela!
    Em tempos de tragédia é muito bonito falar em solidariedade, doações, roupas, mutirão, etc. Mas por que a solidariedade se reduz ao aspecto econômico (da carência e da necessidade) da coisa? Nunca vi nenhum destes jornalões ou figurões da TV enfatizarem a necessidade de que a solidariedade e a justiça social invada a política. Ao menos discutir isto abertamente, dentro de uma perspectiva política de debate público. Pois para mim é contra senso o camarada defender ajuda humanitária, doar roupas, agua e escova de dente em meio à tragédia e não querer, ao menos, discutir políticas sociais…

    Emilio Matos

    17/01/2011 - 19h07

    É o próprio Prof. Hariovaldo!!!

Ailton Pereira

13/01/2011 - 15h45

O último presidente da República a falar em reforma urbana foi chamado de "comunista". Expulsaram-no do Brasil em 1964…

Responder

    Marcia Costa

    13/01/2011 - 17h47

    Excelente lembrança, Ailton (embora seja um pouco triste…)

Marcelo de Matos

13/01/2011 - 15h44

Por mais brilhante que seja do ponto de vista intelectual, ou filosófico (e eu me dei ao trabalho de lê-la na íntegra), essa entrevista não contribui para a resolução do problema das enchentes. O tema é muito difuso: capitalismo periférico, desigualdade social, distribuição de renda, MST, etc. Não é possível reformar o mundo de uma hora para outra. Precisamos é minorar o efeito das enchentes. O que é possível fazer? Como melhorar atuação dos fiscais municipais? Como fazer cumprir as leis municipais sobre ocupação do solo e construção? Outro dia conversei com um fiscal municipal de Itaquera. Ele disse que todo dia tem gente construindo na margem do rio. Ele vê e não pode impedir. Se as chuvas forem fracas, o pessoal vai vivendo; se forem fortes, haverá centenas de desabrigados. Não é possível continuar assim. É preciso que um órgão nacional proíba essas construções irregulares à beira de rios e mananciais. Do contrário não haverá verba de calamidade que atenda a todos os necessitados.

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    Pablo Mattos

    13/01/2011 - 17h37

    Caro Marcelo, esta recusa(?) ao plano teórico é bobeira. Com todo o respeito. Obviamente medidas de emergência devem ser tomadas do ponto de vista prático. Mas a discussão de médio e longo prazo deve passar pelo debate. Neste caso, as perspectivas teóricas ajudam, pois elas dão um norte a discussão. Sem apontar um ponto de chegada, apontam o horizonte que deve ser encarado. A entrevista da Profª ajuda, sim, e muito, pois dá subsídios para compreender algumas falhas e práticas comuns no Brasil. Para que um órgão público proíba estas construções em mananciais e irregulares, esta discussão deve ser compartilhada em todos os cantos da sociedade. Não devemos aderir ao discurso do "minorar os efeitos imediatos" apenas. Devemos atacar profundamente os problemas enquanto sociedade. Isto só se faz efetivamente na democracia plena. E digo democracia plena, debate, dissenso, ideias, propostas, participação da sociedade civil. Uma coisa nã exclui a outra: tratar dos fundamentos do problema e atacar as causas com ações imediatas!

Nelson Marisco

13/01/2011 - 15h25

Prezado Luiz Carlos Azenha

É a mais absolut verdade o que Maricato coloca. Em quanto as questões da Terra, não forem devidamente equcionadas os problemas de ocupação do espaço não serão devidamento encaminhados, para atender de forma mais abrangente uma maior parcela da população brasileira.
Venho tentando desenvolver um trabalho sobre Cadastro Terriotirla Multifinalitário no qual procuro trata das questões dos Registros Públicos das propriedades imobiliarias, mas não consigo entrar nos Cartórios de Registors Públicos para realizar os levantamentos necessários!!!

Nelson Marisco

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Fernando

13/01/2011 - 15h21

Falam muito de São Paulo, mas no estado do Rio já são mais de quinze anos com a direita no poder:

95-98 Marcello Alencar
99-02 Anthony Garotinho
03-06 Rosinha Garotinho
07-11 Sérgio Cabral Filho

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    edv

    13/01/2011 - 17h32

    A diferença não é essa, Fernando.
    É que o PIG já exalta SP, pelo apoio e defesa de seus governantes e respectiva mediocrelite.
    No Rio, metem e meteram o pau em todos estes que vc citou. Seja de esquerda ou de alguma direita…
    Não precisa reforço…
    O último a merecer apoio dele (PIG) foi Carlos Lacerda, há cerca de 50 anos atrás.
    Mas neste tempo havia pluralidade de mídia no Rio. E parte da mídia também metia o pau nele.
    É preciso entender que aqui há sim uma certa "parcialidade compensatória"…
    E necessária, para que se retome a pluralidade que deixara de existir.

    Arthur Schieck

    13/01/2011 - 18h05

    Só o PHA é que acha que Cabral não é de direita.
    Mas, sem dúvida, desses 4 o que mais fez estrago foi o Marcelo Alencar.

Marcio

13/01/2011 - 15h02

A administração pública nas cidades médias tem contribuido muito com a destruição. Numa pujante cidade do norte paranaense, em nome do pagamento às contribuições das imobiliárias e construtoras, a administração cidadã tem permitido a ocupação dos fundos de vale que ficam, pasmem, dentro da cidade. Logo, logo, se verá a destruição de tudo que fica às margens dos córregos que, mal cuidados, poluídos, esquecidos por uma política que deveria estar à serviço da manutenção da vida, colhe dividendos, a se dizer, estranhos. É de uma permissividade total aos grandes proprietários e gente das altas esferas econômicas, pois até árvores que encombrem fachadas dos estabelecimentos comerciais são retiradas, enquanto muitas que necessitam de corte urgente em razão do risco de cair sobre casas são deixadas para depois. Se o problema é da natureza indócil com o progresso desordenado como gostam de dizer os emperdenidos capitalistas, mais ainda é de um poder público que não cumpre a legislação vigente nem as previsões científicas sobre a desordenada ocupação do solo e cede facilmente ao canto da sereia. Pobre Brasil!

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LUCAS PEREIRA

13/01/2011 - 14h53

NATUREZA não poupará o Rio de Janeiro de tragédias HUMANAS nos janeiros vindouros "só para inglês ver". http://desatualidadescronicas.blogspot.com/2011/0

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