VIOMUNDO

Diário da Resistência


Eduardo Bolsonaro bloqueia depoimento e ainda não sabemos quem ia comprar megawatt por R$ 24 e vender por R$ 119
Antonio Cruz/Agencia Brasil
Você escreve

Eduardo Bolsonaro bloqueia depoimento e ainda não sabemos quem ia comprar megawatt por R$ 24 e vender por R$ 119


14/09/2019 - 12h52

Eduardo Bolsonaro impede depoimento de Giordano, do caso Itaipu

por André Barrocal, em CartaCapital

Tentativa de ouvir o empresário foi barrada em votação atípica na comissão da Câmara dirigida pelo deputado

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) conseguiu proteger o pai contra uma tentativa de botar Alexandre Giordano, empresário e suplente de senador pelo PSL paulista, para falar no Congresso sobre o caso Itaipu.

À frente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, ele comandou a derrota, em uma votação inusitada, da proposta de realizar uma audiência pública com Giordano.

O episódio aconteceu na última quarta-feira, dia 11. Eduardo realizou a votação durante uma hora e meia. Votar por tanto tempo assim é inusual em comissões no Congresso.

Nesse período, o filho de Jair Bolsonaro saiu à caça de governistas membros da comissão, via celular, para que fossem votar contra a audiência pública. A proposta de fato foi rejeitada.

Giordano é personagem do escândalo que ameaça de impeachment o presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, devido a um acordo selado e desfeito este ano sobre a usina de Itaipu.

Foi citado como alguém que teria se apresentado, em reunião com autoridades paraguaias, como representante da família Bolsonaro.

Giordano esteve no Palácio do Planalto em 27 de fevereiro de 2019, informação oficial do GSI, o Gabinete de Segurança Institucional.

Um dia antes, Jair Bolsonaro tinha viajado a Foz do Iguaçu, a cidade-sede de Itaipu, para empossar o novo diretor-geral da usina, pelo lado brasileiro, o general Joaquim Silva e Luna. Benitez participara da cerimônia.

A ida do empresário ao Planalto foi descoberta pelo líder do PSOL na Câmara, Ivan Valente (SP), junto ao GSI.

Foi Valente quem propôs a audiência pública, a fim de buscar esclarecimentos sobre uma história com lacunas e informações esquisitas por parte do governo.

Queria que a audiência tivesse ainda o presidente da CPI paraguaia aberta sobre o caso Itaipu.

“Giordano intermediou o acordo de venda de energia. Isso é tráfico de influência”, disse Valente, durante a votação de sua proposta.

A CartaCapital, ele comentou que acredita que o empresário “foi ao Palácio atrás de informação privilegiada, tentar saber se havia espaço para algum tipo de atuação privada nas negociações e no futuro acordo”.

Segundo Eduardo, se Giordano falou em nome de seu pai, “estava falando de maneira desautorizada, isso daí não tem como evitar que pessoas falem o nome do presidente”.

E disse que não via razão para debater o assunto no Congresso. “Isso não é matéria para ser apreciada aqui, é para o poder Judiciário, com o devido processo legal, ampla defesa”, afirmou.

Informações desencontradas

A passagem de Giordano pelo Planalto é motivo de informações desencontradas do governo.

O GSI disse a CartaCapital, via assessoria de imprensa, que o empresário teve “como destino a Secom”, ao entrar no Palácio.

Secom é a Secretaria de Comunicação Social da Presidência.

A Secretaria disse à reportagem que “não houve agenda ou outro compromisso” de Giordano “com representantes da Secom”.

Após CartaCapital revelar, em 26 de agosto, a ida de Giordano ao Planalto, o Estadão ouviu o empresário a respeito.

Comentário dele: “Fui lá para conhecer o chefe da Secom, sempre na minha carreira solo como empresário. Não tem nada, absolutamente nada a ver com Itaipu”.

Ao jornal, a Secretaria mandou a seguinte nota: “A Secom informa que o encontro não ocorreu. O então secretário de Comunicação Social, Floriano Amorim, não conhece tal pessoa e nunca o recebeu”.

No dia em que Giordano foi ao Planalto, a Secom era teoricamente subordinada à Secretaria de Governo da Presidência

. O chefe dessa Secretaria na época era um general que também tem o nome de Floriano (Floriano Peixoto). Na manhã de 27 de fevereiro, Peixoto não estava em Brasília.

Tinha ido ao Rio, participar, às 8h, do evento “Doing Business 2020 – melhoria no ambiente de negócios”.

O empresário entrou no Planalto às 8h59, segundo o GSI. Este recusa-se, porém, a informar a que horas Giordano saiu, o que não permite saber se alguém o recebeu.

Jair Bolsonaro não estava no Planalto naquela manhã, mas em um hospital em São Paulo. Voltaria a Brasília à tarde.

A Secom, responsável pela área de comunicação de toda a Presidência, recusa-se a informar se Giordano esteve em alguma repartição palaciana em 27 de fevereiro, já que com Floriano Amorim não foi.

PS do Viomundo: Giordano atuou como lobista da Léros, a empresa interessada em quebrar o monopólio para comercializar energia produzida por Itaipu no Brasil, um negócio altamente rentável. A quebra do monopólio estava prevista em protocolo assinado pelos governos do Paraguai e do Brasil. Jair Bolsonaro assinou do lado de cá. Quando o negócio veio a público, o presidente Mario Abdo Benítez escapou por um fio do impeachment. Filho do secretário particular do ladrão, traficante, contrabandista, pedófilo e assassino Alfredo Stroessner, que governou o Paraguai de 1954 a 1989, Benítez é um oligarca da “nova política”. Chegou a ser aliado do neto do ditador. No Itaipugate, não se sabe ainda quem ia levar quanto pela picaretagam. Importante lembrar que depois de “muito refletir”, Bolsonaro manteve o probo ex-ministro Carlos Marun, indicado por Michel Temer, no conselho de Itaipu. De acordo com cálculos do colunista Elio Gaspari, no Itaipugate alguém ia comprar energia por R$ 24 o megawatt e vender por R$ 119.

Últimas unidades

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



5 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Zé Maria

16 de setembro de 2019 às 12h37

O sargento da reserva da Polícia Militar, Ronnie Lessa, acusado
de matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson
Gomes, é chefe de milícia na comunidade Rio das Pedras
e da Gardênia do Sul, ambas na zona oeste carioca.
A favela do Rio das Pedras é o mesmo local que o ex-assessor
de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, se escondeu antes de vir
a São Paulo, em dezembro de 2018, para tratar um câncer no
Hospital Albert Einstein.
As informações constam em relatório da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MP-RJ (Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro).

O Policial Militar Ronnie Lesssa atuava no 9º BPM (Rocha Miranda), chefiado, em muitos momentos, pelo Tenente-Coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira.
A guarnição era formada pelos mesmos integrantes, com Lessa incluído na maioria das vezes, e comandada por Cláudio.
O Oficial da PM é conhecido pelo público por ser condenado a
36 anos de prisão, acusado de ser o mandante do assassinato
da juíza Patrícia Acioli.
Cláudio cumpre pena na Penitenciária Federal de Mossoró,
no Rio Grande do Norte.

O PM Lessa, executor dos tiros que mataram brutalmente
a Vereadora Marielle Franco (PSoL), foi preso em 12 de março
na própria casa no condomínio Vivendas da Barra, Barra da Tijuca
– coincidentemente, o mesmo condomínio onde mora
o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), com a
Primeira-Dama, Michelle, na cidade do Rio de Janeiro.
Na ocasião, também foi preso o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz, acusado de dirigir o carro usado no atentado à Vereadora do PSoL-RJ.

O Sargento Reformado da PM, Ronie Lessa, atuava junto com o ex-capitão também da PM, Adriano Magalhães da Nóbrega, um dos
fundadores do grupo de matadores de aluguel Escritório do Crime, alvo da operação Os Intocáveis, do MP-RJ.
Adriano está foragido até hoje.

http://www.mprj.mp.br/home/-/detalhe-noticia/visualizar/72420
https://valor.globo.com/politica/noticia/2019/03/12/o-globo-ex-seguranca-de-bicheiro-ronnie-lessa-nunca-foi-investigado.ghtml
https://oglobo.globo.com/rio/ronnie-lessa-atuava-em-guarnicao-comandada-por-mandante-do-assassinato-da-juiza-patricia-acioli-23515094
https://revistaforum.com.br/brasil/vizinho-de-bolsonaro-pm-que-matou-marielle-e-chefe-da-milicia-em-area-onde-queiroz-se-escondeu/
http://www.mprj.mp.br/web/guest/busca?q=MARIELLE
https://www.viomundo.com.br/denuncias/extra-sargento-matador-de-marielle-vizinho-de-bolsonaro-atuava-com-adriano-que-empregou-mulher-e-filha-em-gabinete-do-hoje-senador-flavio.html

Responder

Thiago

15 de setembro de 2019 às 09h28

APARELHAMENTO

Gregório Duvivier fala do aparelhamento do Estado para proteger a família de milicianos que corrompe o Brasil

https://youtu.be/IjT7vYgdiF0

IMPERDÍVEL!

Responder

Zé Maria

14 de setembro de 2019 às 19h27

Deputado Federal David Miranda (PSoL=RJ),
abre mão de seus sigilos bancário e fiscal
e desafia o Clã Bolsonaro a fazer o mesmo

“Qualquer jornalista que quiser ver está à disposição, está muito claro.
Utilizamos [David e Glenn] minha conta para pagar nossas despesas.
Estou disposto e vou ao juiz demonstrar todos meus extratos
e, também, quero falar se a família Bolsonaro não faria o mesmo.
Michelle Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e Carlos Bolsonaro. Claro,
óbvio, o Queiroz.
Estou de peito aberto e não tenho medo de nenhum de vocês de utilizarem o aparato do Estado para intimidar as publicações da Lava Jato.
Isso [a #VazaJAto] vai continuar, sem medo dessa retaliação”.

https://revistaforum.com.br/politica/david-miranda-aceita-expor-origem-da-renda-familiar-e-desafia-familia-bolsonaro-a-fazer-o-mesmo/

Responder

Zé Maria

14 de setembro de 2019 às 18h10

https://pbs.twimg.com/media/EEcMuU3WwAEUiAb.jpg
EXCLUSIVO!
Nova reportagem: O senador Major Olímpio, personagem
central do “ItaipuGate” e próximo a família Bolsonaro,
estava em Assunção no “Dia D” das negociações que
viraram escândalo.

Um dia depois da publicação da reportagem, o Major Olímpio envia resposta sobre a coincidência de estar no Paraguai no dia
da reunião que detonou o escândalo do ItaipuGate. Atualizamos. Veja se a resposta te convence aqui: https://t.co/sj4iePt9c5

https://twitter.com/agsportlight/status/1172553462112014336
http://agenciasportlight.com.br/index.php/2019/09/13/major-olimpio-estava-em-assuncao-no-dia-d-da-negociacao-que-resultou-no-escandalo-do-itaipugate/

Responder

Zé Maria

14 de setembro de 2019 às 13h23

O Marun tava no Negócio! Não poderia ser outro Falcatrua!

Agora, convenhamos que não há FamíGlia no Brasil, tão eficaz
em fazer Blindagem dos negócios ilícitos do Clã, como essa do
Jair Bolsonaro. Quiçá, só a Prole do Roberto Marinho se iguale.

Responder

Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding
Loja
Compre aqui
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação e traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.