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Dr. Rosinha, sobre o massacre da PF do Paraná: “Atiravam e se regozijavam dessa ‘proeza'”
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Dr. Rosinha, sobre o massacre da PF do Paraná: “Atiravam e se regozijavam dessa ‘proeza'”


24/04/2018 - 20h47

Fotos twitter Rodrigo Vianna

O massacre da PF no Paraná

por Dr. Rosinha*, especial para o Viomundo

Agora que a poeira baixou, que a fumaça, pelo vento, foi varrida para longe, o sangue do chão foi lavado pela chuva, os gritos de dor foram silenciados e os de indignação, guardados dentro do peito, é possível escrever sobre o sábado, dia 7 de abril.

O distanciamento que permite escrever a respeito desse massacre agora é apenas aquele da marcação do tempo no relógio, porque a indignação é pulsante a cada dia que passa.

Naquele dia 7, muita gente apreensiva e indignada esperava a chegada de Lula ao prédio da Policia Federal (PF) do Paraná.

Eram mais de mil pessoas em frente à PF, que estavam ali para demonstrar solidariedade à Lula e para protestar contra a injustiça de sua prisão, bem como para defender a democracia. Protestar contra a ditadura do Poder Judiciário e da mídia comercial.

Ao longo do dia, desde o período da manhã, aos poucos foram se juntando no local gente e mais gente: homens, mulheres e crianças.

Pessoas de todas as idades se abraçavam e, indignadas, comentavam sobre a conjuntura política e a desgraça que desaba sobre o Brasil e seu povo, principalmente sobre a classe trabalhadora.

Cumprimentos e encontros apreensivos.

Apreensiva espera.

Para todos e todas que ali estavam, a espera era como o cumprimento de uma sentença. Infelizmente, uma sentença anunciada.

Um olho, um ouvido aqui e outro em São Bernardo do Campo (SBC).“Bem que o povo de SBC não devia ter deixado ele sair de lá”, alguns comentaram. Deixaram.

A tarde de apreensão e nervosismo entrou na noite de espera. A espera para demonstrar a solidariedade a Lula e o protesto pela injusta condenação.

Solidários, esperávamos o Lula. Solidários a Lula e em protesto contra a parcialidade de Sérgio Moro, o juiz que não prende os corruptos do PSDB, melhor, nas fotos, está sempre sorridente e feliz ao lado de alguns deles.

Entre nós, um ir e vir.

Entre nós, um nervosismo crescente.

Entre nós, noticias desencontradas encontravam nossos ouvidos.

Nervosos, nos perguntávamos o que era verdade e o que era mentira.

Riso apertado.

Choro nervoso. Desesperado.

O helicóptero com Lula começa a se aproximar. Bombas começam a explodir.

Correria. Mais bombas.

Bombas. Tiros.

Bombas. Tiros. Gritos.

Correria em rumo incerto: para onde correr?

Correria com final incerto: até onde as bombas alcançarão.

Policiais da Polícia Federal atiravam e regozijavam-se dessa ‘proeza’.

Alegres atiravam.

Riam da dor alheia.

Se, de um lado do prédio da PF do Paraná, havia manifestantes em solidariedade a Lula, do outro lado, do mesmo prédio, estavam os fascistas se embriagando de álcool e de ódio à Lula.

Com bateria de foguetes e raios laser contra o helicóptero, atentavam, naquele momento, contra a vida de Lula. Atentavam também contra a vida do piloto.

Contra estes, os policias da PF nada faziam. Melhor, tudo permitiam.

A PF e a Policia Militar do Paraná foram alertadas, antes da chegada do helicóptero, de que havia bateria de foguetes. Negaram que havia e, quando se constatou que existia, nada fizeram.

Desde o início da investigação da Lava Jato, o Ministério Público, o Poder Judiciário, na figura de Sérgio Moro e a PF do Paraná têm agido ideologicamente e de maneira parcial.

A ação da PF nesse dia foi mais uma demonstração da postura ideológica. Massacrava os que se solidarizavam com Lula e protegia quem atentava contra sua vida.

No pós-massacre imediato, restou a rua cheia de objetos pessoais. Na fuga, abandonou-se o banquinho, o guarda sol, perdeu-se o sapato, óculos, chaves de carro.

Pessoas eram socorridas e outras se abraçavam chorando. Crianças em desesperado pranto tremiam e se abraçavam. Dentro do prédio da PF policiais festejavam o feito.

Hoje, se a poeira baixou, se a fumaça, pelo vento, foi varrida para longe, se o sangue do chão foi lavado pela chuva e se os gritos de dor foram silenciados, restam os gritos de revolta e de indignação.

Estes continuam a ser gritados e são ouvidos todos os dias a cem metros do prédio da PF do Paraná.

O que era uma vigília, no pós-massacre, se transformou num acampamento. Lá, todos os dias, indignados e revoltados pela perseguição a Lula, gritamos “Lula Livre”.

*Doutor Rosinha é presidente do Diretório Estadual do PT-PR, ex-deputado federal e foi Alto Representante do Mercosul no Governo Dilma.

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6 comentários

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Julio Silveira

25 de abril de 2018 às 13h14

Isso só demonstra o distanciamento dessa gente da moral e do respeito a dignidade humana.
O distintivo lhes tornam outra coisa, alienigenas.

Responder

FrancoAtirador

24 de abril de 2018 às 21h32

Enquanto isso…

Máfia de Sarney e Bolsonaro na Assembleia Maranhense
pedem Intervenção de Temer no Maranhão, com base
num papel assinado por um Merdinha da Polícia Militar.

https://twitter.com/FlavioDino/status/988836407388135424
https://twitter.com/depcafeteira/status/988852175697797120

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